A grande contradição brasileira

Mais e mais cresce a convicção, inclusive entre os economistas seja do stablisment seja da linha neokeynesiana, de que nos acercamos perigosamente dos limites físicos da Terra. Mesmo utilizando novas tecnologias, dificilmente poderemos levar avante o projeto do crescimento sem limites. A Terra não aguenta mais e somos forçados a trocar de rumo.

Economistas como Ladislau Dowbor entre nós, Ignace Sachs, Joan Alier, Herman Daly, Tim Jack e Peter Victor e bem antes Georgescu-Roegen incorporam organicamente o momento ecológico no processo produtivo. Especialmente o inglês T. Jack se celebrizou pelo livro “Prosperidade sem crescimento”(2009) e o canadense P. Victor pelo “Managing sem crescimento”(2008). Ambos mostraram que o aumento da dívida para financiar o consumo privado e público (é o caso atual nos paises ricos), exigindo mais energia e uso maior de bens e serviços naturais não é de modo algum sustentável.

Os Prêmios Nobel como P. Krugman e J. Stiglitz, porque não incluem explicitamente em suas análises os limites da Terra, caem na armadilha de propor como saída para a crise atual um maior gasto público no pressuposto de que este produzirá crescimento econômico e maior consumo com os quais se pagarão mais à frente as astronômicas dívidas privadas e públicas. Já dissemos à saciedade, que um planeta finito não suporta um projeto desta natureza que pressupõe a infinitude dos bens e serviços. Esse dado já é assegurado.

O que Jack e Victor propõem é uma “prosperidade sem crescimento”. Nos paises desenvolvidos o crescimento atingido já é suficiente para permitir o desabrochar das potencialidades humanas, nos limites possíveis do planeta. Então chega de crescimento. O que se pode pretender é a “prosperidade” que significa mais qualidade de vida, de educação, de saúde, de cultura ecológica, de espiritualidade etc. Essa solução é racional mas pode provocar grande desemprego, problema que eles resolvem mal, apelando para uma renda universal básica e uma diminuição de horas de trabalho. Não haverá nenhuma solução sem um prévio acerto de como vamos nos relacionar com a Terra, amigavelmente, e definir os padrões de consumo para que todos tenham o suficiente e o decente.

Para os países pobres e emergentes se inverte a equação. Precisa-se de “crescimento com prosperidade”. O crescimento é necessário para atender as demandas mínimas dos que estão na pobreza, na miséria e na exclusão social. É uma questão de justiça: assegurar a quantidade de bens e serviços indispensáveis. Mas simultaneamente deve-se visar a prosperidade que tem a ver com a qualidade do crescimento. Há o risco real de que sejam vítimas da lógica do sistema que incita a consumir mais e mais, especialmente bens supérfluos. Então acabam agravando os limites da Terra, coisa que se quer exatamente evitar. Estamos face a um angustiante círculo vicioso que não sabemos como faze-lo virtuoso sem prejudicar a sustentabilidade da Terra viva.

A contradição vivida pelo Brasil é esta: urge crescer para realizar o que o governo petista fez: garantir os mínimos para que milhões pudessem comer e, por políticas sociais, serem inseridos na sociedade. Para as classes já atendidas, precisa-se cobrar menos crescimento e mais prosperidade: melhorar a qualidade do bem viver, da educação, das relações sociais menos desiguais e mais solidariedade a partir dos últimos. Mas quem vai convecê-los se são violentamente cooptados pela propaganda que os incita ao consumo? Ocorre que até agora os governos apenas fizeram políticas distributivas: repartiram desigualmente os recursos públicos. Primeiro garantem-se 140 bilhões de reais para o sistema financeiro a fim de pagar a dívida pública, depois para os grandes projetos e somente cerca de 60 bilhões para as imensas maiorias que só agora estão ascendendo. Todos ganham mas de forma desigual. Tratar de forma desigual a iguais é grande injustiça. Nunca houve políticas redistributivas: tirar dos ricos (por meios legais) e repassar aos que mais precisam. Haveria equidade.

