Qual é o próximo passo depois da Rio+20?

Há dois anos dei uma palestra na Universidade suiça de Lausanne por ocasião de um título que me foi conferido. Resumo aqui o essencial de um pensamento mais detalhado e longo exposto naquela ocasião. Ele vem a propósito da conclusão da Rio+20.

 

O grande tema da Rio+20 era “Que futuro queremos”. O documento final, entretanto, não nos fornece a rota nem os meios de percorrê-la. Ele é medroso, sem ambições e sem sentido ético e espiritual da história humana. Refém de uma visão reducionista e até materialista da economia não forjou um novo e necessário software social e civilizacional que nos desse esperança de um futuro que não fosse simplesmente o prolongamento do passado e do presente. Este deu tudo o que tinha que dar. Levá-lo teimosamente avante é empurrar-nos para o abismo que se abre lá na frente, num tempo não muito distante.

Depois das crises que afligem toda a humanidade, particularmente  a do aquecimento global, da insustentabilidade do planeta Terra e ultimamente da econômico-financeira, atingindo o coração dos países opulentos, o crescimento do fundamentalismo e a permanente ameaça do terrorismo, os cenários dramáticos que muitos analistas sérios desenham para o próximo futuro da Terra, da Humanidade, da vida e as poucas chances para uma  paz duradoura, uma angustiante pergunta nos assalta: qual será o próximo passo agora depois da Rio+20?

Façamos algumas constatações: consolidou-se a aldeia global; ocupamos praticamente todo o espaço terrestre e exploramos o capital natural até os confins da matéria e da vida, com a utilização da razão instrumental-analítica; provocamos uma imensa crise civilizatória que se revela nas várias crises enunciadas acima.

Perguntamo-nos: E agora o que virá?  Mais do mesmo? Mas isso é muito arriscado, pois o paradigma atual está assentado sobre o poder como dominação da natureza e dos seres humanos. Não devemos esquecer que ele criou a máquina de morte que pode destruir a todos nós e a vida de Gaia. Esse caminho parece ter-se esgotado, embora ainda dominante.

Do capital material somos forçados  passar ao capital espiritual. O capital material tem limites e se exaure. O espiritual, é infinito e inexaurível. O capital espiritual   feito de o amor, de compaixão, de cuidado, de criatividade, realidades intangíveis e valores infinitos que  não há limites.

Este foi parcamente aproveitado por nós. Mas ele pode representar a grande alternativa que supera a crise atual e inaugura um novo patamar civilizatório.

A centralidade do capital espiritual reside na vida, na autonomia dos cidadãos, na relação inclusiva, no amor incondicional, na compaixão, no cuidado de nossa Casa Comum, na alegria de viver e na capacidade de transcendência.

Não significa que tenhamos que dispensar a tecnociência. Sem ela não atenderíamos as demandas humanas. Mas ela não seria mais destrutiva da natureza e da vida. Se no capital material a razão instrumental era seu motor, no capital espiritual é a razão cordial e sensível que organizará a vida social e a produção consoante os ciclos da natureza e dentro dos limites de cada ecossistema. Na razão cordial estão radicados os valores; dela se alimenta a vida espiritual pois produz as obras do espírito que referimos acima: o amor, a solidariedade e a transcendência.

Usando uma metáfora do grande escritor irlandês C.S. Lewis diria: se no tempo dos dinossauros houvesse um observador hipotético que se perguntasse pelo próximo passo da evolução, provavelmente diria: o aparecimento de espécies de dinos ainda maiores e mais vorazes. Mas ele estaria enganado. Sequer imaginaria que de um pequeno mamífero que vivia na copa das árvores mais altas, alimentando-se de flores e de brotos e tremendo de medo de ser devorado pelos dinossauros, iria irromper, milhões de anos depois,  algo absolutamente impensado: um ser de consciência e de inteligência – o ser humano – com uma qualidade totalmente diferente daquela dos dinossauros. Não foi mais do mesmo. Foi uma ruptura. Foi um passo diferente.

