Leonardo Boff: “La Tierra ya no aguanta más este capitalismo ilimitado”

VOCES DEL MUNDO
11 de setembro de 2020 – Por Telma Luzzani

Leonardo Boff, uno de los pensadores más lúcidos de la izquierda latinoamericana, dijo que “urge una articulación global” para enfrentar la violencia y la destrucción ambiental. “La Tierra está profundamente amenazada”, señaló. Además, habló del reimpulso del Foro Social Mundial y criticó al presidente Jair Bolsonaro.


Leonardo Boff: “La Tierra ya no aguanta más este capitalismo ilimitado”
Telma Luzzani
Entrevista al teólogo y pensador brasileño.

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Francisco de Roma y Francisco de Asís

Las reflexiones de este pequeño libro tratan de acercar dos figuras que se revelan extraordinarias: Francisco de Asís y Francisco de Roma. El nombre de Francisco que el papa ha querido darse con-tiene un mensaje claro: de ahora en adelante estamos ante un modo nuevo de ejercer el papado, despojado de títulos y símbolos de poder, y con énfasis en una Iglesia inspirada en la vida y en el ejemplo de san Francisco de Asís, es decir, en la pobreza, en la sencillez, en la humildad, en la con-fraternización con todos.


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Crer em tempos de pandemia?

A humanidade, sob o ataque do coronavírus, experimenta muito sofrimento. A intrusão desse vírus que já levou mais de um milhão de pessoas, suscita toda uma gama de interrogações: que significa o fato de ter afetado somente os seres humanos e ter poupado nossos animais de estimação como cãe e gatos e outros? Estar no isolamento social, não poder abraçar  e beijar as pessoas queridas  e não poder conglomerar-se amigavelmente produz padecimentos de toda ordem e até revolta.

Neste contexto há pessoas, mesmo sem uma inscrição religiosa, que acolhem um Sentido maior da vida e do mundo, lutam pela justiça, pelo direito e pela melhoria mínima de nossa  sociedade e até aquelas que creem em Deus se perguntam: qual o sentido  deste abatimento planetário? Produziu-se um apagão. Gente de fé pode, inclusive, não crer mais em Deus. Outros, entretanto, encontram na fé um sustentáculo existencial que torna menos pesada esta situação de confinamento e de ausência dos outros ao seu redor. E procuram tirar lições de vida.

Vamos refletir sobre a fé em seu sentido mais comezinho, antes de qualquer confissão  religiosa ou de doutrinas e de  dogmas, a fé em sua densidade humana.

Há um dado existencial prévio à emergência da fé: a bondade fundamental da vida. Por mais contraditória que se apresente a realidade, por mais absurdo que seja o ataque da Mãe Terra contra humanidade através do Covid-19 vigora em nós a convicção de que vale mais a pena viver do que morrer. Dou um exemplo tirado da vida cotidiana: uma criança acorda na noite, sobressaltada, por um pesadelo ou pela escuridão. Grita pela mãe. E esta num gesto  da magna mater toma-a no colo e carinhosamente lhe sussurra: querida, tudo está bem, mamãe está aqui, não tenhas medo. E a criança entre soluços reconquista a confiança e um pouco mais e mais um pouco novamente adormece.

No mundo nem tudo está bem. Mas convenhamos, a mãe não está mentindo à criança. Apesar de todas as contradições, predomina a confiança de que uma ordem maior subjaz e prepassa a realidade. Ela impede que o absurdo predomine. Ela traz sossego à criança e serenidade à mãe.

Crer é dizer “sim e amém” à realidade. O filósofo L. Wittgestein podia dizer em seu Tractarus ligico-philosophicus (n.7):”Crer é afirmar que a vida tem sentido”. Este é o significado originário e bíblico de fé -he’emin ou amen – que equivale a  estar seguro e confiante. Daí se deriva o amém:”é isso mesmo”. Ter fé é estar seguro no sentido da vida. Este é um dado antropológico de base: nem pensamos nele, pois estamos  sempre dentro dele pois inconscientemente admitimos que vale a pena viver e realizar um propósito.

