Situação numérica da Igreja Católico-romana e o Papa Francisco: F.Altmeyer

O Prof. brilhante e culto teólogo da PUC de São Paulo Fernando Algmeyer é um apaixonado por números exatos de santos e santas, de eventos eclesiais e ecumênicos. Agora nos apresenta algo que muitos,mesmo sacerdotes, religiosos e religiosas e até teólogos/as desconhecem. Como vai a Igreja Católica-romana em termos de números? Qual foi a imensa obra do Papa Francisco nestes seus 6 anos de pontificado? Sobresai  o imenso trabalho que esta Igreja com seus mais de um bilhão de católicos faz: no acompanhamento dos pobres, no ensino em todos os níveis e nas inúmeras universidades, nos hospitais e asilos para idosos e na proteção de desvalidos. Não obstante seus defeitos da humana condição e também da infidelidade de alguns aos  valores evangélicos  como são os casos dos escândalos financeiros e dos pedófilos, ela representa uma torrente de bondade e de amor humanitário, herança sagrada de Jesus de Nazaré e de tantos santos e santas como  São Francisco de Assis, São João Bosco, Santa Clara de Assis, Santa Teresa d’Avila e e da Santa Madre Teresa de Calcutá entre outros tantos e tantas. Os dados arrolados são impressionanes. É bom que membros desta Igreja, de outras e mesmo de cidadãos da sociedade saibam da real situação da Igreja e o que ela repreenta no mundo, não só no Ocidente, mas na humanidade inteira. Agradecemos ao teólogo Altemeyer por este penoso e ilustrativo trabalho. Lboff

Sexênio do papa Francisco – números atualizados pelo Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior – Departamento de Ciência da Religião da PUC-SP – atualizado: 03/02/2019

(fonte principal: www.vatican.va).

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Em 19 de março de 2019 celebra-se seis anos do papa Francisco como bispo de Roma. Seu foco articulador continua sendo cuidar pessoalmente dos migrantes e refugiados, fazendo a sua voz profética ecoar em favor das periferias do planeta. Palavras de ordem: misericórdia, missão, alegria, reforma franciscana, colegialidade e diálogo. A motivação primeira é a missão, o cuidado pastoral dos empobrecidos e não mais o clericalismo doentio e narcisista. Diz ele que é a hora histórica da Igreja em saída, seguindo as intuições expressas pelo Concílio Vaticano II. Começa a delinear um novo rosto episcopal em todo o mundo. Bispos atentos aos pobres, atuando na pastoral, movidos pela compaixão.

 

Circunscrições católicas no mundo todo: 12 patriarcados, 640 arquidioceses, 2.121 dioceses, 44 prelazias territoriais, 11 abadias nullius, 42 exarcados dos ritos orientais, 36 ordinariatos militares, 88 vicariatos apostólicos, 39 prefeituras apostólicas, oito administrações apostólicas, oito missões independentes–sui iuris, três ordinariatos pessoais, uma administração de rito extraordinário latino e uma rede de 132.642 centros missionários e 221.740 paróquias.

 

Entidades filantrópicas e de ensino da Igreja Católica no planeta: 72.800 creches frequentadas por 7.300.000 crianças; 96.600 escolas de ensino fundamental para 35.100.000 alunos; 47.900 escolas de ensino médio para 20.000.000 alunos e 2.381.337 alunos do ensino superior; e 3.103.072 estudantes participantes das Universidades Católicas. Ainda 5.167 hospitais católicos, 15.699 casas para pessoas idosas, 10.124 orfanatos, 11.596 enfermarias, 14.744 consultórios de orientação familiar e 115.352 institutos beneficentes e assistenciais.

 

Número de fieis congregados pela Igreja Católica em seus diferentes ritos latinos e orientais: São 1,3 bilhão de batizados, com a ação ministerial de 3.170.643 catequistas, 362.488 missionários leigos, são 54.229 os irmãos religiosos e 668.729 religiosas com votos perpétuos de vida consagrada. O clero católico é composto de 5.486 bispos (em 03/02/2019), 415.656 presbíteros sendo 281.514 diocesanos e 134.142 do clero religioso, 45.000 diáconos casados permanentes e há 116.843 seminaristas maiores.

