O que se entende mesmo por crise?

     Leonardo Boff

Atualmente parece estar tudo em crise: a ordem do capital, a economia, a política, as ciências, as éticas,  os valores, as religiões e, entre nós,no Brasil até o futebol. Numa palavra, temos a ver com uma crise de civilização, vale dizer,  da nossa forma de estar no mundo, como organizamos a sociedade e estabelecemos os valores e leis que nos regem.Não há campo livre,especialmente concernente ao futuro.

Ela pode representar uma tragédia cujo desfecho pode ser destrutivo, como no teatro grego ou um drama cujo termo pode ser benaventurado como na liturgia cristã que celebra a páscoa da ressurreição depois da sexta-feira santa da paixão.

A humanidade está posta diante desta decisão: ou continuar como está e poderemos ir ao encontro de uma tragédia civilizatória ou  abrir um novo caminho, marcado, certamente, por um drama mas que promete um futuro melhor.

A Carta da Terra,um dos principais documentos da ONU pensando o futuro do planeta Terra afirma:“As bases da segurança global estão ameaçadas;essas tendências são perigosas mas não inevitáveis. A escolha é nossa: ou formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a detruição da diversidade da vida”(preâmbulo).Eis com que crise radical somos confrontados.

Expliquemos primeiramente o que entendemos por crise. A maioria recorre ao idiograma chinês de crise: como risco e como oportunidade,o que  julgo iluminador. Mas prefiro a rica significação de crise em sânscito, por ser a matriz de nossa lingua e por possuir ressonâncias em outras palavras.

Em sânscrito, crise vem de kir ou kri que significa purificar e limpar. De kri vem crisol, o cadinho para depurar o ouro das gangas. Acrisolar, na linguagem elegante, quer dizer também decantar. Uma doença grave produz uma crise profunda no enfermo. Ao sair da crise, reavalia o sentido da vida e resgata o valor das coisas mais cotidianas. Então, a crise significa um processo critico, de depuração de tudo o que não é essencial. O acidental permance acidental.

Abordemos a natureaa da crise. Quem por primeiro aprofundou a crise associada à angústia foi  Sören Kierkegaard (2013-1855:O conceito de angústia, Vozes)  tido um dos fundadores do existencialismo. Era filósofo e teólogo.Escrevu outro com o título A crise e uma crise na vida de uma atriz.   Para ele a vida é entendida como processo permanente de angústias e crises e de superação de angústias e de  crises.

Outro pensador fundamental da crise foi o filósofo espanhol Ortega y Gasset(1883-1955), conhecido como o autor da frase “eu sou eu e minha circnstânca”.Escreveu um ensaio de 1942, mais tarde publicado como Ao redor de Galileo Galilei: esquemas das crises históricas (Vozes 1989).Mostrou que a história, por causa de suas rupturas e  retomadas, possui a estrutura da crise.

Esta obedece,segundo o autor, à seguinte lógica: (1) a ordem dominante deixa de realizar um sentido evidente; (2) anuncia-se  a percepção de que um muro se levanta à nossa frente, por isso reinam dúvida,  ceticismo e uma crítica generalizada; (3) urge uma decisão que cria novas certezas e um outro sentido; mas como decidir se não se vê claro? mas sem decisão não haverá saida para a crise; (4) tomada a decisão, mesmo sob risco, então abre-se, novo caminho e outro espaço para a liberdade. Superou-se a crise. Nova  ordem pode começar.

Ela se traduzirá por um curso diferente das coisas. Depois, seguindo a lógica da crise, esta ordem também entrará em crise. E permitirá, após processo crítico de acrisolamento e purificação, a emergência de nova ordem. E assim sucessivamente se estrutura a história humana.

A crise possui também uma dimensão pessoal, especialmente, a grande crise  representada pela morte. Ela revela também uma dimensão cósmica que é o fim do universo. Este, creio eu, não acaba na morte térmica e no completo vazio mas numa explosão e implosão para dentro da Suprema Realidade.

Entretanto, todo processo de purificação não se faz sem cortes e rupturas. Dai a necessidade da de-cisão. A de-cisão opera uma cisão com o anterior e inaugura o novo. Assim resgatemos  o sentido grego de crise.

