O ser humano como nó de relações totais

Em 1845 Karl Marx escreveu suas famosas 11 teses sobre Feurbach, publicadas somente em 1888 por Engels. Na sexta tese Marx afirma algo verdadeiro mas reducionista:”A essência humana é o conjunto das relações sociais”. Efetivamente não se pode pensar a essência  humana fora das relações sociais. Mas ela é muito mais que isso pois resulta do conjunto de suas relações totais.
Descritivamente, sem querer definer a essência humana, ela emerge como um nó de relações voltadas para todas as direções: para baixo, para cima, para dentro e para fora. É como um rizoma, aquele bulbo com raízes em todas as direções. O ser humano se constrói na medida em que ativa este complexo de relações, não somente as sociais.

Em outros termos, o ser humano se caracteriza por surgir como  uma abertura ilimitada: para si mesmo, para o mundo, para o outro e para a totalidade. Sente em si uma pulsão infinita, embora encontre somente objetos finitos. Daí a sua permanente implenitude e insatisfação. Não se trata de um problema psicológico que um psicanalista ou um psiquiatra possa curar. É sua marca distintiva, ontologógica, e não um defeito.

Mas aceitando a indicação de Marx, boa parte da construção  do humano se realiza, efetivamente, na sociedade. Daí a importância de considerarmos qual seja a formação social que melhor cria as condições para ele poder desabrochar mais plenamente nas mais variadas relações.

Sem oferecer as devidas mediações, diria que a melhor formação social é a democracia: comunitária, social, representativa, participativa, debaixo para cima e que inclua a todos sem exceção. Na formulação de Boaventura de Souza Santos, a democracia deve ser ser sem fim. Temos a ver com um projeto aberto, sempre em construção que começa nas relações dentro da família, da escola, da comunidade, das associações, dos movimentos, das igrejas e culmina na organização do estado.

Como numa mesa, vejo quatro pernas que sustentam uma democracia mínima e verdadeira, como tanto acentuava em sua vida Herbert de Souza (o Betinho) e que juntos em conferências e debates, procurávamos difundir entre prefeitos e lideranças populares.

A primeiro perna reside na participação: o ser humano, inteligente e livre, não quer ser apenas beneficiário  de um processo mas ator e participante. Só assim se faz sujeito e cidadão. Esta participação deve vir de baixo para não excluir ninguém.

A segunda perna consiste na igualdade. Vivemos num mundo de desigualdades de toda ordem. Cada um é singular e diferente. Mas a participação crescente em tudo impede que a diferença se transforme em desigualdade e permite a igualdade crescer. É a igualdade no reconhecimento da dignidade de cada pessoa e no respeito a seus direitos que sustenta a justiça social. Junto com a igualdade vem a equidade: a proporção adequada que cada um recebe por sua colaboração na construção do todo social.
A terceira perna é a diferença. Ela é dada pela natureza. Cada ser, especialmente, o ser humano, homem e mulher, é diferente. Esta deve ser acolhida e respeitada como manifestação das potencialidades próprias das pessoas, dos grupos e das culturas. São as diferenças que nos revelam que podemos ser humanos de muitas formas, todas elas humanas e por isso merecedoras de respeito e de acolhida.

A quarta perna se dá na comunhão: o ser humano possui subjetividade, capacidade de comunicação com sua interioridade e com a subjetividade dos outros; é um  portador de valores como  solidariedade, compaixão, defesa dos mais vulneráveis e de diálogo com a natureza e com a divindade. Aqui aparece a espiritualidade como aquela dimensão da consciência que nos faz sentir parte de um Todo e como aquele conjunto de valores intangíveis que dão sentido à nossa vida pessoal e social e também a todo o universo.

Estas quatro pernas  vem sempre juntas e equilibram a mesa, vale dizer, sustentam uma democracia real. Ela nos educa a sermos co-autores da construção do bem comum; em nome dele aprendemos a limitar nossos desejos por amor à satisfação dos desejos coletivos.

Esta mesa de quatro pernas não existiria se não estivesse apoiada no chão e na terra. Assim a democracia não seria completa se não  incluisse a natureza que tudo possibilita. Ela fornece a base físico-química-ecológica que sustenta a vida e a cada um de nós.  Pelo fato de terem valor em si mesmos, independente do uso que fizermos deles, todos os seres são portadores de direitos. Merecem continuar a existir e a nós cabe respeitá-los eentendê-los como concidadãos. Serão incluidos numa democracia sem fim sócio-cósmica. Esparramdo em todas estas dimensões realiza-se o ser humano na história, num processo ilimitado e sem fim.

