Francisco de Assis, ícone ecológico de uma relação fraternal com cada ser da natureza

Francisco de Assis, ícone ecológico de uma relação fraternal com cada ser da natureza

Leonardo Boff

O Covid-19 remete a um problema ecológico: a reação da Mãe Terra e da natureza que, como entes vivos, reagiram contra a sistemática agressão que já há séculos sofrem pelo processo produtivista voraz que não respeita os limites de sustentabilidade e destruiu os habitat dos virus. Estes buscam em outros animais ou em nós humanos um novo habitat, de cujas células  se alimentam. É consequência do tipo de civilização técnico-científica que criamos a partir do século XVII que tratava a Terra e a natureza sem propósito e cujo único valor era estarem ao bel-prazer do uso dos seres humanos, para tirarem vantagens de todo tipo, especialmente, econômicas.

Foi abandonada a secular visão da Terra como Magna Mater e Pachamama. Só modernamente com a nova cosmologia e biologia se recuperou a noção da Terra como um Super Ente vivo que se auto-organiza sistemicamente para manter-se vivo e sempre produzir viva, denominada de Gaia.

Hoje com o Covid-19 a concepção da Terra-Gaia e Pachamama dos povos andinos, ganhou relevância. Ela  nos mostra a urgência de refazermos o contrato natural com ela, há muito violado, caso queiramos sustar seu  contra-ataque contra a humanidade.Ela já enviou uma gama de vírus, entre eles o atual Covid-19 que pela primeira vez está  assolando todo  o planeta. Tais vírus, ao lado do aquecimento global e de outros eventos extremos são sinais enviados pela Mãe Terra para refletirmos e mudarmos nossa forma da habitar nela e mudarmos nosso modo destrutivo de produção.

A lição que importa tirar destes sinais  é que devemos voltar a sentimo-nos parte da natureza e não seus donos e que nós humanos somos a porção inteligente da Terra com a missão de cuidarmos dela, como condição de nossa própria sobrevivência.

Para isso precisamos de figuras exemplares que nos mostrem que outra relação amigável e não destrutiva para com a Mãe Terra e para com a natureza é possível. Na verdade, é a única que se revela benéfica para ambas as partes deste contrato natural.

No Ocidente surgiu um cristão de excepcional qualidade humana e religiosa que viveu uma profunda fraternidade universal com todos os seres da natureza: Francisco de Assis (1284-1226).

Em sua encíclica da ecologia integral, Laudato Si: sobre o cuidado da Casa Comum, o Papa Francisco apresenta São Francisco “como o exemplo por excelência pelo cuidado pelo que é frágil, vivida com alegria e autenticidade. É o padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos”(n.10). Diz mais ainda:”Coração universal, para ele qualquer criatura era uma irmã, unida a ela por laços de carinho; por isso sentia-se chamado a cuidar de tudo o que existe…até das ervas silvestres que deviam ter o seu lugar no horto” de cada convento dos frades(n.11.12).

O historiador Lynn White Jr. em 1967 em seu rumoroso artigo “As raízes históricas de nossa crise ecológica” acusava o judeo-cristianismo, por causa de seu viceral antropocentrismo, como o principal fator da crise que nos dias atuais se transformou num clamor. Por outro lado, reconhecia que esse mesmo cristianismo tinha um antídoto na mística cósmica de São Francisco de Assis. Para reforçar a idéia sugeria que fosse proclamado “patrono dos ecologistas”,coisa que o Papa João Paulo II o fez no dia 29 de Novembro de 1979.

Efetivamente, todos os seus biógrafos como Thomas de Celano, São Boaventura, a Legenda Perusina e outras fontes da época, atestam “a amigável união que Francisco estabelecia com todas as criaturas; enchia-se de inefável gozo todas as vezes que olhava o sol, contemplava a lua e dirigia seu olhar para as estrelas e para o firmamento”.

Dava o doce nome de irmãos e irmãs a cada uma das criaturas, as aves do céu, as flores do campo e até ao feroz lobo de Gubbio. Constituía fraternidade com os mais discriminados como  os hansenianos (leprosos) e com todos as pessoas, como com o sultão Melek el Kamel no Egito com quem teve longos diálogos e mutuamente se admiravam.

No homem de Assis tudo vem cercado de cuidado, simpatia e enternecimento.

O filósofo Max Scheler em seu conhecido estudo sobre “A essência e as formas da simpatia”(1926) dedica-lhe brilhantes e profundas páginas. Assevera que “nunca na história do Ocidente emergiu uma figura com tais forças de simpatia e de emoção universal como encontramos em São Francisco. Nunca mais se pôde conservar a unidade e a inteireza de todos os elementos como em São Francisco, no âmbito da religião, da erótica, da atuação social, da arte e do conhecimento”(1926,p.110). Talvez seja por esta razão que Dante Alignieri o chamou de “sol de Assis” (Paradiso XI,50).