Em grego krisis, crise, significa o processo de decisão tomada por um juiz ou um médico.  O juiz pesa e sopesa os argumentos prós e os contra e o médico conjuga os vários sintomas da doença. À base deste processo  ambos tomam suas  decisões pelo tipo de sentença a ser proferida ou pelo tipo de doença a ser tratada. Esse processo decisório é chamado crise. Encontrada a solução, a crise desaparece.

O evangelho de São João usa 30 vezes a palavra crise no sentido de decisão que a maioria dos tradutores, insensíveis às riquezas da palavra original krísis, traduzem por juizo. O fato real é que Jesus compareceu como “a crise do mundo”(krisis tou cosmou), pois obrigava as pessoas a se decidirem em favor ou em contra de sua mensagem e pessoa.

O Brasil vive, há séculos,  protelando suas crises porque as lideranças não possuem a ousadia histórica de tomar decisões que cortassem com o passado perverso. Sempre se fizeram e se fazem conciliações negociadas a pretexto da governabilidade(cf.o clássico José Honório Rodrigues, Conciliação e Reforma no Brasil, 1965). Desta forma sutilmente se preservam os privilégios das elites do atraso e novamente as grandes maiorias são condenadas continuar na sua miséria ou na marginalidade.

A crise do capitalismo é notória.Como mostrou Carl Polaniy em sua A grande Transformação,(Campus,2000),de uma sociedade com mercado se passou para uma sociedade de mercado, Tudo é feito mercadoria (até órgãos humanos), coisa que Marx em  1847 o previu e chamou de “o tempo da corrupção geral e da venalidade universal”(A miséria da filosofia). Hoje predomina o capital especulativo que não produz sequer um prego, apenas dinheiro e mais dinheiro.  Seguramente terminará muma crise fenomenal afetando cruelmente milhões de pobres. 

Bem disse Platão em meio à crise da cultura grega:“as coisas grandes só acontecem no caos, na krisis”. Com a de-cisão, o caos e a crise desaparecerão e pode nascer  nova  ordem. Assim terminava Martin Heidegger,feito nazista por um tempo, sua preleção inaugural como reitor da universidade de Friburgo i,B. na Alemanha.

Oxalá desta crise planetária, surja um novo ensaio civilizatório que, esperamos, seja mais integrador, mais humanitário,mais espiritual e mais cuidador.Caso contrário….

Leonardo Boff escreve para a revista LIBERTA do (ICL: (https://www.revistaliberta.com.br;escreveu também A grande transformação na economia, na política e na ecologia (Vozes 2014:https://www.leonardoboff.org).

Ohne den Fuß gibt es weder Fußball noch eine Weltmeisterschaft

Leonardo Boff

Zu Ehren der Millionen Fußballfans bei dieser Weltmeisterschaft habe ich diese Hommage an den Fuß verfasst, ohne den es weder Fußball noch eine Weltmeisterschaft gäbe. Hier ist der Text, in dem sich alles um den Fuß dreht.

Wenn ein Außerirdischer auf die Erde käme und beobachten würde, wie die Menschen mit ihren Füßen umgehen, wäre er vermutlich entsetzt. Es scheint, als hielten sie die Füße für den unwürdigsten Teil des Körpers, denn sie verstecken sie. Schlimmer noch: Sie versuchen, ihre Füße mit einem Stück Stoff, das man Socken nennt, einzuengen.

Dann zwängen sie ihre Füße in etwas Härteres – aus Leder –, etwa in Schuhe oder Turnschuhe. Und damit nicht genug: Sie schnüren die Schuhe – mit den Füßen darin – mithilfe dünner Schnüre oder Senkel fest zu, um sicherzustellen, dass sich die Füße nicht befreien können.

Und schließlich verlagern sie ihr gesamtes Körpergewicht auf ihre Füße und zwingen sie so dazu, den Staub der Wege zu riechen, die Härte der Steine ​​zu ertragen und den Schmutz der Pfützen zu spüren.

Diese Interpretation der Füße durch die Außerirdischen ist jedoch von außen betrachtet und irrtümlich. Wir pflegen unsere Füße, da sie unser natürliches Fortbewegungsmittel darstellen. Wir laufen fast immer im Haus und auf dem Gras umher. Zudem sind die Füße das überzeugendste Zeichen unserer Hominisierung. Wir ließen das Tierreich hinter uns, als sich unsere menschenaffenartigen Vorfahren aufrichteten und begannen, aufrecht zu gehen – um weiter blicken zu können, was die Gehirnentwicklung und die Entdeckung der besten Nahrungsquellen ermöglichte.

Anatomisch gesehen sind die Füße ein Wunderwerk: mit einem widerstandsfähigen Spann, der der Reibung standhält, und einer festen Sohle, die vor der Beschaffenheit des Untergrunds schützt. 

Ein Geflecht aus kleinen Sehnen stützt die Gelenke, die für das Gleichgewicht bei Fußbewegungen sorgen. Was Tänzer alles mit ihren Füßen anstellen können! Es gibt sogar Menschen, die mit den Füßen malen oder schreiben. Es existieren eindrucksvolle Gemälde des großen spanischen Künstlers Goya, die mit den Füßen geschaffen wurden.

Der Fuß ist so bedeutend, dass er von vielen antiken und modernen Völkern – etwa den Angelsachsen – als Maßeinheit gewählt wurde. Ein Fuß entspricht 30,48 cm. Die Dichtung, die edelste Form der Literatur, muss über die richtigen Versfüße verfügen, um harmonisch zu wirken – dies gilt insbesondere für das Sonett, die höchste Form der Dichtung.

Ohne Füße gäbe es keinen Fußball – einen Sport, für den die Füße alles bedeuten. Nicht einmal die Autoren des Magazins *LIBERTA* haben es sich zur Aufgabe gemacht, ihre eigene Weltauswahl zusammenzustellen. Es ist der kreativste, vielfältigste und mobilisierendste Sport, den es gibt. Er wird ausschließlich mit den Füßen gespielt. Die Hände zählen nicht; sie sind nur dem Torwart gestattet. Doch selbst dieser kickt den Ball meistens mit dem Fuß.

Im Fußball dient der Fuß als Metapher für das Beste, was wir zu bieten haben: die gelungene Verbindung von individueller Leistung und gemeinschaftlichem Zusammenspiel. Fußball kann eine wahre Schule der Tugend sein – er lehrt Selbstbeherrschung, Gelassenheit, Freundlichkeit und Verständnis, indem man sich entscheidet, auf einen Tritt nicht mit einem weiteren Tritt zu reagieren. Da wir Menschen sind, verlieren wir bisweilen die Beherrschung, und solche Dinge können vorkommen. Dennoch ist ein solches Verhalten nicht zulässig. Ein Spieler, der seinen Fuß auf diese Weise einsetzt, wird verwarnt, mit einer Gelben oder Roten Karte bestraft und womöglich sogar des Feldes verwiesen. Ohne den Fuß gäbe es keine Fußballmeisterschaften – geschweige denn die Weltmeisterschaft in Mexiko, den USA und Kanada.

Die vielfältigen Bedeutungen des Fußes erlauben es uns, ein Loblied auf den Fuß zu singen. 

In einer Welt, die politisch keinen Sinn ergibt – in der Staatschefs durch Konflikte wie jene im Gazastreifen (unter Beteiligung Israels), in der Ukraine (mit Russland), im Kongo und im Iran (wo die USA ständig im Streit mit anderen liegen und den Terrorismus bekämpfen) stolpern –, bietet uns die Fußball-Weltmeisterschaft einen Ankerpunkt, um uns eine Weltgemeinschaft vorzustellen, die ein freundschaftliches, ja brüderliches Miteinander fördert – getragen von der Begeisterung der Fans aller Nationen. Es ist bedauerlich, dass all dies durch Präsident Trump verzerrt wurde, der faktisch einen berühmten Schiedsrichter sowie ganze Betreuerstäbe aus dem Spiel drängte.