Leonardo Boff é autor de O destino do homem e do mundo, Vozes 2000.

31 comentários sobre “O ser humano como nó de relações totais

  1. …e por cima desta mesa? O que poderíamos colocar? A mesa é para muitos o local da refeição, do momento de encontro, da comum-união. Que sustentado pelas pernas da participação, igualdade, diferença e comunhão tudo pode transformar.

    Para pensar: o que colocar sobre a mesa?

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    • Infelizmente, sobre a mesa estão os administradores da democracia somente, os intelectuais superiores de Gramsci, empresários e políticos, beneficiando-se de forma abundante do estado e nos deixando com as migalhas suficientes para mantê-los em estado de hegemônico constante, dominando toda a gama de constelações hegemônicas de forma holística, deixando para trás os cartesianos liberais e socialistas, num ambiente em que até mesmo o pleno comunismo seria incapaz de igualá-los aos demais, devido a “equidade” (que nas considerações econômicas diferem de igualdade para os nossos amigos marxistas).

      Ainda exemplifico, que Fidel Castro tem um networth de 900 milhões de Dollares, enquanto os demais cubanos após 50 anos de economia fechada, somente agora com a reversão que de forma cartesiana seria liberal, podem lutar por uma vida onde a igualdade e a equidade se reaproximem novamente.

      Enfim, a mesa num mundo globalizado, holístico e de constelações hegemônicas vive em equilíbrio, entre a nossa democracia, onde liberdade igualdade e fraternidade fomentam inclusive varios mal afortunados, e a democracia da africa que não disponibiliza do nosso welfare-state mas ainda assim é governada por alguns dos políticos mais ricos do planeta, de forma democratica, ou pelo menos o mais democratica possível. Todas boas o suficiente para sustentar a fartura na mesa que na verdade é dos intelectuais superiores, para dela sustentarem-se e fartarem-se, inclusive em seus avioes particulares e mansões pelo mundo afora, enquanto encontram-se com seus colegas, muitas vezes chineses e africanos com os quais realmente possuem semelhança em igualdade e equidade.

      Benvinda ao novo milenio, ao mundo holistico, globalizado e totalmente dominado.
      Passar bem.

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  2. Mestre Boff,

    Mais um belo texto! A partir da sua afirmação da singularidade do ser humano e que “[…] a participação crescente em tudo impede que a diferença se transforme em desigualdade e permite a igualdade crescer”, quero complementar que, para fazer crescer tal igualdade, temos que tratar os desiguais, desigualmente.

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  3. Boff, como existirá uma verdadeira democracia no capitalismo, sistema sócio-econômico que se baliza na desigualdade. Apenas rompendo com isso que poderemos pensar em igualdade e equidade.

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  4. Mas como, Sr. Leonardo? Como garantir a igualdade e a democracia, ou mesmo exigílas se somos todos diferentes? Essas diferenças, que incluem caráter, atitudes, anseios, religião, me parecem que nos afastam, proporcionalmente ao seu grau.

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  5. Como é bom compartilhar contigo, mestre Leonardo Boff, do mesmo pensamento e aprender cada vez mais. Somente este texto, já é suficiente para desenvolver todo um trabalho terapêutico. Não com a intenção de curar e sim de fazer refletir, pensar. Pensar, não em si próprio e seus problemas unicamente, mas em todas as possibilidades humanas e naturais interdependentes as quais estamos implicados sem nos darmos conta. Pois, somos regidos por um conceito reducionista e egoístico que nos separa e limita, tornando-nos impossibilitados de cuidar se quer de nós mesmos como um todo. Precisamos aprender a olhar para dentro, para poder enxergar o todo lá fora.

