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Uma menina nos alerta sobre o futuro sombrio da Casa Comum.

Publicamos aqui o texto completo do discurso que Greta Thunberg proferiu aos deputados das Casas do Parlamento britânico.  O discurso foi publicado por The Guardian, 23-04-2019 e no Brasil pela  IHU de 25/4/19.

O texto dispensa comentários. Pela voz de uma menina de 16 anos fala a inteira  humanidade, preocupada com o futuro que nos está sendo roubado ou com a civilização que pode terminar miseravelmente devido à irresponsabilidade humana de não cuidar da condições que tornam habitável  Casa Comum, a Mãe Terra. Neste espaço do blog abordamos muitas vezes o risco de uma catástrofe ecológico-social de dimensões ameaçadoras para o sistema-Terra e o sistema-Vida. Usamos as fontes científicas mais seguras, até por sermos membros da Iniciativa Internacional da Carta da Terra (2000) que foi um dos primeiro documentos a lançar o alarme ecológico. Talvez sejam as crianças aqueles protagonistas de um novo despertar da humanidade. Se não ouvirmos mais as crianças, nossos filhos e filhas e nossos netos e netas, perderemos a capacidade de nos mobilizarmos para salvar o que podemos e devemos salvar. Devemos fazê-lo pelo menos por amor a nossos familiares para os quais não queremos entregar-lhes uma Casa Comum arruinada e prestes a cair. Lboff.

Eis o texto da menina sueca.

Meu nome é Greta Thunberg. Eu tenho 16 anos. Eu venho da Suécia. E falo em nome das futuras gerações.

Eu sei que muitos de vocês não querem nos ouvir – vocês dizem que somos apenas crianças. Mas estamos apenas repetindo a mensagem da ciência climática unida.

Muitos de vocês parecem preocupados com o fato de estarmos desperdiçando um valioso tempo de aula, mas garanto que voltaremos à escola assim que vocês começarem a ouvir a ciência e a nos dar um futuro. Será que isso é realmente pedir muito?

No ano 2030 eu terei 26 anos. Minha irmãzinha Beata terá 23. Assim como muitos dos seus próprios filhos ou netos. Essa é uma grande idade, foi o que nos disseram. Quando você tem toda a sua vida pela frente. Mas eu não tenho tanta certeza de que será tão boa para nós.

Eu tive a sorte de nascer em um tempo e lugar onde todos nos diziam para sonhar alto; eu poderia me tornar o que quisesse. Eu poderia morar onde quisesse. Pessoas como eu tinham tudo o que precisávamos e muito mais. Coisas com as quais os nossos avós nem podiam sonhar. Tínhamos tudo que poderíamos desejar e, no entanto, agora podemos não ter nada.

Agora, provavelmente nós nem temos mais um futuro.

Porque esse futuro foi vendido para que um pequeno número de pessoas pudesse ganhar quantias inimagináveis de dinheiro. Ele foi roubado de nós todas as vezes que vocês disseram que o céu era o limite e que você só vive uma vez.

Vocês mentiram para nós. Vocês nos deram falsas esperanças. Vocês nos disseram que o futuro era algo para se esperar. E o mais triste é que a maioria das crianças nem sequer têm consciência do destino que nos espera. Nós não vamos entender isso até que seja tarde demais. E, no entanto, nós somos os sortudos. Aqueles que serão mais afetados já estão sofrendo as consequências. Mas as suas vozes não são ouvidas.

O meu microfone está ligado? Vocês podem me ouvir?

Por volta do ano 2030, daqui a 10 anos, 252 dias e 10 horas, estaremos em uma posição onde desencadearemos uma reação em cadeia irreversível para além do controle humano, que provavelmente levará ao fim da nossa civilização como a conhecemos. Ou seja, a menos que, nesse tempo, mudanças permanentes e sem precedentes em todos os aspectos da sociedade ocorram, incluindo uma redução de emissões de CO2 em pelo menos 50%.

E, por favor, notem que esses cálculos dependem de invenções que ainda não foram inventadas em escala, invenções que deveriam limpar a atmosfera de quantidades astronômicas de dióxido de carbono.

