The Mysterious Destiny of Each One

Each of us is as old as the universe, 13.7 billion years. We were all there in that tiny point, smaller than the head of a pin, but full of energy and matter. The big bang created the enormous red stars, containing all the physical-chemical elements that comprise the universe and and all beings that were created from them. We are the sons and daughters of the stars and cosmic dust. We are also the portion of the living Earth that has come to feel, think, love and venerate. Through us, the Earth and the Universe knows that it forms a large Whole. And we can develop awareness of that belonging.

What is our place in that Whole ? More immediately, in the process of evolution? On Mother Earth? In human history? We cannot know that yet. Perhaps it will be the great revelation when we make the alchemc pass from this side of life to the other. There, I hope, all will be clear and we will be surprised because everything is interrelated, forming the immense chain of beings and the fabric of life. We will fall, that I believe, into the arms of God-Father-and-Mother of infinite mercy for whomever needs it, due to wickedness, and in a eternal loving embrace for those whose lives were guided by good and love. After passing through the clinic of God-mercy, the others will also come.

As an infant of a few months, I was condemned to die. M y mother remembers, and my aunts would always repeat, that I had “ el macaquiño ”, the popular name for profound anemia. Whatever I took in, I would vomit. Everyone said, in the véneto dialect: “poareto, va morir” : “poor little child, he will die” .

Desperate and in secret from my father, who did not believe in such things, my mother went to the prayer woman , to the old Campañola . She prayed, and told to my mother: “give the child a bath with these herbs and after baking bread in the oven, wait until it is lukewarm and put your little child inside” . That is what Regina, my mother, did. She scooped out the freshly baked bread and put me inside. And she left me there for a good while.

A transformation occurred. When I was taken out, as they say, I began to cry and seek my mother’s breast and to suckle my mother’s milk. Afterwards, my mother would chew some stronger foods and she would give that to me. I began to eat and become stronger. I survived. And here I am, officially an 80 year old man.

I went through several close calls that could have cost me my life: a DC-10 plane in flames on way to New York; a car accident with a dead horse on the highway that left me totally broken; a huge nail that fell in front of me when I was studying in Munich, that could have killed me if it had fallen on my head. I fell into a deep snow covered ravine in the Alps and some Bavarian peasants, seeing my dark habit and that I was falling deeper and deeper, pulled me out with a rope. And there were others.

Norberto Bobbio gave me the title honorary doctor of politics from the University of Turin. He understood that the theology of liberation had made an important contribution by affirming the historic strength of the poor. The classic helpfulness or mere solidarity, keeping the poor always dependent, is insufficient, it is not enough. The poor can be the subjects of their own liberation when they are made aware ( concientizados) and organized. We overcame the ” for the poor.” We insist on walking ” with the poor,” they being the protagonists. And those who can and have that charisma, live as the poor. Many did, such as Dom Pedro Casaldaliga.

II remember that I began my words of gratitude for the degree I received from that noble figure, Norberto Bobbio, with: “I come from carved stone, from the bottom of history, when we barely had the means to survive. My Italian ancestors and my family made a clearing in an uninhabited region covered with pine groves, in Concordia, on the edge of Santa Catarina. They had to struggle to survive. Many died for lack of medical care. Later on I rose on the ladder of evolution: the 11 brothers studied, went to the university, and I was able to complete my studies in Germany. And now I am here in this famous University ”. At Bobbio’s request, I did a study of the purposes of Theology of Liberation, that has at the core the preferential option for the poor, against poverty and in favor of social justice. I have given many lectures all over the world, I have written a lot, wiped away tears and kept strong the hope of militants who were frustrated by the course of events in our country.

What will my destiny be? I do not know. I took as my motto that of my father, who lived it: “who does not live to serve, does not have a life worth living” . God has the last word.