Cremos que agora poderá surgir um ser humano com outro passo, pois será marcado pelo inexaurível capital espiritual. Agora é o mundo do ser mais que o mundo do ter.

O próximo passo, então, seria exatamente este:  descobrir o capital espiritual inesgotável e começar a organizar a vida, a produção, a sociedade e o cotidiano a partir dele. Então a economia estará a serviço da  vida e a vida se imbuirá dos valores das relações abertas e inclusivas, da mutualidade ser humano-Terra, da auto-realização e da alegria. uma verdadeira alternativa ao paradigma vigente.

Mas este passo não é mecânico. É resultado de uma coligação de forças ao redor de valores e princípios assumidos por todos, biocentrados e ecoamigáveis. Quer dizer, ele é oferecido à nossa liberdade. Podemos acolhê-lo como podemos também recusa-lo. Mas mesmo recusado, ele permanece como uma possibilidade sempre presente e pronta a irromper.  Ele não se identifica com nenhuma religião. É algo anterior, que emerge das virtualidades daquela Energia de fundo, poderosa e amorosa, que sustenta todo o universo, a cada um de nós e que penetra em toda a evolução consciente. Quem o acolhe, viverá outro sentido de vida,  vivenciará também um novo futuro, diferente daquele imaginado pela Rio+20. Os outros continuarão sofrendo os impasses do atual modo de ser e se perguntarão, angustiados, pelo seu futuro e até sobre o eventual desaparecimento da espécie humana.

Foi Pierre Teilhard de Chardin que ainda nos anos 30 do século XX teve o sonho da irrupção da noosfera. Noos  em grego significa a mente e o espírito totalmente abertos. A noosfera  seria a irrupção da humanidade como espécie, da mente e do coração sincronizados e batendo em uníssono. Seria a etapa nova da antropogênese, a superação do antropoceno, a inauguração da era ecozóica  e uma idade também nova de Gaia.

Estimo que  o legado positivo da atual crise mundial seja nos abrir a possibilidade de realização da noosfera. Dizem por aí que Jesus,  Buda, Francisco de Assis, Rumi,  Gandhi, Irmã Dorothy e tantos outros mestres e testemunhas do passado e do presente teriam, antecipadamente, dado já esse passo.

Eles são nossas estrelas-guia, os alimentadores de nosso princípio-esperança e a garantia de que ainda temos futuro. As dores atuais não seriam estertores de uma civilização moribunda mas os sinais de um parto  de um novo modo sustentável de viver e de habitar o nosso planeta Terra. Seremos humanos, reconciliados conosco mesmos, com Mãe Terra e com a Última Realidade.

Como disse sugestivamente uma de nossas melhoras pensadoras dos novos paradigmas Rose Marie Muraro:” Quando desistirmos de ser deuses, poderemos ser plenamente humanos, o que ainda não sabemos o que é mas que já o tínhamos intuído desde sempre”.

 

 

24 comentários sobre “Qual é o próximo passo depois da Rio+20?

  1. O uso errôneo da inteligencia, tem colocado o homem numa estagnação que irá perdurar até a conscientização de seus erros, aí então, voltaremos a trilhar o caminho da evolução pré-escrita e poderemeos realmente entrar num novo patamar de denvolvimento, este de o Sr. fala.

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  2. Caro Leonardo Boff

    Me desculpe mas o que vou colocar aqui provavelmente não vai agrada-lo.
    A questão ecológica é importante ? É. Mas não a ponto de se fazer :

    -terrorismo ecológico (o meio midiático só fala nisto e de forma falaciosa, cientistas que optaram por ficar do lado que dá mais dinheiro chegarem a falsificar dados para dar ênfase ao problema que é o caso do “climagate”);
    -um indivíduo como Al Gore com sua “Uma Verdade Inconveniente”, baseada em argumentos que mais uma vez afirmo podem ser desmantelados;
    -que pode ser inconveniente para os outros mas muito mais conveniente para ele, os países ricos e grupos empresariais;
    -na verdade toda a questão envolve dinheiro, só;
    -estas ONGs que já disse e reitero aqui, na sua maioria são simplesmente empresas com fins lucrativos;
    -que a questão da Amazônia não é de desmatamento e sim de ganância pela sua biodiversidade e que o império do norte está de olho.

    Mais uma vez sustento que paralelamente a qualquer tomada de decisão com relação à questão ecológica temos que paralelamente recriar, entidades como ONU, Direitos Humanos, a carta das nações (rasgada pelo sr. Bush), o respeito à soberania de qualquer país, fazer uma utilização eqüinanime não só dos recursos naturais mas também dos recursos tecnológicos existentes, caso contrário ficaremos no bla, bla e não resolveremos NADA.
    ONU, Direitos Humanos e Carta das Nações, são simplesmente conceitos falidos na atual conjuntura.

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    • Creio que é prudente tomar a sério a questão ecológica, porque, caso contrário, poderemos chegar atrasados no momento em que ocorrer uma crise realmente global. Não precisa a comunidade cientifica mundial deixar claro o risco que sofremos. Todos percebemos que a Terra já não está aguentando o assalto que está sofrendo, pois ela precisa de um ano e meio para refazer o que lhe tiramos durante um ano.
      O impacto de 7 bilhões de pessoas sobre todos os serviços ecossistêmicos pois comem, bebem, poluen etc é muito forte e a Terra dá sinais de que sente a perda de seu equilíbrio. Por que que entre 1992 e 2012 o nível de dioxido de carbono cresceu 40%? Isso não é irrelevnte. Criamos sim uma máquina de morte que nos pode destruir a todos, pois as armas quimicas, biologicas e nucleares já construidas e armazenadas podem nos liquidar por 25 formas diferentes. Quem garante que a segurança é total? Gorbachev que sabia de experiência propria como chefe de Estado da antiga URSS nas reunões da Carta da Terra o disse varias vezes. Então é preciso não facilitar com o tema da crise ecologica.
      lboff

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      • “Cremos que agora poderá surgir um ser humano com outro passo, pois será marcado pelo inexaurível capital espiritual. Agora é o mundo do ser mais que o mundo do ter”.

        Querido Leonardo, sua bênção.

        Lendo este seu texto, pus-me a meditar nas palavras do livro do Gênesis (ao pé da letra mesmo!): “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.” (Gn 1, 31) Isso quando acabara de criar os céus, a terra e os animais.
        Depois, num transbordamento de amor, Ele criou o ser humano que, posteriormente, não sabendo conviver harmoniosamente com os outros ” nas relações abertas e inclusivas, da mutualidade ser humano-Terra, da auto-realização e da alegria”, quebrou a aliança com o Deus amor e o deixou profundamente triste: ” E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração.” (Gn 6, 5-6) .
        O que me anima nas sua reflexões, Leo, é o toque de esperança que não nos deixa parar no pessimismo. Abre-nos o horizonte que, como dizia Teresa de Jesus, é possível ” começar sempre, e cada vez melhor”.
        O sr. nos aponta o verdadeiro Deus de Jesus Cristo, o Abba paizinho cheio de misericórdia que se recorda sempre de Sua Aliança, concedendo-nos sempre uma nova chance de recomeçar na liberdade de filhos.

        Bendito seja Deus nos seus dons!

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      • Caro Leonardo Boff

        Você como outros fala tanto em ecologia, meio ambiente e etc.
        O que me causa espécie é não mencionarem explicitamente as grandes corporações, os grandes laboratórios (Monsanto, Pfeizer, Merckel e outros mais) que a meu ver estão cometendo genocídios.
        Basta vermos por exemplo o medicamento Tamiflu cujo laboratório tem como um de seus sócios nada mais nada menos do que o Sr. Rumsfeld, um dos mentores da destruição do Iraque onde os índices de cânceres simplesmente explodiu por motivos que já mencionei.
        Tudo isto tem a ver também com a ecologia e o meio ambiente, a poluição o garroteamento de países que se tornam reféns destas corporações.
        Haja visto o caso do projeto do genoma em que o império chegou ao ponto de querer patentear o genôma humano, como se fosse propriedade deles.
        A AIDS por exemplo, que venho acompanhando a muito tempo (desde 1978), um dos supostos co-descobridores da mesma o Sr, Gallo em entrevista a imprensa do império disse e afirmou que a AIDS foi criada em laboratório.
        Como, te pergunto podemos só pensar em meio ambiente e ecologia com tais tralhas no nosso caminho ?
        Gostaria de uma resposta a isso.