Esta experiência cósmica ganhou uma forma genial no seu “Cantico di Frate Sole”. Ai encontramos uma síntese acabada entre a ecologia interior com a ecologia exterior.

Como o filósofo e teólogo francês, o franciscano Eloi Leclerc (+1977), sobrevivente dos campos de extermínio nazista,   mostrou, que para ele, os elementos exteriores como o sol, a terra, o fogo, a água, o vento e outros não eram  apenas realidades objetivas mas realidades simbólicas, emocionais, verdadeiros arquétipos que dinamizam a psiqué  no sentido de uma síntese entre o exterior e o interior e de uma experiência de unidade com o Todo.

Estes sentimentos, nascidos da razão sensível e da inteligência cordial, são urgentes hoje se quisermos refazer a aliança de sinergia e de benevolência para com a Terra e seus ecossistemas.

Acertadamente ponderou o grande historiador inglês Arnold Toynbee:”Para manter a biosfera habitável por mais dois mil anos, nós e nossos descendentes, teremos de esquecer o exemplo de Pedro Bernardone (pai de São Francisco), grande empresário de tecidos do século XIII e seu bem-estar material e começar a seguir o modelo de seu filho, Francisco, o maior entre todos os homens que já viveram no Ocidente. O exemplo dado por São Francisco é que nós, os ocidentais, deveríamos imitá-lo de todo o coração, porque ele é o único ocidental que pode salvar a Terra”(El Pais,1972,p.10-11).

Hoje São Francisco se tornou o irmão universal que se situa para além das confissões e das culturas. A humanidade pode se orgulhar de ter produzido um filho com tal amor, com tanta ternura e com tão grande cuidado para com todos os seres, por menores que parecessem.

Ele é uma referência espontânea de uma atitude ecológica que se confraterniza com todos os seres, convive amorosamente com eles, os protege contra ameaças e os cuida como irmãos e irmãs. Ele soube descobrir Deus nas coisas. Acolheu com jovialidade as doenças e  as contradições da vida. Chegou a chamar de irmã a própria morte. Estabeleceu uma aliança com as raízes mais profundas da Terra e com grande humildade se unia a todos os seres para cantar louvores, junto com eles e não apenas através deles, como diz em seu Cântico, à beleza e à integridade da criação.

Como arquétipo, Francisco penetrou no inconsciente coletivo da humanidade, no Ocidente e no Oriente e de lá anima as energias benfazejas que se abrem à relação amorosa com todas as criaturas, como se estivéssemos ainda no paraíso terrenal (cf.L.Boff, Francisco de Assis: saudade do paraíso, Vozes 1986).

Ele mostra que não somos condenados a sermos os agressores pertinases da natureza mas o seu anjo bom que protege, cuida e transforma a Terra uma Casa  Comum de todos, da comunidade humana e terrenal. Ele suscita em nós a saudade de uma integração que perdemos por causa da ruptura que estabelecemos com a natureza. Com ele nos convencemos de que, por todos os lados,  há ainda sinais do paraíso terrestre que nunca se perdeu totalmente.

Podemos, com o espírito de São Francisco, o irmão universal, recriá-lo dentro de nosso interior  e irradiá-lo para  o exterior, como lição aprendida do confinamento social forçado.

Leonardo Boff é ecoteólogo,filósofo e escreveu: Francisco de Assis: ternura e vigor, 12.edição, Vozes 2009


Due antropologie in opposizione, presupposte nell’IA

       Leonardo Boff Nell’enciclica Laudato Si’, sulla cura della casa comune (2015), Papa Francesco ha sottoposto a una rigorosa critica la tecno-scienza, per essere una delle cause del degrado della natura. Riguarda il prevalere del paradigma del “dominus” (essere il padrone), imperante in tutta l’era della modernità senza che gli esseri umani si sentissero parte…

ost-covid 19: Was in Kosmologie und Ethik zu berücksichtigen ist (IV)

Eine Lebensweise der Nachhaltigkeit wird durch tugendhafte Praktiken im Einklang mit einer nachhaltigen Lebensführung herbeigeführt. Es gibt viele Tugenden in einer anderen möglichen Welt. Ich werde mich kurzfassen, denn ich habe bereits drei Bände mit dem Titel “Tugenden für eine bessere Welt“ (Butzon & Bercker; 1., Auflage 2009) veröffentlicht. Ich erwähne hier 10 Tugenden, ohne ins Detail zu gehen, denn das würde uns zu weit bringen.

Tugenden einer anderen möglichen und notwendigen Welt

Die erste Tugend ist essenzielle Fürsorge. Ich nenne sie essenziell, weil nach einer philosophischen Tradition, die von den Römern stammt, durch die Jahrhunderte weitergegeben wurde, was am besten von mehreren Autoren zum Ausdruck gebracht wird, besonders in Heideggers zentralem Kern von Zeit und Sein. Fürsorge wird als das Wesen des Menschen angesehen. Es ist eine Voraussetzung für die Gruppe der Faktoren, die für das Leben notwendig sind. Ohne Fürsorge wäre das Leben nie entstanden und könnte es auch nicht überleben. Einige Kosmologen, wie Brian Swimme und Stephan Hawking, betrachteten die Fürsorge als die wesentliche Dynamik des Universums. Hätten es den vier Grundenergien an der subtilen Fürsorge gemangelt, um synergistisch zu handeln, hätten wir nicht die Welt, die wir haben. Alles Leben hängt von der Fürsorge ab. Weil wir biologisch unvollkommene Wesen sind, hätten wir ohne spezialisierte Organe und ohne die unendliche Fürsorge unserer Mütter aus unseren Wiegen herauskommen und Nahrung suchen können. Wir brauchen die Fürsorge durch andere. Für alles, das wir lieben, sorgen wir auch, und wir lieben alles, wofür wir sorgen. In Bezug auf die Natur erfordert dies eine freundschaftliche, nicht aggressive Beziehung, welche die Grenzen der Natur achtet.

Die zweite Tugend ist das Gewahrsein unserer Zugehörigkeit zur Natur, zur Erde und zum Universum. Wir sind Teil eines großen Ganzen, das uns umgibt. Wir sind der bewusste und intelligente Teil der Natur; wir sind der Teil der Erde, der fühlt, denkt, liebt und verehrt. Dieses Gefühl der Zugehörigkeit erfüllt uns mit Respekt, wunderbarem Staunen und Sicherheit.

Die dritte Tugend ist Solidarität und Kooperation. Wir sind soziale Wesen, die nicht nur leben, sondern mit anderen koexistieren. Wir wissen aus der Bioanthropologie, dass es die Solidarität und Zusammenarbeit unserer anthropoiden Vorfahren war, die es ihnen ermöglichten, durch die Suche nach Nahrung und deren gemeinsame Nutzung an die Spitze des Tierreichs aufzusteigen und die menschliche Welt einzuläuten. Was uns heute in Bezug auf das Coronavirus retten kann, ist diese Solidarität und universelle Zusammenarbeit. Solidarität muss mit den Geringsten unter uns beginnen und mit denen, die nicht gesehen werden. Andernfalls ist sie nicht universell integrativ.

Die vierte Tugend ist die kollektive Verantwortung. Wir haben weiter oben über ihre Bedeutung gesprochen. Es ist der Moment des Bewusstseins, in dem jedes Mitglied der Gesellschaft die guten und schlechten Auswirkungen seiner Entscheidungen und Handlungen versteht. Die unkontrollierte Abholzung des Amazonas-Regenwalds wäre absolut unverantwortlich, weil sie das Gleichgewicht der Regenfälle für weite Regionen zerstören und die biologische Vielfalt beseitigen würde, die für die Zukunft des Lebens unverzichtbar ist. Den Atomkrieg brauchen wir nicht zu erwähnen, dessen tödliche Auswirkungen alles Leben, insbesondere das menschliche Leben, bedeuten würde.

Die fünfte Tugend ist Gastfreundschaft, sowohl als Pflicht als auch als Recht. Immanuel Kant war der erste, der Gastfreundschaft als Pflicht und Recht in seinem berühmten Werk “Zum ewigen Frieden” (1795) darlegte. Kant verstand, dass die Erde allen gehört, weil Gott niemandem einen Teil der Erde geschenkt hat. Die Erde gehört all ihren Bewohnern, die frei sind, dorthin zu gehen, wo sie wollen. Wo immer jemand angetroffen wird, ist es jedermanns Pflicht, Gastfreundschaft anzubieten als Zeichen der gemeinsamen Zugehörigkeit zur Erde; und wir alle haben das Recht, ohne Unterschied willkommen geheißen zu werden. Für Kant wären Gastfreundschaft und die Achtung der Menschenrechte die Säulen einer Weltrepublik. Angesichts der Zahl der Flüchtlinge und der weit verbreiteten Diskriminierung verschiedener Gruppen ist dieses Thema sehr aktuell. Gastfreundschaft ist vielleicht eine der dringendsten Tugenden für den Prozess der Globalisierung, auch wenn sie eine der am wenigsten praktizierten ist.