Além disso, esses cálculos não incluem pontos de inflexão imprevisíveis e ciclos de realimentação como o extremamente poderoso gás metano que escapa do permafrost ártico em rápido derretimento.

Esses cálculos científicos também não incluem o aquecimento oculto já aprisionado da poluição atmosférica tóxica. Nem o aspecto da equidade – ou da justiça climática – claramente expressado em todo o Acordo de Paris, que é absolutamente necessário para que isso funcione em escala global.

Também devemos ter em mente que esses são apenas cálculos. Estimativas. Isso significa que esses “pontos de não retorno” podem ocorrer um pouco mais cedo ou mais tarde do que 2030. Ninguém pode ter certeza. No entanto, podemos ter certeza de que eles ocorrerão aproximadamente nesses prazos, porque esses cálculos não são opiniões ou suposições selvagens.

Essas projeções são sustentadas por fatos científicos, concluídos por todas as nações por meio do IPCC. Quase todos os principais órgãos científicos nacionais de todo o mundo apoiam sem reservas o trabalho e as conclusões do IPCC.

Vocês ouviram o que eu acabei de falar? O meu inglês está bom? O microfone está ligado? Porque estou começando a me questionar sobre isso.

Durante os últimos seis meses, eu viajei por toda a Europa durante centenas de horas em trens, carros e ônibus elétricos, repetindo várias e várias vezes essas palavras que mudam a vida. Mas ninguém parece estar falando sobre isso, e nada mudou. De fato, as emissões ainda estão aumentando.

Quando eu viajo para falar em diversos países, sempre me oferecem ajuda para escrever sobre as políticas climáticas específicas em países específicos. Mas isso não é realmente necessário. Porque o problema básico é o mesmo em todos os lugares. E o problema básico é que basicamente nada está sendo feito para deter – ou mesmo retardar – o colapso climático e ecológico, apesar de todas as belas palavras e promessas.

O Reino Unido, no entanto, é muito especial. Não apenas pela sua impressionante dívida histórica de carbono, mas também pela sua atual e muito criativa contabilidade de carbono.

Desde 1990, o Reino Unido alcançou uma redução de 37% em suas emissões territoriais de CO2, de acordo com o Global Carbon Project. E isso soa muito impressionante. Mas esses números não incluem as emissões da aviação, da navegação e aquelas associadas às importações e exportações. Se esses números forem incluídos, a redução é de cerca de 10% desde 1990 – ou uma média de 0,4% ao ano, segundo o Tyndall Manchester.

E a principal razão para essa redução não é uma consequência das políticas climáticas, mas sim uma diretriz da União Europeia de 2001 sobre a qualidade do ar que essencialmente obrigou o Reino Unido a fechar as suas antigas e extremamente poluentes usinas de carvão e a substituí-las por usinas de gás menos poluentes. E mudar de uma fonte de energia desastrosa para outra menos desastrosa, é claro, resultará em uma redução das emissões.

Mas talvez o equívoco mais perigoso sobre a crise climática é que temos que “reduzir” as nossas emissões. Porque isso está longe de ser suficiente. As nossas emissões precisam parar se quisermos ficar abaixo de 1,5-2ºC de aquecimento. A “redução das emissões” é obviamente necessária, mas é apenas o começo de um processo rápido que deve levar a uma parada dentro de algumas décadas, ou menos. E por “parada” eu me refiro a zero líquido – e depois rapidamente para números negativos. Isso exclui a maioria das políticas de hoje.

O fato de estarmos falando de “reduzir” em vez de “parar” as emissões talvez seja a maior força por trás do contínuo “business as usual”. O atual apoio ativo do Reino Unido à nova exploração de combustíveis fósseis – por exemplo, a indústria de fracking de gás de xisto no Reino Unido, a expansão dos seus campos de gás e petróleo do Mar do Norte, a expansão dos aeroportos, assim como a permissão de planejamento de uma nova mina de carvão – ultrapassa o absurdo.

Esse comportamento irresponsável continuado, sem dúvida, será lembrado na história como um dos maiores fracassos da humanidade.

As pessoas sempre dizem a mim e aos outros milhões de grevistas nas escolas que devemos nos orgulhar de nós mesmos pelo que conseguimos. Mas a única coisa que precisamos olhar é para a curva de emissões. E, sinto muito, mas ela ainda está subindo. Essa curva é a única coisa para a qual devemos olhar.

Todas as vezes que tomamos uma decisão, deveríamos nos perguntar: como essa decisão afetará essa curva? Não deveríamos mais medir a nossa riqueza e o nosso sucesso no gráfico que mostra o crescimento econômico, mas sim na curva que mostra as emissões de gases de efeito estufa. Não deveríamos mais simplesmente perguntar: “Temos dinheiro suficiente para continuar com isso?”, mas também: “Já poupamos o suficiente do orçamento de carbono para gastar com isso?”. Esse deveria e deve se tornar o centro da nossa nova moeda.

Muitas pessoas dizem que não temos soluções para a crise climática. E elas têm razão. Porque como poderíamos? Como vocês “solucionam” a maior crise que a humanidade já enfrentou? Como vocês “solucionam” uma guerra? Como vocês “solucionam” uma ida à Lua pela primeira vez? Como vocês “solucionam” a invenção de novas invenções?

A crise climática é tanto a questão mais fácil quanto a mais difícil que já enfrentamos. A mais fácil, porque sabemos o que devemos fazer. Temos que parar as emissões de gases de efeito estufa. A mais difícil, porque a nossa economia atual ainda depende totalmente da queima de combustíveis fósseis e, assim, da destruição dos ecossistemas, a fim de criar um crescimento econômico duradouro.

“Então, exatamente, como solucionamos isso?”, vocês nos perguntam – nós, as crianças das escolas que estão em greve pelo clima.

E nós dizemos: “Ninguém sabe ao certo. Mas temos que parar de queimar combustíveis fósseis e restaurar a natureza e muitas outras coisas que talvez ainda não tenhamos descoberto”.

Então, vocês dizem: “Isso não é uma resposta!”.

Então, nós dizemos: “Temos que começar a tratar a crise como uma crise – e a agir mesmo que não tenhamos todas as soluções”.

“Isso ainda não é uma resposta”, vocês dizem.

Então, começamos a falar sobre a economia circular e a recuperação da natureza e a necessidade de uma transição justa. Então, vocês não entendem sobre o que estamos falando.

Nós dizemos que todas essas soluções necessárias não são conhecidas por ninguém e, portanto, devemos nos unir atrás da ciência e encontrá-las juntos ao longo do caminho. Mas vocês não escutam isso. Porque essas respostas servem para resolver uma crise que a maioria de vocês não entende completamente. Ou não quer entender.

Vocês não ouvem a ciência porque estão interessados apenas em soluções que lhes permitirão seguir em frente como antes. Como agora. E essas respostas não existem mais. Porque vocês não agiram a tempo.

Evitar o colapso do clima exigirá um “pensamento de catedral”. Devemos lançar as fundações enquanto ainda não podemos saber exatamente como construir o teto.

Às vezes, temos simplesmente que encontrar um caminho. No momento em que decidimos realizar alguma coisa, podemos fazer qualquer coisa. E tenho certeza de que, no momento em que começarmos a nos comportar como se estivéssemos em uma emergência, poderemos evitar a catástrofe climática e ecológica. Os humanos são muito adaptáveis: ainda podemos consertar isso. Mas a oportunidade de fazer isso não durará muito tempo. Devemos começar hoje. Não temos mais desculpas.

Nós, crianças, não estamos sacrificando a nossa educação e a nossa infância para que vocês nos digam o que vocês consideram como politicamente possível na sociedade que vocês criaram. Nós não fomos às ruas para vocês tirarem selfies conosco e nos dizerem que vocês realmente admiram o que fazemos.

Nós, crianças, estamos fazendo isso para acordar os adultos. Nós, crianças, estamos fazendo isso para que vocês ponham suas diferenças de lado e comecem a agir como se vocês estivessem em uma crise. Nós, crianças, estamos fazendo isso porque queremos as nossas esperanças e os nossos sonhos de volta.

Eu espero que o meu microfone esteja ligado. Eu espero que todos vocês tenham me ouvido.

