Pensando ai giorni passati, ho la mente rivolta all’eternità: 80 anni di vita

Il 14 dicembre ho compiuto 80 anni di vita. Sto scendendo dalla montagna della vita.

Innanzi tutto ringrazio Dio d’essere arrivato a questo punto e d’essere sopravvissuto. Da piccolo, di alcuni mesi, ero destinato alla morte. Negli sprofondi del territorio, a Concordia, non c’era ancora il medico. Desolati, tutti dicevano: “Poverino. Non ci la farà”. Mia madre, disperata, fatto il pane per la famiglia nel forno di pietra, aspettò che si rattiepidisse, e poi con una pala di legno mi depose, per alcuni buoni minuti, là dentro. Dopo questo estremo tentativo migliorai e eccomi qui come sopravvissuto.

Pensavo che in nessun caso avrei superato l’età di mio padre, morto per infarto fulminante a 54 anni. Sopravvissuto. Ho fatto un bilancio a cinquant’anni. Dopo pensavo di non arrivare all’età di mia madre, morta anche lei d’infarto a 64 anni. Sopravvissuto. Altro bilancio a sessant’anni. Allora ebbi la certezza che non sarei arrivato a 70 anni. Sopravvissuto. Mi toccò fare un altro bilancio a 70 anni. Infine ho pensato, con convinzione, che, ad ogni modo, non sarei arrivato agli ottanta. Sopravvissuto. Ora, scoraggiato dalle mie previsioni, non penso più a niente. Quando arriverà l’ora che solo Lui sa, andrò allegramente incontro al Signore.

Rileggendo i vari bilanci, a sorpresa e senza premeditazione, vedo che ci sono delle costanti che superano tutti i ricordi. Farò una lettura come farebbe un cieco che capta soltanto ciò che è più rilevante. Io sono stato sempre mosso sempre da una passione più forte che mi spingeva a parlare e a scrivere.

La mia prima passione è stata per la chiesa rinnovata dal Vaticano II. Ho scritto la mia tesi di laurea a Monaco: La Chiesa come sacramento; Chiesa: carisma e potere(che mi ha portato al silenzio ubbidiente) e Ecclesiogenesi: le CEBs reinventano la Chiesa .

La seconda passione è stata per il Gesù Storico, le sue gesta, che lo hanno portato alla croce. Ho scritto Gesù Cristo Liberatore; la nostra resurrezione nella morte; il vangelo del Cristo Cosmico; Via Crucis della giustizia.

La terza passione è stata per San Francesco d’Assisi, il primo dopo l’Ultimo (Gesù) . Ho scritto San Francesco d’Assisi : tenerezza e vigore; San Francesco: nostalgia del Paradiso; Commentario alla sua orazione per la pace.

La quarta passion è stata peri i poveri e gli oppressi. E’ nata la Teologia della Liberazione e ho scritto Teologia della schiavitù e della liberazione; Il cammino della Chiesa con gli oppressi; insieme al mio fratello Frei Clodovis abbiamo scritto Come fare Teologia della liberazione.

La quinta passione è stata per la Madre Terra super sfruttata. Ho scritto La opzione Terra: la soluzione per la Terra non cade dal cielo; il Tao della liberazione: una ecologia della trasformazione insieme a Mark Hathaway come aver cura della Casa Comune.

La sesta passione è stata per la condizione umana sapiente e demente. Ho scritto Il destino dell’uomo e del mondo. L’aquila e la gallina: metafora della condizione umana; Il risveglio dell’aquila: il dia-bolico e Il sim-bolico nella costruzione della realtà; Saper curare; la cura necessaria; Femminile e Maschile scritto insieme a Rose-Marie Muraro; l’Essere umano come progetto infinito.

La settima passione è stata per la vita dello Spirito: ho tradotto l’opera più importante del mistico Mestre Eckhart; ho ritradotto in forma aggiornata l’Imitazione di Cristo del 1441 aggiungendo una parte nuova: La sequela di Cristo; Sperimentare Dio oggi; La SS. Trinità è la migliore comunità; Lo Spirito Santo: fuoco interiore, donatore di vita e Padre dei poveri; Spiritualità: un cammino di trasformazione.

