O que é bem-estar planetário: possível dentro da atual ordem?

Leonardo Boff

Inegavelmente vivemos num quadro sombrio da humanidade: a escalada militar que pode culminar com uma guerra nuclear, o aquecimento global que, parece, veio para ficar, a exaustão dos bens e serviços naturais, especialmente de água potável entre outros. Nesse cenário devemos, colocar a questão: em que medida a humanidade e todos os países podem e devem colaborar para um possível e desejável bem-estar planetário.

Como pressuposto é aquilo que  estabelece o Papa Francisco em sua encíclica Laudato Sì:sobre o cuidado da Casa Comum(2015), dirigida a toda a humanidade:”todos devemos fazer uma global conversão ecológica”(n.5).

Sem esta conversão que significa uma disposição para a mudança, não superaremos a  situação dramática referida e poderemos chegar a um ponto de um não-retorno. Estaríamos face ao colapso de nossa civilização e mesmo de nossa existência sobre esse planeta.

Mantida a ordem do capital com sua cultura consumista e excludente dificilmente encontramos a vontade de mudança e por isso alcançar  bem comum planetário. São fatalistas, este tipo de mundo em crise, os beneficia.

Na encíclica Fratelli tutti (2020) o mesmo pontífice foi enfático ao dizer:”estamos no mesmo barco; ou nos salvamos todos ou ninguém se salva”(n.34). Ainda em 2022 num encontro sobre o clima em Berlim disse o secretário da ONU, António Gutérres: “esta é a única alternativa: ou colaboramos todos juntos ou o suicídio”.

Antes, porém, é importante aclarar o que se entende por “bem-estar planetário. A resposta não pode ser antropocêntrica, como se o ser humano fosse o centro de tudo e o único a ter um fim em si mesmo. Ao contrário,ele é um elo da corrente da vida e parte inteligente da natureza.Vale o que assevera a Carta da Terra: temos que “reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente, de sua utilidade para os seres humanos”(I,1.a).

No plano infra-estrutural o bem-estar é o acesso justo de todos aos bens básicos como à alimentação, à  saúde, à moradia, à energia, à segurança e à comunicação.Em termos planetários o bem estar demanda a manutenção da integridade da Terra com todos os seus ecossistemas. Importante é garantir a sustentabilidade de todos os elementos essenciais que sustentam a vida como água, solo,  clima favorável,  preservação da biodiversidade, especialmente daqueles insetos, abelhas e outros, responsáveis pela polinização,sem a qual as espécies não conseguem se reproduzir.

 No plano social é a possibilidade de se levar uma vida material e humana satisfatória, na dignidade e na liberdade num ambiente de cooperação, da solidariedade e de convivência pacífica.

Em termos planetários o bem-estar exige uma profunda revisão de nosso modo de produção e de  consumo. Pequena porção da humanidade acumula grande parte da riqueza e possui um consumo suntuoso, supérfluo e com grande desperdício. Deixa,sem compaixão, grande parte da humanidade em condições de pobreza e de miséria, ocasionando anualmente milhares mortes por fome. O consumo, para atender as demandas de toda a humanidade, exige que seja moderado,compartido e solidário.Esse tipo de bem-estar que equivale  ao bem-comum, vale para todos os países e povos.Seria o bien vivir e convivir dos andinos, onde a categoria central é a harmonia.

Mas como somos parte da natureza e sem ela não poderíamos viver, o bem-estar   inclui a comunidade biótica, os ecossistemas e  todos os representantes da diferentes espécies que possuem o direito de existirem,de serem respeitados como portadores de direitos. Pertence também ao bem-estar planetário o respeito ao mundo abiótico, como as paisagens, as montanhas, os rios, lagos e oceanos, pois formamos com todos eles a grande comunidade terrenal.

Dada a religação de todos com todos, é a cooperação entre todos  a seiva secreta que nutre o bem-estar planetário como um todo. Todo o planeta, entendido como um Super Ente vivente que sistemicamente articula o físico,o químico e o biológico, de modo a manter o equilíbrio de todos os ecossistemas e se reproduzir, pertence também ao bem estar planetário.

Visualizamos projetos e práticas em quase todos os países, especialmente, nos movimentos sociais populares, com a introdução de uma bioeconomia que respeita os ritmos da natureza e dá o tempo necessário para o solo regenerar seus nutrientes.