O mais grave é que com a obsessão do crescimento estamos minando a vitalidade da Terra. Precisamos de um crescimento mas com uma nova consciência ecológica que nos liberte da escravidão do prudutivismo e do consumismo. Esse é o grande desafio para enfrentar a incômoda contradição brasileira.

Leonardo Boff escreveu Sustentabilidade: o que é e o que não é, Vozes, Petrópolis 2012.

26 comentários sobre “A grande contradição brasileira

  1. Caro Leonardo Boff
    Eu não queria responder este seu artigo, porque está pululando de propaganda petista.
    Deixe de fazer política partidária. O que você está a dizer são articulações jornalísticas.
    Na realidade, o PT é ainda um resquício burguês. Há muitas pessoas passando fome aqui em Fortaleza, a criminalidade aumentou assustadoramente, o roubo nem se fala. Homens de ruas já fazem parte da Fortaleza Bela de Luiziane Lins, nossa Prefeita. Há muitas pessoas dormindo na rua, nas praças, comendo a filantropia de um sopão oferecido pelos homens sensíveis. Dizem, não provo, que muitos marginais estão recebendo um salário e pequenas casas para a classe pobre. Esse dinheiro eles gastam com crack e as moradias eles alugam para o mesmo fim.
    O PT jamais perderá uma eleição, porque seu eleitorado é este povo do qual falei.
    odeciomendesrocha philosopher

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    • Mendes Rocha,

      Vc deveria honrar mais o título que se autorga a si mesmo de “philosopher”. Filósofo deve saber ler o que está escrito e interpretar corretamente por um viés não preconceituoso e ideológico. Meu texto não tem nada de petista porque nem do PT sou. Apenas reconheço que uma Argentina inteira, vale dizer, cerca de 40 milhões de pessoas que estavam na miséria e abaixo dela puderam comer e sererm inseridas na sociedade,por causa das políticas sociais que o governo Lula fez e nenhum outro fez antes. O tipo de inserção eu problemtizo no meu artigo por razões dos limites físicos da Terra. Negar este fato de grande relevância humanitária e ética seria não honrar a realidade.

      Parece que vc nunca soube o que é fome. Perambulo bastante nas minhas andanças por este pais e procuro sempre entrar em contacto com zonas pobres. E ai vejo crianças que antes morriam antes do tempo por fome e doenças da fome, agora não morrem mais porque simplesmente podem comer…familias que se desesperavam porque não sabiam o que iam comer no dia seguinte e agora se sentem desafogadas..Um filósofo, mesmo da escola dos cínicos, veria isto como um avanço humano. Tais medidas não resolvem todos os problemas. Somos herdeiros de uma tradição perversa, colonialista, escravocrata e genocida de indígenas. Há muitos ainda que devem ter a oportunidade de se sentirem humanos e pertenceram à nossa espécie…

      Meu irmão, vá devagar com seus julgamentos, senão nós filósofos (eu me conto entre eles pois fui formado nisso e por anos fui professor de filosofia) seremos desmoralizados e o que é pior, seremos considerados gente que perdeu o sentido do humano e a compaixão para com aqueles que muito padecem. O sofrimento tem dignidade e nos devemos curvar diante dele.
      lboff

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      • Mario Dario
        É isto que Leonardo Boff quer: que balancemos a cabeça diante de tudo o que ele diz.
        Veja que desta vez Leonardo Boff veio com gosto de gás: fez-me um ataque fulminante diante da minha raquítica figura. Quando somos incômodos é porque estamos crescendo. Ele acha que não faço nenhuma leitura hermenêutica de textos – uma leitura para além do textos escritos.
        O autismo como um teólogo mais famoso do mundo, não lhe deixa ver que após dezenas de anos dedicado aos seus livros, artigos, palestras, eu não poderia questioná-lo. Respeite, Lenonardo Boff, àqueles que tentam ou já cresceram diante de seu acervo cultural intelectual. Você, Leonardo Boff, completa agora em dezembro 74 anos. Seus neurônios estão queimando irreversivelmente. Você parece que não quer perder o fetiche do poder. Alguém já disse que o poder é afrodisíaco.
        Francis Bacon fez sucesso mundial como filósofo apenas com um pequeno livro: O NOVUM ÓRGANUM (a nova lógica). Se você só quer massagens em seu ego, não gosto de auto-ajuda; gosto do diálogo.
        Como você, Leonardo Boff, ironiza até o meu status de filósofo, gostaria de dizer que crescí…e como crescí.
        odeciomendesrocha “philosopher” (entre aspas).

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      • Leonardo Boff
        Você me conhece e não sabe.
        Prefiro não dizê-lo.
        Até que enfim, conseguí balançar com o grande monstro da teologia.
        Você, Leonardo Boff, nunca me leu, exceto aquele peque comentário.
        Se a Igreja não o perseguisse àquela época, você seria apenas o Genésio.
        Agradeça muito ao Vaticano, pois ele o tornou uma figura famosa.
        Os bons filósofos e teólogos não estão preocupados em política partidária (a parte do todo). E você insiste em fazer apologia ao PT. “O PT, para mim, foi a grande ruptura”, conforme você disse em um vídeo. Ruptura de quê ?
        Se você quer estragar toda a sua fama de Teólogo da Libertação, assuma o petismo que está dentro de você. Talvez, a sua vocação seja para Política.
        odeciomendesrocha (somente).

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      • Seus conselhos são ruins porque mal fundados. Discuta com meus textos e não com suas fantasias sobre meus textos.Se vc não vê diferença entre um presidente-povo e um presidente-classe dominante é sinal de fraqueza teórica e não perceber a relevância histórica de tal fato. Isso não tem nada a ver com a teologia. Eu não busquei fama, nem o Vaticano me deu fama. Ao contrário só me trouxe maledicências. Fui amigo pessoal do teólogo Joseph Ratzinger, depois cardeal e por fim Papa. Ele sempre respeitou e, mais apreciou, minha teologia, embora nos situemos em lugares sociais e eclesiais diferentes.Foi ele que favoreceu a publicação de minha tese em alemão. O que conta para mim não é a fama – coisa das vaidades deste mundo que passam – mas o trabalho sério de pesquisa, de estudo e de publicações. Isso tenho tentado durante toda minha vida de 50 anos de teólogo. Alguns reconhecem esse esforço. E os que não o reconhecem estão no seu direito. A última palavra cabe a Deus.
        Que nunca lhe falte o Espírito

        Lboff

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  2. Muito oportuno o artigo, A grande contradição brasileira, de Leonardo boff.
    Infelizmente essa é a realidade atual nossa. Estamos no mato sem cachorro: Se corrermos, o bicho pega, se ficarmos, o bicho come. Tremendo círculo visioso.

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  3. Que tal o senhor começar protestando e revelando o quanto o igreja católica tem de participação neste empreendimento de usurpação de terra, corpos e almas? Ou achas que seria possível separar a pobreza e ignorância dos países sub-desenvolvidos ocidentais da empreitada cristã ao redor do mundo? O problema não esta na comunidade cientifica, nem neste ou naquele cientista, seja ele ganhador ou não do Nobel, o problema é que esta elite pensante é ínfima nesse mundaréu cristianizado. As vezes bate uma saudade de Nietzsche…

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    • Amigo,
      Se leres alguns livros do Boff verás que ninguém mais que ele contesta a hierarquia católica.
      Se leres o cristianismo, o minimo do minimo, do autor, verás a opinião dele sobre a igreja.
      Como uma leitora assídua de Boff, e alguém que leu de cabo a rabo a bibliografia dispoinivel de Nietzsche, vejo que no que diz respeito a hierarquia cristã, há uma semelhança de pensamento. Não podemos contestar a fé, mas podemos contestar o fanatismo.
      Você esta certo quando fala da Elite cristianizada, para mim esta elite também é um problema para a sociedade. Assim como tantos outros que enfrentamos.
      Apenas peço que leia antes de criticar o autor.
      Um abraço
      Sam

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  4. Sempre lúcido! Precisamos ouvir mais pessoas com Boff.Todos só temos a ganhar num mundo mais justo e fraterno.