Ho pubblicato circa cento libri. E’ laborioso, con appena 25 lettere comporre le parole e dopo con le parole, formulare le frasi e alla fine con le frasi concepire il contenuto pensato del libro. Quando mi domandano: che fai nella vita? Rispondo: sono un lavoratore come gli altri, come un falegname o un elettricista. Soltanto che i miei strumenti sono molto sottili: soltanto 25 lettere dell’alfabeto.

Che cosa pretendi tu con tante lettere? Rispondo “Soltanto pensare, in sintonia le preoccupazioni maggiori degli esseri umani alla luce di Dio; suscitare in loro la fiducia nelle potenzialità nascoste in loro per trovare soluzioni; cercare di arrivare al cuore delle persone, che abbiano compassione per l’ingiusta sofferenza del mondo e della natura, perché mai desistano dal migliorare sempre la realtà cominciando a migliorare sé stessi. Indipendentemente dalla loro condizione morale debbano sentirsi sempre in palma di mano di Dio-Padre-e-Madre di infinita bontà e misericordia.

“E valsa la pena di fare tanti sacrifici per scrivere?” rispondo con il poeta Fernando Pessoa: “tutto vale la pena se la anima non è meschina”. Mi sono sforzato perché non fosse meschina.Lascio a Dio l’ultima parola. Ora al tramonto della vita, penso ai giorni passati e mantengo la mente rivolta all’eternità.

*Leonardo Boff è teologo, filosofo, escritore. Ha scritto: Reflexões de um velho teólogo e pensador, Vozes 2018.

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato.

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E A ECOLOGIA UNIDAS EM UMA LUTA COMUM

TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E A ECOLOGIA UNIDAS EM UMA LUTA COMUM

Claudia Fanti é uma conhecida jornalista italiana, especialista em teologia latino-americana da libertação. Participou dos principais congressos mundiais desta teologia. Traduz perfeitamente do português e do espanhol. Traduziu com muita exatidão meu A Imitação de Cristo e o Seguimento de Jesus de Tomás de Kempis e a minha parte que é a última. É  extremamente inteligente e engajada na reflexão teológica mais avançada e militante de movimentos sociais. É uma das melhores conhecedoras de meu pensamento na área italiana. Agradecemos por este testemunho:Lboff 

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Querido Leonardo,

Era 1996, quando, na casa de Antonio Vermigli, nosso amigo em comum, eu o entrevistei pela primeira vez. Ao longo dos anos, muitas outras entrevistas se sucederam. Mas aquela foi especial. Era a primeira vez em que entrevistava o grande Leonardo Boff, um dos pais e principais expoentes daquela Teologia da Libertação que já modificara profundamente meu olhar sobre a vida e marcava meu trabalho como jornalista.

O tema da entrevista também foi especial: acabava de sair em italiano o seu livro Ecologia: Grito da Terra, grito dos pobres – Para uma ecologia cósmica. A emoção que os astronautas sentiram ao ver, pela primeira vez na história, a Terra do espaço sideral, descobrindo-a como uma única entidade indivisível Terra-humanidade, tomou for- ma em suas páginas, também me instigando a olhar de modo dife- rente para o nosso luminoso planeta branco-azul sempre grávido de vida e ele mesmo ser vivente.

Graças a você, descobri o quanto a Teologia da Libertação e a ecologia estavam unidas em uma luta comum. Ambas a partir de um único grito: “o grito dos pobres que querem vida, liberdade e beleza” e “o grito da Terra que geme sob a opressão”. Ambos orientados para a liber- tação: “o primeiro grito, dos pobres partindo de si mesmos, como sujeitos históricos organizados e conscientizados, em aliança com outros sujeitos de- terminados a abraçar sua causa e sua luta”; o segundo, do Planeta Ter- ra, através de um novo paradigma centrado na inter-relação de todos os seres humanos entre si, com a natureza e com toda a criação.