Desenvolveu-se também uma economia circular mediante a qual se propõe reduzir,reusar e reciclar os materiais usados.A Via Campesina e o Movimento dos Sem Terra no Brasil que envolve milhares de famílias desenvolveram uma rica agroecologia popular e participativa, tão eficaz que se tornou o maior produtor de arroz orgânico da América Latina. O ecosocialismo como projeto que nega a centralidade do mercado e evita o centralismo autoritário do socialismo soviético mostra-se viável. Coloca a vida e a ecologia como referências fundamentais e não o mercado e os negócios as usual.

Cumpre reconhecer que também cresce o número de empresas que assumiram o paradigma socioecológico e a responsabilidade social para com o seu entorno.Mas a grande maioria continua negacionista e com uma produção geradora de gases de efeito estufa, com o aquecimento da Terra.

Mesmo assim alimentamos a esperança da Carta da Terra (2003) de que “nosso desafios ambientais, econômicos, políticos,sociais e espirituais estão interligados e juntos poderemos forjar soluções includentes”(Preâmbulo,d).

Leonardo Boff escreveu A busca da justa medida: como equilibrar o planeta Terra, Vozes 2023.

Eine Frau als Präsidentin der Vereinigten Staaten: eine neue Erneuerung?

Leonardo Boff                                      

Die reale Möglichkeit, dass eine Frau, Kamala Harris, Präsidentin der imperialen Macht der Vereinigten Staaten von Amerika wird, wäre ein Novum in der Geschichte dieses Landes und ein Fortschritt in den Geschlechterbeziehungen.

Die USA, die seit 1776 unabhängig sind, hatten bisher 44 Präsidenten, alles Männer und keine Frauen. Wie bereits erwähnt, sehen viele den Präsidenten ausschließlich als Oberhaupt der Streitkräfte, als denjenigen, der das rote Telefon benutzen und den Knopf drücken kann, um einen Atomkrieg zu beginnen. Nur wenige sehen ihn als Förderer des Gemeinwohls, der der Gesellschaft selbst überlassen ist, mit einer privatistischen Tendenz, aber mit einem sehr starken Gemeinschaftssinn.

Aus diesem Grund führen die USA ständig und überall Kriege. Praktisch alle Präsidenten, einschließlich Obama, fühlen sich von der „offenkundigen Bestimmung“ durchdrungen, dem (imaginären) Glauben, dass die Vereinigten Staaten als „das neue Volk Gottes mit der Mission, der Welt (bürgerliche) Demokratie, (individuelle) Menschenrechte und (Markt-)Freiheit zu bringen“ gesalbt sind.

Seit dem Triumph des Patriarchats in der Jungsteinzeit vor zehntausend Jahren, als sich Dörfer und Landwirtschaft herausbildeten, waren die Frauen stets in die private Welt verbannt, auch wenn das Matriarchat vor zwanzigtausend Jahren vorherrschte und egalitäre Gesellschaften bildete, die mit der Natur verbunden und zutiefst spirituell waren.

Das Patriarchat, die Vorherrschaft des Mannes (Machismo), ist einer der größten Abweg der Menschheitsgeschichte. Das Patriarchat wird für die Art von Staat verantwortlich gemacht, die wir haben, für die Schaffung von Bürokratie und Steuern, für die Einführung von Krieg und Gewalt als Mittel zur Lösung von Problemen, für die private Aneignung von Land, für die Schaffung von Ungleichheiten und für alle Arten von Diskriminierung. Der Kapitalismus hat in seinen verschiedenen Formen seine ausdrucksstärkste Gestalt angenommen, mit dem immensen Ausmaß an sozialer Ungleichheit, das er mit sich bringt.

Die Hauptleidtragenden in diesem Prozess waren die Frauen und diejenigen, denen es an Kraft und Macht fehlte. Seitdem wird das Schicksal der Frauen in historischer und sozialer Hinsicht von dem Mann bestimmt, der jeden öffentlichen Raum besetzt.

Doch allmählich, beginnend in den Vereinigten Staaten im 19. Jahrhundert, wurden sich die Frauen ihrer Identität und Autonomie bewusster. Die feministische Bewegung wuchs, wurde in praktisch allen Ländern aktiv und besetzte öffentliche Räume. Die Frauen brachten ihre einzigartigen (nicht ausschließlichen) Werte als Frauen ein: mehr Neigung zur Zusammenarbeit als zum Wettbewerb, der für Männer charakteristisch ist, mehr Sorgfalt, mehr Flexibilität, mehr Fähigkeit, mit Komplexität umzugehen, mehr menschliche Sensibilität, mehr Herz und schließlich mehr Offenheit für den Dialog, was dem männlichen chauvinistischen und patriarchalischen Autoritarismus Grenzen setzte.

