A serpente saiu do ovo e o fascismo se implantou pelo silêncio de muitos

Fernando Altmeyer Jr. é professor da PUC-SP e um dos que melhor acompanho o caminho da Igreja no Brasil e no mundo. Eis aqui um artigo que nos faz pensar sobre o grau de manipulação e de tradicionalismo existentes em nossa sociedade.O atual presidente não surgiu de repente e por acaso. Lança raízes nessa herança exdrúxula, parte da alma de muitos brasileiros. Oxalá possam resgatar seu lado luminoso, convivial, terno e franterno LBoff

25 Outubro 2022

Quando Afanásio Jazadji pedia, anos atrás, na rádio, aos seus ouvintes para que atacassem o cardeal Arns, muitos apoiaram chamando o então arcebispo de defensor de bandidos. Quando Gil Gomes, Ratinho, Datena em programas de rádio e TV, como Cidade Alerta, Aqui Agora, 190 Urgente! inocularam, por anos, o veneno nas mentes e corações, houve indiferentismo e inércia. Quando prenderam os democratas e alguns padres e pastores por defender os Sem-Terra, mulheres, indígenas e LGBTQIA+, muitos cristãos fingiram não ouvir o clamor dos mortos e violentados diariamente. Passaram ao largo sem ver o irmão caído. Não quiseram ser samaritanos. Quando grupos de ultradireita como a TFP, Arautos e parte dos carismáticos e pentecostais, transformaram a religião em mercadoria, falsificando o Evangelho, e calando a profecia, muita gente achou normal. Quando alguns padres postaram fotos com armas nas mãos, seus superiores e bispos nada fizeram.

Quando o arcebispo de Aparecida defendeu a mensagem da paz contra as armas, alguns católicos enfurecidos e heréticos foram ao santuário da Mãe Aparecida atacar a sua pessoa e vilipendiar o espaço sagrado. Cometeram crime pior do que o que diziam combater. Gritaram tanto contra o aborto e ao fim e ao cabo abortaram seus cérebros para pensar com lucidez. Se tornam marionetes manipulados pelo poder criminoso das milícias, da ultradireita semeando discórdia. Transformam um homem em mito e desprezam a realidade dos atos que esse mesmo governante pratica contra o povo diariamente. Gritam por paz, mas carregam pedras nas mãos. Falam de patriotismo, mas ofendem nordestinos ou vozes dissonantes. Usam redes como a de WhatsApp e TikTok para espalhar cizânia. Falam de Deus, mas têm corações de pedra. Dizem ser brasileiros democratas, mas gritam xenofobia e aporofobia em suas marchas e cartazes. São cegos morais e analfabetos políticos. A cada dia buscam um bode expiatório para esconder ressentimentos e fracassos. Exigem mudanças, mas vivem mergulhados em mentiras e falácias. Não estudam a história e repetem os erros do passado. Gritam contra o comunismo acabando por ser parteiros do fascismo. Nem os seus próprios filhos ou sobrinhos aguentam mais ouvi-los.

Bolsonaristas se tornaram pessoas insuportáveis, sempre mais fanáticas e fundamentalistas. Cegos conduzindo cegos. Ai de quem quiser furar a bolha e tirá-los de sua alienação grotesca: será amaldiçoado.

O fascismo penetrou vagarosamente, como uma bactéria mortal, a vida dos pobres e adestrou mentes para dividir e semear o joio nas igrejas e entre as famílias. Quando apresentaram em horário nobre, tantos programas tipo BBB, milhões votaram em favor da intolerância e da imoralidade durante semanas de terror e desprezo das pessoas confinadas. Quando os senhores da UDR compraram seus cargos como governadores, senadores e deputados, houve silêncio e medo. Quando os seguidores de Jânio Quadros, com seu populismo rasteiro, se metamorfosearam para o malufismo, muitos o aplaudiram, especialmente dentro da classe média paulista. Quando esses malufistas assumiram o bolsonarismo fascista, com apoio de juízes e promotores corruptos, o povo, manipulado, se vestiu de verde e amarelo em atos fanáticos.

