Os 10 mandamentos da relação Fé e Política – Frei Betto

Frei Betto é um nome internacional por ser um dos iniciadores do projeto do governo Lula da Fome Zero que foi adotado em muitos países. É um dos mais solicitados assessores de movimentos sociais no Brasil e no exterior. Homem de profunda espiritualidade prega muitos retiros para leigos e leigas e é, entre os teólogos da libertação, quem melhor comprende a política, dando-lhe um caráter evangélico. O evangelho inspira políticas e constitui uma ferramenta para realizar os bens do Reino que são justiça para todos, amor, solidariedade, compaixão e busca da paz além de uma abertura ao mundo espiritual do Divino e do Sagrado. Ademais é um exímio escritor e jornalista com vasta obra reconhecida pelos vários prêmios Jabutis que a que foi galardoado. Nestes tempos sombrios onde as opiniões políticas vem carregadas de elementos emocionais destrutivos que não enobrecem nem as pessoas nem o ofício da política, valem as seguintes recomendações que aqui publicamos. Vale ressaltar seu caráter didático, com perguntas aos grupos, para aprofundarem esta tensa mas libertadora relação entre fé e política: LBoff

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Os 10 mandamentos da relação Fé e Política

1º – Sem respirar ninguém vive, pois necessitamos do oxigênio contido no ar. Também não se pode viver sem beber água. A maior parte de nosso corpo é formada por água, como no planeta Terra no qual habitamos. Como o ar, a água contém oxigênio. Ela é uma mistura de dois gases: o oxigênio e o hidrogênio. Por isso é líquida e não gasosa como o ar.

Assim são a Fé e a Política.

As duas contêm o mesmo “oxigênio”: o Espírito de Deus que tudo anima na direção do Reino. E assim como as duas visam a libertar, também podem servir para dominar, como a fé dos fariseus ou a política dos opressores. Fé e política não são a mesma coisa. A fé é o oxigênio que o Senhor nos dá. Como diz o apóstolo Paulo, por ela captamos a presença de Deus no qual “somos, existimos e nos movemos”. Assim como o ar nos dá vida, a fé nos faz participantes da vida de Deus. Por ela somos integrados à comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A política é uma ferramenta de construção do Reino, diferente da fé. Ela tem algo que não é próprio da fé: o “hidrogênio” das análises da realidade e das estratégias de luta.

Este é o 1º mandamento: A fé e a política se destinam ao mesmo objetivo de realizar o projeto de Deus na história. Mas não são a mesma coisa, são diferentes.

Para reflexão em grupo: 1 – Qual o projeto de Deus na história?

2 – Como a fé e a política podem ajudar a construir um mundo melhor?

2º – Não há água sem oxigênio. Se alguém tirar o oxigênio da água ela deixa de ser matéria líquida, vira gás de oxigênio e gás de hidrogênio. Assim, não há fé sem política.

A fé é um dom encarnado. No céu não teremos fé, pois veremos o Pai face a face. Toda vivência de fé é vivência de uma comunidade politicamente situada. Quando a comunidade cristã afirma que só faz religião, e que não se mistura fé com política, é porque não sabe o que diz, ou mente para encobrir com a fé os seus reais interesses políticos. Toda comunidade cristã aparentemente apolítica só favorece a política dominante. Passa cheque em branco aos políticos que se encontram no poder.

Jesus, em razão da sua fé, morreu assassinado como prisioneiro político. Como Jesus, o cristão deve viver sua fé no compromisso libertador com os oprimidos. Seja qual for o modo de o cristão viver este compromisso evangélico, ele sempre terá consequências políticas.

Este é o 2º mandamento: A vivência da fé é necessariamente política. Ela pode sacralizar a opressão ou iluminar a libertação.

Para reflexão em grupo: Você conhece algum fato que sirva de exemplo para as duas realidades?

3º – O ar que respiramos não custa nada. É de graça. Assim é a fé: dom de Deus. Para respirar, basta ter as narinas abertas. Para acolher a fé, basta ter ouvidos e coração abertos a Deus, ao próximo, ao amor. Pela fé participamos do projeto de Deus na história humana.

A água não é de graça. Custa dinheiro, exigem-se técnicos e ciência para obtê-la. Assim é a política, não é dom de Deus, é um aprendizado. Exige conhecimento de suas regras, de sua história, de seu programa, de seus objetivos. Pela política, participamos do projeto humano de construção de uma sociedade melhor.

Este é o 3º mandamento: A fé é um dom que nos vem de Deus através da Igreja, da comunidade dos que creem. A política é uma ferramenta que exige aprendizado. É arriscado improvisar na política.

Para reflexão em grupo: Como aprender a atuar na política?

4º – O ar que respiramos e a água que bebemos podem ficar poluídos. Perdem a pureza se contaminados por micróbios e bactérias quando não são bem tratados.

Uma política voltada contra o povo pode poluir a fé. E uma fé desencarnada, legalista, contrária aos direitos dos empobrecidos, contamina a política.

Assim acontece com a fé e a política.

Este é o 4º mandamento: Uma política contrária aos direitos do povo faz da fé expressão de uma religião “ópio do povo”. Esta religião só ajuda os interesses dos opressores.

Para reflexão em grupo: 1 – Como a religião tem ajudado os opressores?

2 – Como tem ajudado os oprimidos, excluídos?

5º – A água não pode existir sem união do oxigênio com o hidrogênio. Mas o ar que respiramos não necessita e não contém quase nenhum hidrogênio. Porém, o que seria da nossa vida se não houvesse o sol?

Assim a política pode ser bem feita por quem não tem fé. E nem sempre os que têm fé fazem política bem feita. O Concílio Vaticano II reconheceu a autonomia da política. Autônomo é o que tem movimento próprio. Um ateu pode fazer uma política justa, favorável aos oprimidos.

O sol é um imenso balão de hidrogênio em combustão, isto é, uma bola de fogo, mais de um milhão de vezes maior do que a Terra.

Porém, a fé é o sol que desponta no horizonte da política. Isso não significa que deve haver “política cristã”. Deve haver uma política justa, democrática, voltada para a maioria. Uma política assim inevitavelmente deverá se encontrar com as verdades da fé. Aliás, isso já acontece cada vez que a política realiza na sociedade os valores evangélicos: libertação dos pobres e construção da sociedade fraterna, sem desigualdades.

Este é o 5º mandamento: A política é autônoma, não depende da fé. Mas uma política popular caminha necessariamente na direção do horizonte apontado pela fé.

Para reflexão em grupo: 1 – Você participa de algum movimento que não seja da Igreja? Qual?

2 – Como a fé ajuda nesta participação?
6º – O ar enche os pulmões e envia oxigênio para alimentar o nosso organismo. Mas o ar não serve para lavar as mãos.

A água limpa o corpo mas não serve para se respirar. Sem balão de oxigênio, o mergulhador morre afogado no fundo do mar.

Assim, a fé não tem receitas para resolver administrativamente problemas como a dívida externa, a reforma agrária, a moradia ou a saúde pública. Isso é tarefa da política. A fé mostra o sentido da política: dar vida a todos. Mas o jeito de dar vida depende da linha da política. Se for uma política injusta, poucos terão vida à custa da morte de muitos, como ocorre no capitalismo.

A política é a estrada e a fé, o mapa da estrada. Sem mapa fica difícil construir uma estrada que conduza ao Reino. Sem estrada, o mapa fica no papel.

Este é o 6º mandamento: Fé e política são instâncias diferentes que se completam na prática da vida.

Para reflexão em grupo: Contar fatos que ilustrem este mandamento.

7º – Para ser puros e saudáveis, o ar e a água precisam ser tratados. Por isso, os hospitais oferecem oxigênio puro aos pacientes. E nas casas a água deve ser fervida ou filtrada antes de ser tomada. Do mesmo jeito, a fé exige participação na comunidade para ser evangélica. E a política exige participação nas lutas populares e o estudo dos problemas sociais para ser consequente.

Este é o 7º mandamento: A fé é “tratada” na Igreja, onde é celebrada, anunciada e refletida. A política é melhor “tratada” nos movimentos populares, sindicais e nos partidos que assumem os direitos dos oprimidos e excluídos.

Para refletir em grupo: 1 – Qual a importância da participação na Igreja e na política?

2 – Porque há conflitos quando uma pessoa quer participar de ambos?

8º – Todo mundo respira o ar, mas nem todos tomam banho diariamente e do mesmo jeito. Assim, na Igreja os cristãos têm na fé o ar comum que todos respiram. Mas na hora de levar para a prática os valores da fé, nem todos agem do mesmo jeito e na mesma direção.

A água é sempre a mesma, o jeito de usá-la é que varia. Assim, é preciso não exigir na política o mesmo consenso que há na Igreja em torno da fé. Quando o cristão ingressa na esfera da política, não deve esperar que todos estejam mais ou menos de acordo, como parece acontecer na comunidade eclesial. Assim como a água pode conter vermes, sal ou cloro, a política tem ideologias, tendências, grupos de pressão e ambições pessoais ou de grupos.

Na política, cada uma de suas esferas – a dos movimentos populares, a sindical ou a partidária – tem seu jeito próprio, sua especificidade, seus critérios, sua linguagem própria. Quem passa de uma esfera a outra sem estar atento a essas diferenças, acaba quebrando a cara.

Este é o 8º mandamento: Não devemos confundir a esfera da explicitação religiosa da fé, a Igreja, com as esferas políticas. Mas embora diferentes, são complementares.

Para reflexão em grupo: Como, na sua participação, fé e política se complementam?

9º – Se o rio fica sujo, poluído, o oxigênio da água diminui e os peixes morrem asfixiados. A água do rio necessita da pureza do oxigênio para preservar a vida. Assim acontece com a política: ela precisa dos valores evangélicos para não ficar poluída.

Valores como direitos dos necessitados, vida para todos, partilha de bens, poder como serviço e outros. Sem esses valores a política vira politicagem, e a corrupção mata o projeto da vida. Isso não significa que a política deva ser feita em nome da fé. Ela deve ser feita em nome do amor, da verdade e da justiça aos oprimidos e excluídos.