        Abraços

        Severiano

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      • Tudo que estas corporações estão fazendo creio que é de enrubecer até a Hitler. Hitler é pinto.

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  3. Caro Leonardo Boff

    O que postei acima postei porque não encontrei outro local onde colocar o que penso.
    Espero que você leia e reflita.

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  4. Estimado amigo Boff,
    Acho que enquanto esses encontros se restringirem a estadistas e não a seres humanos, nunca chegaremos a um verdadeiro despertar da consciência ecológica e planetária. Muito se falou, mas infelizmente não houve outro foco que não fosse interesses capitalistas, apenas um encontro de econegócios que acabou se tornando um nicho de mercado para o público de classe A. Basta observar que a “indústria da sustentabilidade” só favorece as classes dominantes mundiais, onde um produto reciclado é mais caro do que um produto industrializado, os fitoterápicos (um patrimônio natural da humanidade) tiveram que elevar seus preços por pressão dos grandes laboratórios alopáticos, que são dirigidos pelos agentes da Nova Ordem Mundial. As informações sobre meio ambiente, saúde e sustentabilidade ainda são hobbys para gente de poder aquisitivo alto, como funcionários públicos, empresários e ricos em geral. Sem falar ainda dos ditadores acadêmicos, aquela turma de doutorados e PhD’s, que vivem com todo o status possível mas passam uma idéia de socialistas e modestos para seus alunos. Orientam trabalhos e teses com o objetivo de transformarem esses em patentes e gerarem lucros apenas, e não trazem benefícios nenhum a população carente.

    Infelizmente é essa a realidade, um mundo cada vez mais egocêntrico e ganancioso, onde as pessoas só pensam em si, e se esquecem da mãe terra, que está padecendo e pedindo socorro.

    Parabéns pelo nobre artigo e um grande abraço,

    Kadu Santoro
    http://www.jornaldespertar.blogspot.com

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  5. Caro Leonardo Boff

    No texto acima dizes que “consolidou-se a aldeia global”, gostaria de saber em que sentido porque para mim não se consolidou nada, o que estamos testemunhando sim é a “pseudo-consolidação da aldeia global”. Onde um grupo que se considera “elite” deseja esta “aldeia global” para si e não para todos, e o mesmo domina de tal maneira esta “aldeia global” que podem se apoderar para seu próprio proveito desta mesma “aldeia global” sem mais delongas.
    Que valores “espirituais” realmente nós e gerações anteriores foram capazes de passar para esta nova geração ?
    Temos acumulado, o que para nós representa muito tempo, na verdade, falsos valores, falsas verdades, o desprezo pelo próximo, a injustiça, a exploração do próximo, a inversão de valores ao invés de, cultivarmos a compaixão pelo próximo, termos consciência que todos somos, inexoravelmente, seres interdependentes, que qualquer ser que pertença a este planeta que por nós é de alguma forma “ferido” estaremos na verdade ferindo a nós mesmos, que todos somos profundamente interdependentes, repito. Será uma utopia esperarmos que o ser-humano consiga em curto prazo, digamos de uma ou duas gerações, mudar seu interior e conseguirmos de forma definitiva para nos tornarmos uma verdadeira civilização. Somos muito contraditórios. Como mudar séculos de descaminhos ?
    Até lá provavelmente teremos nos auto-destruido.

    Abraços

    Jose Severiano

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  6. Tenho estudado suas reflexões e agradeço enormemente por contribuir tanto.
    Abraços,
    Raquel Monteiro

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  7. Caro Leonardo Boff

    Sei que embora não seja esse o meu desejo acabo capitalizando ou pelo menos tentando capitalizar sua atenção.
    Sei que tens muitas outras ocupações, preocupações e afazeres, mas de vez em quando acho que devemos dar uma “pequena sacudidela” em nosso interlocutor ou tudo vira um simples monólogo de uma das partes.

    Analise o que puder do que já postei aqui nesse blog e acho que, talvez, aches algum fundo de razão no que digo.

    O que “reclamo” é a demora na “moderação” das postagens, para mim desnecessárias, bastaria postar, se ofensiva, você teria todo direito do mundo de simplesmente ignorá-las.
    Como sou um questionador, se permita o termo, “renitente”, abaixo vai mais uma referência que considero muito oportuna.

    Te indicaria a busca de uma crônica escrita pelo irmão de Richard Attenborough cujo primeiro nome me foge, jornalista, biólogo (se não me engano), sobre a questão ambiental. É um dos documentos mais lúcidos que vi até o momento. É sombrio, mas ao mesmo tempo nos mostra, acho eu, pistas para uma verdadeira mudança nesta “aldeia global”.

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    • Apesar da conservação da natureza como patrimônio da humanidade ser uma noção de cunho libertário, acredito que no atual sistema, a única forma de que seja exercida é transformando-a num produto mercadológico.
      Infelizmente, o desenvolvimento espiritual, a “irrupção da noosfera”, tem um ritmo muito mais lento do que o da degradação do meio ambiente. Concordo que uma nova sociedade seja possível, onde não há necessidade para um Estado centralizador, onde a tomada de decisões seja feita a nivel local, a liberdade seja a fundação para uma sociedade auto-gestora. Mas para isso é necessária essa mudança no pensamento, que acontecerá sim, porém com atraso.

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  8. Caro Leonardo Boff

    Me lembrei, pelo menos, do nome do Attenborough. Ele vem a ser irmão do diretor e se chama David Attenborough.
    Pena que não me lembre do nome da crônica. Mas vale a pena ser assistida, sei que foi produzida bela BBC de Londres pelo David. Creio que você gostará muito.

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  9. Caro Leonardo Boff

    Com tudo que postei aqui até o momento creio que você já deve ter chegado a conclusão de que existem pistas bastante concretas que nos mostram que estamos caminhando para um conflito generalizado.

    Em algum momento entre as várias matérias que você publicou aqui, que, citando uma afirmação de Noam Schonsky em que o mesmo diz : “Não haver nenhum império por mais poderoso que seja que seja imune ao fracasso”, concordo, só que com uma diferença apenas agora o problema é de escala, quando este império começar seus estertores, com certeza não sobrará nada para se fazer depois. Não é uma conclusão castatrofista e sim uma constatação.

    Voltamos praticamente à idade média onde temos Ocidente versus Oriente (demonizado), basta pegarmos algumas palavras do Sr. Bush que para todo o mundo ouvir disse que o eixo do mal aponta para o oriente.

    E por falar nisso veja alguns sinais aqui na américa latina : na Colombia o império do norte instalou bases militares, agora no Paraguai, onde há com certeza o dedo do império, tivemos um golpe (golpe este que já vinha sendo urdido de algum tempo), na Bolívia já tentaram contra Evo Morales, o Chile é unhas e dentes com o império.

    Começo a sentir um cheirinho de volta da década de 60.

    Outro fato curioso, e gostaria que você consultasse um matemático estatístico, temos :

    -Fidel com câncer;
    -Hugo Chávez com câncer;
    -Kirschener teve câncer;
    -Cristina Kirschener tem câncer;
    -Lula tem câncer;
    -Dilma Roussef tem câncer;
    -Lugo tem câncer.

    Ou seja líderes que não se alinharam com o império tem câncer !!!

    O império com o golpe contra Lugo já está de negociações com o Paraguai afim de estabelecer bases militares no Chaco, Itaipú foi contruida na sua maior parte no Paraguai, o sudeste brasileiro depende de 70% da energia produzida por Itaipú e o Brasil inteiro 30%. O próprio Bush disse que o tal eixo do mal passava pela tríplice fronteira.

    A crise européia é sem dúvida nenhuma exportação do império, com conivência de alguns que já citei em algum lugar.