Passados quarenta anos do fim da ditadura militar (1985) observamos os aparelhos de Estado (governo, parlamento e judiciário) comandados em muitos Estados por milicianos. O número de cúmplices é imenso. O Centrão comanda a corrupção por dentro da máquina estatal com um criminoso orçamento secreto, usando dinheiro público em emendas secretas, enquanto trinta milhões passam fome e seguem sem vacinas básicas. Uma pergunta não quer calar:

Quando o povo vai despertar da hibernação e sair para as ruas pedindo por justiça e paz? Quando Catilina, veremos a primavera brotar tal qual um ipê amarelo anunciando tempos democráticos? Quando vai chover justiça? Quando vai brotar paz? Quando pastores e padres deixarão de pregar pedindo dinheiro e irão defender os pobres? Quando ouviremos a voz de Deus e não do dinheiro, do capital e dos banqueiros? Quando o povo voltará a ser povo? Haverá Brasil em 2023? Há esperança? Onde foram morar a felicidade e a serenidade? Queremos vida e paz! Precisamos semear trigo para comer o pão da justiça e do amor. É hora de gritar e clamar. Não é o momento para calar diante da dor. Se nós calarmos, as pedras gritarã

Quale destino vogliamo: barbarie o democrazia?

Leonardo Boff

Ad eccezione della classe dominante che si arricchisce con regimi autoritari e di estrema destra, come quello attuale, la stragrande maggioranza è consapevole che, cosi come è il Brasile non può andare avanti. Ci deve essere un cambiamento in meglio, per questo penso che debbano essere soddisfatti alcuni requisiti di base. Ne elenco alcuni.

1. Rifare il contratto sociale. Questo significa il consenso di tutti, espresso dalla costituzione e dall’ordinamento giuridico per cui vogliamo vivere insieme come cittadini liberi che si accettano mutuamente, al di là delle differenze di pensiero, di classe sociale, di religione e di colore della pelle. Ora, con l’attuale governo, il contratto sociale si è rotto. Il tessuto sociale è stato lacerato. L’esecutivo ignora la costituzione, va oltre le leggi, disprezza le istituzioni democratiche, anche le più alte come l’STF [il Supremo Tribunale Federale]. A causa di questa rivoluzione al contrario, autoritaria, con un pregiudizio ultraconservatore e fascista, sostenuta da settori significativi della società tradizionalmente conservatrice, le persone si dividono, in famiglia e tra amici e persino si odiano, quando non commettono omicidi per ragioni politiche. Se non ridefiniamo il contratto sociale, torneremo a un regime di forza, di autoritarismo e dittatura, con le conseguenze intrinseche: repressione, persecuzioni, prigionia, torture e morti. Dalla civiltà saremo a un passo dalla barbarie.

2. Riscattare la civiltà. In altre parole, la cittadinanza deve prevalere. Si tratta di un processo storico-sociale in cui la massa umana forgia la coscienza della sua situazione subalterna, permettendo a se stessa di sviluppare un progetto e delle pratiche nel senso di cessare di essere massa e passare ad essere popolo, protagonista del suo proprio destino. Ciò non è concesso dallo Stato. È conquistato dal popolo stesso nella misura che si organizza e affronta le classi dell’arretratezza e persino lo Stato classista. Tuttavia, questo processo è sempre stato ostacolato dalla classe dominante. Mira a mantenere le masse nell’ignoranza per manipolarle meglio e impedire loro, con violenza, di alzare la testa e mobilitarsi. L’ignoranza e l’analfabetismo sono politicamente voluti. Il 10% più ricco che detiene il 75% della ricchezza nazionale, ha un progetto per sé, di conciliazione tra loro, escludendo sempre le grandi maggioranze. Ci manca un progetto nazionale che includa tutti. Questo ancora continua fino ai nostri giorni. È forse il nostro più grande flagello perché si disconoscono il 54% degli afro-discendenti, i quilombolas, gli indigeni e i milioni di poveri emarginati. Senza cittadinanza non c’è democrazia.

