Why won’t the official Catholic Church discuss sexuality and the law of celibacy?

Pope Francis was undeniably courageous in openly confronting the issue of pedophilia within the Catholic Church. He encourages reporting pedophiles, (priests, religious, bishops and cardinals) to the civil authorities for prosecution and punishment. In the Roman encounter for the Protection of Minors, in late February 2019, the Pope imposed 8 Determinations, among which were “zero pedophilia” and “protection of the victims of abuse”.

Pope Francis identifies the root of the problem as “the scourge of clericalism, which is fertile ground for all these abominations”. Clericalism here means the concentration of all sacred power in the clergy, to the exclusion of other levels that are considered to be above all suspicion or criticism. As it happens, some clergymen use that power, that in itself ought to irradiate trust and reverence, to sexually abuse minors.

However, in my opinion, the present Pope and his predecessors, for reasons that I will try to clarify, have not dealt adequately with the issues of sexuality and the law of celibacy.

As to sexuality, we must recognize that the Church, the-great-pyramidal-institution, has historically held a distrustful and extremely negative attitude towards sexuality. The Church is hostage to an erroneous understanding that derives from the Platonic and Augustinian traditions. Saint Augustine saw the sexual act as the path through which original sinenters. Through it, from birth, each human being supposedly carries the stain of a sin, regardless of personal responsibility, in solidarity with the sin of the original parents.

With less procreative sex, there are fewer “massa damnata” (condemned masses). The woman, who bears the off-spring, is responsible for bringing original sin into the world. This is why the woman is denied full humanity. She is called “mas” which in Latin means “incomplete man”. Herein lies the theoretical grounding of the anti-feminism and machismo in the Roman Catholic Church.

Hence the high value placed on celibacy, because without sexual-genital relations with a woman, no children will be born. Thus, the original sin will not be transmitted.

In the analyses and condemnations that surround pedophilia, the basic problem has yet to be discussed: sexuality. A human being is not defined by gender. In body and soul the human being is sexualized. It is so essential that the continuity of life passes through it. But this is a mysterious and extremely complex reality.

The French thinker, Paul Ricoeur, who philosophically reflected on Freud’s psychoanalytic theory, wrote: “deep down, sexuality remains perhaps impermeable to reflection and inaccessible to human dominance; perhaps that capacity means that sexuality cannot be reduced to an ethics or a technique” (Revista Paz y Tierra n. 5,1979, p. 36). Sexuality lives between the law of the day, where established behaviors prevail, and the law of the night where free impulses function. Only an ethics of respect towards the other sex and permanent self control of that volcanic energy can transform sexuality into an expression of affection and love, rather than an obsession.

We know that insufficient preparation is given in the seminaries to priests for integrating sexuality. Normal contacts with women are so circumscribed that it results in a certain atrophy in the development of their identity. Why did God create humanity as man and woman? (Gn 1,27). It was not primarily for procreation, but so that men and women would not be alone, so that they would be compañeros. (Gn 2,18).

The sciences of the psyche show that a man only matures under the gaze of the woman, and a woman, under the gaze of the man. Man and woman are complete but reciprocal, and they mutually enrich each other through their differences.

Cellular genetics shows that the difference in chromosomes between man and woman is limited only to one chromosome. The woman possesses two XX chromosomes and the man has one X and one Y chromosome. Hence one can deduce that the basic sex is the feminine (XX), with the masculine (XY) being a differentiation of the feminine. Consequently there is no absolute sex, only a dominant one. “A second sex” exists in each human being, man and woman. Human and sexual maturity. lies in the integration of the “anima” and the “animus”, namely, of the feminine and masculine dimensions present in each person.

Celibacy is not excluded from this process. It can be a legitimate option, but in the Catholic Church it is imposed as a condition for becoming a priest or a religious. On the other hand, celibacy cannot be born of an inability to love, but from a super abundance of love of God, that is transferred to others, especially to those most lacking for affection.

Why doesn’t the Roman Catholic Church abolish the law of celibacy? It would be contradictory with her structure. The Catholic Church is, socially, a totally authoritarian, patriarchal, machista and hierarchical institution. A Church structured around the sacred power encounter what C. G. Jung denounced: “where power predominates, there is neither love nor tenderness”. That is what occurs, in part, with machismo and rigidity in the Church. To correct this deviation, Pope Francis tirelessly preaches “the tender and affectionate encounter”. Celibacy exists in function of the isolated and solitary clerical Church.

If this type of Church prevails, we should not expect abolition of the law of celibacy. That law is useful for that type of Church, but not for the faithful.

And where is Jesus of Nazareth’s dream of a fraternal and egalitarian community? If His dream were to be fulfilled, everything would have to change in the Roman Catholic Church.

Leonardo Boff Eco-Theologian-Philosopher,Earthcharter Commission

Free translation from the Spanish sent by
Melina Alfaro, alfaro_melina@yahoo.com.ar.
Done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.

Inventário da violência da ditadura cívico-militar-empresarial a partir de 1964 : F.Altmayer Jr.

Do Prof. Dr. Fernando Altmeyer da PUC-SP  já foram publicadas várias matérias de cunho histórico e estatístico. É conhecido por sua seriedade. Desta vez, é importante que leiamos o que recolheu de maldades e barbaridades que a ditadura civil-militar-empresarial produziu em 21 anos de sua vigência.  Consciência da verdade, da justiça e sobretudo da memória de dor exigem/clamam que enfrentemos a vontade diabólica do atual presidente  que pretende celebrar o golpe após 55 ano de uma sangrenta ditadura  imposta em 31 de março de 1964. Seria como se Angela Merkel obrigasse celebrar a figura de Adolf Hitler e Putin a figura de Stalin, com os horrores que ambos e outros cometeram contra a humanidade e a dignidade humana. Desta forma somos, como cidadãos, degradados por um Presidente que deveria, por ofício, representar valores humanitárias e democráticos e respeitosos das vítimas, de ambos os lados,  pois houve excessos de ambas as partes, dos que reprimiam e dos que eram reprimidos. Ocorre que a violência repressiva  provinha  dos agentes do Estado de exceção que, por dever, como Estado, deve proteger  o cidadão e não persegui-lo, torturá-lo, fazê-lo desaparecer e finalmente assassiná-lo. Brasil Nunca Mais é o livro publicado pelo Card.Paulo Evaristo Arns de São Paulo.  A singularidade deste livro que o torna insuspeito reside no fato de que foi escrito estritamente a partir de documentos produzidos pelas próprias autoridades encarregadas da repressão. Não vinham das vítimas das torturas mas dos produtores das torturas em nome do Estado de Segurança Nacional em processos do Superior Tribunal Militar (STM), num total que ultrapassa um milhão de páginas de mais de 707 processos completos e de outros incompletos.

Dai a importância deste breve inventário dos horrores que a ditadura impôs ao povo brasileiro produzido acuradamente pelo Prof. Fernando Altmeyer Jr. Ele vem comemorado pela paranóia do atual presidente que não reconhece o fato da ditadura e que disse e repetiu:”a ditadura cometeu um erro: torturou quando devia ter fuzilado os subversivos”.  Aí não temos mais palavras. A ignomínia é demasiadamente grande para ser pensada e refutada.

Brasil, Nunca Mais (1985 pela Editora Vozes) foi o título do livro que o Cardeal Arns apresentou em nome da Igreja diante do mundo inteiro os horrores das salas de tortura mas no sentido da paz e para que nuca mais se repita esta tragédia e se supere a banalidade do mal.  Lboff

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Inventário da violência praticada durante a ditadura cívico-militar-empresarial desde 1.4.1964: 55 anos de dor, amnésia, injustiça e sofrimentos de todo o povo brasileiro:

500.000 cidadãos investigados pelos órgãos de segurança
200.000 detidos por suspeita de subversão
50.000 presos entre março e agosto de 1964
11.000 acusados em julgamentos viciados de auditorias militares
5.000 condenados
10.000 torturados no DOI-CODI de São Paulo
40 crianças presas e torturadas no DOI-CODI paulistano
8.300 vítimas indígenas de dezenas de etnias e nações
1.196 vítimas entre os camponeses
6.000 mil apelações ao STM que manteve as condenações destes 2.000 casos
10.000 brasileiros exilados
4.882 mandatos cassados
1.148 funcionários públicos aposentados ou demitidos
1.312 militares reformados compulsoriamente
1.202 sindicatos sob intervenção do Estado e do Judiciário cúmplice e
inconstitucional
248 estudantes expulsos de universidades pelo famigerado decreto
ditatorial numero 477
128 brasileiros e 2 estrangeiros banidos sendo alguns sacerdotes
católicos …
4 condenados à morte (pena comutada para prisão perpetua)
707 processos políticos instaurados pela Justiça militar em diversas
Auditorias
49 juízes expurgados, três deles do Supremo Tribunal Federal
3 vezes em que o Congresso Nacional foi fechado pelos generais ditadores
7 Assembleias Legislativas postas em recesso
Censura prévia a toda a imprensa brasileira
434 mortos pela repressão
144 desaparecidos
126 militares, policiais e civis mortos em ações contra a resistência
à ditadura
100 empreiteiras e bancos envolvidos em escândalos abafados pelos militares
Reimplantação do trabalho escravo nas fazendas do Brasil com o
beneplácito dos governos militares.
Sucateamento das Universidades pela imposição do programa MEC-USAID
Destruição do movimento social brasileiro
Fim das organizações da sociedade civil como UNE, Centros de Cultura,
Ligas Camponesas, JUC, Agrupamentos e partidos de esquerda.
Corrupção em todos os níveis por grupos militares e cobrança de
propinas para as grandes obras.
Submissão aos interesses norte-americanos pela presença da CIA e de
torturadores treinados na Escola das Américas em todos os órgãos
policiais e militares.
Destruição das Guardas municipais e estaduais e militarização das policias
Domínio da Lei de Segurança Nacional e propaganda da Ideologia de
Segurança Nacional.
Expansão do poder de empresas beneficiarias do golpe como redes de TV,
jornais pro-ditadura e grupos econômicos que financiaram a tortura
e a repressão.
21 anos de ditadura e escuridão com a destruição das vias democráticas
e o vilipêndio da Constituição e da Liberdade em nome do Estado
autocrático e destrutivo da nação brasileira.
Construção de obras faraônicos como Transamazonica, Ponte rio-Niteroi,
Itaipu e outras com desvio de vultosas quantias do erário publico
para empresas e corruptos do governo federal e estadual.
Instauração de senadores e prefeitos biônicos.
Criação de locais de tortura e casas da morte, como por exemplo, a de
Petrópolis-RJ.
Instalação de campos de concentração em território nacional usando de
técnicas nazistas.
Pagamento e manutenção de imensa rede de arapongas e informantes das
forças repressivas para denunciar os que lutavam pela democracia.
Apoio de médicos para a realização da tortura e para fazer laudos
falsos das mortes em prisões e locais do Estado brasileiro.
Perseguição e morte de brasileiros fora do Brasil em ligação com as
forças ditatoriais de outros países do Cone Sul.
Acolhida de ditadores de outros países como Alfredo Stroessner do Paraguai.
Financiamento de grupos paramilitares.
Apoio a atos terroristas e incêndio de prédios (UNE), bancas de
jornais, redações, igrejas, sindicatos, e apoio às milícias de
latifundiários para extermínio sistemático e impune de índios e
posseiros em toda a Amazônia e Nordeste brasileiro.
Campanha de difamação contra bispos, pastores, líderes políticos em
canais de televisão para indispor a opinião pública e favorecer a
repressão.
Proibição de citar o nome de Dom Helder Câmara em qualquer órgão de
imprensa do Brasil por mais de 20 anos, quer notas positivas quer
negativas.
Bombas explodidas em todo o território nacional e em particular no
episódio do RioCentro a mando de generais e grupos terroristas dentro
das Forças Armadas.
Perseguição aos artistas brasileiros.
Formação da ARENA, partido de direita manipulado pelos militares e
elite financeira do Brasil.
Repressão e perseguição da UNE e invasão da PUC-SP pelo coronel Erasmo Dias.

Fontes: relatórios da CNV, dados de Luiz Claudio Cunha e informes do
gabinete do Deputado Adriano Diogo, da Assembleia Legislativa do
Estado de São Paulo, dados do livro Brasil, Nunca Mais.

 

Seis anos do pontificado do Papa Francisco em números

O Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior – Departamento de Ciência da Religião da PUC-SP – é já nosso conhecido no blog. É o teólogo que mais acuradamente acompanha os passos da Igreja e em particular do Papa Francisco. Aqui vai um balanço do que foram os 6 anos de seu pontificado. É espantoso o seu trabalho apesar da idade e das limitações de sua saúde (possui apenas um pulmão). Altmeyer consulta muitas fontes mas  a principal é: www.vatican.va).Lboff

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Em 19 de março de 2019 celebramos os seis anos do papa Francisco como bispo de Roma. Seu foco articulador continua sendo cuidar pessoalmente dos migrantes e refugiados, fazendo a sua voz profética ecoar em favor das periferias do planeta. Palavras de ordem: misericórdia, missão, alegria, reforma franciscana, colegialidade e diálogo. A motivação primeira é a missão, o cuidado pastoral dos empobrecidos e não mais o clericalismo doentio e narcisista. Diz ele que é a hora histórica da Igreja em saída, seguindo as intuições expressas pelo Concílio Vaticano II. Começa a delinear um novo rosto episcopal em todo o mundo. Bispos atentos aos pobres, atuando na pastoral, movidos pela compaixão.

 Circunscrições católicas no mundo todo: 12 patriarcados, 641 arquidioceses, 2.125 dioceses, 44 prelazias territoriais, 11 abadias nullius, 42 exarcados dos ritos orientais, 36 ordinariatos militares, 88 vicariatos apostólicos, 39 prefeituras apostólicas, sete administrações apostólicas, oito missões independentes–sui iuris, três ordinariatos pessoais, uma administração de rito extraordinário latino e uma rede de 132.642 centros missionários e 221.740 paróquias.

 Entidades filantrópicas e de ensino da Igreja Católica no planeta: 72.800 creches frequentadas por 7.300.000 crianças; 96.600 escolas de ensino fundamental para 35.100.000 alunos; 47.900 escolas de ensino médio para 20.000.000 alunos e 2.381.337 alunos do ensino superior; e 3.103.072 estudantes participantes das Universidades Católicas. Ainda 5.167 hospitais católicos, 15.699 casas para pessoas idosas, 10.124 orfanatos, 11.596 enfermarias, 14.744 consultórios de orientação familiar e 115.352 institutos beneficentes e assistenciais.

 Número de fieis congregados pela Igreja Católica em seus diferentes ritos latinos e orientais: Em 2017 foram contados 1,313 bilhão de batizados, com a ação ministerial de 3.170.643 catequistas, 362.488 missionários leigos, são 54.229 os irmãos religiosos e 668.729 religiosas com votos perpétuos de vida consagrada. O clero católico é composto de 5.493 bispos (em 13/03/2019), 415.656 presbíteros sendo 281.514 diocesanos e 134.142 do clero religioso, 45.000 diáconos casados permanentes e há 116.843 seminaristas maiores.

 Programa reformador: O Papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio assume uma postura evangélica transparente: “Exige-se a toda a Igreja uma conversão missionária: é preciso não se contentar com um anúncio puramente teórico e desligado dos problemas reais das pessoas (AL 201)”. Ele quer uma ação permanente de saída: “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação (EG 27)”.

 Inscrições no Martiriologium Romanum: Papa Francisco reconheceu publicamente 886 santos (até 13/03/2019) inscrevendo-os no cânon do Martyriologium Romanum e ainda 1.175 beatos (até 23/03/2019). O Papa João Paulo II havia incluído na lista canônica 482 santos e 1.341 beatos. O papa Bento XVI inscrevera no cânon: 45 santos e 371 beatos. Francisco acaba de canonizar ao papa Paulo VI e o bispo mártir salvadorenho dom Oscar Romero em outubro de 2018. Certamente fará as canonizações dos mártires da América Latina, África e Ásia perseguidos nas cinco últimas décadas do século XX. Em 2019 está programada a canonização do bispo argentino dom Enrique Angel Angelleli, assassinado pela ditadura em 1977. O Brasil espera as canonizações de irmã Dulce dos Pobres, dom Helder Pessoa Câmara, irmã Adelaide Molinari, operário Santo Dias da Silva, padre Josimo Moraes Tavares, irmão jesuíta Vicente Cañas, padre Ezequiel Ramin, irmã Creusa Carolina Rody Coelho, padre salesiano Rodolfo Lunkenbein e o índio Lorenzo Simão Bororo; dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, indígena Sepé Tiarajú, Dorcelina de Oliveira Folador; Eugenio Lyra Silva; Expedito Ribeiro de Souza; Franz de Castro Holwarth; frei Tito de Alencar Lima, dominicano; indígena pataxó Galdino Jesus dos Santos; Irmã Dorothy Mae Stang; indígena kaigang Marçal de Souza Tupã-i; a sindicalista Margarida Maria Alves; irma Maria Filomena Lopes Filha; padre Antonio Henrique Pereira Neto; padre francês Gabriel Felix Maire; o jesuíta João Bosco Penido Burnier; padre Leo Comissari; padre Manuel Campo Ruiz; leiga Roseli Correa da Silva; líder sindical Sebastião Rosa Paz; catequista Vilmar José de Castro, entre tantas testemunhas do Cristo Ressuscitado.

(fonte: http://www.causesanti.va/content/causadeisanti/it.html )

 Vinte e duas viagens internas na Itália: Lampedusa em 08/07/2013; Cagliari em 22/09/2013; Assis em 04/10/2013; Campobasso e Isernia em 05/07/2014; Caserta em 26/07/2014; Cassiano all´Ionio em 21/06/2014, Redipuglia em 13/09/2014, Prato e Firenze em 10/11/2015, Turim, 21 e 22/06/2015, Pompeia e Nápoles em 21/03/2015, duas vezes em Assis em 04/08/2016 e 20/09/2016, Milão 25/3/2017, Carpi 02/04/2017, Genova 27/5/2017, Bozzolo e Barbiana 20/06/2017; Cesena e Bolonha 01/10/2017; Pietrelcina, diocese de Benevento, e San Giovanni Rotondo, diocese de Manfredonia-Vieste-San Giovanni Rotondo, para celebrar os 50 anos da morte de São Pío de Pietrelcina, em 17/03/2018; em 20/04/2018, região de Puglia, nas cidades de Alessano-Lecce, na diocese de Santa Maria de Leuca, e Molfetta, para celebrar os 25 anos da morte de Dom Tonino Bello; Nomaldelfia, na Toscana em 10/05/2018, para encontrar a comunidade fundada por padre Zeno Saltini; e em seguida Loppiano (Florença) na cidade internacional do Movimento dos Focolares; Bari, 07/07/2018; diocese de Piazza Armerina e Palermo para celebrar o 25° Aniversário de Morte do Beato Pino Puglisi, em 15/09/2018. Planejada visita a Loreto em 25 de março de 2019.

Viagens internacionais de Francisco: Completam-se 27 viagens internacionais que o conduziram a 36 países: Brasil (22 a 29/07/2013), Jerusalém (24 a 26/05/2014), Coreia do Sul (13 a 18/08/2014), Albânia (21/09/2014), França (Estrasburgo, Parlamento Europeu, em 25/11/2014), Turquia (28 a 30/11/2014), Sri Lanka e Filipinas (12 a 19/01/2015), Bósnia-Herzegovina (Sarajevo em 06/06/2015), Equador, Bolívia e Paraguai (05 a 13/07/2015), Cuba e Estados Unidos e sede da ONU (19 a 28/09/2015), Quênia, Uganda e República Centro Africana (25 a 30/11/2015), México (12 a 18/02/2016), Lesbos, na Grécia em 16/04/2016, Armênia em 24-26/06/2016, Polônia, durante a JMJ de 27 a 31/07/2016, Geórgia e Azerbaijão de 30/09 a 2/10/2016, Suécia de 31/10 a 01/11/2016, Egito, 28-29 abril de 2017, Fátima, em Portugal, 12-13 de maio de 2017, Colômbia, 06 a 11 de setembro de 2017; Bangladesh e Myanmar, 27 de novembro a dois de dezembro de 2017; Chile e Peru, 15 a 21/01/2018; Conselho Mundial de Igrejas em Genebra, em 21 de junho de 2018; Irlanda, ao Encontro Mundial das Famílias, 25 a 26 de agosto de 2018; Lituânia, Estônia e Letônia, 22 a 25/09/2018; Panamá de 23 a 28 de janeiro de 2019 para a XXXIV Jornada Mundial da Juventude; Emirados Árabes Unidos, 3 a 5 de fevereiro de 2018. Planejadas viagens ao Marrocos 30 e 31 de março de 2019; Bulgária e Macedônia, 5 a 7 de maio de 2019; Romênia 31/05 a 02/06/2019; Japão em novembro de 2019. Estão pendentes visitas para Madagascar, Coreia do Norte, Sudão do Sul, Argentina, Uruguai, Índia, Beijing (China) e Moscou (Rússia).

Discursos, homilias e textos importantes: O papa Francisco até 13/03/2019 pronunciou 1.196 discursos, 304 homilias. Escreveu duas exortações apostólicas pós-sinodais: Evangelium Gaudium (A Alegria do Evangelho) publicada em 24/11/2013 e Amoris Laetitia (A alegria do amor) em 08/04/2016. Publicou também a exortação apostólica Gaudete et Exultate, sobre a santidade em 19/03/2018. Enviou 35 constituições apostólicas, 192 cartas, uma bula, 32 cartas apostólicas, 258 mensagens, 34 motu próprios. Acolheu milhares de peregrinos em 263 audiências gerais, presidiu 535 celebrações na Casa Santa Marta com as meditações cotidianas publicadas, doze bençãos Urbi et Orbi e rezou 322 Angelus, da janela do Vaticano. Proclamou e fez acontecer um Ano da Misericórdia em 2016. Escreveu duas encíclicas: Lumen Fidei, de 29/06/2013, e Laudato Si’, publicada em 18/06/2015. Presidiu três sínodos da Igreja universal e tem programado para outubro de 2019, o sínodo extraordinário da Pan-Amazônia, no Vaticano.

Ecumenismo e diálogo inter-religioso: Francisco realizou gestos de grande amor ecumênico junto aos irmãos luteranos, na celebração dos 500 anos da Reforma. Também junto aos ortodoxos russos e ao patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, chamado por ele carinhosamente de “meu irmão André”, recordando que ele exerce a função de Pedro, em Roma. Manteve encontros frequentes com o primaz da Igreja Anglicana, Justin Welby. O papa Francisco propôs três chaves para avançar no caminho comum dos cristãos e aprofundar o ecumenismo: oração, testemunho e missão. Houve encontros fecundos com os irmãos menonitas, os pentecostais, os metodistas, os batistas, os reformados. Particularmente fecundo foi o encontro realizado no Vaticano com a atual moderadora do Comitê central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Agnes Abuom, e o secretário geral do mesmo organismo ecumênico, Rev. Olav Fykse, na manhã de 24/08/2017 em que fez uma oração comum pela unidade, pela paz e reconciliação das igrejas e dos povos. As pontes junto aos judeus, islâmicos, hindus e budistas têm sido edificadas com esmero e sabedoria. Francisco sabe que não haverá paz mundial sem paz entre as religiões. Visita como peregrino ao CMI celebrou os 70 anos da entidade ecumênica mundial. Importante encontro inter-religioso em Abu Dhabi, com os irmãos muçulmanos em fevereiro de 2019.

 Medidas internas na Cúria: Alterou inúmeros procedimentos ligados à questão da pedofilia; alterou funções de muitos dos serviços da Cúria Romana; limitou o número de títulos honoríficos na instituição católica; criou a comissão de controle do Instituto para as Obras de Religião (IOR); nomeou 59 novos cardeais eleitores; publicou quatro estatutos alterando o formato dos secretariados romanos. Em função de sua firme decisão de reformar a Igreja tem sofrido pressão imensa dos quadros eclesiásticos da Cúria e de alguns episcopados que lhe oferecem resistência e em alguns casos até oposição, entre eles cardeais e alguns poucos bispos dos Estados Unidos da América, na Polônia, Espanha, um cardeal da China, bispos do Cazaquistão e a parcela dos bispos integristas em muitos países. O gesto mais significativo se concentrou na política de tolerância zero com os presbíteros e religiosos acusados de pedofilia em todo o planeta, em especial, nos Estados Unidos, Europa e Austrália. Caso recente de acobertamento de pedófilos por bispos chilenos resultou no pedido de demissão coletivo de todo o episcopado na ativa (34 bispos). Vários foram aceitos e aposentados compulsoriamente. Neste ano anuncia-se que cardeais serão aposentados e exonerados dos cargos, como Pell, Ezzati e Barbarin.

 Medidas futuras: Aconteceu em 21 a 24 fevereiro de 2019 o encontro inédito de todos os 114 presidentes das Conferencias Episcopais de todo o mundo, junto aos chefes dos dicastérios romanos, chefes das Igrejas de ritos Orientais, Secretária de Estado, alguns Superiores religiosos/as, no Vaticano, que tratou de medidas concretas e ágeis para combater a pedofilia e o acobertamento de crimes no clero católico como tolerância zero. Em outubro de 2019 o Sínodo Extraordinário para a Amazônia, em Roma. Espera-se ainda uma encíclica social sobre o tema dos refugiados e imigrantes. A Reforma da estrutura burocrática da Cúria Romana desenhada pelo grupo de trabalho de cardeais. Provável aprovação das mulheres diaconisas e pequena revisão do código canônico para aprovar homens casados ao ministério presbiteral na igreja católica de rito latino, já presentes nos ritos orientais. Medida particular para regiões sem clero missionário e autóctone.

 Papa Francisco e o novo rosto do Episcopado Brasileiro: Em 13/03/2019 dos atuais 480 bispos no Brasil, contamos 309 na ativa e 171 eméritos. Por indicação papal temos a seguinte composição: dois bispos nomeados pelo papa São João 23, ambos eméritos (D. Serafim Fernandes de Araújo e dom José Mauro Alarcón); 36 nomeados bispos durante o governo do santo papa Paulo VI (todos eméritos); 223 nomeados pelo santo papa João Paulo II (125 eméritos); 124 nomeados pelo papa Bento XVI (oito eméritos); e 95 bispos nomeados de 19/03/2013 até 13/03/2019 pelo papa Francisco (todos na ativa). Em 13/03/2019 há treze dioceses brasileiras vacantes. Quatro bispos já completaram 75 anos e tornar-se-ão eméritos. Em 2019 ainda outros oito bispos se aposentam por idade. Somando as dioceses vacantes (13), os quase eméritos (4) e os que vão aposentar-se em 2019 (8), teremos a nomeação em breve de 25 novos bispos para o Brasil. O perfil em 2020 seria este: 120 bispos nomeados por Francisco sobre 309 bispos atuantes, ou seja, 39% do episcopado. Já poderemos ver esse novo rosto na eleição em abril dos novos cargos na CNBB, especialmente presidente, vice e secretário geral. Um horizonte de esperanças está descortinando para uma Igreja que retome a opção pelos pobres e pela justiça social. Uma Igreja de bispos profetas.

Francisco e a composição do colégio de cardeais em 13/03/2019: Os atuais cardeais eleitores são 122 bispos católicos de 65 países. Os cardeais não eleitores são 101 com mais de oitenta anos. Há um total de 223 cardeais vivos provindos de 88 países. O cardeal norte-americano McCarrick foi excluído do Colégio de cardeais. Segundo a indicação dos diferentes papas quando da elevação ao cardinalato temos a atual composição no colégio de cardeais:

Beato Papa Paulo VI – não há mais nenhum cardeal vivo (o papa emérito Bento XVI foi criado cardeal pelo beato papa Paulo VI).

Papa São João Paulo II18 eleitores + 57 não eleitores = 75 cardeais vivos.

Papa emérito Bento XVI47 eleitores + 28 não eleitores = 75 cardeais vivos.

Papa Francisco57 eleitores + 16 não eleitores = 73 cardeais vivos.

Do total de 223 cardeais vivos temos 38 advindos de ordens religiosas e congregações (24 eleitores e 14 não eleitores). Há 14 cardeais bispos sendo seis eleitores, 174 cardeais presbíteros sendo 96 eleitores e, 35 cardeais diáconos sendo 20 eleitores. Total de 122 eleitores + 101 não eleitores = 223 cardeais vivos.

Cardeais eleitores da Europa são 52; das Américas são 34; da África são 16; da Ásia são 16; e da Oceania são 4.

Resumo:

18 cardeais eleitores criados por São João Paulo II;

47 eleitores criados por Bento XVI;

57 eleitores criados por Francisco.

Ainda nesse ano de 2019 completam 80 anos e se tornam não-eleitores, oito cardeais (que não mais participarão de conclaves para escolha do bispo de Roma). Portanto, até junho de 2019 poderíamos ter novo consistório com a nomeação de ao menos cinco novos purpurados (para atingir o total de 120 membros).

Resumo dos seis anos do Pontificado de Francisco: Os seis anos do pontificado de Francisco são a fonte de oxigênio para os cristãos, aberto aos demais crentes e mesmo uma ponte feliz de diálogo aos ateus que buscam a verdade e a justiça. Francisco não veio repetir fórmulas. Quer o novo, como pastor de esperanças e alegrias, especialmente fala aos jovens, migrantes e refugiados e tem um compromisso junto ao planeta Terra, nossa Casa Comum.

 

Perché la chiesa ufficiale non vuole discutere né la sessualita né la legge del celibato

È innegabile il coraggio di Papa Francesco nell’affrontare apertamente la questione della pedofilia all’interno della chiesa. Ha fatto consegnare alla giustizia civile i pedofili, a cominciare dai preti e religiosi fino ai cardinali per farli giudicare e punire. Nell’incontro di Roma verso la fine di febbraio del 2019 sulla protezione dei minori, il Papa ha imposto otto punti tra i quali “pedofilia zero” e la “protezione dei bambini abusati”.

Il Papa addita la piaga principale: “il flagello del clericalismo che è il terreno fertile per tutte queste abominazioni”. Clericalismo qui significa la centralizzazione di tutto il potere sacro nel clero, con esclusione di altri, potere che si giudica al di sopra di qualsiasi sospetto e critica. Succede che persone del clero usano questo potere che, in sé, dovrebbe irradiare fiducia e riverenza, per abusare sessualmente di minori. Intanto, a mio modo di vedere, l’attuale Papa e i suoi predecessori non avevano sollevato la questione fino in fondo, per ragioni che più sotto tenterò di chiarire: la sessualità e la legge del celibato.

Quanto alla sessualità è necesario riconoscere che la Chiesa-grande-istituzione -piramidale ha coltivato storicamente un atteggiamento di sfiducia e perfino negativo davanti alla sessualità. È ostaggio di una visione erronea pervenuta a noi dalla tradizione platonica e agostiniana. Sant’Agostino considerava l’attività sessuale come la via attraverso la quale entra nell’uomo il peccato originale, col quale fin dalla nascita un essere umano diventa portatore di una macchia, di un peccato, senza colpa personale, in soliedarità con il peccato dei progenitori.

Quanto meno sesso procreativo, tanto meno “massa damnata” (massa condannata). La donna, siccome è un essere generativo, introduce nel mondo il male originario. Non le si riconosceva la piena umanità. Era chiamata “mas” che in latino significa “uomo non completo”.

Tutto l’antifemminismo e machismo nella chiesa romano-cattolica, trovavano qui le loro premesse teoriche. Da qui proviene l’alto valore attribuito al celibato, perché, in mancanza di relazione sessuale-genitale, con una donna, non avranno né figli né figlie. E così non si trasmetterebbe il peccato originale.

In tutte le analisi e condanne fatte sulla pedofilia non si è discusso ancora il problema soggiacente: la sessualità.

L’essere umano non ha sesso localizzato puntualmente: è tutto interamente sessuato nel corpo e nell’anima. Ed è talmente essenziale che da esso passa la continuità della vita. Ma abbiamo a che fare con una realtà misteriosa e estremamente complessa.

La Chiesa e anche la teologia no se hanno confrontato con quelli che hanno studiato profondamente la sexualità humana como Freud, Jung, Adler, Fromm, Lacan, Winnicott, Simone de Bouvoir, Ana Freud, Janette Paris, Rose Marie Muraro e tanti altri e altre. De modo generale si può dire che il pensiero officiale catolico   e anche teologico no hanno elaborato una utopia cristiana su la sexualità per aiutare ai fideli di vivere naturalmente, senza tante angustie e dolore, questo dono che Dio ci ha dato. Il documento del Papa Francesco Amoris Laetitica va in questa linea. Ma bisogna profondire molto di più questa tematica così centrale nella vita humana.

Il pensatore francese Paul Ricoeur che ha studiato e riflettuto filosóficamente sulla teoria psicanalitica di Freud ha scritto: “La sessualità, in fondo, rimane forse impermeabile alla riflessione e forse inaccessibile al dominio umano; forse questa opacità fa sì che essa non possa essere riassorbita in una etica e nemmeno in una técnica” (Rivista Paz e Terra n.5 del 1979 p. 36). Essa vive tra la legge del giorno, dove sono in vigore i comportamenti stabiliti e la legge della notte dove funzionano le pulsioni libere. Soltanto un’etica del rispetto di fronte all’altro sesso e l’autocontrollo permanente su questa energia vulcanica possono trasformarla in espresione di affetto, e di amore non in una ossessione.

Sappiamo quanto sia insuficiente l’educazione per l’integrazione della sessualità nella formazione dei preti nei seminari. Essa è fatta lontano dal contatto normale con le donne, il ché produce una certa atrofia nella costruzione dell’identità.

Perché Dio ha creato l’umanità nella forma di uomo e donna. (Gn 1,27)? Non principalmente per generare figli. Ma perché non rimanessero soli e senza compagnia. Le scienze della psiche hanno dimostrato chiaramente che l’uomo matura sotto lo sguardo della donna e la donna sotto lo sguardo dell’uomo. Uomo e donna sono completi ma reciproci e si arricchiscono mutualmente nella differenza.

Il sesso genetico-cellulare mostra che la differenza tra uomo e donna in termine di cromosomi, si riduce appena un solo cromosoma. La donna possiede due cromosomi XX e l’uomo ha un cromosoma ‘X’’ e un altro Y. Dove si capisce che il sesso base è femminile (XX), dato che il maschile (XY) ne è solo una differenziazione. Non c’è un sesso assoluto ma soltanto uno dominante. In ogni essere umano uomo o donna existe “un secondo sesso” spalmato sulla superficie corporea. Nell’integrazione dell’“animus” e dell “anima”, spiego, a partire dalle dimensioni del femminile e del maschile presenti in ciascuna persona se gestisce la maturità umana e sessuale.

In questo processo il celibato non è escluso, può essere un’opzione legittima. Ma nella chiesa è imposto come pre-condizione per essere prete o religioso. Da un altro punto di vista, il celibato non può nascere da una carenza d’amore, ma da una sovrabbondanza di amore verso Dio, che si riversa sugli altri, soprattutto su coloro che sono carenti di affetto.

Perché la chiesa romano-cattolica non abolisce la legge del celibato? Perché è contraddittorio alla sua struttura. Essa è, socialmente, un’istituzione, totale, autoritaria, patriarcale, macista e gerarchizzata. Una chiesa che si struttura attorno al potere sacro realizza quello che C.G. Jung denunciava: “Dove predomina il potere, lì non può esserci né amore né tenerezza. È quello che avviene col machismo e la rigidezza, in parte, nella chiesa. Per correggere questa deviazione, il Papa Francesco non si stanca di predicare “la tenerezza e l’incontro affettuoso” come forma di relazione pastorale che implica anche una integrazione della sexualità e per dare un senso evangelico e espirituale al celibato. Ma come stà ancora la situazione,  Il celibato è funzionale alla Chiesa clericale, sola e solitaria.

Al perdurare di questo tipo di chiesa, non possiamo aspettare l’abolizione della legge del celibato: è utile per l’apparato, anche se non per i fedeli.

E come la mettiamo col sogno di Gesù di una comunità fraterna e egualitaria? Se vissuto, cambierebbe tutto nella chiesa.

*Leonardo Boff insieme a Rose Marie Muraro hanno scritto Feminino &Masculino: uma nova consciência para o encontro das diferenças, Record 2010.

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato.