Minima Theologica: em memória dos mortos de Santa Maria

Os antigos já diziam:”vivere navigare est” quer dizer, “viver é fazer uma viagem”, curta para alguns, longa para outros. Toda viagem comporta riscos, temores e esperanças. Mas o barco é sempre atraído por um porto que o espera lá no outro lado.

Parte o barco mar adentro. Os familiares e amigos da praia acenam e o acompanham. E ele vai lentamente se distanciando. No começo é bem visível. Mas na medida em que segue seu rumo parece aos olhos cada vez menor. No fim é apenas  um ponto. Um pouco mais e mais um pouco desaparece no horizonte. Todos dizem: Pronto! Partiu!

Não  foi tragado pelo mar. Ele está lá, embora não seja mais visível. E segue seu rumo.

O barco não foi feito para ficar ancorado e seguro na praia. Mas para navegar, enfrentar ondas, vencê-las e chegar ao destino.

Os que ficaram na praia não rezam: Senhor, livra-os das ondas perigosas, mas dê-lhe, Senhor, coragem para enfrenta-las e ser mais forte que elas.

O importante é saber que do outro lado há um porto seguro. Ele está sendo esperado. O barco está se aproximando. No começo  é apenas um ponto levemente acima do mar. Na medida em que se aproxima é visto cada vez maior. E quando chega, é admirado em toda a sua dimensão.

Os do porto dizem: Pronto! Chegou! E vão ao encontro do passageiro, o abraçam e o beijam. E se alegram porque fez uma travessia feliz. Não perguntam pelos temores que teve nem pelos riscos que quase o afogaram. O importante é que chegou apesar de todas as aflições. Chegou ao porto feliz.

Assim é com todos os que morrem.  O decisivo não é sob que condições partiram e saíram deste mar da vida, mas como chegaram e o fato de que finalmente chegaram. E quando chegam, caem, bem-aventurados, nos braços de Deus-Pai-e-Mãe de infinita bondade para o abraço infinito da paz. Ele os esperava com saudades, pois são seus filhos e filhas queridos  navegando fora de casa.

Tudo passou. Já não precisam mais navegar, enfrentar ondas e vencê-las.  Alegram-se por estarem em casa,  no Reino da vida sem fim. E assim viverão para sempre pelos séculos dos séculos.

(Em memória dolorida e esperançosa dos jovens mortos em Santa Maria na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013).

96 comentários sobre “Minima Theologica: em memória dos mortos de Santa Maria

  1. Só a sensibilidade de um mestre para transformar algo tão trágico e nos trazer poesia. Dá um certo consolo em meio à dor dos familiares diante da perda de seus filhos e filhas!

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  2. Toda morte trágica, inesperada, deveria reascender – mesmo momentaneamente – o discernimento sobre nossas fragilidades terrenas. E em toda dor de perdas (nossa ou alhures), deveríamos memorizar o homem moderno como parte criadora de seus próprios instrumentos de morte, e, mais que isso, sem atentar para a leveza do seu ser que, em nenhum outro tempo, viveu tão subjugado sob as intempéries da vida.
    http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/4108972

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  3. Caro teólogo e amigo íntimo de São Francisco, aqui na cidade de Laguna, ao sul de Santa Catarina também choramos com essa partida. Tomara mesmo que um pai de eterna bondade acolha esses moços que sairam ainda quando a noite era escura e o mar bravio. Obrigada por dirigir a todos os seu leitores uma palavra de ânimo. Ma Fatima B Michels/Laguna/SC

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  4. O porto seguro é a nossa certeza e esperança; mas, muitas vezes sinto medo da travessia que pode ser curta ou longa.Deus nos conduza!