Desde então, sua pesquisa – conduzida por tanto tempo, quase por um tempo demasiado grande, como em uma solidão total, até que a gravidade da crise ambiental forçou a teologia latino-ameri- cana a considerar a questão como uma de suas prioridades – essa sua pesquisa sempre foi uma fonte extraordinária de inspiração para mim, para a minha vida e o meu trabalho.

Lembro-me de ter traduzido e publicado na Itália a sua confe- rência no Congresso Continental de Teologia na Universidade Jesuíta do Vale do Rio dos Sinos, em São Leopoldo, em outubro de 2012. O tema atribuído a você foi “O lugar e o papel da teologia nos processos de mudança do continente no contexto mundial”, mas você decidiu tra- tar um outro, insistindo na relação entre Teologia da Libertação e preocupação ecológica.

Naquela ocasião, você havia falado sobre como articular Teolo- gia da Libertação e ecologia, colocando o discurso ecológico de uma maneira orgânica, sem limitar, ou seja, adicionando “apenas um capítulo ecológico” ao corpo da TL. De certa forma, você chegou a isso depois das suas dolorosas dificuldades com Roma. Você contava:

Depois de me ter imposto o obsequioso silêncio, João Paulo II mandou-me uma carta, na qual escrevia duas coisas. A pri- meira é que eu deveria me mostrar mais sério (mas, eu pensei, se eu estudei na Alemanha, claro que sou sério!). A segunda é que eu deveria enfrentar os temas realmente importantes da teologia. Pensei: Já que é o papa que diz isso, é preciso levá-lo a sério. E então percebi que o grande tema sobre o qual começar uma reflexão era pensar na Terra e nas filhas e filhos condenados da Terra. E ver como garantir o futuro da nossa civilização. É por isso que comecei a estudar ecologia. Porque uma teologia que não lida com esse problema não é séria.

Aquilo era válido também para mim. Se eu quisesse que meu trabalho jornalístico fosse sério, eu deveria gastar mais tempo e dar mais espaço possível à questão da nossa salvação junto com o plane- ta, o Grande Pobre, devastado e oprimido. É a Terra crucificada, que também precisa ser retirada da cruz. Por isso, essa questão se tornou um dos principais tópicos da minha atividade jornalística e também da minha militância social e política.

Já em 2009, não por acaso, achei necessário participar pessoalmente do 4o Fórum Mundial de Teologia e Libertação, em Belém, PA, sobre o tema “Terra, água e teologia para outro mundo possível”, nos dias que antecederam ao 9o Fórum Social Mundial. E o fato de que a pri- meira conferência do fórum foi entregue a você não poderia deixar a menor dúvida: era uma “honra” que você, por seu trabalho, merecia.

Lembro-me que, embora assediado como uma estrela por fotó- grafos e jornalistas, você encontrou tempo para me dar uma longa entrevista, abordando, entre outras questões, a dificuldade que a Teologia da Libertação tinha de assumir o paradigma ecológico, devendo incorporar conhecimentos científicos de não fácil aquisi- ção, como a física quântica, a nova cosmologia, a astrofísica.

Precisamente, então, comecei a voltar minha atenção para aquele imenso espaço de pesquisa, oferecido pela nova “história sagrada”, transmitida pelas ciências à humanidade. E nesse caminho tropecei em uma de suas maiores obras-primas: o Tao da Libertação, escrito junto com o cosmólogo canadense Mark Hathaway. A busca apaixonada “da sabedoria necessária para fazer profundas transforma- ções no mundo”, realizadas através de uma releitura da Teologia da Libertação a partir das fronteiras mais avançadas da ciência e dos valores da tradição taoista.

Uma pesquisa resumia, da melhor maneira, o título do livro. Nele, a antiga palavra chinesa Tao (“estrada, caminho rumo à harmonia, à paz e a relações justas”), com a qual você indicava “a sabedoria que reside no próprio coração do universo e que contém a essência do seu propósito e da sua direção”, está unida ao termo “libertação”, que ex- pressa esse processo que visa “remediar o terrível dano que infligimos um ao outro e ao nosso planeta “, na direção de um mundo “em que todos os seres humanos possam viver com dignidade e em harmonia com a grande comunidade que compõe Gaia, a Terra viva”, dentro de um universo que está a caminho da realização de suas próprias potencialidades.

