Bons propósitos para o ano novo

Todo começo de ano é ocasião de se fazer bons propósitos. São desafios que nos colocamos a nós mesmos para que a vida não seja sempre repetitiva mas criativa e, quem sabe, surpreendente. Alinho aqui alguns propósitos para alimentar a fantasia criadora de cada um.

1.Desenvolva em você a inteligência cordial, emocional e sensível. Inflacionamos a inteligência intelectual, sempre necessária, mas insuficiente. Deixada por si mesma, produziu a solução final dos judeus (Shoah) e a Casa da Morte em Petrópolis sob o regime militar. A inteligência cordial amalgamada com a intelectual produz afeto, amor e cuidado, nos humanizamos e salvaremos então a vida.

2.Deus sempre vem misturado em todas as coisas. Onde houver algum gesto de amor, de solidariedade e de reconciliação saiba que Ele está lá infalivelmente. Sem esses valores Deus é apenas um nome.

3.De manhã ao despertar ou antes de recolher-se, faça uma pequena homenagem a Deus, ou àquela Energia amorosa e poderosa que nos sustenta. Não precisa dizer nada. Reserve aqueles poucos minutos para Ele e só para Ele. Se precisar, chore pelas demasiadas desgraças que ocorrem ou alegre-se por aquilo de bom que aconteceu para você e para o mundo.

4.Cada um é um projeto infinito. A vida é curta demais para nos saciar plenamente. Passe pelas coisas, usufrua-as sem danificá-las mas não se detenha nelas. Vá em frente e sempre além, pois, somos caminhantes da vida e somente um Infinito sacia nossa sede e fome infinitas.

5.Deseje ser águia que voa alto e livremente, quer dizer, tenha ideais e grandes sonhos. Mas não esqueça que deve ser também galinha, concreta e prudente, especialmente quando se trata de administrar os bens materias e lidar com finanças. Aprenda quando deve ser águia e quando galinha. E saiba combinar sabiamente a ambas.

6.Faça uma terapia em sua linguagem. Dizem-se tantos palavrões no falar cotidiano e nas redes sociais. No começo era a Palavra. Ela tem força criadora e destruidora. Depende de você. Ela é “a ponte onde o amor vai e vem” como cantam os cristãos das comunidades de base.

7.Você pode hoje se informar sobre tudo. Praticamente tudo se encontra na internet e no Google. Mas cuide em se formar para ter uma humanidade mais plena. Disse uma sábia filósofa judia: podemos nos informar a vida inteira sem nunca nos educar.

8.Quando entra em casa, tome seu banho, descanse um pouco, não ligue logo a televisão ou consulte o facebook ou leia os e-mails. Retire-se num canto, fique em silêncio. Agradeça a Deus pela vida. Pois, nos dias atuais, com os riscos que corremos em cada esquina ou em cada canto somos todos sobreviventes.

9.Resista à propaganda. Ela não pensa em você, apenas em seu bolso para fazê-lo um consumidor e não um cidadão consciente. Assuma como projeto de vida a sobriedade compartida. Podemos ser mais com menos, por amor àqueles que pouco ou nada têm. Decida você mesmo o que comprar e quando comprar com plena liberdade e consciência.

10.Incorpore a ética do cuidado essencial: cuide de sua saúde, de sua família, de sua casa, de seus amigos, cuide do ambiente inteiro com o mesmo sentimento de São Francisco de Assis que respeitava e amava a todos os seres como irmãos e irmãs, especialmente a irmã água e a irmã e a mãe Terra. Tudo o que cuidamos, dura muito mais.Perceberás aos poucos que todos os seres, também as montanhas, possuem um coração que pulsa como o seu. No fundo, você, sua casa e família, as pessoas e as paisagens, a Lua e o Sol e Deus mesmo constituem um único grande e generoso Coração pulsante.

Leonardo Boff escreveu A Grande Transformação: na economia, na política e na ecologia, Vozes 2014.

Das Ende einer Epoche, eine neue Zivilisation oder das Ende der Welt?

Einige hoch angesehene Persönlichkeiten warnen davor, dass wir uns bereits in einem Dritten Weltkrieg befinden. Derjenige unter ihnen, der die höchste Autorität innehat, ist Papst Franziskus. Am 13. September sagte er während des Besuchs eines Friedhofs für italienische Soldaten, die in Radipulia in der Nähe von Slowenien ums Leben kamen: „Der Dritte Weltkrieg könnte bereits begonnen haben. In Teilen wird er bereits ausgefochten in Form von Verbrechen, Massakern und Zerstörung.“ Am 12. Dezember 2014 warnte der 93-jährige Altbundeskanzler Helmut Schmidt vor einem möglichen Dritten Weltkrieg (Boletim Carta Maior vom 22.12.2014). Genauso kann man hier und da auch andere maßgebliche Stimmen hören.

Die für mich am überzeugendste Analyse, die ich für prophetisch halte, da bereits stattfindet, was in ihr vorhergesagt wurde, stammt von Jacques Attali in seinem bekannten Buch „Die Welt von morgen. Eine kleine Geschichte der Zukunft“ (Parthas, 2008). Er war ein Berater François Mitterands und steht nun der Kommission zur „Freisetzung des Wirtschaftswachstums“ vor. Er arbeitet mit einem hochqualifizierten, interdisziplinären Team zusammen. Attali sah drei Szenarien voraus:

  1. Das Super-Empire, bestehend aus den USA und ihren Verbündeten. Seine Stärke liegt in seiner Kapazität, die ganze Menschheit zu vernichten. Doch es befindet sich im Niedergang aufgrund der systemischen Krise des kapitalistischen Systems. Es folgt der Ideologie des Pentagon von der „Dominanz des ganzen Spektrums“ in allen Bereichen, im Militär, der Ideologie, der Politik, Wirtschaft und Kultur. Doch es wurde auf dem wirtschaftlichen Feld von China überholt und hat Schwierigkeiten, anderen seine imperialistische Logik aufzuzwingen.
  2. Der Super-Konflikt. Mit dem langsamen Niedergang des Empires taucht eine Balkanisierung der Welt auf, wie es zurzeit an den regionalen Konflikten in Nordafrika, dem Mittleren Osten, in Afrika und der Ukraine zu beobachten ist. Diese Konflikte können sich mit dem Gebrauch von Massenvernichtungswaffen verstärken (siehe Syrien und Irak), dann mit kleinen Nuklearwaffen (es gibt Tausende davon in Aktentaschen-Größe), die zwar wenig zerstören, aber ganze Regionen für viele Jahre durch hohe radioaktive Strahlung unbewohnbar machen. Mit der weit verbreiteten Nutzung nuklearer, chemischer und biologischer Waffen könnte eine Zeit kommen, in der die Menschheit sich dessen bewusst wird, dass sie sich selbst zerstören könnte. Und dann träte das dritte und letzte Szenario in Kraft:
  3. Die Super-Demokratie. Um nicht sich selbst und einen Großteil der Biosphäre zu zerstören, würde die Menschheit einen Welt-Sozial-Vertrag abschließen, der verschiedene Instanzen globaler Regierungen umfasst. Mit knappen natürlichen Ressourcen haben wir das Überleben der menschlichen Spezies und der ganzen Lebensgemeinschaft zu gewährleisten, die ebenfalls von Mutter Erde (Gaia) geschaffen und aufrechterhalten wird.

Sollte es nicht zu dieser Phase kommen, könnten wir das Ende der menschlichen Spezies und eines großen Teils der Biosphäre erleben. Der Fehler läge in unserem rationalistischen Zivilisations-Paradigma. Der Ökonom und Humanist Luiz Gonzaga Belluzzo fasste dies kürzlich gut zusammen: „Der westliche Traum von der Schaffung eines menschlichen Lebensraums basierend ausschließlich auf Vernunft, Ablehnung von Tradition und Verwerfung von jeglicher Transzendenz, befindet sich in einer Sackgasse. Die westliche Vernunft kann nicht gleichzeitig die Werte der universalen Menschenrechte, die Ambitionen technischen Fortschritts und das Versprechen von Wohlstand für alle umsetzen. (Carta Capital, 21.12.2014). Durch seine Irrationalität schafft diese Art von Vernunft die Mittel, um ihre eigene Zerstörung zu bewirken.

Wahrscheinlich bedürfte es dann Tausende oder Millionen von Jahren für den Evolutionsprozess, um wieder ein Wesen hervorzubringen, das ausreichend komplex wäre und in der Lage, den Geist zu erhalten, der sich zuerst im Universum befand und danach erst in uns.

