O perigoso caso Donald Trump:Leineide Duarte Plon:para evitar o apocalipse

Leneide Duarte Plon é uma qualificada jornalista brasileira vivendo na França. Seu artigo nos informa sobre a perigo para os USA e para a Humanidade que Donald Trump representa. Segundo uma equipe de psicanalistas norte-americanos, ele apresenta claros traços de patologia psicológica que o torna incoerente, arrogante e desrepeitador de todos os limites. Que não nos traga o Apocalipse,adverte a jornalista Leneide: Lboff

O perigoso caso Donald Trump

Chomsky se referiu a Trump como o “personagem estranho na Casa Branca, escroque de cabelos alaranjados, que avança seus peões monopolizando as manchetes”

19/12/2017 14:06

 

“Trump c’est Néron” (Trump é Nero).

Com essa frase, depois de uma hora de debates, o respeitado economista francês Daniel Cohen resumia a personalidade desconcertante e incendiária do presidente americano, num programa da rádio France Culture.

Nele, as jornalistas políticas Christine Ockrent e Sylvie Kauffmann (ex-diretora do Le Monde) e o próprio Cohen tentaram analisar racionalmente o intempestivo ato de unilateralismo diplomático de Trump, que reconheceu Jerusalém como capital de Israel.

Mas essa não foi a primeira vez que o presidente americano surpreendeu o mundo ao desprezar acordos, tratados e convenções internacionais. Ele fez da transgressão o seu modo de governar.

A tal ponto que quase trinta especialistas americanos de saúde mental analisaram suas imprevisíveis e imtempestivas decisões. Os 27 psiquiatras e experts que se expressam no livro “The dangerous case of Donald Trump”, lançado em setembro deste ano, chegaram a um consenso : o estado mental do presidente “apresenta um claro perigo para a nação e para o mundo”.

Por outro lado, mais de 60 mil profissionais de saúde mental americanos assinaram uma petição pedindo o afastamento do presidente por “manifestar uma grave doença mental que o torna psicologicamente incapaz de desempenhar sua função de presidente dos Estados Unidos”. Eles citam o artigo 4 da 25a emenda à Constituição, que prevê que “o presidente deve ser substituído se considerado incapaz de cumprir os encargos de sua função”.

De costas para a comunidade internacional

Com o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, anunciado dia 6 de dezembro, o presidente aniquilava mais uma vez própria diplomacia americana, além de todas as resoluções da ONU, e se colocava de costas para a comunidade internacional, que condenou em uníssono o anúncio. A única voz a aplaudir Trump foi a do primeiro-ministro Benjamin Netanyahou.

Trump minimizou as reações negativas porque pensa que é ele quem vai resolver o conflito que já dura 70 anos.

Na realidade, ele acaba de depositar mais uma pedra no caminho de um futuro Estado Palestino com Jerusalém-Leste como capital, previsto em todos os acordos assinados entre israelenses e palestinos e no próprio “Plano de Partilha da Palestina”, de 29 de novembro de 1947, aprovado pela Assembleia Geral da ONU na resolução 181.

No jornal “Le Monde” que sucedeu ao anúncio de Trump, o editorial falava de um homem sozinho contra todos  «que desconstroi um sistema de relações internacionais que os próprios americanos construíram depois da Segunda Guerra Mundial”. A decisão era classificada de “estupro da diplomacia como modo de regulação dos conflitos».

Ao lado do editorial, o artigo de Alain Frachon tinha um título que anunciava o tom : “Trump degrada a presidência”. Ele termina dizendo que os historiadores podem dizer que “esse homem desmoralizou a democracia americana como nunca foi visto antes”.

Para o escritor Emmanuel Ruben, francês de origem judaica que acaba de lançar o livro “Sous les serpents du ciel”, essa decisão de Trump, assim como a construção de muros, como Israel vem fazendo, “são bombas de efeito retardado que cedo ou tarde explodirão na cara do Ocidente”.

“Não se pode ignorar a realidade quotidiana da ocupação e da colonização israelense, a realidade quotidiana da humilhação dos palestinos”, diz.

Seu livro anterior se chamava “Jerusalém terrestre”. “Mas ele poderia ter-se chamado “Jerusalém celeste” pois me pergunto o que restará de Jerusalém em 2048 se continuarmos a eleger loucos furiosos milenaristas que esperam o Apocalipse para apressar a vinda de Cristo à Terra”.

