TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E A ECOLOGIA UNIDAS EM UMA LUTA COMUM

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E A ECOLOGIA UNIDAS EM UMA LUTA COMUM

Claudia Fanti é uma conhecida jornalista italiana, especialista em teologia latino-americana da libertação. Participou dos principais congressos mundiais desta teologia. Traduz perfeitamente do português e do espanhol. Traduziu com muita exatidão meu A Imitação de Cristo e o Seguimento de Jesus de Tomás de Kempis e a minha parte que é a última. É  extremamente inteligente e engajada na reflexão teológica mais avançada e militante de movimentos sociais. É uma das melhores conhecedoras de meu pensamento na área italiana. Agradecemos por este testemunho:Lboff 

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Querido Leonardo,

Era 1996, quando, na casa de Antonio Vermigli, nosso amigo em comum, eu o entrevistei pela primeira vez. Ao longo dos anos, muitas outras entrevistas se sucederam. Mas aquela foi especial. Era a primeira vez em que entrevistava o grande Leonardo Boff, um dos pais e principais expoentes daquela Teologia da Libertação que já modificara profundamente meu olhar sobre a vida e marcava meu trabalho como jornalista.

O tema da entrevista também foi especial: acabava de sair em italiano o seu livro Ecologia: Grito da Terra, grito dos pobres – Para uma ecologia cósmica. A emoção que os astronautas sentiram ao ver, pela primeira vez na história, a Terra do espaço sideral, descobrindo-a como uma única entidade indivisível Terra-humanidade, tomou for- ma em suas páginas, também me instigando a olhar de modo dife- rente para o nosso luminoso planeta branco-azul sempre grávido de vida e ele mesmo ser vivente.

Graças a você, descobri o quanto a Teologia da Libertação e a ecologia estavam unidas em uma luta comum. Ambas a partir de um único grito: “o grito dos pobres que querem vida, liberdade e beleza” e “o grito da Terra que geme sob a opressão”. Ambos orientados para a liber- tação: “o primeiro grito, dos pobres partindo de si mesmos, como sujeitos históricos organizados e conscientizados, em aliança com outros sujeitos de- terminados a abraçar sua causa e sua luta”; o segundo, do Planeta Ter- ra, através de um novo paradigma centrado na inter-relação de todos os seres humanos entre si, com a natureza e com toda a criação.

Desde então, sua pesquisa – conduzida por tanto tempo, quase por um tempo demasiado grande, como em uma solidão total, até que a gravidade da crise ambiental forçou a teologia latino-ameri- cana a considerar a questão como uma de suas prioridades – essa sua pesquisa sempre foi uma fonte extraordinária de inspiração para mim, para a minha vida e o meu trabalho.

Lembro-me de ter traduzido e publicado na Itália a sua confe- rência no Congresso Continental de Teologia na Universidade Jesuíta do Vale do Rio dos Sinos, em São Leopoldo, em outubro de 2012. O tema atribuído a você foi “O lugar e o papel da teologia nos processos de mudança do continente no contexto mundial”, mas você decidiu tra- tar um outro, insistindo na relação entre Teologia da Libertação e preocupação ecológica.

Naquela ocasião, você havia falado sobre como articular Teolo- gia da Libertação e ecologia, colocando o discurso ecológico de uma maneira orgânica, sem limitar, ou seja, adicionando “apenas um capítulo ecológico” ao corpo da TL. De certa forma, você chegou a isso depois das suas dolorosas dificuldades com Roma. Você contava:

Depois de me ter imposto o obsequioso silêncio, João Paulo II mandou-me uma carta, na qual escrevia duas coisas. A pri- meira é que eu deveria me mostrar mais sério (mas, eu pensei, se eu estudei na Alemanha, claro que sou sério!). A segunda é que eu deveria enfrentar os temas realmente importantes da teologia. Pensei: Já que é o papa que diz isso, é preciso levá-lo a sério. E então percebi que o grande tema sobre o qual começar uma reflexão era pensar na Terra e nas filhas e filhos condenados da Terra. E ver como garantir o futuro da nossa civilização. É por isso que comecei a estudar ecologia. Porque uma teologia que não lida com esse problema não é séria.