 

Brasile, verso una nuova dittadura?

Confini

di Pierluigi Mele

Brasile, verso una nuova dittatura? Intervista a Leonardo Boff

Leonardo Boff (ANSA)

Dopo 100 giorni di governo di estrema destra dove sta andando il Brasile
di Bolsonaro ? Ne parliamo, in questa intervista, con un famoso
intellettuale brasiliano: il teologo e filosofo Leonardo Boff. Leonardo Boff
è considerato uno dei padri fondatori della Teologia della Liberazione in
America Latina.

Leonardo Boff, sono passati i primi 100 giorni del governo
Bolsonaro. Il grande giornalista brasiliano Ricardo Kotscho si
domandava se il Brasile si muove verso una nuova dittatura. È
d’accordo con Riccardo Kotscho?

Sono d’accordo con Kotscho, uno dei migliori osservatori della
politica brasiliana. Viviamo in un tempo di post-democrazia e in uno
Stato senza legge. Lo Stato è militarizzato: ci sono 8 ministri militari e
più di 100 funzionari provenienti dalle Forze Armate nelle seconde fila
del Governo. In tutte le scuole è stato collocato un militare in
pensione come guardia. Il progetto d’imporre un ultra neo-liberismo fa
con che il Governo passi in cima della Costituzione e non rispetti
alcuna legge. Esiste nelle scuole la censura e io stesso sono stato
censurato per una conferenza all’Istituto Tumori di Rio de Janeiro,
per medici e infermieri sull’etica della cura e dell’importanza della
spiritualità nell’accompagnamento di malati terminali. Ma c’è stata
pressione sociale e, di conseguenza, l’istanza superiore dell’Istituto a
Brasilia ha cancellato l’evento e doppo lo ha permesso. Solo questo fatto dimostra il livello
d’insicurezza che regna nella società e la presenza della censura in
tutti gli ambiti.

Quale direzione sta prendendo il Brasile?

La strategia del governo Bolsonaro, chiaramente di estrema-destra, è
associarsi ai regimi autoritari già visitati, come USA, Cile e Israele. E’
esplicito l’allineamento del governo Bolsonaro alle politiche di Trump,
facendogli molte concessioni senza aver ricevuto assolutamente
niente in cambio. La peggiore di queste è permettere che i capitali
nord-americani sfruttino l’Amazzonia e le terre indigene dove ci sono
ricchezze strategiche per gli interessi degli Stati Uniti. In questo modo
il Brasile entra come socio minore e aggregato al progetto di Trump
anti-globalista, nazionalista e bellicoso.

“Il mito”, così si fa chiamare Bolsonaro, ha vinto con un
programma di estrema destra con l’obiettivo di distruggere le
conquiste di Lula. A che punto è questo folle programma?

Bolsonaro utilizza un linguaggio che fu usato anche da Hitler:
distruggere tutto per costruire dopo qualcosa di nuovo. In effetti, sta
smontando tutti i progetti sociali dei governi Lula-Dilma che hanno
tirato fuori dalla fame 36 milioni di persone e permesso di costruire
abitazioni dignitose con i progetti “Mia Casa- mia Vita” e “Luce per
Tutti”. Oltre a ciò, la creazione di 17 nuove università federali e
decine di scuole tecniche con vari progetti che hanno permesso a
poveri e neri di inserirsi in percorsi scolastici superiori. Specialmente
il riscatto della dignità dei poveri, intenzione primaria di Lula, sta
essendo distrutto perché milioni dalla povertà sono ritornati alla
miseria. Il Brasile che era uscito dalla mappa della fame, è tornato
nuovamente, secondo la FAO, alla mappa della fame.

Sul piano economico si è affidato all’ultra liberista Gaudes.
Gaudes è un “Chicago Boy” (sono quelli che hanno sostenuto la
politica economica di Pinochet). Come si sta muovendo
Gaudes?

