Quien odia al hermano es un asesino”dicen las Escrituras

Reina mucha violencia, rabia y odio en nuestro país a causa de la segunda vuelta de las elecciones. Lo que nos escandaliza y va contra la Constitución que afirma ser un Estado laico (no oficializa ninguna religión ni estas pueden ser usadas partidariamente), son las iglesias neo-pentecostales y algunas evangélicas, concretamente la Universal y su líder, que se han transformado en centros de fake news, verdadera máquina de producción de calumnias y falsedades contra el candidato Haddad, hasta afirmar que, de modo semejante al estado totalitario comunista, “el niño después de 5 años pasa a no pertenecer ya a los padres sino al Estado”. ¿Quién puede imaginar semejante absurdo de una persona que vive en armonía con su familia? Además de ser mentiras y calumnias suscitan el odio.

Aquí no vale otro argumento que el de la Biblia, que por lo menos reconocen, aunque traicionen sus preceptos.

El gran mensaje de Jesús es el amor incondicional hasta al enemigo, pues incluso “ama a los ingratos y malos” (Lc 6,35). Quien está fuera del amor, está lejos de Dios y traiciona el legado de Jesús.

Más explícita aún es la primera carta de San Juan: “Si alguien dice: ‘amo a Dios‘ pero odia a su hermano es un mentiroso” (1Juan 4,20).

En otro lugar es aún más perentorio: “Quien odia al hermano es un asesino. Y sabéis que ningún asesino tiene la vida eterna” (1 Juan 3,15). Pues estamos llenos de asesinos en nuestro país y sabemos especialmente de dónde vienen, aunque no exclusivamente: de un candidato que es claramente homófobo, misógino, enemigo declarado de los LGBTI, de indígenas y de quilombolas.

Predica la violencia contra ellos, cosa que ya está siendo practicada en anticipación a su eventual victoria (que los cielos nos libren) en varios lugares del país por parte de sus seguidores, llegando incluso al asesinato del gran maestro de capoeira en Salvador, maestro de los cantantes Gilberto Gil y de Caetano Veloso, y a la violencia contra una joven de Porto Alegre a la que con una navaja le grabaron en la pierna la esvástica nazi.

Esta actitud va contra toda la base religiosa cultural cristiana de nuestro país. Son verdaderos enemigos de la patria, además de enemigos de los mencionados arriba. En el lenguaje del Nuevo Testamento son asesinos.

Pero lo que más nos falta y éste fue el legado de Betinho, nuestro Gandhi de los trópicos, es la sensibilidad ahora que estamos celebrando los 30 años de su gran obra “Acción por la ciudadania,contra el hambre y la miseria y por la vida”.

Supo identificar la crisis central de la humanidad actual en la línea del Papa Francisco hoy.
De su boca oímos y de su ejemplo aprendimos que “la crisis central no está en la nueva economía política de la exclusión, ni en la corrupción de la política, ni en la derrota moral de la humanidad. La crisis fundamental reside en la falta de sensibilidad de los humanos hacia otros seres humanos”.

Después de siglos de racionalismo y de dictadura del proyecto de la tecno-ciencia, hemos quedado todos con una especie de lobotomía que nos impide sentir al otro como otro, que incapacita nuestro corazón para sentir el pulsar de otro corazón y nos hace crueles y sin piedad ante el sufrimiento humano y la devastación de la biosfera.

No es el logos griego ni la ratio cartesiana sino el pathos (el sentimiento profundo) y el cuidado (cura en latín) quienes organizan las estructuras básicas de la existencia humana en el mundo junto con los demás.

Esta es la gran lección humanitaria, ética y espiritual que Betinho nos ha dejado como legado inmortal. Esta lección todavía hoy habla a lo profundo de cada ser humano, donde vive el mundo de las excelencias como el amor, la solidaridad, compasión y la verdadera hermandad entre todos.

Esta lección, en el contexto actual de Brasil atravesado por odios y rabias viscerales, posee inmensa actualidad. Sería la única cura verdaderamente eficaz.

¡Qué falta nos hace Betinho en estos días!

*Leonardo Boff es filósofo, teólogo y escritor.