Aquilo era válido também para mim. Se eu quisesse que meu trabalho jornalístico fosse sério, eu deveria gastar mais tempo e dar mais espaço possível à questão da nossa salvação junto com o plane- ta, o Grande Pobre, devastado e oprimido. É a Terra crucificada, que também precisa ser retirada da cruz. Por isso, essa questão se tornou um dos principais tópicos da minha atividade jornalística e também da minha militância social e política.

Já em 2009, não por acaso, achei necessário participar pessoalmente do 4o Fórum Mundial de Teologia e Libertação, em Belém, PA, sobre o tema “Terra, água e teologia para outro mundo possível”, nos dias que antecederam ao 9o Fórum Social Mundial. E o fato de que a pri- meira conferência do fórum foi entregue a você não poderia deixar a menor dúvida: era uma “honra” que você, por seu trabalho, merecia.

Lembro-me que, embora assediado como uma estrela por fotó- grafos e jornalistas, você encontrou tempo para me dar uma longa entrevista, abordando, entre outras questões, a dificuldade que a Teologia da Libertação tinha de assumir o paradigma ecológico, devendo incorporar conhecimentos científicos de não fácil aquisi- ção, como a física quântica, a nova cosmologia, a astrofísica.

Precisamente, então, comecei a voltar minha atenção para aquele imenso espaço de pesquisa, oferecido pela nova “história sagrada”, transmitida pelas ciências à humanidade. E nesse caminho tropecei em uma de suas maiores obras-primas: o Tao da Libertação, escrito junto com o cosmólogo canadense Mark Hathaway. A busca apaixonada “da sabedoria necessária para fazer profundas transforma- ções no mundo”, realizadas através de uma releitura da Teologia da Libertação a partir das fronteiras mais avançadas da ciência e dos valores da tradição taoista.

Uma pesquisa resumia, da melhor maneira, o título do livro. Nele, a antiga palavra chinesa Tao (“estrada, caminho rumo à harmonia, à paz e a relações justas”), com a qual você indicava “a sabedoria que reside no próprio coração do universo e que contém a essência do seu propósito e da sua direção”, está unida ao termo “libertação”, que ex- pressa esse processo que visa “remediar o terrível dano que infligimos um ao outro e ao nosso planeta “, na direção de um mundo “em que todos os seres humanos possam viver com dignidade e em harmonia com a grande comunidade que compõe Gaia, a Terra viva”, dentro de um universo que está a caminho da realização de suas próprias potencialidades.

Dessa forma, partindo do reconhecimento da extensão e da gravidade da crise atual, nos encontramos diante das duas únicas alternativas possíveis: optar por não realizar qualquer transforma- ção real, perpetuando o atual sistema global de dominação e, assim, deslizando para “um futuro de infelicidade, pobreza e degradação ecológi- ca ainda pior”, ou “pôr-se em busca do Tao da libertação”, realizando assim uma “revolução da consciência”, uma reinvenção de nós mesmos como espécie, na direção de uma “nova civilização global na qual a beleza, a dignidade, a diversidade e o respeito absoluto pela vida estarão no centro de tudo: uma autêntica grande virada”.

Daí a necessidade de uma nova compreensão da realidade e uma nova concepção do lugar que a humanidade ocupa no cosmos. No livro, você define isso como a “cosmologia da libertação”, em oposição àquela “cosmologia da dominação”, que, em grande parte, autorizou “a submissão da Terra”, substituindo a visão do cosmo como “uma moradia viva, rica em mistério” por aquela de um universo “como uma imensa máquina composta de simples tijolos”, que funcionam de maneira determinista. Esse é um universo morto, feito de matéria inanimada, que pode, portanto, ser explorado sem remorsos, em nome do desenvolvimento econômico e social.

Essa é uma visão superada pela pesquisa científica contemporânea. Ao contrário dessa, emerge a natureza profundamente holística e relacional do cosmos, mais como rede de relações na qual “cada parte recebe seu significado e sua existência apenas do lugar que ocupa no interior do todo” e no qual “todas as comunidades evoluíram como se fossem um grande organismo”. O cosmo é como uma “entidade viva com sua liberdade e sua dinâmica criativa”. É como uma espécie de super-organismo vivo que a Terra se revela. São muito sólidas as provas da atividade autorreguladora da ecosfera. É a teoria de Gaia, cuja versão “forte” sustenta “que os organismos vivos, trabalhando juntos, de alguma forma regulam ou controlam o seu ambiente para conservar, ou talvez até para otimizar, as condições necessárias à vida”.