Escroque de cabelos alaranjados

Quem é esse Nero moderno ?

Os grandes intelectuais americanos se inquietam e tentam entender o fenômeno Trump.

Para o escritor Russell Banks, ele é “um tipo oco, ignorante, brutal, possivelmente doente mental, que se cerca de bilionários e de milionários para governar. Trump é uma marionete nas mãos de plutocratas e pôde garantir o apoio das massas graças a sua celebridade midiática”. Para Banks, o presidente “fez campanha atiçando o medo, os preconceitos, o racismo, a misoginia e a xenofobia. O medo ganhou. Estamos iniciando uma era sombria”, disse o escritor em entrevista ao jornal “L’Humanité”.

No “Libération”, em novembro deste ano, o grande linguista e filósofo Noam Chomsky evocava “esse personagem estranho na Casa Branca, um escroque de cabelos alaranjados, que avança seus peões monopolizando as manchetes”.

“A técnica que ele domina consiste em fazer declarações as mais excêntricas e enquanto os analistas estão checando a veracidade para determinar o grau de mentira que elas contêm, ele passa a outra declaração fazendo todo mundo esquecer o que precedeu. Ele serve aos interesses dos super-ricos – pessoas e empresas – desconstruindo peça por peça um Estado Federal que deve servir aos interesses de uma população mais frágil, mas que eles julgam indigna de interesse. Ele precipita a espécie humana ao abismo em nome de interesses econômicos de curto prazo. Quando ele fala da extração do carvão para o ‘crescimento ‘ e pelos ‘empregos’, está apenas evitando a palavra tabu, o ‘lucro’”, diz Chomsky.

Quando ele tomou a palavra pela primeira vez na ONU, ameaçando a Coréia do Norte com o Apocalipse, o jornal “Le Monde” destacou a brutalidade e a agressividade do discurso, qualificado como um longo Tweet : vulgar, simplista e incoerente. “Procuramos em vão no discurso referências positivas aos direitos humanos e a valores humanistas”, observou o editorial intitulado “Trump degrada a ONU”.

Sobre o mesmo discurso, o diretor do jornal “Libération”, Laurent Joffrin, escreveu em editorial que o povo americano corre o risco de se arrepender muito rapidamente de ter eleito “um maluco ou semi-maluco para a Casa Branca”.

Esperemos que o artigo 4 da 25a emenda à Constituição possa ser posto em prática o mais breve possível.

Para evitar o Apocalipse.

Frei Betto: ricos pagam muito menos impostos

É notória a desigualdade social do Brasil, uma das mais profundas do mundo. É uma das heranças do tempo da colonônia e da escravidão. Os da Casa Grande  viverem de privilégios. Na verdade, não possuem um projeto para o Brasil mas para si mesmos. Os da Senzala ficaram sempre à margem e são as grandes maiorias pobres de nosso país. Diz o grande historiador e acasdêmico JOSÉ HONÓRIO RODRIGUES (Conciliação e reforma no Brasil 1965): “a liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo – Jeca Tatu – negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer e ele lhe negou, pouco a pouco sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence”(p.14-15)…”Para o povo não havia conciliação mas submissão”(p,83). Essa realidade parece a de hoje, consequência das políticas anti-populares do governo dos endinheirados e dos golpistas corruptos. Esse artigo de Frei Betto mostra os níveis da desigualdade que se mostra na forma como são pagos os impostos, absolutamente desigual e injusta. Há que se mudar esta realidade para sairmos da barbárie:Lboff

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O Brasil tem, hoje, 206 milhões de habitantes. Toda a estrutura do Estado, dos tribunais aos recursos para programas sociais, é mantida pelos impostos pagos por 27 milhões de brasileiros. Portanto, pouco mais de 10% da população sustenta, com seus tributos, todo a máquina pública, dos hospitais do SUS aos jantares oferecidos por Temer no Alvorada.

Dos 27 milhões de contribuintes, 13,5 milhões, a metade, recebem, a cada mês, no máximo o equivalente a cinco salários mínimos (R$ 4.685). É muita gente que ganha pouco e, ainda assim, é obrigada a entregar uma fatia ao Leão. E todos os impostos pagos por essa gente correspondem a apenas 1% do que a Receita Federal arrecada por ano.