Crer, no dizer de Pascal, é uma aposta de que a luz vence  as trevas, de que a morte não pode aprisionar o sentido da vida e que, no fundo, em tudo deve existir algum sentido secreto e que, por isso, vale a pena continuar neste mundo. Crer não resolve todos os problemas. Como bem disse o ainda Papa Bento XVI na sua encíclica incompleta Lumen Fidei:a fé não é uma luz que dissipa todas as nossas trevas, mas é uma lâmpada que guia nossos passos e isto basta para o caminho”.

São muitos que se confessam agnósticos e ateus mas afirmam o sentido da vida, se empenham pela justiça social necessária e veem o no amor, na solidariedade e na compaixão  os bens maiores do ser humano. Quem não vive tais valores está longe de Deus, embora possam tê-lo frequentemente em seus lábios.

O bispo pastor, poeta e profeta Dom Pedro Casaldáliga recentemente falecido, expressou em pequenos versos onde está Deus: na paz, na justiça e no amor. Referia-se indiretamente àqueles que ameaçavam e matavam camponeses e indígenas e se confessavam cristãos e católicos.

         “Onde tu dizes lei

         Eu digo Deus.

         Onde tu dizes paz, justiça, amor

         Eu digo Deus.

         Onde tu dizes Deus

         Eu digo liberdade, justiça e amor”

         Escondido atrás destes valores, paz, justiça e amor, está Deus. Eles são o seu verdadeiro nome.

Simone Weil, a judia francesa que se converteu ao cristianismo mas não se deixou batizar em solidariedade a seus irmãos e irmãs judeus e judias  então condenados às câmaras de gás, nos dá uma pista de compreensão: “Se quiseres saber se alguém crê em Deus, não repare como fala de Deus mas como fala do mundo”,  se fala na forma do amor,da justiça e da liberdade, está falando de Deus. Quem vive tais valores mergulha  naquela Realidade que chamamos  Deus e expressa  uma fé em Deus.

A fé entendida assim, impõe limites e até condena toda a indiferença face aos sofredores, parentes e amigos de vítimados pelo Covid-19. Pode alguém proclamar “Deus acima de tudo” mas se não tiver compaixão e solidariedade para com com todos eles, esse Deus é um ídolo e ele está longe do Deus vivo e verdadeiro, testemunhado pelas Escrituras judaico-cristãs.

Crer é aceitar que há um outro lado da realidade que não vemos mas que acolhemos como parte de nós e que nos acompanha nas labutas cotidianas. Crer é afirmar que o Invisível é parte do visível. Nós intuímos sua presença  e nele vivemos e somos.

Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escreveu entre outros: “Covid-19: a Mãe Terra contra-ataca a humanidade” Vozes 2020 e “Experimentar Deus hoje”, Vozes 2011.


O covid-19: um contra-ataque da Terra à humanidade

Acaba de ser lançado pela Editora Vozes de Petrópolis o meu livro; ”O Covid-19: um contra-ataque da Terra contra a Humanidade”. Trata-se de uma reflexão sobre o significado  da irrupção do coronavírus e quais lições devemos tirar dele. Em primeiro lugar procuro contextualizar o Covid-19. Ele não pode ser visto isoladamente nem  ser abordado apenas pela medicina, pela técnica, pelo conjunto dos insumos e pela busca desenfreada de uma vacina eficaz.

Ele não irrompeu aleatoriamente. Ele só pode ser adequadamente entendido a partir da sistemática exploração e devastação que as sociedades humanas  levaram a efeito nos últimos três séculos contra a natureza e a Mãe Terra. Esta é, segundo um dado científico contemporâneo, é um Super Ente vivo que, de forma sistêmica, organiza todos os elementos e fatores, químicos, físicos, informacionais e energéticos, numa palavra, ecológicos para continuar viva, auto-reproduzir-se como viva e gerar a diversidade de vidas sobre seu solo.

Ora, esse processo natural foi profundamente afetado com a intrusão dos sistemas produtivos de exploração e de  produção, visando mais e mais vantagens materiais para os seres humanas. Especialmente ganhou forma, hoje mundializada, pelo modo de produção capitalista. Este trata a Terra de forma meramente utilitarista, sem nenhum respeito a seu valor intrínseco, apenas como uma espécie de baú cheio de recursos (bens e serviços, bondades na linguagem do andinos) à disposição do ser humano. Essa intrusão foi tão violenta e crescente que encostamos  nos limites da Mãe Terra.

Como todo organismo vivo que ela é, sente os golpes e começa a se defender. Envia-nos sinais que devem ser interpretados: o aquecimento global, a erosão da biodiversidade, a escassez de água potável, a desertificação  crescente. E já há anos enviou-nos uma gama de vírus, como a zika, o ebola, a chicungunha, os vários tipos do vírus SARS. O Coronavírus é uma derivação do SARS. Pela primeira vez na história, este vírus afetou todo o planeta. E no planeta apenas os seres humanos, não nossos cães e gatos e outros animais domésticos ou da natureza. O Covid-19 está dizimando duramente vidas humanas, passando já de um milhão e no Brasil mais de 140 mil vítimas.

Atrás destes números se esconde uma via-sacra de sofrimento de milhões de pessoas, maridos, esposas, filhos, filhas, parentes, amigos e conhecidos. Somos atualmente uma humanidade crucificada. E devemos baixá-la da cruz e ressuscitá-la.

O livro mostra que se tivéssemos seguido os mantras do sistema dominante, o industrialista devastador: o lucro, a competição, o individualismo, a primazia do mercado, a diminuição do Estado e a completa falta de cuidado das vidas humanas e da natureza, estaríamos agora sob um grande risco acerca de nosso futuro comum. O que nos está salvando são os valores e princípios ausentes no sistema de produção e de cultura que criou: a centralidade da vida em vez do lucro, a solidariedade em vez da competição, a interdependência de todos em vez do individualismo, o cuidado de uns e de  outros, da natureza e da Mãe Terra em vez da exploração,  o Estado adequadamente abastecido para atender demandas humanas e emergências e não  o mercado puro e simples com sua ferocidade.

O livro aborda estas questões e procura enfatizar o significado do confinamento social e da distância de conglomerações. Seria uma espécie de retiro existencial para perguntarmo-nos: afinal o que conta, a  vida ou o lucro, a economia ou a salvaguarda da biodiversidade? Nas resposta a estas questões se oculta a exigência de uma mudança de rumo, a inauguração de uma outro paradigma, vale dizer, de um outro modo de habitar a Casa Comum, amigo da vida, cheio de respeito, de solidariedade e de cuidado.

O pior que nos poderia acontecer, seria voltar ao que era antes e reproduzir a taxa de altíssima iniquidade social e ecológica, exatamente esta que ocasionou um contra-ataque da Mãe Terra contra a humanidade. Ou mudamos ou vamos encontro do pior e eventualmente de vírus ainda mais letais que dizimariam profundamente a espécie humana.

O livro será continuado por outro: “As dores do parto da Mãe Terra: as perspectives de um outro tipo de humanidade” a sair pelo final do ano.

Não anunciamos otimismo mas esperança, aquele motor interno a cada pessoa e aos processos sociais e  vitais que nos dá coragem para enfrentrar crises e emergências planetárias e encontrar saídas salvadoras.

Animam-nos as palavras da Revelação que nos dizem: “Deus criou todas as coisas com amor…pois Ele é o apaixonado amante da vida”(Sabedoria 11,26). Um Deus assim apaixonado não permitirá que nossa vida humana, já assumida pelo Verbo e pelo Espírito Santo, tenham um fim trágico. Vamos dar um salto para cima e vamos  levar avante o nosso penoso e criativo processo civilizatório e vamos ainda brilhar.

Leonardo Boff, ecoteólogo, filósofo e escritor.  


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