Dessa forma, partindo do reconhecimento da extensão e da gravidade da crise atual, nos encontramos diante das duas únicas alternativas possíveis: optar por não realizar qualquer transforma- ção real, perpetuando o atual sistema global de dominação e, assim, deslizando para “um futuro de infelicidade, pobreza e degradação ecológi- ca ainda pior”, ou “pôr-se em busca do Tao da libertação”, realizando assim uma “revolução da consciência”, uma reinvenção de nós mesmos como espécie, na direção de uma “nova civilização global na qual a beleza, a dignidade, a diversidade e o respeito absoluto pela vida estarão no centro de tudo: uma autêntica grande virada”.

Daí a necessidade de uma nova compreensão da realidade e uma nova concepção do lugar que a humanidade ocupa no cosmos. No livro, você define isso como a “cosmologia da libertação”, em oposição àquela “cosmologia da dominação”, que, em grande parte, autorizou “a submissão da Terra”, substituindo a visão do cosmo como “uma moradia viva, rica em mistério” por aquela de um universo “como uma imensa máquina composta de simples tijolos”, que funcionam de maneira determinista. Esse é um universo morto, feito de matéria inanimada, que pode, portanto, ser explorado sem remorsos, em nome do desenvolvimento econômico e social.

Essa é uma visão superada pela pesquisa científica contemporânea. Ao contrário dessa, emerge a natureza profundamente holística e relacional do cosmos, mais como rede de relações na qual “cada parte recebe seu significado e sua existência apenas do lugar que ocupa no interior do todo” e no qual “todas as comunidades evoluíram como se fossem um grande organismo”. O cosmo é como uma “entidade viva com sua liberdade e sua dinâmica criativa”. É como uma espécie de super-organismo vivo que a Terra se revela. São muito sólidas as provas da atividade autorreguladora da ecosfera. É a teoria de Gaia, cuja versão “forte” sustenta “que os organismos vivos, trabalhando juntos, de alguma forma regulam ou controlam o seu ambiente para conservar, ou talvez até para otimizar, as condições necessárias à vida”.

Aquele livro, Leonardo, continha uma mensagem extraordinária de esperança. De uma esperança que nunca foi tão necessária como hoje, uma vez que, olhando para o mundo que construímos, não podemos deixar de nos sentir desanimados com a nossa capa- cidade de nos fazer mal diante da crueldade com que tratamos a comunidade da vida deste planeta, diante da cegueira e da loucura da qual a nossa espécie, imerecidamente autodenominada de sa- piens – que você definiu como “a maior ameaça à vida” – está dando prova de destruir a sua própria casa.

A esperança de que o cenário atual, embora tão dramático, seja apenas, como você escreveu, uma crise que “põe à prova, purifica e leva à maturação”, anunciando “um novo começo, uma dor de parto cheia de promessas e não a dor de um aborto da aventura humana”. Em suma, o nosso destino deve ser o de nos tornar mais plenamente huma- nos, capazes de sentir uma compaixão que inclui tudo, criar, como você escreveu, a nova civilização da Era da Terra, em cuja porta, ao contrário do que está escrito na porta do Inferno de Dante, possa ser lido, em todas as línguas existentes: “Vós que entrais aqui, nunca abandonai a esperança”.

De acordo com a ideia de Teilhard de Chardin, a evolução é “plasmada de modo a convergir para um estágio superior e final, que ainda é para ser alcançado e pode ser chamado de “ponto ômega”. Embora não seja possível dizer exatamente como será, ou com que parecerá, o fato é que implica “níveis de complexidade, de inter-re- lação, de diversidade e de autoconsciência sempre maiores”. Assim, você sublinhava no seu livro que é possível afirmar: o cosmos “ainda está em processo de gênese” e que, portanto, “cada ser e cada entidade estão cheios de potencialidades ainda não realizadas”.

Caro Leonardo, em todos esses anos você não somente nunca me negou uma entrevista, como sempre respondeu generosamente a todos os meus pedidos de artigos, comentários e contribuições. Até aceitou escrever para mim o belo capítulo que aparece no livro O cosmo como revelação, que editei juntamente com José María Vigil. Esse livro deve muito mais a você, Leonardo, do que apenas esse capítulo. Ao longo de todo esse caminho de pesquisa e de aprofundamento sobre o novo paradigma ecológico, você desempenhou um papel essencial, do qual sempre lhe serei agradecida.

Os 80 anos que você viveu com tanta plenitude e com tanto amor pela vida, e que nós todos e todas estamos aqui celebrando, tornaram esse mundo, que algumas vezes é tão inóspito e violen- to, um lugar melhor e mais acolhedor. Uno o meu mais profundo agradecimento a você ao agradecimento de tantos amigos e amigas

Claudia Fanti. Jornalista italiana, engajada na reflexão teológica mais avançada e militante de movimentos sociais

La stupidità dell’Anti-Globalismo

Si sta gonfiando in giro per il mondo un’onda anti-globalista. Forse perché poche erano le stupidaggini altrettanto retrive sparate nel mondo attuale. C’era un certo anti-globalismo, frutto del protezionismo di vari paesi che non minacciava il processo generale e irreversibile della globalizzazione. Questa è stata assunta come piattaforma politica da Donald Trump il quale, secondo il premio Nobel in economia Paul Krugman, sarebbe uno dei presidenti più stupidi della storia nordamericana. Lo stesso vale per il presidente eletto recentemente, capitano Bolsonaro e i suoi ministri dell’educazione e degli affari esteri negazionisti di questo fenomeno che soltanto i disinformati e pieni di preconcetti non riescono a percepire.

Perché si tratta di una sparata delle più insensate? Perché va direttamente contro la logica del processo storico irrefrenabile. Abbiamo raggiunto un livello nuovo della storia della Terra e dell’Umanità. Vediamo: sono migliaia di anni, che gli esseri umani, sorti e nati in Africa (siamo tutti Africani), cominciarono a disperdersi in giro per tutta la Terra, a cominciare dall’Eurasia e terminando con l’Oceania. Alla fine del paleolitico superiore, circa quaranta mila anni fa, circa un milione di persone già occupava tutto il pianeta. A partire dal secolo XVI cominciò una nuova diaspora.

Nel 1521 Fernando Magellano fece il periplo del pianeta, comprovando che è rotondo. Ogni luogo può essere raggiunto a partire da qualsiasi luogo.

Il progetto colonialista europeo occidentalizzava il mondo. Grandi reti, specialmente commerciali allacciarono tutti con tutti. Questo processo è durato dal secolo XVII al secolo XIX quando l’imperialismo europeo, a ferro e fuoco, sottomise ai suoi interessi il mondo intero. Noi dall’estremo occidente siamo nati già globalizzati. Questo movimento si rinforzò nel secolo XX, dopo la seconda guerra mondiale. È arrivato al suo culmine ai giorni nostri quando le reti sociali avvicinano tutti alla velocità della luce, l’economia si è impadronita del processo, specialmente attraverso la “Grande Trasformazione” (K. Polanily) che ha significato il passaggio da un’economia di mercato a una società di mercato. Tutto e tutti, perfino le cose più sacre della verità e della religione diventarono merce. Karl Marx nella “Miseria della filosofia” (1847) chiamò questa cosa “corruzione generale” e “venalità universale”.

La globalizzazione che i francesi chiamano giustamente planetizzazione, è un fatto storico innegabile. Tutti si trovano in unico luogo: nel pianeta Terra. Stiamo nella fase tirannosaurica della globalizzazione che sta nascendo all’insegna di un’economia mondialmente integrata, vorace come il maggiore dei dinosauri, il tirannosauro, perchè è profondamente inumana sia per la povertà che crea che per la accumulazione assurda che permette.

Ormai stiamo entrando nella fase Umano-sociale della globalizzazione a causa di alcuni fattori universali, come ONU, OMC, FAO e altri, i diritti umani, lo spirito democratico, la percezione di un destino comune Terra-Umanità e di appartenere a una unica specie di Homo Sapiens e demens.

Notiamo già gli albori della fase ecozoico-spirituale della globalizzazione. La tecnologia integrale e la vita nella sua diversità avranno come centro non più l’economia, ma il rispetto reverente davanti a tutto il creato e un nuovo accordo con la Terra, vista come Madre e un super organismo vivo, che dobbiamo curare amorevolmente valore profondamente spirituale. Cresce la coscienza che noi siamo quella porzione di Terra viva che in un alto grado di complessità ha cominciato a sentire, a pensare ad amare e a venerare. Terra e Umanità formiamo una unica entità, come bene hanno testimoniato gli astronauti dalla loro nave spaziale.

È arrivato il momento, come profetizzava l’archeologo e scienziato Pierre Teilhard de Chardin già nel 1933: “il tempo delle nazioni è passato. Se non vogliamo morire è l’ora di scuotersi di dosso i vecchi preconcetti e costruire la Terra”. Essa è la nostra unica Casa Comune, che abbiamo come ha enfatizzato Papa Francesco nella sua enciclica “sulla cura della Casa Comune” (2015). Non ne abbiamo altre.

Stiamo sentendo i preconcetti bizzarri dei futuri governanti e dei ministri che la globalizzazione è un tranello dei comunisti per dominare il mondo. Questi sono coloro che, secondo Chardin non si preoccupano di costruire la Casa Comune, ma si fanno ostaggi del loro piccolo e meschino mondo grande come la loro zucca scarsa di luce.

Se loro non arrivano a vedere la nuova stella che ha fatto irruzione nel mondo, il problema non è della stella ma dei loro occhi cecati.

*Leonardo Boff ha scritto “Destino e Desatino da Globalização” in: Dal’Iceberg al arca di Noé, Mar de Idéias, Rio 2010, pp. 41-63.

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato.

“LaChiesa è dei mistici non del potere”:entrevista de L.Boff ao La Repubblica de Roma

 

                          “LaChiesaè dei mistici non del potere”

Intervista di PAOLO RODARI a Leonardo Boff 26/11/2018

L aconsidera il suo“canto Ldel cigno”, la traduzione che Leonardo Boff, ex frate francescano ed ex presbitero brasiliano,

Il noto esponente della Teologia della liberazione, fa de l’Imitazione di Cristo di Tommaso da Kempis. A uno dei testi più meditati dopo il Vangelo e ritraducendo partendo dall’edizione della Tipografia poliglotta Vaticana, Boff aggiunge, «nel tramonto della vita», un quinto libro sulla sequela di Gesù.

Freud, Jung e Heidegger lessero Tommaso da Kempis riflettendo sul tema dello svuotamento di sé contro ogni attaccamento al proprio io. Di questo c’è bisogno oggi?

R/«Èun tema centrale e rappresenta l’atteggiamento diGesùche,“pur essendo di natura divina”, ha spogliato séstessoper essere uguale anoi. Questarinuncia all’attaccamento al proprio io è la prima virtù del buddismo e anche del cammino spirituale cristiano. Ed è il tema centrale del più grande dei mistici dell’Occidente, Meister Eckhart, con il suo Abgeschiedenheit,la pratica del distacco. Psicologi come Freud e filosofi come Heidegger hanno compreso tale esigenza di Tommaso da Kempis. Il distacco è il primo passo per il vero processo di individuazione e di identità personale. Èciò che ci assicura il dono più grande dopo l’amore, che èla libertà interiore».

Lei scrive che seguire Gesù significa assumere la sua causa, correre i suoi rischi ed eventualmente accettare il suo stesso tragico destino. Cosa significa?

R/«È una realtà testimoniata dalla Chiesa della liberazione dell’America Latina sotto i regimi militari in vari Paesi.Èquesto tipo di Chiesa a prendere sul serio l’opzione per i poveri, la quale ha prodotto e produce anche oggi tanti martiri, tra i laici e le laiche, i preti e vescovi come Oscar Romero in El Salvador e Angelelli in Argentina».