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    • O que me incomoda profundamente é a dissociação que fazemos dos fatos, a tristeza nos sega e anestesia a nossa sensibilidade que tanto as mortes abreviadas pelos acontecimentos aparentemente sem ligação indicam uma falta de respeito para com a vida, quando esquecemos os mortos do Haiti os soterrados de região serrana no Rio de Janeiro, enfim poderia citar vários, e outros tantos fatos que estão acontecendo todos os dias, a vida perdeu seu valor e é por isso que tragédias estão cada vez mais presente em nossas vidas. Indignação é valida, mas, temos é que mudar de atitude, instituir um novo modelo de vida, que preserve a vida, só assim quando alguém for colocar espuma no teto de uma boate, ou montar uma usina vai pensar na vida das pessoas não no lucro imediato, assim não teremos que construir nas encosta de um morro não teremos fortuna pessoal maior que a renda de países inteiro. O que quero é alertar que tudo,exatamente tudo, está ligado por uma linha tão forte que unem nossos destinos e não vamos impedir tragédias se não assumirmos está condição humana, e sentirmos a dor dos mortos em Santa Maria como se fosse nossa carne.
      Desculpe se as ideias não estão tão claras não sou filósofo só estou querendo pensar um pouco.

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  5. Essa é nossa grande esperança. E é tb meu grande temor.Sera que viverei esse lugar, essa dimensão? fico apreensiva mas não deixo minha fé e esperança sucumbirem.Não. Minha ignorância me trava. Me segura.Mas minha teimosia me alavanca.É dificil.

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  6. São palavras consoladoras, pois nesse momento é sempre muito difícil ‘ter palavras’ a dizer. Quando somos ‘mãe’ e eventos como esse acontecem, sentimos um dor que não tem explicação, só por imaginar o sentimento de tantas ‘mães’ nesse momento de sofrida despedida. Parece ser uma dor única e solitária, mas que como tantas outras dores de mãe, acabam por serem sublimadas pelos dons que constitui cada uma de nós, solidárias mulheres, mesmo em pensamento, nas alegrias, nos amores, nas dores, nos sofrimentos, nas chegadas e partidas.
    Que o Pai maior fortaleça todas essas mães no adeus aos seus amados ‘navegantes’!

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    • Claudia, achei lindo o que escreveste…”solidárias mulheres” é isso mesmo, dói o peito cada vez que algo trágico acontece com um filho, por mais distante e desconhecidos que sejam as mães e pais…e uma prece sai para que Deus amenize, de forma que só Ele pode, para que consigam ainda viver os vivos.

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  7. Ciao Prof. Leonardo, gostei do seu texto. Como todos os demais, sempre muito claros e que nos levam a crer cada vez mais no amor, carinho e cuidado do Pai/Mãe presenteia cada um dos seus filhos.
    Queria comunicar que no final do seu texto aparece uma publicidade dando uma “dica para uma barriga sequinha” e no cantinho esquerdo um logo da Saúde Notícia. Eu não sei se vc sabe disso e se é conivente… eu porém, acho que não combina muito com seus escritos. Desculpe,
    Um grande abraço
    Jane Mary

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    • Jane
      Agradeço a informação. Não havia observado esse detalhe que efetivamente não combina comigo. Alguem o introduziu não sei por que razões. Vou mandar retirá-lo imediatamene.
      um abraço fraterno
      lboff

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    • Jane, isto pode ser um malware em seu próprio computador. São um tipo de vírus que se arrastam pela internet até que você os toque com o mouse e tenha seu pc contaminado, ou mesmo seja direcionada para um site específico. Att

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  8. …”Vivere navigare est”… Com certeza, eles estão nos braços de Deus, depois de tão curta viagem, eternamente seguros.

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  9. Leonardo têm o poder de nos elevar para o céu sem tirar os pés do chão.
    O poeta é aquele que faz brotar lírios no meio da lama.

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  10. Creio em cada palavra que escreveu e isso faz a tristeza ser mais fácil de aguentar. Creio que os jovens e as jovens de Santa Maria estão com o Pai.

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  11. Quanto mais eu leio e ouço voce Leonardo, mais eu me encanto e me sinto grande e pequena ao mesmo tempo. Obrigada. Rosani Borba, Foz do Iguaçu – BP3

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  12. Caro Teologo,
    Suas Palavras neste texto t^em a força de acariciar o rosto sofrido daqueles que agora choram por este triste acontecimento no nosso Brasil….Pace e bene!

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  13. Linda reflexão! Só Deus para confortar as famílias envolvidas nesta tragédia. Que Deus continue te abençoando Leonardo, dia após dia, para ser benção neste mundo que carece tanto da graça de Deus… Forte abraço!