Guedes è un portavoce, non del liberismo tradizionale e
convenzionale. Lui, seguendo la scuola di Chicago, propone un ultra-
neo-liberismo, una specie di capitalismo selvaggio nello stile di quello
di Manchester, criticato da Karl Marx. Il capitalismo brasiliano mai fu
civilizzato, sempre è stato altamente accumulatore di ricchezza, non
ha permesso tantomeno la lotta delle classi, poiché subito la faceva a
pezzi. Guedes viene da settori che pensano cosi. Lui concentra tutte
le sue politiche nel mercato e nelle privatizzazioni dei beni pubblici
(petrolio, gas, terre, imprese nazionali), minacciando di privatizzare
tutta la Petrobrás, le Poste, il Banco do Brasil, la Banca ufficiale del
Governo). Propone una riforma della Previdenza (delle pensioni) che
pregiudica i più poveri, gli operai, i contadini, gli insegnanti e gli
anziani, trasferendo grandi fortune alle classi più agiate. Dietro a
Guedes sta un’oligarchia brasiliana che è considerata una delle più
egoiste, non solidale e che più si arricchisce al mondo.

Che rapporto ha Bolsonaro con la lobby delle armi?

Sono molti analisti e psicanalisti che vedono Jair Bolsonaro preso da
una paranoia: vede comunisti da tutte le parti, considera il nazismo
un movimento di sinistra e come simbolo durante la campagna elettorale e anche come Presidente usa le dita della mano a forma di
arma. Il primo decreto come capo di Stato ha stabilito il diritto di
ciascun cittadino di possedere fino a quattro armi, come forma per
diminuire la violenza in Brasile. Questo è un assurdo, poiché
favorisce la violenza ed effettivamente, si è legittimato a partire
dall’alto, una cultura della violenza da parte della polizia che uccide
molti giovani neri delle favelas, sospetti di traffico di droga, giovani tra
i 17 e 24 anni. Solo nel gennaio del 2019 sono stati uccisi 119 di
questi ragazzi. La paranoia si caratterizza per un’idea fissa che non
esce dalla testa anche quando si vede una realtà che la contraddice.
Bolsonaro ha visitato il museo dell’Olocausto a Gerusalemme che
mostra come 6 milioni di ebrei sono morti a causa del nazismo.
Uscendo ha riaffermato, scandalizzando le autorità ebraiche, che il
nazismo è di sinistra. In seguito, ha pregato che dobbiamo perdonare
lo sterminio nelle camere a gas, anche se non dobbiamo
dimenticarlo. Questa dichiarazione ha scandalizzato non solo gli
ebrei ma tutto il mondo.

I diritti civili della comunità LGBT sono in pericolo ora in
Brasile?

L’istigazione all’odio, le diffamazioni e l’utilizzazione di migliaia di
fake news e di bugie contro il Partito dei Lavoratori, e la dichiarazione
di perseguire i portatori di altre condizioni sessuali, i LGBT, ha fatto si
che la violenza, già esistente nel paese (solo nel 2018 ci sono stati
60 mila assassinati in Brasile), aumentasse e guadagnasse
legittimazione a partire dall’alto. Per questo molti omosessuali sono
morti in strada o perseguitati, generando una grande paura tra questa
comunità. Molti indigeni e quilombolas (abitanti di antichi rifugi di
schiavi) hanno visto le loro terre invase e molti sono morti, senza che
ci sia stata alcuna indagine, in una situazione di maggiore impunità.

Sappiamo che Bolsonaro sta mettendo a rischio le popolazioni
indigene dell’Amazzonia. Infatti il FUNAI (Fundação Nacional do
Índio) è stato depotenziato. C’è un grande rischio per
l’Amazzonia?

Bolsonaro non possiede nessuna comprensione di cosa sia l’indigeno
e la cultura indigena. Crede che debbano essere brasiliani come
qualsiasi altro, senza rispettare la loro identità, le loro tradizioni e i
loro territori. Non sa che il territorio appartiene all’identità indigena e
che, pertanto, deve essere rispettato. Lui crede che loro abbiano un

sovrappiù di terre. Non riconosce le demarcazioni ufficiali e sta
permettendo la penetrazione d’imprese straniere per lo sfruttamento
di risorse minerarie, di legname pregiato e altri minerali rari,
importanti per le nuove tecnologie. Bolsonaro è completamente
ignorante rispetto alle questioni ecologiche. Per questo è quasi certo
che soffrirà grande pressione mondiale dei principali governi che
sanno che alla preservazione dell’Amazzonia e della sua biodiversità
è legato il futuro della vita e dell’equilibrio climatico del pianeta Terra.
Dovrà fare marcia indietro, nonostante la pressione delle grandi
corporate globali che vogliono sfruttare l’Amazzonia all’interno del
paradigma della deforestazione e estrazione delle ricchezze naturali
in funzioni dell’arricchimento privato.