    Falam nas primaveras Árabes : Iraque, Afeganistão, Egito (ditadura apaniguada do império), Tunísia, Yêmen (idem), Líbia destriçada, jogad 40 no passado, agora estão batendo com tudo que há de sorrateiro na Síria (pedra no caminho de Israel) e finalmente o Irã, aonde vai parar ???

    Resultado a questão ambiental e ecológica é importante, mas não estará servindo apenas de pano de fundo para algo muito mais sombrio ?

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  10. Caro Leonardo Boff

    Me desculpa, mais uma vez a petulância, não me cite nomes tais com :

    Gorbachev, Al Gore, e outros mais. Vivem do sistema e por ele fazem qualquer coisa.

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    • José Severiano
      Não tenho preconceito contra pessoas. Gorbachov com quem trabalhei varias vezes na Carta da Terra foi um dos principais inspiradores deste documento, acentuando enfaticamente a dimensão etico-espiritual. Ele pode ser tudo, mas nunca alguém do sistema imperante, aliás é um dos seus mais duros criticos.LB

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      • Não é questão de preconceito, em algum momento de tudo que já postei aqui lhe disse, taxativamente que, mesmo monstros como Madeleine Albright, Bush e outros são parte de nós mesmos, pois como já disse e ratifico, todos nós somos de alguma maneira interligados. Tenho sim sérias restrições contra o Sr. Gorbachev e outros mais como Koffi Annan.
        É só pesquisar e constatar.

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      • Lhe disse também que os “Direitos Humanos” já não existem mais e é fácil de se constatar : no Afeganistão (que está como outros países, sendo destroçado em nome da “democracia”=”nova cruzada contra o oriente”) uma mulher executada recebe o repudio do mundo inteiro, enquanto o império e asseclas cometem atrocidades e o mesmo fica em completo silêncio.
        Veja bem, não é um erro que justifica outro, aqui se trata de eqüanimidade e não parcialidade, se me fiz claro.

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      • Só para finalizar. Todos os indicadores do provável futuro que nos espera está ai, só não vê quem não quer.
        Deixemos o tempo passar e vejamos se as coisas se confirmarão.
        Do fundo do coração espero estar errado.

        Abraços

        Jose Severiano

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      • Só para sua informação :

        EUA denunciam execução de afegã como “assassinato a sangue frio”

        E o império faz o que ?

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  11. Caro Leonardo Boff

    Este é o próximo0 passo :

    “A destruição da Síria
    13.07.2012

    O imperialismo segue sendo o principal inimigo da humanidade. Relativizar esse conceito é o mais grave dos erros políticos

    Editorial da edição 489 do Brasil de Fato

    Os alardeados bombardeios aéreos do governo Kaddafi, que serviram de pretexto para a intervenção militar da OTAN, comprovadamente jamais existiram. Silêncio total da grande mídia que comoveu o mundo com as notícias de civis destroçados por bombas. Os desmentidos repousam na mesma gaveta onde está a pasta “inexistência de armas de destruição em massa no Iraque”.

    A invasão de tanques e tropas da Arábia Saudita no pequeno Bahrein, promovendo a repressão da luta popular, mereceu minúsculas linhas e comentários de jornais. Poucos sabem de sua existência. Quase nada se falou das torturas, desaparecimentos e assassinatos políticos no Iêmen. Nada se fala dos presos políticos na Arábia Saudita e Marrocos. Quantos morreram nestes países? Quantos estão morrendo?

    Diariamente, os jornais nos mantém atualizados sobre as mortes e crimes na Síria. Uma crescente e macabra estatística, em todos os telejornais.

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    É verdade. Ocorre uma verdadeira matança neste país. E os EUA anunciam, abertamente, o fornecimento de armas cada vez mais sofisticadas a alguns seletos grupos de oposição ao governo. Todas as mortes, ferimentos, explosões de bombas, são creditadas à ditadura genocida e sanguinária. Cresce a tensão fronteiriça com a Turquia, incondicional aliado dos EUA. O polêmico episódio da derrubada de um avião turco no espaço aéreo sírio nos recorda as escaramuças patrocinadas pelos EUA contra Cuba e Nicarágua.

