A serpente saiu do ovo e o fascismo se implantou pelo silêncio de muitos

Fernando Altmeyer Jr. é professor da PUC-SP e um dos que melhor acompanho o caminho da Igreja no Brasil e no mundo. Eis aqui um artigo que nos faz pensar sobre o grau de manipulação e de tradicionalismo existentes em nossa sociedade.O atual presidente não surgiu de repente e por acaso. Lança raízes nessa herança exdrúxula, parte da alma de muitos brasileiros. Oxalá possam resgatar seu lado luminoso, convivial, terno e franterno LBoff

25 Outubro 2022

Quando Afanásio Jazadji pedia, anos atrás, na rádio, aos seus ouvintes para que atacassem o cardeal Arns, muitos apoiaram chamando o então arcebispo de defensor de bandidos. Quando Gil Gomes, Ratinho, Datena em programas de rádio e TV, como Cidade Alerta, Aqui Agora, 190 Urgente! inocularam, por anos, o veneno nas mentes e corações, houve indiferentismo e inércia. Quando prenderam os democratas e alguns padres e pastores por defender os Sem-Terra, mulheres, indígenas e LGBTQIA+, muitos cristãos fingiram não ouvir o clamor dos mortos e violentados diariamente. Passaram ao largo sem ver o irmão caído. Não quiseram ser samaritanos. Quando grupos de ultradireita como a TFP, Arautos e parte dos carismáticos e pentecostais, transformaram a religião em mercadoria, falsificando o Evangelho, e calando a profecia, muita gente achou normal. Quando alguns padres postaram fotos com armas nas mãos, seus superiores e bispos nada fizeram.

Quando o arcebispo de Aparecida defendeu a mensagem da paz contra as armas, alguns católicos enfurecidos e heréticos foram ao santuário da Mãe Aparecida atacar a sua pessoa e vilipendiar o espaço sagrado. Cometeram crime pior do que o que diziam combater. Gritaram tanto contra o aborto e ao fim e ao cabo abortaram seus cérebros para pensar com lucidez. Se tornam marionetes manipulados pelo poder criminoso das milícias, da ultradireita semeando discórdia. Transformam um homem em mito e desprezam a realidade dos atos que esse mesmo governante pratica contra o povo diariamente. Gritam por paz, mas carregam pedras nas mãos. Falam de patriotismo, mas ofendem nordestinos ou vozes dissonantes. Usam redes como a de WhatsApp e TikTok para espalhar cizânia. Falam de Deus, mas têm corações de pedra. Dizem ser brasileiros democratas, mas gritam xenofobia e aporofobia em suas marchas e cartazes. São cegos morais e analfabetos políticos. A cada dia buscam um bode expiatório para esconder ressentimentos e fracassos. Exigem mudanças, mas vivem mergulhados em mentiras e falácias. Não estudam a história e repetem os erros do passado. Gritam contra o comunismo acabando por ser parteiros do fascismo. Nem os seus próprios filhos ou sobrinhos aguentam mais ouvi-los.

Bolsonaristas se tornaram pessoas insuportáveis, sempre mais fanáticas e fundamentalistas. Cegos conduzindo cegos. Ai de quem quiser furar a bolha e tirá-los de sua alienação grotesca: será amaldiçoado.

O fascismo penetrou vagarosamente, como uma bactéria mortal, a vida dos pobres e adestrou mentes para dividir e semear o joio nas igrejas e entre as famílias. Quando apresentaram em horário nobre, tantos programas tipo BBB, milhões votaram em favor da intolerância e da imoralidade durante semanas de terror e desprezo das pessoas confinadas. Quando os senhores da UDR compraram seus cargos como governadores, senadores e deputados, houve silêncio e medo. Quando os seguidores de Jânio Quadros, com seu populismo rasteiro, se metamorfosearam para o malufismo, muitos o aplaudiram, especialmente dentro da classe média paulista. Quando esses malufistas assumiram o bolsonarismo fascista, com apoio de juízes e promotores corruptos, o povo, manipulado, se vestiu de verde e amarelo em atos fanáticos.

Passados quarenta anos do fim da ditadura militar (1985) observamos os aparelhos de Estado (governo, parlamento e judiciário) comandados em muitos Estados por milicianos. O número de cúmplices é imenso. O Centrão comanda a corrupção por dentro da máquina estatal com um criminoso orçamento secreto, usando dinheiro público em emendas secretas, enquanto trinta milhões passam fome e seguem sem vacinas básicas. Uma pergunta não quer calar:

Quando o povo vai despertar da hibernação e sair para as ruas pedindo por justiça e paz? Quando Catilina, veremos a primavera brotar tal qual um ipê amarelo anunciando tempos democráticos? Quando vai chover justiça? Quando vai brotar paz? Quando pastores e padres deixarão de pregar pedindo dinheiro e irão defender os pobres? Quando ouviremos a voz de Deus e não do dinheiro, do capital e dos banqueiros? Quando o povo voltará a ser povo? Haverá Brasil em 2023? Há esperança? Onde foram morar a felicidade e a serenidade? Queremos vida e paz! Precisamos semear trigo para comer o pão da justiça e do amor. É hora de gritar e clamar. Não é o momento para calar diante da dor. Se nós calarmos, as pedras gritarã

Brasil: projeto autoritário  versus projeto democrático

Nunca em nossa história corremos um risco tão ameaçador como este que estamos correndo por ocasião das eleições no dia 30 de outubro. Há um projeto de Brasil autoritário, de viés fascista que pode desmantelar nossos bens mais preciosos, os culturais e os naturais como a floresta amazônica e a nossa biodiversidade. É próprio do fascismo manipular e distorcer a religião, a família e a moral, de tal forma que contradizem diretamente os valores pregados por Jesus e queridos por Deus, sempre citado por estas pessoas fanatizadas que o tem nos lábios mas não no coração. Nesse projeto nefasto predomina o ódio,a mentira e a divisão, produzida dentro das famílias e no círculo de amigos. Permitiu a compra de milhares de armas, exalta a tortura e se propõe eliminar opositores.

Apresenta-se um outro, o projeto de Brasil democrático, assumido por uma frente ampla e democrática, que sabendo do risco iminente,uniu partidos, antes opostos, celebridades da ciência, das artes, da religião e lideranças populares. Este projeto de Brasil vem fundado na democracia, nas liberdades,no respeito dos direitos humanos e da natureza. Confere centralidade à vida,começando com os 33 milhões de famintos e cerca de 100 milhões com insuficiência alimentar. Apesar de uma economia neoliberal concentradora e falida, procura criar oportunidades de trabalho, cuidar da saúde, da educação, da cultura, da segurança e do lazer para todos.

Ninguém pode ficar neutro e indiferente à essa ameaça, pois se tornaria cúmplice da tragédia socio-ecológica que pode ocorrer. É uma questão de sobrevivência do país como nação, evitando regredir à pura e simples barbárie.

Confiamos no bom senso dos eleitores e das eleitoras na decisão pelo projeto mais esperançoso.Contamos também com Deus, o “apaixonado amante da vida”como dizem as Escrituras e com a padroeira do Brasil, a negra Nossa Senhora Aparecida.

Nada supera a força intrínseca do amor e do ocuidado de uns para com os outros e para com a Mãe Terra. A capacidade de discernimento e o bom senso de nosso povo os fará  escolher o melhor projeto de Brasil e garantir um futuro promissor para todos, no compromisso pela justiça social, pela paz  e na alegre celebração da vida.

Leonardo Boff, ecoteólogo, filósofo e escritor, membro da Comissão Internacional da Carta da Terra.

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Publico este texto pois é esclarecedor e pode iluminar aqueles que ainda não decidiram de que lado da história querem estar por seu voto. 

      CARTA AOS IRMÃOS PRESBÍTEROS DA IGRJA CATÓLICA

         Meus queridos irmãos presbíteros,

Temos visto o fantasma da fome, violência, autoritarismo, preconceito e exclusão social rondando nosso país de forma preocupante. Mais grave é ver como a política que exalta a tortura, despreza o pobre e zomba da morte tem se mesclado com o fundamentalismo religioso que se diz cristão.

Estamos envoltos em um clima que prenuncia uma mistura dos regimes totalitários do século passado com o moderno regime teocrático e fundamentalista do Talibã. Não devemos minimizar os riscos do atual contexto político, pois os que se omitiram antes de que fatos históricos semelhantes se concretizassem arrependeram-se amargamente por não terem dimensionado corretamente as consequências.