Einerseits sollten wir uns vor utopischen Entwürfen hüten; andererseits dürfen wir nicht davon ablassen, zivilisierte Formen des globalen Zusammenlebens anzustreben. Natürlich bleibt diese Welt weit hinter dem Traum all jener zurück, die sich eine andere, mögliche Welt vorstellen – einem Traum, der in der unerschütterlichen Hoffnung des Menschen wurzelt.

Wir können schon jetzt den richtigen Fuß voranstellen, indem wir den Opfern zur Seite stehen, auch wenn wir manchmal wegen des Drucks der Mächtigen und ihrer Drohungen einen Schritt zurückweichen müssen. Aber wir werden in dieser heiligen Sache standhaft bleiben, in dem Wissen, dass man sie nicht erreicht, wenn man den Rücken kehrt. Wir werden niemals davonlaufen. Sondern wir werden beharrlich und ausdauernd standhaft bleiben.

Hoffentlich lassen uns Verwandte und Freunde niemals im Stich. Sonst müssen wir das gleiche Leid ertragen wie ein Blinder, der sich, der Arme, mit seinem Blindenstock orientiert und hier und da stolpert und sich dabei die Füße verletzt.

Wie offensichtlich ist, sind unsere Füße für fast alles in unserem Leben von grundlegender Bedeutung. Sie bilden das Fundament für so vieles. Wenn wir tief und fest schlafen wollen, sagt man, wir schlafen „mit ausgestreckten Beinen“ (auf Spanisch: „dormir a piernas sueltas“).

Dieser Text wünscht der brasilianischen Nationalmannschaft einen großartigen Start – ebenso wie den Journalisten und Kommentatoren des Magazins *LIBERTA* (vom Instituto Conhecimento Liberta / ICL), die beschlossen haben, ein eigenes Team aufzustellen. Wer das Magazin *LIBERTA* abonniert, erhält auf Fakten basierende Nachrichten und Kommentare, die absolut schlüssig sind. Bleiben wir stets wachsam und aufrecht.

Leonardo Boff schreibt wöchentlich Beiträge für die Zeitschrift LIBERTA, die vom Instituto Conhecimento Liberta (ICL) herausgegeben wird.

Senza il piede non ci sarebbero né calcio né Coppa del Mondo

Leonardo Boff

In omaggio ai milioni di tifosi di calcio presenti a questi Mondiali, ho scritto questo elogio del piede, senza il quale non ci sarebbero né calcio né Coppa del Mondo. Ecco il testo completo, incentrato sul piede.

Se qualche extraterrestre venisse sulla Terra e notasse come gli umani trattano i loro piedi, sospetto che ne rimarrebbe scandalizzato. Sembra che considerino i piedi la parte meno nobile del corpo tanto da nasconderli. Peggio ancora, cercano di soffocarli con un pezzo di stoffa, chiamato calzino.

Poi strangolano i piedi con qualcosa di più duro, le scarpe di cuoio o da ginnastica. E non contenti, legano le scarpe con i piedi dentro, con dei lacci sottili, per assicurarsi che i piedi non si liberino.

E infine, scaricano tutto il peso del corpo sui piedi, costringendoli a odorare la polvere delle strade, a soffrire la durezza delle pietre e a sentire il fango delle pozzanghere.

Ma questa interpretazione dei piedi, fatta da alieni, è esteriore e sbagliata. Ciò che facciamo ai piedi è prendercene cura, poiché i piedi costituiscono il nostro naturale mezzo di trasporto. Quasi sempre andiamo a piedi scalzi in casa e sull’erba. Più ancora, i piedi sono il segno più evidente della nostra ominide. Abbiamo lasciato indietro il regno animale quando i nostri antenati antropoidi si sono alzati in piedi e hanno iniziato a camminare in posizione eretta, per vedere più lontano, consentendo lo sviluppo del cervello e la scoperta dei cibi migliori.

Anatomicamente i piedi sono un miracolo, con un dorso duro per assorbire gli attriti e una pianta coerente per proteggersi dalla ruvidezza del terreno.

Una rete di piccoli tendini assicura le articolazioni che forniscono equilibrio ai movimenti dei piedi. Cosa non fanno i ballerini con i piedi?! Ci sono persino persone che dipingono o scrivono con i piedi. Esistono quadri drammatici del grande pittore spagnolo Goya che li ha dipinti con i piedi.

Il piede è così importante che è stato scelto da molti popoli antichi e moderni, compresi gli anglo-sassoni, come unità di misura. Un piede corrisponde a 30,48 cm. La poesia, la forma più nobile di letteratura, ha bisogno dei piedi giusti per essere armoniosa, soprattutto la forma più elevata di poesia che è il sonetto.

Senza i piedi non avremmo il calcio, per il quale i piedi sono tutto. Persino i giornalisti della rivista LIBERTA si sono proposti di creare una propria selezione. È lo sport più creativo, vario e coinvolgente che esista. Solo con i piedi. La mano non vale, è consentita solo al portiere. Ma in quel caso, anche lui calcia di solito la palla con il piede.

Il piede nel calcio costituisce una metafora di ciò che meglio possiamo rappresentare: la felice combinazione di prestazione individuale e cooperazione di gruppo. Il calcio può essere una vera scuola di virtù: autocontrollo, tranquillità, gentilezza e la capacità di comprensione non replicando a un calcio con un calcio (in brasiliano ponta-pé). Poiché siamo umani e perdiamo il controllo, a volte può succedere. Ma non è permessa. Il giocatore che usa il piede in questo modo è ammonito con un cartellino giallo oppure punito con un cartellino rosso ed essere espulso. Senza il piede, non ci sarebbero campionati di calcio, tanto meno la Coppa del Mondo di calcio in Messico, negli Stati Uniti e in Canada.

I vari significati di piede ci permettono di fare l’elogio del piede.

In un mondo politicamente senza piedi né testa, con capi di Stato che entrano con i piedi al posto delle mani nei conflitti come nella Striscia di Gaza con Israele, in Ucraina con la Russia, in Congo e in Iran con gli Stati Uniti sempre in piedi di guerra con altri e contro il terrorismo, troviamo nel Campionato Mondiale di Calcio un piede per pensare a una società mondiale che dia piede a forme di convivenza amichevole e persino fraterna, incontrando un piede d’appoggio nell’entusiasmo dei tifosi di tutti i paesi. È una pena che tutto ciò sia stato distorto dal Presidente Trump, che ha dato un calcio (ponta-pé) a un famoso arbitro e a intere equipe tecniche.

Da un lato, dobbiamo stare con un piede dietro difronte gli utopismi; dall’altro, non dobbiamo tirare indietro il piede nella ricerca di forme civili di convivenza globale. Logicamente, questo mondo non arriva neppure ai piedi del sogno di tanti che desiderano un altro mondo possibile, tenendo i loro piedi ben piantati in un’incrollabile speranza umana.

Possiamo iniziare con il piede giusto fin da ora, schierandoci ai piedi delle vittime, anche se a volte dovremo fare un passo indietro a causa delle pressioni dei potenti e delle loro minacce. Ma battiamo i piedi (restiamo saldi) in questa sacra causa, sapendo che non si può raggiungere con il pé nas costas (voltando le spalle). Giammai andiamo dar no pé (arrendersi). Ma insisteremo e persisteremo batendo o pé (rimanendo saldi).

Oxalá, che i nostri parenti e amici non ci lascino a piedi. Altrimenti, soffriremo quanto un pé de cego che, poverino, si muove con un bastone e vive inciampando qua e là, facendosi male ai piedi.

Come si comprende, i piedi sono fondamentali in quasi tutto nella nostra vita. Essi danno piede (forniscono le basi) per tantissime cose. Quando vogliamo dormire comodamente, diciamo che dormiamo con i piedi divaricati (in spagnolo: dormir a piernas sueltas).

Questo testo augura buona fortuna alla Seleção Brasileira e anche ai giornalisti e commentatori della rivista LIBERTA dell’Instituto Conhecimento Liberta (ICL) che hanno deciso di creare la propria selezione. Chi si abbona alla rivista LIBERTA riceverà notizie con i piedi nella verità e commenti con testa e piedi. Manteniamoci sempre attenti e in piedi.

