Outro paradigma: escutar a natureza

Agora que se aproximam grandes chuvas, inundações, temporais, furacões e deslizamentos de encostas temos que reaprender a escutar a natureza. Toda nossa cultura ocidental, de vertente grega, está assentada sobre o ver. Não é sem razão que a categoria central – idéia – (eidos em grego) significa visão. A tele-visão é sua expressão maior. Temos desenvolvido até os últimos limites a nossa visão. Penetramos com os telescópios de grande potência até a profundidade do universo para ver as galáxias mais distantes. Descemos às derradeiras partículas elementares e ao mistério íntimo da vida. O olhar é tudo para nós. Mas devemos tomar consciência de que esse é o modo de ser do homem ocidental e não de todos.

Outras culturas, como as próximas a nós, as andinas (dos quéchuas e aimaras e outras) se estruturam ao redor do escutar. Logicamente eles também veem. Mas sua singularidade é escutar as mensagens daquilo que veem. O camponês do antiplano da Bolívia me diz: “eu escuto a natureza, eu sei o que a montanha me diz”. Falando com um xamã, ele me testemunha: “eu escuto a Pachamama e sei o que ela está me comunicando”. Tudo fala: as estrelas, o sol, a lua, as montanhas soberbas, os lagos serenos, os vales profundos, as nuvens fugidias, as florestas, os pássaros e os animais. As pessoas aprendem a escutar atentamente estas vozes. Livros não são importantes para eles porque são mudos, ao passo que a natureza está cheia de vozes. E eles se especializaram de tal forma nesta escuta que sabem, ao ver as nuvens, ao escutar os ventos, ao observar as lhamas ou os movimentos das formigas o que vai ocorrer na natureza.

Isso me faz lembrar uma antiga tradição teológica elaborada por Santo Agostinho e sistematizada por São Boaventura na Idade Media: a revelação divina primeira é a voz da natureza, o verdadeiro livro falante de Deus. Pelo fato de termos perdido a capacidade de ouvir, Deus, por piedade, nos deu um segundo livro que é a Bíblia para que, escutando seus conteúdos, pudéssemos ouvir novamente o que a natureza nos diz.

Quando Francisco Pizarro em 1532 em Cajamarca, mediante uma cilada traiçoeira, aprisionou o chefe inca Atahualpa, ordenou ao frade dominicano Vicente Valverde que com seu intérprete Felipillo lhe lesse o requerimento,um texto em latim pelo qual deviam se deixar batizar e se submeter aos soberanos espanhóis, pois o Papa assim o dispusera. Caso contrário poderiam ser escravizados por desobediência. O inca lhe perguntou donde vinha esta autoridade. Valverde entregou-lhe o livro da Bíblia. Atahaualpa pegou-o e colocou ao ouvido. Como não tivesse escutado nada jogou a Bíblia ao chão. Foi o sinal para que Pizarro massacrasse toda a guarda real e aprisionasse o soberano inca. Como se vê, a escuta era tudo para Atahualpa. O livro da Bíblia não falava nada.

Para a cultura andina tudo se estrutura dentro de uma teia de relações vivas, carregadas de sentido e de mensagens. Percebem o fio que tudo penetra, unifica e dá significação. Nós ocidentais vemos as árvores mas não percebemos a floresta. As coisas estão isoladas umas das outras. São mudas. A fala é só nossa. Captamos as coisas fora do conjunto das relações. Por isso nossa linguagem é formal e fria. Nela temos elaborado nossas filosofias, teologias, doutrinas, ciências e dogmas. Mas esse é o nosso jeito de sentir o mundo. E não é de todos os povos.

Os andinos nos ajudam a relativizar nosso pretenso “universalismo”. Podemos expressar as mensagens por outras formas relacionais e includentes e não por aquelas objetivísticas e mudas a que estamos acostumados. Eles nos desafiam a escutar as mensagens que nos vem de todos os lados.

Nos dias atuais devemos escutar o que as nuvens negras, as florestas das encostas, os rios que rompem barreiras, as encostas abruptas, as rochas soltas nos advertem. As ciências na natureza nos ajudam nesta escuta. Mas não é o nosso hábito cultural captar as advertências daquilo que vemos. E então nossa surdez nos faz vitimas de desastres lastimáveis. Só dominamos a natureza, obedecendo-a, quer dizer, escutando o que ela nos quer ensinar. A surdez nos dará amargas lições.

Veja meu livro O Casamento do Céu com a Terra: mitos ecológicos indígenas, Moderna, São Paulo 2004.

45 comentários sobre “Outro paradigma: escutar a natureza

  1. Faço apenas uma pergunta: Qual é a lógica de Deus para se dispor “teologia”? Platologia, ou Constantinologia me parecem não só mais modestos, como mais apropriados.

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  2. Em sua expectação a Natureza chora… Mas, parece que ninguém, ou quase ninguém escuta… Lamentável. Até meio desesperante.
    Na Bíblia constam as palavras: “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.” (Romanos 8:19)
    Já li, porém, em versões mais antigas:
    “Porque a ardente expectação da Natureza aguarda a manifestação dos filhos de Deus.”
    Leonardo Boff, em “Outro paradigma: escutar a natureza”, mais uma vez, disponibilizando sabedoria…
    Parabéns!
    Vou procurar ainda hoje:
    O Casamento do Céu com a Terra: mitos ecológicos indígenas, Moderna, São Paulo 2004.

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  3. Lindo texto; o homem moderno se afastou dos ruidos da natureza à medida que se urbanizou e isso acontece hoje até com a China, que foi uma sociedade predominantemente rural por quatro mil anos. Os cientisas prescrutam hoje a natureza com seus aparelhos, microscópios, cromatógrafos, espectrógrafos e outros muitos ógrafos que, apesar de nos darem informações importantes, são informações frias, traduzidas em números que temos que interpretar e que nem sempre dizem tudo acerta do fenômeno natural. Já sabemos que até as plantas são sencientes, ou seja, têm um certo padrão de sensibilidade e que, portanto, devem ser incluidas no pensamento moral humano, um respeito à sua dignidade, assim como devemos fazê-lo com os animais, pois que todos somos seres vivos que evoluiram a partir de ancestrais comuns. Tudo isso nos fará respeitar mais a natureza e urge que ela seja cada vez mais respeitada, nos mares ou na terra, sob o risco de estarmos ameaçando nossa própria espécie.

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  4. Muito interessante essa diferenciação entre o ver e o escutar. Nossa civilização tem muito a aprender com os nossos irmãos andinos e todos os demais povos originários.

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  5. Belo texto, mas triste. Descreve o que fico a pensar dia após dia e que me causa angústia: o que o homem está fazendo com a natureza? Como não percebe, ao menos para seu próprio bem (já que no outro não pensa), que isso é ruim para todos?
    Escutar nunca foi capaz. E chegou a um ponto de apenas ver, pois se enxergasse já seria um avanço!

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    • É isso ai,se tivessemos a capacidade de ouvir a natureza como um todo,poderiamos nos considerar animais desenvolvidos,porem estamos muito longe dessa capacidade natural.
      OBSERVAR A NATUREZA É UM TREINO MAGUINÍFICO PARA SE DESENVOLVER A SABEDORIA……………

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  6. Adorei essa parte: “…a revelação divina primeira é a voz da natureza, o verdadeiro livro falante de Deus. ” Todo mundo sempre soube…mas ainda muitos precisam aprender a escutar a natureza, mas onde? Ainda continuam a se referir a ela como algo fora de nós…como se ela estivera fora de nós…Escutar a natureza significa se ouvir…escutá-la em si mesmo…em mim, em ti, em nós, e também no planeta…Vamos começar a nos assumir publicamente como natureza que somos?…

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  7. As Mãos e o Destino…

    O destino nas linhas das mãos ou as mãos moldando o destino?
    Nas mãos, todas as possibilidades…
    … As minhas, as suas, as nossas…

    Aquilo que está escrito está escrito?
    Determinismo…
    Passividade…
    Ou escrevemos nós a nossa história?
    Responsabilidade…
    Atitude…

    O que a vida escreve, escreve…
    Determina!
    Somos sujeitos dela, agentes da passiva…
    Escrevemos a partir daí…
    Voz ativa e reflexiva!

    Nascemos no planeta terra, somos a expressão desse planeta…
    Determinismo…
    O planeta terra não é a nossa casa…
    Não é uma nave que embarcamos…
    O planeta Terra somos nós!
    A vida nos sujeitou a isso…
    Ou entendemos ou nos exterminaremos…

    O destino nas linhas das mãos E as mãos moldando o destino.
    As minhas, as suas, as nossas…
    Todas as vozes estão em nós
    Sujeitos que estamos e somos…
    Voz passiva, ativa e reflexiva!

    Queria muito poder unir as minhas, as suas, as nossas.
    Por mim, por você, por nós, pelo planeta, pela vida!
    Responsabilidade, atitude, mas principalmente…
    Amor!

    Boas festas…Um 2012 juntos!!!!
    Vamos colocar as mãos na massa?!

    Leila Maria Augusta de Almeida.Ver mais

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  8. Muito lindo! Um dia, no Acre, perguntei para um xamã indígena como ele curava? Ele me disse: eu tomo o chá (awaska), e vou até a floresta e as plantas me dizem para ela servem. Um dia tomei o chá e também conversei com plantas, com a montanha, vi meus chacras se interpenetrando… a respiração da minha alma. Nesse instante consegui religar tudo… toda a química que havia estudado como farmacêutica, tudo fez sentido. Tudo estava conectado e a vida, tudo o que há está conectado. Mas foi preciso uma experiência, uma vivência muito forte para que isso fizesse sentido. Leonardo Boff, muito obrigada pela palavra, na nossa cultura é o que temos para espalhar, semear. Um forte abraço, Airam.

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  9. Muchas gracias, hermoso texto. Soy docente en una pequeña localidad de Argentina, especìficamente lengua y literatura en nivel medio. Vivo dìa a dìa luchando con el mito de que una imagen vale màs que mil palabras, sonidos, aromas. Quizàs el gran desafìo docente es habilitar poco a poco los demàs sentidos para percirbir con mayor plenitud. Muchas gracias Sr. Boff.

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  10. Que presente maravilhoso começar o dia com esse singelo convite: escutar a natureza.

    Tomarei a liberdade de compartilhar por aqui uma pequena história.

    Há alguns anos, proseando com um amigo geógrafo e estudioso dos rios urbanos, descobri que o desenvolvimento da cidade de São Paulo nos últimos cem anos encobriu, e continua encobrindo, uma rede fantástica de centenas de pequenos riachos e ribeirões que somam cerca de mil e quinhentos quilômetros distribuídos entre as bacias dos rios Tietê e Pinheiros. Alerto que ele se referia apenas à zona metropolitana de São Paulo! Descobri também pela mesma fonte, que não é fácil matar um rio. Podemos asfixiá-lo com despejo de esgotos, alterar seu curso natural fazendo suas águas correrem por galerias, aterrá-lo sob ruas e avenidas e assim eliminá-lo do nosso olhar e escutar. Qualquer cidadão paulistano, se indagado sobre onde estão os rios da cidade, responderá citando rios como Tamanduateí ou Aricanduva que ainda podem ser sentidos pela visão, pelo (mau) cheiro ou pelos danos físicos que causam quando transbordam arrastando carros e invadindo residências. Muitos paulistanos foram convencidos de que os rios da cidade são verdadeiros inimigos pois suas cheias trazem doenças, estragos e riscos ao bem estar da pessoas. E a população termina por agradecer ao poder público quando um novo córrego é soterrado… E os técnicos vão mais longe oferecendo os piscinões como uma grande solução para proteger a cidade dos perigosos rios.

    Como ser humano, cidadão, arquiteto e urbanista, fiquei chocado ao me dar conta que optamos consistentemente por ignorar a vida de centenas de pequenos riachos em nome do desenvolvimento imobiliário e da pressão por ruas e avenidas para escoar o tráfego cada vez mais intenso de automóveis. E onde estão esses riachos? Exatamente onde sempre estiveram há milhares de anos. E podem ser reconhecidos em muitos pontos da cidade, sob grades que denunciam o estado de confinamento de suas águas misturadas às águas de chuva e muitas vezes ao esgoto recebido de canalizações clandestinas. A experiência de re-encontrar nossos rios, um a um, de estabelecer uma conexão de empatia com a memória profunda de nossa cidade e compartilhar essa história com mais e mais pessoas tem sido uma de minhas paixões. Inspirado pelo mestre Luiz de Campos Jr, que me apresentou essa fascinante realidade, criamos juntos um movimento chamado Rios e Ruas que tem mobilizado paulistanos para perceber com todos os sentidos a presença destes rios por meio de oficinas, caminhadas e expedições urbanas. Em um desses encontros encontramos nossa nova parceira, Juliana Gatti, que de modo semelhante sensibiliza a percepção adormecida para a história, a diversidade e a natureza das Árvores Vivas da cidade. Nossa maior descoberta tem sido perceber que rios e árvores não existem para olhos cegos e ouvidos ensurdecidos pela correria na grande cidade. Parar por um instante para ver e ouvir nossos rios e arvores tem sido um caminho para escutar o que a natureza tem a nos ensinar.

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    • José Bueno,
      Excelente reflexão. Eu penso da mesma forma. Encontrei um historiador em SP que me mostrou todos os riachos e rios que cruzaram pela cidade, hoje quase desaparecidos. Mas eles não morrem. Revoltam-se com a enchentes.
      Veja o que ocorreu em janeiro em Petrópolis, no vale de Cuibá, cheio de mansões, pousadas e casas elegantes. O riozinho Santo Antonio, de não mais de 5 metros de largura, foi desviado para em seu leito construirem casas e pousadas. Veio o tsnumani, com uma onda de 6 metros de altura, de barro, pedras, troncos com a velocidade de cem km por hora. Arrasou tudo. Morreram dezenas e dezenas de pessoas.
      Depois o rio quase despareceu. Agora com as chuvas novas, ele reencontrou seu antigo leito e começou a correr. Os moradores que queriam reconstruir no mesmo lugar, foram alertados para respeitarem o rio, seu leito e a margem que ele precisa para dar passagem às águas das grandes chuvas…Mas muitos não aprendem. Dois caboclos que moram há anos na região,quando viram o tipo de nuvens com umas bolas brancas em baixo, alertaram: vai ter enchente….tirem tudo das casas. Ninguem deu ouvidos, porque eram caboclos e pobres.
      Mas eles tinham a verdadeira leitura das nuvens e souberam escutar a natureza.
      um abraço
      lb

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      • Querido mestre!
        Que grata surpresa ler sua resposta aos meus comentários.
        Fortaleceu ainda mais minha suspeita de que amar a Deus é escutar os sinais da natureza, assim como fazem os caboclos e os pobres que na sua simplicidade preservam a conexão com entes queridos como rios, montanhas, lagos, florestas, nuvens, bichos e todos os filhos de Pachamama.
        Um caloroso abraço
        José Bueno

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  11. Via Láctea

    “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
    Perdeste o senso”! E eu vos direi, no entanto,
    Que, para ouvi-las, muita vez desperto
    E abro as janelas, pálido de espanto…

    E conversamos toda a noite, enquanto
    A via láctea, como um pálio aberto,
    Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
    Inda as procuro pelo céu deserto.

    Direis agora! “Tresloucado amigo!
    Que conversas com elas? Que sentido
    Tem o que dizem, quando estão contigo?”

    E eu vos direi: “Amai para entendê-las:
    Pois só quem ama pode ter ouvido
    Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

    ( Poema de Olavo Bilac )

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  12. Sim, os melhores escoamentos para a água são as raízes que o homem levou… Lembra a música Borzeguim – “cadê a água…. deixa o índio vivo”…. Como sabemos, a água existe em 3 estados físicos e completa seu ciclo de alguma forma, seja enchente, etc…
    Creio que o respeito à natureza não tenha que ser algo filosófico, mas uma ação. Por que essa ação quer dizer coexistência – creio que seja a palavra máxima do amor. Mas creio tb que isso nasceu com a filosofia, pq alguém como Boff publica, precisamos ouvir, pq se ficarmos surdos nos dará uma lição amarga. Parabéns adorei!!! Sou bióloga e grande admiradora.

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  13. Se me permite, essa música reflete e adocica sua maravilhosa publicação. É colírio e lição aos olhos de um biólogo. É preciso escutar o mato, preservar a natureza, em nome de Deus, da nossa coexistência, referência máxima do amor.

    Como diria Edu Lobo e Chico Buarque: saiba que os poetas como os cegos podem ver na escuridão…

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    • Sandra,

      Escolhestes muito bem o compositor; ele é o Pelé de nossa música popular e quase todas as suas melhores músicas refletem a natureza: Borzeguim, É de manhã (ao lado), Chovendo na Roseira, Samba do Avião, Corcovado, Fotografia, Inutil Paisagem, Correnteza, Águas de Março, Dindi, (que muitos achavam que era uma mulher, mas não, era um local de seu sítio na mata atlântica da serra), e muitas outas. Ele adorava o Jardim Botânico do Rio e vivia lá. Assim como sua música, Tom era um homem natural e universal.

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  14. Oi, amigo.
    Dia desses em um programa na tv abc ( USA) uma senhora perguntou ao apresentador , que também é médico, o que ela poderia fazer com o problema de zumbido que a mesma sentia no ouvido, fato que lhe dificultava ouvir com clareza . Moradora de uma metrópole, Nova York como havia se apresentado , a senhora de idade não muito avançada escutou a seguinte resposta do apresentador: – você não pode fazer nada. Este “zumbido” no ouvido, era típico de moradores de grande cidades. Fiquei por demais intrigado com a resposta do “yank”. Ele um médico de renome, pensei, poderia sugerir a tal senhora que abandonasse a “big Apple” e buscasse a paz do campo, no silêncio para melhor escutar.
    Com esse seu texto, amigo Léo, entendo o porque de tal resposta do médico apresentador: “ele , sendo um homem da ciência e com a mentalidade do “sonho americano” já há muito não ouve a natureza, pois também sofre do tal “zumbido “.
    Jamais passa nas mentes aprisionadas a existência individualista, e materialistas, cujos pensamentos são direcionados pelos “donos do mundo” que existe um momento certo na vida para se recolher e questionar interiormente: Não seria tal ” zumbido” das metrópoles uma forma de aprisionar o homem, e permitir assim que fechem seus ouvidos à criação , à Deus, ou como gosto de chamar esse ser UNO – mãe natureza!
    Feliz daquele que medita no silêncio!
    Fiz esta experiência evolutiva Léo B, em meu blog que criei para manter-me conectado ao amigo existe um tópico: A Ilha, …tem tudo a ver com seu iluminado texto.
    Abraço
    LOUIS FRENER – SC -BraSil

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  15. Aprendi a respeitar a natureza não só através das orientações familiares mas também nos encontros comunitários que freqüentava, nas antigas CEBS (Comunidades Eclesiais de Base), onde pude ser alfabetizada também nesse sentido de preservação ambiental, social e humana. Penso que essa construção social desse ser humano mais cuidadoso com o planeta e com as pessoas a sua volta, pede realmente o desenvolvimento dessas potencialidades humanas do ouvir e do sentir a natureza e o ser, para a partir daí, desenvolvermos práticas que possam contribuir para atitudes mais conscientes diante da realidade existencial. Precisamos ouvir e sentir a natureza para estarmos mais ligados a Deus. E através dessa ligação poder irradiar nossa luz, através da dialética fundamental entre amor e ação, esse sentimento que nos move, entrelaça experiências e vivências e nos impulsiona para a construção de uma realidade existencial melhor, para que a partir de então, possamos desenvolver ações sociais, políticas, econômicas e religiosas mais voltadas para o desenvolvimento desse ser mais amoroso e cuidadoso consigo mesmo e com o nosso lindo planeta. Atuemos sempre… Beijos e fiquem com Deus!

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    • Sei se entendi, não, mas parece que compreendi. Aliás, intuí. Sua argumentação parece-me forte. Aliás, seu próprio nome é forte não é Teo dosia? Teo dose, é Dose de Deus?

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      • Obrigada Romero!o seu também é, o meu quer dizer presente de Deus, a ideia do texto é essa
        mesmo, repeito e cuidado, entre nós e para com o planeta. Beijos e fique com Deus!

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  16. Que coisa engraçada… Um homem publica um texto sobre ESCUTAR, onde diferencia ver de escutar… neste texto enfatiza a importância de ESCUTAR, então (aí vem a coisa engraçada para mim), MUITOS ESCUTARAM SOMENTE “LENDO”! É magia? kkkkkk
    Aqui eu deixo um texto também, tomara que ESCUTEM, não a mim, não alimento esta pretensão, pois acredito que cada qual escutará a si mesmo e NADA MAIS…

    Trata-se do que eu escutei dos quatro elementos… ao longo dos anos…

    “Escutar é ato de sabedoria, pois esta virtude leva aquele que escuta ao grau sagrado do coração daquele que fala, então, ambos se iluminam!” (Água, Terra, Fogo e Ar, abril de 2011 por Saulo Martins)

    Como eu interpretei estas palavras??

    Como está dito acima: Escutar é ato de sabedoria pode causar confusão a primeira vista, pois não nos faltam situações que apontam o contrário, onde o desentendimento predomina e a obscuridade prevalece na maioria das discussões humanas, não é mesmo? Então por que o sagrado teria dito isso? Vamos lá… Para melhor lhes dizer como eu compreendi esta mensagem xamânica faz-se necessário aprofundar o entendimento e a diferenciação dos significados das palavras ESCUTAR e OUVIR.
    Pois bem, eu passei a definir, por convenção própria, a palavra OUVIR como sendo a faculdade de captar os sons das palavras, procurar o seu significado no dicionário ou no conhecimento gramatical próprio para poder interpretar o que esta sendo dito. Ouvir, portanto, resume-se a entender o significado de determinadas palavras ditas por alguém e ter uma idéia daquilo que este alguém deseja dizer. OUVIR, visto por esse ângulo, é um processo intelectual sujeito a interpretações pessoais. No ato de ouvir, SE PENSA no que se está sendo dito, tiram-se as conclusões próprias. Ok, até aí fica esclarecido o que eu entendo por OUVIR, mas e ESCUTAR? Qual a diferença? Bem, a arte de Escutar requer a integração dos sentimentos com a imaginação para poder “viajar” na fala daquele que se expressa! A arte de ESCUTAR exige coragem de se permitir ser levado emocionalmente nas imagens/sensações/sentimentos daquilo que está sendo dito. ESCUTAR é a arte de “viajar” nas palavras do outro tendo como embarcação sagrada a imaginação, os sentimentos em profunda compaixão para com o ser que ora. Para se escutar não se pode interpretar nem se pensar, isto seria OUVIR. Para se ESCUTAR deve-se calar a mente e deixar-se levar pelo Coração, assim, esta virtude eleva aquele que escuta ao grau sagrado do coração daquele que fala, então, ambos se iluminam!

    Então eu desejo concluir este “comentário” dizendo…

    É muito agradável ouvir a Natureza! Senão pelo que ela diz, o que já é uma grande bênção, pelo menos pelo estado de espírito necessário para ouvi-La!

    Xamã Saulo Martins
    http://mensagensxamanicas.blogspot.com/2011/06/16-escutar-e-um-ato-sagrado.html

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  17. Mas que fenômeno maravilhoso Leornardo Boff, você somente ESCREVEU, mas foi ESCUTADO… Admiro que tenham escutado somente lendo, somente pela visão, não é mesmo? Que maravilha divina!

    Peço-lhes licença para expor algumas palavras que recebi durantes alguns diálogos com os quatro elementos sagrados ao longo de alguns anos. Não sei o que cada um “ESCUTARÁ” deste texto, mas acredito piamente que se escutarão!


    “Escutar é ato de sabedoria, pois esta virtude leva aquele que escuta ao grau sagrado do coração daquele que fala, então, ambos se iluminam!” (Água, Terra, Fogo e Ar, abril de 2011 por Saulo Martins)
    Reflexão que tive:
    Como está dito acima: “Escutar é ato de sabedoria” pode causar confusão a primeira vista, pois não nos faltam situações que apontam o contrário, onde o desentendimento predomina e a obscuridade prevalece na maioria das discussões humanas, não é mesmo? Então por que o sagrado teria dito isso?
    Vamos lá… Para melhor lhes dizer como eu compreendi esta mensagem xamânica faz-se necessário aprofundar o entendimento e a diferenciação dos significados das palavras ESCUTAR e OUVIR.
    Pois bem, eu passei a definir, por convenção própria, a palavra OUVIR como sendo a faculdade de captar os sons das palavras, procurar o seu significado no dicionário ou no conhecimento gramatical próprio para poder interpretar o que esta sendo dito. Ouvir, portanto, resume-se a entender o significado de determinadas palavras ditas por alguém e ter uma idéia daquilo que este alguém deseja dizer. OUVIR, visto por esse ângulo, é um processo intelectual sujeito a interpretações pessoais. No ato de ouvir, SE PENSA no que se está sendo dito, tiram-se as conclusões próprias. Ok, até aí fica esclarecido o que eu entendo por OUVIR. Mas, e ESCUTAR? Qual a diferença? Bem, a arte de Escutar requer a integração dos sentimentos com a imaginação para poder “viajar” na fala daquele que se expressa, daquele que se manifesta ou simplesmente existe! A arte de ESCUTAR exige coragem de se permitir ser levado emocionalmente, como num voo d’alma em campos poucos vividos, nas imagens/sensações/sentimentos daquilo que está sendo dito, irradiado ou manifestado pelo ser contactado. ESCUTAR é a arte de “viajar” no campo espiritual, energético, hálito essencial, ou simples palavras do outro tendo como embarcação sagrada a imaginação, os sentimentos em profunda compaixão para com o ser que ORA. Para se escutar não se pode interpretar nem se pensar, isto seria OUVIR. Para se ESCUTAR deve-se calar a mente AMAVELMENTE, convidando-a a adormecer-se no colo do SILÊNCIO e deixar-se levar pelo Coração, assim, esta virtude eleva aquele que escuta ao grau sagrado do coração daquele com quem se estabelece a comunicação divina. então, ambos se iluminam!

    ESCUTAR portanto é ato sagrado… ainda que a mensagem recebida não seja compreendida, pois para se escutar é preciso o ESTADO DE PAZ, o que por si só é a META SUPREMA! (A paz é um estado do espírito possível de ser vivido em todo lugar e tempo por todos aqueles que ousarem estar a sós consigo mesmo!” (Avô /Ar, 2003).

    Saulo Martins
    http://mensagensxamanicas.blogspot.com/2011/06/16-escutar-e-um-ato-sagrado.html

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  18. Um excelente aqui e agora para todos…com todos os sentidos e todo o nosso Self bem conectados, para não perdermos a sintonia com a vida…em especial um abraço fraterno ao querido Leonardo Boff … luz de todos nós…

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  19. Obrigado, meu sempre Irmão e Mestre Leonardo, pela sua fala profética, terapêutica, e conscientizadora! Com você aprendi a andar com reverência na casa da Terra Mãe e a olhar todos os detalhes , todos os seres, todas as oferendas e todos os cuidados, todas as trocas de vbens e dons! Abraço grande! Feliz Ano Novo! Frei Vitório Mazzuco OFM

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  20. Tb desejo um bom 2012 para vc, sua família e para a nossa Mãe Terra. Fico muito feliz que tenha gostado. Eu sempre imagino uma música ou trecho de um filme em tudo que vivo. Obrigada.

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  21. Creio que possa ajudar aos estrangeiros. Acabei de ouvi-lo e achei tão gostoso imaginar o ciclo da água e da vida. Espero que gostem e que tenhamos um bom ano, mais conscientes e determinados com o amor a tudo que é da Mãe Terra – coexistindo com tudo e todos. Grata, S.

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  22. Esqueci de algo que considero pertinente: somos o único ser vivo que cria lixo para o Planeta. Creio que a consciência e a prática dessa ação seja o nosso dever para com a mãe Natureza – o cuidado que nos cabe. E isso é sem dúvida, um ato de amor e respeito a todos os seres vivos. E algo que precisa acontecer dentro da nossa vida diária, evitando o consumismo exagerado. Mais uma vez, muito obrigada.

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    • Não há dúvida, bem observado, somos o único que cria lixo, pois pagamos o preço por nossa inteligência e criatividade, mas precisamos agora aprender melhor a reciclagem, a sustentabilidade, estamos ainda aprendendo e acredito que chegaremos lá
      Os meios de comunicação, a internet, já estão ajudando bastante na criação dessa nova consciência que aos poucos, acredito, será universal. A população mundial ainda vai aumentar até determinado ponto gerando ainda mais lixo, porém, também vão aumentar os conhecimentos, as tecnologias, os meios de comunicação e a necessidade.

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    • Reparem na revoada de borboletas que surgem como que em resposta à música. Os músicos escutando a natureza, fazem sons, a natureza por sua vez escuta e responde. Causalidade circular… tudo está conectado e em interação permanente.

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    • Mariano,
      bela contribuição aos sons dos seres humanos com os sons da natureza. Conheci o Hermeto e senti que era um gênio, mais admirado lá fora que aqui.
      Esse quadro fecha bem o ano que está acabando.

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  23. “A pior preguiça é a preguiça de escutar… Ouvir já é diferente, podemos deixar de ouvir, mas escutar… Escutamos até dormindo! Quando deixamos de escutar ou ficamos surdos, ou morremos.” (eu)

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  24. Como diria a música: gente que entende, que fala a língua das plantas, dos bichos. Gente que sabe o caminho das águas, das terras, do céu”

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