Leonardo Boff Eco-Theologian-Philosopher Earthcharter Commission

 

 

Situação numérica da Igreja Católico-romana e o Papa Francisco: F.Altmeyer

O Prof. brilhante e culto teólogo da PUC de São Paulo Fernando Algmeyer é um apaixonado por números exatos de santos e santas, de eventos eclesiais e ecumênicos. Agora nos apresenta algo que muitos,mesmo sacerdotes, religiosos e religiosas e até teólogos/as desconhecem. Como vai a Igreja Católica-romana em termos de números? Qual foi a imensa obra do Papa Francisco nestes seus 6 anos de pontificado? Sobresai  o imenso trabalho que esta Igreja com seus mais de um bilhão de católicos faz: no acompanhamento dos pobres, no ensino em todos os níveis e nas inúmeras universidades, nos hospitais e asilos para idosos e na proteção de desvalidos. Não obstante seus defeitos da humana condição e também da infidelidade de alguns aos  valores evangélicos  como são os casos dos escândalos financeiros e dos pedófilos, ela representa uma torrente de bondade e de amor humanitário, herança sagrada de Jesus de Nazaré e de tantos santos e santas como  São Francisco de Assis, São João Bosco, Santa Clara de Assis, Santa Teresa d’Avila e e da Santa Madre Teresa de Calcutá entre outros tantos e tantas. Os dados arrolados são impressionanes. É bom que membros desta Igreja, de outras e mesmo de cidadãos da sociedade saibam da real situação da Igreja e o que ela repreenta no mundo, não só no Ocidente, mas na humanidade inteira. Agradecemos ao teólogo Altemeyer por este penoso e ilustrativo trabalho. Lboff

Sexênio do papa Francisco – números atualizados pelo Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior – Departamento de Ciência da Religião da PUC-SP – atualizado: 03/02/2019

(fonte principal: www.vatican.va).

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Em 19 de março de 2019 celebra-se seis anos do papa Francisco como bispo de Roma. Seu foco articulador continua sendo cuidar pessoalmente dos migrantes e refugiados, fazendo a sua voz profética ecoar em favor das periferias do planeta. Palavras de ordem: misericórdia, missão, alegria, reforma franciscana, colegialidade e diálogo. A motivação primeira é a missão, o cuidado pastoral dos empobrecidos e não mais o clericalismo doentio e narcisista. Diz ele que é a hora histórica da Igreja em saída, seguindo as intuições expressas pelo Concílio Vaticano II. Começa a delinear um novo rosto episcopal em todo o mundo. Bispos atentos aos pobres, atuando na pastoral, movidos pela compaixão.

 

Circunscrições católicas no mundo todo: 12 patriarcados, 640 arquidioceses, 2.121 dioceses, 44 prelazias territoriais, 11 abadias nullius, 42 exarcados dos ritos orientais, 36 ordinariatos militares, 88 vicariatos apostólicos, 39 prefeituras apostólicas, oito administrações apostólicas, oito missões independentes–sui iuris, três ordinariatos pessoais, uma administração de rito extraordinário latino e uma rede de 132.642 centros missionários e 221.740 paróquias.

 

Entidades filantrópicas e de ensino da Igreja Católica no planeta: 72.800 creches frequentadas por 7.300.000 crianças; 96.600 escolas de ensino fundamental para 35.100.000 alunos; 47.900 escolas de ensino médio para 20.000.000 alunos e 2.381.337 alunos do ensino superior; e 3.103.072 estudantes participantes das Universidades Católicas. Ainda 5.167 hospitais católicos, 15.699 casas para pessoas idosas, 10.124 orfanatos, 11.596 enfermarias, 14.744 consultórios de orientação familiar e 115.352 institutos beneficentes e assistenciais.

 

Número de fieis congregados pela Igreja Católica em seus diferentes ritos latinos e orientais: São 1,3 bilhão de batizados, com a ação ministerial de 3.170.643 catequistas, 362.488 missionários leigos, são 54.229 os irmãos religiosos e 668.729 religiosas com votos perpétuos de vida consagrada. O clero católico é composto de 5.486 bispos (em 03/02/2019), 415.656 presbíteros sendo 281.514 diocesanos e 134.142 do clero religioso, 45.000 diáconos casados permanentes e há 116.843 seminaristas maiores.