Leonardo Boff collabora settimanalmente con la rivista LIBERTA dall’Instituto Conhecimento Liberta (ICL)

(https://www.revistaliberta.com.br)

(Traduzione dal portoghese di Gianni Alioti)

Senza il piede non ci sarebbero né calcio né Coppa del Mondo

Leonardo Boff
  Leonardo Boff

In omaggio ai milioni di tifosi di calcio presenti a questi Mondiali, ho scritto questo elogio del piede, senza il quale non ci sarebbero né calcio né Coppa del Mondo. Ecco il testo completo, incentrato sul piede.

Se qualche extraterrestre venisse sulla Terra e notasse come gli umani trattano i loro piedi, sospetto che ne rimarrebbe scandalizzato. Sembra che considerino i piedi la parte meno nobile del corpo tanto da nasconderli. Peggio ancora, cercano di soffocarli con un pezzo di stoffa, chiamato calzino.

Poi strangolano i piedi con qualcosa di più duro, le scarpe di cuoio o da ginnastica. E non contenti, legano le scarpe con i piedi dentro, con dei lacci sottili, per assicurarsi che i piedi non si liberino.

E infine, scaricano tutto il peso del corpo sui piedi, costringendoli a odorare la polvere delle strade, a soffrire la durezza delle pietre e a sentire il fango delle pozzanghere.

Ma questa interpretazione dei piedi, fatta da alieni, è esteriore e sbagliata. Ciò che facciamo ai piedi è prendercene cura, poiché i piedi costituiscono il nostro naturale mezzo di trasporto. Quasi sempre andiamo a piedi scalzi in casa e sull’erba. Più ancora, i piedi sono il segno più evidente della nostra ominide. Abbiamo lasciato indietro il regno animale quando i nostri antenati antropoidi si sono alzati in piedi e hanno iniziato a camminare in posizione eretta, per vedere più lontano, consentendo lo sviluppo del cervello e la scoperta dei cibi migliori.

Anatomicamente i piedi sono un miracolo, con un dorso duro per assorbire gli attriti e una pianta coerente per proteggersi dalla ruvidezza del terreno.

Una rete di piccoli tendini assicura le articolazioni che forniscono equilibrio ai movimenti dei piedi. Cosa non fanno i ballerini con i piedi?! Ci sono persino persone che dipingono o scrivono con i piedi. Esistono quadri drammatici del grande pittore spagnolo Goya che li ha dipinti con i piedi.

Il piede è così importante che è stato scelto da molti popoli antichi e moderni, compresi gli anglo-sassoni, come unità di misura. Un piede corrisponde a 30,48 cm. La poesia, la forma più nobile di letteratura, ha bisogno dei piedi giusti per essere armoniosa, soprattutto la forma più elevata di poesia che è il sonetto.

Senza i piedi non avremmo il calcio, per il quale i piedi sono tutto. Persino i giornalisti della rivista LIBERTA si sono proposti di creare una propria selezione. È lo sport più creativo, vario e coinvolgente che esista. Solo con i piedi. La mano non vale, è consentita solo al portiere. Ma in quel caso, anche lui calcia di solito la palla con il piede.

Il piede nel calcio costituisce una metafora di ciò che meglio possiamo rappresentare: la felice combinazione di prestazione individuale e cooperazione di gruppo. Il calcio può essere una vera scuola di virtù: autocontrollo, tranquillità, gentilezza e la capacità di comprensione non replicando a un calcio con un calcio (in brasiliano ponta-pé). Poiché siamo umani e perdiamo il controllo, a volte può succedere. Ma non è permessa. Il giocatore che usa il piede in questo modo è ammonito con un cartellino giallo oppure punito con un cartellino rosso ed essere espulso. Senza il piede, non ci sarebbero campionati di calcio, tanto meno la Coppa del Mondo di calcio in Messico, negli Stati Uniti e in Canada.

I vari significati di piede ci permettono di fare l’elogio del piede.