Um mínimo de justiça da reforma tributária dispensaria esses 13,5 milhões de trabalhadores de pagarem impostos. E isso reverteria em mais saúde, educação, alimentação, enfim, uma vida menos apertada para todos eles.

Quem mais canaliza recursos para o Leão são pouco mais de 2 milhões de pessoas que ganham, por mês, de 20 (R$ 18.740) a 40 salários mínimos (R$ 37.480).

Apenas 0,5% da população economicamente ativa – pouco mais de 1 milhão de pessoas – ganha por mês de 40 a 160 salários mínimos (R$ 149.920).

E acima desses milionários há ainda uma categoria mais privilegiada, segundo dados revelados pela Receita Federal: as 71.440 pessoas que têm renda média, anual, de R$ 4 milhões, e patrimônio calculado em R$ 1,2 trilhão. Graças a elas o Leão abocanha, por ano, cerca de R$ 300 bilhões – 14% da renda total das declarações de IR.

Em 2013, desses super ricos, 52 mil receberam lucros e dividendos isentos de IR. Do total de rendimentos desses bilionários, apenas 35% foram tributados pelo IR de pessoa física. Já na faixa de quem ganha de 3 a 5 salários mínimos, mais de 90% da renda foram abocanhados pelo Leão.

Portanto, fica evidente que, no Brasil, o trabalhador assalariado paga imposto, o que não acontece com os lucros dos bilionários. Alguém poderia objetar: mas todos pagamos IPTU! Sim, mas os imóveis em bairros de classe alta são taxados na mesma proporção dos que se situam em bairros habitados por famílias de baixa renda. E os imóveis rurais não pagam quase nada de IR, além de obterem crédito barato.

Para alcançar uma boa arrecadação sem pôr a culpa na Previdência, bastaria a Receita Federal cobrar devidamente de 100 mil dos 17 milhões de contribuintes.

Uma reforma tributária deveria, para ser efetiva, isentar todos que ganham, por mês, até 10 salários mínimos (R$ 9.370); adotar o imposto progressivo e taxar mais os ricos, inclusive mudando as regras que lhes permitem isenção e desconto para lucros e dividendos; cobrar Imposto Territorial Rural das propriedades do campo; e tributar as heranças, exceto pequenos valores.

O Brasil tem solução. Faltam apenas vontade política e vergonha na cara.

Frei Betto é escritor, autor de “Fome de Deus” (Paralela), entre outros livros.

Frei Betto: vote Brasil em 2018

Estamos todos perplexos, sem saber para onde vai o país com um presidente com 97% de rejeição e uma grande desmorlização do Parlamento, com um número grande de deputados e senadores acusados ou denunciados por corrupção.Apesar disso, devemos pensar no Brasil e em seu povo que está sofrendo sob medidas que ferem direitos conquistados há décadas por muito sacrfício. Não podemos perder a esperança e deixar de crer na resiliênica, resistência e capacidade de invenção dos movimentos sociais e dos cidadãos preocupados com o  futuro comum. Esse artigo de Frei Betto é um chamado a assumir a causa Brasil e votar em quem se compromete com o país e seus bens para que não sejam alienados para estrangeiros, pondo em risco o bem-estar geral. Lboff

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Já que tudo indica que Temer permanece à frente do governo até dezembro de 2018, dado que a sua base aliada no Congresso decidiu obstruir a Justiça, fica a pergunta: quem eleger para sucedê-lo?

Pesquisas eleitorais que já tiveram início destacam uma dúzia de prováveis candidatos. E os eleitores reagem de diferentes formas. Há os que já decidiram não votar. É a turma do Partido Ninguém Presta. Atitude meramente emocional. Quem tem nojo de política é governado por quem não tem. E tudo que os maus políticos querem é que viremos as costas à política para dar a eles carta branca.

Há os que votarão no próprio umbigo em defesa de seus interesses corporativos, como os eleitores da bancada do B: boi, bala, bola, bancos e Bíblia. Esses escolherão candidatos afinados com o latifúndio, o desmatamento da Amazônia, o extermínio dos indígenas, o mercado financeiro, a homofobia, a privatização do patrimônio público e o Estado mínimo.

