Belo Monte: ‘Um monumento à insanidade’: D. Erwin Kräutler

Teólogo, filósofo, dono de 22 títulos e condecorações concedidos mundo afora por sua luta em favor da Amazônia, dom Erwin Kräutler, 76 anos, despede-se neste domingo, 3 de abril, do posto de bispo da Prelazia do Xingu, no Pará. Sua cruzada contra a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, iniciada bem antes do primeiro governo Lula, seu ex-aliado, tornou-se conhecida além das fronteiras do Brasil. Em seu lugar, assume o maranhense dom João Muniz Alves, 55 anos. A substituição é acontecimento importante na Igreja. Sua despedida está levando a Altamira, sede do bispado, 11 arcebispos e bispos. Dom Erwin nasceu em Koblach, na Áustria, chegou à região em 1965 e ocupava o posto desde 1981, quando também recebeu a cidadania brasileira. A Prelazia do Xingu é a maior do país, com 15 municípios e 368.086 km² de área, superfície maior que a de 20 estados brasileiros. Ele sai com a guerra contra Belo Monte perdida. Mas, nesta entrevista, dada ao #Colabora depois de celebrar a missa do Domingo de Ramos na Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Altamira, diz que não se considera frustrado. Acredita que sua luta e a “insanidade” da usina serão exemplos para evitar novas obras iguais na Amazônia.

Há muito que conheço Dom Erwin. Na Áustria, todas as vezes que por lá dei conferências, ele era um nome que estava na boca de todos, quase uma honra nacional devido à sua luta pela salvaguarda da Amazônia, dos povos indígenas, os que melhor sabem tratar a floresta e por sua luta contra a forma como foi construída a hidrelétrica de Belo Monte. Ele é inteligente e realista e sabe que precisamos de energia para acompanharmos o desenvolvimento do país. Mas não de qualquer jeito, sacrificando as populações, o rio Xingú e a floresta. É possível incorporar critérios ecológicos e humanísticos e quem sabe, mesmo, buscar fontes alternativas de energia existententes em abundância em nosso país. Sua luta foi grande e repercutiu no mundo todo. Ganhou no ano passado, o prêmio Nobel Alernativo da Paz do Parlamento sueco. O Papa Francisco confiou-lhe a redação da parte referente à Amazônia e aos indígenas em sua encíclica “Sobre o cuidado da Casa Comum”. Ele não é um perdedor. Mas um vencedor das causas justas. Ao lê-lo parece-me ouvir as palavras de Darcy Ribeiro quando a Sorbonne lhe conferiu o título de doutor honoris causa. Dizia Darcy mais ou menos o seguinte:”todas as causas que animaram minha vida significaram derrotas: por muitos anos convivei com os indígenas, me compromentendo por suas vidas e culturas e fui derrotado; ajudei a fundar a Universidade de Brasilía dentro de um outrto paradigma e fui derrotado; tentei como chefe da Casa Civil no governo de Jão Goutart promover as reformas de base e fui derrotado;depois do exílío criei os CIEPS com uma educação de tempo integral e fui derrotado; fui vice-governador e por fim senador lutando para dar um outro rumo ao Brasil e fui derrotado. Mas uma coisa eu não quero: estar do lado daqueles que me venceram”. Estimo que dom Erwin diria a mesma coisa. No meio da crise política em que estamos metidos, talvez seja recorfortante, ler o testemunho de vida de um homem, de um pastor que soube dar sua vida pela Vida: dos mais abandonados, dos indígenas desprezados, do rio Xingú e da floresta amazônica. Ele seguramente está inscrito no livro dos Justos e do Bons  entre os povos:Lboff

A entrevista é de Marceu Vieira, publicada por #Colabora, 02-04-2016 ou em IHU de 05 de abril de 2016.

Perdida a luta contra Belo Monte, que reflexão o senhor faz?

Para mim, o problema, desde o início, não é que o Brasil precise de energia. Isso é lógico. Ninguém vai questionar isso. O problema é a captação da energia. Será que a única maneira de captar energia é sacrificar um rio do tamanho do Xingu? Porque o que está acontecendo é o sacrifício do meio ambiente, o sacrifício do rio. E, mesmo que o Ibama, naquele tempo, tenha elencado 40 condicionantes, e a Funai, outras 23 (hoje, no total, são 54), elas não foram cumpridas. Quem anda pela cidade sabe perfeitamente o absurdo que aconteceu. O que se construiu foi um monumento à insanidade.

Não ficou nada de positivo?

A cidade mergulhou no caos. Em todos os sentidos. No sentido da saúde, da educação, do transporte, da habitação. O saneamento básico prometido não foi feito. A gente combate o vírus da zika e convive, aqui, com esgoto a céu aberto. Eu lamento profundamente esse desprezo pela nossa região. Eu conheço Altamira há mais de 50 anos. Então, eu conheço, sei o que Altamira era e sei o que é hoje. Claro, precisávamos e precisaremos sempre inovar e melhorar. Mas da maneira como isso foi feito? E a transferência desse povo de seu habitat, do lugar onde morava…

Muitas pessoas viviam em palafitas. Não melhorou neste sentido?

Não é tão simples assim. Eles dizem que fizeram um monte de casas. Casinhas! Não são casas onde o paraense possa viver. A cultura desse povo é muito hospitaleira. A família não é apenas pai e mãe. É a família grande, é o clã. Quem, por exemplo, vive no interior e vem aqui para se tratar, para fazer compras ou para encontrar alguém, logicamente, hospeda-se na casa da filha ou do filho. O vovô ou a vovó que chegam aí, pai, mãe, parente, amigo… Fico estarrecido diante de uma família que mora numa casinha dessas aí, e quando vem papai ou mamãe, a filha e o filho, vão ter de dizer: “Pai, mãe, aqui não tem lugar”. Quer dizer, isso é um golpe!

Um golpe?

A gente fala do golpe no meio ambiente, o golpe no coração da Amazônia. Mas também é um golpe no coração desse povo. Isso nunca foi levado em conta. As decisões foram tomadas alhures, nos gabinetes de Brasília. Nós tivemos sempre o direito de protestar, de fazer manifestações, demonstrações. Porém, o rolo compressor passou por cima da gente.

O senhor sofreu pressões em sua luta contra Belo Monte, ameaças?

Sim. No início, foi terrível.

Que tipo de ameaças?

Até hoje sou acompanhado por proteção policial. Há quase dez anos não posso sair sem essa proteção. Não que eu tenha pedido. Mas o governo decidiu. Havia pessoas que pensavam que eu tinha o poder enorme de frear, de brecar Belo Monte. Então, tinha gente que gritava: “Enquanto esse bispo existir, a hidrelétrica não sai”. Isso é um absurdo. Nunca tive essa influência.

O senhor acha que as ameaças vinham de onde? De fazendeiros que estavam de olho nas indenizações?

Sim. Mas é muito difícil apontar. A Polícia Federal foi atrás. Mas esse consórcio do crime é muito difícil de identificar.

Como chegavam as ameaças?

Por indiretas. Por exemplo, numa procissão, de repente, alguém gritava coisas para mim. Depois, foi por escrito. Mandavam cartas veladas. Faxes anônimos. Uma carta foi deixada na TV da Prelazia. Depois, pela internet. Até marcaram o dia em que… (seria assassinado). Depois, de Santarém (cidade paraense a 544km de Altamira), veio um aviso e até estabeleceram o preço da execução.

O povo de Altamira estava do seu lado ou confiava no desenvolvimento prometido?

Interessante é que a parcela do povo daquele tempo que estava a favor de Belo Monte, defendendo Belo Monte com unhas e dentes, e, ao mesmo tempo, hostilizando o bispo, por ele ser contra, enfim, todo esse povo hoje bate no meu ombro e diz: “O senhor tinha razão”. Então, muita gente reconheceu que eu não estava contra o progresso, mas contra uma qualidade de progresso que não posso aceitar.

O que, para o senhor, seria o progresso?

Progresso, para mim, seria melhor qualidade de vida! Veja aí a qualidade de vida do nosso povo! Se viu, então, já sabe.

O que deve ser feito agora que a usina já está pronta?

A única coisa que devemos fazer é… Tomara que outros projetos programados, como os idealizados lá para o Rio Tapajós, tomara que os responsáveis tenham aprendido com o exemplo daqui.

O senhor sempre teve um canal com a cúpula que fundou o PT. Procurou o governo e pediu para que Belo Monte não saísse?

Sim, estive com Lula duas vezes. Ele estava na Presidência.

Ele foi irredutível?

Não. Praticamente, ele me enganou. Em 19 de março de 2009, estive lá com ele. Eu disse que não queria falar sozinho, queria que o pessoal pudesse se manifestar. Então, ele marcou uma nova audiência para 22 de julho. E fomos daqui com dois ribeirinhos, dois índios, a comadre Melo (Antônia Melo, da ONG Xingu Vivo Para Sempre), dois procuradores da República e o Célio Berman, famoso cientista da USP. Lula me pegou pelo braço e disse textualmente (imitando a voz do ex-presidente): “Dom Erwin, nós não vamos empurrar esse projeto goela abaixo de quem quer que seja. Não vamos repetir o monumento à insanidade que foi Balbina (hidrelétrica na cidade de Presidente Figueiredo, no Amazonas, inaugurada em 1989, considerada erro histórico por cientistas e técnicos do governo, pela baixa geração de energia, apenas 275MW, em relação à sua área alagada, quatro vezes maior que a de Belo Monte, e às suas graves consequências socioambientais). O Brasil tem uma grande dívida com os atingidos por barragem. Belo Monte só vai sair se for do agrado de todo mundo!” Isso seria impossível, mas, em todo caso, ele falou.

O senhor acreditou?

Naquele tempo, ele estava bem animado. Eu pensei que Lula era sério. Mas era uma manobra para se livrar do bispo, o bispo inoportuno que chegou lá e disse o que pensava. No final, ele disse: “O diálogo tem que continuar”.