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  5. Nunca votei em partidos, sempre em pessoas.
    Confesso que sempre tive um preconceito com o PT, mas é impossivel negar que o que o Lula fez dando subsidio aos pobres é louvavel. Ninguém pode procurar emprego, ter uma vida digna, trabalhar, etc, com fome. É humanamente impossivel.
    Sem contar no ProUni, que é maravilhoso e deu a chance para milhoes de jovens Brasileiros terem um ensino superior de qualidade.

    Algumas coisas me deixam pensativas: estes ministros todos que sairam agora, durante o mandato da Presidente Dilma já estavam ali antes, e possivelmente já enganavam o povo ha muito tempo. E ela estando la dentro, mais do que ninguém sabia.E agora faz cara de quem nunca soube de nada…

    Outra coisa que me decepciona é a forma como o governo do PT desde o Lula e principalmente agora com a Dilma não entendem que fome e sustentabilidade ambiental são dois cânceres que devem ser tratados juntos. Não adianta acabar com a fome do Brasil e esquecer que a Terra precisa de ajuda, esta na UTI.

    Fiquei muito decepcionada com o infeliz discurso da Presidente no Forum Social tematico, aonde ela disse claramente que para ela a palavra sustentabilidade deve ser sempre ligada a palavra ambiental, e que sustentabilidade ambiental é produção em massa para consumo para gerar riquezas e empregos… Achei um pensamento contraditório e equivocado.

    Nunca perdoaremos a Dilma e todos os responsáveis pelo crime social, economico, ambiental e a violação dos direitos humanos, que é a construção da Usina de Belo Monte, na volta do Xingu…
    E eu espero de coração que um novo crime, o novo código Florestal, seja vetado no congresso ou, caso não seja, que seja vetado pela Presidente Dilma…

    Falo como eleitora, como leiga. Não entendo de politica e posso ter dito milhoes de barbaridades. Mas esta é minha opinião. Como já disse voto na pessoa e não no partido, e ainda tenho a esperança de ver na presidência uma pessoa coerente, responsavel com o homem e com a terra, e de sensibilidade ímpar, como a nossa querida Marina Silva.

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    • Querida Samantha
      Acho que vc tem razão em muitas coisas com referência ao PT. Mas não devemos esquecer a virada de magnitude histórica que ocorreu nos portadores de poder que no Brasil sempre foram os das classes domanantes que pensaram mais em si e muito pouco no povo. Agora o portador é outro, um que vem de baixo, sobrevivente da grande tribulação brasileira, Lula. Chegou finalmente ao poder central. Inegavelmente, no meio de contradições, especialmente, ligadas à macroeconomia, conseguiu a façanha de integrar uma Argentina inteira dentro da sociedade. Vc não precisa pertencer a um partido e como intelectual que é e muito inteligente talvez nem deva, para manter a distância necessária para fazer a crítica social e partidária. Mas em política não se faz aquilo que a gente quer, mas aquilo que nos deixam fazer dado o caráter velhista e atrasado de nossa classe política, mais interessada em defender privilégios do que garantir direitos e que dificultam como podem políticas destinadas aos marginalizados e excluidos. Eles jamais toleram um operário na presidência. Seu lugar é na fábrica, pensam, e não no Planalto, lugar que esta elite politicamente obscurantista acha que é reservado a ela.Estimo que estamos assistindo a uma virada hisórica que não tem mais retorno. O povo desesperado dos políticos tradicionais, resolveu votar em si mesmo, e votou em Lula e agora na sua continuação em Dilma, uma mulher que exerce o poder com outra sensibilidade, voltada aos mais miseráveis.
      Abraço LP
      LB

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  6. Este é o ponto: temos o vírus do crescimento pelo lucro e do consumismo desenfreado introjetado nos nossos cérebros pelo capitalismo vil. Confundimos os dois com prosperidade, pelo menos, a grande maioria e, com isso, o planeta vai tendo suas reservas delapidadas, exauridas pelos excessos, não só a flora, como também, a fauna.
    Prosperidade sem crescimento implica também no controle da natalidade, que deveria ser praticado ostensivamente e desde já também no Brasil, pois a nave Terra não suporta mais tantas bocas para alimentar e se manifestar. Sim, porque além de comer precisamos morar, construir casas, prédios, cidades, dirigir veículos, etc. que implicam em gastos energéticos de fontes nem sempre muito saudáveis e que poluem, degradam o meio ambiente, produzindo o famoso efeito estufa, por exemplo.
    Li recentemente que parece que o CO2 nem é o principal vilão do aquecimento global e sim, o gás natural que escapa na própria prospecção do petróleo e também nos vazamentos que fatalmente ocorrem ou, pelo menos, é tão importante quanto. O metano é cerca de 25 vezes mais potente como gás estufa do que o C02; então, deveríamos usar agora o petróleo prioritariamente para acabar com o próprio petróleo, para pesquisar novas fontes energéticas limpas com o seu lucro e não somente para o crescimento, por ex, da frota automobilística poluente.
    Evidentemente, que o Brasil ainda possui cerca de 15 milhões de miseráveis, a população do Uruguai, então, precisamos ainda crescer com sustentabilidade para reabilitar essa gente, mas precisamos desde já, a despeito de preconceitos religiosos ou de que ordem for, pensar seriamente num controle de natalidade, que deverá também ser global, ou seja, mundial.

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  7. Mestre mais um texto bastante esclarecedor. De fato o grande problema a ser enfrentado será encontrar o ponto de equilíbrio entre crescimento/prosperidade e sustentabilidade ambiental. Algo difícil tendo em vista a lógica capitalista vigente.
    Quanto às contradições do governo petista é preciso lembrar que entre a vontade pessoal do presidente – Lula e Dilma – de fazer, de mudar existe a chamada “real politik”, que no caso brasileiro é bastante perversa, dado ao sistema político-partidário atual. Para governar é preciso costurar alianças políticas que muitas vezes se mostram espúrias. O governante se torna refém de políticos e partidos fisiológicos. É o velho modelo elitista do toma-lá-dá-cá e que, diga-se de passagem, a presidenta Dilma vem combatendo com afinco.
    Criticar o governo do PT é tão legítimo quanto apoiá-lo. Entretanto, as críticas deveriam ser mais pontuais, refletidas e não raivosas e preconceituosas como acostumamos a ver desde a ascensão de Lula à presidência da república.
    Não sou filiado a nenhum partido político e também discordo de algumas posturas e políticas do PT. Mas, negar pelo simples fato de negar, os enormes avanços sociais obtidos pelo governo Lula, com todas as suas contradições, é simplesmente burrice.
    Querendo ou não a elite brasileira e algumas mentes obscurantista que se autodenominam “philosopher”, o país mudou para melhor e foi preciso o povo eleger um cidadão brasileiro, nordestino, metalúrgico, sem diploma formal, mas graduado, pós-graduado e com PHD na universidade da vida, para que isso acontecesse. Talvez seja isso o que tanto incomoda os senhores da casa grande.

    Abraços Gilson Alves Barbosa

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  8. Caro filósofo Leonardo sabes o que fala com clareza,com lucidez e com tom de quem ama o próximo.matou a cobra e mostrou o pau .desculpe o ditado,mas és muito pensador.o mundo precisa de gente que olha alé,m de si mesmo ou mais que seu p´ropio umbigo.coisa que sejamos sincero o Brasil está cheio.parabéns por não fazer parte dessa massa.

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  9. Leonardo, positiva reflexão.
    Como cidadão português que visita várias vezes o Brasil, um comentário e uma constatação:
    Foi com Lula que o povão brasileiro se reviu numa determinada forma de viver a política!
    Não é só mérito de Lula, mas também de Lula que o Brasil após décadas de marasmo figura no mapa internacional como país credível.
    Não foi apenas com Lula ( pois a tendência de FHC já se pronunciava ) mas também foi com Lula que o Brasil enterrou o G-8, pagou a dívida externa e emprestou dinheiro aos ricos.
    MAIOR DESAFIO do Brasil: educar o povo.
    Será que esse dia chegará?