    Abraços,
    Mãrcia Machado

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  6. Muito profundo, muito erudito, mas certamente pouco humano, o que significa pouco simples. O prezado Bernardo não pode falar se não o faz como o professor que ele é. Com palavras muito mais singelas e diria mais convincentes, o Senhor Jesus disse isso mesmo. Eu também obtive títulos de filosofia e teologia de universidade pontifícia. Mas no meu trabalho pastoral comprendi que era melhor deixar a um lado toda essa vã ciência que não era sabedoria, e com o refrão “não uma teologia da liberação, mas uma liberação da teologia”, comecei a pregar só a palavra do Senhor, que abrange tudo. Certamente tive problemas, até o exílio, mas “contra viento y marea” continuei na mesma e hoje graças a Deus tenho uma comunidade de gente simples, composta por umas vinte nacionalidades de duas língua e de três continentes que vivem uma unidade maravilhosa de amor cristão.
    com todo respeito
    Orlando

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    • Acima, quando disse Bernardo, quis dizer Leonardo, tal vez foi porque ia escrever Boff e depois optei pelo nome.
      desculpas
      Orlando

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  7. Ótimo texto! E falar sobre ele, não é fácil. Até porque, nós, seres humanos incompletos, corremos atrás da completude o tempo todo, sem entender se isso é possível!!!
    E o resultado disso, são os nós cumulativos, desatando… desatando… Nós de incompreensão, nós de desatenção, nós de desafetos, nós de incapacidade, de ignorância, de prepotência, de amor próprio mal compreendido. Enfim, nós em todas as esferas do conhecimento humano.
    Quando diz:”… sem querer definir a essência humana, ela emerge como um nó de relações voltadas para todas as direções…”
    Acredito nisso também. Incompletudes e insatisfações são constantes, próprias do ser. E ainda: Não se trata de um problema psicológico que um psicanalista ou psiquiatra possam resolver.” E em seguida: “É sua marca distintiva… e não um defeito.”
    Com certeza que psicólogo, psicanalista ou psiquiatra não curam, e se disserem que sim,estão equivocados.
    Quando o nó se instala e travamos, estancamos. Enxergar o óbvio, sim está ali…Achamos mais cômodo mascarar, ou está difícil de suportar, e se responsabilizar pelos nós, terrível!!! Parece paradoxal poder e não poder nos livrar de algo.
    Nem sempre o nó é psicológico. Entretanto, na maioria das vezes,sim. Não tem como separar razão da emoção, nem das sensações boas ou más; não tem como separar valores e atitudes. Quando o sujeito se reconhece responsável por si mesmo, por suas atitudes e resolve sair do marasmo, ele desata nós. Quando não, muitas vezes, são presas das contingências da vida, e da própria história.
    É essa marca distintiva do ser, que precisa entrar num processo de evolução… Não teria sentido se assim não fosse…

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  8. Sábias palavras deste gênio brasileiro que mais uma vez nos brinda com reflexões e proposições relevantes…. Reflexões estas, que são como pérolas num mar de mesmices, preconceitos, inverdades, manipulações e parcialidades da grande mídia brasileira (P.I.G.). Parabéns Boff! Abraços!

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  9. Realmente esta analogia da mesa, é interessante e traduz uma opinião dos antigos, segundo qual a mesa é um estandarte da civilidade: ao passo do qual os antigos não se reuniam sem uma mesa, não faziam refeições no chão – a mesa como amparo.
    Representar o outro em si mesmo poderia influir na igualdade e em conceitos de maior tolerância.

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  10. Como sempre, um belo texto, com todas as coisas em seu devido lugar. Mas, como se põe isso em prática? Qual a ideologia que atenderia a todos esses requisitos? Estaria falando do reino de Deus? Bem, o Reino pode até ser de Deus, mas Ele também terá que Reinar, porque se entregar o seu reino aos homens, nunca alcançaremos o que o Sr. propõe.

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  11. Olá Leonardo Boff,
    Sempre acompanho seus artigos aqui e no momento preciso muito do seu coração compassivo, sou padre e preciso muito de uma orientação sua sobre o caminho para eu entregar um pedido de dispensa. Sei que o local aqui é público, mas preciso do seu socorro.
    Eu agradeço de coração se puder mandar seu e-mail para o meu por favor.

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  12. Excelente texto, Boff !!

    Como leitor, de seus livros e artigos, gostaria que você escrevesse sobre as manifestações que estão fervilhando no país.

    Todos sabemos que você é um, questionador e formador de opinião, sendo assim qual sua opinião sobre esse “fenômeno” que está acontecendo??

    Obrigado !