Aquele livro, Leonardo, continha uma mensagem extraordinária de esperança. De uma esperança que nunca foi tão necessária como hoje, uma vez que, olhando para o mundo que construímos, não podemos deixar de nos sentir desanimados com a nossa capa- cidade de nos fazer mal diante da crueldade com que tratamos a comunidade da vida deste planeta, diante da cegueira e da loucura da qual a nossa espécie, imerecidamente autodenominada de sa- piens – que você definiu como “a maior ameaça à vida” – está dando prova de destruir a sua própria casa.

A esperança de que o cenário atual, embora tão dramático, seja apenas, como você escreveu, uma crise que “põe à prova, purifica e leva à maturação”, anunciando “um novo começo, uma dor de parto cheia de promessas e não a dor de um aborto da aventura humana”. Em suma, o nosso destino deve ser o de nos tornar mais plenamente huma- nos, capazes de sentir uma compaixão que inclui tudo, criar, como você escreveu, a nova civilização da Era da Terra, em cuja porta, ao contrário do que está escrito na porta do Inferno de Dante, possa ser lido, em todas as línguas existentes: “Vós que entrais aqui, nunca abandonai a esperança”.

De acordo com a ideia de Teilhard de Chardin, a evolução é “plasmada de modo a convergir para um estágio superior e final, que ainda é para ser alcançado e pode ser chamado de “ponto ômega”. Embora não seja possível dizer exatamente como será, ou com que parecerá, o fato é que implica “níveis de complexidade, de inter-re- lação, de diversidade e de autoconsciência sempre maiores”. Assim, você sublinhava no seu livro que é possível afirmar: o cosmos “ainda está em processo de gênese” e que, portanto, “cada ser e cada entidade estão cheios de potencialidades ainda não realizadas”.

Caro Leonardo, em todos esses anos você não somente nunca me negou uma entrevista, como sempre respondeu generosamente a todos os meus pedidos de artigos, comentários e contribuições. Até aceitou escrever para mim o belo capítulo que aparece no livro O cosmo como revelação, que editei juntamente com José María Vigil. Esse livro deve muito mais a você, Leonardo, do que apenas esse capítulo. Ao longo de todo esse caminho de pesquisa e de aprofundamento sobre o novo paradigma ecológico, você desempenhou um papel essencial, do qual sempre lhe serei agradecida.

Os 80 anos que você viveu com tanta plenitude e com tanto amor pela vida, e que nós todos e todas estamos aqui celebrando, tornaram esse mundo, que algumas vezes é tão inóspito e violen- to, um lugar melhor e mais acolhedor. Uno o meu mais profundo agradecimento a você ao agradecimento de tantos amigos e amigas

Claudia Fanti. Jornalista italiana, engajada na reflexão teológica mais avançada e militante de movimentos sociais

La stupidità dell’Anti-Globalismo

Si sta gonfiando in giro per il mondo un’onda anti-globalista. Forse perché poche erano le stupidaggini altrettanto retrive sparate nel mondo attuale. C’era un certo anti-globalismo, frutto del protezionismo di vari paesi che non minacciava il processo generale e irreversibile della globalizzazione. Questa è stata assunta come piattaforma politica da Donald Trump il quale, secondo il premio Nobel in economia Paul Krugman, sarebbe uno dei presidenti più stupidi della storia nordamericana. Lo stesso vale per il presidente eletto recentemente, capitano Bolsonaro e i suoi ministri dell’educazione e degli affari esteri negazionisti di questo fenomeno che soltanto i disinformati e pieni di preconcetti non riescono a percepire.

Perché si tratta di una sparata delle più insensate? Perché va direttamente contro la logica del processo storico irrefrenabile. Abbiamo raggiunto un livello nuovo della storia della Terra e dell’Umanità. Vediamo: sono migliaia di anni, che gli esseri umani, sorti e nati in Africa (siamo tutti Africani), cominciarono a disperdersi in giro per tutta la Terra, a cominciare dall’Eurasia e terminando con l’Oceania. Alla fine del paleolitico superiore, circa quaranta mila anni fa, circa un milione di persone già occupava tutto il pianeta. A partire dal secolo XVI cominciò una nuova diaspora.