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  14. Caro professor, é assim que o considero.
    Sou pastor da IECLB em Porto Alegre.
    Como é bom saber que do outro lado está Deus de braços abertos a nos esperar.
    Muito confortantes as suas palavras.
    Paz e Bem. Gerson

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  15. Excelente, lindo! Artigo mais interessante que li. Confortante tambem. Aqueles jovens precisam de serenidade para fazer a travessia. Paz e oracoes.

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  16. Leonardo, não tenho palavras pra te agradecer, pois sempre de novo, seu modo de interpretar o cristianismo me dá sustentação pra manter meu caminho, minha existência, em meio a tantos desafios que encontro em meio dia-a-dia. Deus o abençõe e Ele mesmo seja sua recompensa.

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  17. Ternamente seguros em nosso Porto Seguro: o Mistério insondável de Amor e Bondade. Isso é reconfortante. Tento acreditar, em eterna esperança…
    Que Deus Pai/Mãe de bondade conforte os que ficam. Texto maravilhoso!

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  18. Leonardo, sou eternamente seu fã….. uma excelente reflexão, sobre quem somos, quem amamos, o que amamos, e sobretudo a valorização do Ser Humano….

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  19. Leonardo, não tenho medo do mar revolto, das tempestades, da travessia, sempre com coragem e luta vou navegando, navegando, até um dia chegar no porto seguro e encontrar muitos a minha espera. Li e reli seu texto. “FANTÁSTICO” como você diz. Muito encorajador. Fiquei ainda mais fortalecida. Um grande abraço

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  20. Meu amigo! Espero ansiosa por seus textos.
    Tenho um amor que partiu aos 15 anos de idade num acidente de carro. Quando o trouxeram para aqueles que o amavam. Aquelas cenas ficaram fixadas em minha retina. De hoje em diante fecharei meus olhos e o verei com os olhos do espírito ele foi a aulas extra classe, passeios. Será deste modo que passarei a vê o meu amor na espedida, mais uma viagem. Eu aceito o outro lado sem nenhuma duvida. Muito Obrigada por esse balsamo aos Pais Familiares e amigos e a população. Desta tragédia e outras anônimas. Que Deus pai e Maria santíssima o inspire cada vez mais.
    Um abraço reconfortante! Muita Paz e Luz.

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  21. Querido irmão, vivo em Mazar-e-Sharif no Afeganistão. Semanalmente somos sacudidos em nosso trabalho, ou sono, por explosões de bombas em atentados, que de tão frequentes parecem ser parte da vida por aqui. Porem, essa triste noticia vinda do meu querido Brasil me fez despertar desta anestesia emocional que as vezes nos invade a alma e me fez chorar. Agradeço por suas palavras de conforto e vou aplica las dentro de minha realidade aqui no Afeganistão. Obrigado.

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    • Albano,
      Fico surpreso que um brasileiro esteja no Afeganistão. Deve passar por muitas provas e viver riscos permanentes. Admiro sua coragem e ainda mais seu sentimento por causa da tragédia de Santa Maria.
      A solidariedae e a com-paixão (a capacidade de colocarse no lugar do outro) não tem distância de espaço nem de tempo. É da nossa mais profunda e verdadeira humandidade que vc aqui mostrou.
      um abraço e tenha resiliência e confiança na proteção do Espirito de vida
      lboff

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  22. Amado Leonardo…
    Mesmo como mãe, não consigo me colocar no lugar de tantas mães chorosas de uma só vez;
    Como mãe me sinto horrivel ao pensar no celular com ligações não atendidas pelos filhos que se foram ( nós sabemos como é quando eles não atendem, mas, eles sempre chegam, e agora?)
    Como mãe, de um filho que retornou, graças a Deus, penso no barco indo ao longe…penso na saudade antecipada, mesmo tendo certeza de que eles ancorarão, penso nas próximas noites e no cais….”Todo cais é uma saudade de pedra”….É consolo, mas, só me vem a mente um grito lancinante de saudades que diz: ” ai que dor, também quero ir agora!”

