Por que este é o momento mais perigoso para a humanidade?

É um dever ético dos cidadãos conscientes, especialmente dos intelectuais, manter a humanidade informada sobre os riscos que pesam sobre ela. A insensatez da razão instrumental-analítica, criou o princípio de auto-destruição. Ela pode por fim a si mesma por muitas formas diferentes com armas químicas, biológicas e termo-nucleares. Elas não constituem uma possibilidade linginqua. São realidades já montadas e prontas para serem atividas pela arrogância e o espírito belicoso e suicidário dos portadores de poder das nações. O prêmio Nobel de Economia Paul Krugman alertou várias vezes que o atual presidente norte-americano é um perigo não somente para os EUA mas para toda a Humanidade. Ele é alguém que possui um ego tão inflado que perdeu o sentido dos limites. Ameaça pulverizar com armas nucleares toda aa Coreia do Norte. Tal intento, se ainda for respondido por aquele pais, poderá significar não apenas o fim de nossa civilização mas também o fim trágico da espécie humana e de grande parte da carga biótica do planeta Terra. Vivemos tempos de Noé. Com uma diferença. Desta vez não há uma Arca de Noé que salve alguns e deixa perecer os demais. Todos poderemos ter o mesmo fim sinistro, frustrando o plano divino da criação. É pela consciência deste risco que publico neste blog o resmo do livro de Michael Rampino, The Global Catasthrofic Risks pelo IHU, um instrumento de grande atualização a nível mundial . O texto apareceu no dia 07 Novembro 2017  no Instituto Humanístic de Unisinos (IHU). Chegou  o momento de pensar, de mudar de comportamento e de rezar ao Deus da vida para que não sejamos surpreendidos por semelhança desgraça. Se um dia assassinamos o Filho de Deus quando se encarnou entre nós (o crime maior da história) não é impossível que o ser humano, inadvertidamente ponha fim à sua existência sobre esse pequeno e belo planeta, nossa Casa Comum: LBoff

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A humanidade já esteve a ponto de desaparecer. Foi depois da terrível erupção vulcânica de Toba, na Indonésia, há 75.000 anos. Esta enorme erupção lançou tal quantidade de materiais na atmosfera que causou “efeitos comparáveis aos cenários de inverno nuclear”. “A população humana parece ter passado pelo gargalo da garrafa neste momento; de acordo com algumas estimativas, caiu para cerca de quinhentas fêmeas reprodutoras em uma população mundial de aproximadamente 4.000 indivíduos”, explica Michael Rampino no livro Global Catastrophic Risks (Riscos Catastróficos Globais). “Talvez este tenha sido o pior desastre que já recaiu sobre a espécie humana, pelo menos se a gravidade for medida por quão próximo o resultado esteve do terminal”, destaca.

A reportagem é de Javier Salas, publicada por El País, 06-11-2017.

É mais provável que morramos no fim do mundo que em um ataque terrorista ou em um acidente de avião

Segundo a teoria da catástrofe de Toba, a cinza da erupção bloqueou a entrada de luz solar e as temperaturas caíram rapidamente, tornando as condições de vida extremamente difíceis, o que levou os seres humanos à beira da extinção. Uma espécie hoje decisiva na história da Terra, capaz de deixar marca na escala geológica, e que agora corre o risco de passar pelo gargalo da garrafa de maneira semelhante, já que estamos a apenas dois minutos e meio do apocalipse.

De acordo com o relógio simbólico do fim do mundo, criado pelo Boletim dos Cientistas Atômicos, chegar à meia-noite significa o abismo, e as condições atuais da humanidade nos levaram às 23h57 e 30 segundos. É o ponto mais próximo do cataclismo final, desde que a ex-URSS e os EUA exibiram seu poderio termonuclear em 1953. A instável e atrevida gestão do poder atômico mostrada por Donald Trump, juntamente com as mudanças climáticas, levou este painel de cientistas, que conta com 15 prêmios Nobel, a adiantar o relógio — que em 1991 estava a 17 minutos do juízo final. Antes do relógio ser criado, há 70 anos, ninguém poderia imaginar a humanidade se autodestruindo, e a ideia de que a raça humana poderia desaparecer era tão remota quanto um supervulcão ou um gigantesco meteorito.