“No Brasil se planta a árvore pela copa e não pela raiz:Frei Betto

Frei Betto além de religioso,comprometido com a libertação dos  oprimidos pela via da educação humanística e ética tipo Paulo Freire é um grande pedagogo e educador popular, pois vive transitando nesse meio.Acaba de publicar um livro Por uma educação crítica e participativa no qual resume as pautas principais de uma educação contemporânea que incorpora de forma crítica os novos meios de comunicação  e de conhecimento. Vale a pena ler esta entrevista esclarecedora contra distorções sobre gênero, sobre escola sem partido e outras. Lboff

ENTREVISTA DE FREI BETTO AO “O GLOBO” SOBRE SEU NOVO LIVRO, “POR UMA EDUCAÇÃO CRÍTICA E PARTICIPATIVA” (Anfiteatro/Rocco). Publicada no jornal carioca nesta sexta, 12 de outubro de 2018.

1.O senhor tem grande experiência em educação, tanto como teórico como junto a projetos pedagógicos populares, e em “Por uma educação crítica e participativa” o senhor aborda desafios contemporâneos da área. O senhor acredita que, além das deficiências educacionais históricas do Brasil, temos à frente problemas nunca antes enfrentados?

Frei Betto: Temos muitos problemas ainda a serem enfrentados, porque nosso sistema educacional é arcaico, burocrático, e agora agravado por essa proposta deseducativa de “Escola Sem Partido”. Uma das maiores contradições brasileiras é o investimento em cursos superiores superarem largamente o que se faz na pré-escola e no ensino fundamental. Insistimos em plantar a árvore pela copa, e não pela raiz… Os professores são mal pagos, a escola pública está sucateada e, para coroar o bolo com pimenta ardida, o governo ainda congela por 20 anos o investimento em educação. Isso explica o triste fato de, em 2017, entre 4 milhões de redações no Enem apenas 53 merecerem a nota máxima!

2.As novas tecnologias, hoje ferramentas fundamentais para a educação (inclusive a EAD), também trazem riscos de desinformação. Isso se manifestou nestas eleições, em que as chamadas “fake news” superam, em muito, o alcance dos veículos tradicionais. O senhor aborda o tema no livro, abrangendo também a força da mídia televisiva no livro. Como o senhor acredita que a tecnologia digital pode ser usada a serviço da educação?

Frei Betto: Primeiro é preciso equipar as nossas escolas de ferramentas digitais. E ensinar a lidar com elas. Nem sequer a maioria das escolas deu o passo da tradicional interpretação de textos (era literária) para o olhar crítico frente à TV, ao cinema e aos múltiplos recursos da internet (era imagética). O resultado é milhões de pessoas sujeitas à descostura das mensagens digitais, escravizadas pelas algemas virtuais do smartphone, jogando fora um tempo precioso que poderia ser investido no diálogo ou na leitura. E pensam que estão navegando quando, de fato, estão naufragando…

3.Um dos assuntos que o senhor aborda no livro é a questão da Escola sem Partido, que foi um dos temas de campanha de muitos candidatos conservadores, com o apoio de uma grande massa de eleitores. Para o senhor, esta pode ser uma das maiores ameaças à educação e a autonomia dos professores no país? Casos recentes de professores agredidos em sala de aula ou do livro “Meninos sem pátria”, que foi proibido no Santo Agostinho, já demonstram o impacto que este tipo pensamento já causou?

Frei Betto: Na educação não existe neutralidade. Ou se formam pensamento crítico, critérios de discernimento e seleção de valores preferenciais ou o aluno fica sujeito ao que “aprende” das redes digitais e da sedução publicitária. Em vez de cidadão protagonista passa a ser mero receptáculo consumista. Com o risco de ficar refém dos quatro “valores” do mercado: beleza, riqueza, fama e poder. Isso explica por que há uma farmácia em cada esquina, e não uma livraria, um cineclube ou um espaço de criação artística.

4.O senhor destaca no livro a importância de Paulo Freire, apontado como a “raiz da história do poder popular brasileiro”. Apesar de ser reconhecido mundialmente como um dos maiores educadores de todos os tempos, Paulo Freire passou a ser atacado no país por grupos que vêem seu método como uma forma de “doutrinação ideológica”. Corremos o risco de ver as escolas pararem de formar cidadãos ao se tornarem apenas repetidoras de conteúdo?