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    • Meire,
      Entendo e participo de sua dor. Só uma mãe, não um homem ou pai, pode dizer :”ai que dor, também quero ir agora”. Isso me faz lembrar de um texto apócrifo do seculo IV quando um anjo mostra a Nossa Senhora o inferno.Ela fica tão horrorizada que pede a seu Filho Jesus que é o Salvador universal que liberte aqueles condenados. E Ele responde: eles estão lá porque não me reconheceram no pobre, no nu e no sedento. Então Maria,a mãe, diz: Então eu vou lá no inferno, sofrer com eles. Quando o Pai supremo ouviu isso, clamou com forte voz: Anjos e Santos e Santas: por causa da misericórdia da Mãe do meu Filho Jesus, todos esses condenados serão libertados… E entraram, purificados, no Reino dos céus.
      Esse texto bem mostra o sentimento das mães, que muitas de Santa Maria, seguramente, pensaram e disseram a mesma coisa que Maria.
      Mas cremos que a vida não nem material nem espiritual. Ela é eterna. Por isso os jovens mortos vivem ressuscitados em Deus.
      Solidário na dor de tantos
      lboff

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  23. Caro Leonardo Boff, Bela analogia.

    Realmente conforta e nos encoraja a enfrentar os desafios do mar da vida porque ficamos com a certeza de que também seremos recebidos na outra margem com amor e a mesma alegria como fomos recebidos nesta margem, no início da travessia.

    Obrigado Boff. Bravo! Bravo! Bravo! Que o Grande Arquiteto Do Universo continue lhe dando inspirações.

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  24. Caro Leonardo, a sensibilidade do seu texto ajuda a amenizar esse momento de dor . Que as famílias, principalmente as mães , consigam força de fé para continuarem suas vidas .

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  25. Palavras inspiradas que escritas em circunstâncias de uma tragédia que sensibilizou a todos nós, mas que também se aplica às tragédias do dia a dia e à dor dos que ficam. Devo acrescentar que a cada término de um acontecimento sempre há uma transformação na vida da humanidade que somente é sentida muito depois quando a dor serena. O barco navega pelo mar da vida e deságua nos braços de Deus. Obrigada por tão sábias reflexões.

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  26. Muitíssimo querido Leonardo. Amo a sua presença entre nós, que com suas palavras iluminadas pelo Mestre Jesus, possam dar aos familiares dessas centenas de jovens que partiram e que ainda estão desacordados, lutando por suas vidas, o refrigério da Esperança. E a nós, também, que leigos das Coisas do Pai Altíssimo, tentamos acompanhar. Obrigada por esse consolo, por essa doce e bela espera. Desejo o quintessenciamento de sua energia para continuar nos auxiliando nessa jornada “ao porto feliz (sic)”. Abraço afetuoso

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  27. Caro Boff,

    Gosto muito de ouví-lo, de lê-lo…
    Agradeço imensamente as palavras tão confortantes…
    Sei que não deveria agradecê-lo, porque não escreves para receber “obrigado”, e sim, porque vive suas próprias palavras.
    Mas sua escrita nos alivia, nos conforma… Sobretudo nesse momento…
    Sou uma paulista adotada pelo RS, estou vivendo a dor que todo o povo brasileiro vive, em especial o estado gaúcho.
    Com essa tragédia, foram jovens conhecidos meus… fortes na luta…
    De todas as palavras que li e ouvi essas foram as que mais me fortaleceram.

    Todos os parentes e amigos dos jovens que fizeram essa travessia pra chegar ao porto, deveriam ter acesso a esse texto.
    Já vou encaminhar para alguns que conheço.

    Aguardo com carinho e ansiedade tua vinda a Erechim (cidade onde moro no momento).
    Com o mesmo carinho, aguardo também a Marcia (pessoa tão querida que tive o prazer de conhecer na Cúpula dos Povos.

    Grande e saudoso abraço.

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  28. Caro Profeta Leonardo! Sempre dando luz e esperança aos q sofrem.Que bom viver no mesmo tempo q o seu.Este teu texto me fez lembrar algo que escrevi inspirado em outros escritos teus quando da morte do nosso grande lider popular,Dep. Adão Pretto onde tive a honra de ter sido seu primeiro chefe de gabinete aqui em POA,exatamente para ajudar dar conforto a sua família e tantos militantes que se espelhavam nele como exemplo de vida e de projeto.Abraços amigo.David Stival – ex-coord. da grupo Fé e Política do RS

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  29. Lindo! É gratificante poder ler e sentir a paz e amor, através desta belíssima imagem, deste momento de acolhida que nos proporcionou! Paz e Bem, Leonardo Boff!

