Por que o engajamento sócio-político hoje é tão difícil?

Leonardo Boff

Estamos assistindo nos dias atuais a um preocupante recuo nas bases populares e em vários movimentos sociais, em particular, de cariz político, do engajamento por uma transformação da sociedade, seja a nível nacional, seja a nível mundial. Importa reconhecer que vigora pesado sentimento de impotência e também de melancolia. À parte desta constatação, estamos igualmente assistindo nos países centrais (USA e Europa) a juventude universitária se rebelando contra a desproporcional, indiscriminada e genocida reação do estado de Israel contra a população  da Faixa de Gaza como resposta ao ato terrorista do Hamas a 7 de outubro do ano passado.

O stablishment político, dominante no mundo, a partir do Norte Global, reage com violência inusitada contra os manifestantes. Na Alemanha qualquer manifestação pro Palestina da Faixa de Gaza é oficialmente proibida e logo reprimida ao menor sinal  de apoio  à causa  palestina e contra o genocídio que lá está ocorrendo. Nos USA a repressão policial ganha expressões violentas contra estudantes e professores universitários, até contra uma candidata à presidência do país.

Entre nós no Brasil e em geral na América Latina se nota marasmo e ausência de manifestações públicas, sequer contra o genocídio, em especial de 14 mil criancinhas e a morte de cerca 80 mil cidadãos sob os pesados bombardeios israelenses, usando de forma criminosa a Inteligência Artificial (IA) para assassinar determinadas pessoas e sua inteira família, dentro de suas próprias casas.

Precisamos  tentar entender o porquê dessa inércia. Aduzo alguns pontos que nos permitem vislumbrar algum entendimento da atual situação seja face à grave situação concernente à Ucrânia sendo arrasada pela brutalidade russa e seja ao massacre e ao genocídio na Faixa de Gaza.

Vigora em grande parte da sociedade, em particular no Sul Global mas não excluindo porções no Norte Global, um forte sentimento de impotência. Em primeiro lugar, objetivamente, o sistema capitalista em sua expressão mais exacerbada do neoliberalismo da escola de Viena/Chicago  se impôs no mundo todo. Quem resiste sofre repressões políticas, ideológicas e eventualmente golpes de estado como foi o caso do impeachment da Dilma Russeff. Procura-se impor o que Carl Polanyi já em 1944 chamou de “A grande transformação”: passar de uma sociedade com mercado para uma sociedade de puro mercado. Vale dizer, tudo vira mercadoria, a vida humana, órgãos, sementes, água, alimentos, tudo e tudo é posto no mercado e ganha seu preço. Isso já fora previsto em 1847 por Marx em “A miséria da filosofia”.

Esse fato objetivo gera uma reação subjetiva: começa-se a ver o mundo sem esperança, de que não há alternativa viável à essa enormidade mundializada. Ela se exprime pela TINA(There is no Alternative): “Não há outra Alternativa”. O efeito é um sentimento de impotência e de desencanto recalcado. Daí se deriva uma atitude derrotista de que não vale a pena ir contra o sistema, por ser grande demais e nós pequenos demais. Obrigam-se a fazer concessões para sobreviver num mundo profundamente desigual e injusto, produtor de melancolia. Esta irrompe quando não se percebe nenhuma luz no fim do túnel. Então, por que se engajar por algo alternativo que não tem chance de triunfar? Este tipo de mundo não tem jeito mesmo, pensam não poucos. Devemos nos adaptar a ele para sofrer o menos possível.

Um segundo ponto é a estratégia perversa de elaborada pelo sistema dominante: criar uma cultura do consumo. Oferecer o maior número de objetos desejáveis, mesmo que mais de 90% sejam totalmente fúteis e desnecessários. Trata-se de manipular uma das forças mais poderosas da psiqué humana: o desejo, cuja natureza já vista por Aristóteles e confirmada por Freud é a de ser ilimitada.Já foi dito por notáveis psicólogos (exemplo:Mary Gomes e Allen Kenner) que “este é o maior projeto psicológico jamais produzido pela espécie humana”: impedir que os cidadãos deixem de se considerar cidadãos para se transformarem em simples consumidores e consumidores viciados no consumo.

Para seduzi-los, gastam-se trilhões de dólares em propaganda pela mídia de massa e com todos os recursos possíveis da sedução. Isto representa seis vezes mais investimento anual necessário para garantir alimentação, saúde, água e educação de qualidade para toda a humanidade. É difícil imaginar perversidade maior. Mas ela é predominante no modo de vida geral  da humanidade que daí emergiu.

A impotência e a melancolia internalizadas fazem com que a maioria das pessoas, lastimavelmente, dos jovens, não se animem a engajar-se social e politicamente em algum movimento ou projeto de transformação. A educação em instituições formais é decisiva para a socialização desta leitura da realidade. Vandana Shiva, grande cientista e ecologista-feminista da Índia a chama de “monocultura das mentes”. Essa monocultura gera nos estudantes consciências ingênuas que esse é o mundo bom e desejável. Não se dão conta de que são cooptados pelo sistema imperante e feitos seus reprodutores.