Este é o 9º mandamento: A fé cristã contém valores que criticam e norteiam a atividade política.

Para reflexão em grupo: – 1 – Quais são esses valores?

2 – Eles conseguem, de fato, atingir e nortear a atividade política?

10º – Para ser pura, a água exige cuidados ou tratamento. Assim, para ser popular a política exige mediações (meios): vinculação com a luta popular, reflexão e análise dos problemas, teoria política, conhecimento da história das forças políticas etc.

O ar é à vontade. Mas se a pessoa não faz exercícios, não anda, o pulmão começa a diminuir e fica atrofiado. A pessoa fica sem resistência. O mesmo acontece com a vida de fé: se não participamos da comunidade, dos sacramentos, da leitura da Bíblia, das celebrações e orações, a nossa fé vai ficando fraca, atrofiada.

Este é o 10º mandamento: A política é tanto mais popular quanto mais a gente se encontra ligado à luta do povo. A fé é tanto mais evangélica quanto mais a gente se liga ao Deus da vida através da comunidade cristã.

Para reflexão em grupo: Vamos participar no grupo e dizer como cada um se sente ligado à luta do povo e à construção do projeto do Deus da vida.

Sem essas amarras ao grande navio da libertação, o nosso bote fica à deriva, solto entre as ondas do imprevisto e acaba perdendo o rumo.

Em resumo:

1º – A fé e a política se destinam ao mesmo objetivo de realizar o projeto de Deus na história. Mas não são a mesma coisa.

2º – A vivência da fé é necessariamente política.

3º – A fé é um dom que nos vem de Deus através da Igreja, da comunidade dos que creem. A política é uma ferramenta que exige aprendizado.

4º – Uma política contrária aos direitos do povo faz da fé expressão de uma religião “ópio do povo”.

5º – A política é autônoma, não depende da fé.

6º – A fé e a política são instâncias diferentes que se completam na prática da vida.

7º – A fé é “tratada” na Igreja, onde é celebrada, anunciada e refletida. A política é melhor “tratada” nos movimentos populares, sindicais e nos partidos que assumem os direitos dos oprimidos.

8º – Não devemos confundir a esfera da explicitação religiosa da fé, a Igreja, com as esferas da política. Mas embora diferentes, são complementares.

9º – A fé cristã contém valores que criticam e norteiam a atividade política.

10º – A política é tanto mais popular quanto mais a gente se encontra ligado à luta do povo. A fé é tanto mais evangélica quanto mais a gente se liga ao Deus da vida através da comunidade cristã.

Frei Betto é escritor, autor de “Parábolas de Jesus – ética e valores universais” (Vozes), entre outros livros. Site: http://www.freibetto.org

III. Congreso Continental de Teología Latinoamericana y Caribeña:“el clamor de los pobres y de la Tierra nos interpelan”

Del 30 de agosto al 2 de septiembre se celebró en El Salvador, tierra de mártires, especialmente de Don Arnulfo Oscar Romero, el III. Encuentro Continental de Teología Latinoamericana y caribeña con ocasión de los 50 años de Medellín (1968), reunión de los obispos latinoamericanos y caribeños que sellaron el gran viraje de la Iglesia en dirección a los pobres y a su liberación. Fue el bautismo de la Iglesia en esta nueva fase de la historia. Acudieron más de 600 personas de todo el Continente y del extranjero, lo que demuestra el interés general por ese evento y sus consecuencias posteriores. Damos aquí parte del documento final que nos ofrece un bello resumen del evento promovido por la Red Amerindia en la Universidad UCA de San Salvador: LBoff.

Mensaje a los pueblos de América Latina y del Caribe

1. Estuvieron presentes jóvenes teólogos y teólogas, así como algunos hermanos y hermanas de Iglesias evangélicas y pentecostales.

2. En estos días hemos reaprendido a leer nuestra fe ya vivirla a partir de los principios que nos enseñaron Mons. Oscar Romero, el sacerdote asesinado Ellacuría y tantos otros hermanos y hermanas que se hicieron nuestros maestros y maestras en el seguimiento de Jesús. Ellos y ellas nos revelan que tenemos que vivir la fe dando atención e importancia a la realidad social, política y cultural, vista a partir de la causa de los empobrecidos.

3. En Medellín, la Iglesia se insertó en los procesos de transformación social y política vigentes en el continente. No descansaremos mientras no podamos vivir una economía al servicio del bien común y del cuidado hacia la Tierra, el Agua y toda la naturaleza a la que pertenecemos como hijos e hijas.

4. En todo el continente nos continúa interpelando lo que en Medellín se llamó “violencia institucionalizada”. Hasta hoy, la sociedad dominante no respeta ni valora a las comunidades indígenas de diversas etnias ni sus culturas ancestrales.

5. Nos unimos a las luchas de las mujeres que, en todos los países, son víctimas de distintos tipos de violencia. En estos 50 años reconocemos la contribución de las teologías negras, las de los pueblos originarios y, de manera especial, la propuesta hecha por la teología feminista de pensar una Iglesia fundamentada de hecho en el discipulado de iguales. Asumimos la causa de las víctimas de abusos sexuales cometidos contra niños, adolescentes, contra mujeres y contra hermanos y hermanas LGBT. Es urgente cambiar la estructura patriarcal y clerical de nuestras Iglesias.

6. Sabemos de las masacres de jóvenes, especialmente pobres y, en algunos países, en su mayoría negros, víctimas del deterioro de las condiciones de vida y de la violencia urbana. Algunos de nuestros teólogos y teólogas jóvenes están acompañando de forma creativa esas luchas.

7. Las conquistas de nuevos procesos sociales y políticos pertenecen al pueblo y merecen ser defendidas a partir de las bases.

8. Denunciamos la responsabilidad del imperio norteamericano, que prosigue con su política de desestabilización de los gobiernos que no se dobleguen a sus exigencias colonialistas.

9. Seguiremos luchando contra las políticas xenófobas, racistas e inhumanas del presidente de Estados Unidos contra los migrantes, especialmente nuestros hermanos y hermanas pobres que intentan pasar la frontera norteamericana.

10. La conferencia de Medellín propuso una Iglesia profética al servicio de la liberación de nuestros pueblos a partir de la opción por los pobres. Hoy queremos comprometernos con el proyecto de una Iglesia más sinodal y valiente, en permanente diálogo con la humanidad y especialmente con los movimientos sociales, organizados para cambiar el mundo.

11. Reconocemos como señal del Espíritu la propuesta del “Bien Vivir”, que recibimos de los pueblos originarios del continente. Comprendemos que el “bien vivir” es camino de una sociedad de comunión que privilegia el bien común sobre lo particular y toma en serio los derechos de la hermana Madre Tierra y de la Vida.

Los zapatistas del sur de México nos enseñaron: Somos un ejército de soñadores/as. Por eso, somos invencibles. Como dijo San Oscar Romero “sigamos haciendo lo que podamos hacer, pero lo importante es hacer”. En esa esperanza firme e inquebrantable, la fuerza del Espíritu que se expresa en la fuerza de los pobres nos ilumine y nos guíe a todos/as por los caminos del Reino.

Nota: Todos los presentes suscribieron un texto de apoyo al Papa Francisco ante las oposiciones y resistencias que viene sufriendo últimamente por parte de los grupos conservadores que no quieren cambios en el estilo de vivir la fe cristiana en los conturbados días actuales.

Traducción de Mª José Gavito Milano

III Congresso Continental de Teologia Latino-americana e caribenha: “o clamor dos pobre e da Terra nos interpelam”: LBoff

III Congresso Continental de Teologia Latino-americana e caribenha: “o clamor dos pobre e da Terra nos interpelam” LBoff

Entre 30 de agosto a 2 de setembro celebrou-se em El Salvador, terr a de mártires especialmente de Dom Arnulfo Romero o III Encontro Continental de Teologia Latkno-americana e caribenha por ocasião dos 50 anos de Medellin(1968), reunião dos bispos latino-americanos e caribenhos que selaram a grande virada da Igreja na direção dos pobres e de sua libertação.Foi o batismo da Igreja nesta nova fase da história. Acorreram mais e 600 pessoas de todo o Continente e do estrangeiro o que demonstra o interesse geral por esse evento e suas consequências posteriores. Damos aqui parte do relatório final que nos oferece um belo resumo do evento promovido pela Rede Amerínda na Universidade UCA de San Salvador: LBoff

Mensagem aos povos da América Latina e do Caribe

1- Marcaram aqui sua presença jovens teólogos e teólogas, assim como também alguns irmãos e irmãs de Igrejas evangélicas e pentecostais.

2 –. Nesses dias, vivemos uma experiência, marcada pela convivência alegre e afetuosa, que se expressou em belas celebrações, diálogos em grupo, conferências, teatro, música, danças e peregrinação aos lugares sagrados do martírio de Monsenhor Romero e de outros mártires. Nossas Igrejas começaram a mudar o seu olhar de uma perspectiva que antes era centrado em si mesma para o olhar de uma Igreja para fora, ou como agora diz o papa Francisco: “em saída”. Medellín os deu a missão de ser “uma Igreja pobre, missionária e pascal, a serviço da libertação de toda a humanidade e de cada ser humano em todas as suas dimensões” (Medellín 5, 15).

3 -Nesses dias, reaprendemos a ler a nossa fé e a vivê-la a partir dos princípios que nos ensinaram Dom Oscar Romero, o padre assassinado Ellacuría e tantos outros irmãos e irmãs que se fizeram nossos mestres e mestras, no seguimento de Jesus. Eles e elas nos revelam que temos de viver a fé dando atenção e importância à realidade social, política e cultural, olhada a partira causa dos empobrecidos,

4 – Em Medellín, a Igreja se inseriu nos processos de transformação social e política, vigentes no continente. Não descansaremos enquanto não possamos viver uma economia a serviço do bem comum e do cuidado com a Terra, a Água e toda a natureza à qual pertencemos como filhos e filhas.

5 – Em todo o continente, continua nos interpelando o que Medellín chamou de “violência institucionalizada”. Até hoje, a sociedade dominante não respeita nem valoriza as comunidades indígenas de diversas etnias e suas culturas ancestrais..

6 – Unimo-nos à lutas das mulheres que, em todos os países, são vítimas de diversos tipos de violência. Nesses 50 anos, reconhecemos a contribuição das teologias negras, as dos povos originários e, de maneira especial, a proposta feita pela teologia feminista de pensar uma Igreja de fato fundamentada no discipulado de iguais. Assumimos a causa das vítimas de abusos sexuais, cometidos contra crianças, adolescentes e contra mulheres eos irmãos e irmãs LGBT. É urgente mudar a estrutura patriarcal e clerical de nossas Igrejas.

7 – Sabemos dos massacres de jovens, especialmente pobres e, em alguns países, em sua maioria negros, vítimas da deterioração das condições de vida e da violência urbana. Alguns de nossos teólogos e teólogas jovens estão acompanhando de forma criativa essas lutas.

8 – As conquistas de novos processos sociais e políticos ]pertencem ao povo e merecem ser defendidas a partir das bases.

9 – Denunciamos a responsabilidade do império norte-americano, que prossegue com sua política de desestabilização de governos que não se dobrem a suas exigências colonialistas. Seguiremos lutando contra as políticas xenófobas, racistas e desumanas do presidente dos Estados Unidos contra os migrantes, especialmente, nossos irmãos e irmãs pobres, que tentam entrar na fronteira norte-americana.

10 – A conferência de Medellín propôs uma Igreja profética, a serviço da libertação de nossos povos, a partir da opção pelos pobres. Hoje queremos nos comprometer com o projeto de uma Igreja mais sinodal e valente, em permanente diálogo com a humanidade e especialmente com os movimentos sociais, organizados para mudar o mundo.

11 – Reconhecemos como sinal do Espírito a proposta do “Bem Viver”, que recebemos dos povos originários do continente. Compreendemos que o “Bem viver” é caminho de uma sociedade de comunhão, que privilegia o bem comum sobre o particular e toma a sério os direitos da irmã Mãe Terra e da Vida.

Os zapatistas do sul do México nos ensinaram: Somos um exército de sonhadores/as. Por isso, somos invencíveis. Como disse São Oscar Romero, “sigamos fazendo o que possamos fazer, mas o importante é fazer”. Nessa esperança firme e inquebrantável, a força do Espírito que se expressa na força dos pobres nos ilumine e nos guie a todos/as pelos caminhos do Reino.

Nota:Todos os presentes subscreveram um texto de apoio ao Papa Francisco face às oposições e resistências que vem sofrendo últimamente pelos grupos conservadores que não querem mudanças no estilo de viver a fé cristã nos conturbados días atuais.

 

Papa Francisco no teme la verdad ni en la Iglesia y ni en la política

Actualmente sufrimos bajo un vacio clamoroso de liderazgos sea en la Iglesia sea en la sociedad. Pero alguien se aleja de esta mediocridad. És el Papa Francisco exactamente porque no teme decir la verdad.

Un Papa que dice la verdad en la Iglesia

Nornalmente la Iglesia institucional, como todos los portadores de poder, hace un discurso equilibrista, pretendiendo estar por encima de los conflictos y tensiones. El efecto es un discurso anodino, sin ningún tenor profetico y, en el fondo, no incide en la sociedad.
Francisco que prefiere llamarse obispo de Roma que Papa, no viene de la crepuscular cristandad europea (con solo 25% de los católicos), sino de las Iglesias nuevas no más colonials sino con raices autóctonas. En ellas viven la gran mayoria de los católicos (más del 62%) de tal forma que hoy se puede afirmar que el Catolicismo es una relgión del mundo periférico.

Una de las características más notables de este Papa es que no tiene miedo de decir la verdad. Denuncia los pedófilos en la Iglesia, los escándalos financieros del Banco Vaticano (IOR) y el tipo de Iglesia, como fortaleza cerrada sobre si misma y apartada de la historia contemporánea. Quiere una Iglesia como casa abierta para todos, mejor, como un hospital de campaña que, sin preguntar por su situación, acoje a todos. Hace duras criticas a obispos y sacerdotes que no anuncian la belleza del evangelio y la alegria de la buena noticia, diciendo que parecen tener un rostro de vinagre, gente de viernes santo y tristes como se fueran a su propio entierro.

Al escuchar tales palabras y comparándolas con lo que he escrito en mi libro Iglesia: carisma y poder, condenado en 1984 por el entonces Cardenal Joseph Ratzinger, después Benedicto XVI, por hacer, según él, algunas criticas al modo de los protestantes, a la predominancia en la Iglesia del poder sobre el carisma que conlleva arrogancia y exclusion, mi referido libro parece hoy un texto de piedad.

Pero para mí lo más valiente que ha dicho de cara a los nuevos cardinales, lo que gran parte de los teólogos pensaban pero jamás podian decirlo sin ser inmeditamente censurados, es sobre el infierno. Dice el Papa sobre el miedo del infierno con el cual la Iglesia atormentaba a los fieles: Dios no conoce una condena eterna. Su misericordia es infinita y va más allá de la justicia. Habrá seguramente un juicio por que no todo vale en este mundo. Pero él no es el ultimo acto de Dios, Padre y Madre de infinita bondad y msericordia. Dios siempre acaba por traer otra vez a su casa a todos los que creó por amor y porque nacieron del corazón del Padre. Volverán en su momento a lo que les fué preparado desde toda la eternidad: la comunión en el Reino de la Trinidad. Seguramente pasarán por la clinica purificadora de Dios, pero esto es la antesala del cielo y no del infierno.

Por eso se entiende la transposición que opera en la terminología de su anuncio: habla de la revolución de la ternura, de la alegria del amor matrimonial, de la belleza del evangelio que fascina a las personas.

Más importante que la Iglesia es la creación amenazada de desaparecer – la razón de su encíclica sobre la ecología dirigida a toda la humanidad – y el compromiso de salvaguardar las condiciones que permiten la vida en la Tierra. Refuerza un nuevo tipo de ecumenismo, poniendo de lado la pretension de exclusidad pretendida por la Iglesia Catolica de ser la única Iglesia de Cristo. Importante es que las Iglesias se reconozcan mutuamente y todas juntas se pongan al servicio del mundo, especialmente de los más vulnerables.

Tiene una clara opción por los pobres y sufrientes de este mundo. Busca una reconciliación con la teología de la liberación, encontrándose con el padre de esta teología, Gustavo Gutiérrez y posteriormente con Jon Sobrino. No ha temido solicitar sugerencias del autor de estas líneas para escribir su extraordinaria encíclia “sobre el cuidado de la Casa Común” que según reconocidos ecólogos como Edgar Morin y otros, pone el papa en la vanguardia de la discusión ecológica mundial.

En una palabra, Francisco, obispo de Roma y Papa de la Iglesia ha reintroducido una primavera en la Iglesia, con el encantamiento que esta estación conlleva, después de un riguroso invierno bajo la severidad de las doctrinas y disciplinas de los papas anteriores. Se despojó de todos los títulos de poder, abandonó el palacio pontificio para vivir en una casa de huéspedes y servirse como los demás, porque, comenta con humor, “asi es más difícil que me envenenen”.

El eje estructurador de su predicación es la Tradición de Jesús. Es un término teológico, utilizado ultimamente para identificar la intención originaria de Jesús, anterior a la elaboración de los cuatro evangelios. Él no quiso fundar una nueva religión, sino enseñarnos a vivir los bienes de su gran utopia el Reino de Dios, hecho de apertura total a Dios, de amor incondicional, de misericordia ilimitada y de la centralidad de los pobres e invisibles.

El resumen del mensaje de Jesús se encuentra en el Padre Nuestro: es afirmar a Dios como Padre nuestro y no solo mio, significando nuestra dimension hacia arriba y Pan nuestro, no pan mio, representando el enraizamiento del ser humano en la vida concreta. Solamente puede decir Amen quien mantiene unidos estos dos pólos: el Padre Nuestro en el cielo y el pan nuestro en la tierra, Padre de todos y pan para todos.

Por causa de la Tradición de Jesús, el Papa Francisco enfatiza que hay que poner el amor antes de los dogmas y de las doctrinas y los pobres antes de la disciplina. Hay que superar la obsesión con el aborto, por el uso de los anticonceptivos y de la comunión de parejas en segundas nupcias. El evangelio no se debe empequeñecer solo a estas cuestiones, caso contrario, pierde su fragancia y belleza. De forma contundente dijo Francisco: “mejor no creer que ser un creyente hipócrita”. Y a los laicos y jóvenes dijo: ”un cristiano que no es revolucionario no es cristiano; hay que ser revolucionarios de la gracia”. Otra vez los retó de la siguiente forma: “No sean más papistas que el papa, más restictivos que la Iglesia”.

El Papa Benedicto XVI queria una Iglesia pura, Francisco prefiere una Iglesia accidentada por su andar por el mundo, pero inclusive y con las puertas abiertas, sin los fiscales de la duana de la fé. Es una Iglesia en salida para el otro, para el mundo y para los pobres.

Resumiendo, el Papa Francisco no es eurocéntrico sino abierto a la universalidad, no es eclesiocéntrico, por que la Iglesia no se hace autoreferente, no es vaticanocéntrico, por que prefiere dirigir la Iglesia de forma collegial y con amor y no de forma monárquica con el derecho canonico; vive en una casa de huéspedes y no en el palacio pontificio; no es papocéntrico por que pone en primer lugar al Pueblo de Dios y se siente como uno de sus miembros, seguramente con una misión para toda la Iglesia. Eso no le impide de cargar su propio maletin, que compre su pasaje para ir a la isla de Lampedusa por Alitalia y a que llame por el movil para atender a alguien que le escribió una carta; y que no olvida a los amigos, como el zapatero y jornalero de Buenos Aires, llamandolos de vez en cuando por teléfono como a viejos amigos.

Un Papa así devuelve confianza, moralidad y respectabilidad a la Iglesia frente a tantos cristianos que habían abandonado la institución. La Iglesia con él recupera una relavancia frente al mundo secular.

El Papa que dice la verdad en la política

Lo primero que hay que reconocer en la dimensión pública y politica del Papa Francisco es su propia persona, carismática, sensilla, solidaria con el dolor del mundo y amigo de los pobres. Francisco es más que un nombre. És un nuevo proyecto de ejercicio del poder, realmente como servicio y no como privilegio e instrumento de control.

Esto aparece claro en su total despojo de los titulos y privilegios que historicamente se fueron agregando a la figura de los Papas. En el Anuario Pontificio, en sus primeras páginas se suelen poner todos los títulos de honor, de los cuales los papas son portadores. Papa Francisco renunció a todo esto y puso sensillamente solo su nombre Fransiscus, sin ninguna calificación.

Todos los jefes de Estado disponen de un poderoso aparato de seguridad. El Papa Francisco dispensó tal cuerpo y viaja aún en los lugares más peligrosos como Egipto y el Sur de Sudan sin ninguna protección.

Argumenta: “yo no quise ser Papa. Fué Dios quien lo quiso; luego Dios tiene que defenderme. Si me matan es una señal que Él, Dios, me ha llamado y entonces, iré alegremente a su encuentro”. Quien puede hablar de esta forma tan libre y liberadora, diría mística de la vida y de la muerte? Solo quien se siente en la palma de la mano de Dios. Por eso no tiene nada a temer.

Además, pocos papas fueron tan verdaderos de cara a los males de nuestra cultura que afectan directamente a los más vulnerables. Es un Papa que tiene lado: es de parte de los últimos e invisibles y que esta contra los que producen desgracias a la humanidad y a la Madre Tierra.

Ataca duramente el sistema de acumulación y la idolatria del dinero. No utiliza la palabra capitalismo, para no crear dificultades a millones de catolicos que viven dentro de este sistema. Pero describe al sistema de tal forma que fatalmente somos llevados a identificar al sistema del capital con su cultura de consumo ilimitado, de individualismo, de falta de solidaridad y de producción de miseria y de heridas profundas en el cuerpo de la Madre Tierra.

Durisimo fué su discurso en la isla de Lampedusa a donde lllegan los refugiados de Africa y muchos se ahogan en el viaje. Dice el Papa Francisco: ”Esta cultura del bienestar lleva a la indiferencia con respecto a los otros, es la globalización de la indiferencia… Somos una sociedad que olvidó la experiencia de llorar, de compadecerse; la globalización de la indiferencia nos ha quitado la capacidad de llorar”.

Una sociedad que no llora con el que llora ha perdido su sentido de humanidad y efectivamente está en un camino de autodeterioro y de barbarie.

Curiosamnete al volver de su visita a Polonia dijo tajantemente en el avión cuando los periodistas abordaron el tema del terrorismo de raiz musulmana. El Papa con coraje dijo lo que los analistas no quieren oir. Las religiones y el islam no quieren la guerra, sino la paz. Los refugiados están en Europa ahora porque nosotros estuvimos por siglos allá en sus paises, robandoles las riquezas e imponiendoles nuestras formas de organizar su sociedad. El verdadero terrorismo es el sistema economico-financiero que se muestra anti-vida. “Debemos decir no a una economia de exclusión y de desigualdad social; esa economia mata”.

Como se ve, su discurso es directo, sin metáforas encubridoras, como suelen ser los discursos equilibristas de los pontífices anteriores que ponen más el acento en la seguridad y en la equidistncia que en la verdad y en la claridad de su propia posición. La posición de Francisco es clarisima: evangelicamente habla y actua desde de los pobres y condenados de este mundo y especialmente para los pobres. “Sobre esto”, enfatiza “ no deben existir dudas ni explicaciones que debiliten tal opción ya que existe un vinculo indisoluble entre nuestra fe y los pobres”.

En la encíclica sobre Como cuidar de la Casa Común repite 35 veces la necesidad de cambiar nuestra relación hacia la naturaleza; cambiar y cambiar si queremos subsistir. Importa no sentirse afuera de la naturaleza, como si fuéramos sus dueños, sino como parte de ella y responsables por su sostenibilidad; cambiar nuestra forma de producción, nuestro modo de consumir y repartir los bienes y servicios naturales. No va a beber en esta búsqueda de alterntivas en la Doctrina Social de la Iglesia, aún cuando la respeta. Pero observa: ”no podemos evitar ser concretos para que los grandes principios sociales no se queden en meras generalidades que no interpelan a nadie”. Para él, no podemos esperar nada de arriba, cuya logica es siempre más de lo mismo: la maximación de las rentas sin otra consideración.

Francisco cree en los que están afuera del sistema y son totalmente desconsiderados por que poco producen y poco consumen. Confia en los de abajo. A raiz de esto se reunió por 4 veces con los movimientos sociales popualares de todo el mundo, tres veces en Roma y una vez en SantaCruz de la Sierra, en Bolívia. Ahi fué muy claro: hay que reclamar los tres “ts”: “tierra, techo y trabajo”. Nadie sin tierra para sobrevivir, nadie sin techo para habitar, nadie sin trabajo para ganarse lo que necesita para vivir.

Esta es una parte. La otra, retó a los movimienstos sociales populares a ser protagonistas de lo nuevo, de nuevas formas solidarias de producir, de cooperativas agroecologicas, de formas de un consumo caracterizado por la sobriedad compartida y por un especial cuidado de la Madre Tierra que nos ofrece todo y es la base para lo que podemos proyectar en esta vida. Enfatizó tres puntos: poner la economia al servicio no del mercado, sino de la vida; construir la justicia social, base de la paz y cuidar la Tierra, nuestra Casa común.

En sus viajes se ha distinguido por una convocación al dialogo entre los pueblos y entre las religiones. Propone una cultura de la paz de cara a los más de 40 conflictos existentes con gran letalidad de personas y destrucción de bienes culturales. Varias veces ha advertido que el nivel de conflictos y tensiones en el mundo nos pone ya dentro de la tercera guerra mundial cuyas consecuencias son inimaginables para la especie humana y para el futuro de la vida.

Parece un profeta que clama en el desierto, con extrema seriedad y a la vez con un sentido de esperanza de que podemos evitar la tragedia porque tenemos tecnologia, ingenio humano y más que todo porque creemos en un Dios que es “el soberano amante de la vida”(Sabiduria 11,26).

Talvez su contribución más significativa politicamente haya sido su enciclica de 2015, Laudato Si: sobre el cuidado de la Casa Común. El destinario no son los catolicos, sino la humanidad entera. El Papa Francisco reconoce las amenazas que pesan sobre el sistema-vida y el sistema-Tierra. Hace una convocación general de cuidar la Casa Común.

Francisco utiliza los datos más seguros de las ciencias y a partir de ellos ofrece una critica rigurosa de las causas que llevaron a la situación actual: es principalmente el antropocentrismo por el cual el ser humano se cree señor y dueño de la naturaleza y puede utilizarla a su antojo. Ha elaborado un proyecto cultural hoy globalizado de total explotación de todos los bienes y servicios naturales en función de la acumulación individualista y sin consideración de la destrucción de ecosistemas enteros. Esta voraciad ha producido una doble injusticia: una injusticia social con la producción de una inconmensurable pobreza en gran parte de la humanidad y una injusticia ecologica con la lenta erosión de la base fisica y química que sustenta la vida.

No se trata de una ecología verde, como muchos la han calificado. La vision de Francisco es mucho más amplia. Se trata de una ecología integral que involucra el ambiente, la sociedad, la mente humana (sus proyectos, valores y prejuicios), la política y por fin la espiritualidad. El documento incorpora la razón cordial y sensible que permite a uno sentir como suyo el sufrimiento de la naturaleza, que simultaneamente escucha el grito del pobre y el grito de la Tierra. Si queremos salvar la Tierra tenemos que alimentar “una pasion por el cuidado del mundo…una mistica que nos impulsa, nos anima, que nos motiva, nos da coraje” a amar la Madre Tierra y respetar sus limites internos.

Apesar de los llamados graves que hace a todos, el Papa suscita tambien esperanza, sea en la capacidad de los seres humanos de despertar a su responsabilidad, sea usando la ciencia, hecha con conciencia, para salvar la vida y finalmente confiando en el Espíritu que según las escrituras judeo-cristianas es “Espíritu de vida” y “soberano amante de la vida”. Al final, expresa su confianza escribiendo: ”Caminemos cantando; que nuestras luchas y nuestra preocupación por este planeta no nos quite la alegría de la esperanza (n.244).

Efectivamente ha dado un contenido politico a la esperanza y a la ternura. “La ternura no es debilidad, sino valentia; es el camino de la solidaridad y de la humildad”. La esperanza es la capacidad de decir “nosotros”. Y si juntos decimos nosotros “ahi empieza una revolución…el futuro desde el momento en que las personas se reconcen ser parte de un “nosotros”. En eso reside la revolución social que se opone al “yo” solo y contra los otros “yos”, actitud típica del sistema vigente, el capitalista.

Bien dijo Bruno Giussani, diretor europeo del TED (Tecnology, Entertaiment, Desing: organización de medios que organizan conversaciones y intercambios a nivel mundial): dijo: “Francisco se ha hecho la única voz moral, capaz de alcanzar a las persons más allá de las fronteras y de propiciar claridad y proponer un mensaje convincente de esperanza”.

En un mundo lleno de palabras de odio y de prejuicios entre religiones y culturas, las palabras del Papa Francisco suenan como una campana de paz, con una autoridad que viene de su irradiación de bondad, de un profundo humanismo y por una esperanza contra toda esperanza, valorando la belleza, la alegria de la vida y un entrañable cuidado hacia la Madre Tierra.

Reproducción de una charla dada en Buenos Aires en abril de 2017: Leonardo Boff