Mit einem Wort, sie haben mehr Menschlichkeit in eine rationale, starre, wettbewerbsorientierte und effiziente Welt gebracht, die durch den Willen zur Macht als Herrschaft gekennzeichnet ist: die Welt der Menschen. Ihrem Wesen nach verkörpern sie den Willen zum Leben, zur Fürsorge und zur Beziehung. In der Jung’schen Sprache haben sie die Welt des Animus mit ihrer Anima bereichert.

Dennoch ist der Kampf für die Gleichstellung der Geschlechter noch lange nicht abgeschlossen. Erst 1920 erhielten die Frauen in den Vereinigten Staaten das Wahlrecht. In Brasilien war es 1932, heute sind 52 Prozent der Wählerschaft Frauen. Von den 500 größten US-Unternehmen haben nur drei Frauen den Posten des CEO inne. In anderen Unternehmen sind es nur 11,8 Prozent. In Brasilien sind es etwas mehr: 17 Prozent der Frauen sind CEOs.

Selbst innerhalb der Beschränkungen, die das weltweit vorherrschende Patriarchat auferlegt, sind viele Frauen Staatsoberhäupter geworden: in Deutschland, England, Brasilien, Argentinien, Indien, Liberia, Bangladesch, Tunesien, Äthiopien, Tansania, Kanada, Chile, Costa Rica, Honduras, Panama, Südkorea, den Philippinen, Indonesien, Israel, Nepal, der Slowakei, Estland, Finnland, Griechenland, Ungarn, Irland, Portugal, Neuseeland und anderen Ländern.

Jetzt bietet sich für eine Frau gemischter Abstammung, Kamala Harris, die Chance, als Präsidentin das Zentrum der imperialen Macht zu erreichen. Das würde die Stärkung der Identität und der Beziehungsautonomie von Frauen bedeuten.

In diesem Zusammenhang lohnt es sich, einen Satz des Bevölkerungsfonds der Vereinten Nationen aus dem Jahr 2001 zu zitieren: „Die Menschheit hat die Erde in einer nicht nachhaltigen Weise geplündert; und wenn wir Frauen mehr Macht geben, über ihre Zukunft zu entscheiden, können wir den Planeten vor der Zerstörung retten.“ Es geht hier nicht um die bloße Beteiligung, sondern um die Entscheidungsfindung.

Mit ihrer Entscheidungsfähigkeit wird die Entwicklung eines neuen Paradigmas deutlich gestärkt: das der Reziprozität, der Gegenseitigkeit zwischen Mann und Frau. Es entsteht das Androgyne: der neue Mensch, der Mann, der mit Hilfe der Frauen seine Anima-Dimension wiedererlangt, d.h. die Fähigkeit zur Zärtlichkeit, zur rückhaltlosen Hingabe, zur herzlichen Empfindsamkeit, zusammen mit seiner Animus-Dimension. Wenn die Frauen ihren Animus, d.h. ihre Fähigkeit zu Initiative, Kreativität, operativer Intelligenz und Führung, zusammen mit ihrer Anima entwickeln, werden sie zu einer bedeutenden historischen Kraft.

Auf diese Weise wird die Wahrheit, die der antike Mythos ausdrücken wollte, wiederhergestellt: der androgyne Mensch, ein vollständiges Wesen, das Anima und Animus in jeweils eigenem Maße in sich trägt. Es geschah also, dass dieses eine androgyne Wesen in zwei Hälften geteilt wurde. Mann und Frau sind entstanden, aber sie sind getrennt, doch in ihrem tiefen Unbewussten suchen sie immer einander. Eine Anziehungskraft versucht, sie zu vereinen und die ursprüngliche Einheit wiederherzustellen.

Der überkommene Krieg der Geschlechter und die unterdrückende und repressive Geschlechterpolitik würden schrittweise überwunden. Politisch ließe sich dieser zivilisatorische Fortschritt am besten durch eine partizipative, sozial-ökologische Demokratie charakterisieren, in der Männer und Frauen in Zusammenarbeit und Solidarität eine neue Welt aufbauen würden. Dies entspricht den tiefsten Sehnsüchten der menschlichen Psyche. Die Neugestaltung des Menschen wird nur durch das neue Weibliche als sozio-historische Kraft möglich sein.

Die Tatsache, dass eine Frau, Kamala Harris, wahrscheinlich Präsidentin des mächtigsten Landes der Welt wird, wäre ein entscheidender Schritt hin zu einem neuen Paradigma der Zusammenarbeit zwischen den Geschlechtern, einschließlich der Natur, von der sie beide ein Teil sind. Das ist es, was wir uns für die Zukunft erhoffen, wenn es sie noch geben kann.

Leonardo Boff  Co-Autor mit  Rose Marie Muraro des  Buchs: “Feminino & Masculino: uma nova consciência para o encontro das diferenças”,última edição  2024.

Una mujer presidenta de Estados Unidos: ¿un nuevo femenino?

Leonardo Boff*

La posibilidad real de que una mujer, Kamala Harris, vaya a ser presidenta de la potencia imperial, Estados Unidos de América, representaría un novum en la historia de aquel país y un paso adelante  en la relación entre los géneros.

Los USA, independientes desde 1776, han tenido 44 presidentes, todos hombres y ninguna mujer. Como ya han señalado otros, muchos ven al presidente exclusivamente como el jefe de las Fuerzas Armadas, el que puede usar el teléfono rojo y apretar el botón para desencadenar una guerra nuclear. Pocos lo consideran el promotor del bien común, que es dejado a la propia sociedad, de tendencia privatista, pero con un sentido comunitario muy fuerte.

Por eso los USA viven haciendo guerras por todas partes. Prácticamente todos los presidentes, incluido Obama, creen estar imbuídos del “destino manifesto”, la creencia (imaginaria) de que los Estados Unidos han sido ungidos como “aquel nuevo pueblo de Dios con la misión de llevar la democracia (burguesa), los derechos humanos (individuales) y la libertad (del mercado) al mundo”.

Desde el triunfo del patriarcado en el neolítico, surgido hace diez mil años, con la formación de pueblos y de la agricultura, las mujeres han sido relegadas siempre al ámbito de lo privado. Y eso aún cuando se sabe, que antes, hace veinte mil años, existió el matriarcado, formando sociedades igualitarias, integradas con la naturaleza y profundamente espirituales.

El patriarcado, el predominio del macho (machismo) ha sido uno de los mayores errores de la historia humana. Se atribuye al patriarcado el tipo de Estado que tenemos, la creación de la burocracia y de los impuestos, la introducción de la guerra, la violencia como forma de resolver problemas, la apropiación privada de tierras, la generación de desigualdades y de todo tipo de discriminaciones. Adquirió su configuración más expresiva con el capitalismo, en sus distintas formas, con la inmensa tasa de iniquidad social que lleva consigo.

En todo ese proceso, las principales víctimas han sido las mujeres junto con los despojados de fuerza y de poder. Desde entonces, el destino de la mujer, en términos histórico-sociales, ha sido definido a partir del hombre que ocupaba todo el espacio público.

Pero lentamente, a partir del siglo XIX en Estados Unidos, las mujeres han ido ganando conciencia de su identidad y de su autonomía. El movimiento feminista fue creciendo, se hizo activo en prácticamente todos los países y ocupó los espacios públicos. Entraron en las universidades y, calificadas, las mujeres introdujeron en el mercado de trabajo sus valores singulares (no exclusivos) como mujeres: más dadas a la colaboración que a la competición, propia de los hombres, más cuidado, más flexibilidad, más capacidad de manejar la complejidad, más sensibilidad humana, más corazón, y más abiertas al diálogo, poniendo límites al autoritarismo machista y patriarcal.

En una palabra, trajeron más humanidad a un mundo racional, rígido, competitivo, eficientista, marcado por la voluntad de poder como dominación: el mundo de los hombres. Ellas, por su naturaleza, representan más bien el deseo de vivir, de cuidar y de relacionarse. En un lenguaje junguiano, enriquecieron con su ánima el mundo del animus.