Contra tudo isso Paulo Freire lançou seu projeto educativo e libertador, a começar com a “Pedagogia do Oprimido”, “Educação como prática da Liberdade” e concluindo com a  educação com amor e esperança. Cunhou a expressão “esperançar”: não cruzar os braços (esperar que as coisas por si mudem) mas criar as condições para que a esperança alcance seus objetivos transformadores.

Como se libertar da consciência ingênua manipulada? Não basta apenas o processo de conscientização, pois entender criticamente o que acontece, não quer dizer mudar o que acontece. Temos que passar a uma prática alternativa, enfrentar o sistema dominante com um paradigma de sociedade diferente, igualitária, não consumista mas solidária com um  modo de produção fundado nos ritmos da natureza (agroeologia e economia circular) e outro tipo de democracia ecológico-social, de baixo para cima, na qual se reconheçam os direitos da natureza e da Mãe Terra, criando o Todo, a  humanidade e a natureza incluídas na grande Casa Comum, a Mãe Terra.

(A reflexão,buscando as alternativas, virá no próximo artigo)

Leonardo Boff publicou Cuidar da Casa Comum:pistas para protelar o fim do mundo, Vozes 2024.

Wir sind die denkende, fühlende, liebende und achtsame Erde

                       Leonardo Boff

Heute, am 22. April, ist der Tag der Mutter Erde. Sie ist zum großen und dunklen Objekt der menschlichen Sorge geworden. Wir wissen, dass wir zerstört werden können. Nicht durch einen Meteor, nicht durch eine Naturkatastrophe fantastischen Ausmaßes, sondern durch unverantwortliches menschliches Handeln, insbesondere durch die herrschende kapitalistische Produktionsweise. Es wurden drei Todesmaschinen gebaut, die die Biosphäre zerstören können: die atomare Gefahr, die systematische Aggression gegen die Ökosysteme und der Klimawandel. Aufgrund dieses dreifachen Alarms sind wir aus einer uralten Erstarrung erwacht. Wir sind verantwortlich für das Leben oder den Tod unseres lebendigen Planeten. Die gemeinsame Zukunft, unsere eigene und die unseres geliebten gemeinsamen Hauses – der Erde, die wir so sehr lieben – hängt von uns ab.

Die Ökologie wird als Mittel zur Rettung der Erde beschworen. Nicht nur in ihrem offensichtlichen und technischen Sinn als Verwaltung der natürlichen Ressourcen, sondern als alternative Weltanschauung, als neues Paradigma einer respektvollen und synergetischen Beziehung zur Erde, die als selbstregulierender lebender Superorganismus (Gaia) gesehen wird.

Wir erkennen immer mehr, dass die Ökologie zum allgemeinen Kontext aller Probleme geworden ist, der Erziehung, des industriellen Prozesses, der Urbanisierung, des Rechts, der philosophischen und religiösen Reflexion. Aus der Ökologie heraus entwickelt sich ein neuer Bewusstseinszustand und drängt sich der Menschheit auf, der durch mehr Wohlwollen, mehr Mitgefühl, mehr Sensibilität, mehr Zärtlichkeit, mehr Solidarität, mehr Zusammenarbeit, mehr Verantwortung gegenüber der Erde und ihrer Erhaltung gekennzeichnet ist.

Die Erde kann und muss gerettet werden. Und sie wird gerettet werden. Sie hat bereits mehr als 15 große Verwüstungen durchgemacht und hat immer überlebt und das Lebensprinzip bewahrt. Sie wird auch die gegenwärtigen Sackgassen überwinden. Aber unter einer Bedingung: dass wir unseren Kurs ändern, dass wir von Herren und Meistern zu Brüdern und Schwestern untereinander und zu allen Geschöpfen werden. Diese neue Optik impliziert eine neue Ethik der gemeinsamen Verantwortung, der Fürsorge und der Synergie mit der Erde.

Der Mensch hat in den verschiedenen Kulturen und historischen Phasen diese sichere Intuition offenbart: Wir gehören zur Erde; wir sind Söhne und Töchter der Erde; wir sind Erde, weil wir, wie es in der Genesis heißt, aus dem Staub der Erde stammen (Gen 2,7). Deshalb kommt der Mensch aus dem Humus. Wir kommen von der Erde und wir werden zur Erde zurückkehren. Die Erde steht nicht vor uns als etwas anderes als wir selbst. Wir haben die Erde in uns. Wir sind die Erde selbst, die in ihrer Evolution den Moment der Selbstverwirklichung und des Selbstbewusstseins erreicht hat.

Es gibt also zunächst keinen Abstand zwischen uns und der Erde. Wir bilden ein und dieselbe komplexe, vielfältige und einzigartige Realität.