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    • José Manuel,

      Eu acho que vc tem razão. O maior desafio brasileiro, o que nos mantem na dependência e na desigualdade social, são, no fundo duas coisas: falta de educação e falta de saúde. Um povo ignorante e doente nunca pode dar um salto rumo a um desenvolvimento sustentável,feito nos ritmos da natureza e solidário com os outros povos. Essa revolução, a da educação e a da saúde, nunca foi feita no nosso pais. Sem ela jamais avançaremos de forma integradora e coletivamente.
      Um abraço
      lboff

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  10. Nao sei por que muitos sao contra essa politica solidária. Essa politica ajudou muita gente a crescer, tirou muitas familias do limite. olha – claro que nao dá pra controlar tudo que as pessoas fazem, se usam o dinheiro indevidademente, mas como uma pessoa que mora na periferia de Fortaleza e conhece perto familias que sao beneficiadas por esses sistemas posso perceber que muitos trabalham sim, colocam os seus filhos realmente pra estudar. Coloque-se no lugar pais que nao tem um emprego por uma questao social bem mais profunda, que todos nos conhecemos, que vivem de bico pra sustentar seus filhos e que essas ajudas do governo significam muito pra eles. Se voce é contra é por que voce nao sabe o que nao ter o que comer. Se alguém usa indevidademente e se torna um preguiçoso por motivo dos beneficios recebidos, paciencia – ninguém é perfeito – inclusive eu e voce.

    Ana Lidia – uma pessoinha

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  11. Mendes Rocha

    Idiota é quem pensa que os outros são idiotas. Assim vive discriminando os outros de quem sempre poderia aprender algo, mesmo que fosse um pouquinho, pois todos tem algo a dizer e juntos compomos a sinfonia dos saberes.

    Repito Dante Alighieri: olho,escuto e sigo o meu caminho

    lboff

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    • Leonardo Boff
      Por que você escondeu o meu artigo colocado na sua primeira página de seu blog? Com o nome de ANTI-HUMANISMO DA ECOLOGIA PROFUNDA ? Este é um assunto que você domina. E agora, José ?
      Sua tietes estão com peninha de você devido as minhas (nossas) “grosseria”. Nossas grosserias só acontece aqui, nestes pequenos comentários, sem eira nem beira.
      Não se faça de vítima e façamos um debate teórico sério a partir do último artigo que eu coloquei lá na primeira pág. de seu site: O ANTI HUMANISMO DA ECOLOGIA PROFUNDA.
      Mendes Rocha

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  12. Sou uma mulher comum, trabalhadora, mãe, pesquisadora. A existência de um homem de bem como o Sr. Leonardo Boff é um alento e uma esperança de que nem todos são como aquele que, neste espaço público, fez questão de desmerecer o pensamento deste respeitável pensador. Leonardo Boff está levantando uma questão para reflexão. Só os tolos querem debater sobre política ou personalismo. É preciso VIVER a realidade de uma pessoa comum, andar nas ruas, ter os olhos postos no bem e o coração alerta para o mal para entender o que quer dizer LBoff neste texto claro, conciso e informativo. É uma pena que ele não surta o efeito necessa´rio para que todos possam se posicionar e ter uma atitude diante da guerra consumista que vivemos. Alguns estão apenas ligados em exibicionismo e competição. Tais pessoas não melhoram o mundo. Leonardo Boff e algumas políticas públicas, sim.
    Humildemente, Jaqueline Aragão, simples professora de língua portuguesa da rede pública carioca e psicopedagoga em formação.