In un mondo politicamente senza piedi né testa, con capi di Stato che entrano con i piedi al posto delle mani nei conflitti come nella Striscia di Gaza con Israele, in Ucraina con la Russia, in Congo e in Iran con gli Stati Uniti sempre in piedi di guerra con altri e contro il terrorismo, troviamo nel Campionato Mondiale di Calcio un piede per pensare a una società mondiale che dia piede a forme di convivenza amichevole e persino fraterna, incontrando un piede d’appoggio nell’entusiasmo dei tifosi di tutti i paesi. È una pena che tutto ciò sia stato distorto dal Presidente Trump, che ha dato un calcio (ponta-pé) a un famoso arbitro e a intere equipe tecniche.

Da un lato, dobbiamo stare con un piede dietro difronte gli utopismi; dall’altro, non dobbiamo tirare indietro il piede nella ricerca di forme civili di convivenza globale. Logicamente, questo mondo non arriva neppure ai piedi del sogno di tanti che desiderano un altro mondo possibile, tenendo i loro piedi ben piantati in un’incrollabile speranza umana.

Possiamo iniziare con il piede giusto fin da ora, schierandoci ai piedi delle vittime, anche se a volte dovremo fare un passo indietro a causa delle pressioni dei potenti e delle loro minacce. Ma battiamo i piedi (restiamo saldi) in questa sacra causa, sapendo che non si può raggiungere con il pé nas costas (voltando le spalle). Giammai andiamo dar no pé (arrendersi). Ma insisteremo e persisteremo batendo o pé (rimanendo saldi).

Oxalá, che i nostri parenti e amici non ci lascino a piedi. Altrimenti, soffriremo quanto un pé de cego che, poverino, si muove con un bastone e vive inciampando qua e là, facendosi male ai piedi.

Come si comprende, i piedi sono fondamentali in quasi tutto nella nostra vita. Essi danno piede (forniscono le basi) per tantissime cose. Quando vogliamo dormire comodamente, diciamo che dormiamo con i piedi divaricati (in spagnolo: dormir a piernas sueltas).

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Leonardo Boff collabora settimanalmente con la rivista LIBERTA dall’Instituto Conhecimento Liberta (ICL)

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(Traduzione dal portoghese di Gianni Alioti)






































































































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  Leonardo Boff In
omaggio ai milioni di tifosi di calcio presenti a questi Mondiali, ho scritto
questo elogio del piede, senza il quale non ci sarebbero n
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n
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Ecco il testo completo, incentrato sul piede.
 Se
qualche extraterrestre venisse sulla Terra e notasse come gli umani trattano i
loro
piedi, sospetto
che ne rimarrebbe scandalizzato. Sembra che considerino i
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nobile del corpo tanto da nasconderli. Peggio ancora, cercano di soffocarli con
un pezzo di stoffa, chiamato calzino.
 Poi
strangolano i
piedi con
qualcosa di più duro, le scarpe di cuoio o da ginnastica. E non contenti,
legano le scarpe con i
piedi dentro,
con dei lacci sottili, per assicurarsi che i
piedi non si liberino. E
infine, scaricano tutto il peso del corpo sui
piedi, costringendoli a odorare la polvere delle
strade, a soffrire la durezza delle pietre e a sentire il fango delle
pozzanghere.
 Ma
questa interpretazione dei
piedi, fatta da
alieni, è esteriore e sbagliata. Ciò che facciamo ai
piedi è prendercene cura, poiché i
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nostro naturale mezzo di trasporto. Quasi sempre andiamo a
piedi scalzi in casa e sull’erba. Più ancora, i piedi sono il segno più evidente
della nostra ominide. Abbiamo lasciato indietro il regno animale quando i
nostri antenati antropoidi si sono alzati in
piedi e hanno iniziato a camminare in posizione
eretta, per vedere più lontano, consentendo lo sviluppo del cervello e la
scoperta dei cibi migliori.
 Anatomicamente
i
piedi sono un
miracolo, con un dorso duro per assorbire gli attriti e una pianta coerente per
proteggersi dalla ruvidezza del terreno.
 Una
rete di piccoli tendini assicura le articolazioni che forniscono equilibrio ai
movimenti dei
piedi. Cosa non
fanno i ballerini con i
piedi?! Ci sono
persino persone che dipingono o scrivono con i
piedi. Esistono quadri drammatici del grande
pittore spagnolo Goya che li ha dipinti con i
piedi. Il
piede è così importante
che è stato scelto da molti popoli antichi e moderni, compresi gli a
nglo-sassoni,
come unità di misura. Un
piede
corrisponde a 30,48 cm. La poesia, la forma più nobile di letteratura, ha
bisogno dei
piedi giusti per
essere armoniosa, soprattutto la forma più elevata di poesia che è il sonetto.
 Senza
i
piedi non
avremmo il calcio, per il quale i
piedi sono tutto. Persino i giornalisti della rivista LIBERTA
si sono proposti di creare una propria selezione. È lo sport più creativo,
vario e coinvolgente che esista. Solo con i
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portiere. Ma in quel caso, anche lui calcia di solito la palla con il
piede. Il
piede nel calcio
costituisce una metafora di ciò che meglio possiamo rappresentare: la felice
combinazione di prestazione individuale e cooperazione di gruppo. Il calcio può
essere una vera scuola di virtù: autocontrollo, tranquillità, gentilezza e la
capacità di comprensione non replicando a un calcio con un calcio (in
brasiliano
ponta-pé). Poiché siamo
umani e perdiamo il controllo, a volte può succedere. Ma non è permessa. Il
giocatore che usa il
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ed essere espulso. Senza il
piede, non ci
sarebbero campionati di calcio, tanto meno la Coppa del Mondo di calcio in
Messico, negli Stati Uniti e in Canada.
 I
vari significati di
piede ci
permettono di fare l’elogio del
piede. In
un mondo politicamente
senza
piedi