E l’opposizione a Bolsonaro come si sta comportando?

Tutti i politici sono perplessi. Le dichiarazioni di Bolsonaro d’elogio a
torturatori e la sua esaltazione del porto d’armi indiscriminato erano
considerate un vanto e l’eccesso di un paranoico, che non dovevano
essere prese sul serio. È successo che si è candidato. È stato
appoggiato per l’oligarchia nazionale, pensando che avrebbe potuto
facilmente manipolarlo. Ha approfittato della corruzione generalizzata
nel paese per colpevolizzare di ciò il PT, facendolo diventare il capro
espiatorio, appellandosi all’inaugurazione di una nuova politica, ha
fatto in modo da suscitare il senso di colpa nell’anima brasiliana e
conquistare i voti che gli garantirono la vittoria. È stato uno shock per
tutto il pensiero politico brasiliano, giacche mai abbiamo avuto un
governo di estrema-destra e totalmente sottomesso alla logica degli
interessi nord-americani. Jair Bolsonaro, di fronte alla crisi nazionale,
ha riconosciuto che non è fatto per essere presidente, ma per essere
un militare. É importante dire che nemmeno come militare vale, visto
che fu espulso dall’esercito per indisciplina e, solo dopo una dubbia
negoziazione con il Supremo Tribunale Militare, fu pensionato invece
di essere espulso. La previsione dei migliori analisti è che non resterà
a lungo al potere, perché i militari e gli stessi alleati e soprattutto
l'opinione pubblica, lo vedono come un impedimento allo sviluppo del
paese e, per le sue dichiarazioni di estrema destra, si è trasformato in
una vergogna internazionale. O ci saranno nuove elezioni o i militari
assumeranno il potere, senza trovare il cammino per tirarci fuori dalla
peggiore crisi politico-economica della nostra storia.

(Traduzione dal Portoghese di Gianni Alioti)

La resurrección de un torturado y crucificado

La Pascua de Resurrección de este año se celebra en el contexto de un país donde casi toda la población está siendo sofocada por un gobierno de extrema derecha que tiene un proyecato político-social radicalmente ultraneoliberal. Se muestra sin piedad y sin corazón pues desmonta los avances y los derechos de millones de trabajadores y de personas de otras categorías sociales. Pone a la venta bienes naturales pertenecientes a la soberanía del país. Acepta la recolonización de Brasil e intenta traspasar nuestra riqueza a manos de pequeños y poderosos grupos nacionales e internacionales. No tiene ningún sentido de solidaridad ni de empatía hacia los más pobres ni hacia los que viven amenazados de violencia e incluso de muerte por el hecho de vivir en favelas, ser negros y negras, indígenas, quilombolas o de otra condición sexual.

Andando por este país y un poco por el mundo, oigo en muchas partes gemidos de sufrimiento y de indignación. Entonces me parece escuchar las palabras sagradas: “He visto la opresión de mi pueblo, he oído el clamor que le arrancan sus opresores y conozco sus angustias. Voy a bajar para liberarlos y hacerlos salir de este país hacia una tierra buena y espaciosa” (Ex 3,7-8).

Dios deja su trascendencia (“¿Dios por encima de todos?”), baja y se pone en medio de los oprimidos para ayudarlos a dar el paso (pessach= pascua) desde la opresión a la liberación.