Frei Betto: Ingênuo quem pensa que a publicidade, o entretenimento, a versão elitista da história não são doutrinação ideológica. O que os que desprezam a obra de Paulo Freire – e a maioria sem jamais ter lido um livro dele – são os que insistem em encarar o mundo pela ótica ideológica dos dominadores, e não dos dominados. Assim, são “educados” na convicção de que negros são intelectualmente inferiores aos brancos; índios, seres primitivos que atrapalham o progresso; mulheres, potenciais objetos eróticos; e homossexuais, meros pervertidos. Não se constrói uma nação com tanta segregação, preconceito e discriminação.

5.O senhor relata muitas experiências bem-sucedidas em educação popular, desde as ações de alfabetização em fábricas, junto ao MST ou em conjunto com as CEBs etc. O senhor acredita que ao longo dos anos houve um afastamento das políticas educacionais junto às bases populares e hoje o país paga esta conta?

Frei Betto: Paga, e caro, pois nas avaliações internacionais o Brasil figura sempre na rabeira comparado a outros países, inclusive da América Latina. No governo Lula, à sombra do Fome Zero, implantamos um amplo sistema de educação popular – cuja história está ainda por ser pesquisada e contata – conhecida por Recid, Rede de Educação Cidadã. Ela abrigava 800 educadores populares profissionalizados e mais 1.000 voluntários, destinados a favorecer a cidadania dos beneficiários das políticas sociais. Isso já não existe, e o resultado é a dependência dos favorecidos aos subsídios do governo, e não pessoas empreendedoras em busca de sua emancipação econômica e social.

6.Outro tema muito debatido atualmente que o senhor aborda no livro é a chamada “ideologia de gênero”. Hoje, defensores do Escola sem Partido tratam qualquer conteúdo que alerte sobre a homofobia e outros preconceitos como “ameaças à família”. Como propor uma educação inclusiva e sem medo de assuntos tabus neste contexto?

Frei Betto: Nossas escolas nem sequer fazem educação sexual, tamanho o tabu. Quando muito, dão aulas de higiene corporal para se evitar doenças sexualmente transmissíveis. Aulas nas quais não se ouvem duas palavras fundamentais: afeto e amor. Resultado: preconceito, gravidez precoce, sexualidade desprovida de sentimentos, promiscuidade etc. Negar a diversidade de gênero equivale a retornar à cosmologia de Ptolomeu e proclamar que é o sol que gira em torno da Terra… Como diria Galileu Galilei, apesar de tudo, a diversidade existe.

7.O senhor também defende uma educação em direitos humanos, que possa ajudar a assegurar os direitos fundamentais que todas as pessoas possuem. Este é outro ponto que vem sendo questionado pelos grupos conservadores, que constantemente relacionam os direitos humanos a “privilégios” ou a “defesa de bandidos”. Como fazer com que a escola volte a defender esta bandeira, que deve estar na base de qualquer sociedade justa e igualitária?

Frei Betto: Uma escola que não trata de direitos humanos, não faz da ética um tema transversal, não educa politicamente (não confundir com partidariamente), está fadada a deformar seres humanos e não a formar. Esse tipo de “educação” é que gera gente como os que, semana passada, entraram na UnB, em Brasília, e rasgaram livros de direitos humanos. Nesse ritmo, como predisse Darcy Ribeiro, vamos ter um país com mais e mais cadeias, que só poderiam ser reduzidas com mais e mais escolas. Não me estranha que, em plena campanha eleitoral, há quem proponha dar a cada cidadão uma arma, e não um lápis ou uma caneta…

8.O livro traz reflexões a partir do quadro educacional do Brasil, que no último relatório da Unesco estava na 88ª posição entre 127 países, ou em penúltimo lugar na lista de 36 nações pesquisadas pela OCDE. De que forma podemos reverter este quadro, num cenário de congelamento de recursos e de redução de investimento em áreas correlatas à educação, como cultura, ciência e tecnologia? Como podemos nos aproximar das nações de ponta se não conseguimos resolver os nossos problemas crônicos na educação?

Frei Betto: Não podemos. A menos os que ousemos promover uma revolução na educação. Perguntando, por exemplo, como o Japão, que é do tamanho do Maranhão, pobre e destroçado pela guerra na década de 1940, em poucos anos se tornou uma potência mundial. Sem educação não há solução. E todos nós somos frutos da educação que recebemos ou da deseducação que nos foi imposta.

9.Em muitos sentidos, inclusive espirituais, o livro defende que “saber educar é saber amar”. Em um momento em que uma polarização política acirra os ânimos, provocando casos de agressões e até homicídios, qual o papel da educação para eliminar a cultura do ódio que se mostra cada dia mais forte?