Aún así, la lucha a favor de la igualdad de género dista mucho de estar plenamente asegurada. Sólo en 1920 las mujeres conquistaron en Estados Unidos el derecho al voto. En Brasil en 1932, siendo hoy el 52% del electorado. En las 500 mayores empresas norteamericanas sólo tres mujeres ocupan la función de presidente (CEO). En las demás empresas sólo el 11,8%. En Brasil es un poco más: el 17% de ellas son presidentes de empresas.

Incluso dentro de las limitaciones impuestas por el patriarcado dominante en el mundo, muchas mujeres han llegado a ser jefes de Estado: en Alemania, en Inglaterra, en Brasil, en Argentina, en India, en Liberia, en Bangladesh, en Túnez, en Etiopía, en Tanzania, en  Canadá, en Chile, en Costa Rica, en Honduras, en Panamá, en Corea del Sur, en Filipinas, en Indonesia, en Israel, en Nepal, en  Eslovaquia, en Estonia, en Finlandia, en Grecia, en Hungría, en  Irlanda, en Portugal, en Nueva Zelanda y en otros países.

Ahora surge la posibilidad de que una mujer mestiza, Kamala Harris, llegue al centro del poder imperial como presidenta. Significaría el empoderamiento de la identidad y de la autonomía relacional de las mujeres.

En este contexto, cabe citar una frase del Fondo de las Naciones Unidas para la Población en 2001: “La raza humana viene saqueando la Tierra de forma insostenible y dar a las mujeres mayor poder de decisión sobre su futuro puede salvar al planeta de la destrucción”. No se habla de simple participación sino de decisión.

Con su capacidad de decisión se refuerza significativamente la gestación de un nuevo paradigma: el de la reciprocidad, el de la mutualidad entre el hombre y la mujer. Surge el andrógeno: el ser humano nuevo, el hombre rescatando su dimensión de ánima, con la ayuda de las mujeres, es decir, la capacidad de ternura, de entrega sin reservas, de sensibilidad cordial, junto con su dimensión de animus. La mujer desarrollando su animus, es decir, su capacidad de iniciativa, de creatividad, de inteligencia operativa, de dirección junto con su ánima se vuelve una fuerza histórica significativa.

De esta forma se recupera la verdad que el mito antiguo quería expresar: el ser humano andrógeno, un ser completo, cada uno portador, en grado propio, de ánima y animus. Sucede que ese ser uno y andrógino fue cortado por la mitad. Surgieron el hombre y la mujer, pero separados. Sin embargo, en su inconsciente profundo, están siempre buscándose. Una fuerza de atracción busca unirlos y restaurar la unidad primera.

La ancestral guerra de los sexos y de las políticas opresivas y represivas de los géneros serían progresivamente superadas. Políticamente la mejor forma de caracterizar ese avance civilizatorio sería la democracia participativa, socio-ecológica, en la cual el hombre y la mujer de forma cooperativa y solidaria construirían un mundo nuevo. Este responde a los anhelos más profundos de la psique humana. El reengendramiento del hombre que sólo se realizará a partir de lo nuevo femenino, como fuerza socio-histórica.

El hecho probable de que una mujer, Kamala Harris, se convierta en la presidenta del país más poderoso del mundo, representaría un paso decisivo hacia un nuevo paradigma de cooperación entre los sexos, incluyendo también a la naturaleza, de la cual ambos son parte. Es lo que se espera para el futuro, en el caso de que este todavía pueda existir.

*Leonardo Boff ha escrito con Rose Marie Muraro el libro Femenino & Masculino: una nueva conciencia para el encuentro de las diferencias, última edición 2024.

Traducción de Mª José Gavito Milano

Anticipazione dell’umanità riconciliata: i Giochi Olimpici

Leonardo Boff

L’attuale situazione del mondo, oltre ad essere caotica, è a serio rischio di confronto tra le potenze militariste (USA, Russia, Cina, Israele, tra le altre minori) con l’uso delle armi nucleari, il che implicherebbe lo sterminio di gran parte dell’umanità e della biosfera. Anche nel mezzo di un’eventuale ecatombe, l’umanità non rinuncia al suo desiderio più profondo: vivere come una grande famiglia, una e diversa, all’interno della stessa Casa Comune, la Madre Terra, nella quale tutti si riconoscono e si accolgono così come sono nel regno di una Pace Perpetua.

I Giochi Olimpici rivelano questo desiderio generale. Per un breve periodo tutti i popoli dimenticano i conflitti e le guerre e vivono un momento magico e simbolico di questa tanto desiderata unità e pace. Ecco perché nessuno dovrebbe essere escluso, come è successo ora alle Olimpiadi di Parigi, nel caso della Russia, a causa della guerra contro l’Ucraina. C’è una certa incoerenza in questa esclusione, poiché l’evidente genocidio agli occhi di tutta l’umanità, praticato dall’attuale governo israeliano a Gaza contro migliaia di bambini innocenti e della popolazione civile, meriterebbe la stessa discriminazione.

Ma come ho appena sottolineato, anche così, nello spirito umanitario dei Giochi Olimpici, tutti dovrebbero essere inclusi senza eccezioni. Si è aperta una ferita in un evento simbolico di un’umanità che crede ancora di poter ritrovare se stessa come umanità.

I Giochi Olimpici ci danno l’opportunità di riflettere sull’importanza antropologica e sociale del gioco. Non penso qui al gioco che è diventato una professione e un grande commercio internazionale come il calcio, il basket e altri. Sono più sport che giochi.

Il gioco, come dimensione umana, si rivela al meglio negli ambienti popolari, nei giochi di strada o sulla spiaggia o in qualche spazio erboso o sabbioso. Questo tipo di gioco non ha uno scopo pratico. Di per sé porta con sé un significato profondo in quanto espressione di allegria nel divertirsi in compagnia degli altri.

Ai Giochi Olimpici prevale un’altra logica, diversa da quella quotidiana della nostra cultura capitalista, il cui asse fondamentale è la competizione escludente: il più forte trionfa sul mercato e, se può, annulla il suo concorrente. Ai Giochi c’è competizione. Ma è positiva e inclusiva, poiché tutti partecipano. La competizione si basa sul migliore, apprezzando e rispettando le qualità e i virtuosismi dell’altro.

In questo contesto, mi viene in mente il concetto di Ubuntu, tipico della cultura africana. Esso significa “Io solo sono me stesso attraverso di te”. Nell’Ubuntu non c’è competizione, ma profonda solidarietà e collaborazione. Secondo questa interpretazione, non in tutti i giochi, ma in alcuni come la classica corsa dei 100 metri e altri simili, tutti metterebbero le loro braccia sopra le spalle degli altri. Tutti correrebbero insieme fino alla fine. Tutti sarebbero vincitori. Ma questa non è la nostra tradizione.

Come teologo voglio dare un contributo a partire fede cristiana. C’è un’antica tradizione teologica che ha sviluppato tutta una riflessione sul significato profondo del gioco. Le due Chiese sorelle, quella latina e quella greca, si riferiscono al Deus ludens, all’homo ludens e perfino all’ecclesia ludens (il Dio, l’uomo e la Chiesa giocosi).

Loro vedevano la creazione come un grande gioco del Dio giocoso: da una parte gettò le stelle, dall’altra il sole, più in basso gettò i pianeti e con affetto gettò la Terra, equidistante dal Sole, affinché potesse avere vita. La creazione esprime la gioia traboccante di Dio, una sorta di teatro in cui tutti gli esseri sfilano e mostrano la loro bellezza e grandezza. Si parlava allora della creazione come di un theatrum gloriae Dei (un teatro della gloria di Dio).

In una bellissima poesia, il grande teologo della Chiesa ortodossa, Gregorio Nazianzeno (+390), dice: “Il sublime Logos gioca. Decora con le immagini più varie e per puro gusto e in ogni modo, l’intero cosmo”. In effetti, il giocattolo è un’opera di fantasia creativa, come dimostrano i bambini: espressione di una libertà senza coercizione, creando un mondo fantastico, senza finalità pratica, libero dal profitto e dai vantaggi individuali. Giocare per il gusto di giocare.

«Poiché Dio è vere ludens (veramente giocoso) ciascuno deve essere anche vere ludens, ammoniva, già vecchio, uno dei più fini teologi del XX secolo, Hugo Rahner, fratello di un altro eminente teologo, Karl Rahner che è stato il mio maestro a Monaco.

Queste considerazioni mostrano come la nostra esistenza qui sulla Terra possa essere alleviata e senza angoscia, almeno per un momento, durante i Giochi Olimpici.

Forse questo è il suo significato segreto.

Leonardo Boff ha scritto Virtudes de outro mundo possível: convivência, respeito e tolerância, Vozes 2006.

(Traduzione dal portoghese di Gianni Alioti)