Palavras maliciosamente deturpadas em um blog hoje

Não fiz as críticas a Lula que falsamente me atribuem

Introdução: Repito agora. 24/04/2018,  o artigo escrito há um ano atrás sobre inverdades. No contexto atual onde ganhou publicidade internacional a proibição arbitrária do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel e eu para visitarmos humanitariamente o ex-Presidente Lula, nosso amigo de longa data, lamento mais uma vez a manipulação das minhas palavras e da minha pessoa para interesses excusos e mesquinhos. LBoff

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24/04/2017

Correm pelas redes sociais críticas que teria feito a Lula. Elas são falsas. Pessoalmente não fiz nenhuma crítica. O que fiz foi publicar no meu blog (leonardoboff.wordpress.com) um artigo de Carla Jiménez no jornal espanhol El Pais que leva como o título:”Uma elite amoral e mesquinha se revela nas delações da Odebrecht”.

Considerei o artigo bem informado sobre a corrupção que tomou conta das empreiteiras. Estas  corromperam e beneficiaram a quase todos os grandes partidos com caixa 2 ou com propinas. Um olhar de fora é sempre instrutivo, pois quando alguém escreve algo semelhante, aqui dentro do país, frequentemente é desqualificado como partidista, oportunista e mesmo falso.

No referido artigo Carla Jiménez, no final, faz críticas ao Lula o que considero, dentro da democracia, legítimo, embora não concorde.

Fiz um introdução bastante longa ao artigo e depois o transcrevi.

Pessoas mal intencionadas tomaram aquele tópico critico a Lula e o atribuíram a mim como se eu tivesse escrito tal coisa. E assim foi distribuído nas redes sociais. Repito: tal crítica não é minha, mas da jornalista do El Pais. Repudio a má fé de quem tirou do texto aquele tópico e falsamente afirma que a crítica foi feita por mim.

Corrupção se realiza não apenas nos negócios, mas corrupção existe também nas mentes de pessoas interessadas em desfazer a imagem do outro atribuindo-lhe coisas que não disse e não fez.

Fica aqui o meu esclarecimento em função da verdade e como denúncia de uma atribiução feita malevolamente.

Leonardo Boff, teólogo e escritor

Aos devotos de São Jorge

Por ocasião da novela “Salve Jorge” escrevi um ensaio sobre  o significado do humano profundo que esta figura de Santo com o dragão representa, com o título:São Jorge e o Dragão: expressão do paradoxo humano. Reproduzo aqui o artigo em homenagem a tantos devotos de São Jorge que bem poderia ser o segundo patrono do Rio de Janeiro, junto com São Sebastião. Junto agrego uma bela figura encontrada no twitter de uma querida amiga, guerreira da democracia e na defesa da liberdade para Lula, Maisa Commans.

Toda religião, também o cristianismo, possui muitas valências. Além de se centralizar em Deus, elabora narrativas sobre o drama paradoxal do ser humano, gerando sentido, uma interpretação da realidade, da história e do mundo.

Exemplar é a lenda de São Jorge e o combate feroz com o dragão. Primeiramente, o dragão é dragão, portanto, uma serpente. Mas é apresentada alada, com enorme boca que emite fogo e fumaça e um cheiro mortífero. No Ocidente representa o mal e o mundo ameaçador das sombras. No Oriente é um símbolo positivo, símbolo nacional da China, senhor das águas e da fertilidade (long). Entre os aztecas era a serpente alada (Quezalcoatl), símbolo positivo de  sua cultura. Para nós ocidentais o dragão é sempre terrível e representa a ameaça à vida ou as dificuldades duras da sobrevivência. Os pobres dizem: “tenho que matar um dragão por dia, tal é a luta dificultosa para levar a vida avante”.

Mas o dragão, como o mostrou a tradição psicanalítica junguiana com Erich Neumann, James Hillmann. Etienne Perrot e outros representa um dos arquétipos (elementos estruturais do inconsciente coletivo ou imagens primordiais que estruram a psique) mais ancestrais e transculturais da humanidade. Junto com o dragão sempre vem o cavaleiro heróico que com ele se confronta numa luta feroz. Que significam essas duas figuras? À mão de categorias de C. G. Jung e discípulos, especialmente de Erich Neumann que estudou especificamente este arquétipo (A  história da origem da consciência, Cultrix 1990) e da psicoterapia existencial-humanística de Kirk J. Schneider (O eu paradoxal, Vozes 1993) procuremos entender o que está em jogo nesse confronto. Ele ensina e nos desafia.

O caminho da evolução leva a humanidade do insconsciente para o consciente, da fusão cósmica com o Todo para a emergência da autonomia do ego. Essa passagem é dramática e nunca é totalmente realizada; por isso, cada um deve continuamente retomá-la caso queira gozar de liberdade e de autonomia. Mas importa reconhecer que o dragão amedrontador e o cavaleiro heroico são duas dimensões do humano. O dragão em nós é o nosso universo ancestral, obscuro, nossas sombras de onde imergimos para a luz da razão e da independência. Não sem razão que em algumas iconografias, especialmente uma da Catalunha (é seu patrono) o dragão aparece envolvendo todo o corpo do cavaleiro. Numa gravura de Rogério Fernandes (com.br) o dragão aparece envolvendo o corpo de S. Jorge, que o segura pelo braço e tendo rosto, nada ameaçador na altura do de São Jorge. É um dragão humanizado formando uma unidade com São Jorge. Noutras (no Google há 25 páginas de gravuras de São Jorge com o dragão). Noutras aparece o dragão como um animal domesticado sobre o qual São Jorge de pé o conduz sereno.

A atividade do herói, no caso de São Jorge, na sua luta com o dragão mostra a força do ego, corajoso, iluminado e que se firma e conquista autonomia, mas sempre em tensão com a dimensão escura do dragão. Eles convivem mas o dragão não consegue dominar o ego. Diz Neumann:”A atividade da consciência é heroica quando o ego assume e realiza por si mesmo a luta arquetípica com o dragão do inconsciente, levando-a a uma síntese bem sucedida”(Op.cit. p.244), A pessoa que fez esta travessia não renega o dragão, mas o mantem domesticado.     Por esta razão, na maioria das narrativas, São Jorge não mata o dragão. Apenas o domestica e o reinsere no seu lugar deixando de ser ameaçador. Ai surge a síntese feliz dos opostos; o eu paradoxal encontrou seu equilíbrio pois alcançou a harmonização do consciente com o inconsciente, da luz com a sombra,  da razão com a paixão, do racional com o simbólico, da ciência com a arte e com a religião (Cf. Schneider, p. 138).

A confrontação com as oposições e busca da justa medida constitui a característica de personalidades amadurecidas, que integraram a dimensão de sombra e de luz. Assim o vemos em Buda, Francisco de Assis, Jesus e em Luther King. Este último se opunha à resignação paralisante de negros  e também contra a amargura e o ódio que acabavam na violência. Dizia King: “não precisamos imitar a resignação, nem o ódio porque existe um caminho melhor e mais eficaz: o amor e o protesto não-violento” (Letter from Birmingham jail, 1969).

Talvez aqueles que veneram São Jorge diante do dragão não saibam nada disso. Não importa. Seu inconsciente sabe; ele  ativa e realiza neles sua obra: a vontade de lutar, de se afirmar como pessoas autônomas que enfrenta e integra as dificuldades (os dragões) dentro de um projeto positivo de vida (São Jorge com seu cavalo branco). E saem fortalecidos.

        Leonardo Boff coordenou a publicação da obra completa de C. G. Jung junto à Editora Vozes.