Mas vivemos em tempos voláteis, embora não vejamos isso. É mais provável que morramos no fim do mundo, durante o hipotético evento que acaba com a humanidade, do que em um ataque terrorista ou em um acidente de avião. Estamos bem perto, segundo alguns dos acadêmicos dedicados a estudar os riscos existenciais, aqueles que comprometem nossa viabilidade como espécie. Como chegaremos em 2050?

Poucos se dão conta de que a ameaça de um holocausto nuclear é muito maior hoje do que foi durante a maior parte da Guerra Fria

“A maioria das pessoas não está ciente do perigo”, afirma Phil Torres, autor do recém-publicado Moral Bioenhancement and Agential Risks: Good and Bad Outcomes, da Pitchstone (numa tradução livre, Moralidade, Previsão e Prosperidade Humana: Riscos Existenciais). “Poucos se dão conta de que a ameaça de um holocausto nuclear é muito maior hoje do que foi durante a maior parte da Guerra Fria. E o negacionismo climático continua sendo inaceitavelmente generalizado, em especial entre os republicanos nos Estados Unidos”, acrescenta Torres. Para este especialista, um dos maiores desafios é encontrar a maneira de não paralisar a população ao difundir o que disse recentemente Stephen Hawking: que este é o momento mais perigoso da história da humanidade.

De conscientizar sobre os riscos Teresa Ribera entende bastante. É considerada uma das artífices do Acordo de Paris, especialista nas mudanças climáticas, sem dúvida um dos maiores perigos que teremos de combater em 2050. “É particularmente delicada a situação de populações vulneráveis em países em desenvolvimento nos quais a falta de solidariedade internacional e as dificuldades intrínsecas para fazer frente a cenários de mudanças climáticas severas causam deslocamentos e sofrimento e, com isso, instabilidade local e mundial”, observa Ribera, diretora do Instituto para o Desenvolvimento Sustentável e as Relações Internacionais.

Deter as mudanças globais do clima

Ribera projeta dois cenários bem diferentes para 2050. Por um lado, um de mudanças climáticas intensas, sem mais redução de emissões que a da inércia, com mudanças de uso de solo aceleradas e sem estratégias de adaptação: “Estaríamos nos aproximando de um cenário Mad Max: um mundo cheio de conflitos por acesso a recursos básicos, com injustiças e fragilidades que alimentariam populismos e reações violentas. Um mundo no qual a fragilidade dos ecossistemas e a virulência dos impactos das mudanças climáticas dificultariam a segurança alimentar, inundariam zonas baixas densamente povoadas, deixariam fora de serviço a infraestrutura básica de mobilidade, energética ou de fornecimento de água, além de provocar verões de cinco meses, muito mais dias acima de 40ºC e com mínimas não inferiores a 25ºC e incêndios cada vez maiores e virulentos em climas mediterrâneos como o espanhol”.

Stephen Hawking acredita que este é o momento mais perigoso da história da humanidade

Por outro lado, um cenário no qual adotaríamos todas as medidas para conseguir uma economia baixa em carbono: “Não poderíamos escapar de muitos dos efeitos que a inércia do sistema climático nos impõe, mas, sim, evitar os mais graves, as enormes consequências da falta de preparo e uma normalização progressiva para o futuro de nossos netos”. Ribera acredita que nos movemos peto desse segundo cenário, se bem que “é provável que não obtenhamos o melhor em redução de emissões nem com a aplicação das medidas que nos ajudem a estar preparados para os impactos”.

As mudanças climáticas são a maior ameaça para a saúde do século XXI, segundo um relatório da The Lancet e Nações Unidas. Nas grandes cidades do planeta, as inundações severas se duplicarão em 2050 enquanto 4 bilhões de pessoas sofrerão com problemas de acesso a água. Nessa data, dobrará o número de mortes decorrentes do ar poluído em boa parte dos países em desenvolvimento. As populações urbanas expostas aos furacões chegarão a 680 milhões de pessoas. Mais de 1 bilhão de pessoas padecerá com as ondas de calor (em 2015 foram 175 milhões), sendo particularmente letais para crianças pequenas e idosos, que constituirão grande parte da população em alguns países.