Es de resaltar el hecho de que hay algo de amenazador y perverso en curso: un jefe de estado exalta a torturadores, elogia a dictadores sanguinarios y considera un mero accidente que un negro, padre de familia, sea acribillado de 80 balazos a manos de militares. Y todavía propone el perdón para los que promovieron el holocausto de seis millones de judíos. ¿Cómo hablar de resurrección en el contexto de alguien que predica un perenne “viernes santo” de violencia? Él tiene continuamente el nombre de Dios y de Jesús en sus labios y olvida que somos herederos de un prisionero político, calumniado, perseguido, torturado y crucificado: Jesús de Nazaret. Lo que hace y dice es un escarnio, agravado por el apoyo de pastores de iglesias neopentecostales, cuyo mensaje tiene poco o nada que ver con el evangelio de Jesús.

A pesar de esta infamia, queremos celebrar la Pascua de Resurrección que es la fiesta de la vida y de la floración, como la del semiárido nordestino: después de algunas lluvias, todo resucita y reverdece.

Los judíos, esclavizados en Egipto vivieron la experiencia de una travesía, de un éxodo desde la servidumbre a la libertad en dirección a “una tierra buena y espaciosa, a una tierra que mana leche y miel” (símbolos de justicia y de paz: Ex 3,8). La “Pessach” judaica (la Pascua) celebra la liberación de todo un pueblo, no solamente de individuos.

La Pascua cristiana se agrega a la Pessach judaica, prolongándola. Celebra la liberación de toda la humanidad por la entrega de Jesús, que aceptó la injusta condenación a muerte de cruz. Esta le fue impuesta, no por el Padre de bondad, sino como consecuencia de su práctica liberadora ante los desvalidos de su tiempo, y por presentar otra visión de Dios-Padre, bueno y misericordioso, y no un Dios castigador con normas y leyes severas, hecho inaceptable para la ortodoxia de la época. Jesús murió en solidaridad con todos los humanos, abriéndonos el acceso al Dios de amor y de misericordia.

La Pascua cristiana celebra la resurrección de un torturado y crucificado. Él realizó el paso y el éxodo de la muerte a la vida. No volvió a la vida que tenía antes, limitada y mortal como la nuestra. En él irrumpió otro tipo de vida no sometida ya a la muerte, que representa la realización de todas las potencialidades presentes en ella (y en nosotros). Aquel ser que venía naciendo lentamente dentro del proceso de la cosmogénesis y de la antropogénesis, alcanzó por su resurrección tal plenitud que, finalmente, acabó de nacer. Como dijo Pierre Teilhard de Chardin, Jesús, plenamente realizado, explosionó e implosionó hacia dentro de Dios. San Pablo entre perplejo y encantado le llama “novissimus Adam” (1Cor 15,45), el nuevo Adán, la nueva humanidad. Si el Mesías resucitó, su comunidad, que somos todos nosotros, hasta el cosmos del cual somos parte, participamos de ese evento bienaventurado. Él es el “primero entre muchos hermanos y hermanas” (Rom 8, 29). Nosotros le seguiremos.

A pesar del “viernes santo” de odio y de exaltación de la violencia, la resurrección nos infunde la esperanza de que daremos el paso (pascua) desde esta situación siniestra a la recuperación de nuestro país, donde ya no habrá nadie que se atreva a favorecer la cultura de la violencia, ni que exalte la tortura, ni que se muestre insensible al holocausto de millones de personas. Aleluya. Feliz Pascua para todos.

*Leonardo Boff, teólogo y filósofo, ha escrito Pasión de Cristo-pasión del mundo”, Sal Terrae 2005.

Traducción de Mª José Gavito Milano

 

El alma brasilera está enferma

Todo lo que está sano puede enfermar. La enfermedad remite siempre a la salud. Esta es la referencia principal y constituye la dimensión esencial de la vida en su normalidad.

Los desgarros sociales, las andanadas de odio, ofensas, insultos, palabras groseras que están predominando en los medios sociales o digitales e incluso en los discursos públicos, revelan que el alma brasilera está enferma.

Las más altas instancias del poder se comunican con la población usando noticias falsas (fake news), mentiras directas e imágenes que se inscriben en el marco de la pornografía y de la escatología. Esta actitud revela la falta de decencia y de sentido de la dignidad y respetabilidad, inherentes a los más altos cargos de una nación. En el fondo se ha perdido un valor esencial, el respeto a sí mismo y a los otros, marca imprescindible de una sociedad civilizada.