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  13. Querido irmão Leonardo, grandiosas suas palavras, te admiro muito quando você comenta Marx, pois são sóbrias suas posições, conforme também acreditei em posições de um grande defensor da vida no nosso Brasil, nosso amado Betinho, grande esboço desta mesa, destes quatros pés que sustentam a ordem ética e moral de qualquer sociedade, vejo que o ser humano necessita de uma grande mudança de paradigma, do ter para o ser, mas ser concreto, do eu com os próximos, e creio que para isto necessitamos de grandes arquétipos, como grandes da história, mas o principal deles Jesus de Nazaré, não o Cristo ressuscitado, mas do histórico, pois mais do que eu, você sabe que antes de toda a glória, necessitamos de história, que o reino aconteça aqui, dentro e fora do humano, e lembrando a cada um de nós, que raiz profunda e plena são os nazarenos, concretos de hoje e de sempre, agradeço pelos seus textos. Obrigado Rodrigo Massi.

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  14. O cristianismo não é uma “casuística” de preceitos: esta concepção impede de compreender e viver que Deus é alegria e magnanimidade, reiterou o Papa Francisco na Missa celebrada na manhã da quarta-feira 19 de Junho, na Casa S. Marta.

    Os hipócritas que “levam o povo de Deus a uma estrada sem saída”. O Papa faz a sua reflexão sobre a famosa passagem de S. Mateus que apresenta o contraste entre o comportamento dos escribas e fariseus – que se exibem em público, quando fazem a esmola, a oração e o jejum – e aquilo que, pelo contrário, Jesus indica aos discípulos como a atitude certa a tomar nas mesmas circunstâncias, ou seja, o “segredo”, a discrição apreciada e recompensada por Deus. Em particular, para além da vaidade dos escribas e fariseus, o Papa Francisco estigmatiza o hábito que têm de impor aos fiéis “muitos preceitos”. E os define “hipócritas da casuística”, “intelectuais sem talento”, que “não têm a inteligência para encontrar Deus, e explicar Deus com inteligência”, e fazendo assim impedem a si próprios e aos outros de entrar no Reino de Deus:

    “Jesus o diz: “Nem entrais vós e nem deixais que os outros entrem”. São moralistas sem bondade, não sabem o que é a bondade. Mas sim, são especialistas em ética, hein? “Deve-se fazer isto, e isto, e aquilo …’ Enchem-te de preceitos, mas sem bondade. E aqueles dos filactérios que vestem tantos tecidos, tantas coisas, para fingirem um pouco de “ser majestosos, perfeitos, não têm o sentido da beleza. Eles não têm o sentido da beleza. Chegam apenas a uma beleza para o museu. Intelectuais sem talento, moralistas sem bondade, portadores de beleza para museu. Estes são os hipócritas, aos quais Jesus repreende muito”.

    “Mas isso não termina aqui”, continua o Papa Francisco. “No Evangelho de hoje – observa ele – o Senhor fala de uma outra classe de hipócritas, aqueles que vão para o sagrado”:”O Senhor fala do jejum, da oração, da esmola: os três pilares da piedade cristã, da conversão interior, que a Igreja propõe a todos nós durante a Quaresma. Também nesta estrada estão os hipócritas, que se ostentam quando fazem jejum, dão esmola, e rezam. Eu penso que quando a hipocrisia chega a esse ponto no relacionamento com Deus, estamos bastante perto do pecado contra o Espírito Santo. Estes não sabem da beleza, não sabem do amor, não sabem da verdade: são pequenos, mesquinhos”.

    “Pensemos na hipocrisia dentro da Igreja: quanto mal nos faz a todos”, reconhece com franqueza o Papa Francisco que, pelo contrário, indica como “ícone” para imitar um personagem descrito numa outra passagem do Evangelho. Trata-se do publicano que com humilde simplicidade reza dizendo: “tem piedade de mim, Senhor, que sou pecador”. “Esta – disse o Papa – é a oração que todos devemos fazer todos os dias, sabendo que somos pecadores”, mas “com pecados concretos, não teóricos”. E é esta oração, conclui o Papa, que nos ajudará a percorrer a “estrada contrária” à hipocrisia, uma tentação – nos lembra o Papa Francisco – que “todos nós temos”:”Mas todos nós temos também a graça, a graça que vem de Jesus Cristo: a graça da alegria; a graça da magnanimidade, da generosidade. O hipócrita não sabe o que é a alegria, não sabe o que é a generosidade, não sabe o que é a magnanimidade”.

    (http://www.news.va/pt/news/o-cristianismo-nao-e-uma-casuistica-de-preceitos-p)

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  15. Caro Sr. Leonardo Boff, aguardo (aguardamos) ansiosos pelos seus comentários, ponto de vista e opinião sobre as manifestações recentes no Brasil, tal como a tribo espera para ouvir a palavra do chefe, guru. Aguardamos ansiosos. Saudações fraternais onde quer que o sr. esteja!

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  16. Vou citar a afirmação de Boff, na minha dissertação, alguém pode me dizer a página do primeiro paragrafo? Obrigada, Fernanda Luz

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  17. O SER HUMANO NECESSITA SER…

    “Observa com cuidado e verás a multidão aturdida, agressiva, estremunhada, que te parece antipática e infeliz. Em realidade, é constituída de pessoas como tu mesmo, fugindo para lugar nenhum, sem coragem para o autoenfrentamento.” Joanna de Ângelis/Divaldo Franco
    Conheço pessoas que, apesar de ásperas condições históricas, pela manhã já estão despertas e encorajadas para enfrentar os dilemas cotidianos, confiantes de que viver é um aprendizado contínuo, feito e refeito de erros e avanços. É um ato heroico, elas consideram, viver vivos, dando coerência às suas tarefas de alma, ainda que anônimas.

    Conheço outras, no entanto, e mesmo alguns colegas acadêmicos cum laude, cujas vidas entendem insossas e vazias, atribuído o inquieto temor à nossa época permeada pelos excessos do materialismo/fanatismo, sem ignorar a indiferença, um artefato muito cosmopolita.

    Frequentemente pouco sensibilizada para a importância de dar significado à própria vida, a sociedade contemporânea se espanta quando as boas condições materiais, aliadas a um irracional consumo, possam ser acompanhadas de sensação de insignificação e desespero diante das coisas da vida, sem esquecer o bando invisível de depressivos e infelizes que hoje tingem o mundo de um plúmbeo sofrer crônico.
    É notório que o sofrimento existe…

    Muita gente ainda não entende que somente metas significativas – e portanto a coragem para ser – podem gerar uma pura alegria ou uma satisfação honesta, pois é tão só o dinamismo dialético entre “ser” e “tornar-se” que põe rumo criativo ao caminho individual, algo que necessita muito ser disseminado, desde o primórdio da educação humana, e para manter fecundo o campo das convivências, estruturando então uma maior proximidade com os ditames da saúde do corpo-e-alma.

    É notório que o sofrimento existe e ninguém diria o contrário.

    Mas temos a tendência a intensificar o (mau) sofrer, à medida que, especialmente no Ocidente, somos treinados (e instigados) para não enxergar a impermanência das relações e das coisas, apostando, também por causa deste erro de interpretação, na fruição da felicidade como um “produto” a ser alcançado a qualquer custo e que passa, frente à realidade, a ser fonte de angústias e alvo de uma série de atitudes antissociais.

    Felicidade e sofrimento são experiências transitórias e, como indivíduos, o que de fato nos cabe é a aventura de evoluir, de nos conhecer para pensar/viver/conviver melhor.

    Sem dúvida, e nas dimensões privada e pública, mais e mais o desejo por sabedoria se faz essencial. Pois, para dizer o menos, a sabedoria, relacionada à verdade, logo contrária à mentira e aos enganos, tem o condão de nos afastar das armadilhas de uma vida comandada pelas ilusões.
    O necessário para viver uma vida escolhida

    Além disso, em um mundo que está em duro trânsito, a sabedoria pode nos assegurar a serenidade de reverenciar, aprendendo a agradecer e a saborear, por exemplo, as pequenas coisas do dia a dia: uma boa refeição, um livro edificante, uma companhia agradável, o abraço de um filho, um dia de chuva, um dia ventoso, a franca certeza do devir, da mudança que impregna todas as coisas…

    Embora muitos de nós estejamos afetados por um autoconhecimento superficial, pois largamente dirigidos por comandos materialistas (reducionistas), a qualquer instante podemos decidir por uma vida guiada por significação, portanto rumo à sabedoria.

    Que é necessário, então, para viver uma vida escolhida?

    Uma disposição corajosa para ser e viver, agindo bem, vivendo lucidamente, a despeito de todo mal que ainda permeia o destino humano – individual e coletivo. “Coragem de alma”, como dizia Spinoza.