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  30. Caro Leonardo, sou seu admirador e seguidor de suas ideias há muitos anos e, como sempre, as suas análises e comentários nos provocam em todos os sentidos; de modo particular, na dimensão da fé e da nossa humanidade. O seu texto é de uma beleza poética e teológica muito grande; não só traz a esperança e o conforto do coração nesse momento tão trágico e dolorido como também elucida uma reflexão sobre a nossa vida que navega nesse mar da contemporaneidade, marcada pela futilidade, pela violência, pelo desamor, etc. Também trago em meu existir a dimensão esperançosa da fé, dom de Deus, o Deus de Jesus que nunca abandona seus filhos e filhas; principalmente nesse momento de dor pela morte trágica de tantos jovens em Santa Maria. Agora resta-nos rezar pelos que ficaram, sofrendo a dor da .partida, e nos consolar solidariamente na graça de Deus. Mas devemos também apurar todas as circunstâncias da tragédia, e punir os responsáveis. Parabéns pelo texto.

    Paulo Roberto – Macapá/AP

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  31. Amado Irmão Leonardo, junto-me a esta Homenagem Póstuma, e consternado ergo os olhos para o Alto, enxergando com os Olhos da Fé, as Praias do Além, onde há um Porto Seguro. Consola-nos Imaginar que esses Jovens deixaram a dantesca Tragédia para tras, e já se encontram acolhidos no Abraço do Pai que inclusive é Mãe também.
    A triste realidade da Tragédia, ficou conosco. A outra Realidade, muito mais Verdadeira, está com Eles: a Realidade Festiva, Perene na Casa do Pai.

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  32. Sim a vida tem perdido seu valor, as pessoas tem perdido seu real valor… Hoje não somos mais filhos de Deus, mas somos filhos da economia e nisso valemos tanto pelo que consumimos e não pelo que somos…. A Divindade nossa só é lembrada de relance quando desgraças como esta acontecem… e rapidamente é esquecida ou subjugada pela nosso modo insensato e insano de viver nosso dia a dia amontoados em preocupações e problemas.
    É evidente, é evidente que se queremos ir para o céu, temos que mudar… fazer o céu aqui mesmo. Isso temos que aprender… O céu é aqui mesmo…. na terra…em nossos corações… e é tão fácil conseguir isso… a fórmula é simples… amai a Deus sobre todas as coisas e a teu proximo como a ti mesmo…. simples? Sim, tão simples que ninguém acredita nisso. Mas não equeçamos que a fórmula da bomba atômica também é muito simples… E`nergia é igual a massa vezes a velocidade da luz ao quadrado. Apenas 3 letrinhas. A formula da felicidade diz apenas dois atos… para muitos é muito simples para ser verdadeiro….
    Mas somente chegaremos a algum lugar seguindo esta formula…. Quem sabe um dia… Nestes momentos é que devemos repensar tudo… individualmente é claro e ver que merecemos uma mudança…. e a mudança é simples… amai, amai, amai….
    Apenas isso.
    Que Deus tenha os que partira e consolem os que ficaram… A vida nunca mais será a mesma no Rio Grande e no mundo inteiro depois disso…. que nos sirva de lição… Obrigado a todos que me fizeram repensar mais uma vez na vida… e valorizar a vida…
    Gostaria de deixar uma mensagem para os que ficaram…. não vivam em vão… não vivam apenas da saudade que será eterna… vocês tem o dever daqui para frente de viver a vida completamente e intensamente… mas não uma vida única… mas uma vida por vocês e por eles que partiram…. a maior homenagem que vocês podem dar a eles é viver… é ser verdadeiros, amaveis, humanos, e claro muito felizes… com certeza é isso que eles esperam de vocês que ficaram… esta é a grande homenagem… não se esqueçam disso..
    Abraços e que Deus nos ilumine…

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  33. Santa Maria abre as portas aos que chegam. É gentil e hospitaleira. A sociedade de Santa Maria acolhe o que chega para acrescentar, com carinho e festinha, A boate que pertence ao deputado Paulo Pimenta era uma arapuca fora do comum, como mostra a tragédia. Até que ponto ser um deputado do governo oportunizou que as normas de segurança não fossem cumpridas?
    Quanto aos jovens que fizeram a passagem neste pavoroso evento, creio como tu, admirável Leonardo,fizeram o que tinham que fazer na vida, agiram da melhor forma que puderam, e planejaram futuros que ninguém mais poderá imaginar.
    A sociedade, as famílias foram roubadas do seu convívio, e seguramente, eles, sabendo das circunstâncias administrativas do ambiente não teriam acorrido para lá.
    Richard Bach em seu livro “UM” descreve os sentimentos de Richard, após a perda de sua esposa Leslie, três meses após o acidente que provocou a passagem prematura dela:
    :”…ainda me encontro estupefato. Era como se uma cortina de palco de trinta metros, houvesse caído sobre mim, cheia de pesos, sufocando-me, prendendo-me, asfixiando-me numa sensação de perda e aflição. Nunca tinha tomado consciência da coragem necessária a uma pessoa para não se matar quando morre a esposa, o marido! Mais coragem do que eu tinha. ela exigia a cumprimento da promessa que havia feito à Leslie.
    Quantas vezes havíamos feito planos, morrer juntos, , independente do que acontecer, vamos morrer juntos.
    – Mas no caso de isso não suceder, – advertira-me ela – se eu morrer primeiro você deve ir em frente. Prometa!
    – Prometo se você prometer…
    – Não! Se você morrer, não terá sentido eu continuar viva. Quero ficar com você.
    – Leslie, como pode esperar que eu lhe prometa continuar a viver, se você não fizer a mesma promessa?
    Isso não é justo. Vou prometer, já que há uma possibilidade de isso ocorrer por uma razão. Mas não vou prometer se você não fizer também.
    -Uma razão? que razão pode ser?
    – É uma questão teórica, mas talvez nós dois possamos descobrir um meio de solucioná-la. Talvez venhamos a aprender um meio de estarmos juntos, não importa o que nos tenham ensinado…que a morte é o nosso fim. Talvez seja apenas uma perspectiva diferente, uma hipótese, e poderíamos nos desipnotizar.
    Se aprendermos a superar isso, que bom seria escrever! Não sou só eu que compro livros a respeito da morte, não se trata de curiosidade mórbida, trata-se de estudar um problema, um desafio criativo.
    E você não concorda que o amor seja a motivação capaz de nos ensinar a solução?”

    Então, Leonardo, para a nossa perda e a dor dos familiares, o amor, a fraternidade e a esperança no reencontro certo, deve encontrar soluções.
    Aos culpados: Justiça!

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  34. Leonardo,
    Hoje, faz um ano que Beto, querido irmão, partiu. Com a dor à flor da pele pelos jovens de Santa Maria e a saudade latejando por causa da lembrança de meu irmão e de todos os que se foram, agradeço seu texto.
    Inez

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  35. ” E quando chegam, caem, bem-aventurados, nos braços de Deus-Pai-e-Mãe de infinita bondade para o abraço infinito da paz. Ele os esperava com saudades, pois são seus filhos e filhas queridos navegando fora de casa.

    Tudo passou. Já não precisam mais navegar, enfrentar ondas e vencê-las. Alegram-se por estarem em casa, no Reino da vida sem fim. E assim viverão para sempre pelos séculos dos séculos.”
    Que bom fosse assim tão simples. Com todo respeito pelos que se foram, desejo que eles estejam bem e estejam sendo bem recebidos e amparados. Contudo, este não é, com certeza, o fim da jornada para eles. Terão que regressar a esta vida terrena muitas vezes ainda para completar o trabalho em andamento, como a maioria absoluta de nós, para finalmente estarem prontos para o reino de Deus.

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  36. Parabéns, Boff. A” comunhão dos santos” torna-nos bem junto deles e delas, orando por suas queridas e enlutadas famílias. Que o Bom Pai e a “Boa Mãe” , Maria Santíssima, acolha e abrace a cada um e cada uma desses queridos jovens.
    Ir.Paulino, marista

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  37. Estimado amigo,hoje a dia a VIAGEM é mais tipo aviâo (sempre foi) antigamente só sabiam da travessia dos barcos para explicar tal VIAGEM.

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  38. Silser Araujo

    04/02/13 – 20:15
    Não é preciso ser mãe para sentir a dor que estão sentindo as mães de Santa Maria. Chorar, chorei, mas não me consolou. Invejo sua fé. Gostaria de acreditar sem questionamentos, sem restrições mas não consigo. Na minha ignorância me pergunto: por quê Deus, que é tão misericordioso, permite que tragédias como essa aconteçam?

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    • O mal permanece em qualquer sistema de pensamento e tambem nas religiões um misterio.
      Deus pode ser aquilo que não entendemos. E agir de um modo cujo sentido nos escapa.
      Com isso deslocamos o foco da questão: da razão para o mistério.A razão não consegue dar conta de todas as questões. É a sua e a nossa finitude. O que não podemos é estatuir a razão como critério único para julgar os fatos históricos. Ela não é tudo nem e explica tudo. E ainda há o arcional e o irracional.
      Sobre aquilo que não entendemos é melhor calar e esperar.

      lbof

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  39. Prezado Prof. Boff, há muito acompanho e admiro seu trabalho. Estranhei o seu texto sobre a morte/vida e o barco que navega. Lembrou-me do artigo ´divulgado pelo rabino Henry Sobel por ocasião da morte de Mário Covas, o que já me disseram ser obra atribuída a outra pessoa, que não lembro o nome. Com toda a licença poética, não seria bom citar o autor original que inspirou o seu texto? Abços fraternos.

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    • Liana,
      Há ideias que são universais. A mim me ocorreu a metafora da viagem de navio, pois é ilustrativa. Não lembro te-la lido em alguem. O autor não é importante, mas a mensagem.
      lboff

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  40. Gostaria de entender se essa visão acerca da recepção dos chamados ” mortos”. Como entender que a recepção de todos eles seria a mesma? Todos, enfim, nos ” braços de Deus-Pai-Mãe” , ainda que não tenham tido, durante essa viagem que é a jornada terrena, a mesma conduta, o mesmo modo de ser? Como aplicar a mesma visao, a mesma recepção a pessoas que certamente tiveram diferentes modos de ser e pensar? Se Deus é justo e, segundo o evangelho ” a cada um segundo suas obras” , sendo a morte outra viagem, a chegada de cada um deve ser diferente, pela lógica que nos socorre. Claro, não que nossa lógica seja a perfeita. Mas, dentro do texto, da teologia católica, como conceber Deus abraçando e concedendo, apos a morte, o mesmo prêmio?

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  41. Textos atravessam textos. O barco, metáfora da vida, na direção do cais é de todos nós. Leonardo, admiro a composição desta crônica. Surpreende-me que algumas pessoas estejam lendo textos com o objetivo de torná-los fraudulentos. Não criaremos nenhum pensamento novo em forma de linguagem, estamos sempre parafraseando linguagens na construção da nossa voz. Não são as referências que fundamentam a verve literária, são os traços, a inovação do nosso pensar, a autenticidade do que recriamos com nosso olhar. A sensibilidade do teu dedo/olhar alcança nosso coração. Parabéns, caro amigo.

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  42. Realmente tocante, belas palavras. A verdade nos parece óbvia, no entanto nossas concepções são muito pequenas para elencar a perfeição que é o mundo espiritual. Primeiro que aos homens, em matéria, nos é estirpado o sentido, pelo fator imperfeição, mas em troca Deus que detém da lei do adverso natural, nos dar o dom de sonhar. O importante é servir e aguardar o nosso tempo. Com tanta confusão de fé na terra, nos só acertamos uma única verdade: Amar a Deus. Como no espiritismo, no ocultismo, catolicismo, e nas diversas religiões, Deus nos mostra que não importa o caminho porque todos seram salvos.

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  43. Bela “oração “…..Chegou até nós, paróquia de Tentúgal (Portugal), pelas mãos do padre Élcio, num momento de dor, em que vimos partir um grande amigo, na flor da idade.Nossos olhos choravam, mas de certo nossos corações acreditam, que ele está no bom caminho, chegando ao bom porto,esperando que um dia ao fazermos também a nossa travessia,nos reencontramos outra vez….Até um dia amigo

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