Doch es könnte ebenso gut zu einer neuen Epoche kommen, die den sensiblen Verstand (Liebe und Achtsamkeit) mit der instrumentell-analytischen Vernunft (Technowissenschaft) vereint. Schließlich käme dann heraus, was Teilhard de Chardin im Jahr 1933 in China als Noosphäre bezeichnete: Geist und Herz vereint in Solidarität, Liebe und Achtsamkeit für das Gemeinsame Haus, die Erde. Attali schrieb: „Ich möchte endlich glauben, dass der Schrecken über die zuvor erwähnte Zukunft uns dazu führen wird, dies unmöglich zu machen Dann würde das Versprechen einer Erde, die allen durch das Leben Reisenden gegenüber gastfreundlich eingestellt ist, erfüllt“ (a.a.O. S. 210).

Und am Ende überlässt er uns Brasilianern diese Herausforderung: „Wenn es ein Land gibt, das so aussieht wie ein Land, in das die ganze Welt sich verwandeln könnte, im Guten wie im Schlechten, dann ist dieses Land Brasilien“ (S. 231).

übersetzt von Bettina Gold-Hartnack

 

 

 

¿Fin de una era, una nueva civilización o fin del mundo?

Hay voces de personalidades muy respetadas que advierten que estamos ya dentro de una Tercera Guerra Mundial. La más autorizada es la del Papa Francisco. El 13 de septiembre de este año, al visitar un cementerio de soldados italianos muertos en Radipuglia cerca de Eslovenia, dijo: “La Tercera Guerra Mundial puede haber comenzado, combatida por partes, con crímenes, masacres y destrucciones”. El ex-canciller alemán Helmut Schmidt, de 93 años, advertía el 12 de diciembre de este año sobre una posible Tercera Guerra Mundial (Boletim Carta Maior del 22/12/2014). Y otras voces autorizadas se hacen oír aquí y allí.

A mí me convence más el análisis, diría profético pues se está realizando como lo previó, de Jacques Attali en su conocido libro Breve historia del futuro (Paidós 1999). Fue asesor de François Mitterand y actualmente preside la Comisión de los «frenos al crecimiento». Trabaja con un equipo multidisciplinar altamente cualificado. Él prevé tres escenarios: (1) el superimperio compuesto por Estados Unidos y sus aliados. Su fuerza reside en poder destruir toda la humanidad. Pero está en decadencia debido a la crisis sistémica del orden capitalista. Se rige por la ideología del Pentágono del «full spectrum dominance» (dominación de espectro completo) en todos los campos, militar, ideológico, político, económico y cultural. Pero ha sido superado económicamente por China y tiene dificultades para someter a todos a la lógica imperial. (2) El superconflicto: con la decadencia lenta del imperio se da una balcanización del mundo, como constatan actualmente los conflictos regionales en el norte de África, en Oriente Medio, en África y en Ucrania. Esos conflictos pueden conocer un crescendo con la utilización de armas de destrucción masiva (veáse Síria, Iraq), después de pequeñas armas nucleares (existen hoy miles con el formato de un maletín de ejecutivo) que destruyen poco pero dejan regiones enteras inhabitables durante muchos años debido a la alta radioactividad. Con el uso generalizado de armas nucleares, químicas y biológicas se puede llegar a un punto en el que la humanidad se da cuenta de que puede autodestruirse. Y entonces surge (3) el escenario final: la superdemocracia. Para no destruirse a sí misma y a gran parte de la biosfera, la humanidad elabora un contrato social mundial, con instancias plurales de gobernabilidad planetaria. Con los bienes y servicios naturales escasos debemos garantizar la supervivencia de la especie humana y de toda la comunidad de vida que también está creada y mantenida por la Tierra-Gaia.

Si esa fase no llegara a surgir, podría ocurrir el fin de la especie humana y de gran parte de la biosfera. Por culpa de nuestro paradigma civilizatorio racionalista. Lo expresó bien el economista y humanista Luiz Gonzaga Belluzzo, recientemente: «El sueño occidental de construir el hábitat humano solamente a base de la razón, repudiando la tradición y rechazando toda trascendencia, ha llegado a un callejón sin salida. La razón occidental no consigue realizar concomitantemente los valores de los derechos humanos universales, las ambiciones del progreso de la técnica y las promesas de bienestar para todos y para cada uno» (Carta Capital 21/12/2014). En su irracionalidad, este tipo de razón, construye los medios de darse fin a sí misma.

El proceso de evolución deberá posiblemente esperar algunos miles o millones de años hasta que surja un ser suficientemente complejo, capaz de soportar el espíritu que, primero, está en el universo y solamente después en nosotros.

