Palavras de Antoine de Saint Exipéry quando em 1936 era correspondente do Le Soire durante a guerra espanhola.Elas valem para a nossa situação atual no Brasil:“É preciso da um sentido à vida.Precisamos nos entender reciprocamente; o ser humano não se realiza senão junto com outros seres humanos, no amor e na amizade; no entanto, os seres humanos não se unem apenas se aproximando uns dos outros, mas se fundindo na mesma DIVINDADE. Temos sede, num mundo feito deserto, sede de encontrar companheiros com os quais condividimos o pão” Na Carta ao General “X” deixada em 1943 sobre a mesa antes de levantar voo e desaparecer no Mediterrâneo: ”Temos tanta NECESSIDADE de um Deus” MENSAGEM ATUAL DE ANTOINE DE SAÍNT EXUPÉRY:Palavras de Antoine de Saint Exipéry quando em 1936 era correspondente do Le Soire durante a guerra espanhola.Elas valem para a nossa situação atual no Brasil:“É preciso da um sentido à vida.Precisamos nos entender reciprocamente; o ser humano não se realiza senão junto com outros seres humanos, no amor e na amizade; no entanto, os seres humanos não se unem apenas se aproximando uns dos outros, mas se fundindo na mesma DIVINDADE. Temos sede, num mundo feito deserto, sede de encontrar companheiros com os quais condividimos o pão” Na Carta ao General “X” deixada em 1943 sobre a mesa antes de levantar voo e desaparecer no Mediterrâneo: ”Temos tanta NECESSIDADE de um Deus”

MENSAGEM ATUAL DE ANTOINE DE SAÍNT EXUPÉRY:

COMO SÃO ATUAIS ESTAS PALAVRAS DE SAINT EXIPÉRY NO CONTEXTO BRASILEIRO E TAMBÉM NO MUNDIAL COM OS LIMITES DA TERRA (precisamos de 1,7 de Terra para atender ao super-consumo e não a temos) A MUDANÇA DO REGIME CLIMÁTICO PARA PIOR E AS AMEAÇAS DE UMA EVENTUAL GUERRA NUCLEAR QUE PORÁ FIM À ESPÉCIE HUMANA.

Palavras que valem par a siuação atual de nosso país

      VOTANDO COM SENTIDO

Esse texto de uma colegaq de teologia, da PUC-RJ é tão belo e expressivo que representa o sentimento da muitos e muitos de nós. LBoff

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Acordei na segunda feira, 31 de outubro de 2022, com  a sensação de espanto e a surpresa dos sobreviventes. As eleições haviam acontecido e o Brasil tinha novo Presidente.  O ar parecia mais puro e era possível respirar.  O medo se fazia longínquo e a vida retomava seu curso.  Lula era o presidente.  O tempo que precedeu esta segunda-feira foi de muita dor. O estresse era geral e agudo.  As pessoas viviam tensas  e  amedrontadas.  E de que tinham medo?  Que o pesadelo que já durava quatro anos continuasse.  E seguisse.  E se perpetuasse.  

 As mensagens de ódio e violência se sucediam na internet, amigos rompiam relações, familiares se afastavam.  A divisão – sinal claro e inequívoco segundo a Bíblia cristã do sufocamento do Espírito da paz, da alegria e do amor – reinava impune, separando, fragmentando e destruindo. 

Na véspera do pleito, o fôlego e o alento eram artigos raros, luxo para poucos.  A ansiedade fazia o ar espesso e irrespirável.  Nada parecia fazer sentido na angústia de não dar certo o imenso esforço de tantos para superar o momento vivido que se arrastava. O horizonte em vez de aproximar-se, fazia-se mais distante e fugidio. O desânimo se agigantava e crescia a letargia que não permitia esboçar sequer um gesto, um suspiro, pronunciar uma palavra. 

À noite, decidida a tentar dormir, fui olhar pela última vez o computador. Ali tudo mudou.  Li as palavras: “Honre os mortos com seu voto”.  “Vote por eles e por elas”.  “680 mil pessoas não são um número.” E tudo começou a fazer sentido. Não, não era possível que tudo aquilo tivesse sido em vão.  Não era possível que o desprezo  e o pouco caso que foi cuspido em cima da dor de mães, de filhos e filhas, de irmãos e irmãs, pudessem vencer.  Não era possível que os mortos que não puderam ser chorados e homenageados permanecessem insepultos e que sua memória fosse uma e outra vez pisoteada e escarnecida pela insensibilidade cruel que tomou conta do país durante e após a pandemia, ceifando, além de vidas, a dignidade e a honradez dos sobreviventes. 

O que foi dito ao profeta Ezequiel diante dos ossos ressequidos em que se tinha transformado a casa de Israel enquanto atravessava o exílio foi repetido a meus ouvidos: “Filho do homem, poderiam esses ossos retornar à vida?”  Sentia-me tão desprovida de fé quanto o profeta, mas a pergunta era insistente. E o coração escutava mais que os ouvidos. 

Foi então que aconteceu uma profunda comunhão.  Eu não estava mais sozinha, debatendo-me com um voto em cuja eficácia não acreditava.  Comigo estavam eles e elas.  O padre jovem e dedicado, colega de docência, que morreu logo no começo da pandemia porque não abriu mão de distribuir alimento para os pobres de sua paróquia.  A mãe da amiga que disse à filha na porta do hospital “Fala para seu pai não se preocupar não.  Já já volto para casa”.  E nunca mais foi vista nem ouvida pelo esposo desolado e pela filha em prantos.  A menina de 15 anos que a televisão mostrou em foto, ao mesmo tempo em que revelava o desespero dos pais ao saber que não havia resistido ao vírus. 

Estavam igualmente os médicos cuja face já fazia uma unidade indissolúvel com a máscara cirúrgica e que, às vezes,  não suportavam e choravam.  Ou caíam doentes eles também. E eram levados junto a seus pacientes para o misterioso país das lágrimas, deixando atrás o grito de dor e o desespero impotente dos seres queridos. Estavam todos, uns e outros, eles e elas.

E os que queriam abrir os caixões, os que se debruçavam sobre eles, fechados sobre os rostos amados.  E os que sufocavam em Manaus enquanto o oxigênio não chegava.  E os que se deitavam no chão das enfermarias porque leitos não mais havia.

E a enfermeira Mônica, que qual nova Eva, deu à luz a esperança, filha menor do Bom Deus ao receber em seu braço a primeira picada salvadora da vacina graças à teimosia de um governador que enfrentou as forças do mal.  

Votar por eles e por elas.  Com eles e com elas.  Isso tinha sentido, fazia todo sentido. Realizar o gesto de pressionar a tecla que se uniria a tantas outras e que significaria o fim da barbárie e a nova estação da liberdade e do cuidado com a vida. Os mortos não eram destinados à cova escura  como pretendia o discurso abominável de quem os tratou com desdém e frieza.  Estavam vivos e eram multidão.  Eles ganharam essa eleição.  O Brasil nunca poderá pagar a dívida que com eles contraiu. 

O Deus da vida que permitiu aos ossos dos israelitas exilados readquirir força e vigor fez ouvir sua voz e sentir a força de seu braço no Brasil.  “ Ó meu povo, vou abrir os vossos túmulos;…Sabereis, então, que eu é que sou o Senhor, ó meu povo, quando eu abrir os vossos túmulos e vos fizer sair deles, quando eu colocar em vós o meu espírito para vos fazer voltar à vida…”

Com todos esses filhos do povo brasileiro, votamos com sentido.  Que o Senhor da vida nos permita, a partir de agora, viver com sentido, experimentando em nossa boca o agridoce sabor da liberdade e reconstruir a memória e a alma desta combalida nação. 

 Maria Clara Bingemer é professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e autorade O protagonismo dos leigos na evangelização atual (Ed. Paulinas), entre outros livros.

 LULA E A FOME DE BELEZA:FREI BETTO

Publicamos este texto de Frei Betto, grande observador de nossa história, de seus protagonista e anti-heróis como o falso mito Jair Bolsonaro. Vale celebrar a vitória contra o nazi-fascismo que poderia que, vitorioso, levar o país a uma inimaginável tragédia ecológico-socialo

Acabolsonaro! O povo brasileiro escolheu Lula para governar o Brasil pela terceira vez. O Inominável pode chiar,ofender, mas será despejado do Palácio do Planalto na manhã de 1º de janeiro de 2023. Voltará a ser um cidadão comum, sem imunidades, sujeito a responder, perante a Justiça, às inúmeras, sérias e graves acusações que pesam contra ele.

Lula ganhou, mas ainda não venceu. Sabe que enfrentará dificuldades significativas ao seu desempenho presidencial. Terá que lidar com um Congresso Nacional hegemonicamente conservador. E com governadores declaradamente bolsonaristas à frente de estados que exercem papel preponderante na política e na economia do Brasil, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O mais atribulado desafio será enfrentar a cultura bolsonarista impregnada em milhões de cidadãos que incensavam o “mito” e, agora, assistem a sua queda e amargam a vitória lulista. Essa gente não é organizada, mas é autoritária, agressiva, violenta. Seu propósito é sabotar as instituições democráticas, propagar fake news e a filosofia do negacionismo, reforçar preconceitos (às mulheres, aos negros, aos indígenas e aos gays) e anarquizar a cultura. 

Acometida de pareidolia, essa gente enxerga comunismo no vermelho de vestes cardinalícias. O bolsonarismo não é um sistema filosófico, é uma seita religiosa em torno de um líder miliciano. Não busca justiça, age por vingança. Não tem proposta, faz protesto. Não confia na força da lei, e sim na lei da força. Não tem adversários, mas inimigos. Valoriza mais a polícia que a política. Não respeita direitos humanos e apregoa a violência. Não dialoga, atira. Não crê em Deus, usa seu Santo Nome em vão. Considera a democracia um estorvo; a cultura, um caldo de cultura marxista; a diversidade, uma aberração; a crítica, uma ofensa.

Para governar o Brasil, Lula precisará demonstrar excepcional jogo de cintura. O PT tende a ocupar o vazio deixado pelo PSDB. Terá que atender as demandas dos pobres e dos ricos. Mas, como adverte o Evangelho, “ninguém é capaz de agradar a dois senhores…” (Mateus 6,24).

Lula tem plena consciência do que deveria e poderia ter feito em seus dois primeiros mandatos e não fez. Resta saber se terá condições políticas de levar adiante seus propósitos – reformas estruturais, políticas sociais robustas, combate à fome e ao desemprego, aumento significativo da qualidade da Saúde e da Educação; preservação ambiental. 

O caminho para fortalecer o governo Lula não é propriamente o conchavo de bastidores, as alianças partidárias, os pactos federativos. Essa via já foi trilhada e resultou em escândalos e sobressaltos. Não se pode confiar num jogo em que o parceiro não age com lisura. A costura por cima sempre favorece quem despreza os que estão por baixo. 

O caminho é o da conscientização, organização e mobilização populares. Sem povo na rua e nas redes, o governo Lula correrá o risco até mesmo de sofrer impeachment. Para se consolidar, terá que saciar a fome de pão e, também, a fome de beleza – pela educação política do povo. Há que promover um imenso mutirão paulofreiriano. 

Frei Betto é escritor, autor de “Por uma educação crítica e participativa” (Rocco), entre outros livros.

OS   SERES  HUMANOS CORREMOS RISCO DE VIDA

Diante das agressões contra  a natureza.

Contribuição valiosa de João Pedro Stédile do MST na Conferência da Paz,convocada pelo Papa Francisco em Roma de 23-25de outubro do corrente ano de 2022.

Agradeço o honrado convite para participar desta importante conferencia de pessoas sábias e comprometidas com a vida em nosso planeta.

Trago aqui as preocupações do que debatemos nos movimentos camponeses e populares de todos continentes , da via campesina, da assembleia internacional dos povos, do encontro dos movimentos populares com Papa Francisco, que atuamos em especial no sul global.

Os seres humanos corremos risco de vida,  fruto da insana desigualdade social existente, das agressões ao meio ambiente e de um padrão de consumo insustentável dos países ricos,  que o capitalismo nos impoêm por sua lógica de apenas buscar o lucro.

I.DIAGNOSTICO

  1. As  mudanças climáticas são permanentes e se manifestam todos os dias, com as ondas de calor intenso, o aquecimento global ,as chuvas torrenciais, ciclones tropicais e o desaparecimento da agua, em diversas regiões do planeta (segundo IPCC/2021).
  2. O numero de desastres/crimes aumentou em 5 vezes ao longo dos últimos 50 anos, matando 115 pessoas por dia e causando prejuizos econômicos de 202 milhões de dólares diarios (segundo a OMM)
  3. Aumentaram os crimes ambientais, com o  desmatamento e as queimadas das florestas tropicais e agressões a todos biomas, em especial no sul global. Somente em 2021 o mundo perdeu mais de 11 milhões de hectares de florestas tropicais (Segundo a plataforma Global Forest Watch)
  4. A floresta amazonica que abrange  9 países, já perdeu 30% de sua cobertura vegetal, para exportar madeira e dar lugar a criação de gado e soja, exportados para Europa e China.
  5. Todos os biomas do sul global estão sendo destruídos para cultivar commodities agrícolas pro norte.
  6. A mineração predadora atinge o meio ambiente, as aguas, as terras e as populações nativas, indígenas e de comunidades rurais
  7. Há milhares de garimpeiros explorando ouro e diamantes, com mercúrio   em terras indígenas. 
  8. Nunca se usou tanto agrotóxico (veneno agricola) na agricultura do sul, que afetam a fertilidade do solo, matam a biodiversidade, contaminam as aguas do subsolo e dos rios, contaminam os produtos e até  a atmosfera.  Está comprovado cientificamente que o Glifosato causa câncer.  Cerca de 42 mil fazendeiros dos EUA  ganharam na justiça o direito de indenizações  das empresas por terem contraido câncer.
  9. Avança o plantio de sementes transgênicas em todo o mundo, com cerca de 200 milhões de hectares concentrados em 29 países. Os transgênicos causam contaminação genética e pela  indução de uso de agrotóxicos afetam a saude humana e destroem a  biodiversidade no planeta.
  10. Os oceanos estão poluídos por plásticos e outros descartes de consumo  humano, eliminando muitas espécies de peixes e a vida marinha. O grande uso de fertilizantes químicos também tem causado a acidificação das águas oceânicas, colocando em risco toda a vida marinha.  Como se percebe na grande mancha de lixo no oceano Pacifico, que abrange milhares de quilometros quadrados.
  11. O gás carbônico emitido pelos combustíveis fosseis e pelo transporte individual em automoveis,  causam poluição nas grandes cidades, que levam à morte milhares de pessoas.
  12. A humanidade  está sofrendo uma uma crise de saúde publica, também relacionada a natureza. A destruição da biodiversidade, a expansão da fronteira agrícola pelo agronegocio e mega-projectos energéticos, mineiros e de transporte;,  a expansão urbana é – juntamente com a pecuária industrial em grande escala – a origem das zoonosese o o principal factor de epidemias e pandemias que têm colocado o mundo numa enorme crise de saúde, colocando em risco milhões de seres humanos.
  13. A crise é ecológico-social do sistema-Terra e do equilibrio da vida. A crise é global, afetando o ambiente, a economia, a política, a sociedade,a ética, as religiões e o sentido de nosso próprio viver.
  14. Bilhões de seres humanos,os  mais pobres, em todo sur global são os mais prejudicados com as consequencias da falta de alimentos, agua, moradia, emprego, renda e educação.  Reduzindo as condições de vida, forçando as migrações e matando milhares de pessoas, em especial crianças e mulheres.
  15. Essa  crise generalizada  esta colocando em risco a vida humana.   O Planeta agredido, ainda poderia se regenerar, mas sem as pessoas.
  16. Há muitas  áreas de nosso planeta que estão protegidas  por comunidades nativas, rurais e povos indígenas. Por isso  o capital as atacas para tentar destrui-las. E assim apoderar-se  dos bens da natureza cuidados.

II. QUEM  SÃO  OS RESPONSAVEIS,  QUE ESTÃO  COLOCANDO EM RISCO A VIDA  HUMANA?

  1. Há uma crise  estrutural do capitalismo, que não consegue mais organizar a  produção e distribuição dos bens necessários para a população.  E sua lógica do lucro e da acumulação de capital  impedem que tenhamos  uma  sociedade mais justa e igualitária.
  2. Essa crise aparece na economia, no aumento da desigualdade social , na falência do estado  como zelador dos direitos sociais , na falência de uma democracia formal, que não respeita a vontade da  maioria do povo e na propagação de falsos valores baseados apenas no individualismo, consumismo e egoísmo.
  3. Esse sistema é insustentável  econômica e  ambientalmente e precisamos superá-lo.
  4. Os principais responsáveis diretos pela crise ambiental são as grandes empresas  transnacionais, que não respeitam fronteiras, estados, governos ou direitos dos povos.    São elas que fabricam os agrotóxicos (bayer, basf, monsanto, syngenta, Dupont..),são as empresas  mineradoras, as empresas  automobilísticas,  as empresas de energia elétrica baseados em combustíveis fosseis, as empresas que controlam o mercado da agua (Coca-cola, Psepsi, e Nestle); as empresas que controlam o mercado mundial de alimentos ; e  associados a todas elas, os bancos e seu capital financeiro. A eles se somaram na ultima decada as poderosos empresas transnacionais de tecnologia, que controlam  a ideologia e  a opiniao publica, atraves amazon, microsfo, google, facebook, apple, e seus donos sao as pessoas mais ricas do mundo.
  5. São responsáveis também os governos  que acobertam e protegem os crimes cometidos pelas empresas.  Tudo dentro da lei!
  6. São responsáveis  os meios de comunicação de massa, que também buscam apenas o lucro, e estão a serviço dos interesses das empresas,para enganar o povo  e esconder os verdadeiros responsáveis.
  7. São responsáveis os organismos internacionais, formado pelos governos e capturados pelas mesmas grandes empresas e suas fundações de fachada, que influenciam diretamente nesses organismos e apenas repetem  retóricas e encontros internacionais, sem nenhuma eficácia, como tem sido as COP, já em numero de 27.  Ou mesmo a ONU e  a FAO.
  8. Saúdo as corajosas  posições defendidas pelo Presidente Petro da Colombia  na Assembleia das Nações Unidas, e as encíclicas do Papa Francisco, que são um brado de alerta ao mundo todo.

I.Que  saídas  defendemos?

Ainda há tempo para salvarmos  as pessoas.  E com elas salvarmos a nossa casa comum, o planeta terra.

Para isso precisamos ter coragem de implementar a nível global, medidas concretas e  urgentes.

Em nome dos movimentos camponeses e  dos movimentos populares das periferias de nossas cidades,  propomos:

  1. Proibição do desmatamento e queimadas com objetivos mercantis em todas as áreas de florestas e savanas nativas do mundo;
  2. Proibição do uso de agrotóxicos e de sementes transgênicas na agricultura, e também de antibióticos e promotores de crescimento na  criação dos animais;
  3. Denunciar o engodo do mercado de carbono e de formas similaresde falsas soluções de cambio climatico, ou as tecnicas de geoengenharia,que o capital propoe para especular com a natureza; e acumular ainda mais.
  4. Proibição da mineração em territórios de povos originários, comunidades tradicionais, áreas de proteção ambiental e unidades de conservação;   Toda mineração deve ter controle publico e destinadas ao bem comum e não ao lucro.
  5. Controlar rigorosamente a utilização de plásticos, incluindo  na indústria alimentícia e bebidas e tornando obrigatória sua reciclagem;
  6. Reconhecimento dos bens da natureza (como florestas, água, biodiversidade) como bens comuns universais a serviço de todo o povo e imunes de privatização  capitalista;
  7. O s camponeses sao os principais zeladores da natureza.  Precisamos combate ro latifundio e realizar reformas agrarias populares,  assim combatemos a desigualdade social no campo, a pobreza,e produziremos mais alimentos em equilibrio com a natureza.
  8. Recuperação ecológica de todas as áreas próximas a nascentes e beiras de rios, encostas de morros e outras áreas ecologicamente sensíveis ou em processo de desertificação; com um amplo programa de reflorestamento pago com recursos públicos.
  9. Constituir uma política global de cuidado das águas, barrando a poluição dos oceanos, lagos e rios e eliminando as contaminações das fontes de água potável superficiais e do subsolo;
  10. Defender a Amazônia e as demais florestas tropicais existentes na Africa, na Asia e, nas ilhas do Pacifico,  como territórios ecológicos  sob os  cuidado dos povos de seus países,
  11.  Implementar a agroecologia como base sociotécnica da produção de alimentos saudáveis,acessíveis a todos e da soberania alimentar dos povos;
  12. Financiar de forma subsidiada a implantação de sistemas de  energia solar  e eólica  sob gestão coletiva das populações; em todo mundo.
  13. Implementar um plano global de investimento em transportes públicos, com energia renovável e que possibilite a reorganização e melhoria das condições de vida nas cidades, com descentralização urbana e fixação das pessoas no campo.
  14. Os países industrializados do Norte são os responsáveis históricos pela poluição de todo mundo e continuam com padrões de produção e consumo injustos e insustentáveis.  Eles devem  garantir os recursos financeiros para a implementar todas as ações necessárias para reconstruir de forma sustentável a relação sociedade-natureza;

15.É imprescindível para salvar vidas e o planeta,  que todos os governos  suspendam  as guerras, as bases militares estrangeiras, e as agressões  militares.   A paz é condição  de uma vida saudável!

Para que essas ideias  se concretizem,  propomos  um pacto internacional  entre lideres religiosos, igrejas, movimentos ambientalistas, populares, partidos e governos responsáveis, para que desempenhemos  um programa de conscientização de toda população.  Propomos a  realização de uma conferencia internacional, que possamos reunir todos os atores coletivos  em defesa da vida

Devemos  estimular a que o povo lute por seus direitos em defesa da vida e da natureza.

Devemos exigir que os meios de comunicação de massa assumam sua responsabilidade em defender os interesses do povo, na defesa da igualdade de direitos, da vida e da natureza.

Lutaremos sempre para salvar vidas e a  natureza de nosso planeta.  Para viver em  forma solidaria, em  paz, com igualdade social, emancipados da exploração, das discriminações de todo tipo e das injustiças sociais.!

ROMA,  23-25 de  outubro de 2022

Joao Pedro stedile

Do MST, e da via campesina internacional.