Continuou?

Eu estive lá em outubro, de novo. Quem estava no gabinete, naquele tempo, ainda era o Gilberto Carvalho. Fiquei uma semana em Brasília. E a cada dia eles telefonavam: “Hoje, não dá, amanhã vai dar…” Até que chegou quinta-feira à noite, e disseram: “Infelizmente, não dá, porque o presidente vai viajar”. Ali, eu notei que era, simplesmente, para se livrar deste homem que sou eu. O diálogo, então, foi para o brejo.

O senhor insistiu depois com Dilma?

Sim. Eu era presidente do Cimi (Conselho Indigenista Missionário). Eu tive lá uma agenda com ela, e um dos pontos era Belo Monte. Ela logo cortou a conversa. Depois, disseram que eu ia falar com Gilberto Carvalho, que ele ia me receber em audiência. Mas, 15 dias antes, num seminário promovido pela CNBB, ele falou bem claro que Belo Monte era inegociável, ia sair de qualquer maneira. Então, pensei: “O que eu vou falar com esse homem?” E não fui. Eles não gostaram. Mas o que eu ia fazer lá? Só para alguém bater fotos e filmar, dizendo que o bispo esteve lá num diálogo que não foi diálogo?

O senhor vai entrar na luta contra a hidrelétrica no Rio Tapajós?

A gente soma, se une a eles. Porque eu não tenho lá a influência que tenho aqui. Eu estive lá num encontro, em 27 de novembro do ano passado, com os índios Munduruku. Penso que a nossa luta, que não foi vitoriosa, talvez tenha reflexo lá, para que não se deixem enganar.

Evitar a usina no Tapajós seria a vitória da resistência a Belo Monte?

Sim. Mas, por outro lado, eu não me sinto frustrado e vencido. Aquilo que fizemos, aquilo que fiz, eu faria tudo de novo. Na função que exerço, na missão que tenho, você não pode lutar por uma causa com a certeza de que será vitorioso. Não é como na economia, em que se analisa o alto custo para depois decidir: O engajamento, para mim, já é uma vitória. Meu Deus, não quero me comparar com ninguém, mas…

Mas?…

Quantas figuras deste mundo se empenharam por uma causa e não conseguiram, mas depois deixaram uma semente? Jesus morreu na cruz e teve, aparentemente, o maior fracasso. Poderiam imaginar que isso iria anular tudo, a sua mensagem. No entanto, a revolução dele segue até hoje. Então, não me sinto frustrado. A gente diz: “Não, agora você vai jogar a toalha, vai pendurar as chuteiras”… Isso nunca me passou pela cabeça.

O senhor chegou a achar que poderia ter um destino igual ao da irmã Dorothy Stang, assassinada em 2005 aqui no Xingu?

Eu enterrei a Dorothy. São experiências que a gente nunca esquece. Quando se está diante de um caixão, e a pessoa que está lá dentro, quer dizer, o que sobrou dela, enfim, quando ela não morreu de malária, de acidente automobilístico, mas foi morta, é algo que toca profundamente. Uns dias antes ela estava ainda comigo. Conheci outras pessoas que tiveram a mesma sorte, como o Ademir Federicci, o Dema (líder ambientalista da região do Xingu, ex-vereador do PT e líder da luta contra Belo Monte, assassinado em 2001). Dema morreu pela mesma causa, antes da Dorothy.

A Igreja tentou tirar o senhor daqui?

Nunca. A proteção à minha vida foi iniciada em 29 de julho de 2006. Depois de eu ter rezado uma missa aqui nesta igreja, eu fui para casa e, às dez da noite, veio o comandante da PM com dois brutamontes policiais me dizer: “O senhor está sob proteção”. Eu disse: “Não vou aceitar”. Aí, ele me convenceu, dizendo que sabia mais do que eu. E que se acontecesse algo comigo, se apenas me triscassem, a Secretaria Especial de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos da Presidência da República iria cobrar. A ordem tinha vindo de lá. Mas a PM daqui assumiu. Eu queria me livrar daquilo. Nessa conversa, ele me disse que, se eu quisesse, poderia sair daqui. Eu não quis. Se saísse, faria a vontade daqueles que se opunham a mim.

Como a Igreja reagiu?

A CNBB sempre me apoiou. Até o Papa Bento XVI, na época, disse para que eu ficasse seguro, disse que rezava por mim. Nunca nenhuma autoridade acima de mim disse para eu sair daqui. Nem me aconselhou. Quem aconselhou foi o comandante da PM. Aqui mesmo, hoje, há dois policiais me esperando. São discretos, não usam uniformes, mas estão me esperando.

O senhor já sentiu medo?

Eu tive medo de entrar em depressão. Porque você está acostumado a andar onde quer que seja. De repente, não dá mais um passo sem ser acompanhado. Mas depois passou. A liberdade exterior foi cerceada, porque eu andava livre aqui nesta cidade. Vida social, visitar pessoas, tomar um cafezinho, ir a batizados… Eu celebro, mas à casa das pessoas eu não vou. Teria de ir acompanhado de dois policiais, e isso me deixa constrangido. Nunca mais fiz isso. Mas eu pensei já naquele tempo: “A vida interior não podem me tirar, e eu vou continuar defendendo essa causa, porque estou convicto de que é a minha missão e a minha obrigação”.

 

Il Brasile che vogliamo: giusto o soltanto ricco?

La frenesia all’interno dei partiti e nella società ci rende difficile discernere gli elementi che stanno effettivamente in gioco: quale Brasile vogliamo? Ricco o giusto? Ideale sarebbe avere un paese giusto e ricco nello stesso tempo. Ma le vie che abbiamo scelto per raggiungere questo obiettivo sono differenti. Alcune lo impediscono, altre lo rendono possibile.

Se vogliamo che sia giusto dobbiamo optare per la democrazia repubblicana, cioè, mettere il bene comune al di sopra del bene privato. La conseguenza è che ci saranno più politiche sociali che andranno incontro ai più vulnerabili, alleviando così la nostra perversa diseguaglianza sociale. In altre parole, ci sarà più giustizia sociale, maggiore partecipazione ai beni disponibili e con questo una diminuzione della violenza. È questo che ha fatto il governo Lula-Dilma togliendo dalla fame e dalla miseria circa 36 milioni di persone insieme con altri programmi sociali.

Se vogliamo un paese ricco scegliamo la democrazia liberale (che conserva tracce della sua origine borghese) all’interno del modo di produzione capitalistico o neo-liberale. Il neoliberalismo pone il bene privato sopra il bene comune. In funzione di questo, preferisce investimenti in grandi progetti e dare facilitazioni alle industrie efficienti perché riescano a conquistare consumatori dei loro prodotti. I poveri non sono dimenticati, ma ricevono soltanto politiche povere.

Thomas Piketty ha dimostrato nel suo libro Il Capitalismo nel secolo XXI che la via migliore fino ad oggi inventato per raggiungere la ricchezza è il capitalismo ma riconosce che là dove si installa, subito si introducono diseguaglianze, perché questo è organizzato per l’accumulo privato e non per la distribuzione dei redditi. E ancor meglio lo mostra in un altro suo libro L’economia della diseguaglianza (intrinseca 2015). In altre parole, le diseguaglianze sono ingiustizie sociali, perché la ricchezza è fatta generando povertà. Impone il blocco salariale, aggiustamenti economici che sono dannosi per le politiche sociali e del lavoro e rende difficile la salita delle classi del piano basso. Predomina la concorrenza e non la solidarietà. Il mercato comanda la politica, è praticata la privatizzazione dei beni pubblici e lo Stato ridotto al minimo non deve intervenire, perché il suo compito è garantire la sicurezza dei servizi di base.

Ancora: la ricerca sfrenata della ricchezza di alcuni implica lo sfruttamento di beni e servizi naturali oggi quasi esauriti, al punto che abbiamo toccato i limiti fisici della Terra. Un pianeta limitato non può supportare una crescita illimitata. Abbiamo bisogno di quasi una Terra e mezzo per andare incontro alle richieste umane, cosa che la rende insostenibile, impedendo la riproduzione stessa del sistema del capitale.

La macroeconomia capitalista è un’imposizione dei paesi centrali, specialmente degli USA come forma di controllo e di allineamento forzoso di tutte le strategie imperiali. Ma come ha osservato uno studioso di macroeconomia dell’Università dell’Oregon, difensore del Capitalismo, Mark Thoma, adesso il capitalismo non funziona più, perché la crisi sistemica attuale pare insolvente. L’ordine capitalistico sta conoscendo il suo limite.

Qual’ è il pomo della discordia dell’attuale politica brasiliana? L’opposizione ha optato per la macroeconomia neoliberale. I leader dell’opposizione proclamano che i salari sono troppo alti, che tutta la Petrobras, come pure la BANCA del Brasile , le Riserve, le Poste dovrebbero essere privatizzati. Conosciamo bene questa formula. Essa è crudele per i poveri e dannosa per i lavoratori, perché accresce l’accumulo e così pure le diseguaglianze sociali. Il capitalismo è buono per i capitalisti, ma dannoso per la maggior parte della popolazione. La ricchezza non può essere ottenuta a spese della povertà e dell’ingiustizia sociale.

C’è anche un elemento geopolitico che non è questo il luogo per esporlo nei dettagli. Gli USA non tollerano che una potenza emergente come il Brasile, associata ai Brics e alla Cina, che sempre più penetra in America Latina. C’è di che destabilizzare i governi progressisti e popolari con la diffamazione della politica e dei suoi leader.

Il PT e i gruppi progressisti vogliono la via della democrazia repubblicana e partecipativa. Intendono garantire le conquiste sociali e espanderle. Non è affatto sicuro che la vittoria del neo-liberalismo le riconoscerà, perché ubbidisce a un’altra logica, quello del capitale che è la massimalizzazione dei guadagni. L’attuale governo studia una via sua propria nell’economia e nella politica internazionale, con la coscienza che, tra non molto, l’economia mondiale avrà una base ecologica. Lì emergeremo come una potenza, capace di essere una tavola apparecchiata per la fame e la sete del mondo intero. Questo dato non può essere trascurato. Ma il punto centrale sarà superare la vergognosa diseguaglianza sociale, la povertà e la miseria con politiche sociali con particolare riguardo alla salute e all’educazione.

L’opposizione ferrea al governo Lula-Dilma ha come motore propulsore la liquidazione di questo progetto repubblicano, perchè fanno fatica ad accettare il passaggio di classe dei poveri e della loro partecipazione alla vita sociale.

Ma è questo progetto che risponde all’angustia che divorava Celso Furtado durante tutta la sua vita: “Perché il Brasile così ricco, è povero e nonostante le molte tante virtualità continua ad essere in ritardo”. La risposta data da Lula-Dilma allevia il lamento di Celso Furtado, è buona non solo per i poveri, ma per tutti.

Comprendere questa questione significa capire il punto focale della crisi politica-brasiliana, che soggiace alle altre crisi.

*Leonardo Boff, columnist del JB on line

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato

¿Qué Brasil queremos: justo o solo rico?

La exaltación de los ánimos en los partidos y en la sociedad nos dificulta discernir lo que está efectivamente en juego: ¿qué Brasil queremos? ¿Un país justo o un país rico? Lógicamente lo ideal sería tener un país justo y simultáneamente rico. Pero los caminos que escogemos para este propósito son diferentes. Unos lo impiden, otros lo hacen posible.

Si queremos que sea justo debemos optar por el camino de la democracia republicana, es decir, poner el bien general de todos por encima del bien particular. La consecuencia es que habrá más políticas sociales que atiendan a los más vulnerables, disminuyendo así nuestra perversa desigualdad social. En otras palabras, habrá más justicia social, más participación en los bienes disponibles y con eso una disminución de la violencia. Fue lo que hizo el gobierno Lula-Dilma sacando del hambre y de la miseria a cerca de 36 millones de personas, junto con otros programas sociales.

Si queremos un país rico optamos por la democracia liberal (que guarda rasgos de su origen burgués) dentro del modo de producción capitalista o neoliberal. El neoliberalismo pone el bien privado por encima del bien común. En función de eso, prefiere inversiones en grandes proyectos y dar facilidades a las industrias para que sean eficientes y consigan conquistar consumidores para sus productos. Los pobres no están del todo olvidados, pero solo reciben políticas pobres.

Thomas Piketty en su libro El capitalismo en el siglo XXI mostró que el mejor medio jamás pensado para alcanzar la riqueza es el capitalismo. Pero reconoce que allí donde él se instala, se introducen pronto desigualdades, pues está montado para la acumulación privada y no para la distribución de la renta. Lo muestra mejor en su otro libro La economía de las desigualdades (Siglo XXI, 2015). En otras palabras, las desigualdades son injusticias sociales, pues la riqueza se hace generando pobreza: impone recortes salariales, ajustes económicos que perjudican las políticas sociales y laborales y dificulta la ascensión de las clases del piso de abajo. Predomina la competencia y no la solidaridad. El mercado dirige la política, se practica la privatización de bienes públicos y el Estado mínimo no debe intervenir, correspondiéndole la seguridad y la garantía de los servicios básicos.

Y aún más: la búsqueda desenfrenada de riqueza de algunos implica la explotación de los bienes y servicios naturales hoy casi agotados hasta el punto de que hemos tocado los límites físicos de la Tierra. Un planeta limitado no soporta un crecimiento ilimitado de riqueza. Necesitamos casi una Tierra y media para atender las demandas humanas, lo que la convierte en insostenible, haciendo inviable la propia reproducción del sistema del capital.

La macroeconomía capitalista es impuesta por los países centrales, especialmente por Estados Unidos, como forma de control y de alineamiento forzado de todos a las estrategias imperiales. Pero como observó el macroeconomista de la Universidad de Oregón, defensor del capitalismo, Mark Thoma, ahora el capitalismo ya no funciona, pues la crisis sistémica actual parece insolvente. El orden capitalista está conociendo su límite.

¿Cuál es la manzana de la discordia en la política actual en Brasil? La oposición optó por la macroeconomía neoliberal. Líderes de la oposición proclaman que los salarios son demasiado altos, que Petrobrás así como el Banco de Brasil, la Caixa y los Correos deberían ser privatizados. Ya conocemos esta fórmula. Es cruel para los pobres y perjudicial para los trabajadores, pues favorece la acumulación y así las desigualdades sociales. El capitalismo es bueno para los capitalistas, pero malo para la mayoría de la población. La riqueza no puede hacerse a costa de la pobreza y de la injusticia social.

Hay que añadir además un elemento geopolítico que no cabe aquí detallar. Los Estados Unidos no toleran una potencia emergente como Brasil, asociada a los BRICS y a China, que penetra cada vez más en América Latina. Hay que desestabilizar los gobiernos progresistas y populares con la difamación de su política y de sus líderes.

El PT y los partidos y grupos progresistas quieren el camino de la democracia republicana y participativa. Buscan garantizar las conquistas sociales y ampliarlas. No es nada seguro que la victoria del neoliberalismo vaya a mantenerlas, pues obedece a otra lógica, la del capital, que es la maximización de los beneficios.

El gobierno actual busca un camino propio en la economía y en la política internacional, con la conciencia de que, dentro de poco, la economía mundial será principalmente de base ecológica. Ahí emergeremos como una potencia, capaz de ser la mesa puesta para el hambre y la sed de todo el mundo. Ese dato no puede ser despreciado. Pero la centralidad será superar la vergonzosa desigualdad social, la pobreza y la miseria mediante políticas sociales con acento en la salud y en la educación.

La oposición férrea al gobierno Lula-Dilma tiene como motor propulsor la liquidación de este proyecto republicano pues le cuesta aceptar la ascensión de los pobres y su participación en la vida social.

Pero este es el proyecto que responde a la angustia que devoraba a Celso Furtado durante toda su vida: «¿por qué Brasil siendo tan rico, es pobre, y con tantas virtualidades, continúa atrasado?». La respuesta dada por Lula-Dilma mitiga la queja de Celso Furtado y es buena no sólo para los pobres sino para todos.

Comprender esta cuestión es entender el foco central de la crisis política brasilera que subyace a las demás crisis.

*Leonardo Boff es articulista del JB online, ecologista y escritor.

Traducción de MJ Gavito Milano

Desafios de futuro à revolução cubana: frei Betto

Com frequência nas midias sociais tanto eu quanto frei Betto somos acusados de comunistas e não são poucos que nos mandam para Cuba. Teríamos boa companhia, com o presidente Obama e o Papa Francisco que por lá já passou duas vezes. Chamar alguém de comunista funciona como uma ofensa, como se ainda estivéssemos na guerra-fria de 30 anos atrás. O preconceito tem vida longa. Bem dizia Einstein “que é mais fácil decompor um átomo e fazer uma boma atômica do que tirar o preconceito da cabeça de uma pessoa”. Nem por isso devemos deixar de combater todo tipo de intolerância e facciosismo para chegarmos a respeitar as difernças e fundar relações humanas para além das ideológicas pessoais. Por muitos anos frei Betto trabalhou em Cuba. Eu e ele aceitamos um trabalho sistemático sob uma condição: que  pudéssemos atuar simultaneamente nos dois polos, no religioso e no político. A nós interessava aproximar a Igreja ao socialismo e fazer que o socialismo se abrisse à dimensão religiosa, como algo profundamente humano. Fizemos dezenas de viagens, perigosas pois os militares nos vigiavam atentamente, com cursos sobre a leitura estrutural analítica da realidade, longe da rigidez marxista-soviética, abarcando os mais altos escalões de um lado, e do outro, tentanto mostrar que os ideais éticos do socialismo não eram contraditórios à mensagem central do cristianismo. Devemos dizer que, com a iluminação do Espírito,conseguimos caminhar tão longe ao ponto de haver, pela primeria vez, um encontro entre o episcopado cubano com os dirigentes socialistas. Por fim se chegou a uma reconciliação, no sentido de que o socialismo cubano já não colocava como pré-condição para trabalhar no estado ser ateu, definindo-se como um estado laico, abrindo assim liberdade para as as igrejas e aos religiosos e àsreligosas que começaram a chegar a Cuba. Este foi o mérito maior, silencioso, prudente e sábio de Frei Betto. Como ninguém entre nós, conhece a ilha. O povo o tem em altíssima estima, especialmente, depois do livro de entrevistas que fez com Fidel sob o título “Fidel e a religião” que conheceu  mais de um milhão de exemplares impressos. Digo tudo isso, para fazer um reconhecimento público desse frade-irmão-companheiro que une em sua vida duas paixões: o serviço contínuo e o amor permanente aos pobres e uma ciumenta paixão por Deus em longas horas diárias de meditação, geralmente noturnas. Nesse artigo faz uma análise e um prognóstico de como será uma eventual evolução do socialismo em Cuba, agora que se deu, por mediação do Papa Francisco, a reconciliação entre os USA e Cuba. Preservar-se-ão  os valores do socialismo, da solidariedade, da generosidade face aos flagelados do mundo inteiro para onde enviam seus médicos e suas medicinas e a busca sempre maior de permitir que todos possam realizar suas potencialidades mediante uma severa educação e uma medicina de alta qualidade? Torceremos para que o sonho maior do socialismo de cada um dar o que puder e receber o que precisar, possa ser uma conquista da humanização dos seres humanos na nossa passagem por essa única Casa Comum que temos. Reproduzimos o artigo divulgado nesta semana final de março:Lboff

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O papa Francisco, ao comemorar 78 anos, a 17 de dezembro de 2014, deu um inestimável presente ao Continente americano: o início do fim do bloqueio dos EUA à Cuba e o reatamento das relações diplomáticas entre os dois países.

