Carta do ex-chanceler Celso Amorim a Lula pelo Natal

Celso Amorim foi um dos maiores e melhores chanceleres que nos tempos atuais o Brasil conheceu. Estive muitas vezes com ele. Sempre admirei sua simplicidade e grandeza de espírito, fiel ao Presidente Lula em cujos governos serviu. Escutei de outros embaixadores e representantes de nações na ONU quando tive a oportunidade de, a convite, falar naquela Assembléia  ao defender o novo conceito da Terra como Mãe Terra, aprovado por unanimidade no dia 22 de abril de 2002. Era comum o comentário quando a conversa versava sobre ele: “e um dos melhores, senão o melhor diplomata nos dias atuais, como interlocutor e  conciliador em situações de conflito”. Esta carta saudosa e triste a Lula preso, por ocasião do Natal, revela toda a amizade e proximidade que ambos cultivaram e ainda cultivam. Representa um belo testemunho de quem vivenciou  pessoalmente a relevância que a presença de Lula ganhou nos foros mundias. Razão tinha o presidente Obama ao dizer:”este é o cara”.  Publicamos aqui a carta dele ao ex-presidente: Lboff

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Carta do ex-chanceler Celso Amorim a Lula pelo Natal

A proximidade do Natal e do Ano Novo nos traz lembranças boas, mas de certa forma também entristece. Penso não apenas no nosso país, no trabalho feito por você pela diminuição das desigualdades, pelo crescimento econômico com justiça social, pela preservação e aumento das nossas riquezas e por colocar o Brasil em uma posição que jamais tinha ocupado no cenário internacional. Penso também no seu lado afetivo, seu relacionamento sempre carinhoso e respeitoso com seus auxiliares, sem que isso de forma alguma afetasse a sua autoridade. Lembro-me da dificuldade de montar sua agenda, de atender aos inúmeros convites ou manifestações de desejo de visita-lo. Até cheguei a cunhar uma frase para definir esse fenômeno: a demanda de Lula é muito maior que a oferta de Lula. Contrariamente com o que ocorre com nossos governantes atuais, não havia como dar conta de tantas solicitações, por maiores que fossem seus esforços de estar presente nos foros internacionais e de elevar o padrão do nosso diálogo com latino-americanos e caribenhos, africanos, árabes, sem descuidar dos grandes países emergentes como os que vieram a constituir os BRICS nem dos nossos parceiros tradicionais.

Lembro, muito especialmente, de sua empatia com outros líderes, independentemente de ideologias, embora, claro, sem esconder as afinidades. Talvez a melhor expressão dessa capacidade de relacionar-se de forma franca e direta tenha sido a frase que ouvi do Presidente da África do Sul, Thabo M´Beki, em uma cúpula do IBAS, em Brasília. Ele disse, na ocasião, que só você conseguia fazer o Manmohan Singh sorrir, saindo do estado de meditação permanente em que parecia mergulhado. O mesmo sorriso, quase iluminado, eu veria estampar-se no rosto de Singh, quando fui portador de uma carta sua, tratando do Rodada de Doha.

Alguns desses momentos estão documentados, como sua fala na Cúpula das Américas em Mar del Plata, que marcou o fim da ALCA, ou (creio) a Reunião de Chefes de Estado em torno do combate à fome e à pobreza. Eu nunca tinha visto, em meus longos anos de diplomacia, tantos Presidentes e Primeiros Ministros juntos em uma mesma sala. Ao entrar no saguão onde normalmente se reúne o Conselho Econômico e Social da ONU, ouvi um diplomata francês comentar com um colega: “O Brasil abraça o Mundo!” Anos mais tarde, no G-20, que você ajudou a criar, o Presidente da nação mais poderosa do mundo diria a frase que ficou célebre: Este é o cara! E sempre admirei sua capacidade de dar a mesma atenção que concedia a um líder de uma grande potência ao governante de um pequeno país do Caribe, da África ou da Ásia. Não foi à toa que, sob sua liderança, foram criados organismos e foros como a UNASUL, a CELAC, o IBAS, o BRICS, as cúpulas com países árabes e africanos, sem falar da parceria estratégica com a União Europeia e a elevação do nível do diálogo político com os Estados Unidos, China ou Rússia.

Foram muitas as situações excepcionais, que pude acompanhar, algumas das quais registrei nos meus livros. Outras você mesmo se encarregou de divulgar, como o episódio envolvendo o Presidente Bush em Évian. Diante da atitude subalterna e quase bajuladora de muitos diante do Presidente dos Estados Unidos (que acabara de sair vitorioso, na aparência ao menos, da Guerra contra o Iraque), você me disse: “nós não vamos nos levantar”. E esperamos que Bush viesse até onde estávamos sentados.

Tudo isso passa hoje como um filme pela minha mente e, ao mesmo tempo que me consola pelo muito que foi feito, me entristece por me fazer constatar o quanto está sendo destruído. E como você está sendo tratado injustamente. As pessoas que cruzam comigo e me reconhecem querem todas saber como você está, perguntam sobre sua saúde e o seu ânimo. Respondo sempre de forma positiva, baseado no que vi nas duas vezes em que o visitei em Curitiba e nas informações que chegam por outros companheiros. Todos têm muita esperança de que você saia logo dessa prisão absurda, que o grito de “Lula livre” rapidamente se transforme em realidade.

Neste Natal, gostaria de abraçá-lo, de agradecer em nome de todos os brasileiros de bem (mesmo sem ter a pretensão de representá-los) pelo muito que você fez pelo Brasil, por seu povo pobre e sofrido, mas também por sua estatura no mundo. Tenho a confiança de que, apesar do sofrimento impingido a você e à sua família, a justiça se fará em um dia não longínquo e que você voltará a nos inspirar com suas palavras e seus gestos, transmitidos de forma direta, no contato pessoal, que você sempre cultivou.

Com muita saudade, é o que desejo, de todo coração, nesses “dias de festa”, em que o povo brasileiro, especialmente a enorme parcela de necessitados, sofre por estar privado do seu convívio.

Forte e caloroso abraço, em meu nome e da Ana,

Celso

Carta de Jessé de Souza a Lula:”o Sr. é luz nas trevas”

             Carta de Jessé de Souza a Lula

Jessé de Souza é um dos mais notáveis sociólogos da nova geração com formação em filosofia e psicologia, formado na famosa Universidade de Heidelberg por onde passaram  Hegel, Max Weber  e outros notáveis do pensamento alemão (e onde tive a honra de ser professor visitante em 2002). Estudou e deu nova nomenclatura às classes sociais à base de pesquisas empíricas. Vários são seus livros, um dos mais conhecidos é A tolice da inteligência brasileira: da escravidão ao Lava-Jato. Recentemente publicou A Classe Média no Espelho.  Faz uma crítica feroz a nossas elites econômicas tradicionais, descendentes da Casa Grande, que se mostram tão fortes que chegam a comprar as demais elites. Emerge como um dos mais contundentes opositores ao governo de Jair Bolsonaro pelo despreparo que apresenta e pelo reacionarismo atrasado, de extrema-direita que caracteriza seu ministério. É talvez hoje alguém que mais conhece a trajetória do nosso pais, ao longo dos séculos. Aprende-se muito ao ler Jessé de Souza pelos muitos dados novos que sustentam suas teses. LBoff

O professor e escritor Jessé de Souza, autor dos livros A Elite do Atraso e A Ralé Brasileira, escreveu uma carta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político há quase nove meses.

A farsa de Moro está cada vez mais evidente, só os tolos não percebem

No texto, Souza, que é um estudioso da desigualdade social no Brasil, reconhece o legado de Lula no combate à miséria e na busca por uma distribuição de renda mais igualitária.

“Em uma sociedade doente e cruel como a nossa, dominada pelo ódio covarde aos pobres, o senhor (referindo-se a Lula) é a luz nas trevas. O senhor é o líder popular mais importante dos 500 anos de história deste país e o único que se preocupou com os mais pobres e os mais marginalizados”, escreveu.

Souza destacou ainda que a perseguição judicial a Lula está cada vez mais clara e se materializa na parcialidade do agora ex-juiz Sérgio Moro.  

“A força moral do inimigo construída por mentiras já está caindo. A farsa de Sérgio Moro está cada vez mais evidente. Só um tolo não percebe isso”, afirmou a Lula.

 

Presidente Lula leu “A Classe Média no Espelho” livro de Jessé de Souza.

 Leia a íntegra:

Carta de Jesse de Souza ao Presidente Lula

 

Foto: Jessé Souza na vigília Lula Livre, em frente à Polícia Federal de Curitiba, 12/IV/2018 (Créditos: Joka Madruga/Ag. PT)

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https://lula.com.br/jesse-de-souza-a-farsa-de-moro-esta-cada-vez-mais-evidente-so-os-tolos-nao-percebem/embed/#?secret=9REdI1LvYc

Nonostante le tribolazioni celebriamo ancora il Natale

Viviamo nel mondo e nel nostro paese tempi oscuri. C’è molta rabbia e persino odio. Soprattutto, c’è una mancanza di sensibilità verso i nostri simili, specialmente verso i bambini, come il Bambino Gesù, che vivono per le strade e vengono maltrattati. Eppure viviamo l’umanità del nostro Dio che ha assunto la nostra condizione umana in modo contraddittorio.

Il cristianesimo non annuncia la morte di Dio, ma l’umanità, la benevolenza e l’amore misericordioso di Dio. Guardiamo il Bambino tra il bue e l’asino: in lui sorride la giovialità e l’eterna giovinezza di Dio stesso.

Sono passato per Betlemme di Giuda e udii un tenero sussurro. Era la voce di Maria cullando il suo figliolo: “Sole, figlio mio, come posso coprirti con i vestiti? Come ti allatterò, se sei tu a nutrire tutte le creature? “

Dal presepe venne anche una voce angelica che mi disse: “O creatura umana, perché hai paura di Dio? Non vedi che sua madre avvolge in fasce il suo fragile piccolo corpo? Un bambino non minaccia nessuno. Ne condanna nessuno. Non ascolti il suo dolce pianto? Più che aiutare, ha bisogno di essere aiutato e portato in grembo”.

Non lasciamo che sia vero ciò che scrisse l’evangelista San Giovanni: “Venne fra i suoi e il suoi non lo hanno ricevuto”. Vogliamo essere tra coloro che Lo ricevono come nostro fratello e compagno.

L’arrivo di Dio nel mondo non è stato rumoroso. È sucesso ai margini della storia ufficiale, fuori città, nel mezzo della notte buia, in una grotta di animali. A Roma, capitale dell’impero e a Gerusalemme, il centro religioso del popolo di Israele, nessuno sapeva nulla. Quasi nessuno l’ha notato. Solo quelli che avevano un cuore semplice come i pastori di Betlemme andarono alla grotta dove il Divino Bambino tremava.

Il Natale ci offre la chiave per decifrare alcuni misteri insondabili della nostra dura esistenza. Gli esseri umani si hano sempre chiesto e richiesto: perché la fragilità della nostra esistenza? Perché l’umiliazione e la sofferenza? E Dio taceva. Ecco, a Natale arriva una risposta: Lui è diventato fragile come noi. Si è umiliato e ha sofferto come tutti gli umani. Questa era la risposta di Dio: non con parole ma con un gesto di identificazione. Non siamo più soli nella nostra immensa solitudine. Lui è con noi. Il suo nome è Gesù.

Il Natale rivela anche una risposta definitiva al significato dell’essere umano. Siamo un progetto infinito. Solo un infinito può realizzare la nostra piena umanità. Ecco, l’infinito diventa umano per l’umano per realizzare il suo progetto infinito. L’infinito divenne un essere umano così che l’essere umano divenne Infinito.

Per concludere niente di più toccante di questi versi di Fernando Pessoa, il grande poeta portoghese, sul Gesù Bambino:

È l’Eterno Bambino, il Dio che mancava.

Lui è l’umano che è naturale,

È il divino che sorride e gioca.

Ecco perché io so per certo

Che lui è il vero bambino Gesù.

È un bambino così umano che è divino.

Andiamo così d’accordo l’uno con l’altro.

In compagnia di tutto

Che mai pensiamo l’uno all’altro.

Ma viviamo insieme

Con un intimo accordo

Come la mano destra e la mano sinistra

Quando morirò, figliolo mio,

Sia io il bambino, il più piccolo.

Prendimi tu in braccio

E portami dentro la tua casa.

Spoglia il mio essere stanco e umano

E mettimi nel tuo letto.

E raccontami storie se mi sveglio,

Per potermi riaddormentare.

E dammi i tuoi sogni per giocare

Finché possa nascer un giorno

Che tu sai qual è.

Buon Natale a tutti e tutte. Fidiamoci: c’è una Stella come quella di Betlemme per illuminare la nostra via, per quanto possa apparire oscuro. Se io non conosco la strada, Bambino, tu la sai e la sai bene.

*Leonardo Boff è teologo e ha scritto Natale: l’umanità e giovialità del nostro Dio, Vozes, 8ª edizione, 1976.

Traduzione di MJ Gavito & Elena Brigo.

Do ex-Presidente Lula: mensagem de Natal,de esperança e resistência

De sua solitária em Curitba, onde está preso por razões que os maiores juristas nacionais e internacionais questionam e sem poder receber ninguém, nem mesmo  seus familiares -oh crueldade – Lula mandou uma carta lida pelo ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho. Mais de 500 pessoas passaram a noite de Natal perto de sua janela cantando hinos natalinos e desejando-lhe, apesar das tribulações, um Feliz Natal às quais, como amigo de 30 anos me somo: LBoff

Eis a íntegra da carta:

“Meus amigos e minhas amigas,

O Natal é a época do ano em que lembramos com mais força da vinda de Jesus, dos ideais de solidariedade e bondade cristãos. Nos aproximamos da família e dos amigos, celebramos juntos, nos abraçamos e reunimos força para o ano seguinte.

Esse Natal não poderei estar junto fisicamente com a minha família, meus filhos e netos. Mas não estou sozinho. Estou com vocês da vigília, que tem sido minha família, e com todos aqueles que vieram passar esse Natal junto de vocês.

Quero agradecer a companhia que tem me feito a cada dia, todo o dia, durante essa provação, no frio do inverno do Paraná ou no calor que tem feito esses dias.

Sigamos fortes. O ódio pode estar na moda, mas não temam nem se impressionem com essas pessoas posando de valentões. O tempo deles vai passar e a verdadeira mensagem de Jesus, um marceneiro que foi perseguido pelos vendilhões do templo, pelos soldados e pelos promotores dos poderosos, vai continuar a ecoar em cada Natal: uma mensagem de amor, fraternidade e esperança.

A luta por um mundo melhor continua.

Feliz Natal,

Lula”