Um contingente de eleitores votará em quem seu mestre mandar. É o rebanho eleitoral, versão pós-moderna do coronelismo, agora substituído por padres e pastores, figuras midiáticas e chefes de organizações criminosas.

Há ainda o eleitor que se deixará levar pela propaganda eleitoral. Votará em quem lhe parecer mais simpático, sem sequer conhecer os projetos políticos do candidato. É aquela empatia olho no olho que não vê mente, coração e bolsos…

E há os que votarão em candidatos progressistas, ou naqueles que assim se apresentarão nos palanques, na esperança de resgatar os direitos cassados pela atual reforma trabalhista e corrigir os desmandos do governo Temer, para que o país volte a crescer e ampliar seus programas sociais.

Ora, devemos votar no Brasil que sonhamos para as futuras gerações. Isso significa priorizar programas e projetos, e não candidatos. Um país no qual coincidam democracia política e democracia econômica. De que vale o sufrágio universal se não repartimos o pão?

Votar no Brasil que requer profundas reformas estruturais, como a tributária, com impostos progressivos; a agrária, com o fim do latifúndio e do trabalho escravo; a política e a judiciária. Brasil que promova os direitos das populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Brasil de democracia participativa e no qual o Estado seja o principal indutor do desenvolvimento, com distribuição de riqueza e preservação ambiental.

Fora disso, tudo ficará como dantes no quartel de Abrantes. Ou pior.

Votar é importante, mas não suficiente. Porque no Brasil tradicionalmente nós votamos e o poder econômico elege. Em 2018, porém, será a primeira eleição para o Congresso e a presidência da República na qual as empresas não poderão financiar campanhas políticas, como faziam as que estão denunciadas pela Lava Jato. Isso não significa que o caixa dois será extinto. Seria muita ingenuidade pensar que políticos que se lixam para a ética não haverão de encontrar formas de obter dinheiro ilegal.

Por isso, é um erro jogar nas eleições todas as fichas da nossa esperança em um Brasil melhor. O mais importante é investir no empoderamento popular. Reforçar os movimentos sociais e sindicais, intensificar o trabalho de formação política e consciência crítica, dilatar os espaços de pressão, reivindicação e mobilização. Só conseguiremos mudanças significativas se vierem de baixo para cima.

Frei Betto é escritor, autor de “Reinventar a vida” (Vozes), entre outros livros.

 

L.A.Moniz Sodré e uma eventual ação saneadora militar para salvaguardar a soberania nacional e sair do caos político

Luiz Alberto Muniz Bandeira é tido como um dos mais argutos analistas políticos do Brasil. Escreveu este texto para Valter Pomar e copiado para mim, porque,  ja há tempos, entretenho frutuosa troca de correspondência, da qual sempre aprendo muito. Sua última obra A desordem mundial é uma minuciosa análise da atual situação do mundo especialmente sob o império norte-americano. Foi apreciada neste meu blog. Nesta reflexão-protesto põe às claras o golpe que foi perpetrado contra Dilma Rousseff com todas as características, bem detalhadas por ele, de um golpe de estado. Irrompeu o caos no Brasil, com um presidente acusado por formação de quadrilha e pelo desmonte da nação e de seus bens públicos essenciais, postos a leilão para o capital mundial. Somos cidadãos e amamos nossa pátria. Não fazer nada seria mais que omissão, seria trair a memória de nossos maiores que lutaram para fundar uma nação independente e soberana. Moniz Sodré não quer uma intervenção militar, no estilo e um golpe militar. Mas simplesmente postula uma ação de um poder mais alto, previsto na Constituição para defender o bem público e a soberania nacional. Cabe a ele criar um mínimo de ordem dentro de uma realidade política  apodrecida, detestável e sem qualquer moralidade. Importa punir os comprovadamente corruptos, apresentar uma reforma política que resgate o Estado Democrático de Direito e se elabore um projeto político de desenvolvimento com inclusão social e cuidado para com a natureza. E por fim eleições diretas livres para eleger representantes dos sinteresses gerais com participação popular, portanto, uma democracia enriquecida, democracia participativa e, no meu entender, sócio-ecológica. Publicamos  o texto do mestre Moniz Sodré como material de reflexão buscando luzes em que no-la pode fornecer com autoridade de quem resistiu à ditadura, foi preso duas vezes e viveu anos no esconderijo e anonimato, trabalhando incansavelmente em textos de análise política, especialmente, da realidade norte-americana. Lboff.

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Meu querido Valter Pomar,
Insisto, em nada tenho ilusão. Sei que tudo pode acontecer, se houver uma intervenção militar. Mas o fato é que, se Dilma Rousseff foi deposta por um golpe de Estado, e de fato foi, não mais existe Estado de Direito nem democracia no Brasil. Acabou a Constituição. O governo, que só conta com a simpatia de cerca de 3% da população, realiza reformas para as quais não teve mandato. O Congresso, corrompido e desmoralizado, assumiu poderes constituintes com os quais não foi eleito. Nada do que ocorreu e está a ocorrer é constitucional. Nada tem legitimidade. E o golpe de Estado foi dado exatamente para a execução de tais reformas: trabalhista, previdenciária, terceirização, redução do Estado, com a venda das empresas públicas, impedir os gastos públicos por 20 anos etc. E as forças econômicas, nacionais e estrangeiras, que estão por trás do presidente de fato Michel Temer e do seu sinistro ministro da Fazenda, o banqueiro Henrique Meirelles, farão tudo para que não haja retrocesso na execução do seu projeto, modelado pelo Consenso de Washington.

Falar em Constituição, agora, é que é uma grande ilusão. As liberdades são relativas, como durante o regime militar, porém nem imprensa alternativa existe mais como naquele tempo. Toda a mídia repete o mesmo e o alvo é o ex-presidente Lula, com judiciária a condená-lo, sem provas, apenas para efeito de repercussão na imprensa e desmoralizá-lo. Quanto mais ele cresce nas pesquisas mais me parece que as poderosas forças econômicas nacionais e estrangeiras, que sustentaram o golpe do impeachment da presidente Dilma Rousseff, tentarão tirá-lo de qualquer forma das eleições. Tenho até dúvidas de que as eleições ocorrerão. Temer e demais cúmplices sabem que, ao descer a rampa do Planalto, sem imunidade, podem ser presos e enviado para a Papuda.

A insatisfação no meio militar é enorme, conforme exprimiu o Antônio Olímpio Mourão. E teve toda razão o deputado Aldo Rebelo, do PC do B, quando recomendou o diálogo com os militares. O proto-nazifascista Jair Bolsonaro não é representativo das Forças Armadas. É minoria.

A intervenção militar pode ocorrer. Como se desdobrará é difícil imaginar. O ideal seria que fosse como a do general Henrique Teixeira Lott em 1955. Mas não creio, em face do Congresso que aí está. O importante é impedir que o patrimônio nacional – Eletrobrás, Eletronuclear, Petrobrás e pré-sal, bancos estatais – seja dilapidado, entregue aos gringos: é evitar que o desenvolvimento do Brasil, com a inclusão, não seja interrompido; é impedir a entrega aos gringos de uma parte da Amazônia maior que a Dinamarca. Claro que não defendo regime de exceção, mas regime de exceção é o que já existe no Brasil, com um verniz de legalidade. O que ocorreu no Brasil, com a derrubada da presidente Dilma, foi golpe de Estado, como, na Ucrânia, com a destituição do presidente Wiktor Yanukovytch, na madrugada de 21 para 22 de fevereiro de 2014, por uma decisão de um Congresso comprado. A Constituição deixou de existir.

Ilusão é pensar que, após realizar as reformas pretendidas pelo capital financeiro e o empresariado nacional, as forças, que se apossaram do poder, vão deixá-lo sem ser por um golpe de força. E, infelizmente, as forças populares já demonstraram a sua impotência. A nada reagiram.

Não desejaria que ocorresse intervenção. Todos sabem como começa, mas não quando termina. Porém, não estou a ver outra perspectiva no Brasil. É necessário impedir o desmonte do Estados nacional. E há-de chegar um momento em que o impasse político, com o agravamento da situação econômica e social, terá de ser pela força.

Com afetuoso abraço, Moniz

Von: Valter Pomar [mailto:pomar.valter@gmail.com]
Gesendet: Dienstag, 19. September 2017 22:29
An: SRI Professor Moniz Bandeira <moniz-bandeira@t-online.de>; Luiz Moniz-Bandeira <lamb1935mb@gmail.com>