Se as tendências atuais persistirem, em 2050 haverá mais quilos de plástico que de peixes no mar. Nesse ano, milhões de pessoas em todo o mundo não poderão ter acesso aos peixes como fonte básica de proteínas; pode ser que em 2048 já não contemos com outros alimentos de origem marinha selvagem, segundo um estudo publicado na Science. No entanto, será preciso aumentar em 70% a disponibilidade de alimentos para satisfazer as demandas dos mais de 9 bilhões de humanos povoando o planeta. A África terá que triplicar sua produção agrícola para poder atender às necessidades de uma população que terá duplicado, enquanto os rendimentos agrícolas cairão 20% em razão dos efeitos do aquecimento. “Nos próximos 50 anos será necessário produzir mais alimentos no planeta que os produzidos nos últimos 400 anos, com a restrição adicional de garantir que os limites planetários cruciais para o meio ambiente não sejam sobrepujados no processo”, resumia The Lancet.

Se não houver intervenção contra as mudanças climáticas nos aproximaríamos de um cenário Mad Max: um mundo cheio de conflitos por acesso a recursos básicos, com injustiças e fragilidades que alimentariam reações violentas

Embora Torres considere que hoje os riscos mais preocupantes sejam decorrentes das mudanças climáticas e um conflito nuclear, acredita que há “uma série de perigos ainda mais sinistros no horizonte”, associados com tecnologias emergentes que poderiam permitir aos terroristas criar novos tipos de patógenos ou construir grandes arsenais de armas, inclusive os derivados de uma superinteligência artificial. Para 2050, este especialista fala do risco de uma pandemia, do aumento de conflitos pelas mudanças climáticas, da perda de biodiversidade mundial –“estamos nas primeiras etapas do sexto evento de extinção maciça em 3,8 bilhões de anos, e a causa é a atividade humana”. “Mas o risco existencial mais preocupante antes de 2050 envolve um ator maligno que usa biologia sintética ou nanotecnologia avançada para infligir dano global à humanidade”, afirma. E acrescenta: “É bastante inquietante imaginar pessoas como Ted Kaczynski [o Unabomber] ou algum combatente apocalíptico do Estado islâmico tendo acesso às tecnologias de amanhã”.

Os teóricos dos riscos existenciais da humanidade falam dos perigos que representam atores decisivos: desde o líder carismático de uma potência atômica a um terrorista global, passando por um erro humano que provoque um desastre inesperado. Sabendo que as decisões dos próximos 50 anos marcarão os próximos 10.000, há um ator que aparece como determinante; Donald Trump. “As políticas climáticas imprudentes de Trump, sua retórica incendiária sobre a Coreia do Norte e o terrorismo islâmico estão contribuindo para uma situação de segurança global mais precária”, afirma Torres, diretor do Projeto para a Futura Prosperidade Humana. “Nunca estivemos em uma situação como esta. Agora mais que nunca necessitamos de sabedoria e visão de futuro. No entanto, temos Trump no Salão Oval, respaldado por um poderoso partido político que continua ignorando as terríveis advertências dos cientistas”, lamenta.

Escute o coração e nunca será defraudado

Escute o coração e nunca serás defraudado

A Bodisatva continua a série de entrevistas em diálogos inter-religiosos com o teólogo que moveu a discussão sobre como a prática cristã pode colaborar com a liberdade humana

Por

Revisão: Moisés Costa

Na década de 80, ele foi condenado a um ano de silêncio pelo ex-Santo Ofício por suas teses defendidas no livro Igreja: carisma e poder. É um dos iniciadores da Teologia da Libertação no Brasil, que defende a libertação dos oprimidos, dos pobres e dos injustiçados.

O decisivo é que o fato da libertação real ocorra. Mas sempre haverá espíritos atentos que ouvirão o grito do oprimido e da Terra devastada e que se perguntarão: com aquilo que aprendemos de Jesus, dos Apóstolos e da doutrina cristã de tantos séculos, como podemos dar a nossa contribuição ao processo de libertação?”, fala Leonardo Boff na nossa seção de conversas na Bodisatva, onde nos propomos a abrir espaço para o diálogo inter-religioso.