3. Recuperare la democrazia minima. Non c’è mai stata nel nostro Paese una democrazia rappresentativa veramente consolidata, in cui fossero presenti gli interessi generali della nazione. Gli eletti rappresentano gli interessi particolari del loro segmento (evangelici, allevatori, lobby delle armi, agrobusiness, settore minerario, banche, istruzione privata, ecc.) o di coloro che hanno finanziato le loro campagne elettorali. Pochi pensano a un progetto di paese per tutti, con il superamento delle brutali disuguaglianze, ereditate dalla colonizzazione e soprattutto dallo schiavismo. Sotto l’attuale governo, poche volte nella nostra storia, la democrazia si è rivelata come una farsa, una collusione dei suddetti politici con un esecutivo che governa per i suoi elettori e le sue milizie e non per tutti, inventandosi anche un vergognoso bilancio segreto, senza alcun trasparenza, destinato, in primis, a comprare il voto per la rielezione di un esecutivo che usa la menzogna, le fake news come politica di governo, l’abbrutimento del linguaggio e dei comportamenti, continua a minacciare un colpo di stato, smantellando le principali istituzioni nazionali come l’istruzione , la salute, la sicurezza (consentendo più di un milione di armi nelle mani di cittadini inclini alla violenza). È urgente recuperare una democrazia rappresentativa minima, per poterla poi approfondire, renderla partecipativa e socio-ecologica. Senza questa democrazia minima, non c’è modo di far funzionare – con la dovuta inclusione – giustizia e diritto; si indeboliscono le istituzioni nazionali, in particolare la sanità pubblica, l’istruzione per tutti e la sicurezza, le cui forze di polizia spesso giustiziano giovani delle periferie, neri e poveri.

4. Promuovere l’istruzione, la scienza e la tecnologia. Viviamo in una società complessa che, per soddisfare le sue esigenze, ha bisogno di istruzione, promozione della scienza e della tecnologia. Tutto questo è stato trascurato e combattuto dall’attuale governo. Continuando cosi, saremo condotti nel mondo pre-moderno, distruggendo il nostro nascente parco industriale (il più grande dei paesi in via di sviluppo), la nostra educazione che stava guadagnando qualità e universalità a tutti i livelli, a beneficio soprattutto degli studenti dell’istruzione di base, alimentati dall’agricoltura famigliare e biologica, l’accesso dei poveri, attraverso le quote, all’istruzione superiore, alle scuole tecniche e alle nuove università. Possiamo informarci per tutta la vita, ci ha avvertito la grande filosofa Hannah Arendt, senza mai educarci, cioè senza imparare a pensare in modo critico, a costruire la nostra identità personale e sociale ed esercitare concretamente la nostra cittadinanza. trasformarci in un paese paria, emarginato dal corso generale del mondo.

5. Prendere coscienza della nostra importanza unica nel tema dell’ecologia integrale per aiutare a salvare la vita sul pianeta. Il consumismo attuale richiede più di una Terra e mezzo che non abbiamo (Earth Overload). Dobbiamo anche assumere come fatto scientifico certo che siamo già all’interno del nuovo regime climatico della Terra. Con l’accumulo di gas ad effetto serra nell’atmosfera, non potremo più evitare gravi eventi estremi fatali: siccità prolungate, bufere di neve e immense inondazioni, perdita di biodiversità, di raccolti, migrazioni di migliaia di persone che non riescono ad adattarsi e sono soggette alla fame e nuovi virus in arrivo (vorosfera). Ci sarà una grande penuria mondiale di acqua, di cibo, di suoli fertili. In questo contesto, il Brasile potrà svolgere un vero ruolo salvifico in quanto è la potenza mondiale di acqua dolce, per l’estensione dei suoli fertili e per l’Amazzonia che, se preservata, sarà in grado di sequestrare milioni di tonnellate di CO2, devolvendoci ossigeno, fornendo umidità a regioni distanti migliaia di chilometri e, grazie alla sua ricchezza geo-bio-ecologica, sarà in grado di soddisfare i bisogni di milioni di persone nel mondo. I nostri governanti hanno poca coscienza di questa rilevanza e pochissima consapevolezza c’è anche tra la popolazione. Forse dovremo imparare dalla sofferenza che verrà e che si è già manifestata tra noi a causa delle disastrose inondazioni, avvenute quest’anno 2022 in diversi Stati. O tutti sul pianeta Terra collaboriamo e ci diamo la mano, oppure ci uniremo alla processione di coloro che si dirigono verso la propria tomba, come ci ha avvertito Sigmunt Bauman poco prima di morire. Nelle parole di papa Francesco: «siamo sulla stessa barca, o ci salviamo tutti o nessuno si salva». La questione essenziale non risiede nell’economia, nella politica e nell’ideologia, ma nella sopravvivenza della specie umana realmente minacciata. Tutte le istanze, i saperi e le religioni devono essere ecologizzate e dare il loro contributo, se vogliamo ancora vivere su questo piccolo e bellissimo pianeta Terra.

