Magnifica Humanitas of Pope Leo XIV: a new vision and a new pontifical Style

Leonardo Boff*

         Upon finishing reading the first encyclical of Pope Leo XIV, we notice, with surprise, the introduction of a new style of argumentation: it is no longer the classic ecclesiastical style, with many references to Christian thinkers of the first centuries. But a new, contemporary one, which dialogues with various fields of knowledge and authors, men and women, beyond their confessional origin. It seems to us that we are reading a text by some contemporary theologian.

First of all, it is worth highlighting the generally hopeful tone of the encyclical when addressing such a controversial and thorny topic as Artificial Intelligence (AI). But it is realistic in describing the world situation of permanent belligerence: “it is not a gloomy and pessimistic description, but a necessary denunciation” (MH, 210). This denunciation becomes crystal clear when referring to “bombings against civilians, attacks on hospitals, schools or vital infrastructure, violence affecting children… scandals that wound humanity itself” (MH, 216). It is as if he were reporting on the crimes of the Israeli army in the Gaza Strip. He assumes the perspective of the victims “because it is not right to remain neutral in the face of conflicts” (MH, 216).

But when directly addressing the challenge of AI, positively, he immediately states that it always remains artificial and never replaces the natural (MH, 97). However, “it can represent a form of participation in the divine act of creation” (MH, 111). This fact implies that it must assume “a special ethical and spiritual responsibility, because each design choice expresses a vision of humanity” (MH, 111; 117; 129).

Moreover, this point is crucial in the Pope’s understanding: it is not enough to consider whether technology and AI are good or bad and their ends good, but to clarify “the underlying vision, whether they treat the human being as material to be perfected or surpassed…or their moral and social progress” (MH, 117). AI “is not morally neutral, since every technical artifact implies decisions and priorities: what it measures, what it ignores, what it optimizes, and how it classifies people and situations… One must ask “what is the design, what idea of ​​person and society is inscribed in the data and models that guide it” (MH, 104).

It is “intrinsically ambiguous, it can defend as well as attack, or the boundary between protection and aggression tends to blur” (MH, 183). It is at this point that Pope Leo makes a strong criticism of two ideologies, transhumanism and posthumanism. These “give total centrality to technology and the dream of overcoming the limits of the human condition” (MH, 116). Transhumanism wants to exponentially exacerbate human capabilities (through biomedicine, body engineering, algorithms) to be more efficient and thus achieve lucrative advantages. Posthumanism “aims to go beyond the human being and connect him in such a way to the machine and the environment an environment that would inaugurate a new stage of evolution” (MH, 116).

Here, the natural limits of human beings are disregarded, and a purely technical “salvation” is promised” (MH 117). We can say that today, as several analysts have pointed out, an idolatry of technology prevails, a true religion. Among us, our world-renowned neuroscientist Miguel Nicolelis, professor in Autin University has publicly denounced this.

It would be lengthy to comment on the various points addressed by the encyclical Magnifica Humanitas. Practically, its scope extends from philosophies of life, through politics (the various radicalisms), economics (financialization and cryptocurrencies), the rescue of the heart, education, the importance of the social imaginary, the issue of work and ecology, culminating in utopias based on digital, technological and cybernetic culture and finally in the civilization of love. This “is not a naive utopia, but a demanding project” (MH 186).

In summary, the intellectual, theological, and spiritual background of the current Pope is evident. He is founded on Saint Augustine (354-430), the inspiration for his Religious Order (Augustinians). As is known, the Bishop of Hippo, one of the geniuses of Western thought, articulates his vision of history in the dialectical interplay between the two cities and the two loves (MH,129-130): the earthly city and the heavenly city, the love of God and neighbor and the love of self. Biblically, this means: building Babel, the prototype of the human being who arrogantly thinks only of himself, forgetting God, and rebuilding Jerusalem, an example of the human being who makes history thinking of God and, from Him, of himself (MH, 130).

