De uma indígena Kuna do Panamá:reflexões para o nosso momento de coronavírus

Esse vídeo, vem de uma indígena Kuna do Panamá que estuda a interdisciplinariedade das teologias, Jacobed Reina Solano Miselis. Na visão dos Kuna Deus é Pai e Mãe e de seu amor vieram todos os seres.Eles cuidam de cada um de nós como de seus filhos e filhas. Jacobed com quem tenho trabalhado um pouco em espiritualidade enviou este video para nos confortar nestes momentos de crise/transformação pelo coronavírus. Ela esteve já no Brasil e em Petrópolis falando de espiritualidade, inclusive de uma espiritualidade dos ateus, pois eles são portadores de espírito e levantam interrogações fundamentais sobre o nosso destino e aquele do universo.Lboff

 

Alerta de um especialista em virus e nossa relação para com a natureza: David Quammen

Todos estamos preocupados com o Coronovírus que, numa espécie de guerra, está atacando todas as sociedades humanas e suas instituições. Muitos cientistas vinham há muito tempo nos alertando que a nossa relação para com a natureza, depredando-a e nos expondo à multidão de bactérias, fungos e virus que nela existem em seus habitats naturais, poderiam passar, se não tivéssemos o necessário cuidado, para nós, seres humanos. Assim foi com o SARS, Ebola e agora o Coronavírus, provavelmente vindo de um morcego, vendido nos mercados chineses para consumo humano. Ele teria encontrado em nós um novo habitat. Como nosso organismos não está preparado para enfrentar tal invasor, aconteçe uma pandemia que estamos assistindo com o coronavírus. Ela talvez não seja tão letal, mas vai desorganizar toda a nossa vida social, econômica e vital. Ele nos obriga a repensar nossa relação para com a natureza, respeitar seus ritmos e seus habitats e desenvolver uma relação de cuidado e respeito por tudo o que existe e vive. Apresentamos aqui a reflexão de um dos maiores pesquisadores sobre vírus nas grandes florestas úmidas. Não pode pesquisar a floresta amazônica mas nos deixou um alerta. Algum vírus extremamente resistente pode irromper e nos atacar. Vai aqui o alerta, para que não seja o Big One, aquele grande que pode pôr em risco toda a vida humana. Este estudo nos ajudará a entender o atual vírus, invisível mas extremamente contagioso: Lboff

              David Quammen, o biógrafo das grandes epidemias

                           sex, 03 de abril de 2020

Autor de diversos livros sobre epidemias modernas diz que a destruição desenfreada da natureza coloca a saúde humana em risco devido ao contato com uma grande quantidade de vírus. Nos últimos 50 anos, as principais doenças surgiram das florestas tropicais na África e na Ásia.

Por Gustavo Faleiros

O escritor David Quammen é certamente um dos maiores cronistas sobre a diversidade biológica existente no planeta. Seus livros sobre a teoria da evolução de Darwin e a extinção das espécies oferecem uma visão ao mesmo tempo profunda e instigante. Entre suas obras, “O Canto do Dodô” [Cia das Letras, 2008] é a mais famosa, mas destacam-se ainda os magníficos contos sobre grandes mamíferos reunidos em “Monstro de Deus” [Cia das Letras, 2007].

Na última década, o americano voltou seu interesse a um outro tipo de diversidade: os vírus e as enfermidades que eles causam nos humanos. Seus livros investigativos, que sempre incluem relatos sobre viagens ao coração das selvas do Congo ou às matas do Sudeste Asiático, detalham com informação acessível o surgimento do vírus da AIDS (HIV) e do ebola.

Mas é um livro de 2012, chamado “Spillover” [Transbordamento, em tradução literal], que tem voltado aos debates e recebido resenhas em todo mundo. A obra revela que a complicada relação entre os humanos e o meio ambiente está na raiz das maiores enfermidades recentes. É uma leitura essencial no momento em que o coronavírus já contaminou (apenas entre os casos confirmados) mais de 1 milhão de pessoas no mundo, e a contagem de mortos não para crescer.