 

 

Lula, el carismático líder servidor

Toda sociedad refuerza su identidad a través de grandes símbolos que le hacen ganar nitidez y le indican una dirección. Esos símbolos se encuentran en los monumentos referenciales como el Cristo del Corcovado, o en una ciudad entera como Brasilia, o en las imágenes de los profetas de Aleijadinho, en las estatuas que adornan las plazas y otras. Los nombres de las calles reavivan la memoria de escritores, de poetas, de artistas, de figuras que permanecen en la conciencia colectiva. En el mundo político no se puede negar la predominancia de Getúlio Vargas, uno de los mayores líderes políticos de nuestra historia, que dio otro rumbo a Brasil y lo introdujo en el mundo moderno, beneficiando particularmente a la clase trabajadora.
En esta línea se sitúa la figura de Luiz Inácio Lula da Silva. Nadie puede negarle el carisma que tiene reconocido nacional e internacionalmente. Lo decisivo de su figura carismática es que proviene de las clases abandonadas por las élites que siempre ocuparon el Estado y elaboraron políticas que les beneficiaban a ellas, de espaldas al pueblo. Nunca tuvieron un proyecto para Brasil, sólo para sí mismas
De repente, irrumpe Lula en el escenario político con la fuerza de un carisma excepcional, representando a las víctimas de la tragedia brasileña, marcada por una desigualdad-injusticia social de las mayores del mundo. Incluso teniendo que aceptar la lógica del mercado capitalista, perversa porque es excluyente y por eso antidemocrática por naturaleza, logró abrir brechas que beneficiaron a millones de brasileños, comenzando con el programa del Hambre Cero y siguiendo con otras varias políticas sociales.
Los que le critican de populista y asistencialista no saben lo que es el hambre, que Gandhi afirmaba que era «un insulto, porque humilla, deshumaniza y destruye el cuerpo y el espíritu; es la forma más asesina que existe». Siempre que se hace algo en beneficio de los más necesitados, surge la crítica de las élites adineradas y de sus aliados, de populismo y de asistencialismo cuando no de uso político de los pobres. Olvidan lo que es elemental en una sociedad mínimamente civilizada: la primera tarea del Estado es garantizar y cuidar la vida de su pueblo, y no dejarlo en la exclusión y en la miseria que hacen víctimas a sus niños y los hacen morir antes de tiempo. La ola de odio y de difamación que brota actualmente en el país nace del espíritu de los herederos de la Casa Grande: el desprecio que dedicaban a los esclavos lo han pasado a los pobres, a los negros, especialmente a las mujeres negras y a otras pobres.
Lula con sus proyectos de inclusión no sólo sació el hambre y atendió a otras necesidades de casi 40 millones de personas, sino que les devolvió lo más importante que es la dignidad y la conciencia de que son ciudadanos e hijos e hijas de Dios.
El verdadero líder sirve a una causa más allá de sí mismo. Lula, hijo de la pobreza nordestina, se propuso como Presidente que ningún brasilero tuviese que pasar hambre. Cuántas veces lo oí personalmente decir que todo el sentido de su vida y de su política era dar centralidad a los pobres y arrancarlos del infierno de la miseria. Una vez, viniendo en coche con él de San Bernando, pasando por un lugar solitario hizo parar el auto para confesarme: “muchas veces, saliendo de la fábrica, me senté aquí en esa hierba y lloraba porque no tenía nada para llevar a mis hermanos que en casa pasaban hambre”. Como Jefe de Estado quiso crear las condiciones para que nadie tuviese que llorar por hambre.
Lula fue y es un líder servidor de esta causa. El líder carismático servidor habla a lo profundo de las personas. De ahí nace el entusiasmo y atracción que todo líder suscita. Cuántas veces, en mis andanzas por las comunidades de la periferia oí esta frase: “Lula fue el único que pensó en nosotros, los pobres, e hizo cosas buenas para nosotros”. De él se pueden apuntar limitaciones que pertenecen a la condición humana, incluso equivocaciones políticas, pero jamás se podrá decir que abandonó el propósito básico de su vida y de su acción política. Señal de ello es que pasaba las Navidades con los mendigos, cuidados por el Padre Júlio Lancelotti, bajo un puente en São Paulo. Se encontraba a sus hermanos y hermanas de destino mostrándoles solidaridad y compañía.
La saña de los que quieren un Brasil de privilegios para pocos, ha conseguido aprisionarlo. Pero el sueño de un Brasil rico porque no tiene miserables jamás podrá ser apresado. Lula con su sueño es inmortal y se hace, como se dice en la tradición judía, “un justo entre las naciones”.
Estos pocos ejemplos muestran cómo se puede ser un líder político servidor del pueblo y suscitar en sus seguidores el mismo espíritu de servicio solidario y constructivo.
Tal actitud apunta a otro tipo de Brasil, que queremos y merecemos, animado por representantes que hacen de la política, al decir de Gandhi «un gesto amoroso para con el pueblo y un cuidado por todo lo que es común». Lula se inscribe en esta honrosa tradición.
Traducción de José Maria Gavito