Pero puede también irrumpir una nueva era que conjugue la razón sensible (del amor y del cuidado) con la razón instrumental-analítica (la tecnociencia). Emergerá, finalmente, lo que Teilhard de Chardin llamaba ya en 1933 en China la noosfera: las mentes y los corazones unidos en la solidaridad, en el amor y en el cuidado con la Casa Común, la Tierra. Attali escribió: «quiero creer, en fin, que el horror del futuro predicho arriba contribuirá a hacerlo imposible. Entonces se diseñará la promesa de una Tierra hospitalaria para todos los viajantes de la vida (op. cit. p. 219).

Y al final nos deja a nosotros los brasileros este desafío: «Si hay un país que se parece a lo que podría convertirse el mundo, en lo bueno y en lo malo, ese país es Brasil» (p. 231).

Traducción de María José Gavito Milano

The end of an era, a new civilization or the end of the world?

Some well respected individuals warn that we already are within a Third World War. The most authoritative is Pope Francis. Last September 13, visiting a cemetery of Italian soldiers killed in Radipuglia, near Slovenia, Pope Francis said: “The Third World War may already have began, fought in pieces, with crimes, massacres and destruction.” On December 12, 2014, former German Chancellor Helmut Schmidt, now 95 years old, warned of a possible Third World War (Boletim Carta Maior, 22/12/2014). And other authoritative voices are heard here and there.

To me the most convincing analysis, which I consider prophetic because what he foresaw is already taking place, is by Jacques Attali in his well known book, Brief History of the Future, (Breve historia del futuro, Paidos 1999). He was an advisor to François Mitterand and now presides over the Commission of the «brakes on growth». He works with a highly qualified multidisciplinary team. Attali foresaw three scenarios: (1) The super-empire, composed of the United States and its allies. Its strength lies in its capacity to destroy all of humanity. But it is in decline, due to the systemic crisis of the capitalist order. It follows the Pentagon’s ideology of «full spectrum dominance» in every field, military, ideologic, political, economic and cultural. But it has been surpassed economically by China, and has trouble forcing its imperialist logic on others. (2) The super conflict: With the slow decline of the empire, a Balkanization of the world occurs, as is presently seen in the regional conflicts in Northern Africa, the Middle East, Africa and the Ukraine. Those conflicts can intensify, with the use of weapons of mass destruction (look at Syria, Iraq), then with small nuclear weapons (there are thousands the size of an executive briefcase) that destroy little but leave entire regions inhabitable for many years due to high radioactivity. With the wide-spread use of nuclear, chemical and biological weapons, a time could come when humanity realized that it could self destruct. And then would come (3) the final scenario: the super democracy. So as not to destroy itself and a great part of the biosphere, humanity would develop a world social contract, with various instances of global government. With scarce natural resources and services we must guarantee the survival of the human species and the whole life community that is also created and maintained by the Earth-Gaia.

If that phase did not happen, we could see the end of the human species and a great part of the biosphere. The fault would lie with our rationalist civilization paradigm. Economist and humanist Luiz Gonzaga Belluzzo recently put it well: «The Western dream of building the human habitat based only on reason, repudiating tradition and rejecting all transcendence, has reached a blind alley. Western reason cannot simultaneously realize the values of universal human rights, the ambitions of technical progress and the promise of well being for one and all» (Carta Capital 21/12/2014). With its irrationality, this type of reason develops the means to bring about its own destruction.

It would probably then take the process of evolution thousands or millions of years for a being to appear that was sufficiently complex, and capable of sustaining the spirit that, first of all, is found in the universe, and only thereafter, in us.

But it could also bring about a new era that unites sensible reason (love and caring) with instrumental-analytic reason (techno-scientific). Finally there would emerge what in 1933, in China, Pierre Teilhard de Chardin called the noosphere: minds and hearts united in solidarity, in love and in caring for the Common Home, the Earth. Attali wrote: «I want to believe, finally, that the horror of the future mentioned above will help make it impossible. Then would be fulfilled the promise of an Earth that was hospitable to all the travelers of life» (op. cit. p. 219).

And in the end, he leaves this challenge to us Brazilians: «If there is a country that looks like that into which the world could convert, in both the good and the bad, that country is Brazil» (p. 231).

Free translation from the Spanish sent by
Melina Alfaro, alfaro_melina@yahoo.com.ar,
done at REFUGIO DEL RIO GRANDE, Texas, EE.UU.