Com relatos sobre encontros com pesquisadores em diversas partes do mundo, a obra traz uma perturbadora revelação: entre a comunidade científica, há muito se esperava uma pandemia com os contornos da Covid-19. Eles a chamavam The Next Big One [A próxima grande] e Quammen não tem dúvidas de que a crise que vivemos agora se enquadra nesta categoria.

“Eu não sei se esta é “a grande”, mas certamente é uma das grandes, pois já causou muitos danos”, o autor comenta em uma entrevista exclusiva ao InfoAmazonia desde sua casa em Bozeman, no estado de Montana (Estados Unidos).

Quammen também falou sobre as condições para o surgimento de patógenos como o coronavírus e garante que o que ocorre no momento na Amazônia, com a avanço de garimpos e abertura de estradas madeireiras, é um cenário muito similar ao que viu nas florestas da África Central, onde surgiu o ebola.

Leia abaixo a entrevista completa.

Estou curioso em saber o quê você sentiu quando soube do novo coronavírus, por ter alertado muitos anos antes de que isso poderia acontecer. Não creio que tenha ficado surpreso, certo?David Quammen

Eu definitivamente não fiquei surpreso, eu previ algo como isso no meu livro oito anos atrás. E a única razão pela qual eu fiz esta previsão foi porque os cientistas com os quais eu estava conversando fizeram estas previsões. Então, quando eu ouvi em janeiro que um novo coronavírus havia surgido na China, saído de um mercado de vida selvagem, a única coisa que me surpreendeu foi o quanto estávamos despreparados. Me deixou frustrado e preocupado. Eu me encontrei por acaso com um amigo na semana passada e ele me perguntou: “Como você se sente tendo previsto tudo isso?”. Respondi a ele que preferiria estar errado. Desejaria que os cientistas que ouvi estivessem errados.

Em seu livro, “Spillover” o senhor nos conta que existe entre a comunidade científica o termo NBO ou The Next Big One (A próxima grande) para se referir às possíveis grandes pandemias que nos atingirão. A Covid-19 seria a NBO ou ainda podemos esperar algo pior?

DQ – Essa é uma das grandes! Não sei dizer se esta é “A” grande, mas certamente está sendo uma NBO, porque está nos custando milhares de vidas e trilhões de dólares ao redor do mundo. As sociedades estão sendo interditadas. Os sistemas de saúde na Itália e na Espanha estão colapsando. Escolas estão fechando, representando oportunidades perdidas para crianças carentes. Essa é uma das grandes, mesmo que a taxa de letalidade não seja tão alta. Mesmo se conseguirmos controlar a crise e muita gente não venha a morrer, ainda terá sido uma grande pandemia, pelo custo de ter chacoalhado sociedades e economias, além dos sistemas de saúde e educação.

Muitas doenças recentes surgiram em áreas que sofreram com garimpos, destruição de florestas e outros impactos. Qual é a razão para isso? Por que esta conexão direta entre degradação ambiental e o surgimento destas infecções?

DQ – Estas doenças, incluindo essa nova causada pelo coronavírus, são chamadas de doenças zoonóticas. Isso significa que elas passam de animais não humanos para os humanos. Elas geralmente são novas para humanos. Esta é uma das razões pelas quais elas geralmente são tão devastadoras para nós. Nós não temos vacinas para elas, nós não temos terapias para estas doenças. Se formos ainda mais desafortunados, esse vírus evolui para ser transmitido de uma pessoa a outra. Mas porque isso ocorre? Qual é a razão inicial para isso? Este é o evento que chamamos de transbordamento [spillover], quando o vírus passa de um animal para o seu primeiro hospedeiro humano. Isso acontece em áreas com grande degradação ambiental. Ambientes ricos em diversidade biológica, com muitos tipos de plantas, animais, fungos, bactérias, são também lugares que abrigam muitos vírus. Eles vivem ali, sem serem notados, ao longo dos milhões anos sem causar qualquer doença, até que de repente passam para os humanos. E quando há degradação ambiental, significa que estamos interferindo naquele ecossistema. Estamos cortando árvores, construindo assentamentos,abrindo garimpos. Isso significa também que pessoas trabalhando nestes lugares precisam ser alimentadas. Frequentemente, elas se alimentam de carne de caça, a vida silvestre local é capturada para servir de alimento. Em outras situações, este animais são caçados para serem vendidos, para que pessoas em outros lugares os comam. Então há todos os tipos de perturbação na vida selvagem, na biodiversidade, que afinal contém uma grande variedade de vírus. Quando realizamos estes tipos de interferências, estamos convidando vírus para que se tornem nossos vírus, para que eles pulem para dentro de nós. Estamos dando a eles uma oportunidade para que expandam seus horizontes. Talvez este vírus estivesse em uma situação difícil, poderia estar em vivendo dentro de uma espécie em risco de extinção. Uma oportunidade de pular para dentro de nós pode se traduzir em os vírus terem ganho na “loteria evolutiva”. Eles acabaram de entrar na espécie de mamífero de grande porte mais interconectada e mais abundante em todo o planeta. Se nos infectam e conseguem passar de uma pessoa para outra, eles vão se espalhar por todo o mundo, atingindo um grande sucesso evolutivo. Para nós, é uma situação miserável, é uma pandemia, é a morte. Mas para eles é sucesso! E acontece por conta da perturbação ambiental, a degradação ambiental de lugares que naturalmente abrigam muitos e muitos vírus.

É quase como se nossos grandes ecossistemas tivessem uma armadilha montada para evitar interferência. Ao passo que vamos entrando neles e destruindo, nós disparamos estas armadilhas contra nós.

Uma questão que intriga a muita gente é porque até agora não tivemos uma pandemia originada na Amazônia, já que aqui ocorrem impactos como a maior taxa de desmatamento em todo o planeta?

DQ – Eu não sei. Eu me faço esta mesma pergunta. Na verdade, uma das mais assustadoras doenças recentes surgiu na Bolívia, em 1961, o vírus da enfermidade Mapucho. O pesquisador que descobriu essa doença – e quase morreu ao contraí-la – é um americano chamado Karl Johnson. Ele descobriu que algumas pessoas vivendo em um vilarejo boliviano estavam sofrendo e morrendo desta estranha nova febre. Ele localizou o vírus em um roedor e se perguntou porque naquele momento isto estava ocorrendo, pois não havia registros no passado sobre a doença. O que ele descobriu foi que o roedor se adaptou e estava vivendo muito melhor em áreas agrícolas do que na floresta, seu ambiente natural. Assim, quando a população da vila crescia e precisava plantar mais milho e feijão, a população do roedor explodia. Como a espécie carregava o vírus, mais e mais pessoas começaram a ter contato com ele. Mas este é apenas um caso. A Amazônia está cheia de espécies de animais e, portanto, está repleta de vírus. Então por que não ouvimos falar do transbordamento destes vírus para humanos? Eu não tenho uma resposta para isso. Mas o fato de que não tivemos até agora, não quer dizer que não teremos. Pode acontecer a qualquer momento.

Podemos dizer que com o passar do tempo, as chances de que um novo vírus letal surja na Amazônia vão crescendo. No Congo, o outro grande ecossistema de floresta tropical, produziu ebola, marburg, zica, e uma parcela considerável das doenças virais mais assustadoras. Acho que é apenas uma questão tempo para que a Amazônia entre nesta lista.

Não se pode afirmar que neste momento no Brasil há suficiente investimento em Ciência para acelerar o entendimento e prever quando a degradação da Amazônia poderia fazer surgir um patógeno semelhante ao corona. Em sua visão, quais são os esforços científicos necessários para melhor entender e até prever o surgimento de novas doenças?

DQ – Como o seu governo, o meu governo também tem realizado cortes nos orçamentos para pesquisas científicas. Como vocês, nós também temos um presidente o qual não encontro adjetivos para descrever. Mas há muito trabalho que está sendo feito na descoberta de novos vírus. Isso é uma parte importante: descobrir o que existe por aí, o leque de diversidade de vírus que existe vivendo nos animais, plantas e outras criaturas. Há outros trabalhos no campo do sequenciamento genético, como isolar e sequenciar determinados vírus. Um time em Wuhan, na China, já em janeiro, tinha sequenciado o genoma deste vírus [o coronavírus], o que foi muito valioso para todo o mundo. Assim soubemos que se tratava de um coronavírus relacionado ao vírus da SARS, mas não tão próximo para saber o que poderíamos esperar. O genoma também foi quem nos contou que este vírus não se trata de uma arma química, feita por alguma conspiração de cientistas maníacos em algum obscuro laboratório. Soubemos que o vírus vem de um morcego, por conta da exata equivalência deste genoma com aquele de vírus encontrados em uma espécie de morcego. Portanto, o trabalho científico é extremamente importante. Há dez anos, quando estava escrevendo Spillover, um cientista me contou que seu laboratório estava trabalhando com a possibilidade de se criar uma tecnologia com um chip que conteria reagentes para sequenciar qualquer novo vírus. Você poderia criar uma versão deste chip que iria em uma máquina portátil e que nos daria a possibilidade de testar uma pessoa sobre a presença de uma infecção no tempo de uma checagem de segurança em um aeroporto. Ou seja a pessoa estaria na fila quando um agente recolhe uma amostra para fazer o teste e no tempo de que a pessoa levaria para tirar seus sapatos, sua jaqueta e passar na máquina de raio-x, ela já saberia se seu teste foi positivo ou negativo. Imagine quão útil seria isso num momento como esse? Mas nós não temos isso. Esse cientista estava me falando sobre isso 10 anos atrás e ainda não temos. Mas nós precisamos de algo como isso. Precisamos de investimento privado e do governo, em coisas que nos permitam prever, nos preparar e lidar com novas pandemias. Líderes tanto no mundo dos negócios e no setor público precisam de disposição para gastar os recursos, o tempo e fazer esse esforço. Mesmo que isso não aconteça neste ano, ou no ano que vem, ou mesmo durante a presidência de Bolsonaro ou Trump. Mas parece que eles não querem gastar os recursos em algo que não terá resultados em seus mandatos. Isso é o que torna a situação tão difícil.

Com relação às medidas imediatas que foram tomadas, como o banimento pela China do comércio e consumo de animais silvestres, podemos ter esperança de que isso represente uma mudança real, que evite futuras pandemias?

DQ – Eu tenho esperança de que estas medidas representam uma mudança importante. Claro que ninguém pode ter certeza sobre o que fará a China, pois é um país soberano. Mas haverá muita pressão internacional sobre eles para isso mudar. Quando a SARS ocorreu em 2003, assustando pessoas ao redor do mundo, ficou claro que o vírus também havia vindo de um morcego, muito provavelmente de um mercado na China. Depois daquilo, as pessoas estavam tão assustadas, que a China baniu a venda de animais selvagens nestes mercados. Quando eu fazia a pesquisa para meu livro “Spillover”, em 2009, eu fui à China e a um destes mercados. Eu estava com um pesquisador que estudava estes locais e ele me perguntou “Você acha que isto aqui é ruim, você deveria ter visto como era antes da SARS”. Mesmo quando estive lá, a disponibilidade de animais selvagens era uma loucura. O problema é que o comércio acabou sendo empurrado para baixo do tapete. Você pode ir nos fundos de um restaurante e pedir para que cozinhem um gato selvagem ou um pangolim. E na verdade, tudo isso já estava legalizado novamente. Então imagino que a pressão desta vez é de que a proibição terá que ser para valer. O comércio e o mercado negro terão que ser banidos.

A captura de animais na natureza e a venda dos animais vivos nos mercados têm que ser proibidas. E o resto do mundo tem que seguir o mesmo caminho, isso não pode recair apenas somente sobre a China.

Que outras mudanças, especialmente de longo prazo, podemos esperar?

DQ – Certamente há conversas a respeito. Eu mesmo estou falando a respeito destas mudanças todo dia. As pessoas estão falando que este deveria ser um alerta de que todas estas coisas estão conectadas: desmatamento, mudanças climáticas, espécies invasoras e novas doenças letais. Estamos falando também sobre a questão populacional, os padrões de consumo. Esperamos que um evento como esse – que ironicamente chamamos de “o momento de encontrar Jesus” – possa mudar as coisas [risos]. Mas eu não sei se os empresários e políticos de fato vão “encontrar Jesus” após tudo isso. Ou talvez as pessoas comuns vão mudar os padrões de consumo drasticamente; comer menos carne, viajar menos. Eu por exemplo viajo muito. Tenho pensado sobre isso, que talvez eu devesse viajar menos, encontrar uma maneira de fazer isso. Talvez pagar por compensações pelas viagens, dar alguns dólares extras para uma organização conservacionista. Enfim, tenho esperança de que se esse evento for realmente ruim, e na verdade ele já tem sido, por seu número de mortes e tumulto econômico, nós possamos repensar a maneira como vivemos na natureza.

Fonte: InfoAmazonia 03/04/2020

 

EMINENTES AUTORIDADES POLÍTICAS PEDEM A RENÚNCIA DE BOLSONARO

Finalmente nomes de grande respectabilidade e representatividade tomaram a iniciativa de expressar a opinião de muitos brasileiros, pedindo a RENÚNCIA do Presidente Jair Messias Bolsonaro. Eu mesmo tenho solicitado sua renúncia ou o impedimento por ser um empecilho à ordem e à paz do país e fator de agravamento da disseminação do coronavírus. Ele se opôs ao mundo, à ciência internacional e ao seu próprio ministério da saúde que impôs  o distanciamento social o confinamento em casa das pessoas sob risco, acima  de 65 anos.

Cremos que Bolsonaro tenha suficiente consciência, como ele mesmo revelou algumas vezes, de que não se sente apto a ser Presidente do Brasil mas a ser soldado, pois, para isso foi educado. Seria um gesto de patriotismo e de amor ao povo brasileiro, especialmente, aos já afetados pelo vírus e aos milhares que são expostos a ele. O Brasil precisa de uma liderança política forte para combater a pandemia, coisa que ele, infelizmente, não tem demonstrado.  O momento é de humildade, reconhecendo suas limitações, de desprendimento do poder ligado ao alto cargo que ocupa e de grandeza pessoal. O Brasil está acima das biografias de seus Presidentes e a vida é o dom mais precioso que o Criador nos confiou, que cabe cuidar, agora mais do que nunca, para que “todos tenham vida e vida em abundância”(Evangelho de São João, 10,10). Leonardo Boff

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O BRASIL NÃO PODE SER DESTRUÍDO POR BOLSONARO

O Brasil e o mundo enfrentam uma emergência sem precedentes na história moderna, a pandemia do coronavírus, de gravíssimas consequências para a vida humana, a saúde pública e a atividade econômica. Em nosso país a emergência é agravada por um presidente da República irresponsável. Jair Bolsonaro é o maior obstáculo à tomada de decisões urgentes para reduzir a evolução do contágio, salvar vidas e garantir a renda das famílias, o emprego e as empresas. Atenta contra a saúde pública, desconsiderando determinações técnicas e as experiências de outros países. Antes mesmo da chegada do vírus, os serviços públicos e a economia brasileira já estavam dramaticamente debilitados pela agenda neoliberal que vem sendo imposta ao país. Neste momento é preciso mobilizar, sem limites, todos os recursos públicos necessários para salvar vidas.

Bolsonaro não tem condições de seguir governando o Brasil e de enfrentar essa crise, que compromete a saúde e a economia. Comete crimes, frauda informações, mente e incentiva o caos, aproveitando-se do desespero da população mais vulnerável. Precisamos de união e entendimento para enfrentar a pandemia, não de um presidente que contraria as autoridades de Saúde Pública e submete a vida de todos aos seus interesses políticos autoritários. Basta! Bolsonaro é mais que um problema político, tornou-se um problema de saúde pública. Falta a Bolsonaro grandeza. Deveria renunciar, que seria o gesto menos custoso para permitir uma saída democrática ao país. Ele precisa ser urgentemente contido e responder pelos crimes que está cometendo contra nosso povo.

Ao mesmo tempo, ao contrário de seu governo – que anuncia medidas tardias e erráticas – temos compromisso com o Brasil. Por isso chamamos a unidade das forças políticas populares e democráticas em torno de um Plano de Emergência Nacional para implantar as seguintes ações:

-Manter e qualificar as medidas de redução do contato social enquanto forem necessárias, de acordo com critérios científicos;

-Criação de leitos de UTI provisórios e importação massiva de testes e equipamentos de proteção para profissionais e para a população;

-Implementação urgente da Renda Básica permanente para desempregados e trabalhadores informais, de acordo com o PL aprovado pela Câmara dos Deputados, e com olhar especial aos povos indígenas, quilombolas e aos sem-teto, que estão em maior vulnerabilidade;

-Suspensão da cobrança das tarifas de serviços básicos para os mais pobres enquanto dure a crise,

-Proibição de demissões, com auxílio do Estado no pagamento do salário aos setores mais afetados e socorro em forma de financiamento subsidiado, aos médios, pequenos e micro empresários;

-Regulamentação imediata de tributos sobre grandes fortunas, lucros e dividendos; empréstimo compulsório a ser pago pelos bancos privados e utilização do Tesouro Nacional para arcar com os gastos de saúde e seguro social, além da previsão de revisão seletiva e criteriosa das renunciais fiscais, quando a economia for normalizada.

Frente a um governo que aposta irresponsavelmente no caos social, econômico e político, é obrigação do Congresso Nacional legislar na emergência, para proteger o povo e o país da pandemia. É dever de governadores e prefeitos zelarem pela saúde pública, atuando de forma coordenada, como muitos têm feito de forma louvável. É também obrigação do Ministério Público e do Judiciário deter prontamente as iniciativas criminosas de um Executivo que transgride as garantias constitucionais à vida humana. É dever de todos atuar com responsabilidade e patriotismo.

ASSINAM (por ordem alfabética):

Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB.

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT.

Ciro Gomes, ex-candidato a Presidência pelo PDT.

Edmilson Costa, presidente nacional do PCB.

Fernando Haddad, ex-candidato à Presidência pelo PT.

Flavio Dino, governador do estado do Maranhão.  

Guilherme Boulos, ex-candidato a Presidência pelo PSOL.

Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT.

Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL.

Luciana Santos, presidenta nacional do PC do B.

Manuela D’Avila, ex-candidata a Vice-presidência (PC do B).

Roberto Requião, ex-governador do Paraná.

Sonia Guajajara, ex-candidata à Vide-presidência (PSOL)

Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul

 

Dicas para enfrentar a reclusão e a quarentena:frei Betto-L.Boff

Dez dicas para enfrentar a reclusão

Frei Betto

Estive recluso sob a ditadura militar. Nos quatro anos de prisão trancaram-me em celas solitárias nos DOPS de Porto Alegre e da capital paulista, e também, no estado de São Paulo, no quartel-general da PM, no Batalhão da ROTA, na Penitenciária do Estado, no Carandiru e na Penitenciária de Presidente Venceslau.

Partilho, portanto, 10 dicas para suportar melhor esse período de reclusão forcada pela pandemia:

  1. Mantenha corpo e cabeça juntos. Estar com o corpo confinado em casa e a mente focada lá fora pode causar depressão.
  2. Crie rotina. Não fique de pijama o dia todo, como se estivesse doente. Imponha-se uma agenda de atividades: exercícios físicos, em especial aeróbicos (para estimular o aparelho respiratório), leitura, arrumação de armários, limpeza de cômodos, cozinhar, pesquisar na internet etc.
  3. Não fique o dia todo diante da TV ou do computador. Diversifique suas ocupações. Não banque o passageiro que permanece o dia todo na estação sem a menor ideia do horário do trem.
  4. Use o telefone para falar com parentes e amigos, em especial com os mais velhos, os vulneráveis e os que vivem só. Entretê-los fará bem a eles e a você.
  5. Dedique-se a um trabalho manual: consertar equipamentos, montar quebra-cabeças, costurar, cozinhar etc.
  6. Ocupe-se com jogos. Se está em companhia de outras pessoas, estabeleçam um período do dia para jogar xadrez, damas, baralho etc.
  7. Escreva um diário da quarentena. Ainda que sem nenhuma intenção de que outros leiam, faça-o para si mesmo. Colocar no papel ou no computador ideias e sentimentos é profundamente terapêutico.
  8. Se há crianças ou outros adultos em casa, divida com eles as tarefas domésticas. Estabeleça um programa de atividades, e momentos de convívio e momentos de cada um ficar na sua.
  9. Medite. Ainda que você não seja religioso, aprenda a meditar, pois isso esvazia a mente, retém a imaginação, evita ansiedade e alivia tensões. Dedique ao menos 30 minutos do dia à meditação.
  10. Não se convença de que a pandemia cessará logo ou durará tantos meses. Aja como se o período de reclusão fosse durar muito tempo. Na prisão, nada pior do que advogado que garante ao cliente que ele recuperará a liberdade dentro de dois ou três meses. Isso desencadeia uma expectativa desgastante. Assim, prepare-se para uma longa viagem dentro da própria casa.

Frei Betto é escritor, autor de “Cartas da prisão” (Companhia das Letras), entre outros livros.

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         Alguns pontos espirituais para a Quarentena

                           Leonardo Boff

Já que a quarentena é um retiro forçado, faça como os religiosos e religiosas que todo ano devem fazer um retiro. Algumas sugestões:

  1. Tire um tempo para você mesmo e faça uma revisão de vida.
  2. Como foi minha vida até agora?
  3. De que lado fiquei? Daqueles que estão bem de vida ou daqueles que estão com alguma necessidade, precisam de uma palavra de conforto e de quem é pobre e sofre?
  4. Qual a minha opção fundamental? Ser feliz por todos os meios? Acumular bens materiais? Ganhar um status social? Ou ser bom, compreensivo, disposto a ajudar e ser solidário com quem está numa pior?
  5. Sou capaz de tolerar os limites dos outros, dos chatos e me controlar para não retrucar logo às asneiras que ouço? Sou capaz de deixar passar?
  6. Sou capaz de perdoar de verdade, virar a página e não ser refém de ressentimentos e de maus juízos?
  7. Sou capaz de encontrar as palavras certas quando tenho que dizer algumas verdades e chamar atenção a erros ou equívocos dos outros que estão ligados a mim? Ou vão direto, de modo agressivo, humilhando a pessoa?
  8. Faço, quando levanto de manhã, uma oração, em pensamento e não precisa ser com palavras, pedindo a Deus proteção a mim, à minha família e àqueles com quem convivo e trabalho? E, à noite, antes de ir dormir, elevar a mente a Deus,mesmo sem palavras, agradecer pelo dia, por tudo o que ocorreu e por estar vivo?
  9. Quer tentar fazer uns minutos de pura meditação, onde só Deus e você estão presentes, esquecendo um pouco o mundo ao redor? Só elevar a mente, colocar-se em silêncio diante d’Ele (Tenho um livrinho: “Meditação da Luz: o caminho da simplicidade”, um método que une o Oriente e o Ocidente, deixando que um raio da luz do Alto penetre em todo o seu corpo e em seus pontos de energia (chacras).
  10. Tem a coragem de alimentar uma atitude de total entrega a Deus, sabendo que está sempre na palma de sua mão? Tudo o que ocorrer provém de seu amor. A morte é como um nascimento e ninguém assistiu a seu próprio nascimento. Assim na morte, sem nos darmos conta, cairemos nos braços de Deus Pai e Mãe de infinita bondade e misericórdia. Nunca esqueça as palavras consoladoras da Primeira Epistola de São João (3,20): “Se o teu coração te acusa, saiba que Deus é maior que teu coração”. Então parta em paz sob o manto da infinita misericórdia divina.

Leonardo Boff escreveu Meditação da luz:o caminho da simplicidade, Vozes 2010 e Experimentar Deus:a transparência de todas as coisas, Vozes 2011.