Leo XIV updates this dialectic with what is currently happening: a system of surveillance and control over populations, proposed by some digital platforms, especially the most perverse of all, Palantir (to control all the people of a country and use AI for war), and the system of care for the human being, of their respectful relationship with nature and universal fraternity among humans and between them and the Whole. All his reflection presupposes this current confrontation.

 Clearly takes a stand for care, for selfless love, for the perspective of the victims, the poor, and the oppressed. It presents us with a contemporary, highly relevant text, using the language of our time and therefore accessible to all, without sacrificing the gravity and depth of the issues to be considered, addressed, and pursued in a way that generates hope for the possibility of a different world, affectionate, friendly to nature, and open to the Infinite.

In conclusion, we can affirm that the current Pope, following in the footsteps of Saint Augustine and the great doctrinal tradition of the Church on social issues (summarized in the encyclical MH nn. 28-44), re-proposes the theme of the civilization of love (a term coined by Pope Paul VI). He defines it thus: “it consists of translating charity into structures of justice, in giving institutional form to fraternity and considering the other – whether person or people – as a necessary ally for the construction of the common good… Only this love can generate a stable international order, transforming coexistence from a simple armed coexistence into a community of destiny” (MH, 186).

Leonardo Boff,1938, is a Brazilian theologian and belongs to the Earth Charter International Group.

Magnifica Humanitas do Papa Leão XIV: nova visão e novo estilo pontifício

Leonardo Boff

         Ao acabar a leitura da primeira encíclica do Papa Leão XIV notamos, com surpresa, a introdução de um novo estilo de argumentação: não é mais aquele eclesiástico clássico, com muitas referências aos pensadores cristãos dos primeiros séculos. Mas um novo, contemporâneo, que dialoga com os vários saberes e autores, homens e mulheres, para além de sua origem confessional. Parece-nos estar lendo um texto de algum teólogo contemporâneo.

Mas ao abordar diretamente o desafio das IA, positivamente, logo afirma que ela continua sempre ser artificial e jamais substitui a natural (MH,97). No entanto “ela pode representar “uma forma de participação do ato divino da criação”(MH,111). Esse dado implica que ela deve assumir “uma responsabilidade ética e espiritual especial, pois cada eleição do desenho, expressa uma visão de humanidade”(MH,111;117;129). Aliás, este ponto é decisivo,na compreensão do Papa:não basta considerar se a técnica e  IA são  boas ou más e seus fins bons, mas tirar a limpo “a visão subjacente, se elas tratam o ser humano como material a ser aperfeiçoado ou a superar…ou o seu progresso moral e social”(MH,117). A IA “não é moralmente neutra, pois todo artefato técnico implica decisões e prioridades: o que mede, o que ignora, o que otimiza e a forma como classifica as pessoas e as situações…Deve-se perguntar “como é o desenho, que ideia de pessoa e de sociedade se inscreve nos dados e nos modelos que a guiam”(MH,104). Ela é “intrinsecamente ambígua, pode defender como atacar ou a fronteira entre a proteção e a agressão  tende a se esfumar”(MH,183).

É nesse ponto que o Papa Leão faz uma crítica contundente a duas ideologias, o transhumanismo e o poshumanismo. Estes “dão centralidade total  à técnica e ao sonho de superar os limites da condição humana”(MH,116). O transhumanismo quer exponencialmente exacerbar as capacidades humanas (pela biomedicina,engenharia corporal, algoritmos) para ser mais eficiente e assim alcançar vantagens lucrativas. O poshumanismo “visa ir além do ser humano e conectá-lo de tal forma à máquina e ao meio ambiente que inauguraria  uma nova etapa da evolução” (MH,116). Aqui se menosprezam os limites naturais do ser humano e se promete uma “salvação” puramente técnica”(MH 117). Podemos dizer que hoje, como vários analistas tem apontado, vigora uma idolatria da técnica, uma verdadeira religião. Entre nós o tem denunciado publicamente, nosso neurocientista, mundialmente conhecido Migual Nicolelis.

Seria longo comentar os diversos pontos abordados pela encíclica Magnifica Humanitas. Praticamente seu leque se estende das filosofias da vida, passando pela política (os vários radicalismos) pela economia (financeirização e as criptomoedas),pelo resgate do coração, pela educação, pela importância do imaginário social, pela questão do trabalho e da ecologia, desembocando nas utopias com base na cultura digital, tecnológica e cibernética e finalmente  na civilização amor. Esta “não é uma utopia ingênua, mas um projeto exigente”(MH 186).

Esquematizando, é visível o background intelectual, teológico e espiritual do atual Papa. Ele se funda em Santo Agostinho (354-430), inspirador de sua Ordem Religiosa (agostinianos). Como é sabido, o bispo de Hipona, um dos gênios do pensamento ocidental, articula sua visão da história no jogo dialético entre as duas cidades e os dois amores (129-130): a cidade terrenal e a cidade celeste, o amor a Deus e ao próximo e o amor a si mesmo. Biblicamente significa: construir a Babel, protótipo do ser humano que soberbamente só pensa em si, olvidando Deus, e reconstruir Jerusalém, exemplo do ser humano que faz a história pensando em Deus e a partir dele em si mesmo (MH,130).

Leão XIV atualiza esta dialética com aquilo que está ocorrendo atualmente: um sistema de vigilância e controle sobre as populações, proposto por algumas plataformas digitais, especialmente a mais perversa de todas, a Palantir (controlar todas pessoas de um país e usar a IA para a guerra) e  o sistema do cuidado do ser humano, de sua relação respeitosa para com a natureza e a confraternização universal entre os humanos e estes com o Todo.Toda sua reflexão pressupõe este enfrentamento atual. Toma partido claramente pelo cuidado, pelo amor desinteressado, pelo olhar das vítimas, dos pobres e oprimidos.

Apresenta-nos um texto contemporâneo, atualíssimo, com a linguagem de nosso tempo e por isso acessível a todos, sem sacrificar a gravidade e a profundidade das questões a serem pensadas, assumidas e encaminhadas de forma a gerarem esperança na possibilidade de um mundo diferente, afetuoso, amigo da natureza e aberto ao Infinito.

Concluindo podemos afirmar que o atual Papa, na esteira de Santo Agostinho e da grande tradição doutrinária da Igreja sobre as questões sociais (resumidas na encíclica MH nn.28-44), repropõe o tema da civilização do amor (termo cunhado pelo Papa Paulo VI). Ele assim a define:”consiste traduzir a caridade em estruturas de justiça, em dar corpo institucional à fraternidade e considerar o outro – seja pessoa ou povo – como um aliado necessário para a construção do bem comum…Só este amor pode gerar uma ordem internacional estável, transformando a convivência de uma simples coexistênia armada, numa comunidade de destino”(MH,186).

Leonardo Boff escreve para a revista digial LIBERTA do ICL (https://www.revistaliberta.com.br); escreveu também O cuidado necessário:na vida, na saúde,na educação, na ecologia, na ética e na espiritualidade, Vozes 2012 ((https://www.leonardoboff.org).

Wir haben das neue planetarische Bewusstsein noch nicht angenommen: Artemis II

Leonardo Boff

Die vielen Weltraumreisen, sechs bemannte Mondmissionen und weitere, die sogar unser Sonnensystem verlassen und die unendlichen Weiten des Universums durchquert haben, haben weder in der Menschheit im Allgemeinen noch – und erst recht nicht bei den Staats- und Regierungschefs – das daraus resultierende neue planetarische Bewusstsein geweckt. Wir leben weiterhin unter dem Regime der Nationalstaaten, jeder mit seinen Grenzen, die im Westfälischen Frieden von 1648 festgelegt wurden. Covid-19 hat sich nicht an die Grenzen der Nationen gehalten. Es hat alle betroffen. Die notwendigen Konsequenzen daraus wurden noch nicht gezogen. Die rücksichtslose und konsumorientierte Lebensweise ist mit noch größerer Wucht zurückgekehrt. Wir haben die Lehren, die uns Mutter Erde erteilt hat, nicht beherzigt.

Hinzu kommt die Tatsache, dass wir heutzutage Kriege um Territorien führen (Ukraine, Gazastreifen, Grönland und andere). Aus der Perspektive von Astronauten, wie einer der vier an Bord der Artemis-II-Raumsonde treffend bemerkte: „Von hier oben sind wir ein Volk.“ Diese Aussage entlarvt die Konflikte als absurd. Sie werden von grausamen und völkermörderischen Gestalten wie Netanjahu und Trump aufrechterhalten, die noch immer nicht begriffen haben, dass wir eine einzige Menschheit sind und die Erde unser einziges gemeinsames Zuhause ist, in dem Juden, Palästinenser und alle anderen ihren Platz finden.

Unvergesslich sind die Worte von Neil Armstrong, dem ersten Menschen, der am 20. Juli 1969 den Mond betrat: „Das ist ein kleiner Schritt für einen Menschen, aber ein Riesenschritt für die Menschheit.“ Und er fuhr fort: „Plötzlich bemerkte ich, dass diese kleine, wunderschöne blaue Erbse die Erde war … Mit meinem Daumen bedeckte ich die Erde vollständig.“

Wir haben weitere Aussagen von Astronauten aus Frank Whites Buch „Der Overview-Effekt“ (Boston 1987, ich besitze ein von ihm signiertes Exemplar) hinzugefügt: Astronaut Russell Schweickhart sagte: „Wenn man die Erde von außen betrachtet, erkennt man, dass alles, was einem wichtig ist – die ganze Geschichte, die Kunst, Geburt, Tod, Liebe, Freude und Tränen –, in diesem kleinen blau-weißen Punkt enthalten ist, den man mit dem Daumen bedecken kann. Und aus dieser Perspektive versteht man, dass sich alles in uns verändert hat, dass etwas Neues entsteht, dass die Beziehung nicht mehr dieselbe ist wie zuvor.“ (Der Overview-Effekt, S. 38)

Astronaut Gene Cernan berichtete: „Ich war der letzte Mensch, der im Dezember 1972 den Mond betrat. Von der Mondoberfläche aus blickte ich voller Ehrfurcht und Bewunderung auf die Erde vor dem tiefblauen Hintergrund. Was ich sah, war zu schön, um es zu begreifen, zu logisch, zu sinnvoll, um das Ergebnis eines bloßen kosmischen Zufalls zu sein. Man verspürte innerlich den Drang, Gott zu preisen. Gott muss existieren, denn er hat das erschaffen, was ich betrachten durfte.“ (ebd., S. 39)

Sigmund Jähn: „Politische Grenzen sind längst überwunden. Nationale Grenzen sind ebenfalls überwunden. Wir sind ein Volk, und jeder Einzelne trägt die Verantwortung für den Erhalt des fragilen Gleichgewichts der Erde. Wir sind ihre Hüter und müssen uns um unsere gemeinsame Zukunft kümmern“ (ebd., S. 43).

Diese scheinbar selbstverständlichen Ansichten wurden von Geopolitikern und Staatsoberhäuptern nie ernst genommen. Immanuel Kant (1724–1804), der die Erde nie von außerhalb gesehen hatte (er verließ seine Stadt Königsberg nie), betonte in seinem letzten Werk, „Vom ewigen Frieden“ (1795), dass die Erde der gesamten Menschheit gehört und ein Gemeingut für alle darstellt. Daher gibt es keinen Grund, um Land zu kämpfen, wenn uns alles gehört. Wir können in ewigem Frieden leben.

Doch wer in unserer Zeit den Bewusstseinswandel erkannte, der sich daraus ergab, dass wir die Erde von außerhalb der Erde sahen, war der produktive russische Schriftsteller Isaac Asimov, Autor von Hunderten wissenschaftlicher, aber dennoch populärwissenschaftlicher Bücher. Anlässlich des 25-jährigen Jubiläums der ersten Weltraumfahrt mit dem Sputnik am 4. Oktober 1957, die das Weltraumzeitalter einläutete, wurde er von der Zeitschrift New York Times gebeten, einen Artikel über das Vermächtnis dieser 25 Jahre zu schreiben. Er verfasste einen kurzen Artikel mit dem Titel „Sputnik’s Legacy: Globalism“: Das Vermächtnis des Sputnik: Globalismus.

Ich verfolge einige Themen, da sie aktuell sind, wenn auch wenig Beachtung finden.

„Das erste Wort, das man nennen muss, ist Globalismus. Selbst gegen unseren Willen“, erklärt Asimov, „müssen wir die Erde und die Menschheit als eine einzige Einheit betrachten.“ „Die Satelliten“, fährt er fort, „zeigen uns diese Einheit, ob wir es nun akzeptieren oder nicht. Zum ersten Mal in der Geschichte können wir Hurrikane und klimatische Störungen von Anfang bis Ende verfolgen.“ Die Medien verbinden uns weltweit miteinander und belegen damit den Globalismus (wir würden sagen: Globalisierung). Das ist die materielle Seite.

Doch es gibt auch die psychologische Seite: „Der Blick auf die Erde als Ganzes, auf den Planeten, zwingt uns, sie als klein und zerbrechlich zu empfinden. Die Aufteilung ihrer Oberfläche in Teile (Nationen), die als heilig gelten und um jeden Preis bewahrt werden müssen, selbst wenn dies die Zerstörung des Planeten bedeutet, ist willkürlich.“ Es kommt darauf an, das Ganze zu sehen, den Planeten.

Schließlich gibt es noch die Frage der Möglichkeiten. Das Weltraumzeitalter hat den Weg für neue Reisen geebnet und für die Erforschung der Zusammensetzung und Funktionsweise der Planeten. „All dies wäre ohne globale Zusammenarbeit unmöglich. Die Erforschung des Weltraums ist ein Projekt der gesamten Menschheit, und darin wird sich der Wert des Globalismus zeigen.“

Dennoch müssen wir uns zwischen dem Lokalen und dem Globalen entscheiden. „Der Lokalismus (die Nationen für sich genommen) kann unser Abdriften in eine letztendliche Zerstörung, ja sogar der Menschheit, beschleunigen. Der Globalismus bietet uns die Hoffnung auf eine größere, umfassendere und bessere Zivilisation, die vielseitiger und flexibler ist und uns aus der Gefangenschaft des Lokalen befreit.“ Wenn wir die Alternativen betrachten – Lokalismus als Tod versus Globalismus als Leben –, werden wir uns sicherlich für das Leben entscheiden. Das ist das Vermächtnis des Weltraumzeitalters.“

Heute erleben wir das Gegenteil von allem, was oben dargelegt wurde. Es herrscht die Selbstbehauptung der Nation (Nationalismus) vor, die sich gegen eine andere Nation richtet, wobei diese Bewegung auf nationaler und globaler Ebene meist von der Ideologie des Faschismus begleitet wird. Anstatt die Globalisierung (über ihre Reduzierung auf das Wirtschaftliche hinaus) als eine neue Phase der Erde und der Menschheit zu vertiefen (wir alle kehren aus der großen Zerstreuung zurück) und uns an einem gemeinsamen Ort, auf dem Planeten Erde, wiederzufinden,  fallen wir in eine Vergangenheit der Spaltungen, Gegensätze und Kriege zurück, in dem Bestreben, Gebiete zu erobern.

Aber ich glaube, dass das, was wahr ist, Kraft besitzt und sich letztendlich durchsetzen wird. Es wird den nationalistisch-faschistischen Rückschritt überwinden und den neuen Kurs der Erde und der Menschheit als eine einzige, große, komplexe Realität – unser gemeinsames Zuhause – stärken.

Leonardo Boff schreibt für die Zeitschrift LIBERTA des ICL (https:// http://www.revistaliberta.com.br

Er ist außerdem Autor des Buches „A Terra na palma da mão“, erschienen bei Vozes 2016 (https://www.leonardoboff.org).

Deutsche Übersetzung von Bettina Gold-Hacker

No asumimos la nueva conciencia planetaria:Artemis II


Leonardo Boff

Los numerosos viajes espaciales, seis de ellos tripulados a la Luna, y otros que incluso salieron de nuestro sistema solar y recorren el espacio ilimitado del universo, no han creado, en general en la humanidad y mucho menos en los dirigentes de los pueblos, la nueva conciencia planetaria que de allí se deriva. Seguimos viviendo bajo el régimen de los Estados-nación, cada uno con sus límites, definidos por el Tratado de Westfalia de 1648. La Covid-19 no respetó los límites de las naciones. Afectó a todos. De ello todavía no se han sacado las debidas consecuencias. El modo de vida depredador y consumista volvió con aún más furor. No se escucharon las lecciones que la Madre Tierra nos dio.

Se suma además el hecho de que en nuestros días tenemos guerras por territorios (Ucrania, Franja de Gaza, Groenlandia y otros). Vista desde la perspectiva de los astronautas, como bien observó uno de los cuatro de la nave espacial Artemis II: “desde aquí arriba somos un solo pueblo”. Esta afirmación vuelve ridículas esas disputas. Son sostenidas por crueles y genocidas como Netanyahu y Trump, que todavía no han descubierto que somos una sola especie humana y que la Tierra es nuestra única Casa Común, en la que caben judíos, palestinos y otros.

Inolvidables son las palabras de Neil Armstrong, el primero en pisar la Luna el 20 de julio de 1969: “Es un pequeño paso para un hombre, un gran salto para la Humanidad”. Y continuaba: “De repente noté que aquella pequeña y bella arveja azul era la Tierra… Con mi pulgar cubrí totalmente la Tierra”.

Demos algunos testimonios más de astronautas, reunidos en el libro de Frank White, The Overview Effect (Boston, 1987, tengo un ejemplar autografiado por él). Del astronauta Russell Schweickart: “La Tierra vista desde afuera: uno percibe que todo lo que le es significativo, toda la historia, el arte, el nacimiento, la muerte, el amor, la alegría y las lágrimas, todo eso está en ese pequeño punto azul y blanco que puedes cubrir con tu pulgar. Y desde esa perspectiva se entiende que todo en nosotros cambió, que empieza a existir algo nuevo, que la relación ya no es la misma que antes” (The Overview Effect, p. 38).

Del astronauta Gene Cernan: “Fui el último hombre en pisar la Luna en diciembre de 1972. Desde la superficie lunar contemplaba, con un temor reverencial, la Tierra sobre un fondo de azul muy oscuro. Lo que veía era demasiado bello para ser comprendido, demasiado lógico, lleno de propósito como para ser fruto de un mero accidente cósmico. Uno se sentía, interiormente, obligado a alabar a Dios. Dios debe existir por haber creado aquello que yo tenía el privilegio de contemplar” (op. cit., p. 39).

Sigmund Jähn: “Las fronteras políticas ya han sido superadas. También las fronteras de las naciones. Somos un solo pueblo y cada uno es responsable de mantener el frágil equilibrio de la Tierra. Somos sus guardianes y debemos cuidar el futuro común” (op. cit., p. 43).

Estas visiones, que parecen evidentes, nunca fueron tomadas en serio por la geopolítica ni por los jefes de Estado. Incluso sin haber visto la Tierra desde fuera (nunca salió de su ciudad, Königsberg), Immanuel Kant (1724–1804), en su última obra La paz perpetua (1795), enfatizó que la Tierra pertenece a toda la humanidad y constituye un bien común de todos. No habría, entonces, razón para luchar por territorios si todo es de todos. Podríamos vivir en una paz perpetua.

Pero quien, en nuestro tiempo, tomó conciencia de este cambio a partir del hecho de ver la Tierra desde fuera, fue el prolífico escritor ruso Isaac Asimov, autor de cientos de libros de contenido científico, aunque de divulgación. Con motivo de los 25 años del lanzamiento del Sputnik, el 4 de octubre de 1957 —que inauguró la era espacial—, fue invitado por el New York Times a escribir un artículo sobre el legado de ese acontecimiento. Redactó un breve texto titulado “Sputnik’s Legacy: Globalism” (“El legado del Sputnik: el globalismo”).

Retomo algunos puntos, porque siguen siendo actuales, aunque poco considerados.

“La primera palabra que hay que decir es globalismo. Incluso contra nuestra voluntad”, afirma Asimov, “debemos considerar la Tierra y la humanidad como una única entidad (single entity)”. “Los satélites —continúa— muestran ese ser único (unit), lo aceptemos o no. Por primera vez en la historia podemos identificar los huracanes y las perturbaciones climáticas desde su inicio hasta su fin. Los medios de comunicación nos conectan globalmente unos a otros, comprobando el globalismo (lo que hoy llamaríamos globalización). Ese es el lado material.

Pero hay también un lado psicológico: “La visión de la Tierra como un todo, como esfera planetaria, nos obliga a sentirla como pequeña y frágil. Es arbitraria la división de su superficie en porciones (naciones), consideradas sagradas, que deben preservarse a cualquier costo, incluso si ello implica la destrucción del planeta”. Lo importante es ver el todo, el planeta.

Por último, está el lado de las potencialidades. La Era Espacial abrió el camino para nuevos viajes y para descubrir cómo están compuestos los planetas y cómo funcionan. “Todo esto será imposible sin una cooperación global. El desarrollo del espacio es un proyecto de la humanidad en su conjunto, y en ello se mostrará el valor del globalismo”.

Sin embargo, debemos hacer una elección entre lo local y lo global. “El localismo (las naciones consideradas en sí mismas) puede acelerar nuestra deriva hacia una eventual destrucción, incluso de la propia humanidad. El globalismo nos ofrece la esperanza de una civilización mayor, más amplia y mejor, con mayor versatilidad y flexibilidad, liberándonos del encierro de lo local”. Si consideramos las alternativas —localismo como muerte frente a globalismo como vida—, seguramente elegiremos la vida. Ese es el legado de la Era Espacial”.

Hoy estamos viviendo lo contrario de todo lo que se expresó anteriormente. Predomina la afirmación de la nación (nacionalismo) en oposición a otras naciones, con la ideología del fascismo acompañando frecuentemente este movimiento, tanto a nivel nacional como mundial. En lugar de profundizar la globalización —más allá de su reducción a lo económico— como una nueva etapa de la Tierra y de la humanidad (todos estamos regresando de una gran dispersión) y reencontrándonos en un mismo lugar, el planeta Tierra, hemos retrocedido hacia un pasado de divisiones, oposiciones y guerras, en el afán de conquistar territorios.

Sin embargo, creo que lo que es verdadero tiene fuerza y termina imponiéndose. Superará esta regresión nacionalista y fascista, y reforzará un nuevo rumbo para la Tierra y la humanidad como una única y compleja realidad: nuestra Casa Común.

Leonardo Boff escribe para la revista del ICL LIBERTA ( https:// www.revistaliberta.com.br; y es autor también de La Tierra en la palma de la mano (Vozes, 2016) (https://www.leonardoboff.org)