Temos oportunidade de evitar que eventos lamentáveis de nossa história se repitam. Todos os atos já praticados, gestos, discursos e promessas do atual presidente e seu grupo apontam para um regime autoritário e de desprezo com a vida humana e a natureza. Não se trata de especulação. Não fossem os poucos freios jurídicos e institucionais que ainda funcionam na República, já viveríamos sem o pouco de democracia e liberdade que ainda nos resta.

Uma vitória na eleição que se aproxima significaria o referendo ao Governo da Morte e lhe daria o respaldo para seguir em seu projeto de entrega do país à rapina de garimpeiros, exploradores ilegais da natureza, crime organizado e empresários sem ética. Além disso, selaria o destino do povo mais pobre e oprimido, que amarga a fome e a miséria; dos povos originários que estão jogados à sua própria sorte e sob risco de extermínio; de nossos biomas sem a proteção dos órgãos de fiscalização; dos estudantes e professores submetidos à perseguição ao pensamento livre e crítico resultante da ideologização da educação pelo MEC; das minorias que mal começaram a garantir seus direitos na sociedade e que são perseguidas e vilipendiadas publicamente e à luz do dia.

Infelizmente, alguns padres e bispos, que têm poder real e/ou simbólico no catolicismo, estão se pronunciando a favor desse projeto de morte nas redes sociais, inclusive paramentados ou em celebrações litúrgicas. Sabemos que nossa Igreja é santa e pecadora e que já ficou ao lado dos opressores por muito tempo.

Porém, do lado dos que realmente se entregaram ao projeto de “vida em abundância” (Jo 10,10) e de “libertação dos oprimidos” (Lc 4, 18) e de amparo aos famintos e abandonados (Mt 25, 35-46), temos visto poucas manifestações explícitas contra o projeto de morte representado pelo atual Governo. Muito desse silêncio é justificado pelo medo de se “partidarizar” a missão eclesial aceita pelos ministros ordenados.

No entanto, o segundo turno das eleições de 2022 ultrapassou as questões partidárias tradicionais do Brasil. Tanto que temos uma frente ampla ao redor da candidatura do Lula que inclui representantes de todos os governos anteriores e de partidos que fizeram oposição ao seu Governo. Não se trata mais da disputa entre Lula e Bolsonaro, mas de uma frente pela democracia contra os sinais da barbárie, autoritarismo e fundamentalismo religioso já demonstrados pelo Governo que tenta reeleição.

Portanto, não se trata da escolha entre um ou outro candidato, mas sobre o lado da história no qual queremos ficar. A omissão, neste caso, é reforço do lado oposto.

Por essas razões, peço humildemente aos irmãos padres que se manifestem em vídeos, homilias, pronunciamentos e postagens mostrando a contradição entre a mensagem dos evangelhos e a Doutrina Social da Igreja, para fazer contraponto àqueles que se apresentam como representantes da Igreja e fazem apologia ao atual presidente.

O silêncio em situações limites de nossa história pode acabar se tornando omissão. Que o Senhor nos livre do Mal (Mt 6, 13).

Saudações em Cristo,

Maurício Abdalla Professor de filosofia da UFES e membro da Rede Nacional de Assessores do Centro de Fé e Política Dom Helder Câmara (CEFEP), organismo da CNBB e Coordenador Pedagógico da Escola de Fé e Política da Arquidiocese de Vitória.

La figura tenebrosa di Jair Bolsonaro minaccia la democrazia

L’attuale presidente presenta tratti selvaggi e ha minacciato costantemente la normalità democratica, nel caso che perda le elezioni. Al primo turno, il 2 ottobre, ha ricevuto il 43,44% dei voti, mentre l’ex presidente Lula ha ottenuto il 48,5% dei voti. C’è grande aspettativa che egli vinca le elezioni, poiché la sua superiorità su Bolsonaro è notevole.

Lula ha ricevuto il sostegno di quasi tutti i partiti, anche i più lontani. Ebbene, hanno capito che è in gioco la democrazia e anche il destino storico del nostro Paese. La vittoria di Bolsonaro porterebbe avanti il ​​suo progetto di smantellamento delle istituzioni in un modo apertamente autoritario e minaccioso di un colpo di stato.

Dobbiamo cercare di capire perché è scoppiata questa ondata di odio, di menzogne ​​come metodo di governo, fake news, calunnie e corruzione del governo, su cui è stato impedito di indagare. Mi è venuto in mente un articolo che avevo pubblicato tempo fa e lo riformulo qui. Due categorie sembrano illuminanti: una della psicoanalisi junghiana, quella dell’ombra, e un’altra della grande tradizione orientale del buddismo e simili, e tra noi, dello spiritualismo, il karma.