 

“Estive preso e me impediram de visitar-te”

Há uma cena de grande dramaticidade no evangelho se São Mateus quando se trata do Juizo Final”, quer dizer, quando se revela o destino último de cada ser humano. O Juiz Supremo não perguntará a que Igreja ou religião alguém pertenceu, se aceitou os seus dogmas, quantas vezes frequentou os ritos sagrados.
Esse Juiz se voltará aos bons e dirá: ”Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino preparado para vós desde a criação do mundo; porque tive fome e de me destes de comer, tive sede e me destes de beber, fui peregrino e me acolhestes, estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, estava preso e viestes me ver… todas as vezes que fizestes a um destes meus irmãos e irmãs menores, foi a mim que o fizestes…e quando deixastes de fazer a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes(Evangelho de S.Mateus,25, 35-45).”
Neste momento supremo, são as práticas e não as prédicas para com os sofedores deste mundo que contarão. Se os tivermos atendido, ouviremos aquelas palavras benditas.
Esta experiência foi vivida pelo Prêmio Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Perez Esquivel (1931) arquiteto e renomado escultor, grande ativista dos direitos humanos e da cultura da paz, além de ser profundamente religioso e por mim. Ele solicitara às autoridades judiciais brasileiras a permissão de visitar no cárcere o ex-Presidente Lula, amigo de muitos anos.
Da Argentina Esquivel me telefonou e no twitter foi resumida a conversação numa espécie de yotube. Iríamos juntos, pois eu havia recebido também o assim chamado Nobel Alternativo da Paz em 2001(Award The Right Livelihood) do Parlamento sueco. Mas lhe adiantei que minha visita era para cumprir o preceito evagélico o de “visitar quem está encarcerado” além de abraçar o amigo de mais de 30 anos. Queria reforçar-lhe a traquilidade da alma que sempre manteve. Confessou-me pouco antes de ser preso: minha alma está serena porque ela não me acusa de nada e me sinto portador da verdade que possui uma força própria e que no seu devido tempo se manifestará.
Chegamos em Curitiba Esquivel e eu, em horários diferentes, no dia 18 de abril. Fomos diretamente ao grande auditório da Universidade Federal do Paraná repleta de gente, para um debate sobre democracia, direitos humanos e a crise brasileira que culminou com a prisão de Lula. Lá estavam autoridades universitárias, o ex-ministro das relações exteriores Celso Amorim, representantes da Argentina, do Chile, do Paraguay, da Suécia e de outros países. Alternadamente cantaram-se belíssimas músicas latino-americanas especialmente com a voz sonora da atriz e cantora Letícia Sabatella. Afrodescentes daçaram e cantaram com suas roupas belamente coloridas.
Fizeram-se vários pronunciamentos. O desalento geral, como por um passe de mágica, deu lugar a uma aura de benquerença e de esperança de que o golpe parlamentar, judídico e mediatico não poderia desenhar nenhum futuro para o Brasil. Antes, encerar-se-ia um ciclo de dominação das elites do atraso para abrir caminho para uma democracia que vem de baixo, participativa e sustentável.
Já antes da sessão foi-nos comunicado que a juíza Catarina Moura Lebbos, braço direito do juiz Sérgio Moro, havia proibido a visita que queríamos fazer ao ex-presidente Lula.
Essa juíza não deu-se conta do alto significado de que é portador um Prêmio Nobel da Paz. Ele tem o privilégio de correr o mundo, visitar prisões e lugares de conflito no sentido de promover o diálogo e a paz. Agarramo-nos ao documento da ONU de 2015 que se convencionou chamar de “Regras de Mandela” que trata de Prevenção ao Crime e a Justiça Criminal. Aí se aborda também a parte da visita aos encarcerados. O Brasil foi um dos mais ativos na formulação destas Regras de Mandela, embora não as observe em seu território.
Mas de nada nos valeu. A juiza Lebbos simplesmente negou, No dia seguinte, dia 19 de abril, chegamos ao acampamento, onde centenas de pessoas fazem vigília junto ao Departamento da Justiça Federal, onde Lula está preso. Gritam-lhe “Bom dia, Lula”, “Lula livre” e outras palavras de ânimo e esperança que ele em seu cárcere pode escutar perfeitamente.
Policiais estavam por todo os lados. Tentamos falar com o chefe para podermos ter uma audiênicia com o Superindente da Polícia Federal.
Sempre vinha a resposta: não pode, são ordens de cima. Após muito insistir, com chamadas de telefone indo e vindo, Perez Esquivel conseguiu uma audiência com o Superintendente. Explicou-lhe os motivos da visita, humanitária e fraterna a um velho e querido amigo. Por mais que Perez Esquivel argumentasse e fizesse valer seu título de Prêmio Nobel da Paz, mundialmente reconhecido e respeitado, ouvia sempre o mesmo ritornello: Não pode. São ordens de cima.
E assim, cabisbaixos, retornamos para o meio do povo. Eu pessoalmente insistia que minha visita era meramente espiritual. Iria levar-lhe dois livros ”O Senhor é meu pastor e nada me falta”,um comentário minucioso que realmente alimenta a confiança. O outro de nosso melhor exegeta Carlos Mesters “A missão do povo que sofre” descrevendo o desamparo do povo hebreu no exílio babilônico, como era consolado pelos profetas Isaias e Jeremias e como a partir daí se fortaleceu o sentido de seu sofrimento e sua esperança.
No Departamento da Polícia Federal tudo era proibido. Sequer um bilhete era permitido para ser enviado ao ex-Presidente Lula.
No meio do povo, falaram vários representantes dos grupos, especialmente um casal da Suécia que sustenta a candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz. Falei eu e Perez Esquivel, reforçando a esperança que finalmente é aquela energia ponderosa que sustenta os que lutam pela justiça e por um outro tipo de democracia. Ele anunciou que lançara a campanha mundial para Lula como candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Há já milhares de subscrições em todo o mundo. Lula preenche todos os requisitos para isso, especialmente as políticas sociais que tiraram milhões da fome e da miséria e seu empenho pela justiça social, base da paz.
Muitas foram as entrevistas aos meios de comunicação nacionais e internacionais. Algumas fotos do evento começaram girar pelo mundo e vinha a solidariedade de muitos países e grupos.
Aí nos demos conta de que efetivamente vivemos sob um regime de exceção na forma de um golpe brando que sequestra a liberdade e nega direitos humanos fundamentais.
A pequenês de espírito de nossos juizes da Lava Jato e a negação de um direito assegurado a um Prêmio Nobel da Paz de visitar um seu amigo encarcerado, no espírito de pura humanidade e de calorosa solidariedade envergonha nosso país, Apenas comprova que efetivamente estamos sob a lógica negadora de democracia num regime de exceção.
Mas o Brasil é maior que sua crise. Purificados, sairemos melhores e orgulhosos de nossa resistência, de nossa indignação e da coragem de resgatar a partir das ruas e pelas eleições um Estado de direito.
Não esqueceremos jamais as palavras sagradas:”Eu estava preso e tu me impediste de visitá-lo”.

Leonardo Boff, testemunha dos fatos aqui narrados