La razón de este desvío se debe a que la dimensión de lo Numinoso ha quedado oscurecida. Lo “Numinoso” (numen en latín es el lado sagrado de las cosas) se revela a través de experiencias que nos envuelven totalmente y que confieren densidad a la vida aún en medio de los mayores padecimientos. Posee un inmenso poder transformador. La experiencia entre dos personas que se aman y la pasión que las vuelve fascinantes configuran una experiencia de lo Numinoso. El encuentro profundo con una persona que en medio de una grave crisis existencial nos encendió una luz, representa una experiencia de lo Numinoso. El choque existencial ante una persona portadora de carisma por su palabra convincente o por sus acciones valientes, nos evoca la dimensión de lo Numinoso. La Presencia inefable que se deja sentir ante la grandeur del universo o de una noche estrellada, suscita en nosotros lo Numinoso. Igualmente los ojos brillantes y profundos de una criaturita.

Lo Numinoso no es una cosa, sino la resonancia de las cosas que tocan lo profundo de nuestro ser y que por eso se vuelven preciosas. Se transforman en símbolos que nos remiten a Algo más allá de ellas mismas. Las cosas, además de ser lo que son, se transfiguran en realidades simbólicas, repletas de significados. Por un lado nos fascinan y atraen y por otro nos llenan de respeto y de veneración. Ellas producen en nosotros un nuevo estado de conciencia y perfeccionan nuestros comportamientos.

Ese Numinoso, en el lenguaje de los místicos, como en el mayor de ellos, Mestre Eckhart, o en Teresa de Ávila, así como en el de la psicología de lo profundo de C.G. Jung, está representado por el Sol interior o por nuestro Centro irradiador. El Sol tiene la función de un arquetipo central. Como el Sol atrae a su órbita a todos los planetas, así el arquetipo-Sol satelitiza a su alrededor nuestras significaciones más profundas. Él constituye el Centro vivo e irradiante de nuestra interioridad. El Centro es un dato-síntesis de la totalidad de nuestra vida que se impone por sí mismo. Habla dentro de nosotros, nos advierte, nos apoya y como el Gran Anciano o la Gran Anciana nos aconseja para seguir los mejores caminos. Y entonces nunca seremos defraudados.

El ser humano pode cerrarse a este Centro o a este Sol. Hasta puede negarlos pero nunca puede aniquilarlos. Ellos están ahí como una realidad inmanente al alma.

Este Centro o su arquetipo, el Sol, nos dan equilibrio, armonía personal y social y la convivencia de los contrarios sin exacerbarse por la intolerancia ni por los comportamientos de exclusión.

Pues bien, este Centro se ha perdido en el alma brasilera. Hemos ensombrecido el Sol interior, a pesar de que él está ahí continuamente presente, como el Cristo del Corcovado. Aunque escondido tras las nubes, él sigue allí con los brazos abiertos. Así nuestro Sol interior.

Al perder nuestro Centro y al oscurecer la irradiación del Sol interior, perdemos el equilibrio y la justa medida, bases de cualquier ética, de la sociedad y de toda convivencia. Desequilibrados, andamos errantes, pronunciando palabras desconectadas de toda civilidad y compostura. Nos empequeñecemos y abandonamos la ley áurea de toda ética: “trata humanamente a todos y a cada uno de los seres humanos.” En este momento en Brasil, muchos y muchas no tratan humanamente a sus semejantes. De eventuales adversarios en el campo de las ideas y de las opciones políticas o sexuales se hacen enemigos a quienes cabe combatir y eventualmente eliminar.

Tenemos, urgentemente, que curar nuestra alma herida, recuperar nuestro Centro y nuestro Sol interior, acogiendo las diferencias sin permitir que se tornen desigualdades, a través del diálogo abierto y de la empatía con los que más sufren. Como decía el perfil de una mujer inteligente en twitter: “al colocarnos en el lugar del otro, hacemos del mundo (de la sociedad) un lugar para todos”. Esta es nuestra urgencia, si no queremos conocer la barbarie.

Leonardo Boff es teólogo y filósofo ha escrito Virtudes para otro mundo posible (3 vol), Sal Terrae 2012.

Traducción de Mª José Gavito Milano

 

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