 

Programa reformador: O Papa Francisco, Jorge Mario Bergoglio afirmou em sua carta-programa: “Exige-se a toda a Igreja uma conversão missionária: é preciso não se contentar com um anúncio puramente teórico e desligado dos problemas reais das pessoas (AL 201)”. Ele quer uma ação permanente de saída: “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação (EG 27)”.

 

Inscrições no Martiriologium Romanum: Papa Francisco reconheceu publicamente 886 santos (até 03/02/2019) inscrevendo-os no cânon do Martyriologium Romanum e ainda 1.165 beatos (até 03/02/2019). O Papa João Paulo II havia incluído na lista canônica 482 santos e 1.341 beatos. O papa Bento XVI inscrevera no cânon: 45 santos e 371 beatos. Francisco acaba de canonizar ao papa Paulo VI e o bispo mártir salvadorenho dom Oscar Romero em outubro de 2018. Certamente fará as canonizações dos mártires da América Latina, África e Ásia perseguidos nas cinco últimas décadas do século XX. Em 2019 está programada a canonização do bispo argentino dom Enrique Angel Angelelli, assassinado pela ditadura em 1977. O Brasil espera as canonizações de irmã Dulce dos Pobres, dom Helder Pessoa Câmara, irmã Adelaide Molinari, operário Santo Dias da Silva, padre Josimo Moraes Tavares, irmão jesuíta Vicente Cañas, padre Ezequiel Ramin, irmã Creusa Carolina Rody Coelho, padre salesiano Rodolfo Lunkenbein e o índio Lorenzo Simão Bororo; dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, indígena Sepé Tiarajú, Dorcelina de Oliveira Folador; Eugenio Lyra Silva; Expedito Ribeiro de Souza; Franz de Castro Holwarth; frei Tito de Alencar Lima, dominicano; indígena pataxó Galdino Jesus dos Santos; Irmã Dorothy Mae Stang; indígena kaigang Marçal de Souza Tupã-i; a sindicalista Margarida Maria Alves; irma Maria Filomena Lopes Filha; padre Antonio Henrique Pereira Neto; padre francês Gabriel Felix Maire; o jesuíta João Bosco Penido Burnier; padre Leo Comissari; padre Manuel Campo Ruiz; leiga Roseli Correa da Silva; líder sindical Sebastião Rosa Paz; catequista Vilmar José de Castro, entre tantas testemunhas do Cristo Ressuscitado.

(fonte: http://www.causesanti.va/content/causadeisanti/it.html )

 

Vinte e duas viagens internas na Itália: Lampedusa em 08/07/2013; Cagliari em 22/09/2013; Assis em 04/10/2013; Campobasso e Isernia em 05/07/2014; Caserta em 26/07/2014; Cassiano all´Ionio em 21/06/2014, Redipuglia em 13/09/2014, Prato e Firenze em 10/11/2015, Turim, 21 e 22/06/2015, Pompeia e Nápoles em 21/03/2015, duas vezes em Assis em 04/08/2016 e 20/09/2016, Milão 25/3/2017, Carpi 02/04/2017, Genova 27/5/2017, Bozzolo e Barbiana 20/06/2017; Cesena e Bolonha 01/10/2017; Pietrelcina, diocese de Benevento, e San Giovanni Rotondo, diocese de Manfredonia-Vieste-San Giovanni Rotondo, para celebrar os 50 anos da morte de São Pío de Pietrelcina, em 17/03/2018; em 20/04/2018, região de Puglia, nas cidades de Alessano-Lecce, na diocese de Santa Maria de Leuca, e Molfetta, para celebrar os 25 anos da morte de Dom Tonino Bello; Nomaldelfia, na Toscana em 10/05/2018, para encontrar a comunidade fundada por padre Zeno Saltini; e em seguida Loppiano (Florença) na cidade internacional do Movimento dos Focolares; Bari, 07/07/2018 e enfim, diocese de Piazza Armerina e Palermo para celebrar o 25° Aniversário de Morte do Beato Pino Puglisi, em 15/09/2018.

 

Viagens internacionais de Francisco: Completam-se 27 viagens internacionais que o conduziram a 36 países: Brasil (22 a 29/07/2013), Jerusalém (24 a 26/05/2014), Coreia do Sul (13 a 18/08/2014), Albânia (21/09/2014), França (Estrasburgo, Parlamento Europeu, em 25/11/2014), Turquia (28 a 30/11/2014), Sri Lanka e Filipinas (12 a 19/01/2015), Bósnia-Herzegovina (Sarajevo em 06/06/2015), Equador, Bolívia e Paraguai (05 a 13/07/2015), Cuba e Estados Unidos e sede da ONU (19 a 28/09/2015), Quênia, Uganda e República Centro Africana (25 a 30/11/2015), México (12 a 18/02/2016), Lesbos, na Grécia em 16/04/2016, Armênia em 24-26/06/2016, Polônia, durante a JMJ de 27 a 31/07/2016, Geórgia e Azerbaijão de 30/09 a 2/10/2016, Suécia de 31/10 a 01/11/2016, Egito, 28-29 abril de 2017, Fátima, em Portugal, 12-13 de maio de 2017, Colômbia, 06 a 11 de setembro de 2017; Bangladesh e Myanmar, 27 de novembro a dois de dezembro de 2017; Chile e Peru, 15 a 21/01/2018; Conselho Mundial de Igrejas em Genebra, em 21 de junho de 2018; Irlanda, ao Encontro Mundial das Famílias, 25 a 26 de agosto de 2018; Lituânia, Estônia e Letônia, 22 a 25/09/2018; Panamá de 23 a 28 de janeiro de 2019 para a XXXIV Jornada Mundial da Juventude; Emirados Árabes Unidos, 3 a 5 de fevereiro de 2018. Planejadas visitas ao Marrocos 30 e 31 de março de 2019; Bulgária e Macedônia, 5 a 7 de maio de 2019; Romênia 31/05 a 02/06/2019; Japão em novembro de 2019. Estão pendentes visitas para Madagascar, Coreia do Norte, Sudão do Sul, Argentina, Uruguai, Índia, Beijing (China) e Moscou (Rússia).

 

Discursos e textos importantes: O papa Francisco até 03/02/2019 pronunciou 1.171 discursos, 300 homilias. Escreveu duas exortações apostólicas pós-sinodais: Evangelium Gaudium (A Alegria do Evangelho) publicada em 24/11/2013 e Amoris Laetitia (A alegria do amor) em 08/04/2016. Publicou também a exortação apostólica Gaudete et Exultate, sobre a santidade em 19/03/2018. Enviou 35 constituições apostólicas, 190 cartas, uma bula, 32 cartas apostólicas, 258 mensagens, 34 motu próprios. Acolheu milhares de peregrinos em 258 audiências gerais, presidiu 518 celebrações na Casa Santa Marta com as meditações cotidianas publicadas, doze bençãos Urbi et Orbi e rezou 317 Angelus, da janela do Vaticano. Proclamou e fez acontecer um Ano da Misericórdia em 2016. Escreveu duas encíclicas: Lumen Fidei, de 29/06/2013, e Laudato Si’: o cuidado da Casa Comum, publicada em 15/06/2015. Presidiu três sínodos da Igreja universal e tem programado para outubro de 2019, o sínodo extraordinário da Pan-Amazônia, no Vaticano.

 

Ecumenismo e diálogo inter-religioso: Francisco realizou gestos de grande amor ecumênico junto aos irmãos luteranos, na celebração dos 500 anos da Reforma. Também junto aos ortodoxos russos e ao patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, chamado por ele carinhosamente de “meu irmão André”, recordando que ele exerce a função de Pedro, em Roma. Manteve encontros frequentes com o primaz da Igreja Anglicana, Justin Welby. O papa Francisco propôs três chaves para avançar no caminho comum dos cristãos e aprofundar o ecumenismo: oração, testemunho e missão. Houve encontros fecundos com os irmãos menonitas, os pentecostais, os metodistas, os batistas, os reformados. Particularmente fecundo foi o encontro realizado no Vaticano com a atual moderadora do Comitê central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Agnes Abuom, e o secretário geral do mesmo organismo ecumênico, Rev. Olav Fykse, na manhã de 24/08/2017 em que fez uma oração comum pela unidade, pela paz e reconciliação das igrejas e dos povos. As pontes junto aos judeus, islâmicos, hindus e budistas têm sido edificadas com esmero e sabedoria. Francisco sabe que não haverá paz mundial sem paz entre as religiões. Visita como peregrino ao CMI celebrou os 70 anos da entidade ecumênica mundial. Importante encontro inter-religioso em Abu Dhabi, com os irmãos muçulmanos em 2019.

 

Medidas internas na Cúria: Alterou inúmeros procedimentos ligados à questão da pedofilia; alterou funções de muitos dos serviços da Cúria Romana; limitou o número de títulos honoríficos na instituição católica; criou a comissão de controle do Instituto para as Obras de Religião (IOR); nomeou 59 novos cardeais eleitores; publicou quatro estatutos alterando o formato dos secretariados romanos. Em função de sua firme decisão de reformar a Igreja tem sofrido pressão imensa dos quadros eclesiásticos da Cúria e de alguns episcopados que lhe oferecem resistência e em alguns casos até oposição, entre eles cardeais e alguns poucos bispos dos Estados Unidos da América, na Polônia, Espanha, um cardeal da China, bispos do Cazaquistão e a parcela dos bispos integristas em muitos países. O gesto mais significativo se concentrou na política de tolerância zero com os presbíteros e religiosos acusados de pedofilia em todo o planeta, em especial, nos Estados Unidos, Europa e Austrália. Caso recente de acobertamento de um pedófilo por bispo chileno resultou no pedido de demissão coletivo de todo o episcopado na ativa (34 bispos).

 

Medidas futuras: Em fevereiro encontro inédito de todos os 117 presidentes das Conferencias Episcopais de todo o mundo, chefes dos dicastérios romanos, chefes das Igrejas de ritos Orientais, Secretária de Estado, alguns Superiores religiosos/as nos dias 21 a 24 de fevereiro de 2019 no Vaticano, para tratar de pedofilia no clero católico e seu enfrentamento como tolerância zero. Em outubro de 2019 o Sínodo Extraordinário para a Amazônia, em Roma. Espera-se ainda uma encíclica social sobre o tema dos refugiados e imigrantes. A Reforma da estrutura burocrática da Cúria Romana desenhada pelo grupo de trabalho de cardeais. Provável aprovação das mulheres diaconisas e também da revisão do código canônico para aprovar homens casados ao ministério presbiteral na igreja católica de rito latino, já que em ritos orientais isso já existe há séculos.

 

Papa Francisco e o novo rosto do Episcopado Brasileiro: Em 03/02/2019 dos atuais 480 bispos no Brasil, contamos 309 na ativa e 171 eméritos. Por indicação papal temos a seguinte composição: dois bispos nomeados pelo papa São João 23, ambos eméritos (D. Serafim Fernandes de Araújo e dom José Mauro Alarcón); 36 nomeados bispos durante o governo do santo papa Paulo VI (todos eméritos); 223 nomeados pelo santo papa João Paulo II (125 eméritos); 124 nomeados pelo papa Bento XVI (oito eméritos); e 95 bispos nomeados de 19/03/2013 até 15/01/2019 pelo papa Francisco (todos na ativa). Em 03/02/2019 há quatorze dioceses brasileiras vacantes. Quatro bispos já completaram 75 anos e tornar-se-ão eméritos. Em 2019 oito bispos se aposentarão. Somando as dioceses vacantes (14), os quase eméritos (4) e os que vão aposentar-se em 2019 (8), teremos a nomeação em breve de 26 novos bispos para o Brasil. O perfil em 2020 seria este: 121 bispos nomeados por Francisco sobre 309 bispos atuantes, ou seja, 39% do episcopado. Já poderemos ver esse novo rosto na eleição em abril dos novos cargos na CNBB, especialmente presidente, vice e secretário geral. Um horizonte de esperanças está descortinando.

 

Francisco e a composição do colégio de cardeais em 03/02/2019: Os atuais cardeais eleitores são 123 bispos católicos de 65 países. Os cardeais não eleitores são 100 com mais de oitenta anos. Há um total de 223 cardeais vivos provindos de 88 países. O cardeal norte-americano McCarrick foi excluído do Colégio de cardeais.

Segundo a indicação dos diferentes papas quando da elevação ao cardinalato temos a atual composição no colégio de cardeais:

Beato Papa Paulo VI – não há mais nenhum cardeal vivo (o papa emérito Bento XVI foi criado cardeal pelo beato papa Paulo VI).

Papa São João Paulo II18 eleitores + 57 não eleitores = 75 cardeais vivos.

Papa emérito Bento XVI47 eleitores + 28 não eleitores = 75 cardeais vivos.

Papa Francisco58 eleitores + 15 não eleitores = 73 cardeais vivos.

Do total de 223 cardeais vivos temos 38 advindos de ordens religiosas e congregações (24 eleitores e 14 não eleitores). Há 14 cardeais bispos sendo seis eleitores, 174 cardeais presbíteros sendo 97 eleitores e, 35 cardeais diáconos sendo 20 eleitores. Total de 123 eleitores + 100 não eleitores = 223 cardeais vivos.

Cardeais eleitores da Europa são 52; das Américas são 34; da África são 16; da Ásia são 17; e da Oceania são 4.

Resumo:

18 cardeais eleitores criados por São João Paulo II;

47 eleitores criados por Bento XVI;

58 eleitores criados por Francisco.

Em 2019 completam 80 anos, nove cardeais (que não mais participarão de conclaves para escolha do bispo de Roma). Portanto, até junho de 2019 poderíamos ter um novo consistório com a nomeação de ao menos seis novos purpurados (para atingir 120 membros).

Resumo do sexênio de Francisco: Os seis anos do pontificado de Francisco são a fonte de oxigênio para os cristãos, aberto aos demais crentes e mesmo uma ponte feliz de diálogo com os ateus que buscam a verdade e a justiça. Francisco não veio repetir fórmulas. Quer o novo, como pastor de esperanças e alegrias, especialmente fala aos jovens, migrantes e refugiados e tem um compromisso junto ao planeta Terra, pedindo “cuidado para com a Casa Comum”

 

¿Qué quedó después de no quedar nada?

Muchos en nuestro país vivimos una situación de luto. Se impone el luto cuando sufrimos pérdidas: muchos muertos y cientos de desaparecidos por la rotura de la presa de la Vale que destruyó criminalmente la ciudad de Brumadinho. La pérdida de la persona amada, del empleo que garantiza la familia, la emigración forzada a causa de amenazas de muerte. El luto es mayor cuando alcanza bienes fundamentales de un país: la pérdida de la democracia, de los derechos laborales garantizados hace muchos años, la disminución de las pensiones de los ancianos, los recortes de las políticas públicas para pobres y miserables, la privatización de los commons, bienes fundamentales para la soberanía del país.

Pero el gran luto es tener que aceptar a un presidente que ha reforzado la cultura del odio, que desconoce las cuestiones nacionales, que nos ha avergonzado en Davos, donde los dueños del dinero del mundo se reúnen para garantizar sus intereses. Su discurso, que podría haber sido de 45 minutos, duró escasos seis, pues eso era todo lo poco que tenía que decir. Canceló las entrevistas para ocultar su ignorancia y las acusaciones graves que pesan sobre un miembro de su familia.

Es un gran desafío para todos elaborar las pérdidas y alimentar la resiliencia, que significa saber dar la vuelta por encima y aprender de la situación de luto.
Son varios los pasos a dar en este camino.

El primer paso es la indignación que se expresa mediante la sorpresa: es criminal la ruptura de la presa de la Vale. ¿El país merecía tal gobierno? Descubrimos que la vida comporta tragedias que hacen sufrir especialmente a los pobres. Y no raramente nos culpamos por no haber tenido cuidado y haberlas percibido antes.

El segundo paso es el rechazo sufrido: ¿cómo fue posible llegar a este punto con la Vale? ¿Elegir a un presidente con muy pocas luces y con algunas características propias del fascismo? ¿Dónde nos equivocamos? Inicialmente tendemos a rechazar el hecho. Pero él está ahí, grosero y tosco.