6. Infine, tralasciando altri aspetti importanti, dobbiamo creare le condizioni per un nuovo modo di abitare la Terra. Quella dominante fino ad ora, quella che ci ha resi padroni e signori della natura, sottoponendola ai nostri propositi di crescita illimitata, senza sentirci parte della Terra, ha esaurito le sue virtualità. Ha portato grandi benefici alla vita comune, ma ha anche creato il principio dell’autodistruzione con tutti i tipi di armi letali. Bisogna fare il passaggio ad un’altra forma in cui tutti si riconoscano fratelli e sorelle con tutti gli esseri umani e anche con la natura (i viventi hanno lo stesso codice genetico di base), sentendosi parte di essa ed eticamente responsabili della sua perpetuità. Sarà una bio-civilizzazione in funzione della quale dovranno ricollocarsi l’economia e la politica e le virtù della cura, del rapporto gentile, della giusta misura e del legame affettivo con la natura e con tutti i suoi esseri.

Per creare tali condizioni nel nostro paese per questa civilizzazione della buona speranza, dobbiamo sconfiggere la politica dell’odio, della menzogna e delle relazioni disumane che si sono instaurate nel nostro paese. E fare trionfare quelle forze che si propongono di recuperare la democrazia minima, la civiltà, la decenza nelle relazioni sociali e un profondo senso di appartenenza e responsabilità per la nostra Casa Comune. Le prossime elezioni significheranno un plebiscito sul tipo di paese che noi vogliamo: quello delle barbarie o quello della democrazia.

❋ Leonardo Boff ha scritto Habitar a Terra, Vozes 2022; O doloroso parto da Mãe Terra, Vozes 2021.

(traduzione in italiano dal portoghese di Gianni Alioti)

De-demonizzare il Satana o il Diavolo

In questi tempi di campagne politiche e presidenziali, non è raro che un candidato demonizzi il suo avversario. C’è anche una strana divisione tra chi è dalla parte di Dio e chi è dalla parte Diavolo o di Satana.

Questo termine Satana (in ebraico) o Diavolo (in latino) ha acquisito molti significati, positivi e negativi, nel corso della storia. Ciò si verifica in molte religioni soprattutto in quelle abramitiche (ebraismo, cristianesimo e islamismo).

Tuttavia, dobbiamo dire che nessuno ha subito tante ingiustizie ed è stato così “demonizzato” come Satana stesso. All’inizio non fu così. Per questo motivo è importante raccontare brevemente la storia di Satana o del Diavolo.

Egli è annoverato tra i “figli di Dio” come gli altri angeli, come si dice nel libro di Giobbe (Gb 1,6). Sta nella corte celeste. Pertanto, è un essere di bontà. Non è la figura che diventerà più tardi. Ma ha ricevuto da Dio un compito insolito e ingrato: deve mettere alla prova persone buone come Giobbe, che è «un uomo integro, retto, teme Dio e rifugge il male» (Gb 1,8). Deve sottoporlo a tutti i tipi di prove per vedere se, in effetti, è quello che tutti dicono di lui: «non c’è altro come lui sulla terra» (Gb 1,8). Come prova promossa da Satana, Giobbe perde tutto, famiglia, beni e amici. Ma non perde la fede.