Boff, conhecido como professor e conferencista no país e no exterior nas áreas de teologia, filosofia, ética, espiritualidade e ecologia, moveu, no Brasil, a discussão sobre como a prática cristã gerada pelo potencial espiritual herdado de Jesus pode colaborar, junto com outros grupos humanitários, para a libertação necessária.

Autor de cerca de sessenta livros, ele participa atualmente do grupo de reforma da ONU, especialmente dedicado à Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade.

Conversamos com ele sobre economia, compaixão e sabedoria.

B- Quais seriam os caminhos para uma economia sustentável e uma boa relação com a natureza?

O caminho mais factível para uma sustentabilidade que mereça este nome é seguir o biorregionalismo. Quer dizer, tomar a região como referência e ver como os bens e serviços ecológicos próprios da região podem atender as demandas da população, organizar pequenas cooperativas, incentivar a produção orgânica e integrar o lado cultural, os valores e tradições locais. Aí surge um sentimento de pertença e relações mais inclusivas.

B- Existe conciliação entre obsolescência programada e decrescimento econômico?

A obsolescência programada é um recurso que o sistema imperante inventou para continuar a produzir e a vender e assim manter o sistema ativo. O decrescimento só tem sentido em sociedades que já alcançaram sua autonomia e não precisam mais organizar a infraestrutura já universalizada para todos. Nós, pobres, precisamos de desenvolvimento (mais escolas, infraestrutura, postos de trabalho, etc), os ricos lhes basta a prosperidade que se expressa realizando valores humanitários, de arte, de cuidado para com a natureza, cultivo de intercâmbios, solidariedade para com os que menos têm em outras regiões.

B- Quais as origens do medo, como os seus aspectos são utilizados na nossa sociedade e como atravessá-los com lucidez?

O medo pertence à vida, porque ela é sempre ameaçada por algum imprevisto. Superamos o medo incorporando-o para não depender dele e alimentamos a coragem de viver e de superar obstáculos.

B- O senhor declarou que os dois homens santos do nosso tempo são o Papa Francisco e o Dalai Lama. Quais as relações que o senhor poderia fazer entre um e outro?

O Papa Francisco e o Dala Lama são homens do Espírito. Falam para o profundo humano ao falar do amor incondicional, de solidariedade e compaixão para com os que sofrem e de busca permanente da superação dos instintos de violência, cultivando uma cultura da paz. Ambos tornam real o mundo espiritual dentro de uma sociedade materializada e que perdeu o sentido da fraternidade universal e o fato de vivermos todos juntos na mesma Casa Comum que devemos cuidar e amar como cuidamos e amamos nossas mães.

B- O senhor poderia falar mais sobre a visão política do Papa Francisco e como foi possível ele transitar por dentro das regras do Vaticano?

O Papa faz a política do óbvio, política como a convivência pacífica entre todos e a capacidade de se solidarizar com os que vivem invisíveis e à margem. Ele fez uma opção pelos mais pobres como eixo orientador de tudo. A própria Igreja como um hospital de campanha que se coloca a serviço de todos, especialmente dos mais vulneráveis. Ele sempre viveu assim na Argentina. E levou esse modo de ser e de pensar para dentro das estruturas seculares e rígidas do Vaticano. Com isso, ele escandalizou a muitos, mas ganhou o reconhecimento universal. Ambos, Francisco e o Dalai Lama, são as figuras mais respeitáveis, seja no campo político, seja no campo religioso.

B- No budismo, fala-se em aliar compaixão e sabedoria para termos lucidez. Qual a importância da prática da compaixão e da sabedoria?

A compaixão é a virtude pessoal de Buda. É a capacidade de colocar-se no lugar do outro. Se ele está caído, ajudá-lo a levantar-se; se está triste, dizer-lhe palavras de consolo. Nunca permitir que quem sofre se sinta sozinho. Mas sempre estar do lado dele. O terrível do sofrimento não é o sofrimento, mas a solidão no sofrimento. A sabedoria vem da coerência na vida com tais atitudes.