Nel 1521 Fernando Magellano fece il periplo del pianeta, comprovando che è rotondo. Ogni luogo può essere raggiunto a partire da qualsiasi luogo.

Il progetto colonialista europeo occidentalizzava il mondo. Grandi reti, specialmente commerciali allacciarono tutti con tutti. Questo processo è durato dal secolo XVII al secolo XIX quando l’imperialismo europeo, a ferro e fuoco, sottomise ai suoi interessi il mondo intero. Noi dall’estremo occidente siamo nati già globalizzati. Questo movimento si rinforzò nel secolo XX, dopo la seconda guerra mondiale. È arrivato al suo culmine ai giorni nostri quando le reti sociali avvicinano tutti alla velocità della luce, l’economia si è impadronita del processo, specialmente attraverso la “Grande Trasformazione” (K. Polanily) che ha significato il passaggio da un’economia di mercato a una società di mercato. Tutto e tutti, perfino le cose più sacre della verità e della religione diventarono merce. Karl Marx nella “Miseria della filosofia” (1847) chiamò questa cosa “corruzione generale” e “venalità universale”.

La globalizzazione che i francesi chiamano giustamente planetizzazione, è un fatto storico innegabile. Tutti si trovano in unico luogo: nel pianeta Terra. Stiamo nella fase tirannosaurica della globalizzazione che sta nascendo all’insegna di un’economia mondialmente integrata, vorace come il maggiore dei dinosauri, il tirannosauro, perchè è profondamente inumana sia per la povertà che crea che per la accumulazione assurda che permette.

Ormai stiamo entrando nella fase Umano-sociale della globalizzazione a causa di alcuni fattori universali, come ONU, OMC, FAO e altri, i diritti umani, lo spirito democratico, la percezione di un destino comune Terra-Umanità e di appartenere a una unica specie di Homo Sapiens e demens.

Notiamo già gli albori della fase ecozoico-spirituale della globalizzazione. La tecnologia integrale e la vita nella sua diversità avranno come centro non più l’economia, ma il rispetto reverente davanti a tutto il creato e un nuovo accordo con la Terra, vista come Madre e un super organismo vivo, che dobbiamo curare amorevolmente valore profondamente spirituale. Cresce la coscienza che noi siamo quella porzione di Terra viva che in un alto grado di complessità ha cominciato a sentire, a pensare ad amare e a venerare. Terra e Umanità formiamo una unica entità, come bene hanno testimoniato gli astronauti dalla loro nave spaziale.

È arrivato il momento, come profetizzava l’archeologo e scienziato Pierre Teilhard de Chardin già nel 1933: “il tempo delle nazioni è passato. Se non vogliamo morire è l’ora di scuotersi di dosso i vecchi preconcetti e costruire la Terra”. Essa è la nostra unica Casa Comune, che abbiamo come ha enfatizzato Papa Francesco nella sua enciclica “sulla cura della Casa Comune” (2015). Non ne abbiamo altre.

Stiamo sentendo i preconcetti bizzarri dei futuri governanti e dei ministri che la globalizzazione è un tranello dei comunisti per dominare il mondo. Questi sono coloro che, secondo Chardin non si preoccupano di costruire la Casa Comune, ma si fanno ostaggi del loro piccolo e meschino mondo grande come la loro zucca scarsa di luce.

Se loro non arrivano a vedere la nuova stella che ha fatto irruzione nel mondo, il problema non è della stella ma dei loro occhi cecati.

*Leonardo Boff ha scritto “Destino e Desatino da Globalização” in: Dal’Iceberg al arca di Noé, Mar de Idéias, Rio 2010, pp. 41-63.

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato.

“LaChiesa è dei mistici non del potere”:entrevista de L.Boff ao La Repubblica de Roma

 

                          “LaChiesaè dei mistici non del potere”

Intervista di PAOLO RODARI a Leonardo Boff 26/11/2018

L aconsidera il suo“canto Ldel cigno”, la traduzione che Leonardo Boff, ex frate francescano ed ex presbitero brasiliano,

Il noto esponente della Teologia della liberazione, fa de l’Imitazione di Cristo di Tommaso da Kempis. A uno dei testi più meditati dopo il Vangelo e ritraducendo partendo dall’edizione della Tipografia poliglotta Vaticana, Boff aggiunge, «nel tramonto della vita», un quinto libro sulla sequela di Gesù.

Freud, Jung e Heidegger lessero Tommaso da Kempis riflettendo sul tema dello svuotamento di sé contro ogni attaccamento al proprio io. Di questo c’è bisogno oggi?

R/«Èun tema centrale e rappresenta l’atteggiamento diGesùche,“pur essendo di natura divina”, ha spogliato séstessoper essere uguale anoi. Questarinuncia all’attaccamento al proprio io è la prima virtù del buddismo e anche del cammino spirituale cristiano. Ed è il tema centrale del più grande dei mistici dell’Occidente, Meister Eckhart, con il suo Abgeschiedenheit,la pratica del distacco. Psicologi come Freud e filosofi come Heidegger hanno compreso tale esigenza di Tommaso da Kempis. Il distacco è il primo passo per il vero processo di individuazione e di identità personale. Èciò che ci assicura il dono più grande dopo l’amore, che èla libertà interiore».

Lei scrive che seguire Gesù significa assumere la sua causa, correre i suoi rischi ed eventualmente accettare il suo stesso tragico destino. Cosa significa?

R/«È una realtà testimoniata dalla Chiesa della liberazione dell’America Latina sotto i regimi militari in vari Paesi.Èquesto tipo di Chiesa a prendere sul serio l’opzione per i poveri, la quale ha prodotto e produce anche oggi tanti martiri, tra i laici e le laiche, i preti e vescovi come Oscar Romero in El Salvador e Angelelli in Argentina».

La Chiesa sembra in alcune sue parti legata a una visione imperialista/costantiniana,
immersa nella storia e votata alla conquista del potere. E Francesco a volte appare come una meteora in un mondo che fatica a tenere il suo passo. Cosa pensa?

R/«Credo sinceramente che la Chiesa-istituzione, cioè la Chiesa come società gerarchica, non si senta parte del popolo di Dio come richiedeva il Concilio Vaticano II, ma al di fuori e al di sopra di esso. Organizzandosi non attorno al più antico concetto di communio , di comunione tra tutti, ma attorno al potere sacro (sacra potestas), escludente perché concentrato solo in alcune mani. Questo tipo di Chiesa è caduta nelle tre tentazioni affrontate e superate da Gesù: quella del potere religioso di riformare il mondo a partire dal tempio; la tentazione del potere profetico di trasformare le pietre in pane, ela tentazione del potere politico, dominare su tutti i popoli. Restano attuali le parole pronunciate dal cattolico Lord Acton in riferimento ai potenti papi del Rinascimento: “Il potere tende a corrompere e il potere assoluto corrompe in modo assoluto”. E ancora più pertinente è quanto affermava Hobbes riguardo al potere, che, diceva, si sostiene solo sul “desiderio incessante di avere sempre più potere”. Tutte parole che si sono concretizzate nella storia della Chiesa, attraverso una concentrazione enorme di potere unicamente nelle mani del clero, con esclusione in particolare delle donne. È stato necessario un papa proveniente dalla fine del mondo, che ha scelto il nome Francesco, archetipo della povertà e della rinuncia a ogni potere, per mostrare come la gerarchia della Chiesa debba orientarsi in base al servizio (ierodulia )enon alpotere sacro (ierarchia )».

Lei subì un certo ostracismo da Roma?

R/«Non ho conservato alcun rancore per la punizione che mi è stata inflitta del silentium obsequiosum. Sapevo che la teologia del potere sacro operante nella testa dei responsabili dell’ex Sant’Uffizio avrebberesoinevitabile lamia condanna. Mi sentivo nel vero e avevol’appoggio della Conferenza dei vescovi del Brasile. Per questo accettai tranquillo l’imposizione del “silenzio ossequioso”, poi sospeso da Giovanni Paolo II».

Papa Bergoglio riceve diverse critiche da settori conservatori

 

della Chiesa. Perché?

R/«Credocheiconservatori fossero abituati a un papa faraone, con
titoli esimboli del potere ereditati dagli imperatori pagani. Poi all’improvviso arriva un papa al di fuori del quadro tradizionale, che si spoglia di tutto questo apparato profano che allontana i fedeli e asseconda la vanità clericale. Non accettano un papa che non provenga dal loro vecchio e moribondo cristianesimo. Francesco porta l’atmosfera nuova di Chiese che non sono più lo specchio di quelle europee, ma Chiese-fonti, con la loro teologia, la loro pastorale rivolta specialmente ai più poveri, la loro liturgia e il loro modo di rendere lode a Dio».

Si sente sempre un figlio della Chiesa?

 

R/Si uin figlio della Chiesa di Cristo.«Neltramonto della vita -compirò 80 anni adicembre – non mi preoccupo del passato ma rivolgo i miei occhi all’eternità. Unire il mio nome, quello di un theologus peregrinus,aquello diTommaso da Kempis è per me l’onore più grande. “Ne è valsa la pena?”, si domandava Fernando Pessoa,il più grande poeta portoghese. Faccio mia la sua stessarisposta: “Tutto vale la pena sel’anima non è piccola”. Possodire che, con la grazia di Dio, ho cercato di fare in modo che la mia anima non fossepiccola».

Il libro Imitazione di Cristo e sequela di Gesù
di Leonardo Boff (Gabrielli Editori
trad. di Claudia Fanti, pagg. 253, euro 19)

La rinuncia all’attaccamento al proprio io è la prima virtù del buddismo e del cammino spirituale cristiano

“Francesco è odiato dai clericali di un culto moribondo
che vorrebbero un papa faraone”.

Parla il grande teologo della liberazione Leonardo Boff

 

 

Lamentazioni sulla schiavitù e per la libertà dei neri

La Passione di Cristo continua lungo i secoli nel corpo dei crocifissi. Gesù starà in agonia fino alla fine del mondo, fino a quando ci sarà anche uno solo tra i suoi fratelli o una sola sorella appesi a qualche croce, come detto dei bodhisatwas buddisti (gli illuminati), che si fermano sulla soglia del Nirvana, non entrano per ritornare al mondo del dolore – samsara – per essere solidali con chi soffre, siano essi umani, animali o piante. Con questa convinzione, la Chiesa cattolica, nella liturgia del Venerdì Santo, mette in bocca a Cristo queste parole pungenti:

O popolo mio, dimmi che ti ho fatto? In che cosa ti ho contristato? Che cos’altro avrei potuto fare e non ho fatto? Dove ho sbagliato? Ti ho fatto uscire dall’Egitto, ti ho dato da mangiare la manna. Ho preparato una bella terra, e tu, la croce per il tuo re.

Celebrando l’abolizione della schiavitù del 13 maggio 1888, ci siamo resi conto che l’operazione non è ancora completata. La passione di Cristo continua nella passione del popolo nero. Manca una seconda abolizione, della miseria e della fame. Si ode ancora nell’aria l’eco dei lamenti per la schiavitù e per la libertà. Veniva un tempo dalle Senzalas, ora viene dalle favelas e periferie che accerchiano le nostre città.

Il popolo nero ci parla ancora in forma di lamentazione e supplica.

Fratello mio bianco, sorella mia bianca, popolo mio. Che ti ho fatto, in che cosa ti ho contristato? Rispondimi!

Sono stato io a ispirarti la musica carica di banzo e il ritmo contagiante, io ti ho insegnato a usare il bumbo, la cuica e l’atabaque. Io ti ho dato il rock e i movimenti fluidi della samba. E tu hai preso dal mio, hai preso nome e celebrità, hai accumulato denaro con composizioni e non mi hai restituito niente.

Sono sceso da quei colli vertiginosi, ti ho fatto vedere un mondo di sogni di una fraternità senza barriere. Ti ho creato mille e mille fantasie colorite e per te ho preparato la maggior festa del mondo: per te ho ballato il Carnevale e tu eri contento e mi hai applaudito in standing ovation. Ma tu, presto, molto presto ti sei dimenticato di me e mi hai rimandato alla favela, alla realtà nuda e cruda, della disoccupazione, della fame e dell’oppressione.