Ci fu una grande mutazione a partire dal VI secolo aC, quando gli ebrei vissero in cattività babilonese (587 aC) in Persia. Lì si confrontarono con la dottrina di Zoroastro che stabiliva il confronto tra il “principe della luce” e il “principe delle tenebre”. Loro incorporarono questa visione dualistica e manichea. Si diede origine a Satana come parte del regno delle tenebre, il “grande accusatore” o “avversario” che induce gli esseri umani ad atti malvagi. In seguito, si produce il confronto tra Dio e Satana. Nei testi tardo ebraici, dal II secolo aC, soprattutto nel libro di Honoch, si elabora la saga della rivolta degli angeli guidati da Satana, ora chiamato Lucifero, contro Dio. Si narra della caduta di Lucifero e di circa un terzo degli angeli che aderirono e finirono per essere espulsi dal cielo.

Sorge allora la domanda: dove collocarli se sono stati espulsi? Lì si fece uso della categoria dell’inferno: de fuoco ardente e di tutti gli orrori, ben descritti da Dante Alighieri nella seconda parte della sua Divina Commedia dedicata all’inferno.

Nel Primo Testamento (l’Antico) non si parla quasi del diavolo (cfr Cron 21,1; Samuele 24,1). Nel Secondo Testamento (Nuovo) appare in alcuni racconti “…saranno gettati nella fornace di fuoco; ci sarà pianto e stridore di denti» (Mt 8,12;13,42-50; Lc 13,27) o nella parabola del ricco epulone e del povero Lazzaro (Lc 16,23-24) o nell’Apocalisse (16,10 -11).

Questa comprensione fu assunta dai teologi antichi, specialmente da sant’Agostino. Lui ha influenzato l’intera tradizione delle Chiese, la dottrina dei Papi ed è arrivato ai giorni nostri.

La categoria dell’inferno e della dannazione eterna fu decisiva nella conversione dei popoli originari dell’America Latina e di altri luoghi di missione, producendo paura e panico. I loro antenati, si diceva, poiché non erano cristiani, erano all’inferno. E si sosteneva che se non si fossero convertiti e non si fossero lasciati battezzare, avrebbero conosciuto lo stesso destino. Ciò è presente in tutti i catechismi che furono elaborati, subito dopo la conquista, per convertire gli Aztechi, gli Incas, e tutti gli altri. Fu la paura, che un tempo ha portato e porta tuttora alla conversione delle moltitudini, come dimostra il grande storico francese Jean Delumeau. È facendo appello al Diavolo, a Satana, che oggi, in tempi di rabbia e odio sociale, si cerca di squalificare l’avversario, spesso reso nemico da demoralizzare e infine liquidare.

Qui bisogna superare tutto il fondamentalismo del testo biblico. Non basta citare testi sull’inferno, anche dalla bocca di Gesù. Dobbiamo saperli interpretare per non cadere in contraddizione con il concetto di Dio e distruggere cosi la buona novella di Gesù, del Padre pieno di misericordia, come il padre del figliol prodigo che accoglie il figlio perduto (Lc 15 ,11-23).

In primo luogo, gli esseri umani cercano una ragione per il male nel mondo. Ci sono grandi difficoltà ad assumersi le proprie responsabilità. Quindi si trasferiscono al Demonio o ai demoni.

In secondo luogo, il significato dei demoni e dell’inferno degli orrori rappresenta una pedagogia della paura per indurre le persone a cercare la via del bene attraverso la paura. Demonio e inferno, pertanto, sono creazioni umane, una specie di pedagogia sinistra, come fanno ancora le madri con i bambini: “Se non ti comporti bene, di notte, il lupo cattivo verrà a morderti un piede”. L’essere umano può essere il Satana della terra e della società. Può creare “l’inferno” per gli altri attraverso l’odio, l’oppressione e i meccanismi della morte, come infelicemente sta accadendo nella nostra società.

In terzo luogo, Satana o il Diavolo è una creatura di Dio. Dire che è una creatura di Dio, significa che, in ogni momento, Dio sta creando e ricreando questa creatura, anche nel fuoco dell’inferno. Altrimenti ritornerebbe nel nulla. Può Dio, che è amore e bontà infinita, prestarsi a questo? Dice bene il libro della Sapienza: “Poiché tu ami tutte le cose esistenti e nulla disprezzi di quanto hai creato; se avessi odiato qualcosa, non l’avresti neppure creata. Come potrebbe sussistere una cosa, se tu non vuoi? […] Tu risparmi tutte le cose, perché tutte son tue, Signore, amante della vita» (Sap 11,24-26). Papa Francesco lo ha detto chiaramente: «non esiste la dannazione eterna; lei è solo per questo mondo».

In quarto luogo, il grande messaggio di Gesù è l’infinita misericordia di Dio-Abba (caro padre) che ama tutti, anche gli «ingrati e malvagi» (Lc 6,35). L’affermazione del castigo eterno all’inferno distrugge direttamente la buona novella di Gesù. Un Dio punitore è incompatibile con il Gesù storico che annunciò l’amore infinito di Dio per tutti, anche per i peccatori. Il Salmo 103 lo aveva già intuito: «Il Signore è compassionevole e clemente, lento all’ira e ricco di misericordia. Non sta sempre accusando e non porta rancore per sempre. Non ci tratta secondo i nostri peccati… come un padre ha compassione dei suoi figli e delle sue figlie, così il Signore avrà pietà di coloro che lo amano, perché conosce la nostra natura e ricorda che siamo polvere… La misericordia del Signore è da sempre per sempre» (103,8-17). Dio non può mai perdere nessuna creatura, per quanto perversa sia. Se l’avesse persa, anche una sola, avrebbe fallito nel suo amore. Beh, non può succedere.

Ha detto bene Papa Francesco che predica instancabilmente la misericordia: «La misericordia sarà sempre più grande di qualsiasi peccato e nessuno potrà porre limiti all’amore del Dio che perdona» (Misericordiae vultus, 2)

Questo non significa che uno entrerà comunque in paradiso. Tutti passeranno attraverso il giudizio e la clinica di Dio, per purificarsi lì, riconoscere i propri peccati, imparare ad amare ed entrare finalmente nel Regno della Trinità. È il purgatorio che non è l’anticamera dell’inferno, ma l’anticamera del paradiso. Chi sta lì purificandosi, partecipa già al mondo dei redenti.

L’inferno e i demoni e il principale di loro, Satana, sono le nostre proiezioni del male che esiste nella storia o che noi stessi produciamo e per il quale non vogliamo incolpare noi stessi e le proiettiamo su queste figure sinistre.

Dobbiamo finalmente liberarci da tali proiezioni per vivere la gioia del messaggio di salvezza universale di Gesù Cristo. Questo delegittima tutta la demonizzazione in qualsiasi situazione, specialmente, nella politica e nelle chiese pentecostali carismatiche che usano la figura del diavolo e dell’inferno in modo del tutto esorbitante. Per spaventare i fedeli piuttosto che confortarli con l’amore e la misericordia infinita di Dio.

Leonardo Boff è teologo, filosofo e ha scritto: Vida para além da morte, Vozes, muitas edições 2021.

(traduzione dal portoghese in italiano di Gianni Alioti)

Que destino queremos: a barbárie ou a democracia?

Exceptuando a classe dominante que se enriquece com regimes autoritários e de ultradireita,como o atual, vigora, na grande maioria, a consciência de que assim como o Brasil está não pode continuar. Deve haver uma mudança para melhor.Para isso penso que devem se atendidos alguns quesitos básicos. Elenco alguns.