La Chiesa sembra in alcune sue parti legata a una visione imperialista/costantiniana,
immersa nella storia e votata alla conquista del potere. E Francesco a volte appare come una meteora in un mondo che fatica a tenere il suo passo. Cosa pensa?

R/«Credo sinceramente che la Chiesa-istituzione, cioè la Chiesa come società gerarchica, non si senta parte del popolo di Dio come richiedeva il Concilio Vaticano II, ma al di fuori e al di sopra di esso. Organizzandosi non attorno al più antico concetto di communio , di comunione tra tutti, ma attorno al potere sacro (sacra potestas), escludente perché concentrato solo in alcune mani. Questo tipo di Chiesa è caduta nelle tre tentazioni affrontate e superate da Gesù: quella del potere religioso di riformare il mondo a partire dal tempio; la tentazione del potere profetico di trasformare le pietre in pane, ela tentazione del potere politico, dominare su tutti i popoli. Restano attuali le parole pronunciate dal cattolico Lord Acton in riferimento ai potenti papi del Rinascimento: “Il potere tende a corrompere e il potere assoluto corrompe in modo assoluto”. E ancora più pertinente è quanto affermava Hobbes riguardo al potere, che, diceva, si sostiene solo sul “desiderio incessante di avere sempre più potere”. Tutte parole che si sono concretizzate nella storia della Chiesa, attraverso una concentrazione enorme di potere unicamente nelle mani del clero, con esclusione in particolare delle donne. È stato necessario un papa proveniente dalla fine del mondo, che ha scelto il nome Francesco, archetipo della povertà e della rinuncia a ogni potere, per mostrare come la gerarchia della Chiesa debba orientarsi in base al servizio (ierodulia )enon alpotere sacro (ierarchia )».

Lei subì un certo ostracismo da Roma?

R/«Non ho conservato alcun rancore per la punizione che mi è stata inflitta del silentium obsequiosum. Sapevo che la teologia del potere sacro operante nella testa dei responsabili dell’ex Sant’Uffizio avrebberesoinevitabile lamia condanna. Mi sentivo nel vero e avevol’appoggio della Conferenza dei vescovi del Brasile. Per questo accettai tranquillo l’imposizione del “silenzio ossequioso”, poi sospeso da Giovanni Paolo II».

Papa Bergoglio riceve diverse critiche da settori conservatori

 

della Chiesa. Perché?

R/«Credocheiconservatori fossero abituati a un papa faraone, con
titoli esimboli del potere ereditati dagli imperatori pagani. Poi all’improvviso arriva un papa al di fuori del quadro tradizionale, che si spoglia di tutto questo apparato profano che allontana i fedeli e asseconda la vanità clericale. Non accettano un papa che non provenga dal loro vecchio e moribondo cristianesimo. Francesco porta l’atmosfera nuova di Chiese che non sono più lo specchio di quelle europee, ma Chiese-fonti, con la loro teologia, la loro pastorale rivolta specialmente ai più poveri, la loro liturgia e il loro modo di rendere lode a Dio».

Si sente sempre un figlio della Chiesa?

 

R/Si uin figlio della Chiesa di Cristo.«Neltramonto della vita -compirò 80 anni adicembre – non mi preoccupo del passato ma rivolgo i miei occhi all’eternità. Unire il mio nome, quello di un theologus peregrinus,aquello diTommaso da Kempis è per me l’onore più grande. “Ne è valsa la pena?”, si domandava Fernando Pessoa,il più grande poeta portoghese. Faccio mia la sua stessarisposta: “Tutto vale la pena sel’anima non è piccola”. Possodire che, con la grazia di Dio, ho cercato di fare in modo che la mia anima non fossepiccola».

Il libro Imitazione di Cristo e sequela di Gesù
di Leonardo Boff (Gabrielli Editori
trad. di Claudia Fanti, pagg. 253, euro 19)

La rinuncia all’attaccamento al proprio io è la prima virtù del buddismo e del cammino spirituale cristiano

“Francesco è odiato dai clericali di un culto moribondo
che vorrebbero un papa faraone”.

Parla il grande teologo della liberazione Leonardo Boff