Fratello mio bianco, sorella bianca, popolo mio, che cosa ho fatto che ti ha rattristato. Rispondetemi!

Io ti ho lasciato in eredità il piatto quotidiano, riso e fagioli. Con gli avanzi che ricevevo facevo la feijoada, il Vatapa, e l’efo e l’ecarajé: la cucina tipica della Bahia e del Brasile e tu mi lasci patir la fame e permetti che i miei bambini muoiano di fame oppure che il oro cervelli siano irrimediabilmente danneggiati bloccando la loro crescita allo stadio infantile.

Io sono stato strappato a viva forza dalla mia patria africana con la forza. Ho conosciuto le navi-fantasma dei negrieri, io ero un oggetto, un pezzo di ricambio schiavo, sono stata la mamma nera de tuoi figli. Ho lavorato i campi, ho raccolto il tabacco, ho piantato la canna da zucchero. Io ho fatto tutti i lavori, io ho costruito tutte le chiese che tutti ci ammirano e i palazzi dove abitavano i padroni degli schiavi. E tu dici che siamo pigri e ci fanno arrestare per vagabondaggio. A causa del colore della mia pelle mi discriminano e mi tratti come se io fossi ancora schiavo.

Fratello bianco, sorella bianca, che cosa ti ho fatto, in che cosa ti ho contristato? Rispondimi!

Io ho saputo resistere, sono riuscito a fuggire e a fondare quilombos: società di senza schiavi, legati da affetto fraterno, gente povera, ma libera, neri, meticci e bianchi. Sono stato io, a dispetto delle scudisciate sulla schiena, a trasmettere la cordialità e la dolcezza dell’anima brasiliana. E tu inviasti il capitano della Capitania per darmi la caccia come a un animale e tu hai fatto radere al suolo i miei quilombos e ancora oggi impedisci che l’abolizione della miseria che schiavizza, sia sempre verità quotidiana e effettiva.

Io ti ho fatto vedere che cosa significa essere tempio vivo di Dio. E per questo come sentire Dio nel Corpo pieno di Axé e celebrarlo con i ritmi di danze e corse, e nel mangiare. E tu hai schiacciato le mie religioni, chiamandole riti afro-brasiliani o semplicemente folclore. Hai invaso i miei terreiros spargendoci il sale distruggendo le nostre figure sacre. Non raramente hai scambiato un evento di macumba come caso di polizia da denunciare al Commissariato. La maggioranze dei giovani ammazzati nelle periferie in età dai 18 ai 24 anni sono neri e per il fatto di essere neri o sospettati di essere a servizio delle mafie della droga. La maggioranza di loro erano semplici lavoratori.

Fratello bianco, sorella bianca, popolo mio, che ho fatto per contristarti? Rispondimi!

Quando con molto sforzo e sacrificio sono riuscito a salire un po’ nella vita guadagnando un salario sudato, comprando la mia casetta, cantando la mia samba facendo tifo per la mia squadra del cuore, potendo permettermi nel weekend una birretta con gli amici, tu dici che sono un nero con l’anima bianca, diminuendo così il valore della nostra anima di neri degni e lavoratori. Nei concorsi, quasi sempre il tuo giudizio va a favore del bianco pur essendo il resto alla pari.

E quando sono state studiate politiche che mettessero una toppa nella perversità storica, permettendomi quello che sempre mi hai negato studiare e laurearmi all’università e alla scuola tecnica, e così migliorare le condizioni della mia vita e della mia famiglia, la maggioranza dei tuoi grida: è contro la Costituzione, è una discriminazione, è un’ingiustizia sociale.

Fratello bianco, sorella bianca, popolo mio. In che cosa ti ho contristato? Rispondimi!

Fratelli neri, sorelle nere, in questo giorno 20 di novembre, giorno di Zombi e della coscienza negra, desidero complimentarmi con voi tutti che siete riusciti a sopravvivere, per tutto questi lunghi anni, perché l’allegria, la musica, la danza e il sacro stanno dentro di voi, nonostante questa via Crucis di sofferenze che ingiustamente vi sono imposte.

Con molto axé e amore

LEONARDO BOFF, bianco e nero per opzione.

Traduzione di Romano Baraglia – Lidia Arato