1.Refazer o contrato social. Este significa o consenso de todos, expresso pela constituição e pelo ordenamento jurídico de  que queremos conviver como cidadãos livres que se aceitam mutuamente,para além das diferenças de pensamento,de classe social, de  religião e de cor da pele. Ora, com o atual governo rompeu-se o contrato social. Dilacerou-se o tecido social. O executivo faz pouco caso da constituição, passa por cima das leis, menospreza as instituições democráticas, mesmo as mais altas como o STF. Em razão dessa revolução ao revés, autoritária, de viés ultraconservador e fascista, apoiada por setores significativos da sociedade tradicionalmente conservadora, as pessoas se cindiram, nas famílias e entre amigos e até se odeiam, quando não cometem assassinatos por razões políticas. Se não refizermos o contrato social,voltaremos ao regime de força, do autoritarismo e da ditadura, com as consequências inerentes: repressão, perseguições,  prisões, torturas e mortes.Da civilização estaremos a um passo da  barbárie.

2.Resgatar a civilidade. Quer dizer, deve prevalecer a cidadania. Esta é um processo histórico-social em que a massa humana forja uma consciência de sua situação subalterna, se permite elaborar um projeto e práticas no sentido de deixar de ser massa e passar a ser povo, protagonista de seu destino.Isso não é outorgado pelo Estado. É conquistado pelo próprio povo na medida em que se organiza enfrenta as classes do atraso e até o Estado classista. Ora, este processo sempre foi impedido pela classe dominante. Visa a manter as massas na ignorância para melhor manipulá-las e impedir, com violência, que ergam a cabeça e se mobilizem. A ignorância e o analfabetismo são politicamente queridos. Os 10% mais ricos que chegam a responder por 75% da riqueza nacional, fizeram um projeto para si, de conciliação entre eles, sempre com exclusão das grandes maiorias.Carecemos de um projeto nacional que a todos insira. Isso continua até os dias de hoje. É talvez nosso maior flagelo pois se desconhecem os 54% de afrodescendentes, os quilombolas, os indígenas e os milhões de covardemente marginalizados. Sem cidadania não há democracia.

3.Recuperar a democracia mínima. Nunca houve em nossa país uma verdadeira democracia representativa consolidada, na qual estivessem presentes os interesses gerais da nação. Os eleitos representam os interesses particulares de seu segmento (bancada evangélica, do gado, da bala,do agronegócio, da mineração, dos bancos, do ensino particular etc) ou dos que financiaram as suas campanhas. Poucos pensam num projeto de país para todos, com a superação da brutal desigualdade, herdada da colonização e principalmente do escravagismo. Sob o atual governo, poucas vezes em nossa história, a democracia se mostrou como farsa, um conluio dos referidos políticos com um executivo que governa para os seus eleitores e milicianos e não para todos, inventando até um vergonhoso orçamento secreto, sem qualquer transparência, destinado, primordialmente, para compra de voto da reeleição de um esecutivo que usa a mentira,a fake news como política de governo, a brutalização da linguagem e dos comportamentos,vive ameaçando de golpe de estado, desmontando as principais instituições nacionais como a educação, a saúde, a segurança (permitindo mais de um milhão de armas nas mãos de cidadãos afeitos à violência).É urgente recuperar a democracia representativa mínima,  para podermos, depois, aprofundá-la,fazê-la participativa e sócio-ecológica. Sem essa democracia mínima não há como fazer funcionar, com a devida inserção, a justiça e o direito; fragilizam-se as  instituições nacionais, especialmente a saúde coletiva, a educação para todos e a segurança cujos corpos policiais executam com frequência jovens da periferia, negros e pobres.

4.Fomentar a educação, a ciência e a tecnologia. Vivemos numa sociedade complexa que para atender suas demandas precisa de educação, fomento à ciência e à tecnologia. Tudo isso foi descurado e combatido pelo atual governo. A continuar, seremos conduzidos ao mundo pré-moderno, destruindo nosso incipiente parque industrial (o maior dos países em desenvolvimento),nossa educação que estava ganhando qualidade e universalidade em todos os níveis, especialmente beneficiando estudantes  do ensino básico,alimentados pela agricultura familiar e orgânica, o acesso de pobres, por cotas, ao ensino superior, às escolas técnicas e às novas universidades.Podemos nos informar a vida inteira nos advertia a grande filósofa Hannah Arendt,sem nunca nos educarmos, vale dizer,sem aprender a pensar criticamente, construir nossa própria identidade pessoal e social e exercer praticamente nossa cidadania.Se não recuperarmos o tempo perdido, poderemos nos transformar num num país pária, marginalizado do curso geral do mundo.

5.Conscientizarmo-nos de nossa importância única no tema da ecologia integral para ajudarmos a salvar a vida no planeta. O consumismo atual demanda mais de uma Terra e meia que não temos (Sobrecarga da Terra).Devemos ademais assumir como fato científico assegurado, de que já estamos dentro do novo regime climático da Terra. Com o acumulado de gases de efeito estufa na atmosfera não poderemos mais evitar fatais eventos extremos graves: prolongadas estiagens, imensas nevascas e inundações, perda da biodiversidade, de safras, migrações de milhares que não conseguem se adaptar e submetidos à fome e aos novos vírus que virão (vorosfera). Haverá grande escassez mundial de água,de alimentos, de solos férteis. Neste contexto,o Brasil poderá desempenhar uma verdadeira função salvadora já que é a potência mundial de água doce, pela extensão de solos férteis e pela Amazônia que, preservada, poderá sequestrar milhões de toneladas de CO2, devolver-nos oxigênio,fornecer umidade a regiões a milhares de quilômetros de distância e por sua riqueza geobioecológica poderá atender às necessidades de milhões de pessoas do mundo. Nossos governantes possuem escassa consciência desta relevância e fraquíssima consciência na população. Possivelmente teremos que aprender com o sofrimento que sobrevirá e que já se manifestou entre nós pelas desastrosas enchentes,ocorridas em vários estados neste ano de 2022.Ou todos no planeta Terra colaboramos e nos demos as mãos ou então engrossaremos o cortejo daqueles que rumam na direção de sua própria sepultura, nos advertiu Sigmunt Bauman pouco antes de morrer. Nas palavras do Papa Francisco:”estamos no mesmo barco, ou nos salvamos todos ou ninguém se salva”. A questão essencial não reside na economia, na política e na ideologia, mas na sobrevivência da espécie humana, realmente, ameaçada. Todas as instâncias, saberes e religiões devem ser ecologizadas e dar sua contribuição,se ainda quisermos viver sobre este pequeno e belo planeta Terra.

6. Por fim, deixando de lado outros aspectos importantes, devemos criar as condições para uma nova forma de habitar a Terra. A dominante até agora, aquela que nos fazia donos e senhores da natureza, submetendo-a a nossos propósitos de crescimento ilimitado, sem sentirmo-nos parte dela, esgotou suas virtualidades. Trouxe grandes benefícios para a vida comum mas também criou o princípio de autodestruição com todo tipo de armas letais. Devemos fazer a travessia para outra forma na qual todos se reconhecerão como irmãos e irmãs com todos os humanos e também com a natureza (os vivos têm o mesmo código genético de base), sentindo-nos parte dela e eticamente responsáveis por sua perpetuidade. Será uma biocivilização em função da qual estarão a economia e a política e as virtudes do cuidado,da relação suave, da justa medida e do laço afetivo com a natureza e com todos os seus seres.

Para que se criem tais condições em nosso país para essa civilização da boa esperança, precisamos derrotar a política do ódio, da mentira e das relações desumanas que se instauraram em nosso país.E fazer triunfar aquelas forças que se propõe recuperar a democracia mínima, a civilidade, a decência nas relações sociais e um sentido profundo de pertença e de responsabilidade pela nossa Casa Comum.As próximas eleição significarão um plebiscito sobre que tipo de país nós queremos:o da barbárie ou o da democracia.

Leonardo Boff escreveu Habitar a Terra, Vozes 2022; O doloroso parto da Mãe Terra, Vozes 2021.