Die sechste Tugend ist das universelle Zusammenleben. Das Zusammenleben ist ein primärer Faktor, weil wir alle das Resultat der Koexistenz unserer Eltern sind. Wir sind Wesen von Beziehungen, das heißt, wir existieren nicht einfach, sondern wir ko-existieren durch unser Leben. Wir nehmen am Leben anderer teil, an ihren Freuden und ihrer Traurigkeit. Für viele ist es jedoch schwierig, mit denen zusammenzuleben, die anders sind, sei es in Bezug auf ethnische Zugehörigkeit, Religion oder politische Ideen. Wichtig ist, offen für den Austausch zu sein. Das Andere bringt uns immer etwas Neues, das uns entweder nützt oder uns herausfordert. Was wir niemals tun dürfen, ist, Anderssein in Ungleichheit zu verwandeln. Wir können Menschen unterschiedlichster Herkunft sein: Brasilianer, Kechua, Italiener, Aymara, Japaner, Peruaner, Azteken oder Yanomami. Jede Herkunft ist menschlich und besitzt ihre Würde. Heute öffnen sich uns durch die kybernetischen Massenkommunikationsmedien die Türen zu allen Völkern und Kulturen. Zu wissen, wie man mit diesen Unterschieden koexistieren kann, eröffnet neue Horizonte und führt uns in eine Gemeinschaft mit allen. Diese Koexistenz betrifft auch die Natur. Wir koexistieren mit der Landschaft, dem Urwald, den Vögeln und allen anderen Tieren. Es geht nicht nur darum, den sternengefüllten Himmel zu sehen, sondern um mit den Sternen in Gemeinschaft zu treten, weil wir von ihnen kommen und mit ihnen Teil des großen Ganzen sind. In der Tat sind wir Teil einer Gemeinschaft und teilen ein gemeinsames Schicksal mit der ganzen Schöpfung.

Die siebte Tugend ist bedingungsloser Respekt. Jedes Wesen, wie klein es auch sein mag, hat einen Wert an sich, unabhängig von seiner Nützlichkeit für den Menschen. Albert Schweitzer, der große schweizerische Arzt, der nach Gabun in Afrika ging, um sich um die Leprakranken zu kümmern, hat dieses Thema tiefgreifend entwickelt. Für Schweitzer ist Respekt die wichtigste Grundlage der Ethik, denn er beinhaltet Willkommenskultur, Solidarität und Liebe. Wir müssen damit beginnen, uns selbst zu respektieren, würdevolle Haltung und Manieren aufrechtzuerhalten, die andere dazu bewegen, uns zu respektieren. Es ist wichtig, alle Wesen der Schöpfung zu respektieren, denn sie haben einen Wert an sich. Sie existieren oder leben und verdienen es zu existieren oder zu leben. Es ist besonders wertvoll, alle Menschen zu respektieren, denn ein Mensch ist Träger der Würde, ein heiliges Wesen mit unveräußerlichen Rechten, unabhängig von seiner Herkunft. Wir schulden dem Heiligen und Gott, dem innersten Geheimnis aller Dinge, höchsten Respekt. Wir dürfen unsere Knie nur vor Gott beugen und nur Ihn verehren, denn nur Gott verdient diese Haltung.

Die achte Tugend sind soziale Gerechtigkeit und grundlegende Gleichheit für alle. Gerechtigkeit ist mehr als nur jedem das Seine oder Ihre zu geben. Unter den Menschen ist Gerechtigkeit Liebe und der minimale Respekt, den wir allen anderen schulden. Soziale Gerechtigkeit erfordert, allen Menschen das Minimum zu garantieren, ohne Privilegien zu schaffen und ihre Rechte gleichermaßen zu achten, denn wir sind alle Menschen und verdienen es, menschlich behandelt zu werden. Soziale Ungleichheit bedeutet soziale Ungerechtigkeit und ist theologisch eine Beleidigung des Schöpfers und Seiner Söhne und Töchter. Die vielleicht größte Perversität unserer Zeit besteht darin, Millionen von Menschen im Elend zu belassen, die dazu verurteilt sind, vor ihrer Zeit zu sterben. Die Gewalt der sozialen Ungleichheit und Ungerechtigkeit zeigt ihr Gesicht im Zeitalter dieses Coronavirus. Während einige Menschen sicher in ihren Häusern oder Wohnungen unter Quarantäne leben können, ist die überwiegende Mehrheit der Armen der Infektionsgefahr und oftmals dem Tod ausgesetzt.

Die neunte Tugend ist das unermüdliche Streben nach dem Frieden. Der Frieden ist eine der am meisten ersehnten Zustände, denn angesichts der Art von Gesellschaft, die wir aufgebaut haben, leben wir in ständigem Wettbewerb und sind zum Konsum und übersteigerter Produktivität aufgerufen. Frieden gibt es nicht von selbst. Frieden ist die Frucht von Werten, die gelebt werden müssen und dadurch Frieden bringen müssen. Einer der sichersten Wege, den Frieden zu verstehen, kommt uns von der Erdcharta, in der es heißt: “Anerkennen, dass Frieden die Gesamtheit dessen ist, das geschaffen wird durch rechte Beziehungen zu sich selbst, zu anderen Personen, anderen Kulturen, anderen Lebewesen, der Erde und dem größeren Ganzen, zu dem alles gehört” (n.16 f). Wie man sieht, ist Frieden das Ergebnis angemessener Beziehungen und die Frucht sozialer Gerechtigkeit. Ohne diese Beziehungen und diese Gerechtigkeit werden wir nur einen Waffenstillstand kennen, aber niemals einen dauerhaften Frieden.