El tercer paso es la depresión psicológica asociada a la recesión económica. Hemos llegado al fondo del pozo. La economía es para el mercado que se beneficia de la crisis mientras lanza a millones de personas a la pobreza. Estamos poseídos por un vacío existencial y desinterés por las cosas de la vida. ¿Quién consolará a los familiares de las víctimas de Brumadinho? ¿Quién les reforzará la esperanza de que las promesas de reconstrucción van a ser cumplidas?

El cuarto paso es el autofortalecimiento. Hacemos una especie de negociación con la frustración y la depresión. Estas cosas siniestras pertenecen a la vida con sus contradicciones. No nos podemos hundir ni perder nuestros proyectos y sueños. Necesitamos volver a levantar las casas de Brumadinho. Vale, empresa privada que piensa más en las ganancias que en las personas, tiene que sacar duras lecciones para evitar nuevos crímenes ambientales. El luto debe generar presiones por parte del pueblo y nuevas iniciativas. Podemos salir más fuertes del luto.

El quinto paso es la aceptación dolorosa del hecho ineludible. El luto debe pasar de delante de los ojos a detrás de la cabeza, a pesar de las imágenes imborrables del crimen. Nadie sale del luto como entró. Madura a duras penas y experimenta que, en el caso del nuevo gobierno brasileño de derechas, no toda la pérdida es total: trae siempre una ganancia social y política.

Todo luto requiere una travesía paciente. Parece que nuestras estrellas guía se han apagado, pero el cielo continúa iluminando nuestras noches oscuras. Las nubes pueden tapar al Cristo Redentor del Corcovado, pero él sigue allí. Incluso sin verlo, creemos en su presencia. Bolsonaro también pasará. Cristo, no. Enjugará las lágrimas de los familiares que sufren.

Con respecto a nuestra situación política, hay que reconocer que nuestro árbol fue mutilado: cortaron la copa, arrancaron las hojas, destruyeron las flores y los frutos, abatieron su tronco y arrancaron las raíces. ¿Qué quedó después de no quedar nada? Quedó lo esencial que el luto inducido no puede destruir: quedó la semilla. En ella están en potencia las raíces, el tronco, las hojas, las flores, los frutos y la copa frondosa.
Todo puede volver a comenzar. Recomenzaremos más seguros por más experimentados, más experimentados por más sufridos, más sufridos por más dispuestos para un nuevo sueño.

El luto pasará. Será tiempo de rehacer un Brasil más cordial, solidario, justo y hospitalario.

Leonardo Boff es teólogo, filósofo y ha escrito Brasil: ¿concluir a refundación o prolongar la dependencia? Vozes 2018.

Traducción de Mª José Gavito Milano

 

La discriminazione degli afrodiscendenti continua

Una conseguenza della campagna elettorale del 2018 antidemocratica e segnata da un incalcolabile numero di fake news, è stata un rafforzamento di un razzismo già esistente: contro gl’indigeni, contro gli abitanti dei quilombos e particolarmente contro negri e negre. Secondo l’ultimo censimento, 55,4 % dei cittadini brasiliani si sono dichiarati o pardos o neri. Cioè, dopo il Kenia siamo la maggior nazione nera del mondo. La maggioranza ha nel suo sangue l’eredità africana. D’altra parte, bianchi, neri e gialli e di altri colori siamo africani, perché è stato in Africa che milioni di anni fa ha fatto irruzione il processo di antropogenesi.

Siccome la nostra storia è stata scritta da mani bianche, molti storici hanno tentato di annacquare la storia della schiavitù. Il fatto è che la schiavitù ha disumanizzato tutti, padroni e schiavi. L’uno e l’altro hanno vissuto la schiavitù in una permanente sindrome di paura, di rivolta, di avvelenamenti, di assassinii di padroni, di figli, di aggressione alle loro donne. I signori per poter contenere e usare la violenza contro i neri dovettero reprimere il loro senso di umanità e di compassione. Per questo, fino ad oggi le classi dominanti, eredi dell’ordine dettato dalla schiavitù, sono intrise dal preconcetto che i neri, e i mulatti devono essere trattati con violenza e durezza. Sono considerati pigri, mentre, in realtà, sono stati loro a costruire le nostre chiese e gli edifici coloniali.

Gli schiavi erano quasi sempre più numerosi dei bianchi. A Salvador e nella Capitania del Sergipe, intorno agli anni 1824, si contavano 666 mila schiavi e 192 mila bianchi liberi (Clovis Moura, sociologia del nero 1988, p.232). Nel 1818 in tutto il Brasile, 50,6 % della popolazione era di neri schiavi (Beozzo, chiesa e schiavitù, 1980, p. 259). E attualmente, come abbiamo riferito sopra sono 55,4 % della popolazione.

La schiavitù ha disumanizzato i negri molto più che gli altri. Darcy Ribeiro nel suo straordinario Il Popolo Brasiliano (1995) riassume bene la condizione di schiavitù:

Senza amore di nessuno, senza famiglia, senza sesso per non contare la masturbazione, senza nessuna identificazione possibile con nessuno –il loro capataz poteva essere un nero compagno di sventura, un nemico–, straccione e sudicio, schifoso e puzzolente, rognoso o malato, senza poter ricavare piacere o orgoglio dal proprio corpo. Vivevano una loro routine: che consisteva nel patire tutti i giorni il castigo quotidiano di scudisciate abbondanti perché imparassero a lavorare con attenzione e impegno.

Ogni settimana, c’era un castigo preventivo, pedagogico per non far loro pensare alla fuga e, quando richiamava l’attenzione sulla fuga piombava su di lui un castigo esemplare, nella forma di mutilazione di dita, di perforazione dei seni, di bruciature con tizzoni, di ritrovarsi tutti i denti spaccati metodicamente o di bastonate o a rimanere in piazza alla gogna; intorno alle 300 scudisciate in un colpo solo, per uccidere, o 50 scudisciate per sopravvivere. Se fuggiva e veniva preso poteva essere marcato con un ferro rovente, essere bruciato vivo, con tanti giorni di agonia, all’imbocco di una fornace oppure in una botta sola buttato dentro per bruciare come una torcia resinosa.” (p.119-120).

A causa di questo tipo di violenza, gli schiavi hanno interiorizzato il loro oppressore. Per sopravvivere, hanno dovuto accettare religione, costumi e lingua dei loro oppressori. Hanno sviluppato la strategia del “jeitinho” per non dire mai di no e al tempo stesso poter raggiungere un obiettivo che in altro modo mai avrebbero raggiunto.

Già da molto tempo è nata una robusta coscienza della negritudine con la determinazione di riscattare l’identità loro propria, le loro religioni e il loro modo di stare nel mondo. Si tratta di stabilire il soggetto della liberazione e negri e le nere, contrastando il loro inserimento forzato nella iniqua storia della barbarie bianca.

La storia raccontata da mano nera non è soltanto una storia contro il bianco; è una storia loro propria, che non si confonde con la storia degli schiavisti, anche se ad essa sta legata dialetticamente, e con essa sta facendo il suo libero corso.

L’abolizione degli schiavi del 1888 non significò l’abolizione della mentalità schiavista, presente nella cultura dominante che continua a mantenere centinaia di lavoratori con una relazione analoga a quella degli schiavi. Nel gennaio del 2019, c’erano 204 imprenditori colpevoli di questo crimine. Basta leggere la recente opera distribuita nel 2019 “Studi sopra la forma contemporanea di lavoro schiavo” (Maud) con la collaborazione di 44 ricercatori che hanno coperto nel loro studio gran parte dell’area nazionale, organizzata dal noto socialista, insieme ad altri, Riccardo Rezende Figueira. L’impressione finale è spaventosa. Come ancora oggi persiste la perfida disumanità di esseri umani che schiavizzano altri esseri umani?

*Leonardo Boff è ricercatore e ha scritto Coscienza negra e processo di liberazione, in “A voz do arco-iris, Sextante ,Rio 2004,pp.88-106.

Traduzione di Romano Baraglia e Lidia Arato.