 

Programa reformador: O Papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio afirmou em sua carta-programa: “Exige-se a toda a Igreja uma conversão missionária: é preciso não se contentar com um anúncio puramente teórico e desligado dos problemas reais das pessoas (AL 201)”. Ele quer uma ação permanente de saída: “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação (EG 27)”.

 

Inscrições no Martiriologium Romanum: Papa Francisco reconheceu publicamente 886 santos (até 03/02/2019) inscrevendo-os no cânon do Martyriologium Romanum e ainda 1.165 beatos (até 03/02/2019). O Papa João Paulo II havia incluído na lista canônica 482 santos e 1.341 beatos. O papa Bento XVI inscrevera no cânon: 45 santos e 371 beatos. Francisco acaba de canonizar ao papa Paulo VI e o bispo mártir salvadorenho dom Oscar Romero em outubro de 2018. Certamente fará as canonizações dos mártires da América Latina, África e Ásia perseguidos nas cinco últimas décadas do século XX. Em 2019 está programada a canonização do bispo argentino dom Enrique Angel Angelelli, assassinado pela ditadura em 1977. O Brasil espera as canonizações de irmã Dulce dos Pobres, dom Helder Pessoa Câmara, irmã Adelaide Molinari, operário Santo Dias da Silva, padre Josimo Moraes Tavares, irmão jesuíta Vicente Cañas, padre Ezequiel Ramin, irmã Creusa Carolina Rody Coelho, padre salesiano Rodolfo Lunkenbein e o índio Lorenzo Simão Bororo; dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, indígena Sepé Tiarajú, Dorcelina de Oliveira Folador; Eugenio Lyra Silva; Expedito Ribeiro de Souza; Franz de Castro Holwarth; frei Tito de Alencar Lima, dominicano; indígena pataxó Galdino Jesus dos Santos; Irmã Dorothy Mae Stang; indígena kaigang Marçal de Souza Tupã-i; a sindicalista Margarida Maria Alves; irma Maria Filomena Lopes Filha; padre Antonio Henrique Pereira Neto; padre francês Gabriel Felix Maire; o jesuíta João Bosco Penido Burnier; padre Leo Comissari; padre Manuel Campo Ruiz; leiga Roseli Correa da Silva; líder sindical Sebastião Rosa Paz; catequista Vilmar José de Castro, entre tantas testemunhas do Cristo Ressuscitado.

(fonte: http://www.causesanti.va/content/causadeisanti/it.html )

 

Vinte e duas viagens internas na Itália: Lampedusa em 08/07/2013; Cagliari em 22/09/2013; Assis em 04/10/2013; Campobasso e Isernia em 05/07/2014; Caserta em 26/07/2014; Cassiano all´Ionio em 21/06/2014, Redipuglia em 13/09/2014, Prato e Firenze em 10/11/2015, Turim, 21 e 22/06/2015, Pompeia e Nápoles em 21/03/2015, duas vezes em Assis em 04/08/2016 e 20/09/2016, Milão 25/3/2017, Carpi 02/04/2017, Genova 27/5/2017, Bozzolo e Barbiana 20/06/2017; Cesena e Bolonha 01/10/2017; Pietrelcina, diocese de Benevento, e San Giovanni Rotondo, diocese de Manfredonia-Vieste-San Giovanni Rotondo, para celebrar os 50 anos da morte de São Pío de Pietrelcina, em 17/03/2018; em 20/04/2018, região de Puglia, nas cidades de Alessano-Lecce, na diocese de Santa Maria de Leuca, e Molfetta, para celebrar os 25 anos da morte de Dom Tonino Bello; Nomaldelfia, na Toscana em 10/05/2018, para encontrar a comunidade fundada por padre Zeno Saltini; e em seguida Loppiano (Florença) na cidade internacional do Movimento dos Focolares; Bari, 07/07/2018 e enfim, diocese de Piazza Armerina e Palermo para celebrar o 25° Aniversário de Morte do Beato Pino Puglisi, em 15/09/2018.