Die zehnte Tugend ist die Entwicklung des spirituellen Lebenssinns. Der Mensch hat ein körperliches Äußeres, durch das wir mit der Welt und anderen Menschen in Beziehung stehen. Wir haben auch ein psychisches Inneres, in dem unsere Leidenschaften, großen Träume und unsere Engel und Dämonen in der Architektur des Begehrens zu finden sind. Wir müssen unsere Dämonen kontrollieren und unsere Engel liebevoll kultivieren. Nur so können wir uns des Gleichgewichts erfreuen, das für das Leben notwendig ist.

Aber wir besitzen auch eine Tiefe, die Dimension, in der sich die großen Fragen des Lebens befinden: Wer sind wir? Woher kommen wir? Wohin gehen wir? Worauf können wir nach diesem Erdenleben freuen? Was ist die Höchste Energie, die den Himmel erhält und unser Gemeinsames Haus die Sonne umkreisen lässt und es am Leben hält, damit wir leben können? Das ist die spirituelle Dimension des Menschen, mit immateriellen Werten wie bedingungsloser Liebe, Vertrauen in das Leben und dem Mut, sich den unvermeidlichen Herausforderungen zu stellen. Wir erkennen, dass die Welt voller Bedeutung ist, dass Dinge mehr sind als Dinge, dass sie Boten sind und eine andere unsichtbare Seite haben. Wir erahnen intuitiv eine mysteriöse Präsenz, die alle Dinge durchdringt. Die spirituellen und religiösen Traditionen haben diese Präsenz mit tausend Namen benannt, ohne sie jemals vollständig entschlüsseln zu können. Es ist das Geheimnis der Welt, das zum abgrundtiefen Mysterium geschickt wird, das alles zu dem macht, was es ist. Die Kultivierung dieses Raumes macht uns menschlicher, demütiger und verwurzelt uns in einer transzendenten Realität, die unserem unendlichen Verlangen angemessen ist.

Fazit: einfach menschlich sein

Die Schlussfolgerung, die wir aus diesen langen Reflexionen über das Coronavirus 19 ziehen, ist: Wir müssen einfach menschlich sein, verletzlich, demütig, miteinander verbunden, Teil der Natur und der bewusste und spirituelle Teil der Erde mit der Mission, uns um das heilige Erbe zu kümmern, das wir empfangen haben, Mutter Erde, für uns und künftige Generationen.

Die letzten Sätze der Erdcharta sind inspirierend: “Möge unsere Zeit durch das Erwachen einer neuen Ehrfurcht vor dem Leben, durch das feste Bekenntnis zur Nachhaltigkeit und zur Intensivierung des Kampfes für Gerechtigkeit und Frieden und für die freudige Feier des Lebens in Erinnerung bleiben.”

 

Leonardo Boff Ökologe, Theologe und Philosoph

Post-covid-19: What cosmology and ethics to incorporate (IV)

The sustainable way of life is brought about by virtuous practices consistent with a sustainable mode of living. There are many virtues in a different possible world. I will be brief because I have already published three volumes with the title, “Virtues for a different possible world” (Sal Terrae 2005-2006). I mention 10 virtues, without detailing their content, because that would take us too far afield.
Virtues of a different possible, and necessary, world
The first virtue is essential caring. I call it essential because according to a philosophic tradition that came from the Romans, passed down through the centuries, which is best expressed by several authors, especially in Heidegger’s central nucleus of Time and Being. Caring, it is seen as the essence of the human being. It ts a precondition for the group of factors necessary for life. Without caring, life would never have arisen, nor could it survive. Some cosmologists, such as Brian Swimme and Stephan Hawking, viewed caring as the essential dynamic of the universe. Had the four fundamental energies lacked the subtle caring to act synergistically, we would not have the world we have. All life is dependent on caring. Because we are biologically imperfect beings, with no specialized organs, without the infinite care of our mothers, we could not have gotten out of our cribs and sought nourishment. We need the caring of others. All that we love, we also care for, and we love all that we care for. With respect to nature, this requires a relationship that is amicable, non aggressive and respectful of her limits.
The second virtue is the awareness of belonging to nature, to the Earth and the universe. We are part of a great Totality that surrounds us. We are the conscious and intelligent part of nature; we are that part of the Earth that feels, thinks, loves and venerates. This feeling of belonging fills us with respect, marvelous amazement and security.
The third virtue is solidarity and cooperation.  We are social beings who not only live, but coexist with others. We know from bio-anthropology that it was the solidarity and cooperation of our anthropoid ancestors that, by searching for food and bringing it for collective consumption, allowed them to rise to the top of the animal kingdom, and inaugurate the human world. Today, with respect to the coronavirus, what can save us is this solidarity and universal cooperation. Solidarity must begin with the least among us and the invisible. Otherwise, it is not universally inclusive.
The fourth virtue is collective responsibility. We discussed its meaning above. It is the moment of consciousness when each member of society understands the good and bad effects of their decisions and acts. The uncontrolled deforestation of the Amazon would be absolutely irresponsible because it would destroy the balance of the rains for vast regions and eliminate the biodiversity that is indispensable for the future of life. We need not mention nuclear war, whose deadly effects would eliminate all life, especially human life.
The fifth virtue is hospitality, as a duty and a right. Immanuel Kant was the first to present hospitality as both a duty and a right in his famous work, “In view of perpetual peace” (1795). Kant understood that the Earth belongs to all, because God did not gift any part of the Earth to anyone. The Earth belongs to all her inhabitants, who are free to go wherever they want. Wherever someone is found, it is everyone’s the duty to offer hospitality, as a sign of common belonging to the Earth; and we all have the right to be welcomed, without distinctions. To Kant, hospitality and respect for human rights would constitute the pillars of a world republic (Weltrepublik). This theme has great topicality, given the number of refugees and widespread discrimination against different groups. Hospitality is perhaps one of the most urgent virtues for the process of globalization, even though it is one of the least commonly practiced.
The sixth virtue is universal coexistence. Coexistence is a primary factor because we are all products of the coexistence of our parents. We are beings of relationships, which is to say, we do not simply live, but we coexist through our lives. We participate in the lives of others, their joys and sadness. However, for many it is difficult to coexist with those who are different, be it in ethnicity, religion, or political ideas. What is important is to be open to the exchange. That which is different always brings us something new that either benefits or challenges us. What we must never do is turn difference into inequality.  We can be humans of many different backgrounds, be it Brazilian, Kechua, Italian, Aymara, Japanese, Peruvian, Azstec, or Yanomami. Each form is human and has its dignity. Today, through the cybernetic mass media of communications, we open windows onto all people and cultures.  Knowing how to coexist with these differences opens new horizons and brings us into a form of communion with everyone. This coexistence also involves nature. We coexist with the landscape, the jungles, the birds and all other animals. It is not just to see the star filled skies, but to enter into communion with the stars, because we come from them and with them we are part of the great All. In fact, we are part of a community of common destiny with all of creation.
The seventh virtue is unconditional respect.Each being, no matter how small, has value in itself, independent of its usefulness to humans. Albert Schweitzer,the great Swiz physician who went to Gabon, Africa, to care for the lepers, profoundly developed the theme. For Schweitzer, respect is the most important basis of ethics, because it includes welcome, solidarity and love. We must start by respecting ourselves, maintaining dignified attitudes and manners that move others to respect us. It is important to respect all beings of creation, because they have value in themselves. They exist or live and deserve to exist or live. It Is especially valuable to respect all human person, because a human is a carrier of dignity, a sacred being with inalienable rights, regardless of their origin. We owe supreme respect for the sacred and to God, the intimate mystery of all things. We must venerate and bend our knees only before God, because only God deserves that attitude.
The eight virtue is social justice and fundamental equality for all. Justice is more than merely giving to each his or her own. Among humans, justice is love and the minimal respect we owe everyone else. Social justice requires guaranteeing the minimum to all persons, without creating privilege, and equally respecting their rights because we are all human beings and deserve to be humanely treated. Social inequality means social injustice and, theologically, it is an offense to the Creator and His sons and daughters. The major perversity that exists nowadays is perhaps that of leaving millions of people in misery, condemned to die before their time. The violence of social inequality and injustice has been revealed in In the age of this coronavirus, . While some people can safely live quarantined in their homes or apartments, the great majority of the poor are exposed to infection and often to death.
The ninth virtue is the tireless search for peace. Peace is one of the most longed for conditions, because given the type of society we have built, we live in constant competition, called on to consume and to exalt productivity. Peace does not exist by itself.  Peace is the fruit of values that must be lived out and bring peace as a result. One of the most certain ways of understanding peace comes to us from the Earthcharter, where is said: «Peace is the plenitude that results from correct relationships with one’s own self, with other persons, other cultures, other lives, the Earth and the Great All, of whom we are part» (n.16 f). As can be seen, peace is the result of adequate relationships and the fruit of social justice. Without these relationships and this justice we will only know a truce, but never a permanent peace.
The tenth virtue is the development of the spiritual meaning of life. Human beings have a corporal exterior through which we relate with the world and other people.  We also have a psychical interior where our passions, great dreams and our angels and demons are found in the architecture of desire. We must control our demons and lovingly cultivate our angels.  Only that way can we enjoy the equilibrium necessary for life.
But we also posses a depth, the dimension where the great questions of life reside: who are we? Where do we come from? Where are we going? What can we look for after this terrestrial life? What is the Supreme Energy that sustains the heavens and keeps our Common Home circling the Sun and maintains her always alive so that we may live? This is the spiritual dimension of the human being, with intangible values, such as unconditional love, trust in life, and courage to confront the unavoidable difficulties. We realize that the world is filled of meaning, that things are more than things, that they are messengers and have another invisible side. We intuit that there is a mysterious Presence that impregnates all things. The spiritual and religious traditions have called this Presence by a thousand names, without ever being able to totally decipher it. It is the mystery of the world that is sent to the Abyssal Mystery that makes that everything be what it is. Cultivating this space makes us more human, more humble, and roots us in a transcendent reality that is adequate to our infinite desire.
                              Conclusion: to simply be human
The conclusion we draw from these long reflections on the coronavirus 19 is: we must simply be humans, vulnerable, humble, connected with each other, part of nature and the conscious and spiritual part of the Earth with the mission of caring for the sacred inheritance we have received, Mother Earth, for us and future generations.
The last phrases of the Earthcharter are inspiring: «That our time be remembered by the awakening of a new reverence to life, by the firm commitment to achieve sustainability and to intensify the struggle for justice and peace, and for the joyful celebration of life».
*Leonardo Boff is an ecotheologian and has written, in three volumes, Virtues for another possible world,  (3 vol.), Sal Terrae, 2005-2006
  Free translation from the Spanish sent by

Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

site: http://www.leonardobff.org  

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Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

Indignación contra la estulticia de ciertos grupos de la población brasilera

Cuatro sombras oscuras se abaten sobre un país solar que nunca pudieron ser disipadas por nuestra conciencia e inconsciencia colectivas: la sombra del genocidio de los pueblos originarios, los primeros dueños de estas tierras. De seis millones que eran, quedaron solamente un millón, la mayoría por no poder soportar el trabajo esclavo o por las enfermedades de los invasores contra las cuales no tenían ni tienen hoy inmunidad. La sombra de la colonización que ha saqueado nuestras tierras y nuestras selvas y nos ha hecho dependientes siempre de alguien de fuera, impidió forjar nuestro propio destino. La sombra de la esclavitud, nuestra mayor vergüenza nacional, por haber convertido a la gente traída de África en esclavos y carbón para ser consumidos en los ingenios azucareros. Nunca vistos como personas e hijos e hijas de Dios sino como “piezas” para ser compradas y vendidas, construyeron casi todo en este país. Y hoy en día, considerados perezosos y con frecuencia encarcelados, constituyen más de la mitad de nuestra población, arrojados a las periferias. Soportan el odio y el desprecio que antes se imponía a sus hermanos y hermanas de la Senzala y que ahora se les transfiere con violencia, como lo demuestra el sociólogo Jessé Souza (A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato, 2007, p.67), hasta que pierden su sentido de dignidad. La sombra de las élites atrasadas que siempre han ocupado el estado frágil, usándolo para su beneficio. Nunca forjaron un proyecto de nación que incluyera a todos, sino, con las artes perversas de reconciliación entre los ricos,  un proyecto solo para ellos. No bastaba con despreciar a los marginados, sino que había que molerlos a palos por si se levantaban, como ocurrió varias veces en su heroica historia de resistencia y rebelión.

Cuando un superviviente de esta tribulación, a través de caminos de piedras y abismos, se convirtió en presidente e hizo algo para sus hermanos y hermanas, pronto crearon las condiciones perversas para destruir su liderazgo, excluirlo de la vida pública, y finalmente bajarlos del poder a él y a su sucesora. Esta sombra ha adquirido los contornos de una “tormenta procelosa y nocturna sombra” (Camões) bajo el actual gobierno que no ama la vida, pero exalta la tortura, alaba a los dictadores, predica el odio y deja al pueblo a su suerte, atacado letalmente por un virus, contra el que no tiene ningún plan de rescate e, inhumano, se muestra incapaz de cualquier gesto de solidaridad.

Estas sombras, por ser una expresión de deshumanización, anidaron en el alma de los brasileños y rara vez pudieron conocer la luz. Ahora se han creado las condiciones ideológicas y políticas para ser lanzadas al aire como las lavas de un volcán, hechas de  rudeza, de violencia social generalizada, de discriminación, ira y odio de grandes porciones de la población. Sería injusto culparlas a ellas. Las élites del atraso se han internalizado en sus mentes y corazones para hacerlas sentirse culpables de su destino y así acabar haciendo suyo el proyecto de aquellas, que, en realidad, va en su contra. Lo peor que puede suceder es que el oprimido internalice al opresor con un engañoso proyecto de bienestar, que le será negado siempre.

Sérgio Buarque de Holanda en su conocido libro “Las raíces de Brasil” (1936) difundió una expresión, malinterpretada en beneficio de los poderosos, de que el brasileño es “un ser cordial” por la llaneza de su trato. Pero tenía un ojo observador y crítico como para añadir a continuación que “sería un error suponer que esta virtud de la cordialidad puede significar buenas maneras y civismo” (p.106-107), pues “la enemistad puede ser tan cordial como la amistad, ya que ambas nacen del corazón” (p.107 nota 157).

En el momento actual, lo “cordial del incivismo” brasilero irrumpe del corazón, mostrando su perversa forma de ofensa, calumnia, palabras gruesas, noticias falsas, mentiras directas, ataques violentos a los negros, los pobres, los quilombolas, los indígenas, las mujeres, a los políticos de oposición LGBT, hechos enemigos y no adversarios. Ha estallado, violenta, una política oficial, ultraconservadora, intolerante, de connotaciones fascistoides. Los medios de comunicación social sirven de arma para todo tipo de ataques, desinformación y mentiras que muestran espíritus vengativos, mezquinos e incluso malvados. Todo esto forma parte de la otra cara de la “cordialidad” brasilera, hoy en día expuesta a la luz del sol y a la abominación mundial.

El ejemplo viene del propio gobierno y de sus seguidores fanáticos. De un presidente se esperarían virtudes cívicas y el testimonio personal de valores humanos que uno quisiera ver realizados en sus ciudadanos. Por el contrario, su discurso está lleno de odio, desprecio, mentiras y vulgaridad en la comunicación. Es tan inculto y estrecho de miras que ataca lo que es más preciado para una civilización, que es su cultura, su saber, su ciencia, su educación, las habilidades de su pueblo y el cuidado de su salud y de la riqueza ecológica nacional.

Nunca en los últimos cincuenta años se ha apoderado de ningún país una barbarie tan grande como en Brasil, acercándolo al nazismo alemán e italiano. Estamos expuestos a la irrisión mundial, convertidos en un país paria, negador de lo que es el consenso entre los pueblos. La degradación ha llegado al punto en que el jefe de estado realiza el humillante rito de vasallaje y sumisión al presidente más extraño y “estúpido” (P.Krugman) de toda la historia norteamericana.

Nuestra democracia ha sido siempre de baja intensidad. Hoy en día se ha convertido en una farsa, porque no se respeta la constitución, se pisotean las leyes y las instituciones sólo funcionan cuando los intereses de las empresas están amenazados. La propia justicia se hace cómplice ante las clamorosas injusticias sociales y ecológicas, como la expulsión de 450 familias que ocupaban una hacienda abandonada, transformándola en un gran productor de alimentos orgánicos; saca a la fuerza a los niños aferrados a sus cuadernos y destroza sus escuelas; tolera la deforestación y las quemas del Pantanal y de la selva amazónica y el riesgo de genocidio de naciones indígenas enteras, indefensas ante la Covid-19.

Es humillante ver que las más altas autoridades no tienen el valor patriótico de dirigir, dentro del marco legal, la remoción o el impeachment de un presidente que muestra signos inequívocos de incapacidad política, ética y psicológica para presidir una nación de las proporciones de Brasil. Se pueden hacer amenazas directas de cerrar el más alto tribunal, hacer declaraciones de volver al régimen de excepción con la represión estatal que ello implica, y no pasa nada por razones arcanas.

Las oposiciones, duramente difamadas y vigiladas, no consiguen crear un frente común para oponerse a la insensatez del poder actual.

No se debe culpar al pueblo de la degradación de las relaciones sociales, especialmente entre la gente sencilla, sino a las clases oligárquicas atrasadas que han logrado internalizar en él sus prejuicios y su visión oscurantista del mundo. Estas clases nunca han permitido que arraigase aquí un capitalismo civilizado, lo mantienen como uno de los más salvajes del mundo, ya que cuenta con el apoyo de los poderes estatales, legales, mediáticos y policiales para derribar cualquier oposición organizada. La “racionalidad económica” se revela descaradamente irracional debido a los efectos perversos sobre los más desvalidos y sobre las políticas sociales dirigidas a los que más sufren socialmente.

Este es un texto indignado. Hay momentos en que el intelectual se obliga, por razones de ética y dignidad de su oficio, a dejar el lugar del saber académico y venir a la plaza a expresar su ira sagrada. Para todo hay límites soportables. Aquí superamos todo lo que es soportable, sensato, humano y mínimamente racional. Es la barbarie instituida como política de Estado, envenenando las mentes y los corazones de muchos con odios y rechazos, que lleva a la frustración y a la depresión de millones de compatriotas, en un contexto de los más atroces, que nos ha arrebatado por el virus invisible a más de cien mil seres queridos. Guardar silencio sería rendirse a la razón cínica que, insensible, es testigo del desastre nacional. Se puede perder todo menos la dignidad del rechazo, de la acusación y de la rebeldía cordial e intelectual.

*Leonardo Boff es teólogo, filósofo y miembro de la Iniciativa Internacional de la Carta de la Tierra.

Traducción de Mª José Gavito Milano