Una poesía orada

Saludos querida amiga y querido amigo. Les mando mi abrazo.

Abya Yala
¿Qué celebramos?

Sí cuando escuchamos el mensaje del águila, del quetzal y del cóndor en las tierras del Abya Yala vemos Sangre

Ojalá fuera por el significado en lengua gunadule de Abia Yala: “tierra vital, tierra en plena madurez, tierra de sangre”.

Abya Yala, ¿qué hicimos con tus pechos?
Los insaciables te dejaron secos
Las riquezas en estas tierras violentadas por los salvajes
Burladores que dicen amar la vida y juegan con ella
Sus manos están llenas de sangre

Hoy te lloro por la muerte de uno, de tres, de nueve, de once, de cientos y miles de hermanas y hermanos quienes vivieron amando la vida y soñando por una tierra sin males.

Ellas y ellos viajaron por los ríos sagrados en sus canoas con la esperanza de que sus niñas y niños vivieran sin hambre.

Abya Yala querida, que las lágrimas de las hijas de la tierra al caer en tu cuerpo sean como el agua que produce vida

Que la oración de las poetas mayores, de las abuelas, renazca en las cordilleras, dándonos vida para unirnos a las luchas de los pueblos indígenas del Abya Yala

Y celebrar la generosidad y reciprocidad de su amor por la Tierra
Las veladas junto al fuego
La resistencia por amor a nuestra identidad.
La polifonía de rostros y lenguas únicas y diversas que nos hablan de nuestras sabidurías ancestrales.

Quiero celebrarte en el fogón cuando alimentas a tus niños y niñas
Y escucho las risas y la alegría de tus pequeños
La fuerza por la lucha por tu territorio.
El amor por Nabgwana
Déjame celebrarte, Abya Yala,como una tierra sin males

Por: Jocabed R. Solano Miselis

Iris Boff: A ira santa da Mãe Terra e seus conselhos

Transcrevo este apelo dolente de uma mãe que sente as dores da Mãe Terra. Esta tudo sofre e tudo suporta. Mas chega um momento em que diz:Basta! Mas como Mãe dá conselhos e chama os filhos e filhas para que voltem ao regaço materno com o propósito de cuidar, de proteger e de venerar aquela que lhes deu a vida e novamente os quer regenerar.

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                                    A ira santa da Mãe Terra e seus conselhos

Há uma Mãe bem velha e muito antiga, que está sendo usada e abusada por seus filhos e filhas e depois a deixam exaurida no abandono e esquecimento .

Agora doente e cansada de gritar por socorro e não ser ouvida, triste por ver seus filhos e filhas, se tratando mal e vivendo  como loucos, andando sem direção, perde a paciência . Com justa e santa ira, usa de sua ascendência e autoridade de Mãe . Como nunca fez antes, envia para toda a Família Humana uma advertência dura e direta; justa e necessária.:

“-CALA A BOCA, minha criança rebelde e desobediente , sem juízo e prepotente

Não quero mais ouvir tuas promessas vãs, tuas cúpulas e conferências, assinadas e nunca cumpridas. Teus projetos, sempre adiados e por muitos abortados. Sob minha inspiração, com a lucidez de alguns filhos e filhas, ficaram estabelecidos, os princípios básicos, para a cura e salvação de todos É uma preciosa carta ( CARTA DA TERRA ) endereçada a todos. Meu escolhido, o Papa Francisco, em meu nome escreveu para todos “sobre o cuidado da Casa Comum”. Mas a indiferença e o desinteresse é entre altos decibéis, um rouco balbucio.

Então, com minha santa ira faço justiça e grito alto para que todos ouçam: BASTA !…

Vá pra dentro de tua casa, tu que tens esse privilégio e FIQUE EM CASA .

Faça silencio, medite, ore, e em tua Casa Interior no Santuário do teu Coração. Examine o filho e a filha que tem sido para com tua Mãe. Reflita como trata teus irmãos nessa Grande Familia Humana tão rica, linda porque diversa.

Com meu Amor,depois de uma longa gravidez, te trouxe para essa Vida, último rebento, amado e gestado como obra prima . Eu te abrigo em minha Casa e te dou tudo que precisa de graça, do bom e do melhor para o sustento da Vida de todos.

Alguns ditos “inteligentes” inventaram, para privilégio de poucos, esse brinquedo muito útil, mas perigoso com o nome de progresso. Dele todos os dejetos e venenos letais estão me matando e me sufocando .

A maioria se comporta muito mal. Como canibais, um quer devorar o outro. Alguns impiedosos e avarentos, deixam muitos na penúria. Outros soberbos, pisam na maioria dos pequenos para subir. Nessa estúpida arrogância, se acham acima de tudo e de todos. São usurpadores da COROA que é minha soberania e ascensão sobre cada um.

Sim. Como medida extrema, rápida e eficaz, eu passo para vocês essa cobiçada “Coroa” (coronavirus) Invisível, perigosa e letal. Ela paira sobre a cabeça pensante de cada um de um. Eu bem sei quem está a meu favor ou contra mim.

Sinto muito, meus filhos e filhas queridos, como efeito dessa violência provocada pela avareza de poucos, muitos serão vitimas dessa violência e agressão que eu sinto: A falta do bem mais precioso e gratuito, sem o qual não se vive, que é o AR.

Antes que seja tarde: PARE COM TUDO.

O perigo, o inimigo, a ameaça e o risco te espreita por todos os lados,fora da porta de tua casa . Ele pode vir do mais próximo. Então, sem pânico e com juízo, fuja pra dentro de tua casa e FIQUE EM CASA com os teus mais queridos, sem ser ausente aos demais.

Nesse retiro forçado, olhem-se como nunca fizeram no rosto de cada um, embora diferentes, são todos irmãos e irmãs, filhos e filhas do mesmo sangue, gestados e paridos no meu útero, como uma bela e colorida família humana, porque diversa.

Frutos do meu AMOR, poluíram e deturparam esse vínculo precioso. As relações ficaram frias, distantes e artificiais . Como Mãe, sinto que alguns como filhos incestuosos e malfeitores, agem como assaltantes que sem piedade, roubam há muito tempo, meus segredos e tesouros

Nesse deserto de isolamento terapêutico, terás a chance de resgatar o que perdeste. Nada mais será como antes. Para sobreviveres é urgente, re-inventares as alegrias simples e cotidianas da tua existência e desfrutares do convívio intimo. Valorizar o calor do encontro humano no beijo e abraço,negados e agora suspeitos . Todo o CUIDADO é pouco de ti, do outro, como Familia Humana que somos no seio sagrado da Mãe.

Esse não é um castigo. Não é uma vingança. Não é uma doença. Não é uma maldição.

É um santo remédio , embora intragável e amargo. Há de ser a saída saudável dessa situação insana,. É a receita disciplinar para curar as feridas entre Mãe e Filhos e Filhas. Não mais como exilados, ou “filhos pródigos,” rodos possam retornar saudáveis para a Mãe, que é uma só, na única Casa Comum que temos para viver.

O sofrimento pelo qual estamos passando, nos torne dignos do respeito, da boa convivência, do perdão, da compaixão, do cuidado mútuos como condição para nossa cura comum.

Qualquer MÃE , toma para si, os filhos e filhas mais frágeis, doentes e esquecidos . São os mais queridos e amados.

Então, esses pequeninos irmãos e irmãs, que muitos ignoram, desprezam e abandonam, eu  os acolho novamente e no calor regenerativo do meu útero. Junto a mim reinicio , como fiz em outros tempos , uma nova gravidez.

Com MÃE eu também choro a morte, a perda e a falta de tantos, sinto saudades pujantes do convívio. Que o sagrado bálsamo de nossas lágrimas, redimam nossos erros e reguem a semente da nova Família Humana. Tua Mãe curada e reconciliada espera, no devido tempo, traze-los à luz.

Em fim: Tenho dito, prescrito e bendito.”

Somos todos um fio de uma teia, um tom de uma sinfonia, uma tinta de uma tela , o ritmo de uma dança , um tema de um grande poema , um verso ÚNICO desse imenso UNI-VERSO.

No Amor, na Fé ena Esperança, que juntos com nossa MÃE TERRA ,possamos ainda trabalhar e gozar , cantar e chorar, sofrer e dançar na grande CIRANDA UNIVERSAL, que gira infinitamente rumo ao ETERNO de muitos nomes.

 

Curitiba, festa de Pentecostes, do Espírito Criador e Curador de 2020

No seio da Mãe Terra, são acolhidos hoje milhares de irmãos e irmãs no solo do Brasil. Mesmo sem velório e luto eu, Mãe de todos, os acolho em meu regaço, cheio de ternura e amor.

 

Iris Boff , educadora, poeta, militante nos movimentos sociais populares, mãe de 7 filhos homens.

 

 

 

 

 

 

O cosmólogo Mark Hathaway e Leonardo Boff conversam sobre o covid-19

Pode-se interpretar a irrupção da pandemia do convid-19 sob muitos aspectos, feitos já a partir de muitas perspectivas científicas, políticas, econômicas e ecológicas. Aqui se propõe um diálogo entre a nova cosmologia, a comunidade de vida e a presença do coronavírus entre o prof. de cosmologia e ética da universidade de Toronto e comigo, pois juntos escrevemos um grosso livro com o título O Tao da Libertação:explorando a ecologia da Transformação”(Orbis Books 2009/Vozes 2012/ Trotta 2014) bem recebido pela comunidade científica. Conta com um prefácio do conhecido físico quântico e ecologista Fritjof Capra. O título Tao se refere ao diálogo entre a cosmologia ocidental e a sabedoria ancestral do Oriente. O encontro será no dia 26 de maio a partir das 14.00,hora do Brasil. Aqui vai o convite para esse live que promete ser interessante. A língua usada será o espanhol com tradução para o inglê sse o francês,línguas faladas no Canadá.  LBoff

Español:
En Diálogo con Leonardo Boff y Mark Hathaway

Martes, 26 de mayo, 1:00-2:30 PM EDT
Afiche/Grafico: http://tiny.cc/boff-es
Inscripción: http://tiny.cc/boff
Convertir la hora a tu hora local: http://tiny.cc/boff-hora
Encontrémonos con Mark Hathaway del Foro Jesuita en conversación con el ecoteólogo Leonardo Boff sobre algunos temas claves que surgen de la encíclica Laudato Sí.

Juntos, explorarán:

Por qué la crisis ecológica es, ante todo, una crisis de relaciones,
Cómo la ecología integral entrelaza las dimensiones sociales, económicas, ambientales y espirituales,
Cómo responder al llamado a una conversión ecológica radical, y
Cómo se puede poner en práctica una espiritualidad ecológica.

Más detalles

Leonardo Boff es el teólogo más reconocido de Brasil, autor de unos cien libros sobre la teología de la liberación, ecología y espiritualidad, y ganador del Premio Right Livelihood en 2001. Junto con Boff, Mark Hathaway escribió el libro El Tao de la Liberación: Una Ecología de la Transformación (Orbis, 2009; Vozes, 2012; Trotta, 2014).

English:

In Dialogue with Leonardo Boff and Mark Hathaway
Tuesday, May 26, 1-2:30 PM EDT
Poster / Graphic: http://tiny.cc/boff-en
Registration: http://tiny.cc/boff
Convert event time to your local time at: http://tiny.cc/boff-time
This event will be in Spanish and interpreted into both English and French
Please join the Jesuit Forum’s Mark Hathaway in conversation with renowned Brazilian theologian Leonardo Boff on key themes arising from the encyclical Laudato Sí.
Together, they will explore:

Why the ecological crisis is, at its heart, a crisis of relationships,
How integral ecology weaves together social, economic, environmental, and spiritual dimensions,
How to respond to the call to radical ecological conversion, and
How to live out an ecological spirituality in practice.