Dies wurde von mehreren Astronauten bezeugt, die als erste die Erde von außerhalb der Erde betrachteten. Sie sagten es mit Nachdruck: Von hier aus, vom Mond oder an Bord unseres Raumschiffs, können wir keinen Unterschied zwischen der Erde und der Menschheit, zwischen Schwarzen und Weißen, Demokraten oder Sozialisten, Reichen und Armen erkennen. Die Menschheit und die Erde bilden ein einziges großartiges, strahlendes, zerbrechliches und kraftvolles Ganzes. Diese Wahrnehmung ist radikal wahr.

Um es mit den Worten der modernen Kosmologie zu sagen: Wir sind mit denselben Energien, mit denselben physikalisch-chemischen Elementen innerhalb desselben Netzes von All-zu-All-Verbindungen entstanden, die seit 13,7 Milliarden Jahren am Werk sind, seit das Universum in einer inkommensurablen Instabilität (Urknall = Aufblähung und Explosion) in der Form entstanden ist, die es heute hat. Indem wir ein wenig von dieser Geschichte des Universums und der Erde kennen, lernen wir uns selbst und unsere Vorfahren kennen.

Fünf große Akte, so lehren uns die Kosmologen, strukturieren das universelle Theater, in dem wir Mitwirkende sind.

Die erste ist kosmisch: Die Urenergien und Elemente, die dem Universum zugrunde liegen, brachen hervor. Es begann ein Prozess der Expansion, und während es sich ausdehnte, schuf es sich selbst und diversifizierte sich. Wir waren in den in diesem Prozess enthaltenen Virtualitäten dabei.

Der zweite ist physich-chemischer Natur: Im Inneren der großen roten Sterne (die ersten Körper, die sich vor mindestens 5 Milliarden Jahren verdichteten und bildeten) entstanden alle schweren Elemente, aus denen heute jedes Lebewesen besteht, wie Sauerstoff, Kohlenstoff, Silizium, Stickstoff usw. Mit der Explosion dieser großen Sterne (sie wurden zu Supernovae) verteilten sich diese Elemente im Raum und bildeten die Galaxien, Sterne, Planeten, die Erde und die Satelliten der heutigen Phase des Universums. Diese chemischen Elemente zirkulieren in unserem Körper, unserem Blut und unserem Gehirn.

Der dritte Akt ist der biologische: Aus der Materie, die sich in einem Prozess namens Autopoiesis (Selbsterschaffung und Selbstorganisation) komplexiert und um sich selbst wickelt, entstand vor 3,8 Milliarden Jahren das Leben in all seinen Formen, das zwar schwere Zerstörungen erlitt, aber immer überlebte und uns in seiner unermesslichen Vielfalt erreicht.

Das vierte ist das Menschliche, ein Unterkapitel der Geschichte des Lebens. Das Prinzip der Komplexität und der Selbstschöpfung findet im Menschen immense Entfaltungsmöglichkeiten. Das menschliche Leben entstand und gedieh vor etwa 8-10 Millionen Jahren in Afrika. Von dort aus breitete es sich auf alle Kontinente aus, bis es die entferntesten Winkel der Erde eroberte. Der Mensch zeigte große Flexibilität; er passte sich an alle Ökosysteme an, von den kältesten an den Polen bis zu den heißesten in den Tropen, im Boden, im Untergrund, in der Luft und außerhalb unseres Planeten, in Raumschiffen und auf dem Mond.

Der fünfte Akt schließlich ist planetarisch: Die Menschheit, die zerstreut war, kehrt in die gemeinsame Heimat, den Planeten Erde, zurück. Sie entdeckt sich selbst als Menschheit, mit dem gleichen Ursprung und der gleichen Bestimmung wie alle anderen Wesen. Sie fühlt sich als das Bewusstsein der Erde, als kollektives Subjekt, jenseits einzelner Kulturen und Nationalstaaten. Durch die globalen Medien, durch die Interdependenz von allen mit allen, wird eine neue Phase ihrer Entwicklung, die planetarische Phase, eingeläutet. Von nun an wird die Geschichte die Geschichte der Spezies „Homo“ sein, der Menschheit, die mit allem und jedem vereint und vernetzt ist.

Wir können das menschlich-irdische Wesen nur verstehen, wenn wir es mit diesem universellen Prozess in Verbindung bringen; in ihm haben sich die materiellen Elemente und die feinstofflichen Energien verschworen, so dass er langsam heranreifen und schließlich geboren werden konnte.     

Aber was bedeutet das konkret, jenseits unserer Abstammung, unserer Erddimension?

Es bedeutet vor allem, dass wir ein Teil der Erde sind. Wir sind das Produkt ihrer evolutionären Aktivität. Wir haben Elemente der Erde in unserem Körper, unserem Blut, unserem Herzen, unserem Geist und unserer Seele. Aus dieser Erkenntnis erwächst das Bewusstsein einer tiefen Einheit und Identifikation mit der Erde und ihrer immensen Vielfalt. Wir können nicht in die rationalistische und objektivistische Illusion verfallen, uns vor der Erde wie vor einem fremden Objekt oder als ihre Herren und Meister zu sehen. Am Anfang steht eine Beziehung ohne Distanz, ohne Gegenüber, ohne Trennung. Wir sind eins mit ihr.       