La categoria dell’ombra, presente in ogni persona o comunità, è costituita da quegli elementi negativi che facciamo fatica ad accettare, che cerchiamo di dimenticare o addirittura di reprimere, mandandoli nell’inconscio sia personale che collettivo.

In effetti, cinque grandi ombre segnano la storia politico-sociale del nostro Paese:

  • La prima è il genocidio indigeno, che persiste ancora oggi, perché le loro terre sono oggetto di invasione e durante la pandemia sono state praticamente abbandonate dalle autorità attuali.
  • La seconda è la colonizzazione che ci ha impedito di avere un proprio progetto, di un popolo libero, ma – al contrario – sempre dipendente dalle potenze straniere del passato e di oggi. Ha creato la sindrome del “cane bastardo”.
  • Il terzo è la schiavitù, una delle nostre vergogne nazionali, in quanto implicava trattare lo schiavo come una cosa, un “pezzo”, messo sul mercato per essere comprato e venduto e costantemente sottoposto a frustate, al disprezzo e all’odio.
  • La quarta è la permanenza della conciliazione tra loro, dei rappresentanti delle classi dominanti, eredi della ‘Casa Grande’ o dell’industrialismo, soprattutto a partire da São Paulo, chiamate da Jessé Souza le “élite dell’arretratezza”. Sono profondamente egoisti al punto che Noam Chomsky ha detto: “Il Brasile è una specie di caso speciale, perché raramente ho visto un paese in cui elementi d’élite hanno un tale disprezzo e odio per i poveri e i lavoratori”. Questi non hanno mai pensato a un progetto nazionale che includesse il popolo, un progetto solo loro per loro, in grado di controllare lo Stato, occupare i suoi apparati e guadagnare tangenti e fortune nei progetti statali.
  • La quinta ombra rappresenta la democrazia a bassa intensità interrotta da colpi di stato, ma che sempre è rifatta senza però cambiarne la natura. Persiste ancora oggi e mostra attualmente una grande debolezza a causa del rango dei rappresentanti di destra o di estrema destra, con i loro espedienti come il bilancio segreto. Misurata dal rispetto alla costituzione, dei diritti umani personali e sociali, dalla giustizia sociale e dal livello di partecipazione popolare, appare come una farsa piuttosto che una democrazia consolidata.

Ogni volta che un leader politico con idee riformiste, proveniente dal basso, dai quartieri degli schiavi sociali, presenta un progetto più ampio che abbraccia il popolo con politiche sociali inclusive, queste forze di conciliazione, con il loro braccio ideologico, i grandi media, come giornali, radio e i canali televisivi, associati a parlamentari e settori importanti della magistratura, hanno utilizzato la risorsa del colpo di stato sia militare (1964) o sia giuridico-politico-mediatico (2016) per garantire i loro privilegi.

Il disprezzo e l’odio, un tempo diretto agli schiavi, è stato trasferito vigliaccamente sui poveri e sui miseri, condannati a vivere sempre nell’esclusione. Queste ombre aleggiano sull’atmosfera sociale del nostro Paese. È sempre ideologicamente nascosta, negata e repressa.

Con l’attuale presidente e l’entourage dei suoi seguaci, ciò che era occulto e represso è uscito allo scoperto. È sempre stato lì, ritirato ma attivo, per impedire alla nostra società, dominata dall’élite arretrata, di apportare i cambiamenti necessari, continuando con una caratteristica conservatrice e, in alcuni campi, come nei costumi, anche reazionaria e quindi facile da manipolare politicamente. Dentro l’anima di molti brasiliani c’è un piccolo “bolsonaro” reazionario e odioso. Il Bolsonaro storico ha dato corpo a questo “bolsonaro” nascosto. Lo stesso era accaduto con l’”hitleri” nascosto in una parte del popolo tedesco.

Le cinque ombre menzionate sono state attualmente aggravate dall’acquisizione incoraggiata di armi da parte della popolazione, dall’esaltazione della violenza e persino della tortura, dal razzismo culturale, dalla misoginia, dall’odio per coloro che hanno un’altra opzione sessuale, dal disprezzo per gli afro-discendenti, gli indigeni, i quilombolas e i poveri in generale. È sorprendente che molte persone, anche ragionevoli, inclusi accademici e persone della classe media, possano seguire una figura così intemperante, ignorante senza alcuna empatia per i sofferenti che hanno perso i propri cari a causa del Covid-19.