 

Viagens internacionais de Francisco: Completam-se 27 viagens internacionais que o conduziram a 36 países: Brasil (22 a 29/07/2013), Jerusalém (24 a 26/05/2014), Coreia do Sul (13 a 18/08/2014), Albânia (21/09/2014), França (Estrasburgo, Parlamento Europeu, em 25/11/2014), Turquia (28 a 30/11/2014), Sri Lanka e Filipinas (12 a 19/01/2015), Bósnia-Herzegovina (Sarajevo em 06/06/2015), Equador, Bolívia e Paraguai (05 a 13/07/2015), Cuba e Estados Unidos e sede da ONU (19 a 28/09/2015), Quênia, Uganda e República Centro Africana (25 a 30/11/2015), México (12 a 18/02/2016), Lesbos, na Grécia em 16/04/2016, Armênia em 24-26/06/2016, Polônia, durante a JMJ de 27 a 31/07/2016, Geórgia e Azerbaijão de 30/09 a 2/10/2016, Suécia de 31/10 a 01/11/2016, Egito, 28-29 abril de 2017, Fátima, em Portugal, 12-13 de maio de 2017, Colômbia, 06 a 11 de setembro de 2017; Bangladesh e Myanmar, 27 de novembro a dois de dezembro de 2017; Chile e Peru, 15 a 21/01/2018; Conselho Mundial de Igrejas em Genebra, em 21 de junho de 2018; Irlanda, ao Encontro Mundial das Famílias, 25 a 26 de agosto de 2018; Lituânia, Estônia e Letônia, 22 a 25/09/2018; Panamá de 23 a 28 de janeiro de 2019 para a XXXIV Jornada Mundial da Juventude; Emirados Árabes Unidos, 3 a 5 de fevereiro de 2018. Planejadas visitas ao Marrocos 30 e 31 de março de 2019; Bulgária e Macedônia, 5 a 7 de maio de 2019; Romênia 31/05 a 02/06/2019; Japão em novembro de 2019. Estão pendentes visitas para Madagascar, Coreia do Norte, Sudão do Sul, Argentina, Uruguai, Índia, Beijing (China) e Moscou (Rússia).

 

Discursos e textos importantes: O papa Francisco até 03/02/2019 pronunciou 1.171 discursos, 300 homilias. Escreveu duas exortações apostólicas pós-sinodais: Evangelium Gaudium (A Alegria do Evangelho) publicada em 24/11/2013 e Amoris Laetitia (A alegria do amor) em 08/04/2016. Publicou também a exortação apostólica Gaudete et Exultate, sobre a santidade em 19/03/2018. Enviou 35 constituições apostólicas, 190 cartas, uma bula, 32 cartas apostólicas, 258 mensagens, 34 motu próprios. Acolheu milhares de peregrinos em 258 audiências gerais, presidiu 518 celebrações na Casa Santa Marta com as meditações cotidianas publicadas, doze bençãos Urbi et Orbi e rezou 317 Angelus, da janela do Vaticano. Proclamou e fez acontecer um Ano da Misericórdia em 2016. Escreveu duas encíclicas: Lumen Fidei, de 29/06/2013, e Laudato Si’: o cuidado da Casa Comum, publicada em 15/06/2015. Presidiu três sínodos da Igreja universal e tem programado para outubro de 2019, o sínodo extraordinário da Pan-Amazônia, no Vaticano.

 

Ecumenismo e diálogo inter-religioso: Francisco realizou gestos de grande amor ecumênico junto aos irmãos luteranos, na celebração dos 500 anos da Reforma. Também junto aos ortodoxos russos e ao patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, chamado por ele carinhosamente de “meu irmão André”, recordando que ele exerce a função de Pedro, em Roma. Manteve encontros frequentes com o primaz da Igreja Anglicana, Justin Welby. O papa Francisco propôs três chaves para avançar no caminho comum dos cristãos e aprofundar o ecumenismo: oração, testemunho e missão. Houve encontros fecundos com os irmãos menonitas, os pentecostais, os metodistas, os batistas, os reformados. Particularmente fecundo foi o encontro realizado no Vaticano com a atual moderadora do Comitê central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Agnes Abuom, e o secretário geral do mesmo organismo ecumênico, Rev. Olav Fykse, na manhã de 24/08/2017 em que fez uma oração comum pela unidade, pela paz e reconciliação das igrejas e dos povos. As pontes junto aos judeus, islâmicos, hindus e budistas têm sido edificadas com esmero e sabedoria. Francisco sabe que não haverá paz mundial sem paz entre as religiões. Visita como peregrino ao CMI celebrou os 70 anos da entidade ecumênica mundial. Importante encontro inter-religioso em Abu Dhabi, com os irmãos muçulmanos em 2019.