In einem zweiten Moment können wir über die Erde nachdenken, uns von ihr distanzieren, um sie besser zu sehen und in sie einzugreifen. Und dann, ja dann distanzieren wir uns von ihr, um sie besser studieren zu können und um auf sie einzuwirken. Diese Distanzierung unterbricht nicht unsere Nabelschnur mit ihr. Deshalb macht dieses zweite Moment das erste nicht ungültig.     

Unsere Verbindung mit der Erde vergessen zu haben, war der Fehler des Rationalismus in all seinen Ausdrucksformen. Er verursachte den Bruch mit Mutter Erde. Er hat den Anthropozentrismus hervorgebracht, die Illusion, dass wir, weil wir über die Erde nachdenken und in ihre Zyklen eingreifen können, uns über sie stellen können, um sie zu beherrschen und über sie zu verfügen, wie es uns gefällt. Darin liegt die Wurzel der aktuellen ökologischen Krise.

Weil wir spüren, dass wir Söhne und Töchter der Erde sind, weil wir die denkende und liebende Erde selbst sind, leben wir sie als Mutter. Sie ist ein generatives Prinzip. Sie repräsentiert das Weibliche, das empfängt, gebiert und uns das Geschken des Lebens gibt. So entsteht der Archetyp der Erde als Große Mutter, Pachamama, Tonantzin, Nana und Gaia. So wie sie alles hervorbringt und das Leben reproduziert, so nimmt sie auch alles auf und sammelt es in ihrem Schoß. Wenn wir sterben, kehren wir zu Mutter Erde zurück. Wir kehren in ihren großzügigen und fruchtbaren Schoß zurück.

Das Gefühl, dass wir die Erde sind, hält uns auf dem Boden der Tatsachen. Es lässt uns alles an der Erde wahrnehmen, ihre Kälte und ihre Hitze, ihre bedrohliche Kraft ebenso wie ihre bezaubernde Schönheit. Den Regen auf unserer Haut zu spüren, die Brise, die erfrischt, den Orkan, der über uns hinwegfegt. Den Atem zu spüren, der in uns eindringt, die Gerüche, die uns berauschen oder verstören. Die Erde zu spüren heißt, ihre ökologischen Nischen zu fühlen, den Geist eines jeden Ortes zu erfassen (spiritus loci). Erde zu sein bedeutet, sich als Bewohner eines bestimmten Teils des Landes zu fühlen. Durch das Bewohnen werden wir in gewisser Weise auf einen Ort, eine Geografie, einen Klimatyp, ein Regen- und Windregime, eine Art zu leben, zu arbeiten und Geschichte zu schreiben beschränkt. Das prägt unsere Verwurzelung.

Aber es bedeutet auch unsere feste Basis, unseren Punkt der Kontemplation des Ganzen, unsere Plattform, um über diese Landschaft und dieses Stück Erde hinaus in Richtung des unendlichen Ganzen zu fliegen.

Die Erde zu spüren bedeutet schließlich, sich selbst in einer komplexen Gemeinschaft mit anderen Söhnen und Töchtern der Erde wahrzunehmen. Die Erde bringt nicht nur menschliche Wesen hervor. Sie bringt eine Vielzahl von Mikroorganismen hervor, die 90 % des gesamten Lebensnetzes ausmachen, die Insekten, die die wichtigste Biomasse der biologischen Vielfalt darstellen. Sie bringt die Gewässer hervor, die grüne Schicht mit der unendlichen Vielfalt an Pflanzen, Blumen und Früchten. Sie bringt die zahllose Vielfalt der Lebewesen, Tiere, Vögel und Fische hervor, unsere Gefährten in der heiligen Einheit des Lebens, denn in allen sind die zwanzig Aminosäuren und die vier Stickstoffbasen vorhanden, aus denen sich jedes Leben zusammensetzt. Im Boden, im Untergrund und in der Luft produziert sie für alle die Bedingungen der Existenz, der Entwicklung und der Ernährung. Die Erde zu spüren bedeutet, in die irdische Gemeinschaft einzutauchen, in die Welt der Brüder und Schwestern, die alle Söhne und Töchter der großen und großzügigen Mutter Erde sind, unserer gemeinsamen Heimat.

Das sind die Gefühle der Zugehörigkeit, die wir an diesem Tag der Mutter Erde pflegen.

Leonardo Boff schrib zusammen mit dem kosmologen Mark Hahtaway: Befreite Schöpfung: Kosmologie- Ökologie-Spiritualität: Ein zukunfsweisendes Weltbild (Butzon/Bercker 2010).

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Somos Tierra que piensa, siente, ama y cuida

Leonardo Boff*

Hoy 22 de abril se celebra el día de la Tierra. Ella se ha transformado en la actualidad en el grande y oscuro objeto de la preocupación humana. Nos damos cuenta de que podemos ser destruidos. No por algún meteoro rasante, ni por algún cataclismo natural de proporciones fantásticas, sino por causa de la irresponsable actividad humana, especialmente por el modo de producción capitalista dominante. Se han construido tres máquinas de muerte que pueden destruir la biosfera: el peligro nuclear, la sistemática agresión a los ecosistemas y el cambio climático. Debido a esta triple alarma, hemos despertado de un torpor ancestral. Somos responsables de la vida o de la muerte de nuestro planeta vivo. Depende de nosotros el futuro común, el nuestro y el de nuestra querida casa común: la Tierra que amamos entrañablemente.

Como medio de salvación de la Tierra se invoca la ecología. No solo en su sentido manifiesto y técnico como administración de los recursos naturales, sino como una visión del mundo alternativa, como un nuevo paradigma de relación respetuosa y sinérgica con la Tierra, considerada como un superorganismo vivo (Gaia) que se autorregula.

         Cada vez nos damos más cuenta de que la ecologia se ha transformado en el contexto general de todos los problemas, de la educación, del proceso industrial, de la urbanización, del derecho y de la reflexión filosófica y religiosa. A partir de la ecología se está elaborando e imponiendo un nuevo estado de conciencia en la humanidad que se caracteriza por más benevolencia, más compasión, más sensibilidad, más ternura, más solidaridad, más cooperación, más responsabilidad hacia la Tierra y su preservación.

         La Tierra puede y debe ser salvada. Y será salvada. Ella ya pasó por más de l5 grandes devastaciones y siempre sobrevivió y salvaguardó el principio de la vida. También va a superar los impasses actuales. Pero con una condición: que cambiemos de rumbo, que de amos y señores pasemos a ser hermanos y hermanas entre nosotros y con todas las criaturas. Esta nueva óptica implica una nueva ética de responsabilidad compartida, de cuidado y de sinergia para con la Tierra.

El ser humano, en las distintas culturas y fases históricas, ha revelado esta intuición segura: pertenecemos a la Tierra; somos hijos e hijas de la Tierra; somos Tierra, pues, como se dice en el Génesis, venimos del polvo de la Tierra (Gn 2,7). Por eso hombre viene de humus. Venimos de la Tierra y volveremos a la Tierra. La Tierra no está ante de nosotros como algo distinto de nosotros mismos. Tenemos la Tierra dentro de nosotros. Somos la propia Tierra que en su evolución llegó al momento de autorrealización y de autoconciencia.

         Inicialmente no hay, pues, distancia entre nosotros y la Tierra. Formamos una misma realidad compleja, diversa y única.

         Fue lo que testimoniaron varios astronautas, los primeros en contemplar la Tierra desde fuera de la Tierra. Lo dijeron enfáticamente: desde aquí, desde la Luna o a bordo de nuestras naves espaciales no notamos diferencia entre Tierra y humanidad, entre negros y blancos, demócratas o socialistas, ricos y pobres. Humanidad y Tierra formamos una única entidad espléndida, reluciente, frágil y llena de vigor. Esa percepción es radicalmente verdadera.

         Dicho en términos de la cosmología moderna: estamos formados con las mismas energías, con los mismos elementos físico-químicos dentro de la misma red de conexiones de todo con todo que actúan desde hace 13.700 millones de años, desde que el universo, dentro de una incomensurable inestabilidad (big bang = inflación y explosión), emergió en la forma que existe hoy. Conociendo un poco esta historia del universo y de la Tierra estamos conociéndonos a nosotros mismos y nuestra ancestralidad.

         Cinco grandes actos, nos enseñan los cosmólogos, estructuran el teatro universal del cual somos coactores.

         El primero es el cósmico: irrumpieron las energías y elementos primordiales que subyacen al universo. Comenzó un proceso de expansión y a medida en que se expandía, se autocreaba y se diversificaba. Nosotros estábamos allí en las virtualidades contenidas en ese proceso.

         El segundo es el químico: en el seno de las grandes estrellas rojas (los primeros cuerpos que se densificaron y se formaron hace por lo menos 5 mil millones de años) se formaron todos los elementos pesados que constituyen hoy cada uno de los seres, como el oxígeno, el carbono, el silicio, el nitrógeno etc. Con la explosión de estas grandes estrellas (se volvieron supernovas) tales elementos se esparcieron por todo el espacio, constituyeron las galaxias, las estrellas, los planetas, la Tierra y los satélites de la fase actual del universo. Aquellos elementos químicos circulan por todo nuestro cuerpo, sangre y cerebro.

          El tercer acto es el biológico: de la materia que se complejiza y se enrolla sobre sí misma en un proceso llamado de autopoiesis (autocreación y autoorganización) irrumpió hace 3.800 millones de años la vida en todas sus formas; atravesó gravísimas destrucciones pero siempre subsistió y llegó hasta nosotros en su inconmensurable diversidad.