Questa è una spiegazione, non certo esaustiva, attraverso la categoria dell’ombra che sta alla base delle varie crisi socio-politiche.

L’altra categoria è quella del karma. Per conferirgli un certo grado analitico e non solo ermeneutico (che illumina la vita), mi avvalgo di un lungo dialogo tra il grande storico inglese Arnold Toynbee e Daisaku Ikeda, eminente filosofo giapponese, raccolto nel libro “Elige la vida”  (Emecé. Buenos Aires 2005).

Il karma è un termine sanscrito che originariamente significava forza e movimento, concentrato nella parola “azione” che provocava la sua corrispondente “reazione”. Si applica agli individui così come alle collettività.

Ogni persona è segnata dalle azioni che ha compiuto nella vita. Questa azione non è ristretta alla persona, ma connota l’intero ambiente. Si tratta di una specie di conto corrente etico il cui saldo cambia continuamente a seconda delle azioni buone o cattive che si compiono, cioè “debiti e crediti”. Anche dopo la morte, la persona, nella credenza buddista e spiritualista, porta con sé questo resoconto; ecco perché ti reincarni in modo che, attraverso diverse rinascite, tu possa azzerare il saldo negativo ed entrare nel nirvana o nel paradiso.

Per Toybee non c’è bisogno di ricorrere all’ipotesi di tante rinascite perché la rete dei legami garantisce la continuità del destino di un popolo (p.384). Le realtà karmiche permeano le istituzioni, i paesaggi, modellano le persone e segnano lo stile unico di un popolo. Questa forza karmica agisce nella storia, segnando i fatti benefici o malefici, cosa già vista da C.G.Jung nelle sue analisi psico-socio-storiche.

Toynbee nella sua grande opera in dieci volumi “A Study of History” lavora sulla chiave  Sfida – Risposta (Challange – Response) e vede il significato nella categoria del karma. Ma ti offre un’altra versione che mi sembra illuminante e ci aiuta a capire un po’ le ombre nazionali, in particolare quelle dell’estrema destra brasiliana e anche internazionale.

La storia è fatta di reti relazionali all’interno delle quali ogni persona è inserita, legata con quelle che l’hanno preceduta e con quelle presenti. C’è un funzionamento karmico nella storia di un popolo e delle sue istituzioni a seconda dei livelli di bontà e giustizia o di cattiveria e ingiustizia che hanno prodotto nel tempo. Si tratterebbe di una specie di campo morfico che continuerebbe a permeare ogni cosa.

Sia Toynbee sia Ikeda concordano su questo: “la società moderna (noi compresi) solo può essere curata dal suo carico karmico, aggiungeremmo dalla sua ombra, solo attraverso una rivoluzione spirituale e sociale iniziando nel cuore e nella mente (p.159), nella linea della giustizia compensativa, delle politiche di cura e delle istituzioni giuste.

Tuttavia, da sole non sono sufficienti e non annulleranno le ombre e il karma negativo. C’è bisogno di amore, solidarietà, compassione e una profonda umanità verso le vittime. L’amore sarà il motore più efficace perché, in fondo, dicono Toynbee e Ikeda “è l’Ultima Realtà” (p. 387). Qualcosa di simile dice Watson, uno dei decodificatori del codice genetico: l’amore è nel nostro DNA.

Una società, permeata dall’odio e dalla menzogna come in Bolsonaro e i suoi seguaci, alcuni dei quali fanatici, è incapace di de-costruire una storia tanto segnata da ombre e karma negativo come la nostra. Ciò è particolarmente vero per i modi aggressivi, offensivi e bugiardi dell’attuale presidente e dei suoi ministri.

Solo la dimensione della luce e il karma del bene possono liberare e redimere la società dalla forza delle ombre tenebrose e dei karma del male, come i grandi saggi dell’umanità, il Dalai Lama e i due Francesco, quello di Assisi e quello di Roma, testimoniano.

Se non sconfiggiamo elettoralmente l’attuale presidente in questo secondo turno che si terrà il 30 ottobre, il Paese passerà da una crisi all’altra, creando una catena di karma e ombre distruttive, compromettendo il futuro di tutti. Ma la luce e l’energia del positivo si sono storicamente dimostrate sempre più potenti delle ombre e del karma negativo.