 

Medidas internas na Cúria: Alterou inúmeros procedimentos ligados à questão da pedofilia; alterou funções de muitos dos serviços da Cúria Romana; limitou o número de títulos honoríficos na instituição católica; criou a comissão de controle do Instituto para as Obras de Religião (IOR); nomeou 59 novos cardeais eleitores; publicou quatro estatutos alterando o formato dos secretariados romanos. Em função de sua firme decisão de reformar a Igreja tem sofrido pressão imensa dos quadros eclesiásticos da Cúria e de alguns episcopados que lhe oferecem resistência e em alguns casos até oposição, entre eles cardeais e alguns poucos bispos dos Estados Unidos da América, na Polônia, Espanha, um cardeal da China, bispos do Cazaquistão e a parcela dos bispos integristas em muitos países. O gesto mais significativo se concentrou na política de tolerância zero com os presbíteros e religiosos acusados de pedofilia em todo o planeta, em especial, nos Estados Unidos, Europa e Austrália. Caso recente de acobertamento de um pedófilo por bispo chileno resultou no pedido de demissão coletivo de todo o episcopado na ativa (34 bispos).

 

Medidas futuras: Em fevereiro encontro inédito de todos os 117 presidentes das Conferencias Episcopais de todo o mundo, chefes dos dicastérios romanos, chefes das Igrejas de ritos Orientais, Secretária de Estado, alguns Superiores religiosos/as nos dias 21 a 24 de fevereiro de 2019 no Vaticano, para tratar de pedofilia no clero católico e seu enfrentamento como tolerância zero. Em outubro de 2019 o Sínodo Extraordinário para a Amazônia, em Roma. Espera-se ainda uma encíclica social sobre o tema dos refugiados e imigrantes. A Reforma da estrutura burocrática da Cúria Romana desenhada pelo grupo de trabalho de cardeais. Provável aprovação das mulheres diaconisas e também da revisão do código canônico para aprovar homens casados ao ministério presbiteral na igreja católica de rito latino, já que em ritos orientais isso já existe há séculos.

 

Papa Francisco e o novo rosto do Episcopado Brasileiro: Em 03/02/2019 dos atuais 480 bispos no Brasil, contamos 309 na ativa e 171 eméritos. Por indicação papal temos a seguinte composição: dois bispos nomeados pelo papa São João 23, ambos eméritos (D. Serafim Fernandes de Araújo e dom José Mauro Alarcón); 36 nomeados bispos durante o governo do santo papa Paulo VI (todos eméritos); 223 nomeados pelo santo papa João Paulo II (125 eméritos); 124 nomeados pelo papa Bento XVI (oito eméritos); e 95 bispos nomeados de 19/03/2013 até 15/01/2019 pelo papa Francisco (todos na ativa). Em 03/02/2019 há quatorze dioceses brasileiras vacantes. Quatro bispos já completaram 75 anos e tornar-se-ão eméritos. Em 2019 oito bispos se aposentarão. Somando as dioceses vacantes (14), os quase eméritos (4) e os que vão aposentar-se em 2019 (8), teremos a nomeação em breve de 26 novos bispos para o Brasil. O perfil em 2020 seria este: 121 bispos nomeados por Francisco sobre 309 bispos atuantes, ou seja, 39% do episcopado. Já poderemos ver esse novo rosto na eleição em abril dos novos cargos na CNBB, especialmente presidente, vice e secretário geral. Um horizonte de esperanças está descortinando.

 

Francisco e a composição do colégio de cardeais em 03/02/2019: Os atuais cardeais eleitores são 123 bispos católicos de 65 países. Os cardeais não eleitores são 100 com mais de oitenta anos. Há um total de 223 cardeais vivos provindos de 88 países. O cardeal norte-americano McCarrick foi excluído do Colégio de cardeais.

Segundo a indicação dos diferentes papas quando da elevação ao cardinalato temos a atual composição no colégio de cardeais:

Beato Papa Paulo VI – não há mais nenhum cardeal vivo (o papa emérito Bento XVI foi criado cardeal pelo beato papa Paulo VI).

Papa São João Paulo II18 eleitores + 57 não eleitores = 75 cardeais vivos.

Papa emérito Bento XVI47 eleitores + 28 não eleitores = 75 cardeais vivos.

Papa Francisco58 eleitores + 15 não eleitores = 73 cardeais vivos.

Do total de 223 cardeais vivos temos 38 advindos de ordens religiosas e congregações (24 eleitores e 14 não eleitores). Há 14 cardeais bispos sendo seis eleitores, 174 cardeais presbíteros sendo 97 eleitores e, 35 cardeais diáconos sendo 20 eleitores. Total de 123 eleitores + 100 não eleitores = 223 cardeais vivos.

Cardeais eleitores da Europa são 52; das Américas são 34; da África são 16; da Ásia são 17; e da Oceania são 4.

Resumo:

18 cardeais eleitores criados por São João Paulo II;

47 eleitores criados por Bento XVI;

58 eleitores criados por Francisco.

Em 2019 completam 80 anos, nove cardeais (que não mais participarão de conclaves para escolha do bispo de Roma). Portanto, até junho de 2019 poderíamos ter um novo consistório com a nomeação de ao menos seis novos purpurados (para atingir 120 membros).

Resumo do sexênio de Francisco: Os seis anos do pontificado de Francisco são a fonte de oxigênio para os cristãos, aberto aos demais crentes e mesmo uma ponte feliz de diálogo com os ateus que buscam a verdade e a justiça. Francisco não veio repetir fórmulas. Quer o novo, como pastor de esperanças e alegrias, especialmente fala aos jovens, migrantes e refugiados e tem um compromisso junto ao planeta Terra, pedindo “cuidado para com a Casa Comum”

 

2019 ¿vuelo ciego rumbo a lo incierto?

 

Los últimos años han sido muy atormentados en nuestro país. Hubo el discutible impeachment de la presidenta Dilma Rousseff, acusaciones serias de corrupción a su sucesor, el presidente Temer, la obra devastadora del Lava-Jato con aplicación rigurosa de lawfare, y la prisión de Lula, el mayor líder popular, mediante un juicio claramente parcial y carente de pruebas materiales, juicio criticado por los más eminentes juristas nacionales y extranjeros.

Fue clamorosa la campaña presidencial marcada por la utilización masiva de las redes sociales con millones de falsas noticias, mentiras y calumnias procedentes de todos los lados. En una orquestación de fuerzas a ser deslindada todavía, se eligió a Jair Bolsonaro, un excapitán del ejército, de extrema derecha, fundamentalista religioso y explícitamente homofóbo. Sus palabras violentas, si se concretan, podrán poner en peligro la democracia y el pacto social, costosamente tejido por la Constitución de 1988. Nunca se había visto en nuestro país una irrupción de odio, de rabia, de términos de bajísimo nivel, en una palabra, de la dimensión oscura y perversa de la cordialidad brasilera, según Sérgio Buarque de Holanda.
En un Estado de Derecho Democrático, una victoria electoral debe ser aceptad por todos, por más críticos que debamos ser hacia las posiciones políticas asumidas.

El candidato vencedor no propuso ningún proyecto global para Brasil. Pronto se reveló realmente falto de preparación para asumir la mayor responsabilidad sobre el destino de un país continental y complejo como el nuestro. Se descargó de este fardo, pasándoselo a sus ministros, muchos de ellos militares. Algunos, civiles, revelan un oscurantismo intelectual palmario, capaz de causar espanto hasta a los extranjeros.

Todo parece indicar que estamos en un vuelo ciego rumbo a lo incierto. Todo puede suceder.
¿Qué postura tomar? En primer lugar hacer una opción comprometida y patriótica por Brasil. El es el todo, los partidos, vencedores o vencidos, son solo partes. Debemos todos construir el todo para todos.

Frente a Brasil necesitamos olvidar querellas del pasado y mirar adelante y a lo lejos. Debemos sentirnos como peces de la subienda nadando contra la corriente. Incluso así avanzaremos como ellos para producir vida. Como decía J. F. Kennedy en su discurso inaugural de 1963: “ningún desafío está más allá de la capacidad creadora del ser humano”.

