BOAS-VINDAS AO PAPA CHICO: Frei Betto

Frei Betto é um dos religiosos (é dominicano) mais comprometidos com as transformações no Brasil. Acompanha os movimentos sociais de base especialmente as Comunidades Eclesiais de Base. Teve o mérito de ter sido um dos implantadores do projeto inicial do Governo Lula da Fome Zero acompanhada do projeto Talher dedicado à educação. Junto do pão deveria chegar tambem a instrução. Foi prisioneiro político por 4 anos e escreveu o belíssimo livro Batismo de Sangue, transformado em filme. Essa saudação expressa o sentimento de muitos cristãos comprometidos, especialmente jovens. Por o publico aqui no meu blog: Lboff

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Querido papa Francisco, o povo brasileiro o espera de braços e coração abertos. Graças à sua eleição, o papado adquire agora um rosto mais alegre.

O senhor incutiu em todos nós renovadas esperanças na Igreja Católica ao tomar atitudes mais próximas ao Evangelho de Jesus que às rubricas monárquicas predominantes no Vaticano: uma vez eleito, retornou pessoalmente ao hotel de três estrelas em que se hospedara em Roma, para pagar a conta; no Vaticano, decidiu morar na Casa Santa Marta, alojamento de hóspedes, e não na residência pontifícia, quase um palácio principesco; almoça no refeitório dos funcionários e não admite lugar marcado, variando de mesa e companhias a cada dia; mandou prender o padre diretor do banco do Vaticano, envolvido em falcatrua de 20 milhões de euros.

Em Lampedusa, onde aportam os imigrantes africanos que sobrevivem à travessia marítima (na qual já morreram 20 mil pessoas) e buscam melhores condições de vida na Europa, o senhor criticou a “globalização da indiferença” e aqueles que, no anonimato, movem os índices econômicos e financeiros, condenando multidões ao desemprego e à miséria.

Um Brasil diferente o espera. Como se Deus, para abrilhantar ainda mais a Jornada Mundial da Juventude, tivesse mobilizado os nossos jovens que, nas últimas semanas, inundam nossas ruas, expressando sonhos e reivindicações. Sobretudo, a esperança em um Brasil e um mundo melhores.

É fato que nossas autoridades eclesiásticas e civis não tiveram o cuidado de deixá-lo mais tempo com os jovens. Segundo a programação oficial, o senhor terá mais encontros com aqueles que ora nos governam ou dirigem a Igreja no Brasil do que com aqueles que são alvos e protagonistas dessa jornada.

Enquanto nosso povo vive um momento de democracia direta nas ruas, os organizadores de sua visita cuidam de aprisioná-lo em palácios e salões. Assim como seus discursos sofrem, agora, modificações em Roma para estarem mais afinados com o clamor da juventude brasileira, tomara que o senhor altere aqui o programa que lhe prepararam e dedique mais tempo ao diálogo com os jovens.

Não faz sentido, por exemplo, o senhor benzer, na prefeitura do Rio, as bandeiras dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. São eventos esportivos acima de toda diversidade religiosa, cultural, étnica, nacional e política.

Por que o chefe da Igreja Católica fazer esse gesto simbólico de abençoar bandeiras de dois eventos que nada têm de religioso, embora contenham valores evangélicos por zerar divergências entre nações e promover a paz? Talvez seja o único momento em que atletas da Coreia do Norte e dos EUA se confraternizarão.

Como nos sentiríamos se elas fossem abençoadas por um rabino ou uma autoridade religiosa muçulmana?

Nos pronunciamentos que fará no Brasil, o senhor deixará claro a que veio. Ao ser eleito e proclamado, declarou à multidão reunida na Praça de São Pedro, em Roma, que os cardeais foram buscar um pontífice “no fim do mundo.”

Tomara que o seu pontificado represente também o início de um novo tempo para a Igreja Católica, livre do moralismo, do clericalismo, da desconfiança frente à pós-modernidade.  Uma Igreja que ponha fim ao celibato obrigatório, à proibição de uso de preservativos, à exclusão da mulher do acesso ao sacerdócio.

Igreja que reincorpore os padres casados ao ministério sacerdotal, dialogue sem arrogância com as diferentes tradições religiosas, abra-se aos avanços da ciência, assuma o seu papel profético de, em nome de Jesus, denunciar as causas da miséria, das desigualdades sociais, dos fluxos migratórios, da devastação da natureza.

Os jovens esperam da Igreja uma comunidade alegre, despojada, sem luxos e ostentações, capaz de refletir a face do Jovem de Nazaré, e na qual o amor encontre sempre a sua morada.

Bem-vindo ao Brasil, papa Chico! Se os argentinos merecidamente se orgulham de ter um patrício como sucessor de Pedro, saiba que aqui todos nos contentamos em saber que Deus é brasileiro!

Frei Betto é escritor, autor de “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros.

Die Kunst der Achtsamkeit in der Krankenpflege

 

Während der letzten Jahre habe ich ausführlich über das Thema “Achtsamkeit” geschrieben, vor allem in dem Buch “Achtsamkeit“. Über eine Technik oder Tugend hinaus ist Achtsamkeit u. a. eine Kunst und ein neues Paradigma des Respekts, einer liebenden, gewissenhaften und  Anteil nehmenden Haltung der Natur und der menschlichen Beziehungen gegenüber. Ich habe an vielen Versammlungen und Konferenzen über Gesundheitsberufe teilgenommen, wobei ich die Gelegenheit zum Lernen und zum Reden fand, denn Achtsamkeit ist die natürliche Ethik dieser geheiligten Aktivität. Ich greife hier einige Gedanken auf, die mit der Haltung zu tun haben, die diejenigen einnehmen müssen, die sich zu Hause oder im Krankenhaus um Kranke kümmern. Wir wollen auf einige näher eingehen.

 

Mitgefühl: ist die Fähigkeit, sich in einen anderen Menschen zu versetzen und mit ihm zu fühlen, sodass der/die Kranke spürt, dass er/sie nicht allein mit seinem/ihrem Schmerz ist.

 

Liebevolles Berühren: Den anderen Menschen zu berühren heißt, ihm/ihr wieder die Sicherheit zu verleihen, dass er/sie der Menschheit angehört; das streichelnde Berühren ist eine Ausdrucksweise der Liebe. Krankheit ist oft ein Zeichen, dass der Patient kommunizieren möchte, reden möchte und jemanden braucht, der ihm zuhört. Der Kranke sucht nach dem Sinn seiner Krankheit. Die Krankenschwester und der Arzt oder die Ärztin können ihm helfen, sich zu öffnen und darüber zu sprechen. Eine Krankenschwester beschreibt es so: „Wenn ich dich berühre, trage ich Sorge für dich; wenn ich für dich Sorge trage, berühre ich dich … Wenn du alt und müde bist, kümmere ich mich um dich; ich berühre dich, wenn ich dich umarme; ich berühre dich, wenn du weinst; ich kümmere mich um dich, wenn du nicht mehr laufen kannst.

 

Feinfühlige Hilfestellung: Der Patient braucht Hilfe, und die Krankenschwester/der Krankenpfleger möchte sich um ihn kümmern. Das Zusammenlaufen dieser beiden Bewegungen erzeugt Gegenseitigkeit und überwindet den Eindruck einer ungleichen Beziehung. Helfende Unterstützung hilft, eine gewisse Selbständigkeit zu bewahren. Hilfestellung muss umsichtig geschehen: den Patienten in dem unterstützen, was er kann, und etwas für ihn tun oder ihm helfen sollte man nur in Situationen, welche dieser nicht allein bewältigen kann.

 

Vertrauen ins Leben zurückgeben: Wonach der Patient sich am meisten sehnt, ist das verloren gegangene Gleichgewicht zurückzuerlangen und wieder gesund zu werden. Daher muss man entschlossen sein, dem Patienten wieder Vertrauen ins Leben zu verleihen sowie in seine inneren Energien: die physische, psychische und spirituelle, denn sie fungieren als wahrhafte Medizin. Es muss zu symbolischen Gesten ermutigt werden, die mit Zuneigung aufgeladen sind. Nicht selten entlocken die gemalten Bilder eines kleinen Mädchens in dessen Vater so viel Energie und neuen Mut, als hätte er die besten Medikamente eingenommen.

 

Dem Patienten helfen, die conditio humana zu akzeptieren: Normalerweise fragt sich der Patient überrascht: Warum musste mir das jetzt passieren, wo doch alles so gut für mich lief? Warum hat mich, da ich noch jung bin, diese schwere Krankheit überfallen? Warum zerbrechen durch die Krankheit Beziehungen in der Familie, im sozialen Umfeld und auf der Arbeit? Diese Fragestellung ist eine bescheidene Reflexion über die conditio humana, die stets unerwarteten Risiken und Verletzlichkeiten ausgesetzt ist.

 

Jeder Gesunde kann krank werden. Und jede Krankheit verweist auf die Gesundheit, die unser wichtigster Orientierungspunkt ist. Doch wir können nicht höher springen als unser Schatten, und wir können das Leben nicht anders willkommen heißen, als so, wie es ist: in Gesundheit und Krankheit, stark und zerbrechlich, leidenschaftlich für das Leben und eventuelle Krankheiten und schließlich auch den Tod akzeptieren. In solchen Momenten stellen die Patienten tiefe Reflexionen über das Leben an. Sie geben sich mit rein wissenschaftlichen Erklärungen (so notwendig diese auch sind) nicht zufrieden, die sie von den Ärzten erhalten. Vielmehr sehnen sie sich nach einem Sinn, der sich durch einen tiefen Dialog mit dem eigenen Selbst einstellt oder durch das weise Wort eines Priesters, Pastoren oder einer spirituellen Person. Sie nehmen dann ihre alltäglichen Werte wieder auf, die sie zuvor außer Acht gelassen hatten, definieren ihren Lebensplan neu und reifen daran. Und am Ende schließen sie Frieden mit sich selbst.

 

Den Patienten auf der großen Reise begleiten: Es gibt einen unausweichlichen Moment im Leben, da alle, selbst die ältesten Menschen der Welt, sterben müssen. Es ist das Gesetz des Lebens, dem Tod ausgesetzt zu sein. Dies ist eine alles entscheidende Reise. Man muss darauf durch ein Leben vorbereitet sein, das sich hat leiten lassen von großzügigen, verantwortungsvollen und nützlichen moralischen Werten. Dennoch wird von den meisten der Tod wie ein Angriff oder eine Entführung empfunden, der gegenüber man machtlos ist. Und schließlich begreift man, dass man für alles Rechenschaft ablegen muss.

 

Die diskrete, respektvolle Anwesenheit der Krankenschwester oder des Krankenpflegers, die/der da ist, um die Hand zu halten, tröstende Worte zu sprechen, den Patienten einzuladen, freudig dem Licht entgegenzugehen und in den Schoß Gottes, der Vater und Mutter der Güte ist, einzukehren, kann dem Sterbenden Hilfe sein, das Leben beruhigt und voll Dankbarkeit über das Erlebte zu verlassen.

 

Wenn der Patient religiös ist, flüstere ihm tröstende Worte des Hl. Johannes ins Ohr: Wenn dein Herz dich anklagt, bedenke, dass Gott größer ist als dein Herz. (1Joh 3,20). Der Patient kann sich dann beruhigt Gott überlassen, dessen Herz reine Liebe und Gnade ist. Sterben heißt, in Gottes Arme zu fallen.

 

Krankenpflege erweist sich hier viel mehr als eine Kunst denn als Technik und setzt beim Gesundheitspersonal eine Lebensdichte voraus, spirituelle Sinnhaftigkeit und eine Blickrichtung, die über Leben und Tod hinausgeht.

 

Diesen Zustand zu erreichen ist ein Auftrag, den die Krankenschwestern, -pfleger, Ärzte und Ärztinnen anstreben müssen, um wirklich ganz dem Leben zu dienen. Es steckt durchaus Sinn in all diesen weisen Worten: Die Tragödie des Lebens ist nicht der Tod, sondern dass wir innerlich sterben, während wir noch am Leben sind.

 

 Siehe auch Leonardo Boff: Achtsamkeit, Von der Notwendigkeit, unsere Haltung zu ändern, Claudius, 2013

Übersetzt von Bettina Gold-Hartnack

 

Equívocos conceptuais no governo do PT

           Estimo que parte das razões que levaram multidões às ruas no mes de junho tem sua origem nos equívocos conceptuais presentes nas políticas públicas do governo do PT. Não conseguindo se desvenciliar das amarras do sistema neoliberal imperante no mundo e internalizado, sob pressão, em nosso pais, os governos do PT tiveram que conceder imensos benefícios aos rentistas nacionais para sustentar a política econômica e ainda realizar alguma distribuição de renda, via políticas sociais, aos milhões de filhos  da pobreza.

 

         O Atlas da exclusão social – os ricos no Brasil(Cortez, 2004) embora seja de alguns anos atrás, mantem sua validade, como o mostrou o pesquisador Marcio Pochmann (O pais dos desiguais, Le Monde Diplomatique, outubro 2007). Passando por todos os ciclos econômicos, o nível de concentração de riqueza, até a financeirização atual, se manteve praticamente inalterado. São 5 mil famílias extensas que detem 45% da renda e da riqueza nacionais. São elas, via  bancos, que emprestam ao governo; segundo os dados de 2013, recebem anualmente 110 bilhões de reais em juros. Para os projetos sociais (bolsa família e outros)  são destinados apenas  cerca de 50 bilhões. São os restos para os considerados o resto.

 

         Em razão desta perversa distribuição de renda, comparecemos como um dos países mais desiguais do mundo. Vale dizer, como um dos mais injustos, o que torna nossa democracia extremamente frágil e quase farsesca. O que sustenta a democracia é a igualdade, a equidade e a desmontagem dos privilégios.

 

         No Brasil se fez até agora apenas distribuição desigual de renda, mesmo nos governos do PT. Quer dizer, não se mexeu na estrutura da concentração da renda. O que precisamos, urgentemente, se quisermos mudar a face social do Brasil, é introduzir uma redistribuição que implica mexer nos mecanismos de  apropriação de renda. Concretamente significa: tirar de quem  tem demais e repassar para quem tem de menos. Ora, isso nunca foi feito. Os detentores do ter, do poder, do saber e da comunicação social conseguiram sempre impedir esta revolução básica, sem a qual manteremos indefinidamente  vastas porções da população à margem das conquistas modernas. O sistema politico acaba servindo a  seus interesses. Por isso, em seu tempo, repetia com frequência Darcy Ribeiro que nós temos uma das elites mais opulentas, antisociais e conservadoras do mundo.

 

         Os grandes projetos governamentais destinam porções significativas do orçamento para os projetos que as beneficiam e as enriquecem ainda mais: estradas, hidrelétricas, portos, aeroportos, incentivos fiscais, empréstimos com juros irrisórios do BNDES. A isso se chama crescimento econômico, medido pelo PIB que deve se equacionar com a inflação, com as taxas de juros e o câmbio. Priviligia-se o agronegócio exportador que traz dólares à agroecologia, à economia familiar e solidária que produzem 60% daquilo que comemos.        

 

O que as multidões da rua estão reclamando é: desenvolvimento em primeiro lugar e a seu serviço o crescimento  (PIB). Crescimento é material. Desenvolvimento é humano. Signfica mais educação, mais hospitais de qualidade, mais saneamento básico, melhor transporte coletivo, mais segurança, mais acesso à cultura e ao lazer. Em outras palavras: mais condições de viver minimamente feliz, como humanos e cidadãos e não como meros consumidores passivos de bens postos no mercado.  Em vez de grandes estádios cujas entradas aos jogos são em grande parte proibitivas para o povo, mais hospitais, mais escolas, mais centros técnicos, mais cultura, mais inserção no mundo digital da comunicação.

 

O crescimento deve ser orientado para o desenvolvimento  humano e social. Se não se alinhar a esta lógica, o governo se vê condenado a ser mais o gestor dos negócios do que  o  cuidador da vida de seu povo, das condições de sua alegria de viver e de sua admirada criatividade cultural.

 

As ruas estão gritando por um Brasil de gente e não de negócios e de negociatas; por uma sociedade menos malvada devido às desigualdades gritantes; por relações sociais transparentes e menos escusas que escondem a praga da corrupção; por uma democracia onde o povo é chamado a discutir e a decidir junto com seus representantes o que é melhor para o país.

 

         Os gritos são por humanidade, por dignidade, por respeito ao tempo de vida das pessoas para que não seja gasto em horas perdidas nos péssimos transportes coletivos mas liberado para o convívio  com a família ou para o lazer. Parecem dizer: “recusamos ser apenas animais famintos que gritam por pão; somos humanos, portadores de espírito e de cordialidade que gritamos por beleza; só unindo pão com beleza viveremos em paz, sem violência, com humor e sentido lúdico e encantado da vida”. O governo precisa dar esta virada.

 

Leonardo Boff é autor de Virtudes por um outro mundo possível (3 vol) Vozes 2006.   

 

Die Enzyklika Lumen Fidei: Erste Eindrücke

Die Enzyklika Lumen Fidei erscheint zwar mit der Unterschrift des Papstes Franziskus, doch weiß man, dass sie vom vorherigen, jetzt emeritierten Papst Benedikt XVI verfasst wurde. Papst Franziskus räumt dazu ein: «Ich stelle Ihre wertvolle Arbeit fertig, indem ich den Text durch einige Beiträge ergänze.» (Nr. 7). Und so musste es auch geschehen, sonst würde der Text nicht als vom päpstlichen Lehramt verfasst gelten. Es hätte sich dann nur um einen theologischen Text gehandelt, verfasst von jemandem, der irgendwann einmal Papst war.

 

Benedikt XVI wollte eine Trilogie über die Kardinaltugenden schreiben. Er schrieb über die Hoffnung und über die Liebe. Doch es fehlte noch eine Abhandlung über den Glauben, die nun Papst Franziskus als eigene Hinzufügung verfasste.

 

Die Enzyklika bringt nichts sensationell Neues, das die Aufmerksamkeit der Gemeinschaft der Theologen und Theologinnen bzw. die der  Gläubigen oder der breiten Öffentlichkeit erregen könnte. Es handelt sich um einen hochtheologischen Text, in kunstvollem Stil, voller biblischen Zitate und Worte der Heiligen Väter. Kurioserweise zitiert er Autoren der abendländischen Kultur wie Dante, Buber, Dostojewski, Nietzsche, Wittgenstein, Romano Guardini und den Dichter Thomas Eliot. Man kann klar die Handschrift Papst Benedikts XVI erkennen, insbesondere in den ausgefeilten Diskussionen, die selbst für die Theologen schwer zu verstehen sind mit ihren griechischen und hebräischen Ausdrücken, wie sie den Doktoren und Lehrmeistern eigen sind. Es ist ein Text, der sich an die Kirche wendet. Er spricht vom Licht des Glaubens zu denen, die sich bereits in einer vom Glauben erhellten Welt befinden. So gesehen handelt es sich um eine innersystemische Reflexion.

 

Darüber hinaus handelt es sich um einen typisch westlich-europäischen Schreibstil. Im Text kommen nur europäische Autoritäten zu Wort. Die kontinentalen Kirchen mit ihren Traditionen, Theologien, Heiligen und Glaubenszeugen werden nicht berücksichtigt. Man kann diesen Solipsismus nicht übersehen, da nur 24 % der Katholiken in Europa leben, der Rest außerhalb Europas, davon 62 % in der sogenannten Dritten und Vierten Welt. Ich kann mir nicht vorstellen, dass ein Katholik aus Südkorea, Indien, Angola, Mosambik oder gar aus den Anden diese Enzyklika lesen wird. Sie würden kaum etwas von dem Geschriebenen verstehen, noch sich in einer solchen Argumentationsweise wiederfinden.

 

Der Leitfaden in der theologischen Argumentation ist typisch für die Denkart Joseph Ratzingers als Theologe: das Thema „Wahrheit“ besitzt ein nahezu obsessives Übergewicht, wie ich finde. Im Namen dieser Wahrheit macht er Front gegen die Moderne. Es fällt ihm schwer, ein Thema zu akzeptieren, das der Moderne so teuer ist: die Autonomie des Subjekts und ihre Verwendung im Licht der Vernunft. Joseph Ratzinger sieht darin einen Ersatz für das Licht des Glaubens. Er nimmt nicht die Haltung ein, die vom 2. Vatikanischen Konzil so sehr empfohlen wurde. Diese sieht vor, in der Begegnung mit den zeitgenössischen kulturellen, philosophischen und ideologischen Strömungen die sich darin befindlichen Wahrheitskörnchen zu erkennen und von dort aus den mit Kritik und Ergänzungen in den Dialog zu treten. Es wäre eine Blasphemie gegen den Heiligen Geist, in den Gedanken der Moderne nichts als Lügen und Unwahrheiten zu sehen.

 

Für Ratzinger ist selbst die Liebe der Wahrheit unterworfen, ohne welche es nicht möglich wäre, die Isolierung des „Ich“ aufzubrechen (Nr. 27). Wir wissen aber, dass die Liebe ihre eigenen Gründe hat und einer anderen, andersartigen Logik gehorcht, ohne jedoch der Wahrheit zu widersprechen. Die Liebe kann die Wahrheit zwar nicht klar erkennen, doch sie sieht sie mit mehr Tiefe. Schon Augustinus sagte, worin er Plato folgte, dass wir nur das wirklich verstehen, was wir lieben. Für Ratzinger besteht „die Liebe in der Erfahrung der Wahrheit“ (Nr. 27) und „ohne die Wahrheit rettet der Glaube nicht“ (Nr. 24). Diese Aussage ist – im Hinblick auf die Theologie – problematisch, denn die ganze Tradition, vor allem die Konzilien, besagen, dass „nur die von der Liebe geprägte Wahrheit rettet“ (fides caritate informata). Ohne Liebe ist die Wahrheit für das Heil nicht ausreichend. In heutiger Sprache ausgedrückt: Was uns rettet, sind nicht wahre Predigten, sondern wirksame Taten.

 

Alle Schreiben des Lehrstuhls werden von vielen Händen geschrieben, da man versucht, die diversen akzeptablen theologischen Strömungen zu berücksichtigen. Am Schluss verleiht der Papst den Schreiben den seine Form und erteilt seine Billigung. So geschah es auch mit dem vorliegenden Dokument. Im Schlussteil, der aller Wahrscheinlichkeit nach aus der Feder  Papst Franziskus‘ stammt, ist eine bemerkenswerte Offenheit erkennbar, die schwerlich mit den vorhergehenden, sehr doktrinären Abschnitten in Einklang zu bringen ist. Diese bekräftigen nachdrücklich, dass das Licht des Glaubens alle Bereiche des menschlichen Lebens erleuchtet. Im letzten Teil ist die Haltung eine bescheidenere: „Der Glaube ich nicht das Licht, das all unsere Dunkelheiten vertreibt, sondern er ist eine Lampe, die unsere Schritte durch der Nacht leitet, und das reicht für unseren Weg“ (Nr. 57). Theologisch präzise wird festgestellt, dass es beim „Bekenntnis des Glaubens nicht so sehr darum geht, seine Zustimmung zu einer Sammlung von abstrakten Wahrheiten zu geben. Im Gegenteil, durch das Bekenntnis tritt das ganze Leben ein in einen Weg hin auf die volle Gemeinschaft mit dem lebendigen Gott“ (Nr. 45).

 

Der reichhaltigste Abschnitt aus meiner Sicht ist die Nr. 45, in der das Credo erklärt wird. Hier macht er eine Bemerkung, die über die Theologie hinaus geht und die Philosophie berührt: „Der Glaubende sagt so, dass die Mitte des Seins, das tiefste Geheimnis aller Dinge, die innergöttliche Gemeinschaft ist“ (Nr. 45). Und er fügt hinzu: „dass dieser Gott, der Gemeinschaft ist (…) die ganze Geschichte des Menschen zu umfangen vermag und fähig ist, ihn in die Dynamik seiner Gemeinschaft hineinzuführen“ (Nr. 45).

 

Doch die Enzyklika weist einen schmerzhaften Mangel auf, durch den sie einen Großteil ihrer Bedeutung einbüßt: Sie geht nicht auf die Glaubenskrise der Menschen von heute ein, nicht auf ihre Zweifel und Fragen, auf die auch der Glaube keine Antwort gibt: Wo war Gott im Tsunami, der Tausende von Menschenleben gefordert hat, oder in Fukushima? Wie kann man noch glauben, nachdem im Lauf unserer Geschichte Tausende von Indianern durch Christen massakriert wurden, Tausende Menschen in den Militärdiktaturen der 70er und 80er Jahre gefoltert und umgebracht wurden? Wie seinen Glauben bewahren nach den Millionen von Toten in den Vernichtungslagern der Nazis? Die Enzyklika bietet keinen Hinweis, wie man auf diese Ängste reagieren kann. Glauben ist immer ein „Glauben trotz …“ Der Glaube nimmt nicht die Zweifel und Ängste eines Jesus hinweg, der am Kreuz schreit: „Vater, warum hast du mich verlassen?“ Der Glaube muss durch diese Hölle gehen und zur Hoffnung werden, dass alles einen Sinn hat, der jedoch in Gott verborgen bleibt. Wann wird er sich offenbaren?

Übersezt von Bettina Gold-Hartnacl