More Details

Leonardo Boff is Brazil’s best-known theologian, author of hundred books on liberation theology, ecology, and spirituality, and recipient of the 2001 Right Livelihood Award. Mark Hathaway, the Jesuit Forum’s Associate Director, co-authored The Tao of Liberation: Exploring the Ecology of Transformation with Boff (Orbis, 2009).

Français

En Dialogue avec Leonardo Boff/ Mark Hathaway
Mardi, 26 mai 2020, 1h00 à 2h30 (EDT)
Affiche et graphique : http://tiny.cc/boff-fr
Inscription : http://tiny.cc/boff
Convertir à l’heure locale : http://tiny.cc/boff-heure
Rejoignez Mark Hathaway du Jesuit Forum pour une conversation avec le théologien et penseur altermondialiste Leonardo Boff autour des thèmes clés de l’encyclique Laudato Sí’.
Ensemble, ils se demanderont :

Pourquoi la crise écologique est d’abord et avant tout, une crise des relations,
– De quelle manière l’écologie intégrale peut lier entre elles les dimensions sociales, économiques, environnementales et spirituelles de notre Maison commune ;
– Comment répondre à l’appel à une conversion écologique radicale lancé par le pape François
Comment mettre en pratique la spiritualité écologique au cœur de Laudato Si’.

Plus de détails
Leonardo Boff est le théologien le plus renommé du Brésil, auteur de presque cent livres sur la théologie de la libération, l’écologie et la spiritualité, et lauréat du Right Livelihood Award en 2001. Avec Boff, Mark Hathaway a écrit le livre The Tao of Liberation : Exploring the Ecology of Transformation (Orbis, 2009 ; Vozes, 2012 ; Trotta, 2014).

 

 

Leneide Duarte-Plon: Que mundo a pandemia vai gerar?

Leneide Duarte-Plon é uma jornalista brasileira vivendo na França. Conhecida analista social e crítica do sistema imperante. Já publicamos textos dela neste blog. Este é particularmente importante. De forma realista nos pinta eventuais cenários que poderão seguir no pós-pandemia. Eles nos preocupam. Eu alimento a esperança de que os bilhardários e dos donos do poder econômico e militar terão que aprender as lições que a própria Terra vai lhes dar para pô-los,como agora, novamentede joelhos e tirar-lhes a arrogância. Eles não podem comer dólares, euros ou ouro. Terão que comer daquilo que a Terra dá e ela, parece,não querer mais dar possibilidades aos super-ricos e ultra-consumistas aqulo que eles pretendem controlar para seu desfrute egoista. Ele também têm os pés de barro e, o que é pior, as cabeças vazias de humanidade, solidariedade, cuidado da Casa Comum. A cabeça deles estã cheia de cifrões de $,EU,em fim, de riquezas materiais que a Terra um dia vai comer. Leiamos este texto de Leneide para estarmos atentos ao que poderá vir e como podemos já agora resistir e confiar que ninguém e nada é mais forte do que a Vida e Aquele que rege os destinos do universo e da Terra e da humanidade Lboff

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                      Que mundo a pandemia vai gerar?

 A construção de uma nova mundialização, mais solidária, mais ecológica, menos voltada para o lucro, é uma decisão de todos.

O mundo que vai nascer dos escombros dos Estados atuais será mais justo ?

Para o linguista e filósofo americano Noam Chomsky, temos escolha. Mas quem vai decidir é o poder político.

Chomsky desenvolveu de forma brilhante uma análise da crise atual em recente entrevista, publicada no site Opera Mundi.

« Em que tipo de mundo nós queremos viver? De qualquer forma, haverá opções. Desde a instalação de Estados autoritários por toda parte até a reconstrução da sociedade em termos mais humanos, para atender às necessidades humanas ao invés do lucro privado. »

Mas a esperança de ver um novo mundo mais solidário, mais preocupado com a preservação da natureza e com a justiça social emergir da atual pandemia – crise sanitária que paralisou o planeta, originando a maior crise econômica e social depois de 1929 – pode ser apenas um sonho de utopistas do mundo inteiro.

“Meu receio é que o mundo que vai surgir se assemelhe demais ao mundo que conhecíamos, mas em versão piorada ».

A frase não é de um filósofo. É de Jean-Yves Le Drian, atual ministro das relações exteriores da França e ex-ministro da Defesa do presidente François Hollande. Um homem que vem do Partido Socialista francês e não é um noviço em relações internacionais.

Para quem não lembra, foi ele quem recebeu de Bolsonaro um bolo inédito. Na hora do encontro previamente agendado do ministro francês com o presidente do Brasil, o capitão foi cortar o cabelo e deixou Le Drian a ver navios. E, para ficar bem claro que estava ocupado em coisas mais importantes que política internacional, o inacreditável personagem fez questão de divulgar as cenas do corte de cabelo em redes sociais.

Como Le Drian, alguns filósofos jogam uma ducha de água fria na esperança do ser humano sair mais maduro e menos egoísta dessa pandemia.

Não é o caso do filósofo alemão Hartmut Rosa, que ressalta que o poder político, e somente ele, tem em suas mãos condições de mudar drasticamente uma realidade nacional fechando escolas, paralisando os transportes, fechando comércio e confinando a totalidade da população. Em entrevita ao jornal « Libération », ele desenvolveu a idéia que deixa uma porta entreaberta :

« Temos hoje 85% do tráfego aéreo bloqueado, aviões no solo. Isso parece um milagre impensável em tão pouco tempo. Essa interrupção de voos não foi provocada por uma guerra, por uma tragédia econômica nem por uma catástrofe natural. Não foi o vírus que derrubou aviões e fechou nossas escolas, cinemas e universidades e interrompeu campeonatos de futebol. Foi uma decisão política. A desaceleração espetacular que estamos vivendo é o resultado de uma ação política. No entanto, a política parecia impotente diante da crise climática, dos mercados financeiros e do aumento das desigualdades sociais. De repente, vemos que uma ação política eficaz é possível ! »

Com a volta a uma normalidade que não será jamais a mesma de antes pois o vírus não vai desaparecer, possivelmente voltará a busca pelo crescimento e pela acumulação de capital. Mas os Estados-nação, como a França já anunciou, vão decidir se fortalecer buscando relocalizar indústrias estratégicas – de medicamentos e componentes de saúde, por exemplo – que tinham partido maciçamente para a China, em busca de mão de obra barata.

« Nenhum modelo econômico ou sociológico, nenhuma ciência futura pode predizer como iremos continuar, se iremos voltar ao antigo modelo ou encontrar novas idéias e soluções, sobretudo para a crise climática. Tudo é uma questão de ação política », diz Hartmut Rosa.

O mundo pós-Covid19, no entanto, pode agravar as desigualdades e os problemas ecológicos. Segundo uma matéria publicada no jornal Le Monde, “Le monde d’après, selon Wall Street », o mundo de amanhã será o de ontem mais cartelizado, mais globalizado, mais tecnológico e mais virtual. Enquanto a crise fez cair em 25% o índice da Bolsa francesa (CAC 40), o índice de Wall Street só diminuiu 12% desde o início do ano. As ações da Amazon, por sua vez, tiveram um crescimento espetacular de 23,7% de janeiro a 1° de maio. E muitos bilionários estão ganhando com a pandemia.

Philip Mirowski, filósofo do pensamento econômico, diz, em entrevista ao jornal « Libération » que o atual aumento da solidariedade que vemos em diversos países é apenas um progresso enganoso e passageiro.

« Nos Estados Unidos, enquanto há mais de 30 milhões de novos desempregados, a fortuna acumulada pelos bilionários aumentou de mais de 300 bilhões de dólares na crise atual. Se olharmos no retrovisor, vamos ver que não há motivo para otimismo : depois da crise das subprimes de 2008, os financiamentos foram dirigidos para as empresas e a austeridade foi para os particulares. »

Uma ducha de água fria na nossa esperança de que « um outro mundo é possível » …

Mirowski continua : « O pós-coronavírus não será favorável ao modelo de sociedade que a esquerda defende, veremos uma aceleração das medidas neoliberais. Penso que nos dirigimos a um momento de estabilização da plutocracia, isto é, um pequeno grupo de ricos vai se apoderar de um imenso poder ».

Para Mirowski, o que vai surgir depois da pandemia é um mercado ainda menos regulado, uma indústria farmacêutica cada vez mais forte e um fortalecimento do discurso populista.

Quem esperava de Philip Mirowski palavras otimistas, um pouco de entusiasmo pelas novas oportunidades de construção de um mundo de mais justiça social, tem duas opções : discordar de tudo o que ele diz e manter sua utopia. Ou jogar a toalha e desistir da luta política. Para não se jogar pela janela.

Alemanha e França : crescimento negativo

A Alemanha e a França, as maiores economias européias, tiveram a mais baixa atividade econômica depois da guerra. O crescimento econômico das duas potências será negativo este ano e setores como o turismo, a cultura, a construção aeronáutica e o luxo – carros-chefes da economia francesa, juntamente com a indústria de armamentos – terão perdas fenomenais.

Chomsky não é otimista quanto ao futuro e lembra que nunca estivemos tão perto de catástrofes planetárias como a guerra nuclear e o agravamento do aquecimento global :

« O coronavírus é algo sério o suficiente, mas vale lembrar que há algo muito mais terrível se aproximando, estamos correndo para o desastre, algo muito pior que qualquer coisa que já aconteceu na história da humanidade e Trump e seus lacaios estão à frente disso, na corrida para o abismo. Há duas ameaças imensas que estamos encarando. Uma é a crescente ameaça de guerra nuclear, exacerbada pela tensão dos regimes militares e claro pelo aquecimento global. Ambas podem ser resolvidas, mas não há muito tempo e o coronavírus é terrível e pode ter péssimas consequências, mas será superado, enquanto as outras não serão. Se nós não resolvermos isso, estaremos condenados. »

Ele lembra que todo ano, o relógio do juízo final é ajustado em janeiro com os ponteiros dos minutos a uma certa distância da meia noite, que seria o fim. Desde que Trump foi eleito, o ponteiro tem se movido para mais perto da meia noite. Ano passado estava a dois minutos da meia noite. O mais próximo já alcançado. Esse ano, os analistas retiraram os “minutos” e movem agora o ponteiro em segundos. Estamos a 100 segundos para a meia noite, o mais próximo que já estivemos.

« Temos três questões: a ameaça da guerra nuclear, a ameaça do aquecimento global e a deterioração da democracia. A democracia não está sendo debatida nos Estados Unidos, mas é a única esperança que temos para a superação da crise. Para que as pessoas tenham controle sobre seu destino. Se isso não acontecer, estamos condenados se deixarmos nosso destino com sociopatas bufões. E isso está próximo, Trump é o pior, por causa do poder dos EUA, que é esmagador. Estamos falando do declínio dos EUA, mas você olha para o mundo e não vê esse declínio quando os EUA impõem sanções, assassinatos, sanções devastadoras, é o único país que pode fazer isso, mas todo mundo tem de segui-lo. A Europa pode não gostar das ações odiosas contra o Irã, mas tem que acompanhar, deve seguir o mestre, ou será chutada do sistema financeiro internacional. Não é uma lei da natureza, é uma decisão da Europa estar subordinada ao mestre em Washington. Outros países não têm nem tem mesmo como escolher. »

O Brasil já teve escolha.

Desenvolveu uma política externa “ativa e altiva”, como a nomeou o chanceler Celso Amorim. Mas, em 2016, resolveu hipotecar sua soberania a Washington, com um golpe de Estado que marca a destruição de todo o projeto de nação construído nos últimos 30 anos.

Leneide Duarte-Plon é co-autora, com Clarisse Meirele, de « Um homem torturado, nos passos de frei Tito de Alencar » (Editora Civilização Brasileira, 2014). Em 2016, pela mesma editora, a autora lançou « A tortura como arma de guerra-Da Argélia ao Brasil : Como os militares franceses exportaram os esquadrões da morte e o terrorismo de Estado ». Ambos foram finalistas do Prêmio Jabuti. O segundo foi também finalista do Prêmio Biblioteca Nacional.