Para ser creadores, es importante cultivar la esperanza, como principio que va más allá de la virtud, en el sentido que la prisionera Dilma Roussseff dio: “En la cárcel se espera mucho. Esperar necesariamente significa tener esperanza. Si se pierde la esperanza, el miedo te domina. Yo aprendí a esperar”. Por eso se volvió la persona resistente que conocemos.

Tenemos que hacer nuestra una esperanza afectiva y efectiva de que el gobierno actual, con todas las limitaciones que posee, que no son pocas, salga del vuelo ciego y encuentre el rumbo hacia la disminución de la injusticia social (las clamorosas desigualdades) mediante políticas que beneficien al país a partir de los que más necesitan y que no pueden defenderse por sí mismos. El deber ético primero de un Gobierno es garantizar la vida de los ciudadanos, y después las finanzas, el mercado, la educación, la cultura y la seguridad, todo al servicio de la vida.

Una población empobrecida y enferma jamás abrirá camino al desarrollo humano y social. En este contexto cabe recordar las palabras del libro del Eclesiástico: “Es asesino del prójimo quien le roba los medios de subsistencia; derrama sangre quien priva al asalariado de su salario” (34,26-27). Algunos del gobierno pretenden afectar los salarios y otros derechos.
En el caso de que ocurriese una grave lesión a los derechos fundamentales y al régimen democrático, cabe la formación de un frente amplio y supra-partidario para resistir y obligar a una inflexión en dirección a lo justo y a lo correcto.

Como teólogo me apropio para 2019 del ideal de Edward Neves de Belo Horizonte, un colega también teólogo laico: “cultivar las siguientes posturas del Jesús histórico: (1) nutrirse de la intimidad amorosa de Dios; (2) pautarse por el sueño de Jesús, de un Reino de vida, de amor y de justicia; (3) actuar movido por la compasión; (4) colocarse al servicio de la dignidad de cada persona, especialmente del excluido; (5) liberarse de las tentaciones del tener, del poder y del placer para amar con mayor profundidad y gratuidad”.

Hago votos para todos de un año de felicidad posible en nuestro contexto concreto. Spes contra spem.

Leonardo Boff es teólogo y filósofo y ha escrito: Reflexiones de un viejo teólogo y pensador, Vozes 2018.

Traducción de Mª José Gavito Milano

Democrazia o Nazifascismo in Brasile?

Mai nella nostra storia siamo stati messi davanti a un’alternativa così radicale: l’ex-capitano candidato alla presidenza, Jair Bolsonaro si presenta con tutte le caratteristiche del Nazifascismo che ha fatto milioni di vittime in Europa, durante la Seconda guerra Mondiale; mentre dell’altro, Fernando Haddad non si può negare lo spirito democratico. Bolsonaro stesso ha dichiarato che non gl’importa niente se lo paragonano a Hitler. Si offenderebbe se dicessero che è gay.

Ha usato tanta crudeltà contro le donne, i neri, gl’indigeni, I rifugiati nei quilombos e i LGBT e per di più difendendo apertamente noti torturatori. Ha lasciato intendere chiaramente in dichiarazioni senza scrupoli che intende imporre una politica repressiva contro questi gruppi come politica metodica dello Stato. Non c’è da meravigliarsi che abbia ottenuto il più alto rifiuto nei sondaggi per le intenzioni di voto.

Intendiamo bene l’eco delle sue dichiarazioni, perché non sono pochi quelli che vogliono ordine nella società, a qualsiasi costo che rifiutano tutti i politici in blocco a causa della corruzione che ha corroso questa paese. Sempre alla ricerca dell’ordine senza preoccuparsi della giustizia sociale né di procedimenti giuridici corretti questo è stato l’humus che ha alimentato e alimenta ancora i gruppi da destra e di estrema destra. Così è avvenuto con Hitler: “Ordnung muss sein”:“l’ordine deve imperare”. Ma è un ordine imposto con la repressione e l’invio ai campi di sterminio di Giudei, Zingari e oppositori.