    “Coragem de alma” para avançar, mas fazendo bem-feito a nossa parte – sob a luz da razão e do coração, porque a coragem, uma entre tantas outras virtudes, se como traço de caráter implica fraca sensibilidade ao medo, como qualidade é sempre generosa e por isso tece a biografia dos heróis. E precisamos de heróis, os heróis anônimos, que vivem todos os dias e, no vasto mundo, lucidamente educam seus filhos, cientes da responsabilidade de contribuir luminosamente com o destino humano.
    “Coragem de alma” para evoluir, pois o ser humano necessita ser…
    Eugênia Pickina – Forum Espírita – Julho/2015

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  18. OPODER DA VONTAFDE É ILIMITADO…

    Querer é poder! O poder da vontade é ilimitado. O homem, consciente de si mesmo, de seus recursos latentes, sente crescerem suas forças na razão dos esforços. Sabe que tudo o que de bem e bom desejar há de, mais cedo ou mais tarde, realizar-se inevitavelmente, ou na atualidade ou na série das suas existências, quando seu pensamento se puser de acordo com a Lei divina. E é nisso que se verifica a palavra celeste: “A fé transporta montanhas.”
    Não é consolador e belo poder dizer: “Sou uma inteligência e uma vontade livres; a mim mesmo me fiz, inconscientemente, através das idades; edifiquei lentamente minha individualidade e liberdade e agora conheço a grandeza e a força que há em mim. Amparar-me-ei nelas; não deixarei que uma simples dúvida as empane por um instante sequer e, fazendo uso delas com o auxílio de Deus e de meus irmãos do espaço, elevar-me-ei acima de todas as dificuldades; vencerei o mal em mim; desapegar-me- ei de tudo o que me acorrenta às coisas grosseiras para levantar o vôo para os mundos felizes!”

    Vejo claramente o caminho que se desenrola e que tenho de percorrer. Esse caminho atravessa a extensão ilimitada e não tem fim; mas, para guiar-me na estrada infinita, tenho um guia seguro – a compreensão da lei de vida, progresso e amor que rege todas as coisas; aprendi a conhecer-me, a crer em mim e em Deus. Possuo, pois, a chave de toda elevação e, na vida imensa que tenho diante de mim, conservar-me-ei firme, inabalável na vontade de enobrecer-me e elevar-me, cada vez mais; atrairei, com o auxílio de minha inteligência, que é filha de Deus, todas as riquezas morais e participarei de todas as maravilhas do Cosmo.
    Minha vontade chama-me: “Para frente, sempre para frente, cada vez mais conhecimento, mais vida, vida divina!” E com ela conquistarei a plenitude da existência, construirei para mim uma personalidade melhor, mais radiosa e amante. Saí para sempre do estado inferior do ser ignorante, inconsciente de seu valor e poder; afirmo-me na independência e dignidade de minha consciência e estendo a mão a todos os meus irmãos, dizendo- lhes:
    Despertai de vosso pesado sono; rasgai o véu material que vos envolve, aprendei a conhecer-vos, a conhecer as potências de vossa alma e a utilizá-las. Todas as vozes da Natureza, todas as vozes do espaço vos bradam: “Levantai-vos e marchai! Apressai- vos para a conquista de vossos destinos!”

    A todos vós que vergais ao peso da vida, que, julgando-vos sós e fracos, vos entregais à tristeza, ao desespero, ou que aspirais ao nada, venho dizer: “O nada não existe; a morte é um novo nascimento, um encaminhar para novas tarefas, novos trabalhos, novas colheitas; a vida é uma comunhão universal e eterna que liga Deus a todos os seus filhos.”
    A vós todos, que vos credes gastos pelos sofrimentos e decepções, pobres seres aflitos, corações que o vento áspero das provações secou; Espíritos esmagados, dilacerados pela roda de ferro da adversidade, venho dizer-vos:
    “Não há alma que não possa renascer, fazendo brotar novas florescências. Basta-vos querer para sentirdes o despertar em vós de forças desconhecidas. Crede em vós, em vosso rejuvenescimento em novas vidas; crede em vossos destinos imortais. Crede em Deus, Sol dos sóis, foco imenso, do qual brilha em vós uma centelha, que se pode converter em chama ardente e generosa!
    “Sabei que todo homem pode ser bom e feliz; para vir a sê-lo basta que o queira com energia e constância. A concepção mental do ser, elaborada na obscuridade das existências dolorosas, preparada pela vagarosa evolução das idades, expandir-se-á à luz das vidas superiores e todos conquistarão a magnífica individualidade que lhes está reservada.
    “Dirigi incessantemente vosso pensamento para esta verdade: podeis vir a ser o que quiserdes. E sabei querer ser cada vez maiores e melhores. Tal é a noção do progresso eterno e o meio de realizá-lo; tal é o segredo da força mental, da qual emanam todas as magnéticas e físicas. Quando tiverdes conquistado esse domínio sobre vós mesmos, não mais tereis que temer os retardamentos nem as quedas, nem as doenças, nem a morte; tereis feito de vosso “eu” inferior e frágil uma alta e poderosa individualidade!”
    Autor: Léon Denisrum Espírtita Maio 2015