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in

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terrorismo, troviamo nel Campionato Mondiale di Calcio un
piede per pensare a una
società mondiale che dia
piede a forme di
convivenza amichevole e persino fraterna, incontrando un
piede d’appoggio
nell’entusiasmo dei tifosi di tutti i paesi. È una pena che tutto ciò sia stato
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 Da
un lato, dobbiamo stare con un
piede
dietro
difronte gli utopismi; dall’altro, non dobbiamo tirare indietro il
piede nella ricerca di
forme civili di convivenza globale. Logicamente, questo mondo non arriva
neppure
ai piedi del sogno
di tanti che desiderano un altro mondo possibile, tenendo i loro
piedi ben piantati in
un’incrollabile speranza umana.
 Possiamo
iniziare con il
piede giusto fin da
ora, schierandoci
ai piedi delle
vittime, anche se a volte dovremo fare un
passo indietro a causa delle
pressioni dei potenti e delle loro minacce. Ma
battiamo i piedi (restiamo saldi) in
questa sacra causa, sapendo che non si può raggiungere con il
pé nas costas (voltando le spalle). Giammai andiamo dar no pé (arrendersi). Ma insisteremo e persisteremo
batendo o pé (rimanendo
saldi).
 Oxalá,
che i nostri parenti e amici non ci lascino
a piedi. Altrimenti, soffriremo quanto un
pé de cego che, poverino, si muove con un
bastone e vive inciampando qua e là, facendosi male ai
piedi. Come
si comprende, i
piedi sono
fondamentali in quasi tutto nella nostra vita. Essi danno
piede (forniscono le
basi) per tantissime cose. Quando vogliamo dormire comodamente, diciamo che
dormiamo con i
piedi
divaricati

(in spagnolo:
dormir a piernas sueltas). Questo
testo augura buona fortuna alla
Seleção
Brasileira

e anche ai giornalisti e commentatori della rivista LIBERTA dell’Instituto
Conhecimento Liberta (ICL) che hanno deciso di creare la propria selezione. Chi
si abbona alla rivista LIBERTA riceverà notizie con i
piedi nella verità e commenti con testa e piedi. Manteniamoci
sempre attenti e in
piedi.  Leonardo
Boff collabora settimanalmente con la rivista LIBERTA dall’Instituto
Conhecimento Liberta (ICL)
(https://www.revistaliberta.com.br) (Traduzione
dal portoghese di Gianni Alioti)