Bolsonaro sfrutta questa ricerca di ordine a qualsiasi prezzo anche con la militarizzazione del governo come già stato pubblicato dalla stampa. Se per caso vince, che il cielo ci scampi e liberi, metterà ai ministeri-chiave generali, generalmente pensionati, ma con una mentalità francamente destrorsa e autoritaria. Propone addirittura un auto-golpe, cioè Bolsonaro come Presidente può convocare le forze armate, può sciogliere il parlamento e instaurare un regime autoritario e altamente repressivo.

Non abbiamo alternative se non quella di unirci al di là degli interessi di partito, per salvare la democrazia e non permettere che il Brasile sia nel mondo intero considerato un paese paria dal punto di vista politico.

Tutto ciò arriverebbe a interessare da vicino gran parte della politica latino-americana, specialmente in quei paesi le cui democrazie sono fragili e sono esposte al fuoco dei pensatori di destra, in crescita nel mondo intero.

Non è da meravigliarsi che i gruppi finanziari che vivono di speculazioni, in combutta con impresari che non hanno nessuna considerazione per il futuro della patria eccetto che per i propri interessi o associati ai burocrati dello Sato affetti da compromessi e intrallazzi costituiscono la base sociale di sostentamento di un tale regime autoritario di stampo nazista e fascista.

Sarebbe una rottura inedita nella nostra storia mai avvenuta prima. I militari e gli impresari che hanno fatto il golpe del 1964 erano per lo meno nazionalisti e esaltavano una crescita economica a costo di strozzare la politica salariale e del controllo rigoroso delle opposizioni, con prigioni, sequestri, torture e assassini, oggi testimoniati perfino da documenti venuti dagli organi di sicurezza della politica estera degli USA.

Il popolo Brasiliano che tanto ha già sofferto sotto il tallone dei padroni di schiavi e, dopo, per il super sfruttamento del capitalismo nazionale, non merita di continuare a soffrire ancora di più. Abbiamo un debito che mai siamo riusciti a saldare e saremo sollecitati a pagare fino al giorno del Giudizio Universale’

Nutriamo la speranza che il buon sensoB senso e la volontà di riconfermare la democrazia da parte della maggioranza dei votanti ci libereranno da questo vero castigo, che non meritiamo davvero.

*Leonardo Boff è teólogo, filosofo, scrittore.