    Vai se montando o cenário.

    Estamos assistindo a destruição da Síria. Querem derrubar o governo do presidente Bashar Al-Assad, não pelos seus eventuais problemas, mas por suas qualidades, por não ser submisso aos interesses do imperialismo na região. O objetivo é sangrar ao máximo a Síria, para causar uma comoção que permita superar os vetos da Rússia e da China e autorizar uma nova intervenção militar.

    País criado a partir dos interesses do imperialismo inglês ao desmontar o império otomano, as fronteiras sírias foram definidas a partir do traçado da linha férrea que ligava Istambul a Beirute. Por conta disso, até hoje guarda profundas contradições entre os grupos étnicos e religiosos que permaneceram nas linhas traçadas num gabinete de Londres. Permaneceu como colônia francesa até 1946. Mas as tensões entre sunitas, xiitas, alauitas, drusos, curdos, cristãos, armênios e circassianos permanecem latentes. Conhecemos a habilidade dos estrategistas militares para fomentá-las, reavivá-las. Recordemos como os ingleses agiram na independência da Índia, fomentando o Paquistão, os belgas reavivando tragicamente o conflito entre tutsis e hutus para manter o controle sobre a atual Ruanda. E a forma como destruíram o perigoso Estado Iugoslavo que ameaça sobreviver soberano na Europa do leste.

    A máquina estatal, encontra-se principalmente, no controle de uma minoria alauita, representada politicamente pelo governo da família Assad. Bashar al Assad herdou o poder de seu pai, Hafez al Assad que, por sua vez, era um dos principais herdeiros da principal corrente política árabe dos anos 1940-50, o nacionalismo pan-arabista. O nome de seu partido, que até hoje governa o país, é Baath, o mesmo nome do partido de Sadam no Iraque. O egípcio Gamal Abdel Nasser foi a principal liderança deste movimento.

    Existe repressão efetiva e contradições populares com a ditadura Síria, que potencializaram as primeiras manifestações, duramente reprimidas. A grande diferença com as demais lutas democráticas nos países vizinhos é a presença direta dos interesses estadunidenses armando e financiando grupos interessados em ampliar a cifra de mortos e feridos entre a população civil. Curiosamente, as minorias armênias, cristãs e curdas temem muito mais os “rebeldes fundamentalistas” que o governo alauita de Assad.

    As forças e movimentos populares ficam atônitos com esta situação. Como posicionar-se?

    A questão é simples. EUA e Israel querem destruir o governo Sírio. Não aceitam sua reivindicação histórica pela devolução das colinas de Golan, ocupadas militarmente pelo Estado de Israel desde 1967. Não permitem a existência de um governo que além de não se submeter a seus interesses, preserva sua soberania nacional. Utilizam a influência de seu aliado incondicional Arábia Saudita, apostando em grupos fundamentalistas.

    Uma guerra civil prolongada não serve hoje aos interesses da classe trabalhadora e das massas populares da Síria. Os que estimulam a continuidade da guerra civil agem como aliados das forças da OTAN, que já se posicionam na fronteira turca para um ataque contra mais esta nação árabe.

    Momentos como este não permitem vacilações. Não se trata de apoiar o regime de Bashar Assad, mas de ter claro que é preciso barrar as ações do imperialismo na região. Aos que se iludem com uma possível rebelião popular em curso, basta recordar os recentes resultados da Líbia. O imperialismo segue sendo o principal inimigo da humanidade. Relativizar esse conceito é o mais grave dos erros políticos.

    Não à guerra civil prolongada! Basta de assassinatos da população civil! Que cessem os ataques de ambas as partes e que seja construída uma saída política democrática, popular, progressista e anti-imperialista para a crise na Síria!”

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  12. Caro Leonardo Boff

    Estou ainda na esperança que o Sr., não de levemente, mas enérgicamente fale alguma coisa.
    A questão ecológica e ambiental são importantes, mas frente ao que estamos presenciando se tornarão NADA ???!!!

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