Sábio é aquele que sempre está aberto a aprender e acolher a vida assim como ela nos chega a nós. Acolhê-la e saber tirar as lições que ela nos dá.

B-Como caminhar com autonomia na nossa sociedade?

Caminhamos com autonomia sendo autônomos. Quer dizer não seguir as modas, sejam filosóficas, sejam espirituais, sejam do consumo e do entretenimento. Seguir o chamado de seu coração. Se escutar o coração, nunca será defraudado.

B- Como recobrar nossa vida afetiva e as relações com os seres humanos e a natureza?

Além da razão intelectual, importante para organizar as práticas da vida, precisamos resgatar e viver a razão cordial, a capacidade de sentir profundamente o outro e as mensagens que nos vem de todos os lados. No coração reside a ética, os valores que dão orientação na vida, o amor e a espiritualidade. Não basta conhecer, temos que sentir o outro, fazer do sofrimento da natureza o nosso próprio sofrimento e alimentar laços de inclusão de todos, sem excluir ninguém.

B- O senhor poderia nos enviar uma mensagem sobre bondade amorosa, amor e alegria?

Vivemos uma única vez neste mundo. Por isso, importa viver com aqueles valores, projetos e sonhos que nos fazem mais humanos. Tornamo-nos mais humanos, quando amamos sem medo, nos solidarizamos com as causas que têm a ver com a justiça dos pobres e oferecemos o ombro a todos os que sentem necessidade de serem reforçados em suas dificuldades.

Viver a liberdade de espírito, a qual é o maior dom que podemos elaborar em nossa vida. A liberdade de espírito supera os superegos que nos limitam, os medos que nos freiam e nos abre o espaço para exercer nossa criatividade, nossa capacidade de nos relacionar com as mais diferentes pessoas e situações, sempre abertos a aprender, a se corrigir e a vida melhor e mais leve, para si e para os outros.


Noi facciamo ammalare la Terra e lei fa ammalare noi

In un modo o nell’altro, noi soffriamo di dolori fisici, psichici e spirituali. C’è tanta sofferenza, abbandono, tristezza e delusione che colpiscono gran parte dell’umanità. L’abbiamo già detto: dalla recessione economica, siamo passati alla depressione psicologica. La causa principale deriva dall’intrinseca relazione tra l’essere umano e la Terra viva. Tra i due esiste un forte nesso di coinvolgimento reciproco.

La nostra presenza sulla Terra è aggressiva, noi moviamo una guerra totale a Gaia, attaccandola su tutti i fronti. La conseguenza diretta è che la Terra si ammala. Lei lo dimostra con la febbre (riscaldamento globale), che non è una malattia ma ci addita una malattia al traguardo: la sua incapacità di continuare a offrirci tutto quello di cui abbiamo bisogno. A partire dal 2 settembre del 2017 è avvenuto il Sovraccarico della Terra, cioè, per le riserve della Terra siamo arrivati in fondo al pozzo. Siamo al semaforo rosso. Per avere il necessario e, peggio, per mantenerci il consumo allegro e lo spreco dei paesi ricchi, dobbiamo strappare con la forza i beni e i servizi naturali per soddisfare la domanda. Fino a quando la Terra ce la farà? La conseguenza sarà che avremo meno acqua, meno nutrienti, meno raccolti e meno prodotti indispensabili alla vita.

Noi, d’accordo con la nuova cosmologia, formiamo una grande unità, una vera entità unica con la Terra, subiamo le tesse malattie della Terra. A causa dell’aggressione degli ecosistemi e a causa del consumismo, e per la mancanza di attenzione alla vita e alla biodiversità, facciamo ammalare la Terra.

Isaac Asimov, scienziato russo, famoso per i suoi libri di divulgazione scientifica, ha scritto un articolo, su richiesta della rivista New York Times (il giorno 9 ottobre 1972) in occasione della celebrazione dei venticinque anni dal lanciamento dello Sputnik che ha inaugurato l’era spaziale, sull’eredità di questo quarto di secolo spaziale.