Siamo certi che saranno loro a garantire, cosi speriamo, la vittoria di Lula, che non conserva rancore né odio nel cuore, ma è animato dall’amore e dalla politica di prendersi cura delle persone, soprattutto dei poveri e delle loro necessità.

Leonardo Boff, teologo e filosofo

(traduzione in italiano di Gianni Alioti)

Leonardo Boff: «Scontro fra civiltà e barbarie»

Esta entrevista foi dada antes das eleições de 2 de outubro na qual Lula saiu vitorioso com 48,15% dos votos contra os 43,44% de Bolsonaro. A decisão em segundo turno se dará no dia 30 de outubro. Lboff

Parla l’ecoteologo fra i fondatori della Teologia della Liberazione,Leonardo Boff, Il rischio golpe, i limiti di Lula sull’ecologismo, l’ombra dell’«élite do atraso»

Claudia Fanti

Più che «utile», il voto per Lula è, come ha scritto il giurista Conrado Hübner, «un voto di sopravvivenza»: quella di un modello di società in cui trovino posto la solidarietà, la giustizia (sociale e ambientale), l’uguaglianza. Ed è un voto che va espresso già al primo turno, domenica prossima: perché una vittoria immediata di Lula non indicherebbe solo, nel modo più potente, che la presidenza Bolsonaro è stata solo una tragica parentesi, ma risparmierebbe al paese le violenze che hanno funestato nel 2018 la campagna per il secondo turno e indebolirebbe in eventuali ballottaggi i candidati bolsonaristi alla carica di governatore. Ma, soprattutto, legittimerebbe con più forza il programma governativo del leader del Partito dei lavoratori, scongiurando il rischio di nuove concessioni alle “forze del mercato” in vista del ballottaggio. Ne abbiamo parlato con l’ecoteologo Leonardo Boff, uno dei padri fondatori della Teologia della liberazione, che di Lula conosce bene la passione, la determinazione, i sogni, ma anche i limiti della visione politica.

Ce la farà Lula a vincere già domenica?
La possibilità è reale. Si sta registrando un significativo travaso di voti a suo favore da parte di molti elettori di altri candidati per mettere fine già al primo turno all’incubo rappresentato da un presidente che disprezza i poveri, gli indigeni, i neri, gli omosessuali, le donne, che tratta gli avversari come nemici, che difende apertamente la tortura e si dichiara ammiratore di Pinochet, che – è stato calcolato – è capace di mentire sette volte al giorno. Che nega il dramma di 33 milioni di persone che soffrono la fame e di 110 milioni di persone sottoalimentate. Un presidente, insomma, che appartiene più all’ambito della psichiatria che a quello della politica. In questo quadro, quello che è in gioco domenica è lo scontro tra la civiltà e la barbarie, tra la democrazia e il neofascismo.

Quanto è reale il rischio di un golpe?

E i militari che ruolo possono giocare?
Esistono più di 6mila militari ai diversi livelli dell’amministrazione, ma non in servizio attivo. E se è vero che l’Alto Comando è diviso tra quelli che vogliono un Brasile più autonomo e quelli più asserviti alle strategie imperialiste Usa, nessuno dei generali in servizio attivo si è mostrato incline a sostenere le eventuali avventure golpiste del presidente. Il rischio reale viene dai fanatici del suo zoccolo duro che si sono armati in seguito ai suoi decreti, grazie a cui circolano più di un milione di armi in mano ai civili. Bolsonaro, che ha più volte lasciato intendere di non essere disposto ad accettare una sconfitta, potrebbe scatenare i suoi miliziani e provocare un’ondata di violenza, ma è difficile che la sua strategia golpista abbia successo. E in ogni caso, l’Unione europea e il governo Usa hanno già fatto sapere che riconosceranno immediatamente la legittimità di un’eventuale vittoria di Lula.

In questa campagna elettorale quanto si è parlato dell’Amazzonia, degli ecosistemi minacciati, dei popoli indigeni, della crisi climatica?
Si è assistito a una grave assenza di questi temi nei dibattiti politici. È grazie al sostegno di Marina Silva, grande conoscitrice dell’Amazzonia, che si è iniziato un po’ a parlare di ecologia. Quando era in prigione, Lula, grazie alle pressioni di vari amici, comprese le mie, si è reso conto di quanto il tema ambientale e climatico sia strategico. Nel suo programma, tuttavia, l’agenda ecologica, pur presente, non ha assunto la centralità necessaria, malgrado la sua importanza cruciale per il futuro della vita già nei prossimi 4-5 anni, secondo l’allarme dell’Ipcc e dell’Organizzazione meteorologica mondiale.

In effetti, a differenza di quanto si propone Gustavo Petro in Colombia, Lula non mette in discussione il modello estrattivista: la sfida, per lui, è piuttosto rilanciare la Petrobras come «grande impresa nazionale» e fare di nuovo del Pré-Sal «il passaporto per il futuro» del paese. Non sembra un programma molto incoraggiante…
Ai suoi amici Lula ha detto: se vinco le elezioni il mio discorso pubblico sarà più moderato, ma punterò a dar vita a una rivoluzione sociale radicale; a 76 anni, è l’ultima chance della mia vita e voglio fare il massimo a favore dei poveri di questo paese. E ha aggiunto di aver bisogno per questo di un ampio appoggio da parte dei movimenti sociali, al di là delle alleanze con le forze parlamentari disposte a combattere una delle maggiori disuguaglianze al mondo. Se questa opzione è chiara, Lula si pone però ancora all’interno del vecchio modello capitalista. Combatte, sì, il neoliberismo, ma non prende le distanze dal capitalismo come sistema omicida ed ecocida con la profondità richiesta dalle minacce che incombono sul sistema-vita e sul sistema-Terra.

La presenza di Marina Silva nei governi di Lula non era bastata a spostarne un po’ il baricentro verso politiche più sostenibili. Il suo sostegno di adesso cosa comporterà?
Tutti i progressisti e gli ecologisti hanno celebrato la riconciliazione tra Marina Silva e Lula. Da fonti vicinissime a Marina, so che lei ha condizionato il proprio appoggio alla realizzazione di quasi tutti i punti del suo programma, il quale prevede tra l’altro l’azzeramento della deforestazione in Amazzonia, un’ampia riforestazione delle regioni devastate dall’agribusiness e la creazione di centri di ricerca all’interno della foresta con la presenza di studiosi di tutto il mondo. Il Brasile potrebbe diventare una potenza ecologica sfruttando in maniera sostenibile l’immensa ricchezza della sua biodiversità. Penso che Marina svolgerà un ruolo importante nel prossimo governo, operando in maniera che il fattore ecologico attraversi trasversalmente tutti i ministeri.

Come è possibile tutelare l’Amazzonia senza ridimensionare quell’agribusiness a cui Lula continua a garantire il massimo appoggio?
Lula riconosce l’importanza dell’agribusiness per le finanze del paese, ma vuole che esso produca anche per il consumo interno e non solo per l’esportazione – quanto si trova sulla tavola dei brasiliani proviene per il 70% dall’agricoltura familiare e dall’agroecologia -, e non a scapito della natura e delle riserve indigene. In tale ambito Lula ha fatto progressi nel modo di considerare l’agribusiness e i suoi rischi ecologici.

La scelta di Alckmin come vice, il sostegno di Henrique Meirelles, la ricerca delle più ampie alleanze indicano chiaramente che il prossimo sarà un nuovo governo di coalizione, non certo un governo socialista.
Lula è un politico di grande esperienza. Sa di cosa sono capaci le dieci famiglie che controllano una ricchezza equivalente a quella di cento milioni di brasiliani. Noam Chomsky ha dichiarato recentemente di non aver mai visto un disprezzo per i poveri e per i lavoratori come quello mostrato da una parte significativa dell’élite brasiliana. È l’élite do atraso, dell’arretratezza, come l’ha definita il sociologo Jessé Souza: quella dei discendenti dei proprietari di schiavi che si sono alleati tra loro per assicurarsi i propri privilegi alle spalle della società. E che hanno risposto al tentativo di portare avanti un progetto di inclusione sociale da parte di Lula e Dilma Rousseff con il golpe parlamentare-giuridico-mediatico del 2016. Per questo è importante l’appoggio di figure come Alckmin, che è in grado di dialogare efficacemente con la classe imprenditoriale e con il sistema bancario, e dell’ex ministro dell’Economia Meirelles, che è molto rispettato dal mercato nazionale e internazionale.

<cla.fanti@gmail.com> no Il Manifesto 3/10/2022.

Fonte:https://ilmanifesto.it/leonardo-boff-scontro-fra-civilta-e-barbari