Frei Betto: O ódio é um veneno que você toma esperando que o outro morra. De que vale uma escola ou uma educação que ignora os temas fundamentais da vida, como amor, solidariedade, altruísmo, perda, fracasso, doença e morte?

 

Carta aberta de Manuel Castells aos intelectuais do mundo sobre as eleições no Brasil

Manuel Castells é um dos mais conhecidos sociólogos do mundo e especialista em comunicação. Seu livro mais famoso é “A sociedade em rede”.Depois de lecionar em várias universidades, está agora na Califórnia do Sul, continuando suas pesquisas em comunicação e sua incidência na nova sociedade emergente. Seu nome tem grande peso. Por isso publicamos sua carta neste espaço Lboff

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Carta abierta de Manuel Castells a los intelectuales del mundo

Amigos intelectuales comprometidos con la democracia:

Brasil esta en peligro. Y con Brasil el mundo. Porque despues de la eleccion de Trump, de la toma del poder por un gobierno neo-fascista en Italia y por el ascenso del neonazismo en Europa, Brasil puede elegir presidente a un fascista, defensor de la dictadura militar, misogino, sexista, racista y xenofobo, que ha obtenido 46% en la primera vuelta de las elecciones presidenciales.

Poco importa quien sea su oponente. Fernando Haddad, la unica alternativa posible, es un academico respetable y moderado, candidato por el PT, un partido hoy dia desprestigiado por haber participado en la corrupcion generalizada del sistema polico brasileno.

Pero la cuestion no es el PT, sino una presidencia de un Bolsonaro capaz de decir a una diputada, en publico, que “no merece ser violada por el”. O que el problema con la Dictadura no fue la tortura sino que no matar en lugar de torturar.

En una situacion asi, ningun intelectual, ningun democrata, ninguna persona responsable del mundo en que vivimos, podemos quedarnos indiferentes. Yo no represento a nadie mas que a mi mismo.

Ni apoyo a ningun partido. Simplemente, creo que es un caso de defensa de la humanidad, porque si Brasil, el pais decisivo de America Latina, cae en manos de este deleznable y peligroso personaje, y de los poderes facticos que los apoyan, los hermanos Koch entre otros, nos  habremos precipitado aun mas bajo en la desintegracion del orden moral y social del planeta a la que estamos asistiendo.

Por eso les escribo a todos ustedes, a los que conozco y a los que me gustaria conocer. No para que suscriban esta carta como si fuera un manifiesto al dictado de politicos. Sino para pedirles que cada uno haga conocer publicamente y en terminos personales su peticion para una active participacion en la segunda vuelta de las elecciones presidenciales, el 28 de octubre, y nuestro apoyo a un voto contra Bolsonaro, argumentandolo segun lo que cada uno piense, y difundiendo su carta por sus canales personales, redes sociales, medios de comunicacion, contactos politicos, cualquier formato que difunda nuestra protesta contra la eleccion del fascismo en Brasil.

Muchos de nosotros tenemos contactos en Brasil, o tenemos contactos que tienen contactos. Contactemoslos. Un what’s app es suficiente, o una llamada telefonica personal. No nos  hace falta un #.  Somos personas, miles, potencialmente hablando a millones, en el mundo y en Brasil Y porque a lo largo de nuestra vida hemos adquirido con nuestra lucha e integridad, una cierta autoridad moral, utilicemosla en este momento antes que sea demasiado tarde.

Yo lo voy a hacer, lo estoy haciendo. Y simplemente ruego que cada una/uno haga lo que pueda.

Manuel Castells

Aos Trabalhadores da Saúde: por que votar em Haddad e Manu: Maria Helena Machado

Publicamos aqui um texto de uma pesquisadora em saúde que muito conhece este camp. Saúde e educação são decisivas para um pais. Um povo doente e ignorante jamais terá condições de sair de sua situação e dar um salto rumo ao desenvolvimento humano sustentável. Nem todos os candidatos à Presidência têm esse consciência, antes ao contrário. Dai a importância das ponderações desta especialista. Lboff

Aos Trabalhadores da Saúde: por que votar em Haddad e Manu

Por Maria Helena Machado

Na década de 1980, quase no final dela, nasce o SUS, o maior e o mais abrangente sistema de saúde do mundo, alicerçado no preceito constitucional de que saúde é um direito de todos e um dever do Estado.

Antes, entre 1970/80 (pré-SUS), o país contava com uma realidade sanitária muito acanhada e insuficiente para atender a população brasileira. Tínhamos pouco mais de 18 mil estabelecimentos de saúde (hospitalar e ambulatorial). Éramos poucos não passando de 570 mil empregos sendo que 46% de nível elementar, quase todos, atendentes de enfermagem, em contraposição aos 34% constituídos de nível superior, quase todos, médicos. A assistência à saúde era realizada basicamente por médicos e atendentes de enfermagem. O Sistema de Saúde era desigual, inacessível para uma enorme parcela da população e acima de tudo, altamente estratificado entre aqueles que detinham um plano de seguridade com maior ou menor vantagens.

Com o advento da nova Constituição, nasce o SUS para mudar definitivamente o cenário da saúde pública do país. Passados 30 anos desde a constituição do SUS em 1988, nossa realidade sanitária adquire grandes proporções e que devemos nos orgulhar e preservar este patrimônio sanitário inigualável no mundo.

  • Mais de 200 mil estabelecimentos de saúde;
  • Mais de 500.000 de empregos de saúde;
  • A importância do setor público é confirmada quando a esfera municipal aglutina mais de 1.600.000 empregos de saúde; a estadual mais de 000; e a esfera federal mais de 96.000 empregos;
  • A equipe de saúde passa a ser multiprofissional: enfermeiros, odontólogos, médicos, farmacêuticos, nutricionistas, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos, dentre outros; além de técnicos e auxiliares.
  • A equipe de saúde se qualificou e se transformou e hoje temos 48% dos empregos com nível superior; 38% de técnico e auxiliar e 14% de nível elementar – constituídos basicamente de ACS.

O SUS adota o conceito mais amplo de saúde e doença, ampliando assim sua rede e a assistência. Os trabalhadores passam a ser todos nós, aqueles que prestam atendimento direto à população – seja hospitalar como ambulatorial, os que gerenciam o sistema em todo o país, aqueles que produzem C&T, aqueles que produzem insumos, medicamentos e equipamentos. Ele se tornou realidade nos 5.570 municípios do Brasil. A saúde torna Direito da população e Dever do Estado brasileiro. O SUS já nasce com a vocação de política de Estado.

Contudo, a década de estruturação e implementação do SUS (década de 1990 e inicio de 2000) não tivemos um Estado brasileiro atuando efetivamente em prol do SUS, de transformar de fato o SUS em uma politica de Estado. Tempos neoliberais tendiam a minimizar o Estado e consequentemente, o SUS. Os maiores prejudicados foram os trabalhadores, sem políticas públicas adequadas e coerentes com a proposta do SUS e a população que demandava cada vez mais assistência negada e negligenciada por séculos em nosso país.

Em 2003, com a eleição de Lula inicia-se uma nova era democrática no país na qual trabalhadores e população até então alijados do processo político-social, passam a ter voz. No setor saúde, no campo da gestão do trabalho e da educação em saúde, o governo assume para si a responsabilidade constitucional de cuidar e prover o SUS de politicas públicas adequadas e compatíveis com a sua complexidade.

Com 15 anos de atraso é criada a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde – SGTES, na estrutura organizacional do Ministério da Saúde. Baseada na NOB-RH é concebida não só sua composição, mas também as áreas de atuação. No campo da gestão do trabalho – DEGERTS que pressupunha a garantia de requisitos básicos para a valorização do trabalhador e do seu trabalho; DEGES com objetivo de propor políticas nacionais no campo da educação para os trabalhadores da saúde. Posteriormente, é criado o DEPREPS, que tem como meta o planejamento e regulação da provisão de profissionais de saúde, especificamente, o Programa Mais Médicos.

Inaugura-se uma nova Era de esperança para os trabalhadores da saúde. A cidadania destes mais de 3,5 milhões de trabalhadores começava a ser resgatada, com a construção de politicas públicas coerentes com a missão do SUS. É de fato um período histórico de governos Lula e Dilma, comprometidos com as mudanças estruturais necessárias ao avanço da cidadania do povo brasileiro. Vejamos:

  • Nestes 12 anos de Lula e Dilma foram criadas mais de 300 mil novas vagas. Destaco a Fiocruz, que, por concurso público federal, recompôs (em parte) seu staff de pesquisadores das várias áreas da ciência e de profissionais da gestão. Permitiu também sua expansão para além das regionais já existentes, permitindo assim chegar a lugares do país que até então não se imaginava. Pode chegar também ao continente africano, levando C&T comprometida com a população. O Ministério da Saúde, com seus hospitais federais – INCA, INTO, INC, entre outros, referências de assistência de excelência no SUS, realizou vários concursos públicos, com centenas de vagas para repor o déficit brutal de pessoal gerado pelos tempos neoliberais. Estamos falando de um governo que se preocupava também em prover o país de inteligência para gerar C&T.
  • A SGTES e seus departamentos passam a comandar e construir, coletivamente, políticas nacionais tendo como parcerias constantes e produtivas do Ministério da Educação, Ministério do Trabalho e Emprego e decisivo apoio da CIRHRT\CNS – Comissão Intersetorial de Recursos Humanos e Relações de Trabalho e do Conselho Nacional de Saúde. Destacam-se:
  • Programa de Desprecarização do Trabalho em Saúde objetivando reverter o quadro de trabalho precário instalado no SUS;
  • Criação da Câmara de Regulação do Trabalho – fórum de debates e análises sobre a regulação do trabalho e das profissões no âmbito da Saúde;
  • Instituição do ProgeSUS;
  • Fórum Permanente Mercosul para o Trabalho em Saúde, abrindo assim o diálogo entre Brasil e os países do Mercosul;
  • Reinstalação da Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS assegurando a negociação permanente entre trabalhadores e os gestores do SUS. Importantes realizações ocorreram nesse processo negocial gerando nove Protocolos (acordos entre as partes): 1) Protocolo 1 – Regimento Institucional da Mesa Nacional de Negociação Permanente do Sistema Único de Saúde – MNNP-SUS; 2) Protocolo 2 – Instalação das Mesas Estaduais e Municipais de Negociação Permanente do SUS; 3) Protocolo 3 – Dispõe sobre a criação do Sistema Nacional de Negociação Permanente do SUS (SiNNP-SUS); 4) Protocolo 4 – Aprova o Processo Educativo em Negociação do Trabalho no SUS e institui diretrizes para sua execução; 5) Protocolo 5 – Dispõe sobre orientações, diretrizes e critérios para aperfeiçoar procedimentos de cessão de pessoal no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS; 6) Protocolo 6 – Aprova as “Diretrizes Nacionais para a instituição de Planos de Carreira, Cargos e Salários no âmbito do Sistema Único de Saúde – PCCS- SUS”; 7) Protocolo 7 – Dispõe sobre a implementação da política de Desprecarização do trabalho no SUS junto às Mesas e Mecanismos de Negociação no SUS; 8) Protocolo 8 – Institui as diretrizes da Política Nacional de Promoção da Saúde do Trabalhador do Sistema Único de Saúde – SUS e 9) Protocolo 9 – Institui as diretrizes da Agenda Nacional do Trabalho Decente para Trabalhadores e Trabalhadoras do Sistema Único de Saúde (ANTD-SUS);
  • Cidadania para mais de 300 mil ACS com a regulamentação da atividade em lei, definida a inserção no SUS, assegurando os direitos trabalhistas e combatendo a precarização, definida sua trajetória formativa, o piso salarial e até mesmo jornada de trabalho. Os ACS são hoje uma força política, graças à ação determinada e coerente dos governos Lula e Dilma;
  • Consolidação de uma Política Nacional de Educação Permanente para os mais de 3,5 milhões de trabalhadores hoje existentes no SUS;
  • Fortalecimento das Escolas Técnicas do SUS, responsáveis pela capacitação de seus trabalhadores inseridos nos serviços;
  • Mestrado Profissional em Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde que, pela primeira vez na história do SUS é criado, com financiamento e apoio do Ministério da Saúde, formando staff para assumir a gestão no âmbito do SUS. São incentivados e financiados inúmeros cursos de especialização e atualização em todo o território brasileiro, com a participação de milhares de profissionais, profissionalizando assim, definitivamente, a área da gestão do trabalho e da educação, até então completamente negligenciada.
  • Criação do PET-Saúde – Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde;
  • O Pró-Saúde;
  • O Telessaúde Brasil melhorando a qualidade do atendimento da Atenção Primária no SUS, a Teleassistência e a Teleducação;
  • O Sistema Universidade Aberta do SUS – UNA-SUS;
  • O Profaps – capacitando profissionais para a melhoria da Atenção Básica e Especializada,
  • O PROVAB – que busca estimular a formação de profissionais para a necessidade da população brasileira
  • De maior destaque no campo da gestão e educação em saúde foi o Programa Mais Médicos. O Programa Mais Médicos – PMM levando assistência médica onde a escassez desses profissionais em lugares longínquos e de difícil acesso é fato. Hoje tem-se mais de 16 mil médicos, com crescente participação de médicos brasileiros, atuando em lugares até então sem assistência à população.