Il primo lascito, ha detto lui, è la percezione che nella prospettiva delle navi spaziali, la Terra e l’umanità formano una unica entità, cioè un unico essere, complesso, diverso, contraddittorio e dotato di grande dinamismo, chiamato dal noto scienziato James Lovelock, Gaia. Siamo quella porzione della Terra che sente, pensa, ama e cura.

Il secondo lascito a detta di Asimov, è l’irruzione della coscienza planetaria: Terra e Umanità hanno un destino comune. Quello che sente uno si trasmette anche agli altri. Si ammala la Terra, si ammala insieme all’essere umano, e se si ammala l’essere umano si ammala anche la Terra. Siamo uniti nel bene e nel male.
Succede anche l’inverso: tutte le volte che ci mostriamo bene in salute curando meglio tutto, ricuperando la vitalità degli ecosistemi, migliorando i nostri alimenti organici, disinquinando l’atmosfera, rispettando le acque e le foreste è segno che noi stiamo rivitalizzando la nostra Casa Comune.

Secondo Ilya Prigogine, scienzato russo-belga, premio Nobel per la chimica (1977) la Terra viva ha sviluppato strutture dissipative, cioè strutture che disperdono l’entropia (perdita di energia).Queste metabolizzano il disordine e i rifiuti del caos dell’ambiente in modo che sorgono nuovi tipi di ordini e strutture complesse che si auto-organizzano, sottraendosi all’entropia e, positivamente, producendo sintropia (accumulazione di energia: Order out of Chaos, 1984).

Così per esempio i fotoni del sole sono secondo lui inutili, energia che sfugge quando si brucia idrogeno grazie al quale vive. Questi fotoni che sono disordine servono come alimento per la Terra, soprattutto per le piante quando queste processano la fotosintesi. Attraverso la fotosintesi , le piante, sotto la luce solare, scompongono il biossido di carbonio, che per loro è alimento e liberano ossigeno, necessario per la vita animale e umana.

Quel che è disordine per qualcuno serve da ordine per un altro. E’ attraverso un equilibrio precario tra ordine e disordine (Caos: Dupuy, Ordres et Désordres, 1972) che la vita si mantiene (Ehrlich, Il meccanismo, della natura, 1993).

Il disordine obbliga a creare nuove forme di ordine più profonde e complesse con minore spreco di energia. A partire da questa logica, l’universo cammina verso forme sempre più alte e complesse e così prepara una riduzione dell’entropia (consumo di energia).

A livello umano e spirituale si originano forme di relazioni e di vita nelle quali predomina la sintropia (economia di energia) sull’entropia (consumo di energia). La solidarietà, l’amore, il pensiero, la comunicazione sono energie fortissime con scarso livello di entropia e alto livello di sintropia. In questa prospettiva abbiamo davanti non la morte termica, ma la trasfigurazione del processo cosmogenico mostrandosi in ordini supremamente ordinati, creativi e vitali.

Quanto più le nostre relazioni con la natura saranno amichevoli e, da parte nostra, cooperative, tanto più la Terra si rivitalizza. Una Terra sana trasmette anche a noi buona salute.

*Leonardo Boff, ecoteologo, filosofo ha scritto Opzione terra: la soluzione della terra non cade dal cielo. Record 2009.

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato.

Il senso della vita non è andato perduto

Chi osserva il panorama brasiliano alla luce di una prospettiva etica (ogni ottica produce la sua etica) non può non rimanere desolato e profondamente rattristato. Un presidente non è soltanto il portatore del potere supremo di un paese. La carica che occupa possiede una carica etica. Lui deve testimoniare, con la sua vita e la sua condotta, i valori che pretende dal suo popolo.

Qui abbiamo il contrario: un presidente giudicato corrotto, non da accuse di politici, e neanche da delazioni, sempre discutibili, ma da accurate indagini della Polizia Federale e di altri organi come il Pubblico Ministero. Ma la smisurata vanità della carica e l’assenza totale di rispetto davanti al proprio paese rimane alla base della corruzione fatta alla luce del sole, comprando voti di deputati e offrendo altri benefit. E i deputati, gaiamente, si lasciano corrompere, dato che molti sono corrotti, approfittano delle occasioni, per conquistare incarichi e altri benefici.

La Repubblica si è incancrenita interamente. Dobbiamo rifondare il Brasile sopra altre basi, dato che quelle che finora lo hanno sostenuto malamente, ormai non riescono a darle degna sostenibilità.

A dispetto di tutto questo, non lasciamo morire la speranza, anche se in questo momento, come dice Rubem Alves, si tratta di una “speranza agonizzante”. Ma risusciterà e dopo questa agonia ci riscatterà un senso di vivere. Se perdiamo il senso della vita, il prossimo passo, potrebbe essere il cinismo completo, o addirittura il suicidio. Ritorniamo al problema del senso della vita.
Nonostante la disperazione e l’esistenza dell’assurdo davanti al quale la stessa ragione si arrende, crediamo ancora nella bontà fondamentale della vita.

L’uomo comune, (noi che siamo la grande maggioranza) si alza, perde tempo prezioso della vita negli autobus strapieni, va al lavoro, non raramente penoso e mal remunerato, lotta per la famiglia, si preoccupa dell’educazione dei suoi figli, sogna un Brasile migliore, è capace di gesti generosi, aiutando un vicino più povero di lui, in casi estremi rischia la vita, per salvare una bambina innocente minacciata di stupro.

Che cosa si nasconde dietro a questi gesti quotidiani e banali? Si nasconde la fiducia che nonostante tutto vale la pena vivere perché la vita, nel suo profondo è buona ed è stata fatta per essere vissuta con coraggio, che produce autostima e senso di valore.

C’è una sacralità che proviene non da un simbolo religioso ma sotto la prospettiva dell’etica, per vivere correttamente e di fare quel che deve essere fatto. Il grande sociologo austriaco-nordamericano, Peter Berger, da poco scomparso, ha scritto un brillante libro relativizzando la tesi di Max Weber sulla secolarizzazione completa della vita moderna col titolo ll brusio degli angeli. Il sacro nella società contemporánea (Mulino 21995). dove descrive innumerevoli segnali ( che lui chiama “rumore di angeli”) che mostrano il sacro della vita il senso che essa custodisce, a dispetto di tutto il caos e dei controsensi storici.

Sviluppo solo un esempio che mi viene in mente, banale ma compreso da tutte le mamme che allevano figli con grazia e dolcezza. Uno di questi si sveglia di soprassalto in piena notte. Ha avuto un incubo, percepisce l’oscurità si sente solo e preso da paura. Con un grido chiama la mamma. Lei si alza, prende il bambino tra le braccia e in questo gesto primordiale della magna mater lo circonda di carezze e baci. Gli dice parole dolci e gli sussurra: “bambino mio, non aver paura, la tua mamma è qui. Tutto a posto, tutto è in ordine, mio caro”. Il bambino smette di piangere. Riprende la fiducia anche se è buio e un poco alla volta, si addormenta rasserenato e riconciliato con le cose.

Questa scena tanto comune nasconde qualcosa di profondo che appare nella domanda: la mamma sta ingannando il bambino? Il mondo non è in ordine, le cose non sono tutte a posto. E nonostante questo stiamo certi che nonostante il disordine che la ragione pratica indica, rimane al comando un ordine suo fondamentale. Il noto pensatore Eric Voegelin (Order and History, 1956) ha mostrato magistralmente che ogni essere umano possiede una tendenza essenziale all’ordine. In qualunque posto dove nasce un essere umano, lì appare un ordine delle cose, di valori e di specifici comportamenti.

La tendenza all’ordine implica convinzioni che la vita ha senso. Che in fondo alla realtà non impera la menzogna, ma la fiducia, il conforto e l’ultima accoglienza.

Così noi crediamo che il tempo della grande desolazione a causa della corruzione che distrugge l’ordine, torneremo a celebrare e a sfruttare il senso buono dell’esistenza.

*Leonardo.Boff ha scritto: Continuare la rifondazione o prolungare la dipendenza? Uscirà tra breve per i tipi della Vozes.

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato.