O ser humano tem ainda futuro?

Leonardo Boff  

       É de praxe em cada final de ano se fazer um balanço,uma espécie de leitura de cego que capta apenas o que é relevante. Seriam demasiadas  coisas a serem lembradas. Apenas observamos que há uma lenta e irrefreável degradação do nosso modo de habitar a Terra. O aquecimento global está crescendo cada ano e já mostra seus efeitos catastróficos no mundo todo com grandes inundações, tufões e queimadas fenomenais. Assistimos no Rio Grande do Sul uma enchente desastrosa, destruindo partes de inteiras cidades, além dos danos na agricultura.

Fala-se que entramos numa era geológica nova, o antropoceno, vale dizer, o meteoro  rasante, destruidor da natureza não é outro senão o próprio ser humano. Outros vão mais longe e acrescentam que estamos na era do necroceno, quer dizer, a maciça morte (necro) de espécies, na ordem de 70-100 mil  segundo o conhecido biólogo Edward Wilson. Ultimamente o número de incêndios cresceram tanto no mundo inteiro que já se fala do piroceno (piros em grego é fogo), a fase mais avançada e perigosa do antropoceno. Acresce ainda a perversa desigualdade social, pois 1% de ricos possuem mais riqueza que mais da metade da humanidade (4,7 bilhões),o que é uma infâmia e uma negação de humanidade.

Face a tal nível de degradação  generalizada, nunca vista antes da presença do ser humano no processo de evolução, muitos, entre eles grande nomes da ciência se perguntam se não estamos próximos do fim possível da espécie humana. E com razão, pois não se trata de fantasmas mas de sinais perturbadores. O prêmio Nobel de biologia de 1974, Christian de Duve em seu minucioso livro Poeira Vital, a vida como imperativo cósmico (Campus 1997) afirma que nos dias de hoje “a evolução biológica marcha em ritmo acelerado para uma grave instabilidade; de certa forma, o nosso tempo lembra uma daquelas importantes rupturas na evolução, assinaladas por extinções em massa”. O cientista Norman Myers calculou que somente no Brasil, se estão extinguindo nos últimos 35 anos quatro espécies por dia. Théodore Monod, um notável naturalista, deixou como testamento um texto de reflexão com esse título: “E se a aventura humana vier a falhar”(2000)? Assevera: “somos capazes de uma conduta insensata e demente; pode-se a partir de agora temer tudo, tudo mesmo, inclusive a aniquilação da raça humana”.

Desde que surgiu como homo habilis há mais de dois milhões de anos vem desequilibrando sua relação para com a natureza. Até quarenta mil anos atrás os danos ecológicos eram insignificantes. Mas a  partir desta data começou um assalto sistemático à biosfera. Em poucos centenas de anos, os caçadores extinguiram os mamutes, as preguiças-gigantes e outros mamíferos pré-históricos. Na era industrial (1850) foram desenvolvidos instrumentos que tornaram bem sucedida a dominação/devastação da natureza. Nos dias atuais, este processo se agravou a ponto de que os noves itens (planetary bounderies)que sustentam a vida estão celeramente caindo, no termo,  tornando impossível a civilização.

Já há 2 milhões de anos que estamos  dentro da Idade do Gelo. A atual fase interglacial quente começou há 11.400 anos (período do Holoceno). Conforme os padrões do passado deveríamos ingressar num novo período de resfriamento. Entretanto nossa espécie alterou profundamente a natureza da atmosfera. Vários gases de efeito estufa como o CO2,o metano e outros importantes estão aquecendo todo o planeta. Até 2030 não poderia alcançar dois graus, pois seria desastroso para grande parte da humanidade e para a natureza. Já agora em 2025 atingimos 1,77ºC.

A estes problemas acresce a carência de água potável (só 3% é doce) e a super população da espécie humana que já ocupou 83% do planeta depredando-o. Poderão os seres humanos viver juntos numa única Casa Comum? Não somos seres pacíficos, mas extremamente agressivos, faltos de cooperação e de cuidado. O astrônomo real Sir Martin Rees da Inglaterra em seu livro “Hora Final: o desastre ambiental ameaça o futuro da humanidade”(2005) estima que, a correrem as coisas como correm, podemos nos liquidar ainda neste século.

Apesar deste quadro sombrio neste final de 2025 mantenho a esperança de que o ser humano,com sua inteligência, razão cordial e sentido de sobrevivência  decidirá pela continuidade da vida neste planeta e não pelo suicídio coletivo.

Lógico,  precisamos ter paciência para com o ser humano. Ele não está pronto ainda. Tem muito a aprender. Em relação ao tempo cósmico  possui menos de um minuto de vida no planeta. Mas com ele, a evolução deu um salto, de inconsciente se fêz consciente. E com a consciência pode decidir que destino quer para si. Nesta perspectiva, a situação atual representa antes um desafio que um desastre, a travessia para um patamar mais alto e não um mergulho na auto-destruição.

Agora cabe-nos mostrar amor à vida em sua majestática diversidade, ter com-paixão para com todos os que sofrem, realizar rapidamente a justiça social necessária e amar a Grande Mãe, a Terra. Incentivam-nos as Escrituras judaico-cristãs: “Escolha a vida e viverás (Deut 30,28)”. Andemos depressa, pois não temos muito tempo a perder.

Leonardo Boff escreveu: Homem: satã ou anjo bom, Record 2008;Cuidar da Casa Comum:pistas para protelar o fim do mundo, Vozes 2024.

Weihnachten: die Menschwerdung Gottes

   Leonardo Boff

Die theologische Tradition hat die Bedeutung der Menschwerdung des Sohnes Gottes, die an Weihnachten gefeiert wird, als Vergöttlichung des Menschen besonders hervorgehoben. Tatsächlich möchte man theologisch eine noch größere Tatsache betonen: Die Menschwerdung ist die Vermenschlichung Gottes. Alle Schriften bekräftigen wie das Evangeliun des Johannes: „Niemand hat Gott jemals gesehen. Der einzige Sohn des Vaters hat ihn uns offenbart“ (1,18). Gott hat durch Jesus von Nazareth unsere Menschlichkeit zu seiner eigenen gemacht, was wirklich unerhört ist. Es gibt also etwas Göttliches in unserem menschlichen Wesen, Mann und Frau, das niemals zerstört werden kann. Es ist unsere höchste Würde: Träger und Trägerinnen Gottes zu sein. Deshalb kann es keine Traurigkeit geben, wenn das göttliche Leben in uns geboren wird.

Weihnachten ist die Feier dieses gesegneten Ereignisses. Die Evangelien nennen Jesus die Sonne der Gerechtigkeit. Die Geburt Jesu fiel genau mit dem römischen Festtag des Unbesiegbaren Sonnengottes (sol invictus) zusammen. Dieser Tag ist für die nördliche Hemisphäre der kürzeste Tag des Jahres und die längste Nacht. Die Menschen in der Antike hatten Angst, dass die Sonne nicht wieder aufgehen würde. Als sie wieder aufging, feierten sie ihren Sieg über die Dunkelheit. Jesus wird als die unbesiegbare Sonne dargestellt, die alle Dunkelheit des Lebens besiegen wird. 

Wenn Jesus Gott ist, der Mensch wurde, könnten wir uns vorstellen, dass er an einem entsprechend vorbereiteten Ort geboren wurde, etwa in einem Palast, einer prächtigen Villa oder einem renommierten Krankenhaus. Letztendlich wäre es eine Ehrerbietung gegenüber Gott, so wie wir es auch bei wichtigen Persönlichkeiten tun, die uns besuchen, wie Präsidenten, berühmten Persönlichkeiten oder dem Papst selbst.

Gott wollte all dies nicht. Wir müssen den Weg, den Gott für seinen Eintritt in diese Welt gewählt hat, respektieren und lieben: verborgen, im Schicksal derer, die nachts in der Kälte an die Tür klopfen, bei einer schwangeren Frau, die ihr ungeborenes Kind im Bauch hält und diese harten Worte hören muss: „Für dich ist kein Platz.“

So verließen Joseph und Maria ihre Heimat und suchten in ihrer Not einen nahegelegenen Stall auf. Dort gab es Stroh, eine Krippe, einen Ochsen und einen Esel, dessen Atem den zarten, zitternden Körper des Neugeborenen wärmte.

Gott betrat also still und leise diese Welt durch die Hintertüren. Die Bewohner der Hauptstadt Rom oder Jerusalem und andere wichtige Persönlichkeiten bekamen davon nichts mit.

Daraus lässt sich eine Lehre ziehen: Wenn Gott sich offenbaren will, bedient er sich nicht großartiger Spektakel, sondern der schlichten Stille der kleinen Dinge. So müssen wir verstehen, dass er für alle gekommen ist, aber in besonderer Weise für die Armen und Einfachen, denn er war arm und blieb sein ganzes Leben lang arm, in Einfachheit und Bescheidenheit. Wäre er unter Reichen geboren worden, hätte er die Armen ausgeschlossen. Da er unter den Armen geboren wurde, ist er ihnen immer nahe und kann von ihnen aus auch die Bessergestellten in der Gesellschaft erreichen. Auf diese Weise wird niemand davon ausgeschlossen, von der Gegenwart Gottes berührt zu werden.

Bei der Geburt des Jesuskindes waren nicht nur einfache Leute wie Hirten anwesend, die wegen ihres ständigen Kontakts mit Tieren als verachtenswert galten. Die Evangelien berichten, dass die Heiligen Drei Könige aus dem Orient kamen. Die frühen Christen kamen zu dem Schluss, dass die Magier Weise waren, deren Namen erhalten blieben: Balthasar, Melchior und Kaspar. Melchior war weißer Hautfarbe, Kaspar gelber Hautfarbe und Balthasar schwarzer Hautfarbe. So repräsentierten sie die gesamte Menschheit.

Die Geschenke, die sie ihm darbringen, sind symbolisch. Das Gold bedeutet, dass sie Jesus als König anerkennen. Der Weihrauch bedeutet, dass Jesus göttlich ist. Die Myrrhe drückt Schmerz und Leid aus. Die Bedeutung ist folgende: Jesus ist ein wahrer König, aber nicht wie die Könige dieser Welt, die über die Menschen herrschen. Jesus hingegen kümmert sich um sie. Jesus ist eine göttliche Person, die nicht so sehr verehrt und gepriesen werden soll, dass sie sich von uns entfernt. Im Gegenteil, er ist ein Gott mit uns – Immanuel –, der mit jedem Menschen zusammenleben und seinen Weg gehen möchte.

Die bittere Myrrhe drückt aus, wie Jesus als König sein Leben für das Volk gab und wie er seine Göttlichkeit lebte, indem er aus Liebe zu allen Menschen den Tod am Kreuz auf sich nahm.

Der große Dichter Manuel Bandeira hat diese Logik von Weihnachten in seinem Gedicht treffend zum Ausdruck gebracht

Weihnachtsgeschichte:

Unser Kind

Wurde in Bethlehem geboren

Es wurde geboren, um nichts anderes zu wollen,

Als Gutes zu tun.

Es wurde auf Stroh geboren,

Unser Kind,

Aber die Mutter wusste,

Dass es göttlich war.

Es kommt, um zu leiden,

Den Tod am Kreuz.

Unser Kind

Sein Name ist Jesus.

Für uns nimmt er

Das menschliche Schicksal an:

Loben wir die Herrlichkeit

Des Jesuskindes.

An Weihnachten haben wir das Recht, uns mit Freude zu erfüllen, denn wir sind nicht mehr allein. Gott geht mit uns, leidet mit uns und freut sich mit uns. Er ist das größte Geschenk, das Gott Vater uns machen konnte. Deshalb tauschen wir Geschenke untereinander aus, um uns immer an dieses Geschenk zu erinnern, das der himmlische Vater uns gemacht hat, indem er uns Jesus, seinen geliebten Sohn, geschenkt hat.

Leonardo Boff, Theologe und Autor von:O Sol da Esperança:Natal, Histórias, Poesias e Símbolos, Rio 2007; Natal: a humanidade e a jovialidade de nosso Deus, Petrópolis 1976.“Mensch geworden – Das Evangelium von Weihnachten“, Herder Verlag 1986.

Natal: a humanização de Deus

Leonardo Boff

A tradição teológica acentuou sobremaneira o significado na encarnação do Filho de Deus, celebrada no Natal, como a divinização do ser humano. Na verdade, teologicamente quer-se enfatizar um fato ainda maior: a encarnação é a humanização de Deus. Todas as Escrituras afirmam como São João: “A Deus ninguém jamais viu. Foi o Filho unigênito do Pai quem no-lo deu a conhecer”(1,18). Deus, por Jesus de Nazaré, fez sua a nossa humanidade, coisa realmente inaudita. Então há algo de Divino dentro de nosso ser humano, homem e mulher, que jamais pode ser destruído.É a nossa suprema dignidade: portadores e portadoras de Deus. Por isso,não pode haver tristeza quando nasce a vida divina em nós.

O Natal é a celebração desse evento bem-aventurado. Os evangelhos chamam Jesus de Sol da Justiça. O nascimento de Jesus coincidia exatamente com a festa romana do Dia do Sol Invencível. Este dia, para o hemisfério norte, é o mais curto do ano e com a noite mais longa. O medo dos povos antigos era de que o sol não voltasse a nascer. Quando nascia novamente celebrava-se sua vitória sobre a escuridão. Jesus é apresentado como o Sol invencível que vencerá todas as escuridões da vida.      

Se Jesus é o Deus que se fez homem, poderíamos pensar que tivesse nascido num lugar bem preparado, como num palácio, numa mansão com muito conforto ou numa maternidade famosa. Finalmente seria  prestar homenagem a alguém que é Deus, como fazemos com pessoas importantes que nos visitam como os presidentes, famosas celebridades e o próprio Papa.

Deus não quis nada disso. Devemos respeitar e amar o modo como Deus quis entrar neste mundo: escondido, participando do destino daqueles que batem à porta, de noite, no frio, com uma mulher grávida, segurando na barriga o filho que está para nascer e que tem que ouvir estas duras palavras: “não tem lugar para vocês”.

Então José e Maria vão embora e ocupam, na urgência, uma estrebaria vizinha. Lá havia palha, uma manjedoura, um boi e um burrinho que com seu bafo esquentaram o corpinho frágil e tiritante do recém nascido.

Deus, portanto, entrou silenciosamente, nesse mundo, pelas portas do fundo. Os que habitavam na capital, em Roma ou em Jerusalém e outras pessoas importantes nem ficaram sabendo.

Nisso há uma lição a tirar: Deus quando quer se manifestar não usa o espetáculo grandioso, mas o silêncio singelo das pequenas coisas. Assim devemos compreender que ele veio para  todos, mas  de maneira especial a começar pelos pobres e simples porque ele foi pobre e pobre ficou por toda a sua vida na simplicidade e no despojamento.. Se tivesse nascido entre os ricos, deixaria os pobres de fora. Nascendo entre os pobres, está sempre perto deles e a partir deles pode alcançar também os melhor situados na sociedade. Desta forma ninguém fica excluído de ser tocado pela presença de Deus.

 Por ocasião do nascimento do menino Jesus não havia somente gente do povo como os pastores, considerados desprezíveis por terem contacto contínuo com animais. Os evangelhos falam que vieram do Oriente  os reis magos.Os cristãos antigos concluíram que os magos eram sábios, cujos nomes foram conservados: Baltazar, Belquior e Gaspar. Belquior era da raça branca,  Gaspar, da raça amarela e Baltazar, da raça negra. Assim eles representavam toda a humanidade.

         Os presentes oferecidos por eles são simbólicos. O ouro significa que reconheciam  Jesus como rei. O incenso significa que  Jesus é divino.  A mirra  expressa a dor e o sofrimento. O sentido é o seguinte: Jesus é rei de verdade, mas não como os reis deste mundo que dominam as pessoas. Jesus, ao contrário cuida delas. Jesus é uma pessoa divina não para ser exaltada e proclamada a ponto de ser afastada do nosso meio. Ao contrário, é um Deus conosco -Emanuel – que quer conviver e caminhar junto a cada ser humano.

A mirra amarga expressa a forma como Jesus foi rei, dando sua vida pelo povo e como viveu sua divindade assumindo morrer na cruz por amor a todos os seres humanos.

O grande poeta Manuel Bandeira expressou bem esta lógica do Natal em sua poesia

Conto de Natal:

O nosso Menino

Nasceu em Belém

Nasceu tão-somente

Para querer o bem.

Nasceu sobre os palhas

O nosso Menino

Mas a Mãe sabia

Que Ele era divino

Vem para sofrer

A morte da Cruz.

O nosso Menino

Seu nome é Jesus.

Por nós Ele aceita

O humano destino:

Louvemos a glória

De Jesus-Menino.

No Natal temos o direito de nos encher de alegria, pois não estamos mais sós. Deus anda conosco, sofre conosco e se alegra conosco. Ele é o maior presente que Deus Pai nos poderia ter dado. Por isso trocamos presentes entre nós para sempre lembrar este presente que o Pai celestial nos deu, dando-nos Jesus, seu filho querido.

Leonardo Boff é teólogo e escreveu:O Sol da Esperança:Natal, Histórias, Poesias e Símbolos, Rio 2007; Natal:a humanidade e a jovialidade de nosso Deus, Petrópolis 1976.

COP30: Adattamento o Prevenzione?

di Michael Löwy

Michael Löwy, direttore di ricerca in sociologia presso il Centre Nationale de la Recherche Scientifique (CNRS). Brasiliano di origine francese residente a Parigi, è un grande amico del Brasile e partecipa attivamente alla nostra realtà politica e sociale. Di origine ebraica, è un serio studioso di sociologia della religione, di quanto di meglio hanno scritto Marx e Max Weber e ha dedicato parte del suo lavoro allo studio della teologia della liberazione. Mantengo un dialogo proficuo con lui, quasi settimanale. Mi ha inviato l’articolo in francese, ora pubblicato su A Terra é Redonda (26-10-2025). Questo articolo è illuminante e allo stesso tempo un monito sulle possibili minacce al futuro dell’umanità, ma apre lo spazio a una speranza che nasce dal basso. LBoff

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Il futuro non sarà conquistato con la rassegnazione nell’adattarsi al collasso, ma con il coraggio di prevenirne le sue cause.

1.

Come sappiamo, la COP30, la Conferenza delle Nazioni Unite sui cambiamenti climatici, si tiene in questi giorni a Belém del Pará.

Ciò suscita speranza, poiché si terrà in un paese governato dalla sinistra, sotto l’egida del presidente Lula. Ma bisogna constatare che il più grande inquinatore del pianeta, gli Stati Uniti, sarà assente, poiché Donald Trump – fanatico negazionista del cambiamento climatico – ha ritirato il suo paese da questo forum internazionale.

Infelicemente, una recente decisione delle autorità brasiliane getta un’ombra su questo incontro: l’autorizzazione all’esplorazione petrolifera nei fondali marini vicino alla foce del Rio delle Amazzoni. Gli ambientalisti brasiliani denunciano questa decisione, in quanto rappresenta un enorme rischio – in caso di incidente con trivellazioni offshore – che una “onda nera” possa distruggere i fragili ecosistemi della foresta pluviale amazzonica.

Inoltre, se le enormi quantità di petrolio depositate sui fondali marini di questa regione venissero estratte, commercializzate e bruciate, ciò sarebbe un contributo decisivo al cambiamento climatico.

In queste condizioni, cosa ci si può aspettare da questa COP30? Va detto che il bilancio delle precedenti 29 non è glorioso: è vero che alcune risoluzioni sono state adottate, ma… non sono mai state messe in pratica. Le emissioni non hanno mai smesso di crescere, l’accumulo di gas serra ha raggiunto proporzioni senza precedenti e il limite pericoloso di 1,5°C (superiore all’era preindustriale) è già stato raggiunto.

Quali sono le ambizioni degli organizzatori della nuova COP? Possiamo farci un’idea leggendo una recente intervista ad André Correa do Lago, nominato da Lula a presiedere la COP30. Diplomatico con una vasta esperienza nello sviluppo sostenibile, è attualmente Segretario per il Clima, l’Energia e lo Sviluppo presso il Ministero degli Affari Esteri brasiliano. In questa intervista, Correa do Lago afferma: “Vorrei molto che le persone ricordassero la COP30 come una COP di adattamento“.

2.

Cosa significa ciò? Certamente, adattarsi alle conseguenze dei cambiamenti climatici – incendi boschivi, tornado, inondazioni catastrofiche, temperature insopportabili, siccità, desertificazione, mancanza di acqua dolce, innalzamento del livello del mare, ecc. (l’elenco è immenso) – è necessario, soprattutto nei paesi del Sud del mondo, le prime vittime di questi danni.

Ma dare priorità all'”adattamento” anziché alla “prevenzione” è un modo indiretto di rassegnarsi all’inevitabilità dei cambiamenti climatici. È un discorso che risuona sempre più tra i leader di diversi paesi in tutto il mondo.

La logica di questo ragionamento è semplice: poiché è impossibile fare a meno dei combustibili fossili, del trasporto globalizzato di merci, dell’agricoltura industriale e di altre molteplici attività economiche responsabili dei cambiamenti climatici, ma necessarie per il corretto funzionamento dell’economia capitalista, ci rimane solo la possibilità di adattarci.

Se, in un primo momento, l’adattamento è ancora possibile, a partire da un certo aumento della temperatura – due gradi? tre gradi? nessuno può dirlo – diventerà impossibile. Come adattarsi se la temperatura supera i 50 gradi? E se l’acqua potabile diventasse una risorsa scarsa? Potremmo moltiplicare gli esempi.

Non ci resta molto tempo per prevenire una catastrofe che metterebbe a repentaglio la sopravvivenza umana su questo pianeta. E, contrariamente a quanto pensano gli abitanti di Marte come Elon Musk, non esiste un pianeta B. Se la COP30 darà priorità all’adattamento rispetto alla prevenzione, sarà ricordata come la COP della capitolazione.

Felicemente, in contemporanea alla COP, si terrà a Belém do Pará un Vertice dei Popoli, a cui parteciperanno movimenti ecologisti, contadini, indigeni, femministi, ecosocialisti e altri, che discuteranno le vere soluzioni alla crisi ecologica e scenderanno in piazza a Belém do Pará per protestare contro l’inerzia dei governi e affermare la necessità di rompere con il sistema. Sono seminatori di futuro, che rifiutano la rassegnazione e il conformismo.