Ao fazer aqui uma reflexão dos avanços que se conquistou nestes 12 anos não resta dúvida do compromisso e acerto das políticas públicas em prol dos trabalhadores do SUS, visando a melhor e mais adequada assistência à população brasileira.

Nesse período foi possível constatar que mudamos muito, mudamos para melhor, promovemos a inclusão social, melhoramos nosso poder aquisitivo, aumentamos nossa escolaridade, retiramos milhões de pessoas da linha da pobreza, tiramos o Brasil do mapa da fome, construímos mais moradias para quem não tinha moradia, promovemos a dignidade e cidadania a milhares de brasileiros, recuperamos nossa autoestima e, cada vez mais nos sentimos orgulhosos de sermos brasileiros! E tudo isso em pouco mais de uma década de governo sério, comprometido e voltado para bem-estar da população!

Contudo, dramaticamente, com a ruptura do processo democrático em 2016 com o impeachment da presidente Dilma, vivemos hoje, um momento grave com riscos eminentes de perdas da Democracia, da cidadania tão duramente conquistada. O desmantelamento do SUS, o retorno da precarização em massa dos trabalhadores da saúde, da perda dos direitos trabalhistas e sociais, da capacidade de empregabilidade.

O Brasil vive um momento de inflexão do SUS. E isso é grave e preocupante. Estamos falando de uma política de Estado construída há 30 anos e que assegura a saúde como um bem público universal e civilizatório.

A retirada do Estado da gestão do SUS aos moldes que ocorre hoje, por exemplo, no estado de São Paulo, substituindo o Estado como gestor-patrão por OSCIPS e OS, provocando rotatividade da mão de obra da saúde, desproteção do trabalho e do trabalhador, implosão do sentido de carreira, de futuro profissional, incertezas e precarização do trabalho no SUS. Torna-se cada vez mais frequentes e volumosos, profissionais que trabalham continuamente, sem descanso entre plantões e/ou atividades, extensas jornadas de trabalho de 60, 80 horas ou até mais, abdicação das férias regulares por conta da impossibilidade e incompatibilidade de contratos de trabalho temporários em OS e OSCIPS, gerando o fenômeno crescente de “trabalhadores sem férias”. São muitos os relatos de adoecimento físico, mental ou até mesmo problemas de saúde de toda a ordem, muitos, provocados pelo próprio processo de trabalho. O adoecimento se instalou entre os trabalhadores da saúde e vem atingindo cada vez, parcelas maiores deste contingente de mais de 3,5 milhões. A invisibilidade da gestão das OS e OSCIPS gerou uma legião de patrões invisíveis, silenciosos que tentam dominar o SUS, provocando o maior e mais dramático processo de retirada do Estado do SUS propriamente dito.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) elenca dimensões inter-relacionadas de precariedade, em contraposição ao trabalho decente 1) insegurança do mercado de trabalho pela ausência de oportunidades de trabalho; 2) insegurança do trabalho gerada pela proteção inadequada em caso de demissão; 3) insegurança de emprego gerada pela ausência de delimitações da atividade ou até mesma de qualificação de trabalho; 4) insegurança de integridade física e de saúde em razão das más condições das instalações e do ambiente de trabalho; 5) insegurança de renda, fruto da baixa remuneração e ausência de expectativa de melhorias salariais; 6) insegurança de representação quando o trabalhador não se sente protegido e representado por um sindicato.

Para enfrentar essa onda de perdas sociais e o risco de ataque demolidor ao SUS é preciso a união dos trabalhadores em torno de seus sindicatos fortes e atuantes, de um controle social organizado e politizado nos conselhos municipais e estaduais de saúde e ação forte do Conselho Nacional de Saúde, como tínhamos nos governos Lula e Dilma.

Haddad e Manu representam a segurança da retomada da Democracia e da luta por dias melhores com esperança no futuro. Precisamos retomar o curso da Democracia elegendo Haddad presidente do Brasil.