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato

I was in jail and you didn’t let them visit me

There is a very dramatic scene in the Gospel of Saint Matthew, dealing with the Last Judgment, namely, when the final destiny of every human being is revealed. The Supreme Judge does not ask to what Church or religion the person belonged, whether the person accepted the dogmas, or how often the person attended the sacred rites.
That Judge will look to the good and tell them: “Come, blessed of my Father, inherit the kingdom prepared for you from the foundation of the world, for I was hungry, and you fed me; I was thirsty, and you gave me to drink; I was a stranger, and you took me in: I was naked, and you clothed me: I was sick, and you visited me: I was in prison, and you came to see me… every time you did this for one of my little brothers and sisters, you did it for me…and when you did not do it for one of the smallest ones, you did not do it for me” (Gospel of Saint Matthew, 25, 35-45).
What counts in this supreme moment is what we do for those who suffer in this world, and not the preaching. If we have cared for them, we will hear those blessed words.
This was experienced by 1980 Argentinian Nobel Peace Prize Laureate Adolfo Perez Esquivel, (1931), who is an architect and well known sculptor, a great activist for human rights and the culture of peace, as well as being profoundly religious, and my supporter. Perez Esquivel asked the Brazilian judicial authorities permission to visit former President Luiz Inacio Lula da Silva, his friend of many years, in jail. I personally witnessed the events noted here.
Perez Esquivel called me from Argentina and on Twitter the conversation is summarized, in sort of a youtube. We would go together, because in 2001 I had received the Alternative Nobel Peace Prize (The Right Livelihood) from the Swedish Parliament. But I told Perez Esquivel that besides embracing a friend of more than 30 years, my visit was to fulfill the Gospel precept, “visit the one who is jailed”. I wanted to reinforce the tranquility of the soul Lula has always maintained. Shortly before he was arrested, he assured me: my soul is serene because nothing accuses me, I feel like a carrier of the truth that possesses its own strength and will manifest itself in due time.
Perez Esquivel and I arrived in Curitiba at different times, on April 18th. We went directly to the great auditorium of the Federal University of Parana, that was already filled with people, for a debate on Democracy, Human Rights and the Brazilian crisis that had culminated with Lula’s jailing. There were university authorities, Celso Amorim, the former Minister of Foreign Relations, representatives of Argentina, Chile, Paraguay, Sweden, and other countries. Beautiful Latin American songs were sung, especially those sung by the magnificent voice of actress and singer Leticia Sabatella. The Afro-descendants danced and sang in their outfits of beautiful colors.
There were several speeches. As if by magic, the general discouragement gave way to an aura of goodwill and hope that the parliamentary-juridical-news media coup would not succeed in determining the future of Brazil. Better yet, that a cycle of domination of the backwards elites would close with the opening of the path to a democracy from below, participant and sustainable.
Before the meeting we had been told that Judge Catalina Moura Lebbos, the right hand of Judge Sergio Moro, had forbidden the visit we wanted to make to President Lula.
Judge Lebbos did not realize the great significance of being a Nobel Peace Prize Laureate. That person has the privilege of traveling all over the world, visiting jails and places of conflict, to promote dialogue and peace. This is supported by the 2015 Document from the United Nations called “The Mandela Rules”, about the Prevention of Crimes and Criminal Justice. That Document also touches on visits to prisoners. Brazil was among the most active countries in formulating The Mandela Rules, but does not follow them in her own territory.
But it was in vain. Judge Lebbos stood firm. The following day, April 19th, we arrived at the encampment where hundreds stood in vigil at the Federal Department of Justice, were Lula is jailed. They shouted to him, “Good morning, Lula”, “Lula free!” and other words of encouragement, hoping that he could hear them perfectly from his cell.
There were police everywhere. We tried to talk with their chief, seeking an audience with the Superintendent of the Federal Police.
The answer was always the same: you cannot, orders from above. After insisting, with telephone calls coming and going, Perez Esquivel received an audience with the Superintendent. He explained the reasons for the humanitarian and fraternal visit to an old and dear friend. But no matter how Perez Esquivel argued and referenced his title of Nobel Peace Prize Laureate, recognized and respected worldwide, he always heard the same old song: You cannot. These are orders from above.
And so, dejected, we returned to be with the people. Personally, I insisted that my visit was purely spiritual. I had planned to give him two books, The Lord is my Shepherd, I lack nothing, a detailed commentary that really nourishes trust. And one by Carlos Mesters, our most articulate exegeta, The Mission of the People who Suffer, describing the helplessness of the Hebrew people in the Babylonian exile, how the Prophets Isiah and Jeremiah consoled them, and how those Prophets fortified the meaning of their suffering and hope.
The Federal Police Department prohibited everything. Not even a note could be sent to President Lula.
Among the people who spoke were representatives of several groups that support Lula’s candidacy for the Nobel Peace Prize, especially a couple from Sweden. Perez Esquivel and I also spoke, reinforcing the hope that in the end, it is this powerful energy that sustains those who struggle for justice, and a different type of democracy. Perez Esquivel announced that he had launched a worldwide campaign to propose Lula as a candidate for the Nobel Peace Prize. There are already thousands of signatures from all over the world. Lula meets all the requirements for the Prize, especially for his social policies that lifted millions of people out of hunger and misery, and for his consistent work for social justice, the basis for peace.
There were many interviews by national and international means of communication. Photos of the event began to be published worldwide, and solidarity came from many countries and groups.
There we came to understand that in effect we live under a regime of exception, in the form of a “golpe blando” that confiscates freedom and denies fundamental human rights.
The spiritual pettiness of our Judges of the Lava Jato and denial of the guaranteed right of a Nobel Peace Prize Laureate to visit his prisoner friend in the spirit of pure humanity and warm solidarity, shames our country. This only corroborates the fact that we effectively are under a regime of exception that negates democracy.
But Brazil is bigger than her crisis. Purified, we will come out better, and proud of our resistance, of our indignation and, starting in the streets and the elections, our courage to retake a rightful State.
We will never forget the sacred words: “I was in jail and you didn’t let them visit me”.

Leonardo Boff Eco-Theologian-Philosopher and of  theEarthcharter Commission

Free translation from the Spanish sent by
Melina Alfaro, alfaro_melina@yahoo.com.ar.
Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.