         El cuarto es el humano, subcapítulo de la historia de la vida. El principio de complejidad y de autocreación encuentra en los seres humanos inmensas posibilidades de expansión. La vida humana surgió y floreció en África hace unos 8-10 millones de años. A partir de ahí, se difundió por todos los continentes hasta conquistar los confines más remotos de la Tierra. El humano mostró una gran flexibilidad; se adaptó a todos los ecosistemas, desde los más gélidos de los polos a los más tórridos de los trópicos, en el suelo, en el sub-suelo, en el aire y fuera de nuestro Planeta, en las naves espaciales y en la Luna.

Finalmente, el quinto acto es el planetario: la humanidad que estaba dispersa, está volviendo a la Casa Común, al planeta Tierra. Se descubre como humanidad, con el mismo origen y el mismo destino de todos los demás seres. Se siente como la mente consciente de la Tierra, un sujeto colectivo, más allá de las culturas singulares y de los estados-naciones. A través de los medios de comunicación globales, de la interdependencia de todos con todos, se está inaugurando una nueva fase de su evolución, la fase planetaria. A partir de ahora la historia será la historia de la especie homo, de la humanidad unificada e interconectada con todo y con todos.

         Sólo podemos entender al ser humano-Tierra si lo conectamos con todo ese proceso universal; en él los elementos materiales y las energías sutiles conspiraron para que él lentamente fuera gestado y, finalmente, pudiese nacer.      

¿Pero qué significa concretamente, más allá de nuestra ancestralidad, nuestra dimensión-Tierra?

Significa, en primer lugar, que somos parte y parcela de la Tierra. Somos producto de su actividad evolutiva. Tenemos en el cuerpo, en la sangre, en el corazón, en la mente y en el espíritu elementos-Tierra. De esta constatación resulta la consciencia de profunda unidad e identificación con la Tierra y con su inmensa diversidad. No podemos caer en la ilusión racionalista y objetivista de situarnos delante de la Tierra como delante de un objeto extraño o como sus amos y señores. En un primer momento hay una relación sin distancia, sin vis-a-vis, sin separación. Somos uno con ella.        

         En un segundo momento, podemos pensar la Tierra, distanciarnos de ella para verla mejor e intervenir en ella. Y entonces sí, nos distinguimos de ella para poder estudiarla y poder actuar en ella más acertadamente. Ese distanciamento no rompe nuestro cordón umbilical con ella. Por tanto, este segundo momento no invalida el primero.      

Haber olvidado nuestra unión con la Tierra fue el error del racionalismo en todas sus formas de expresión. Él generó la ruptura con la Madre-Tierra. Dio origen al antropocentrismo, en la ilusión de que, por el hecho de poder pensar la Tierra e intervenir en sus ciclos, podíamos colocarmos sobre ella para dominarla y para disponer de ella a nuestro antojo. Aquí reside la raiz de la actual crisis ecológica.

         Por sentirnos hijos e hijas de la Tierra, porque somos la propia Tierra pensante y amante, la vivimos como Madre. Ella es un principio generativo. Representa lo Femenino que concibe, gesta, y da a luz. Emerge así el arquetipo de la Tierra como Gran Madre, Pachamama, Tonantzin, Nana y Gaia. De la misma forma que genera todo y reproduce la vida, ella también acoge todo y lo recoge en su seno. Al morir, volvemos a la Madre Tierra. Regresamos a su útero generoso y fecundo. 

         Sentir que somos Tierra nos hace tener los pies en el suelo. Hace que percibamos todo de la Tierra, su frío y su calor, su fuerza que amenaza así como su belleza que encanta. Sentir la lluvia en la piel, la brisa que refresca, el huracán que avasalla. Sentir la respiración que entra en nosotros, los olores que nos embriagan o nos molestan. Sentir la Tierra es sentir sus nichos ecológicos, captar el espíritu de cada lugar (spiritus loci). Ser Tierra es sentirse habitante de cierta porción de tierra. Habitando, nos hacemos en cierta manera limitados a un lugar, a una geografía, a un tipo de clima, de régimen de lluvias y vientos, a una manera de vivir, de trabajar y de hacer historia. Configura nuestro enraizamiento.

Pero también significa nuestra base firme, nuestro punto de contemplación del Todo, nuestra plataforma para poder alzar el vuelo más allá de este paisaje y de este pedazo de Tierra, rumbo al Todo infinito.

         Por último, sentirse Tierra es percibirse dentro de una comunidad compleja junto con otros hijos e hijas de la Tierra. La Tierra no produce solo seres humanos. Produce una miríada de micro-organismos que componen el 90% de toda la red de la vida, los insectos que constituyen la biomasa más importante de la biodiversidad. Produce las aguas, la capa verde con la infinita diversidad de plantas, flores y frutos. Produce la diversidad incontable de seres vivos, animales, pájaros y peces, nuestros compañeros dentro de la unidad sagrada de la vida porque en todos están presentes los veinte aminoácidos y las cuatro bases nitrogenadas que entran en la composición de cada vida. Produce para todos las condiciones de subsistencia, de evolución y de alimentación, en el suelo, en el subsuelo y en el aire. Sentirse Tierra es sumergirse en la comunidad terrenal, en el mundo de los hermanos y de las hermanas, todos hijos e hijas de la grande y generosa Madre Tierra, nuestro Hogar común.

         Estos son los sentimientos de pertenencia que alimentamos en este día de la Madre Tierra.

*Leonardo Boff ha escrito El principio Tierra. La vuelta a la Tierra como matria y patria común, Vozes 1995: Opción Tierra. Record, RJ 2009/ Trotta 2010.

Faktoren der Systemkrise: Erosion der Ethik und Erstickung der Spiritualität

Leonardo Boff

Hinter der gegenwärtigen Systemkrise steht sicherlich ein Faktorenkomplex: Sie hat den gesamten Planeten erfasst und uns in eine Zwickmühle gebracht: Entweder wir folgen dem Weg, den die Moderne seit dem 17./18. Jahrhundert mit dem Aufkommen des wissenschaftlichen Geistes eingeschlagen hat, der das Gesicht der Erde verändert und uns unzählige Vorteile für das Leben gebracht hat. Gehen wir noch weiter: Die Art und Weise, wie wir uns entschieden haben, den Planeten zu bevölkern und unsere Gesellschaften zu organisieren, hat uns mit großen Kosten für die Ökosysteme und brutal ungleichen sozialen Beziehungen an die Grenzen der Erde geführt. Wenn wir diesen Weg weitergehen, liegt ein erschreckender Abgrund vor uns. Die lebendige Erde will uns vielleicht nicht mehr auf ihrer Oberfläche haben, weil wir zu gewalttätig und zerstörerisch sind. Wir könnten dem Anthropozän, dem Nekrezän, dem Viruszän und schließlich dem Pyrozän erliegen, verursacht durch uns selbst und auch durch die Reaktion der lebendigen Erde selbst, die verwundet und vital geschwächt ist und auf diese Weise reagiert.

Oder aber die Menschen machen in einem Moment des akuten Bewusstseins über das mögliche Verschwinden der Spezies einen Quantensprung in ihrem Bewusstsein, kommen zur Besinnung, erkennen, dass sie wirklich das Ende ihres planetarischen Abenteuers erreichen können und ändern mit Nachdruck ihren Kurs und schlagen einen neuen Weg ein.

Es wird sicherlich nicht ohne eine phänomenale Krise geschehen, die erhebliche Teile der Menschheit mit sich reißen könnte, angefangen bei den Schwächsten, aber auch ohne die am besten Ausgestatteten zu verschonen, wie es in der Urzeit des Planeten geschah, als bis zu 70 % der biologischen Vielfalt für immer verschwanden.

Welche Richtung wird sie einschlagen? Ich glaube nicht, dass irgendwelche Weisen, Wissenschaftler oder spirituellen Meister in der Lage sein werden, den Weg zu weisen. Die Menschheit, die jetzt eher durch Angst und Furcht als durch Liebe zur Zukunft geeint ist, wird erkennen, dass sie vielleicht am Ende des Weges angekommen ist. Sie wird sich umsehen und einen Weg entdecken, der von allen beschritten und gebaut werden kann. “Caminante, no hay camino, se hace camino al andar” (Der du gehst, es gibt keinen Weg, der Weg wird durch Gehen gemacht), lehrte uns ein verzweifelter spanischer Dichter auf der Flucht vor der franquistischen Verfolgung, und aus dem Inneren unseres menschlichen Wesens müssen wir die Inspirationen und Träume schöpfen, die unseren neuen Weg festigen werden, denn es gilt Einsteins Satz: Die Idee, die die gegenwärtige Krise verursacht hat, kann nicht dieselbe sein, die uns aus ihr herausführen wird. Wir müssen träumen, schaffen, tragfähige Utopien entwerfen und neue Wege eröffnen. Die Lebenswissenschaften haben bestätigt, dass wir Wesen der Liebe, der Solidarität und der Fürsorge sind, auch wenn uns immer ein Schatten begleitet, den wir im Auge behalten müssen.

Doch fragen wir uns zunächst: Warum haben wir diesen globalen kritischen Punkt erreicht? Hier kommt dem Philosophieren mehr als nur wissenschaftliche Erkenntnis zu Hilfe.

Neben anderen Ursachen halte ich zwei für grundlegend: die Erosion der Ethik und das Ersticken der Spiritualität.

Werfen wir einen Blick auf die klassische griechische Bedeutung von Ethos, wie sie uns auch heute noch erhellt. Ethos in Großbuchstaben bedeutet das Haus des Menschen. Mit anderen Worten: Wir trennen einen Teil der Natur ab und bearbeiten ihn so, dass er zu einem Raum wird, in dem wir gut leben können. Die andere Form ist ethos in Kleinbuchstaben, d. h. die Art und Weise, wie wir das Haus so einrichten, dass wir uns darin wohlfühlen und denen, die uns besuchen, Gastfreundschaft bieten können: das Wohnzimmer schmücken, den Tisch richtig decken, die Küche pflegen, das Feuer immer brennen lassen, die Vorratskammer auffüllen und die Schlafzimmer ordentlich aufräumen – das sind die ethischen Tugenden, die dem Ethos eine konkrete Form geben. Aber das ist noch nicht alles: Zum Ethos gehört auch die Pflege der Umgebung des Hauses, des Gartens und der Statuen der Gottheiten. Nur so nimmt das Ethos (gut leben) eine konkrete Form an (Ethos).

Das heutige Ethos ist die gemeinsame Heimat, der Planet Erde. Jahrhundertelang hat er die Menschheit ernährt. Doch mit dem Aufkommen von Wissenschaft und Technologie haben wir ihre Güter und Dienstleistungen in einer so unbegrenzten und unverantwortlichen Weise ausgebeutet, dass wir heute ihre Tragfähigkeit überschritten haben (The Earth Overshoot). Sie ist endlich und kann das moderne Projekt des unendlichen Wachstums nicht tragen. Das Ethos (gut leben im Haus) und die Art und Weise, es zu organisieren, haben alles zerstört, was für ein gutes Leben wichtig ist: Wir haben das Wasser verschmutzt, die Lebensmittel mit Pestiziden überfrachtet, die Böden vergiftet, die Luft so stark kontaminiert, dass das natürliche Lebenssystem und das menschliche Leben beeinträchtigt werden. Wir sind Zeugen einer allgemeinen Erosion von Ethos, Ethos und Ethik. Das Gemeinsame Haus ist nicht mehr gemeinschaftlich, sondern wird von Eliten in Besitz genommen, die Land, Macht und Geld besitzen und die Politik der Welt kontrollieren. Sie sind der Satan der Erde geworden.

Ebenso gravierend wie die Erosion von Ethos, ethos und Ethik im Allgemeinen ist die Unterdrückung der menschlichen Spiritualität. Um es klar zu sagen: Spiritualität ist nicht gleichbedeutend mit Religiosität, obwohl Religiosität die Spiritualität verstärken kann. Spiritualität entspringt einer anderen Quelle: aus den Tiefen des Menschen. Spiritualität ist ein wesentlicher Teil des menschlichen Wesens, wie Körperlichkeit, Psyche, Intelligenz, Wille und Affektivität.

Neurolinguisten, die neuen Biologen und herausragende Kosmologen wie Brian Swimm, Bohm und andere erkennen an, dass Spiritualität zum Wesen des Menschen gehört. Wir sind von Natur aus spirituelle Wesen, auch wenn wir nicht ausdrücklich religiös sind. Dieser spirituelle Teil in uns offenbart sich in unserer Fähigkeit zu Solidarität, Kooperation, Mitgefühl, Gemeinschaft und völliger Offenheit für andere, für die Natur, für das Universum, mit einem Wort: für das Unendliche. Die Spiritualität lässt den Menschen erkennen, dass hinter allen Dingen eine mächtige und liebevolle Energie steht, die alles erhält und es im Prozess der Evolution für neue Formen offenhält. Einige Neurologen haben ein außergewöhnliches Phänomen festgestellt. Wann immer man sich dem Heiligen existenziell nähert, tritt in einem Teil des Gehirns mit einer starken Beschleunigung der Neuronen die Erfahrung der Zugehörigkeit zu einem größeren Ganzen auf. Sie, nicht die Theologen, nannten dies den “Gottesfleck im Gehirn”. So wie wir äußere Organe haben, durch die wir die uns umgebende Realität wahrnehmen, haben wir ein inneres Organ, das unser evolutionärer Vorteil ist, um jenes Wesen wahrzunehmen, das alle Wesen sein lässt, jene geheimnisvolle Energie, die alle Wesen durchdringt und sie belebt.Diese Spirituele Dimension wurde von unsere materialistische Kultur erstickt. Sie bewertet mehr das Geld als die Natur, der Individualismus als die Kooperation. Sie benutzt mehr die Gewalt als der Dialog, um die Konflikte zu lösen. Sie kann eventuel tödliche Waffen, benutzen, um ihre Interesse zu bewahren.

Heute könnte die Verfinsterung der Ethik und die Verleugnung der menschlichen Spiritualität zu dramatischen Situationen führen. Dabei wäre das tragische Aussterben der Spezies Homo nach einigen Millionen Jahren nicht auszuschließen, der geliebt und genährt wurde von der Magna Mater, die wir nicht mit Sorgfalt, Ehrfurcht und Liebe zu erwidern wussten.

Wir müssen auch nicht verzweifeln. Das Universum hält Überraschungen bereit, und der Mensch ist ein unendliches Projekt, das in der Lage ist, Lösungen für die Fehler zu finden, die es gemacht hat.

Leonardo Boff schrieb zusammen mit Mark Hathaway das Buch Das Tao der Befreiung: eine Ökologie der Transformation in mehreren Sprachen (Vozes 2010), das in den USA die Goldmedaille für Wissenschaft und neue Kosmologie gewann.