Este foi o tema que Francisco priorizou com Obama no encontro que mantiveram, em Roma, em março daquele ano. Um ano antes, ao assumir o pontificado, Francisco se inteirou da questão ao receber Diaz-Canel, vice-presidente de Cuba.

Obama admitiu na TV que “o isolamento não funcionou.” De fato, o bloqueio imposto à Cuba, ao arrepio de todas as leis internacionais, não conseguiu nem mesmo fragilizar a autodeterminação cubana após a queda do Muro de Berlim.

Fidel, que completará 90 anos em agosto deste ano, sobrevive a oito presidentes dos EUA, dos quais enterrou quatro. E a mais de 20 diretores da CIA.

Os EUA são lerdos para admitir que o mundo não é fruto de seus caprichos. Por isso, demorou 16 anos para reconhecer a União Soviética; 20 para o Vietnã; e 30 para a República Popular da China. E foram precisos 53 anos para aceitar que Cuba tem direito à autodeterminação, como já sinalizara a Assembleia Geral da ONU.

De fato, EUA e Cuba jamais romperam o diálogo. Em Washington funcionou, ao longo de cinco décadas, a legação cubana, assim como em Havana o prédio da legação usamericana ergue-se majestoso no Malecón.

A notícia dessa reaproximação marca o fim definitivo da Guerra Fria em nosso Continente. E Cuba sai no lucro, pois oferece uma infraestrutura turística sadia, despoluída e isenta de violência a 1 milhão de canadenses que, no inverno, com três horas de voo, trocam 20 graus negativos por 30 positivos do mar do Caribe.

Com a abertura do mercado cubano a investimentos estrangeiros, os EUA, que raciocinam em cifrões, não querem ficar atrás da União Europeia, do Canadá, do México, do Brasil e da Colômbia, que selam importantes parcerias com a Ilha revolucionária. “Em vez de isolar Cuba, estamos isolando somente o nosso país, com políticas ultrapassadas”, disseram em carta a Obama os parlamentares estadunidenses Patrick Leahy (democrata) e Jeff Flake (republicano) ao retornarem de Havana.

Em troca de Alan Gross, agente da CIA detido em Cuba por ações terroristas, Obama libertou três dos cinco cubanos presos nos EUA, desde setembro de 1998, acusados de terrorismo (dois já tinham sido soltos).

Na verdade, os cinco cubanos tratavam de evitar, na Flórida, iniciativas terroristas de grupos anticastristas. E foram usados como bucha de canhão pelo FBI e por grupos de direita para impedir, na época, a reaproximação entre EUA e Cuba.

O tribunal de Atlanta havia admitido, por unanimidade, que as sentenças aplicadas a três dos cinco cubanos (Hernández, Labañino e Guerrero, libertados por último) careciam de fundamento jurídico: não houve transmissão de informação militar secreta, nem puseram em risco a segurança dos EUA.

Capital simbólico

Cuba vive, atualmente, um momento histórico de grandes transformações. Sua lógica revolucionária de desenvolvimento, centrada nas necessidades e nos direitos da maioria da população, deixa de ser estatizante e se abre às parcerias público-privadas. A construção do porto de Mariel, o mais importante de todo o Caribe, descortina novas possibilidades ao desenvolvimento cubano.

O setor de turismo, incrementado pela excelência dos serviços – como na área médica, e o alto nível educacional da mão de obra e a proteção ambiental -, se amplia como promissora estratégia de captação de divisas. O governo de Cuba se empenha em equacionar o problema da duplicidade de moedas – o peso cubano, utilizado pela população local, e o CUC, moeda conversível, obrigatória para turistas e acessível ao cubano em condições de pagar 24 pesos por 1 CUC. Enfim, uma série de novas medidas é estudada e testada para alavancar o desenvolvimento do país.

O que há de original na lógica de desenvolvimento de Cuba é justamente seu capital simbólico fundado em valores espirituais, como o senso de liberdade e independência, de cooperação e solidariedade, que marca a história do país, da luta dos escravos à implantação do socialismo. Muitos, no exterior, ignoram o quanto essa ética revolucionaria é arraigada no povo cubano e apostam que, em breve, Cuba será uma miniChina, politicamente socialista e economicamente capitalista.

Ora, esse risco existiria se Cuba abandonasse o que possui de mais precioso: seu capital simbólico. O país não tem muitos bens materiais, e o pouco que possui tem sido repartido para assegurar a cada habitante direito à dignidade como ser humano.

Porém, poucas nações do mundo são ricas, como Cuba, em capital simbólico, encarnado em figuras como Felix Varela, José Martí, Ernesto Che Guevara, Raúl e Fidel Castro.

Esse capital simbólico não resulta apenas da Revolução vitoriosa em 1959. A Revolução o potencializou. É consequência de séculos de resistência do povo cubano aos dominadores espanhóis e estadunidenses. Resulta desse profundo senso de independência e soberania que caracteriza a cubaneidade e marca a gloriosa história do país.

Ora, se a Revolução Cubana tem o propósito de perdurar como “sol do mundo moral”, na feliz expressão de Luz y Caballero, que intitula a clássica obra de Cíntio Vitier sobre a eticidade cubana, e se o desafio é aprimorar o socialismo, a questão ética se torna central nos processos de educação ideológica. Cada cubano deve se perguntar por que Martí, que viveu quase quinze anos nos EUA, não vendeu a sua alma ao imperialismo ascendente. Por que Fidel e Raúl, filhos de latifundiário, educados nos melhores colégios da alta burguesia cubana, não venderam suas almas ao inimigo? Por que Che Guevara, médico formado na Argentina, revolucionário consagrado em Cuba, ministro de Estado e presidente do Banco Central, ousou franciscanamente abandonar todas as honras políticas e facilidades inerentes ao exercício de suas funções no poder para meter-se anonimamente nas selvas do Congo e da Bolívia, onde a morte o encontrou em estado de completa penúria?

O capitalismo, com a sua poderosa maquina publicitária, quer que a humanidade tenha como sentido o ter, e não o ser. Quer formar consumistas e não cidadãos e cidadãs. Quer uma nação de indivíduos, e não uma comunidade nacional de companheiros e companheiras.

O socialismo ruma na direção contrária. Nele o pessoal e o social são faces da mesma moeda. Nele cada ser humano, independentemente de sua saúde, ocupação, cor da pele, condição social, é dotado de ontológica dignidade e, como tal, tem direito à felicidade.

Esta a ética a ser cultivada para que Cuba, no futuro, não venha a ser uma nação esquizofrênica, com política socialista e economia capitalista. O socialismo de uma nação não se mede pelos discursos de seus governantes. Nem pela ideologia do partido no poder. O socialismo de uma nação se mede pela amplitude democrática de seu sistema político, efetivamente emanado do povo e, sobretudo, de sua economia, de modo que todos, cidadãos e cidadãs, tenham iguais direitos de compartilhar os frutos da natureza e do trabalho humano. Por isso, considero o socialismo o nome político do amor.

Mudar os objetivos

A reaproximação de Cuba e EUA é vista com cautela pelos cubanos. Nas visitas que fiz à ilha nos últimos 15 meses, cubanos admitiram que a reaproximação é inevitável. Porém, “há um longo caminho a ser percorrido”, disse-me Fidel, que continua lúcido e atento ao noticiário. E muito interessado em tudo que se passa no Brasil.

Não basta a nova retórica de Obama. “É preciso que os EUA excluam Cuba da lista dos países terroristas”, frisou Fidel (o que ocorreu após o encontro de Raúl e Obama no Panamá, em abril de 2015) – “e suspendam o bloqueio.” Na reunião da CELAC, na Costa Rica, em janeiro de 2015, Raúl Castro acrescentou: “E devolvam a base naval de Guantánamo.”

Cuba recebe, hoje, 3 milhões de turistas por ano. (Para nossa vergonha, o Brasil, com esse imenso potencial turístico, recebe apenas 6 milhões). A diferença com o nosso país é que Cuba tem política de Estado de implementação turística, e promove turismos ecológicos, científicos e culturais. Já o Brasil, além da ausência de política para o setor, explora apenas o Carnaval, praias e mulatas…

Com a reaproximação com os EUA, prevê-se que viajarão a Cuba, a cada ano, 3 milhões de estadunidenses. Eis o temor dos cubanos. O país, por enquanto, não dispõe de infraestrutura adequada para absorver tantos visitantes.

Segundo os cubanos, os canadenses são respeitosos, discretos e de fácil entrosamento com a população local. Já os estadunidenses carregam três acentuados defeitos: a arrogância (acham-se os donos do mundo); o consumismo (comprar, desde carros antigos que trafegam pelas ruas de Havana, até mulheres…); e a mania de viajar sem sair dos EUA… (o que explica a existência, em cada ponto turístico do planeta, de McDonald’s e redes hoteleiras ianques, como Sheraton, Intercontinental etc).

Ainda assim, os dólares são bem-vindos a uma economia deficitária, embora haja consciência de que o reatamento significa o choque do tsunami consumista com a austeridade revolucionária.

Tudo indica que, inicialmente, o fluxo maior de viajantes dos EUA rumo a Cuba será motivado pelo “turismo médico”. Para o cidadão comum, tratamentos de saúde nos EUA são caros e precários. Cuba, além de excelência na área, reconhecida internacionalmente, possui expertise em ortopedia. E, atualmente, desenvolve vacinas eficientes contra vários tipos de câncer.

Agora, resta à Casa Branca passar do discurso à prática. Como me enfatizou Fidel, “eles são nossos inimigos e, portanto, precisam mudar não apenas os métodos, mas sobretudo os objetivos em relação a Cuba.”

Frei Betto é escritor, autor de “Paraíso perdido – viagens aos países socialistas” (Rocco), entre outros livros.