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  13. Morei por 10 anos na Bélgica e conheci de perto o que é viver em uma sociedade que pratica política solidária. Os impostos são altos, altíssimos chegando na maioria das vezes a 50% do seu salário bruto. Também são muitos os que vivem pendurados na ajuda assistencial do governo. Revolta, briga, greve…alguns reclamam sim dos supostos encostados nas barbas do governo, mas eu tenho certeza que se fizessem um pleito para saber se a ajuda social deveria ser cessada, eu aposto que um grande não ganharia. Isto porque a Europa ocidental aprendeu a duras penas que dividir é o melhor caminho para ganhar. Eles aprenderam com tudo que já passaram e preferem pagar mais mas olhar para o lado e não ter que fugir ou fechar o vidro do carro porque o conterrâneo que passa pela rua não possui o mínimo dos mínimos para sobreviver. Eles não fazem e aceitam isto porque são bons e cristãos, eles sabem que para um país crescer e prosperar é preciso que a prosperidade seja repartida, partilhada. É uma pena que a sociedade brasileira tenha se voltado muito mais para o frustrado sistema americano, individualista e consumista ao extremo. Claro que agora os neo-liberais de plantão vão dizer que a crise na europa se deve as políticas assistenciais, aos subsídios exorbitantes em educação e saúde. Em nenhum momento a culpa vai recair no sistema financeiro, que é, no final das contas, o grande vilão por esta bancarrota que o mundo está vivendo. Obrigada Leonardo, por insistir e sempre trazer a tona estes pensamentos brilhantes que nós ajudam a refletir, debater e procurar soluções para o tão esperado desenvolvimento brasileiro.

    Tais Casemiro Zago

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  14. Leonardo Boff,

    Brilhante como sempre o seu post, mas se permite alguns comentários a respeito do tema, segue a minha opinião de algo que acho tem de ser amplamente debatido por toda a sociedade. Eu concordo com você e acho que independente de orientação política, religiosa ou até mesmo filosófica, todo cidadão tem de reconhecer os grandiosos avanços sociais fruto e mérito de Lula e seu partido, programas sociais os quais é importante lembrar e fazer justiça tiveram início nos mandatos do Fernando Henrique, mesmo que trabalhados com menos intensidade e afinco. Eu acredito que tanto quanto a expansão das políticas públicas voltadas para o social faz-se necessário também a transparência na apresentação desses dados através de valores quantitativos e qualitativos de maneira periódica e na busca por parte do governo de metas para obter resultados que comprovem o real desenvolvimento e ascensão por parte daqueles beneficiados pelos projetos sociais, garantindo assim seu valor e razão de ser e refutar de uma vez por todas a idéia de paternalsmo ou políticas de esmola, o que eu não concordo. Com relação a economia, desenvolvimento e sustentabilidade, acho tema delicado porque a verdade, na minha opinião, é que não existe um modelo dentro do capitalismo que contemple e até mesmo priorize o fator social/humano e recursos naturais, infelizmente o que se vê em grande parte é visar único e exclusivamente o lucro e de maneira indiscriminada e isso deveria ser regulado pelo estado, aí entramos em outra delicada questão, interesse público x privado. Portanto, essa questão é um paradigma a ser quebrado ainda. Agora deixo uma pergunta: Nesse cenário brasileiro onde quem é da classe C ou D paga muito mais imposto proporcional aos seus ganhos do que quem é da Classe A e onde instituições financeiras vivem num aparente céu paradisiaco com lucros que não param de crescer e não vejo a menor pressão por parte do legislativo para oferecer ao povo condições mais justas de serviços a preços justos, por exemplo, é infelizmente crer que o grande problema do interesse público x privado é um mal silencioso e um grande vilão para a sociedade brasileira. Sem educação, saúde, moradia, alimentação, não há sociedade consciente e politicamente atuante, e infelizmente é essa a grande arma de uma minoria poderosa e manipuladora, a ignorância e limitação das grandes massas porque é lá que habita o verdadeiro poder e contra essa massa ninguém é capaz de combater a não ser nessas condições. Sei que pode parecer simples e pronta a minha opinião, mas acho que na prática não é, obviamente, mas que seja um ponto de referência para enriquecer o debate em busca de um cenário mais justo e voltado para o social mais que para o capital.

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