    REALMENTE O PODER DA VONTADE É ILIMITADO

    (1TG.2.8) Se vós, contudo, observais a lei regia segundo a Escritura: (RM.RM.4.12) Como está escrito: (AP.22.20) Aquele que dá testemunho destas cousas, diz: (JB.19.35) Aquele que isto viu, testificou, sendo verdade o seu testemunho, e Ele sabe que diz a verdade, para que também vós creiais; (IS.28.26) pois o seu Deus assim o instrui devidamente e o ensina: (MT.11.29) Tomai sobre vós o meu jugo,e aprendei de mim; porque sou humilde e manso de coração; e achareis descanso para a vossa Alma: (EZ.24.22) Fareis como eu fiz, (JB.6.38) porque Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim, a vontade Daquele que me enviou: (JB.8.29) E Aquele que me enviou está comigo, não me deixou só; porque Eu faço sempre o que lhe agrada:
    (LC.12.34) Sabei, porém, isto:(JB.3.27) O homem não pode receber cousa alguma, se do céu não lhe for dada: (1SML.2.6) O Senhor é o que tira a vida e a dá; que faz descer a sepultura e faz subir: (EC.11.14/15) Os bens e os males, a vida e a morte, a pobreza e as riquezas, tudo isto vem de Deus: Em Deus é também que se acha a sabedoria, e o regulamento da vida, e a ciência das boas obras nele mesmo tem sua origem: (LC.21.19) É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma: (LC.29.17) Que quer dizer, pois, o que está escrito?
    (LE.8.11) Visto como não se executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal: (RM.10.14) Porventura não terá chegado isso ao conhecimento de Israel? (SL.33.15) É Ele que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras, (RM.2.8) que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento: (SL.73.7) Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo; (IS.30.12) pelo que assim diz o Santo de Israel:

    “(IL) Isso quer dizer que não existem Direitos Humanos, sem Deveres Humanos, na obra da nossa criação divina: Esses deveres inseridos nos mandamentos eternos e irrefutáveis, serão revelados e estabelecidos no curso da nossa jornada, rumo ao reino de Deus: Na verdade, nem uma folha pode cair ao chão, sem que se satisfaça a vontade do Criador de todas as cousas, porque a sua vontade é soberana e toda-poderosa:
    Por enquanto, apenas acabamos de queimar em praça pública, e banir da face da terra, a famigerada “Declaração Universal dos Direitos Humanos” que os gentios fizeram à revelia da lei, da vontade, e da Autoridade de Deus:
    Avaliai as minhas razões:
    Como todos os filhos dos homens, eu também nasci por vontade que não era a minha, vive para satisfazer as vontades daqueles que me precederam na obra comum da nossa criação, e também morreria a despeito da minha própria vontade; porque até então ninguém acreditava que a vontade que já prevalece na obra comum da nossa criação, não é a da criatura inacabada, como é obvio, e sim, a vontade do Criador de todas as cousas do céu e da terra”.

    (JB.14.11) Não se turbe o vosso coração, credes em Deus, crede também em mim; (RM.13.11) porque a nossa salvação está agora mais perto quando no princípio cremos:(EC.15.1) O que teme a Deus fará boas obras, e o que está bem firmado na justiça, lançará mão da sabedoria; (LS.8.4) porque é ela que ensina a ciência de Deus, e a que dirige as suas obras:

    (EF.5.14) Desperta, ó tu que dormes, e Cristo te iluminará; (LE.8.6) porquanto grande é o mal que pesa sobre o Homem; (1RS.13.9) porque assim me ordenou o Senhor, dizendo: (DT.15.5) Ouvirás atentamente a voz do Senhor teu Deus, para cumprir todos os estatutos e mandamentos, que hoje te ordeno:
    (GN.4.7) Eis que o pecado jaz à porta; cumpre a ti domina-lo:(GN.18.14) Acaso, há para o Senhor cousa demasiadamente difícil? …

    :

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